[Portugal] Comunicado sobre as novas ameaças Turcas sob Rojava e Shengal

Olhando para trás para 2020, que começou pouco depois da mais recente invasão de Rojava pelo Estado fascista Turco e da sua subsequente ocupação das regiões de Serekanîyê e Girê spî, a única coisa que se pode reportar é um número incessável de agressões por parte deste mesmo Estado ao movimento de libertação curda, dentro e fora das suas fronteiras e das regiões por si ocupadas.

Vimos ao longo do ano um escalar brutal de violência e crimes contra a humanidade nas áreas ocupadas. Assistimos em horror à bandeira do infame Estado Islâmico erguer-se mais uma vez nestas regiões onde o Estado Turco promove o jihadismo e o genocídio.

Ao longo do verão, assistimos a uma nova invasão e fortes ataques ao coração do movimento nas montanhas livres de Heftanînê, no Curdistão do Sul (norte do Iraque), assim como continuamos a assistir à brutal guerra genocida nas recentes áreas ocupadas em Rojava pelo Estado Turco e os seus mercenários jihadistas. Também foram perpetuados ataques indiscriminados que tinham como alvo a população civil e com o objetivo de semear o medo entre estas, quer no Curdistão do Norte (sudeste da Turquia), quer em Rojava.

No entanto, foi-nos este ano provado mais uma vez o enorme espírito de resistência do povo Curdo e de todos os povos que se confrontam com o Estado fascista Turco. A operação levada a cabo pelo Estado Turco nas montanhas de Heftanînê foi um enorme fracasso e um importante momento de resistência por parte do movimento de libertação curdo, em que as guerrilhas das mulheres mais uma vez mostram que são a linha da frente desta resistência e a força que encaminha este movimento a seguir em frente.

Os ataques nas regiões de Ain Issa, de Shehba, Afrin, Shengal ou tantas outras regiões do Curdistão provaram-se fúteis contra a resistência heroica e o sacrifício de tantos mártires, que são e serão eternos e nunca quebrarão perante estas agressões.

Quando olhamos de 2020 para 2021, temos razões para recear que este padrão de agressões e promoção do jihadismo e genocídio contra o povo curdo apenas continue.

Nas últimas semanas, o governo de Ancara reuniu-se com as autoridades do governo autónomo do Curdistão Iraquiano, e debateram uma invasão à região de Shengal, a região autónoma do povo Yazidi que em 2014 sofreu um enorme genocídio às mãos do Estado Islâmico. Para além da ameaça de uma invasão a esta região no Norte do Iraque, a região de Derîk no Nordeste da Síria (na zona fronteiriça entre Turquia, Síria e Iraque) também está sob ameaça.

Estas novas ameaças do ditador Erdogan, não são ameaças vazias. Neste momento e nos últimos dias, assistiu-se a uma crescente movimentação de tropas do outro lado da fronteira e a atividade de drones e dos serviços secretos Turcos também está a aumentar. Por isto tudo é certo de que uma nova invasão quer a Derîk ou a Shengal será iminente.

Apesar disto tudo, preparações também estão a ser feitas do nosso lado das barricadas. Toda a sociedade está-se a preparar para mais um momento histórico de resistência às forças fascistas Turcas. E a moral está elevado.

Agora mais do que nunca é necessário compreender que o problema do estado Turco e a luta do povo Curdo não são coisas regionais e que nada nos dizem respeito. O problema do fascismo Turco é um problema internacional, pois todos os estados da modernidade capitalista estão envolvidos e são cúmplices das suas ações contra os povos livres do Médio Oriente. E a luta curda não é apenas uma Luta por um Curdistão livre, mas uma Luta por um mundo livre. Não é mais uma questão de apenas libertar os curdos, mas de libertar a Humanidade.

Por isto tudo, como Plataforma de Solidariedade com os Povos do Curdistão, como grupo Internacionalista e feminista, apelamos a todos e todas que não fiquemos mais uma vez simplesmente a assistir a mais uma operação genocida por parte de um aliado de Portugal. Apesar dos tempos bastante complicados que vivemos devido à pandemia do covid-19, a máquina estatal do capitalismo não para, as guerras não pararam, os femicídios não pararam, a destruição ambiental não parou, o genocídio não parou.

Apelamos, portanto, a todos os indivíduos e coletivos que mostrem a sua solidariedade para com os povos que enfrentam todos os dias o Estado Turco e por isso se encontram na linha da frente pela Liberdade da humanidade.

Como Plataforma de Solidariedade com os Povos do Curdistão apoiamos a luta dos povos da região e sentimo-nos profundamente inspirados e inspiradas pela alternativa construída nos territórios do Curdistão, e por isso, juntamente com os povos do Curdistão a nossa resistência será eterna.

Juntxs esmagaremos o fascismo Turco!

 Jîn, Jiyan, Azadî!

Serkeftin!

>> Partilha este comunicado e segue-nos nas nossas redes para mais informações.

Twitter: @riseup4rojavapt

Instagram: @RiseUp4Rojava_Portugal

Email: portugal4rojava@gmail.com

agência de notícias anarquistas-ana

Libélula voando
pára um instante e lança
sua sombra no chão

H. Masuda Goga

[Espanha] Não será nas urnas ou nos tribunais onde derrotaremos o fascismo

Não gosto nada de ver os deputados do Vox em um parlamento. Ainda me lembro da surpresa quando eles entraram no parlamento andaluz. E temo que no próximo 14-F veremos um punhado deles eleitos no parlamento da Catalunha. Mas o que não me agrada não é o fato de haver deputados fascistas. Ao longo do tempo, temos sofrido com muitos deputados prejudiciais aos interesses da maioria da população. Aqueles que aprovaram as sucessivas reformas trabalhistas não eram do Vox. Nem a lei sobre estrangeiros ou a lei da mordaça, ou a liberalização de aluguéis e terras, ou tantas outras leis.

Bem, não, se eu não gosto do fato de haver deputados do Vox é porque se eles existem é porque há fascismo na rua. Este é o problema: o fascismo existe. Devo dizer que não estou muito preocupado com o fascismo que existe exclusivamente no distrito de Salamanca, em Madri, ou na Plaza Artós, em Barcelona. É lá que vivem nossos inimigos de classe. Eles são as pessoas que enriquecem com nossa miséria, que não têm escrúpulos para despedir centenas ou milhares de pessoas, para o tráfico de armas e medicamentos, para privar milhões de pessoas em todo o mundo do acesso aos recursos de que necessitam para fazer algo tão básico como viver. Que estas pessoas evoluam para o fascismo é possivelmente um fenômeno natural, especialmente se elas virem que as outras formas de controle e poder político que têm são insuficientes em um dado momento.

O que é preocupante do meu ponto de vista é que o fascismo está se espalhando e encontrando terras para se enraizar em outros lugares, nos bairros onde nosso povo vive. É um fascismo que também se alimenta da exploração, do empobrecimento da vida cotidiana, do hábito repetidamente imposto à classe trabalhadora de que falar de política é uma perda de tempo, do egoísmo que é repetidamente reiterado por muitos talk shows e programas de mídia de lixo. Um egoísmo que se traduz em mim primeiro e depois o resto, especialmente o último a chegar, sejam eles jovens em uma empresa ou migrantes para um território. Por outro lado, a cultura da delegação nos é imposta há décadas. Delegamos a gestão do dia-a-dia aos políticos profissionais. Delegamos nossa ação política no local de trabalho aos delegados sindicais.

Delegamos a profissionais para fazer coisas que não nos importamos em compreender. Neste contexto, por que estamos surpresos que um modelo autoritário, que promete segurança em troca de abdicar da liberdade, tenha um público tão grande? É uma consequência lógica do que temos sido feitos para ser durante anos. E não nos confundamos, não foram partidos políticos ou sindicatos fascistas que nos conduziram por este caminho. Foram outros, aqueles que desde 1977 modelaram como devemos ser. O egoísmo radical e a delegação absoluta de nossa vida àqueles que garantem a tranquilidade (o “pão e os touros” do franquismo) é um alimento imbatível para o crescimento do fascismo.

Concentrar o problema na entrada do Vox em um parlamento é negar a realidade. Da mesma forma que pensar que a solução é proibir uma festa como o Vox também é uma auto-enganação. Possivelmente aqueles que administram o sistema há quarenta anos estão interessados em concentrar o debate nesta área, na esfera dos tribunais, das instituições e das eleições a cada quatro anos. Enquanto isso, somos relegados como meros espectadores. Ao fazer isso, eles continuam a alimentar a cobra que desovou o ovo que agora está quebrando. Eles continuam a reproduzir um sistema onde a capacidade das pessoas comuns de serem protagonistas de nossas vidas, criando ação política e gerenciando coletivamente nossas vidas diárias, é anulada. A solução que eles propõem, ao contrário, é como tentar deter uma maré com uma simples vassoura e nos condena a observar, passivamente, como pouco a pouco o fascismo se espalha e nos intoxica. Na verdade, sendo um pouco equivocado, talvez já haja quem queira que o fascismo ganhe destaque em certos bairros e locais de trabalho. Que ele se torne um ponto de referência para um setor da classe trabalhadora. Quanto mais espaço ele ocupa, menos temos, aqueles de nós que se propõem e lutam por alternativas ao modelo social e econômico atual. Talvez seja disso que se trata.

É imperativo que saiamos desta lógica. A luta contra o fascismo ou será liderada por nós, ou não será. E penso que temos que fazê-lo de duas formas complementares e igualmente necessárias. Primeiro, temos que evitar que ele se torne presente em nossos bairros e em nossos locais de trabalho. E isto deve ser feito com nossa força, aquela que vem da ação direta. Em segundo lugar, devemos combater o fascismo, fortalecendo nossas alternativas ao sistema econômico, social e político predominante. Somente quando formos capazes de apresentar propostas atuais que sejam aceitáveis e estimulantes para os radicais, poderemos deixar o fascismo sem oxigênio para viver. Há exemplos que mostram como isso é verdade. Onde o movimento habitacional constrói uma luta na qual a solidariedade e a ação direta são a base, o fascismo não entra. Assim como não ousou entrar nas verdadeiras lutas sindicais, aquelas (e infelizmente são muito poucas) onde as assembleias decidem e as barricadas liberam caminhos.

A alternativa ao fascismo não passa pelo sistema que permitiu o seu crescimento. Paradoxalmente, passa por uma luta surda e constante para subvertê-lo.

Fonte: http://alasbarricadas.org/noticias/node/45383

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Ao longo da estrada:
“A próxima descida trará
Mais quaresmeiras em flor!”

Paulo Franchetti

[Espanha] Kropotkin, um dos nossos

Por Francisco José Cuevas Noa | 04/02/2021

No 100º aniversário do falecimento de Piotr Kropotkin, 1921–2021

No jornal anarquista Bandera Libre de dezembro de 1920, editado em Cádiz, trabalhadores gaditanos e de El Arahal põem um anúncio com o título “Pro – Kropotkine”, no qual informam de que há uma inscrição aberta para recolher dinheiro para o libertário russo. Assim como se arrecadam fundos para companheiros despedidos, em prisão, ou para órfãos de lutadores obreiros… Tenta-se sustentar o geógrafo russo, que se encontra vivendo em condições penosas junto a sua companheira e sua filha na aldeia de Dmitrov, a 65 quilômetros de Moscou. Para os anarquistas andaluzes desses anos, Kropotkin é mais um companheiro, a socorrer com algo de dinheiro para alimentos ou para lenha.

Mas o que aconteceu ao longo dos anos para que este nobre russo, geógrafo, intelectual, se conectasse tanto com o proletariado andaluz? Está claro que Kropotkin era um desclassificado — havia pertencido ao corpo de acompanhantes do Czar e renunciou à vida de aristocrata —, mas sua distância geográfica — Rússia, o exílio britânico e francês — poderia ter sido uma barreira para se conectar com o movimento obreiro andaluz e espanhol.

Duas razões potentes possibilitaram o encontro entre o pai do anarco-comunismo e a classe obreira organizada andaluza:

· Em primeiro lugar, a aceitação plena das proposições do comunismo libertário entre os anarquistas andaluzes. Como não iriam abraçar as ideias de propriedade coletiva e de apoio mútuo, trabalhadores que estavam acostumados desde a infância a compartilhar a bacia, o balde recuo, ao trabalho comunitário, a pôr o lenço para recolher umas moedas quando um irmão de classe precisava levar uma criança ao médico ou levar-lhe um cesto ao cárcere? As práticas populares de apoio mútuo em Andaluzia, especialmente arraigadas no meio rural, supunham uma confirmação na prática das teses do comunismo libertário. “A cada um, segundo suas necessidades; de cada um, segundo suas capacidades”.

· O trabalho abnegado e continuado do anarquista gaditano Fermín Salvochea, que editou o jornal El Socialismo desde Cádiz, entre 1885 e 1891, e desde o qual difundiu amplamente as ideias de Kropotkin, fazendo traduções de seus artigos e livros do inglês. Salvochea conseguiu introduzir as proposições do comunismo anarquistas entre os ambientes ácratas espanhóis, que debatiam com as ideias do anarco-coletivismo de Bakunin.

Desde finais do século XIX, pois, a imagem de Kropotkin passará a presidir as sedes de sindicatos e ateneus libertários, junto à de Bakunin e a de Proudhon. O impulso do geógrafo russo ficou para sempre nos corações e nos anseios da classe obreira andaluza. Tanto é assim, que em janeiro de 1933 tem lugar os acontecimentos de Casas Viejas, uma tentativa insurrecional dos jornaleiros [camponeses] para implantar o comunismo libertário, mas que também se reproduz em La Rinconada, e em alguns povoados de La Rioja. Durante umas horas, os obreiros acariciaram seu sonho de abolir a propriedade e pôr em comum os bens para o povo.

As ideias kropotkinianas, inclusive, influem no debate ideológico andaluz das primeiras décadas do século XX mais além das filas ácratas, como no caso de Blas Infante, que se mostrou mais próximo ao evolucionismo cooperativo do cientista russo que as teses do neodarwinismo, como pode se observar em sua obra el Ideal andaluz (1915).

As ideias de expropriação, produção descentralizada e de gestão comunal das terras e das fábricas, que o russo descreveu excelentemente em sua obra La conquista del pan (que teve ampla difusão entre a classe obreira daqui) arraigaram profundamente na psicologia dos/as trabalhadores/as de Andaluzia, especialmente no meio rural. Esta direção para o comunismo libertário cristaliza de forma vigorosa e unânime no Congresso da CNT de Zaragoza de Maio de 1936, que estabelece em uma decisão como haverá de ser a futura sociedade anarquista, de caráter revolucionário, e organizada mediante coletividades de trabalhadoras de forma federal e sem Estado.

Como conclusão, em 19 de Julho de 1936 se dá o fenômeno conhecido como Revolução Espanhola, no qual grande parte das propostas kropotkinianas se materializam mediante a coletivização de campos, indústrias e serviços, em lugares como Catalunha e Aragão, mas também em Andaluzia Oriental. Kropotkin não viveu para vê-lo, mas seus irmãos sim foram capazes de fazer a colheita do que ele semeou.

Fonte: https://www.lavozdelsur.es/opinion/kropotkin-nuestros_255572_102.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Tangerina cai
e a casca ferida exala
gemidos de dor.

José N. Reis

[Holanda] Feira de Livros Anarquistas Amsterdam 2021, edição de primavera

Temos o prazer de anunciar que haverá uma Feira de Livros Anarquista em Amsterdam na primavera de 2021. O local será anunciado posteriormente. Mas será em Amsterdam e definitivamente será anarquista!

Embora o ano passado tenha ficado à sombra de uma pandemia global e outros desenvolvimentos horríveis, também vimos um ressurgimento da resistência e da luta. Queremos usar a Feira de Livros Anarquista de Amsterdam para dar uma plataforma para essas lutas, aprender com elas e ajudá-las a crescer.

Estamos felizes por termos conseguido organizar algo em novembro de 2020. E também surpresos ao ver quantas pessoas quiseram comparecer, que agiram com responsabilidade no evento e todo o apoio que recebemos. Mas ainda parecia diferente, obviamente. É por isso que queremos tentar organizar uma feira do livro anarquista na primavera de 2021. Estamos tentando fazer em um local externo para que possamos estar com um pouco mais de gente, enquanto agimos de forma responsável durante esta pandemia.

A feira do livro edição de primavera de 2021 terá muitos estandes, uma extensa programação de workshops e esperamos muito mais! Você é ou conhece pessoas que administram uma distro ou querem dar um workshop? Por favor, nos informe!

Também queremos trabalhar maneiras de tornar o evento mais acessível. Ainda estamos trabalhando nisso, mas um anúncio mais completo sobre isso seguirá. Se você quiser nos ajudar com a acessibilidade de alguma forma, por favor, nos avise.

anarchistbookfairamsterdam@riseup.net

anarchistbookfairamsterdam.blackblogs.org

Tradução > A. Padalecki

agência de notícias anarquistas-ana

O vento leva
as folhas e a poeira…
voam as lágrimas

Karen Aniz

Comunicado da Internacional de Federações Anarquistas (IFA) sobre a pandemia

A pandemia mundial e suas consequências estão atormentando a classe trabalhadora, os explorados e o povo oprimido. É a parte da população mundial mais afetada pela pandemia e, ao mesmo tempo, a mais comprometida em proteger a saúde de todos.

O sistema estatal e capitalista está mostrando com mais clareza suas debilidades e contradições. A aceleração dos processos autoritários que se leva a cabo a nível mundial tem como objetivo defender o poder, os privilégios e os benefícios das classes dominantes.

Em várias regiões do mundo assistimos a deterioração das condições de vida e de trabalho de centenas de milhões de pessoas. O monopólio dos recursos naturais está em marcha e os bens essenciais, como a terra e a água, se concentram cada vez mais nas mãos dos grandes proprietários. Poucas grandes empresas em diferentes setores como o comércio eletrônico, a tecnologia, os meios de comunicação, os produtos farmacêuticos, o comércio varejista e a indústria automotiva prosperaram durante a pandemia ganhando centenas de milhares de milhões de dólares. Em muitos países o orçamento militar foi aumentado e as tensões bélicas entre estados estão se exacerbando em um concerto crescente de propaganda racista, fascista e nacionalista.

Os governos de todo o mundo estão reforçando as agências de segurança, tanto para controlar e reprimir mais a população, como para ampliar o poder das forças policiais. Enquanto isso, a população segregada está vivendo a situação atual na privação total, em Gaza como nos guetos das grandes cidades, ou em Lesbos, nos campos de detenção para imigrantes e nas prisões de todo o mundo.

Geralmente, os governos utilizam as medidas para prevenir a infecção por coronavírus para atacar os movimentos de luta.

Em todos os rincões do mundo há formas de resistência. Estes movimentos de luta em alguns casos não só estão resistindo ao endurecimento das políticas autoritárias, mas estão tratando de criar uma alternativa. Estamos com os povos que se rebelam nos Estados Unidos contra o racismo e a polícia, ou na Nigéria contra as forças especiais de segurança, na França contra um novo estado policial, contra a violência do genocídio e a repressão para com o povo mapuche no Chile. Estamos com aqueles que lutam contra a ditadura na Turquia e Bielorrússia, ou contra os regimes autoritários na Tailândia e Indonésia. Onde está presente o movimento anarquista é parte ativa destas lutas. Em várias regiões do mundo, os anarquistas estão comprometidos diariamente, defendendo os espaços de liberdade, apoiando os trabalhadores em greve, construindo redes de solidariedade e ajuda mútua para fazer frente a pobreza, à violência de gênero, à inacessibilidade aos equipamentos de proteção e o tratamento médico.

Agora mais do que nunca é necessário fortalecer a dimensão internacionalista do anarquismo, para fazer frente aos processos autoritários em curso, para relançar uma perspectiva revolucionária em um mundo que o capitalismo e o estado levaram ao colapso.

Comissão de Relações da Internacional de Federações Anarquistas (CRIFA)

16 de janeiro de 2021

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sombra de árvore –
Até mesmo a companhia de uma borboleta
É karma de uma vida anterior.

Issa

Durruti Fala

A 5 de Agosto de 1936, depois da vitória e libertação de Aragão, Buenaventura Durruti era entrevistado por Pierre van Paasen do Toronto Star. Breve mas elucidativa, tem o condão de revelar que os anarquistas estavam cientes das dificuldades do esforço revolucionário, contradizendo a noção de que eram “analfabetos” políticos e aventureiros inconscientes. Sabiam do medo de Estaline, e das suas intenções sabotadoras, como esperavam uma aliança fascista entre Franco, Hitler e Mussolini sem resposta das democracias (França e Inglaterra).

Também caracteriza com precisão a natureza do fascismo, a última linha de defesa do capitalismo, e de que não existe anti-fascismo, consequentemente, sem anti-capitalismo.

“É um homem alto e forte, moreno, barbeado, com traços mouriscos, filho de camponeses humildes. Tem voz aguda, quase gutural.”

Van Passen: Acha os militares rebeldes já derrotados?

Buenaventura Durruti: Não. Ainda não os vencemos. Ocuparam Saragoça e Pamplona. Aí estão os arsenais e as fábricas de munições. Temos que conquistar Saragoça e depois iremos ao encontro das tropas compostas por Legionários Estrangeiros que vêm do sul comandadas pelo general Franco. Dentro de duas ou três semanas estaremos envolvidos em
batalhas decisivas.

Van Passen: Duas ou três semanas?

Durruti: Duas ou três semanas ou talvez um mês. A luta prolongar-se-á no mínimo por todo o mês de Agosto. O povo trabalhador está armado. Neste cenário, o exército não conta. Existem dois campos: o dos homens que lutam pela liberdade e dos que lutam para acabar com ela. Todos os trabalhadores da Espanha sabem que se o fascismo triunfar virá a fome e escravidão. Mas os fascistas também sabem o que os espera se perdem. Por isso essa luta é implacável. Para nós o que importa é derrotar o fascismo, de maneira que não possa levantar nunca mais a cabeça na Espanha. Estamos decididos a terminar de uma vez por todas com ele, e isso, apesar do governo…

Van Passen: Porque diz “apesar do governo”? Não está esse governo lutando contra o levantamento fascista?

Durruti: Nenhum Governo no mundo combate o fascismo até suprimi-lo. Quando a burguesia vê que o poder lhe escapa das mãos recorre ao fascismo para manter o poder dos seus privilégios. E isto é o que acontece em Espanha. Se o Governo republicano tivesse desejado acabar com os elementos fascistas, podia tê-lo concretizado há muito tempo. Em vez disso, acomodou-se, comprometeu-se e esbanjou tempo na procura de compromissos e acordos com eles. Mesmo agora, existem membros do Governo que desejam tomar medidas muito moderadas contra os fascistas. Quem sabe se o Governo não espera ainda utilizar as forças rebeldes para esmagar o movimento revolucionário desencadeado pelos trabalhadores!

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://alulaeoanarquismo.wordpress.com/2020/08/05/durruti-fala/

agência de notícias anarquistas-ana

Noites sem cigarras –
qualquer coisa aconteceu
ao universo.

Serban Codrin

Música nova do Ktarse: “Contos de Farda”

“A POLÍCIA PRUS BOYS É PROTEÇÃO DE SEUS PRIVILÉGIOS, A POLÍCIA PRA NÓS DE QUEBRADA É PERSONIFICAÇÃO DA OPRESSÃO E REPRESSÃO, CONTRA OS INDESEJÁVEIS SOCIAIS”.

.

Os Ratos cinzas aterroriza a periferia

Us bota preta é uma gangue fascista

Legitimada pelo Estado e governantes

Pra manter a ordem da classe dominante

.

Polícia não é o oposto dos fascistas

Polícia abusa, seqüestra, assassina

Aterroriza os indesejáveis sociais

Os favelados e LGBTQI+

.

Nas periferias todos os dias

Agem de forma truculenta e racista

Violentos prepotentes, us bota preta

Gambé paga pau da extrema direita

.

Polícia e fascistas anda lado a lado

Subservientes dos endinheirados

Esses excrementos, otários fardados

Serviçais, capachos do Estado

.

Bonecos ventríloquos dos políticos

Mantedores da ordem dos ricos

Dos privilégios da burguesia maldita

Dos escravocratas, capitalistas

.

Em toda história da humanidade

Onde a Estado, privilégios de classe

Onde a exploração dos de baixo

Sempre existiu otários fardados

.

REFRÃO

Não credite em contos de fardas

Não existe polícia humanizada

Preparados para aterrorizar a periferia

Protetores do Estado e da burguesia

.

Otários defendendo aristocracias

Raça do caralho chamada polícia

Sua competência é gerar violência

Aterrorizar com táticas sangrentas

.

Desde seu surgimento o mesmo princípio

Manter a segurança e proteção dos ricos

Oprimir os marginalizados, subversivos

Os insurgentes, os escravos fugitivos

.

Em todo território tem um verme fardado

Policial é um agente macabro do Estado

Preparado, robotizado, adestrado

Pra matar em prol dos endinheirados

.

Ao lado das prisões e tribunais

Tem uma tropa de arrombados policiais

Nenhum Estado elimina

As milícias, fascistas e racistas

.

Fardados covardes, ratos cinzas

Todo gambé é um facínora genocida

É explicito, que a polícia

Protege os brancos supremacista

.

Mantendo os pobres sob controle

Impedindo a rebelião contra os opressores

As desigualdade de classe é mantida

Pelos bota preta serviçais da burguesia

.

REFRÃO

Não credite em contos de fardas

Não existe polícia humanizada

Preparados para aterrorizar a periferia

Protetores do Estado e da burguesia

.

A polícia garante com competência

Que a periferia continue na violência

Que as injustiças continue sendo injustiças

Que os capitalista continue sendo capitalistas

.

A polícia nunca será uma aliada

Das classes empobrecidas, subalternizadas

Polícia é inimiga de quem questiona a ordem

De quem quer mudança na vida dos pobres

.

De quem luta por vida digna

Sem violência, sem fascistas

Enquanto houver policia haverá conflitos

Quando levantarmos contra os ricos

.

Quando cansarmos de sofrermos na miséria

E partimos pra luta pra a ação direta

A polícia é uma gangue fascista

Aliada dos gananciosos capitalistas

.

Nenhum governo ou sistema hierárquico

Combate o fascismo até derrotá-los

Quando a burguesia se sente ameaçada

Recorre a sua gangue fascista fardada

.

Para manter seus privilégios de enriquecimento

E não importa qual seja o governo

Ai quebrada não acredite em contos de farda

Não existe polícia humanizada

.

REFRÃO

Não credite em contos de fardas

Não existe polícia humanizada

Preparados para aterrorizar a periferia

Protetores do Estado e da burguesia

.

A ÚNICA MANEIRA DE ACABAR COM A VIOLÊNCIA POLICIAL É ACABAR COM A POLÍCIA!

NÃO EXISTE POLÍCIA ANTIFASCISTA!!!!

>> Escute a música aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=U1sztsUODYg&feature=youtu.be

agência de notícias anarquistas-ana

olhando para trás
meu traseiro cobria-se
de cerejeiras em flor

Allen Ginsberg

[Chile] Atualização da situação dos companheiros anarquistas Francisco Solar e Mónica Caballero

Janeiro de 2021

Os companheiros se encontram na prisão desde 24 de julho de 2020 após serem detidos e acusados por ataques explosivos ocorridos em julho de 2019 e fevereiro de 2020. Recentemente completaram os 6 meses de investigação decretados inicialmente, e como era de se esperar a promotoria solicitará a ampliação da investigação em uma audiência fixada para 11 de fevereiro.

Ambos continuam sob um estrito regime carcerário, Francisco na Unidade de Máxima Segurança no Cárcere de Alta Segurança e Mónica no Módulo de Conotação Pública do Cárcere de San Miguel. Após uma árdua mobilização – tanto dentro como fora das prisões – que exigia o retorno das visitas para todos os presos, desde meados de dezembro Mónica e Francisco conseguiram ter visitas, as quais ainda estão muito longe das condições dignas que se busca recuperar: foi de duas horas, a cada três semanas, onde pode ingressar só uma pessoa.

Os companheiros seguem fortes, inquebrantáveis na convicção de que o cárcere não é o fim de nada, mas uma nova trincheira de confrontação anárquica. Desde esse lugar, ambos continuaram dando uma colaboração com a discussão e a luta dando conta de que os muros que pretendem isolá-los não resistem à solidariedade e cumplicidade entre ácratas.

Sedição contra o Estado policial!!!

Que a revolta arrebente as prisões!!!

MÓNICA E FRANCISCO À RUA!!!

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/01/chile-comunicado-da-companheira-anarquista-monica-caballero/

agência de notícias anarquistas-ana

pássaros cantando
no escuro
chuvoso amanhecer

Jack Kerouac

[Grécia] Apoio aos 6 presos em 1/3/18 em Patras acusados de se enfrentarem com a polícia

Na quinta-feira, 1º de março de 2018, depois da manifestação antinacionalista e antifascista em resposta aos protestos nacionalistas pela questão da Macedônia, que aconteceram em várias regiões do país, seguiram violentos enfrentamentos com a polícia, como um ato de solidariedade com o prisioneiro em greve de fome /sede Dinos Giagtzoglou. A polícia fez 6 detenções.

Depois de muita violência verbal e brutalidade policial e 4 dias de detenção em péssimas condições, fomos liberados com restrições, inclusive a proibição de reunir-se com fins políticos em todo o país, a obrigação de apresentarem-se na delegacia a cada duas semanas e uma fiança de 7.000 €.

Nossa presença na delegacia para assinar a cada duas semanas segue vigente, uma rotina nada agradável. Constantemente nos vemos obrigados a enfrentar as ironias, os olhares e em geral o ódio das autoridades, que por natureza odeiam a todo aquele que não esteja de acordo com o monopólio da violência que possuem.

Três anos depois, no dia 3/3/2021 o caso será julgado pelo jurado misto no tribunal criminal de Kalavryta. Por um lado, este é um momento que levamos muito tempo esperando, já que para ninguém a espera é uma condição agradável, sobretudo, quando se trata de decisões relacionadas com a restrição de liberdades, mas por outro lado é um processo extremamente custoso econômica e moralmente que tem o propósito do esgotamento psicológico e físico de todos aqueles que estão lutando. As acusações apresentadas contra nós se classificaram como delitos menores assim como delitos graves, enquanto que estamos obrigados a poupar a enorme quantidade de 6.000 €, para os custos das taxas judiciais. Tudo isto durante um período no qual todos os aspectos de nossas vidas foram suspensos e inclusive a sobrevivência de milhões de pessoas é uma luta diária contra as restrições, a miséria e a morte.

A situação atual com a pandemia de Covid-19 nos encontra a todos em uma posição terrível, complexa e insegura. Ao mesmo tempo, as políticas do Estado são um crime constante contra todas as pessoas que pertencem à classe baixa. A repressão está em todas as partes, na falta de medidas básicas e necessárias de proteção e cuidado para os que vivem aglomerados em campos de concentração de migrantes ou em cárceres, às pessoas sem moradia e com falta de alimentos. As pessoas têm que morrer sozinhas, já que o destroçado sistema de saúde pública não pode tratar a todas as pessoas que o necessitam, quando ao mesmo tempo a culpa de tudo isto recai sobre nós através da retórica da “responsabilidade individual”.

Falando da política repressiva do Estado durante a pandemia, não podemos deixar de mencionar alguns recentes flagrantes exemplos. Como contribui a proibição de reunir mais de quatro pessoas à restrição da propagação do vírus, em dias como o aniversário do levante de 17 de novembro ou o assassinato de Alexis Grigoropoulos quando no dia seguinte as pessoas se reúnem às centenas nas lojas fazendo compras para o Natal? Como o incremento na violência policial contra qualquer um que se atreva a questionar estas proibições irracionais, ajuda a reduzir o número de casos de Covid-19? Como se pode relacionar a gestão da pandemia com o fato de que no aniversário do assassinato de Alexis Grigoropoulos pela polícia, seu memorial seja “custodiado” pelos policiais assassinos? Como podem as detenções, as intervenções violentas em espaços públicos, os ataques a espaços e pessoas que atuam com base na auto-organização e ajuda mútua, as multas que igualam o salário mensal, as cidades ocupadas por policiais, os registros exaustivos e as invasões e registros nas celas dos presos, a brutalidade policial diária e a manifestação de poder, ajudam a reduzir o número de pessoas que morrem pelo Covid-19?

Muitas perguntas e as respostas são tão complexas como óbvias. O poder sempre necessita guardas. Pessoas descartáveis que, sob o pretexto da segurança dos cidadãos, protegem os interesses do poder a todo custo. E o custo é a repressão dos de baixo, dos que demonstram que este mundo está construído sobre cimentos miseráveis, dos que produzem a riqueza que o poder necessita para reproduzir-se e se manter. De fato, ter um Estado policial estabelecido, vendido como mecanismo preventivo sanitário, impondo medidas irracionais, leva a dezenas de incidentes de brutalidade policial e violência diária, contra qualquer um que resista e luta.

Finalmente, estamos sendo julgados no dia 3/3/21, acusados de violência contra oficiais de polícia totalmente blindados, de destruição de propriedade pública, e um montão mais de irônicas formulações. E a ironia reside no fato de que a polícia, como um corpo executivo estatal pode assaltar livremente, quando ninguém dos oprimidos jamais poderia fazê-lo assim: violência profissional, metódica e eficaz, com seu objetivo principal todo aquele que se desvia da normalidade, aos mais vulneráveis, ao  que se atreve a levantar a cabeça e lutar, a lutar contra o existente e qualquer tipo de poder que gere.

De nossa parte, como pessoas que lutamos pela liberdade e defendemos a vida, não podemos deixar de propor a solidariedade entre todos os reprimidos e explorados, entre todos os lutadores. Até que escutem, até que respirem livres.

Ps: Muitas das atividades que costumam ser organizadas por pessoas do espectro político radical mais amplo, agora não podem se realizar, devido às restrições. Portanto, não se está podendo realizar eventos para apoiar economicamente e cobrir  οs custos judiciais. No entanto, esclarecemos aqui que para nós a solidariedade não é uma condição estéril que se limita ao apoio econômico. Claro, o custo econômico é claramente uma realidade e devemos cobri-lo, mas, no entanto, cremos que seria um processo vazio, de caráter processual, se ficasse só assim.

A solidariedade é uma relação contínua, diária e recíproca na qual elegemos basear e construir nossas relações. Em um mundo que promove a individualidade, a competição, a internalização da dificuldade e da dor, optamos por permanecer unidos, com dignidade, fortalecendo constantemente nossos vínculos, nutrindo-os, extraindo forças uns dos outros, lutando vigorosamente por uma vida sem opressão, exploração, e poder.

Qualquer indivíduo, grupo ou coletivo pode nos contactar em: allhlegguh ARROBA riseup.net, e nos apoiar em https://www.firefund.net/solidaritysix

A Solidariedade é nossa arma.

Que ninguém fique só nas mãos do Estado!

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

sopra o vento
sento em silêncio
sentir é lento

Alexandre Brito

[Espanha] Lançamento: “Fijaos en la Naturaleza. Ética: Origen y evolución de la moral”, de Piotr Alekséyevich Kropotkin

Prólogo de Álvaro Girón Sierra

“Fijaos en la Naturaleza. Ética: Origen y evolución de la moral” faz parte do grande projeto — inconcluso — que Kropotkin se propôs no final de sua vida: a construção de uma Ética que assentasse os fundamentos morais para garantir uma convivência justa e igualitária.

Analisando a vida em comum dos animais, dos seres humanos prévios à civilização, das diferentes correntes religiosas, filosóficas e morais, Kropotkin provou, desde um ponto de vista científico, que a Natureza não é amoral e não ensina ao homem o mal, ao contrário, a moral é um produto natural da evolução da vida social não somente no ser humano, mas em quase todos os seres vivos. Todo o progresso humano está intimamente ligado à vida social, que engendra de modo natural e inevitável, tanto nos humanos como nos animais, o instinto de sociabilidade e de apoio mútuo, cujo desenvolvimento subsequente faz nascer nos homens os sentimentos de simpatia e de afeto.

As investigações de Kropotkin, sempre fundamentadas na observação do meio natural, lhe outorgam umas qualidades excepcionais que o convertem no teórico da anarquia que mais se mantêm atual.

“Fijaos en la Naturaleza. Ética: Origen y evolución de la moral” também pode-se ler como um simples e compreensível, mas profundo, percurso pelas principais correntes filosóficas.

Esta edição conta, também, com um magnífico e esclarecedor prólogo de Álvaro Girón Sierra.

Fijaos en la Naturaleza

Pepitas de calabaza ed., Logroño 2021

384 págs. Rústica 21×14,5 cm

ISBN 9788417386726

21,00 €

pepitas.net

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Ao sol da manhã,
Imóvel como se dormisse,
A coruja no fio.

Paulo Franchetti

Seção da AIT na região da Rússia sobre os últimos protestos de Navalny

Nós, anarquistas e anarcossindicalistas, consideramos que é completamente inaceitável para nós participar em espetáculos políticos organizados por partidários do populista de direita Navalny, que é tristemente “famoso” por sua atitude abertamente nacionalista, anti-imigrante, anti-caucásica e suas declarações anti-semitas. Marchar nas fileiras das manifestações que convocaram significaria -independentemente das desculpas ou “explicações”- converter-se no apoio de um dos grupos políticos que levam uma luta suja e sem princípios pelo poder.

Nós, como anarquistas, cremos que tanto o regime autoritário atual no Kremlin, que se converteu no sucessor da camarilha neoliberal de Yeltsin, como o grupo opositor encabeçado por Navalny, que agora busca tomar a liderança de toda a massa de descontentes, são justos os porta-vozes dos interesses dos verdadeiros governantes do país: a oligarquia dominante e seu “Tacão de Ferro”. Apoiar qualquer destes campos contradiz completamente nossas convicções anarquistas e nosso objetivo social revolucionário. A participação na luta pelo poder entre vários partidos, coalizões e camarilhas, e a transferência do descontentamento social mais que justificado das pessoas ao canal podre da politicagem, só distrai a classe obreira da luta por seus verdadeiros interesses sociais, do despertar da sociedade, consciência de classe obreira e, definitivamente, da liberação social e pessoal.

Nós, os anarquistas, defendemos a liberação imediata e incondicional de todos os presos anarquistas, radicais de esquerda e sociais que padecem hoje nas masmorras da oligarquia. Mas estamos convencidos de que tal resultado se deve conquistar por nossa conta, sem nos convertermos em verdadeiros serventes voluntários ou involuntários de certos competidores estrangeiros pelo poder político em aras de continuar a mesma política anti-social e neoliberal de interesse do Capital. Não podemos lutar ombro a ombro com aqueles que não interferiram com a privatização total e a destruição da atenção médica e a educação acessível, que não se opuseram à reforma das pensões desumanas, que no ano passado apoiaram a introdução de um sistema terrorista universal de vigilância e prisão domiciliar com o pretexto de “lutar contra a epidemia”. Não existe um “mal menor” para nós e não nos aliamos com o inimigo, nem sequer quando é inimigo de nosso inimigo.

Não à luta política, resistência social!

Fonte: https://iwa-ait.org/content/section-iwa-region-russia-about-last-protests-navalny

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

silenciosamente
uma aragem enfuna
as cortinas enluaradas

Rogério Martins

[EUA] Série de ataques a carros no noroeste pacífico – um relato

Este mês, em Portland, um carro foi usado para atacar cerca de uma dúzia de pessoas, matando uma. Este ano, carros foram usados para atacar manifestantes anti-estado repetidas vezes. O mundo está cheio de carros. A terra sufoca com asfalto para que eles possam passar por cima dela. O ar engasga com a fumaça tóxica que seus motores expelem. Nossas cidades são organizadas inteiramente em torno de carros, essas extensões de ruas, estacionamentos, garagens e arranha-céus se preocupam mais com a máquina do que com os animais que ameaçam. Todos os dias passamos pelos cadáveres mutilados das vítimas animais que os carros assassinam. O contra-ataque já está atrasado.

Recentemente, centenas de pneus foram cortados ou furados em Portland. Alguns carros tinham os quatro pneus atacados, outros três, outros dois, alguns apenas um pneu vazio. Dependia do momento. Cortar pneus é rápido e relaxante. Um simples empurrão de algo afiado em uma parede lateral ansiosa, você ouve o woosh satisfatório de ar sendo liberado, e o pneu esvazia lentamente conforme você se afasta. A máquina gigante se humilha, incapacitada, ao ser literalmente levada ao solo. Por um curto período, não pode matar.

Geralmente, a escuridão é melhor para tal passatempo tão divertido, mas pode-se participar da luz do dia, desde que seja feita com velocidade e cuidado suficientes. Facas, furadores, socos: qualquer coisa suficientemente afiada e fina pode ser usada.

Carros novos, caros e luxuosos e grandes caminhões e SUVs têm sido os alvos principais.

Além disso, alguns carros foram incendiados recentemente em Portland. Colocar fogo em um carro exige mais preparação, mas eles queimam com surpreendente facilidade. Uma mistura 50/50 de gasolina e diesel funciona melhor, e o acelerador deve ser concentrado em um ou alguns lugares, em vez de espirrar.

Pequenos fogões de acampamento também podem ser acesos e colocados diretamente sob o tanque de combustível de um carro. Eles vão queimar e incendiar muito depois de você ter partido. Deixe a área imediatamente.

Faça uma guerra total contra os carros.

Fique atento, não seja pego e boa caça!

– um anarquista furioso lutando pela natureza

Tradução > A. Padalecki

agência de notícias anarquistas-ana

no ar circunvoando
vivo-escarlatas
indolentemente

Sousândrade

Lançamento: “Bakunin decolonial: emancipação epistemológica ou teoria heterodoxa”, de Martin Albert Persch

E se Mikhail Bakunin fosse o eixo do pensamento decolonial para a América Latina? Essa é a principal reflexão que Martin Albert Persch faz em seu livro “Bakunin decolonial: emancipação epistemológica ou teoria heterodoxa”, publicado pela primeira vez em espanhol na Revista de Pensamiento Critico Aymara, no Peru e traduzido por nós da Editora Terra sem Amos ao português e publicado com muito orgulho hoje.

A potente obra aponta a dificuldade em pensar as lutas de autonomia e libertação da América Latina pelo eixo do marxismo, propondo a reflexão dessas lutas a partir de Bakunin, anarquista revolucionário russo. A partir disso, Martin diferencia o ateísmo liberal do ateísmo bakuninista, critica a premissa de um governo da ciência sobre as sociedades e analisa as estratégias defendidas pelo anarquista russo em relação as lutas de libertação dos povos eslavos e busca pensar as mesmas para a atual realidade da América Latina.

A produção do livro contou ainda com a imensa colaboração do ilustrador russo Boris Bashirov (@mrfinnfromkadath), a quem muito agradecemos, e que nos cedeu gentilmente o uso de sua impecável ilustração de Mikhail Bakunin, que agora compõe a capa do livro.

A obra possui 40 páginas, tendo o valor de R$ 15,00 com frete grátis para todo o país, e em pré-venda (que durará todo o mês de fevereiro), acompanhará o cartaz “Bakunin Decolonial”. Pode ser adquirida em nossa loja virtual, pelo link em nossa bio do Instagram (@tsa.editora) ou em https://linktr.ee/tsa.editora.

No presente ensaio trocaremos Marx por Bakunin, não com o propósito de mudar os totens, mas porque acreditamos que ao fazer esta mudança, estaremos em condições de orientar e focalizar o debate em questões de grande importância para as quais as soluções políticas propostas por Marx provaram não ser particularmente frutíferas. Perguntas muito importantes para as quais Marx não parece ter respostas conclusivas, mas para as quais encontramos soluções radicais e concretas nos textos de Bakunin“. (Martin Albert Persch)

agência de notícias anarquistas-ana

canta bem-te-vi
sol por todo o lado
natureza sorri

Carlos Seabra

Nazismo: as mulheres comuns que viraram torturadoras da SS em campo de concentração na Segunda Guerra

“Trabalhadoras mulheres, saudáveis e com idades entre 20 e 40 anos são procuradas para um local militar”, diz o anúncio de emprego de um jornal alemão de 1944. Bons salários e alimentação gratuita, acomodação e roupas são prometidos.

O que não é mencionado é que a roupa é um uniforme da SS (polícia nazista). E que o “local militar” é o campo de concentração feminino de Ravensbrück, na Alemanha.

Hoje, os frágeis quarteis de madeira para as prisioneiras já não existem mais. Tudo o que resta é um campo rochoso assustadoramente vazio, cerca de 80 km ao norte de Berlim.

Mas ainda de pé estão oito vilas atraentes e de construção sólida, com venezianas de madeira e varandas. São uma versão nazista de 1940 dos chalés alemães medievais.

Ali moravam as guardas mulheres, algumas com os filhos. Das varandas, elas podiam ver uma floresta e um lindo lago. “Foi a época mais bonita da minha vida”, disse uma ex-guarda, décadas depois.

Mas de seus quartos também teriam visto prisioneiras e as chaminés da câmara de gás.

“Muitos visitantes que vêm ao memorial perguntam sobre essas mulheres. Não há tantas perguntas sobre os homens nesse campo”, disse Andrea Genest, diretora do museu de memória em Ravensbrück, enquanto me mostra onde as mulheres moravam. “As pessoas não gostam de pensar que as mulheres podem ser tão cruéis.”

Muitas das jovens vieram de famílias mais pobres, abandonaram a escola cedo e tiveram poucas oportunidades de carreira.

Um trabalho em um campo de concentração significava salários mais altos, acomodações confortáveis e independência financeira. “Era mais atraente do que trabalhar em uma fábrica”, diz Genest.

Muitas foram doutrinadas mais cedo nos grupos de jovens nazistas e acreditavam na ideologia de Hitler. “Elas sentiram que estavam apoiando a sociedade fazendo algo contra seus inimigos”, disse ela.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55709166

agência de notícias anarquistas-ana

sussurro um ruído
(farfalhar de qualquer folha
ao pé de um ouvido)

Bith

[Espanha] Aplausos para o acordo europeu que silencia suas consequências

Dossiê Nova Normalidade? Ação Sindical! | Bilbao | Ilustração de Ana Nan | Extraído de Cnt nº 425

Aplausos para os que chegam a Moncloa, com um acordo “histórico”. Bilhões de euros que estimularão a economia espanhola, que está sendo afetada. A mídia econômica especializada fala de um “plano de salvação para a Espanha”. Será assim?

O impacto gerado pelo Covid-19 tem sido brutal em nível econômico: quedas sem precedentes no Produto Interno Bruto no Reino da Espanha, mas este impacto também foi sentido em outras economias européias. De acordo com o INE, o PIB da Espanha caiu 18,5% no segundo trimestre devido à pandemia do coronavírus. Este número só foi excedido pelo Reino Unido, com uma queda de 20,4%; a Zona Euro caiu 12,1% e a da União Européia como um todo, 11,7%. Não há necessidade de entrar em estatísticas para estar ciente do impacto imediato que isto teve sobre a economia.

Deve-se notar que a configuração do tecido produtivo não está ajudando muito. A especialização da economia do Reino em serviços de baixo valor agregado (turismo e hotelaria, entre outros), os setores mais atingidos pela crise, está piorando ainda mais a situação econômica. Na verdade, eles estão entre os setores em que a possibilidade de teletrabalho é menor, uma das saídas que tem sido incentivada durante o Estado de Alarme. Se nos concentrarmos na indústria, agora que se propõe “reindustrializar o país”, o peso industrial no Valor Agregado Bruto diminuiu consideravelmente nos últimos anos, de quase 15% em 2006 para 12,4% em 2018. Deve-se notar que grande parte do setor industrial do território é auxiliar da indústria automotiva, cuja sede está localizada fora do país; um setor no qual os efeitos da mudança do modelo energético da indústria automotiva que está ocorrendo no mundo inteiro já estão se tornando cada vez mais evidentes.

Também não devemos esquecer que, se no nível macroeconômico a chamada “crise” estava sendo superada, muitos economistas apontavam que as classes populares não haviam superado a Grande Recessão e que estávamos à beira de uma nova crise, ainda mais difícil se possível.

Este é o contexto em que nos encontramos quando o acordo de julho de 2020 foi assinado.

Os números do acordo

O mais comum é que, quando falamos de grandes quantias de dinheiro, perdemos a referência de não poder compará-las com os custos de nossa economia habitual. Qual é a diferença entre 60 ou 100 milhões de euros? 60 milhões é o custo de um hospital e 18 milhões é o custo de seus equipamentos; com este exemplo podemos ter uma idéia do que significa esta quantia específica, referindo-nos a algo com o qual compará-la. Um detalhe que poucos meios de comunicação fizeram.

O acordo, no que diz respeito aos números, tem várias partes. Por um lado, existe o Quadro Financeiro Plurianual (QFP) de 1.074,3 bilhões de euros, que é o orçamento para a UE entre 2021 e 2027. O do período anterior (2014-2020) foi de 1.087.197 milhões de euros, portanto, diminuiu ligeiramente. A seção na qual o governo espanhol e a mídia colocaram o foco, foi a seção EU Next Generation, na qual foi acordado um montante de 750.000 milhões de euros, dos quais 390.000 milhões serão transferências diretas e 360.000 milhões, empréstimos. Além disso, há outros 540 bilhões de euros acordados para outras questões. Para se ter uma idéia da magnitude dos números, 500.000 milhões de euros são os gastos públicos totais de todas as administrações do Reino da Espanha em um ano (central, autônoma e municipal). Ou seja, o MFP para toda a União Européia entre 2021 e 2027 seria dois anos de gastos públicos consolidados do Reino.

No caso do Next Generation da UE, o principal elemento diferencial em relação ao orçamento do período anterior (2014-2020) e que, além disso, tem sido a disputa entre os governos da UE, predefine a que ajuda direta e empréstimos devem ser direcionados. Ou seja, não são fundos que são concedidos a cada estado sem mais delongas, mas que têm que seguir linhas prefixadas pela UE. A disputa surgiu sobre a proporção que virá de subsídios diretos (que não serão reembolsados) e a parte que virá de empréstimos (pelos quais os juros serão pagos, é claro). A participação total negociada que corresponderá ao Reino da Espanha é de 140.000 milhões de euros, distribuídos em 72.700 milhões de euros na forma de ajuda direta e 67.300 milhões de euros em empréstimos. Isto é muito, ou não é suficiente? Para nos dar uma idéia, o que recebe em ajuda direta ao Reino é um montante semelhante ao resgate bancário (que, aliás, nunca será reembolsado); ou o PIB perdido entre janeiro e junho de 2020; ou 20% de todo o dinheiro que foi injetado nos bancos desde 2008; também representa um montante semelhante aos cortes da Administração Central entre 2009 e 2014. Talvez desta forma possamos ter uma idéia mais precisa do que significa para o Reino da Espanha a ajuda direta (que não é dívida) do Next Generation  UE.

Entretanto, um elemento que curiosamente passou despercebido foi o ponto do acordo detalhando que os Estados membros elaborarão planos nacionais de recuperação e resiliência, estabelecendo o programa de reformas e investimentos, ou seja, a condicionalidade da elaboração (e implementação) de reformas. Isso não é bom para a classe trabalhadora.

Um maná caído de Bruxelas… ou não.

Para continuar contextualizando, vamos voltar no tempo. Em outubro de 2008, em um momento em que se falava de capitalismo refundador, foi acordado um Plano de Recuperação Econômica Européia. A participação do Reino foi de 90 bilhões, 8,1% do PIB. No caso do acordo de julho de 2020, o montante recebido entre a ajuda direta e os empréstimos será mais ou menos 11%, um pouco mais elevado. Mas deve-se notar que o golpe agora sofrido pela economia é proporcionalmente muito maior.

Há também a sensação de que, da UE, apenas o dinheiro flui para a Espanha; no entanto, isso não é verdade. Se analisarmos o equilíbrio financeiro entre o Estado e a UE entre 2007 e 2019, verificamos que foram recebidos 6.675 milhões de euros em termos líquidos. O que isso significa? Que durante todo este período, a União Européia contribuiu um pouco mais do que o que o Estado remeteu para ela. Entretanto, deve-se observar que durante este período de Grande Recessão, 146.684 milhões de euros deixaram o Reino para Bruxelas.

Isto fornece um contexto melhor para o que a ajuda foi e o que realmente foi.

No período de 2021-2027, a ajuda européia chegará, mas o dinheiro também será enviado de Madri para Bruxelas. Como a Stuart Media da Rede MMT calculou, neste período, 52,126 milhões de euros serão enviados para Bruxelas. Então, o que restará desses tão célebres milhões de euros? Bem, cerca de 20.500 milhões de euros, 4,1% das despesas de todas as administrações em um ano do Reino, já que os outros 67.300 milhões serão devolvidos com juros.

Ninguém dá nada de graça, muito menos a UE

O mais óbvio será que, em troca da ajuda, as reformas terão que ser implementadas. A questão é que, até que sejam negociadas, não se sabe quais reformas serão implementadas. Entretanto, uma breve revisão histórica nos lembra que as principais condicionalidades têm sido o reequilíbrio do déficit público para 3%, que a dívida pública deve ser de 60% em relação ao PIB, e as “recomendações” para tentar alcançar esses números têm sido reformas que muitas vezes têm sido cortes. O cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento para os Estados politicamente menos fortes é uma obrigação, e não parece que será questionado. Por estas razões, se analisarmos os gastos totais consolidados de todas as administrações do Reino, estamos agora praticamente nos mesmos níveis de 2008 (após uma década em que diminuiu), enquanto as necessidades sociais vêm aumentando: os efeitos orçamentários da Grande Recessão não foram recuperados. Além disso, o artigo 135 da Constituição tem sido uma verdadeira camisa de força para as administrações públicas.

Neste contexto, será possível revogar a reforma trabalhista, como proposto pelos partidos no governo? Eles já se atrasaram no tempo, mas, com este acordo, Bruxelas provavelmente limitará a reforma trabalhista a algo homeopático. O que vai acontecer com o sistema de pensões? Bem, neste contexto, as pressões para tornar o sistema “sustentável” serão ainda maiores: aprofundar os sistemas privados, dificultando o acesso a uma pensão decente e dificultando a aposentadoria antes do limite legal de idade.

Uma das propostas que tem sido ouvida pelos membros do executivo central tem sido a necessidade de mudança no modelo de produção, uma necessidade que tem estado em absoluta evidência após o retrocesso que a economia está sofrendo. A necessidade de reindustrializar o país tem sido enfatizada. Isto é algo viável?

O papel da economia espanhola em relação à economia européia é de subsidiariedade e especialização em serviços de baixo valor agregado: a entrada na CEE em 1986 reforçou esta tendência, desmantelando parte da indústria ao cair de 24,4% do PIB no ano de entrada para 12,4% em 2018. Que razões podem ser dadas para que os países membros permitam incentivar a indústria em um país que, provavelmente, poderá ser sua concorrência futura? Os países membros da UE são os que analisarão as propostas e, como é óbvio, eles as analisarão ponto por ponto, levando em conta como elas afetam seus interesses econômicos. Portanto, este modelo de mudança produtiva, sob as regras atuais, é visto como algo realmente difícil.

A classe trabalhadora, o que esperar

As chaves do acordo europeu em julho devem levar em conta que ainda há muitos detalhes a serem fechados. Entretanto, é claro que o valor a ser recebido, levando em conta o que está sendo pago, não é muito para se entusiasmar, embora seja mais do que nada.

É provável que a portagem que teremos que pagar seja cara (que estranho, por sinal). A recusa em revogar a Reforma Trabalhista, ou seu atraso, pode ter sido um sinal para a UE de não aumentar os nervos antes da assinatura do acordo. No momento, não há sinais de uma melhoria substancial na legislação trabalhista em favor da parte mais fraco, os trabalhadores.

Os gastos públicos, especialmente os relacionados com a implementação dos direitos sociais e de bem-estar, não devem aumentar na proporção necessária; sempre teremos os limites estabelecidos pelo Pacto de Estabilidade (que ninguém fala em eliminar) e a prioridade do pagamento da dívida, antes de dedicar esses recursos aos cidadãos. O que teremos é um aumento do endividamento (e seu pagamento, e o pagamento de juros) que limitará ainda mais a capacidade das administrações.

Isto é até onde vai a política parlamentar e o jogo dentro das margens da União Européia, não há mais espaço de manobra. Somente organização, mobilização, pressão e ação direta serão capazes de reverter esta situação que está vindo sobre nós.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/aplausos-para-el-acuerdo-europeo-que-silencian-sus-consecuencias/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

harmonia sem acorde
nota em contratempo
a dissonância morde

Gabriela Marcondes

[Bielorrússia] Ativistas do Food Not Bombs recebem sentenças de prisão por doar alimentos

Um tribunal distrital na capital da Bielorrússia, Minsk, condenou um grupo de ativistas do Food Not Bombs a 15 dias de prisão. Alguns dos ativistas também foram condenados a pagar multas de 440 euros (2.900 reais). Seus “crimes”: distribuir alimentos e cuidados médicos gratuitos para quem precisa.

Durante o julgamento, uma testemunha policial disse que prendeu os voluntários do FNB por “participarem de uma manifestação, pois alimentavam os sem-teto e por estarem [na posse de] panelas. De acordo com os autos, os ativistas distribuíam “alimentos não identificados”.

Em um comunicado, o ABC Belarus [Cruz Negra Anarquista] disse:

Em 23 de janeiro, nossos camaradas da iniciativa Food Not Bombs foram detidos em Minsk. Nos últimos 15 anos, os ativistas realizaram distribuições de alimentos todos os fins de semana em três locais diferentes em Minsk. Distribuímos alimentos para pessoas sem-teto e necessitadas e este é o nosso protesto contra a pobreza e a fome no mundo, porque enormes fundos são gastos não com as necessidades humanas, mas na manutenção do exército e da polícia. Foi por conta de nossa atividade que a polícia bielorrussa invadiu nossos pontos de distribuição, prendendo ativistas e moradores de rua. Nos tribunais, os policiais testemunhas se escondiam sob o nome de outras pessoas, supostamente para sua própria segurança.

Quase todos os ativistas receberam 15 dias de prisão e alguns também uma multa de 440 euros. Pedimos ao público mundial para expressar solidariedade para com os anarquistas detidos e os ativistas da iniciativa Food Not Bombs.

A solidariedade é a nossa força!

No total, quatro ativistas do FNB foram condenados a 15 dias de prisão. Dois paramédicos de rua que prestavam atendimento médico foram condenados ao mesmo tempo. Além disso, mais duas pessoas viram seus casos serem encaminhados para revisão, no entanto, irão aguardar o desfecho atrás das grades.

Foto: protesto de solidariedade com o FNB Minsk em Varsóvia, Polônia. Via Anarchistyczny Czarny Krzyż (ABC).

Fonte: https://freedomnews.org.uk/belarus-food-not-bombs-activists-receive-prison-sentences-for-giving-away-food/

Tradução > A. Padalecki

agência de notícias anarquistas-ana

estrela cai na noite.
conto as outras no céu:
não falta nenhuma.

Alaor Chaves