[Chile] Lançamento: “Anarquismo y creatividad”, de Jorge Enkis

O anarquismo é criatividade, é uma necessidade sensível de infinitas possibilidades, cuja energia nos dá felicidade e plenitude, pois não há maior possibilidade criativa do que a construção de um mundo novo e melhor.

Estas idéias são tão belas quanto nossos princípios, de que a criatividade pode transformar nossas vidas, devemos portanto seguir um caminho que garanta a sustentabilidade em direção a novos processos criativos que contribuam para a transformação social.

Ficha Técnica

Título: Anarquismo y creatividad

Autor: Jorge Enkis

Editorial: Autodidacta

Número de páginas: 24

Idioma: Español

Dimensões: 14 x 17

Ano de Publicação: 2021

$2.000

editorialautodidacta.org

agência de notícias anarquistas-ana

chuva fina
o boi sobre o campo
sobre o boi o pássaro

João Angelo Salvadori

[Espanha] A CNT convoca greve no Consórcio Galego de Serviços de Igualdade e Bem-Estar

A CNT registra o pedido de greve no Consórcio para 18 de fevereiro e todas as quintas-feiras indefinidamente. O anúncio é tornado público em 28 de janeiro na concentração de protestos às portas dos serviços centrais do Consórcio em Compostela. O pessoal temporário em situação de fraude reivindica estabilidade em seus empregos e a paralisia da OPE que pode levar ao seu desligamento. O pessoal temporário do Consórcio afiliado à CNT decidiu em assembleia por grande maioria convocar uma greve para defender seus empregos após o anúncio da oferta de emprego público da Xunta em dezembro passado.

Após ter sido solicitada em várias ocasiões reuniões com os responsáveis da Xunta de Galicia: a Direção Xeral da Función Publica e a Xerencia del Consorcio Galego de Servizos de Igualdade e Benestar sem qualquer resposta da Administração, a única saída deixada pelos políticos responsáveis por esta situação é convocar uma greve.

Este 28 de janeiro, o anúncio público da greve foi feito na manifestação de protesto organizada às portas dos serviços centrais do consórcio Galego de Servizos de Igualdade e Benestar em Compsotela, que apesar das restrições teve uma participação significativa.

Na concentração, houve um forte apelo para participar da greve para defender os empregos do pessoal temporário em fraude à lei e abuso de temporalidade, e para paralisar a OPE 2020 enquanto não for oferecida uma solução ao pessoal do Consórcio para garantir que todo o pessoal atualmente trabalhando no Consórcio permaneça estável em seus empregos.

Durante uma hora os trabalhadores concentrados gritaram slogans como: “Aqueles que estão aqui, aqui ficarão”, “Trabalho fixo já”, “Feijóo escuta, o Consórcio em luta” ou “Não ao ERE para as mulheres”, referindo-se, neste último caso, à discriminação óbvia baseada no sexo que ocorreria se o plano da Xunta fosse executado.

A anunciada greve é feita para todo o pessoal das creches da Galiña azul, centros de dia, residenciais e todos os locais de trabalho da rede do Consórcio, incluindo o pessoal dos serviços centrais.

O chamado à greve da CNT começará em 18 de fevereiro com uma greve de 24 horas e continuará todas as quintas-feiras com paradas de 3 horas, entre 8h e 11h.

Os trabalhadores estão conscientes do impacto e dos inconvenientes que podem causar aos usuários dos serviços públicos do Consórcio, aos quais se pede compreensão a fim de defender seus empregos e o serviço público.

Com este chamado à greve, o pessoal do Consórcio está na vanguarda das reivindicações dos funcionários públicos temporários em fraude de lei e abuso de temporalidade em todo o Estado, em um momento crucial para o futuro de dezenas de milhares de trabalhadores do serviço público que vivem momentos de incerteza devido à ameaça de demissão após muitos anos de serviço ao público e sofrem as ilegalidades levadas a cabo pela administração. A próxima mobilização do pessoal público temporário será a caravana de carros que está programada para o domingo 31 de janeiro às 11 horas com a saída do Palácio de Congressos de Compostela e que, após um tour pela cidade, terminará na sede da RTVG em San Marcos (Compostela).

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/la-cnt-convoca-huelga-en-el-consorcio-galego-de-servizos-de-igualdade-e-benestar/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Fumaças vermelhas
da tempestade de pó
devoram o sol.

H. Masuda Goga

[Espanha] O que é ser anarquista?

Gostaria de desmontar essa ideia repetida por muita gente de que não se pode ser anarquista porque isso implica quase a perfeição quanto à maneira de viver e de ser. Sou partidária de negar qualquer transcendência ao termo “anarquismo” posto que é obra do ser humano. O anarquismo é criação, ou melhor dito auto-criação. A idealização do termo é sempre desmentida pela realidade, pois o ser humano é imperfeito e contraditório.

A essa ideia de perfeição que eu rechaço em nome de um anarquismo humano vai muito bem o termo ser consequente melhor que ser coerente.Gosto do termo consequente na linha de Diana Torres[1] quando diz: “Serei consequente, o que não é outra coisa que me responsabilizar das consequências de minhas ações e minhas palavras e das belas contradições que as formam”.

 Partindo desta humanização do ser anarquista, vejamos algumas opiniões sobre o que é ser anarquista.

 Começo por David Graeber[2], que morreu faz três meses de forma inesperada (2 de setembro) e que falava dos “anarquistas com minúsculas” referindo-se àquelas pessoas que estavam dispostas a colaborar em coalizões amplas sempre que funcionassem sobre princípios horizontais, dando relevância em sua maneira de entender o anarquismo à democracia direta.

Ele entendia o anarquismo como uma sensibilidade política ampla. É, afirmava, um “movimento político que aspira a gerar uma sociedade autenticamente livre, e que define “sociedade livre” como aquela na qual os humanos só estabelecem relações entre si que não dependam da constante ameaça da violência para se pôr em prática”.

O anarquista italiano Amedeo Bertolo[3] entendia o anarquismo como uma mutação cultural ao questionar a dominação. Os anarquistas são mutantes que tendem a transmitir sua anomalia cultural (anomalia em relação com a normalidade, ou seja, com o modelo dominante) e ao mesmo tempo criar as condições ambientais favoráveis à mutação, ou seja, à generalização do caráter mutante.

Outro anarquista, Uri Gordon[4] considera que o anarquismo histórico pode inspirar e dar ideias mas que o movimento anarquista atual difere de muitas maneiras da visão de cem anos atrás, e isso nos indica sua maneira de entendê-lo:

1- As redes de coletivos e grupos de afinidade substituem os sindicatos e federações como padrão de organização.

2- Os programas do movimento são mais amplos: ecologia, feminismo, libertação animal são tão importantes como as lutas antimilitaristas e obreiras.

3- Uma maior ênfase se dá na ação direta pré-figurativa* e a experimentação cultural.

*(Conceito (A) que faz referência aos modos de organização e táticas realizadas que refletem com exatidão o futuro da sociedade que se busca = O que queremos é o que fazemos).

4- O compromisso com a modernidade e o progresso tecnológico já não é amplamente compartilhado nos círculos anarquistas.

Estas mudanças qualitativas se somam a uma espécie de paradigma no anarquismo que na atualidade é bastante heterodoxo e está cimentado na ação e no propósito de vencer.

E por último uma mulher, Emma Goldman[5], que fazendo referência à revolução russa afirmava que “(…) o triunfo do Estado significa a derrota da Revolução”. E se perguntava: “O que é o progresso se não a elevação geral dos princípios da liberdade frente aos da coação?”.

A liberdade é a chave, dizia, é a que deve vetar a tirania e a centralização para lutar para transformar a revolução em uma reconsideração de todos os valores econômicos, sociais e culturais.

O anarquismo, portanto, nunca foi algo acabado e fechado, mas diverso e poliédrico. Ajuda nisso a atitude não dogmática atenta a evitar toda teoria que seja rígida e sistemática unido à insistência na liberdade de escolha individual.

Há muitas maneiras de entender o anarquismo que não tem porque serem contraditórias mas que provocaram enfrentamentos e divisões importantes por não entender esse caráter diverso e poder colaborar e conviver.

[1] Diana J. Torres (2017): Vomitorium. Ciudad de México, p. 26.

[2] David Graeber (2014): Somos el 99%. Una historia, una crisis, un movimiento. Madrid, Capitan Swing.

[3] AMEDEO BERTOLO (Antología) (2019): Anarquistas… ¡Y orgullosos de serlo! Barcelona, Fundación Salvador Seguí, pp. 353-354.

[4] Uri Gordon (2014): ANARCHY ALIVE! Políticas antiautoritarias de la práctica a la teoría. Madrid/La Laguna, LaMalatesta/Tierra de Fuego.

[5] Emma Goldman (2018): Mi desilusión en Rusia. Barcelona, El Viejo Topo.

Fonte: http://pensarenelmargen.blogspot.com/2020/12/que-es-ser-anarquista.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

florescente espinheiro
tão parecido aos caminhos
onde eu nasci!

Buson

[Espanha] A juíza arquiva a demanda contra os onze sindicalistas da CNT

· A primeira vista aconteceria nesta quinta-feira, 14 de janeiro

· O sindicato assumiu a causa solicitando a anulação e arquivo

O Tribunal de Instrução número 3 de Alcázar de San Juan dispôs a anulação e arquivo das atuações em relação à demanda que a dona do restaurante El Galeón havia interposto contra onze sindicalistas do sindicato CNT por supostos insultos.

A empresária acusava as onze pessoas, sem assinalar nenhum culpado nem oferecer provas, de tê-la chamado “cabrón”, misteriosamente esquecendo a concordância de gênero, e chegando a pedir na denúncia “que se decretasse uma ordem que lhes proibisse se aproximar do estabelecimento”, demonstrando um conceito de liberdade mais próprio de outros tempos que de uma democracia.

Assim pois, a central sindical assumiu a causa alegando a falsidade dos fatos, a falta de provas e a vulnerabilidade dos acusados, assim como o livre exercício da ação  sindical, de expressão e de informação. “Não tem sentido atribuir relevância penal à ação sindical de várias pessoas. O que sim ocorre é que a empresa, como último recurso e instrumentalizando o direito penal, empregue indevidamente este tipo de ferramenta contra o sindicato com o objetivo de frear a ação sindical, já que e a única forma de acabar com as concentrações frente a seu estabelecimento”, afirma a CNT.

Para a CNT Ciudad Real esta luta não acaba aqui, já que o conflito com o restaurante El Galeón segue aberto, devido a que a companheira afetada não recebeu ainda a quantidade que lhe devem por parte do restaurante desde 2019. A CNT seguirá na luta e, através de diferentes ações futuras, voltará a divulgar a absoluta precariedade que sofre o setor da hotelaria em todos os seus níveis, onde não se respeitam os direitos mais fundamentais dos trabalhadores e trabalhadoras que tem que suportar com resignação umas jornadas laborais de semi-escravidão enquanto os empresários do setor são subvencionados e lavam sua imagem desde as organizações patronais. A CNT agradece a solidariedade de todo o sindicato e de outras organizações que apoiaram sua luta neste caso e em geral contra a repressão ao trabalho sindical no setor.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/la-jueza-archiva-la-demanda-contra-los-once-sindicalistas-de-cnt/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Quietude –
O barulho do pássaro
Pisando as folhas secas. 

Ryushi

[São Paulo-SP] Grupo de estudos anarquismos, feminismos e masculinidades

06 de fevereiro de 2021, sábado, às 16h – encontro online c/ intérprete de Libras

Leitura para discussão: “Um vírus que desvela as entranhas do capital”

Texto de Filipe Moraes, disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/estudoslibertarios/article/view/34523

Leitura complementar: “Federalismo, ajuda mútua e as lições libertárias em tempos de pandemia”

Texto de Guilherme de Santana e Hannah Cavalcanti, disponível em:  https://revistas.ufrj.br/index.php/estudoslibertarios/article/view/34116

Como Participar?

Após uma pausa nas atividades do grupo de estudos devido ao distanciamento que nos foi imposto pela pandemia da Covid-19, nós iremos retornar aos encontros de forma virtual, via plataforma do Google Meets. O link para o encontro de fevereiro é https://meet.google.com/suf-xqhh-rym. Não é necessário realizar inscrição. Os encontros do grupo são gratuitos e abertos para todas as pessoas interessadas. Basta ler os textos indicados e acessar o link no dia e horário do encontro para debatermos as ideias. Teremos uma intérprete de Libras.

Histórico

Grupo de Estudos sobre Anarquismos, Feminismos e Masculinidades é uma iniciativa do Centro de Cultura Social (CCS) de São Paulo.

O Centro de Cultura Social de São Paulo foi fundado em 14 de janeiro de 1933 como remanescente das entidades culturais criadas pelo movimento anarco-sindicalista e libertário nas primeiras décadas do século XX e tem por finalidade estimular, apoiar e promover nos meios populares, o estudo dos problemas sociais, bem como pretende desenvolver o espírito de solidariedade, se opondo a todas as formas de opressão e de exploração que prejudicam as liberdades individuais e coletivas.

Objetivos

O Grupo tem o objetivo de estudar, refletir e debater textos sobre mulheres anarquistas ao longo da história e suas relações com a luta pela igualdade de gênero e libertação humana de toda forma de opressão.

A proposta do Grupo é dar visibilidade, principalmente, para as mulheres anarquistas, que foram esquecidas, tanto pela História oficial quanto pelos movimentos de esquerda. Dessa forma, pretendemos dar voz e vida a essas mulheres guerreiras, muito a frente de seu tempo, assim como a um movimento filosófico-político-econômico-social que sofreu dos dois lados da trincheira e sofreu um apagamento propositado para tentarem ocultar a ideia e a história revolucionária da humanidade.

Tanto a filosofia, quanto a prática do grupo estão orientadas pelos princípios do anarquismo, ou seja, autogestão, autonomia, cooperação, solidariedade, liberdade, igualdade, responsabilidade, anticapitalismo e não partidarismo.

Metodologia

Os encontros são abertos e contínuos. Então, pode participar de um ou de todos os encontros, mas não há obrigação, até porque não é um programa fechado, mas uma proposta flexível e em permanente construção cooperativa e autogestionária, que preza pela autonomia e participação das pessoas, incentivando, preservando e fortalecendo a liberdade e a igualdade.

As atividades do Grupo são divulgadas pela página do Facebook e site do Centro de Cultura Social de São Paulo, bem como para as pessoas participantes, possuímos um grupo de Whatsapp para a divulgação de informações das atividades e outros assuntos relacionados.

Os textos são definidos pelas pessoas organizadoras, juntamente e/ou acolhendo sugestões de textos das demais pessoas participantes. Os textos selecionados estão sempre disponíveis online, os links são compartilhados via convite e divulgação nas redes sociais a fim de que seja efetiva a leitura, anotações e reflexões pessoais antes do próximo encontro.

Centro de Cultura Social (CCS)

E-mail: ccssp@ccssp.com.br

Site: www.ccssp.com.br

Facebook: www.facebook.com/CCSSP33

Instagram: @centro_de_cultura_social

FB: https://www.facebook.com/events/126830092613240/

agência de notícias anarquistas-ana

brilha o grampo
ou ela tem no cabelo
um pirilampo?

Carlos Seabra

Zine | Aperiódico – número 1

Este é um zine anarcopunk. Depois de muitos anos sem criar zines, agora Maurício Remigio volta com uma proposta de um zine aperiódico, temático, com intuito de discutir conteúdos diversos que se mostrem cruciais nos debates sobre anarcopunk. A ideia é possibilitar que o tema abordado em cada edição seja discutido por anarcopunks dos diversos pontos geográficos do país, de modo que estes possam expor seus pontos de vista, ideias e fazeres.

A intenção é transformar este espaço numa discussão coletiva, uma vez que sabemos a importância do zine como um modo de se expressar opiniões e posicionamentos no meio anarcopunk. Por circular em diversos grupos, pessoas, cidades, regiões e países e, por tornar público tudo o que a grande imprensa despreza, os fanzines assumem papel fundamental do movimento anarcopunk.

Aperiódico – número 1 – fazeres

Várixs Autorxes

ISBN: 978-65-86006-09-8

44 páginas

R$ 10,00

monstrodosmares.com.br

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No bico do pássaro
curioso passeia o peixe:
fugaz devaneio.

Ronaldo Bomfim

[Filipinas] Um apelo para fundos solidários – Energia Solar Móvel Autônoma – Tekp.

Um projeto autônomo que promove energia solar móvel de forma descentralizada e autogestionável.

Um breve histórico, o projeto começou em 2013, quando o supertufão Haiyan atingiu as Filipinas. Foi um golpe devastador e destrutivo para todas as pessoas. Neste momento, conseguimos responder a pós-calamidade fornecendo eletricidade/recargas grátis com o uso de nosso equipamento de energia solar e o coletivo Solar Guerilla Autonomous Response Team (Time de Resposta Autônoma de Guerrilha Solar) nasceu. “A resposta autônoma direta é uma reação imediata na entrega e prestação de serviços diretamente às comunidades afetadas ou áreas que foram devastadas devido a uma catástrofe natural. Uma ação direta cometida por um indivíduo ou grupo que é independente da burocracia local ou de instituições governamentais.”

Uma vez que as Filipinas experienciam cerca de 20 tufões por ano, é uma necessidade para nós fornecer apoio mútuo nas comunidades afetadas por tufões. Nesta prática, podemos envolver as pessoas na discussão de questões relacionadas com a crise climática e a ideia de dar um know-how técnico sobre energias renováveis, em particular a solar. No sul global, as comunidades marginalizadas e vulneráveis são sempre diretamente afetadas pelas mudanças climáticas; fortes tufões, secas severas, perda de meios de subsistência e vidas são alguns dos efeitos e, no entanto, são os últimos a saber sobre os avanços tecnológicos. Para promover a energia renovável, é preciso ver se ela é confiável, viável e praticamente benéfica. A ideia de compartilhar este tipo de projeto com todas as comunidades é mostrar que qualquer pessoa pode produzir e distribuir fontes de eletricidade de forma independente e ao mesmo tempo controlar democraticamente o uso de energias renováveis. Este projeto faz parte do processo de resiliência pró-ativa em direção a uma fonte de energia descentralizada e autogestionável.

Este projeto foi iniciado pelo grupo Etniko Bandido Infoshop. EB Infoshop é nossa casa e ao mesmo tempo um espaço sócio-político localizado no leste de Manila, nas Filipinas. Desde 2010, nossa iniciativa visa promover pensamentos e práticas antiautoritárias/anarquistas. Nosso espaço é principalmente um local para eventos, encontros, workshops/seminários, info-talks/discussões em pequenos grupos, exibições de filmes, exposições de arte, pequenos shows e performances. Um espaço autônomo que propaga o horizontalismo e projetos e desenvolvimentos centrados nas comunidades.

>> Para colaborar, clique aqui:

https://www.firefund.net/solartekpak

>> Vídeo | Apoio mútuo nas Filipinas:

https://www.youtube.com/watch?time_continue=25&v=26siIKFSFvM&feature=emb_title

Tradução > A. Padalecki

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/10/30/eua-lancamento-pangayaw-e-a-resistencia-de-descolonizacao-anarquismo-nas-filipinas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/11/filipinas-um-pedido-de-solidariedade-internacional-para-as-iniciativas-de-resistencia-autonoma-e-do-food-not-bombs-pelo-mundo/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/12/30/filipinas-tufao-nok-ten-causa-estragos-em-espaco-anarquista-apelo-de-solidariedade/

agência de notícias anarquistas-ana

Sempre do mesmo lado,
O dia todo e a noite inteira,
O vento da montanha.

Paulo Franchetti

[Chile] Na “democracia” existe prisão política!

A prisão política no Chile não é nova; no entanto, desde a revolta popular e o enorme número de prisioneiros que deixou para trás, o debate tomou maior força. Por um lado, há uma disputa sobre o número de prisioneiros e pessoas processadas na revolta, uma vez que o governo alega que eles apresentaram 531 queixas contra 1774 pessoas acusadas de vários crimes e que 219 delas eram pela Lei de Segurança do Estado contra 1073 pessoas acusadas.

Destes 1073 réus, três estão em prisão preventiva, 61 estão em prisão domiciliar, 441 estão sob outras medidas cautelares, 59 foram condenados, dois foram demitidos e 489 não foram formalmente acusados. Por sua vez, a Promotoria informa que, até outubro de 2020, 5084 pessoas haviam sido formalizadas, 648 delas ainda estavam em prisão preventiva e 725 haviam sido condenadas. De acordo com as organizações que apoiam os prisioneiros, a diferença em números se deve ao fato de que o governo só informa as pessoas processadas sob a Lei de Segurança do Estado, quando a maioria delas são processadas sob a Lei de Armas.

Mais além dos números, vemos a prisão política contra a revolta como parte de uma resposta do Estado e do poder à rebelião popular, pois além da prisão como punição às mãos do judiciário, o governo implantou uma forte repressão que incluiu assassinatos e mutilações, além de leis contra as manifestações, como a lei anti-barricada promulgada pelo parlamento.

Esta política repressiva para enfrentar o “poderoso inimigo”, como Piñera invocou de seu pódio à mídia, envolve uma série de ações judiciais e irregularidades nos processos de detenção, incluindo provas falsas, declarações policiais como única fonte de informação, e extensas prisões preventivas que duraram meses e até mais de um ano em alguns casos, uma vez que o governo está utilizando a Lei de Segurança Interna do Estado, que na prática funciona como uma punição antecipada sem julgamento.

Por outro lado, os detentores do poder estão tentando instalar no debate público que se trata de crime comum e não de prisão política, com base no fato de que certos casos são sobre roubos resultantes da pilhagem de lojas múltiplas; entretanto, este argumento ignora o ambiente social e o contexto político em que as manifestações ocorrem, já que no cenário da revolta disruptiva era recorrente que parte do povo descarregasse sua raiva contra instituições e pilares do modelo neoliberal. Do poder, tentam separar entre bons e maus, pacíficos e violentos manifestantes, projetando um ideal (seu ideal) de mobilização servil, passiva e monótona, em frente ao qual qualquer manifestação perturbadora significaria mera delinquência comum.

O tratamento das pessoas privadas de liberdade nunca foi bom no Chile, as prisões estão em colapso e as condições precárias de higiene têm sido um tema recorrente nas denúncias sobre a situação das prisões. Esta realidade se agravou como resultado da pandemia, onde não há medidas de controle e o isolamento se soma às já duras penas, já que desde a chegada do coronavírus não é possível visitar os prisioneiros. Esta difícil situação contrasta com a impunidade e o tratamento indulgente que o poder mostra para com a classe alta em casos de corrupção e fraude fiscal como o caso Cascadas ou a brandura com que tratam os grupos de ultradireita que ameaçavam o promotor Chong.

Graças à mobilização social, foi possível levantar a questão e até mesmo libertar vários prisioneiros da revolta em todo o país, abrindo o debate na classe política sobre se os prisioneiros durante o contexto da revolta devem ser chamados de “políticos” ou não, até mesmo alguns setores parlamentares estão promovendo um projeto de perdão que não teve muito impacto no Estado, o que mostra que será a pressão popular que tornará a prisão política visível e libertará nossos camaradas.

Entre o processo constituinte iniciado com o plebiscito de outubro e a corrida presidencial em andamento, o processo de mobilização popular não foi capaz de instalar a liberdade dos prisioneiros da revolta como uma exigência para negociar com o poder, o que demonstra as fraquezas da revolta e as tarefas pendentes da mobilização.

Liberdade para os prisioneiros da revolta!

#oprotestonãoéumcrime

Assembleia Anarquista de Biobío

biobioanarquista.org

Janeiro 2021

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

terno salgueiro
quase ouro, quase âmbar
quase luz…

José Juan Tablada

[Espanha] Economia e Saúde. Covid-19

Por José Luis Velasco

Os números da Covid-19, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 7 de setembro de 2020, são 27.032.617 casos confirmados no mundo e 881.464 mortes. Na Espanha, de acordo com o Ministério da Saúde, 525.549 casos confirmados e 29.516 mortes.

Em 31 de dezembro de 2019, a China relatou novos casos de pneumonia de etiologia desconhecida com início de sintomas em 8 de dezembro, com origem em um mercado atacadista de frutos do mar, peixes e animais vivos na cidade de Wuhan. O Comitê de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional (IHR, 2005) declarou o atual surto de coronavírus como Emergência de Saúde Pública de Preocupação Internacional (PHEIC), em sua reunião de 30 de janeiro de 2020. A OMS nomeou esta nova doença como Covid-19 (doença infecciosa do coronavírus 19).

O impacto na economia mundial é desastroso, causando uma recessão de mais de 10% em 2020, em termos gerais e aproximados, como resultado das políticas econômicas adotadas para suspender as atividades econômicas e das medidas sanitárias de isolamento das populações para evitar a propagação da doença. Esta situação aumentará o número de pessoas em extrema pobreza, aumentará o desemprego e o subemprego e reduzirá a renda da maioria da população trabalhadora, a classe social mais afetada por esta pandemia. A distribuição injusta da riqueza, da saúde e do sofrimento humano caminham lado a lado.

O capitalismo e os Estados são incapazes de resolver os problemas que eles mesmos geram sem aumentar as injustiças humanas de todo tipo: econômicas, sociais, sanitárias.

A improvisação e a falta dos meios mais mínimos para atacar esta emergência sanitária do Covid-19, por parte dos Estados e do Capitalismo, resume-se em sua incapacidade de tomar as medidas sanitárias adequadas no tempo oportuno, antecipando de forma racional o contágio generalizado da população, em sua falta de capacidade de fabricar elementos protetores tão simples como algumas máscaras simples, algumas luvas elementares e vestimentas sanitárias plásticas, juntamente com alguns respiradores simples para tratar a doença.

Entretanto, os Estados e o capitalismo, em contraste com a constante redução dos recursos em políticas sanitárias e de saúde, mantêm e aumentam as enormes despesas militares, os subsídios excessivos às religiões e o consentimento à corrupção generalizada, que eles protegem e incentivam, como no caso da Monarquia espanhola, onde o rei emérito foge de seu país por corrupção para uma monarquia teocrática árabe (acompanhado e guardado por cinco guardas civis do Estado espanhol), apesar de ter o privilégio constitucional da inviolabilidade, um privilégio que ofende os mais mínimos padrões de ética humana.

Cientes de que saúde, economia e mudança social fazem parte da mesma justiça social, finalizamos como disseram os anarquistas e dizem: saúde e anarquia.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/economia-y-salud-covid-19/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

No céu enfeitado,
papagaio de papel:
também vou no vôo.

Anibal Beça

[Espanha] Nasce o Grupo Aurora Anarquista em Múrcia

Em 10 de janeiro de 2021, foi fundado o Grupo Anarquista Aurora em Múrcia, cujo escopo de ação é o Sudeste Ibérico. Nossos princípios são apoio mútuo, solidariedade, ação direta e internacionalismo. Vamos falar e agir em todos os aspectos da vida defendendo os princípios anarquistas que assumimos como nossos. Este grupo pretende, através do exemplo individual e da difusão de seus princípios na forma de propaganda, combater o sistema em todos os seus aspectos que nos condenam a uma vida não-natural.

Estudaremos vários campos como religião, estado, anarcofeminismo, anarcossindicalismo, cultura, ecologia, etc…

Estaremos onde somos solicitados e onde consideramos que devemos estar, sendo totalmente contrários à participação com instituições ou seitas religiosas.

Trabalhamos por e para a revolução social, não queremos que os líderes nos governem, porque nos recusamos a aceitar qualquer autoridade.

Esta página junto com nossa página no twitter, bem como nosso blog, será nossa ferramenta pública de expressão, mas editaremos uma revista para que você possa ter em forma física o que publicamos.

Chamamos este grupo de “Aurora” pela beleza da própria palavra, por ser uma luz no alvorecer de cada dia, por ser a esperança de que, um dia, o mundo possa ser um lugar onde a liberdade exista em sua mais alta expressão.

Para entrar em contato com o grupo, deixamos-lhe o seguinte endereço:

grupoaurora@riseup.net

Para nos enviar seus artigos para publicação, escreva-nos para este outro endereço:

cikitrake@riseup.net

Nosso blog:

grupoaurora.noblogs.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Mosaico no muro.
O gato ensaiando o pulo.
Azuis borboletas.

Fanny Dupré

[Alemanha] O crime do nazismo contra as crianças da “Vergonha Negra”

A partir de 1937 foram esterilizadas compulsoriamenrte centenas de filhos de alemãs com soldados das colônias francesas. Uma história que começa com o Tratado de Versalhes e desemboca no desvario racista dos nazistas.

Josef Kaiser tinha 16 anos de idade em 1937, quando dois homens da Gestapo o agarraram e levaram ao Hospital Municipal de Ludwigshafen. Lá ele foi esterilizado contra a vontade. Sua irmã teve o mesmo destino, assim como centenas de jovens cujo único “defeito” era serem filhos de uma alemã com um soldado das colônias francesas.

Essa brutal ingerência era o clímax de uma dinâmica iniciada 17 anos antes, com a ocupação aliada na Renânia, imposta à Alemanha pelo Tratado de Versalhes, após a derrota na Primeira Guerra Mundial. Dos 100 mil soldados enviados em janeiro de 1920 pela França para a região, cerca de um quinto provinha dos territórios coloniais. Como o pai de Josef, natural de Madagascar.

No clima político inflamado da República de Weimar, sua presença logo gerou tensões. Após a perda de suas próprias colônias, os alemães percebiam essa imposição como uma monstruosa humilhação.

“A Vergonha Negra”

Com entusiástica participação de organizações estatais e civis, iniciou-se uma campanha de propaganda racista, sob o título “A Vergonha Negra”. Em panfletos e artigos, os soldados coloniais eram apresentados como “feras selvagens”, que se lançavam sobre a população alemã, estuprando e assassinando.

Não só círculos nacionalistas ou conservadores avançavam essa campanha: racismo e eugenia estavam profundamente arraigados na sociedade alemã. Políticos social-democratas, como o presidente do Reich Friedrich Ebert ou o ministro do Exterior Adolf Köster, tachavam a mobilização de tropas francesas “da mais baixa camada cultural” como um “crime espiritual” contra o povo alemão.

A estratégia política contava que esse racismo também fosse comunicável no estrangeiro, para ao mesmo tempo desacreditar as estipulações do Tratado de Versalhes: com base em preconceitos comuns, pretendia-se restabelecer a solidariedade internacional com a Alemanha.

Respaldados pelo material de propaganda do Ministério do Exterior, publicaram-se por todo o mundo artigos difamadores sobre os soldados coloniais. Como o do deputado trabalhista britânico Edmund Dene Morel, acusando a França de soltar contra a população alemã “negros selvagens” e “bárbaros primitivos”, cuja “incontrolável bestialidade” já resultara em numerosos estupros. Mas, embora a propaganda tenha persistido por bastante tempo, o pretendido “sucesso” de política externa não se concretizou.

Da difamação às esterilizações forçadas

Apesar dos intensos esforços de difamação, houve numerosas relações amorosas entre soldados coloniais e alemãs. Para os nacionalistas, isso era uma afronta, já que um de seus mantras principais era a “violação da mulher alemã”.

Na campanha de agitação, o corpo feminino simbolizava o “corpo do povo”, a meta era manter ambos “puros”. A propaganda oficial não tardou a reagir: a conduta das mulheres foi condenada como “vergonha branca”. A partir daí, os frutos dessas relações passaram a ser chamados simplesmente de “bastardos da Renânia”.

Estes cresceram com a vivência da exclusão: sua mera existência e a cor escura de sua pele permaneceram para os nacionalistas e revanchistas uma lembrança constante da derrota bélica, e de sua impotência diante das determinações do Tratado de Versalhes.

Já em 1923 as autoridades da República de Weimar começaram com o cadastramento sistemático das crianças. Em 1927, um funcionário governamental requeria a seus superiores no Ministério da Saúde que estudassem a possibilidade de esterilização “através de uma intervenção totalmente indolor”. A solicitação foi rejeitada: a legislação impossibilitava medidas compulsórias, até pelo fato de, enquanto filhos de alemãs, as crianças também serem integrantes do Reich.

Tratava-se apenas de um adiamento, contudo: com a tomada de poder pelos nacional-socialistas, o cadastramento dos menores foi ampliado. Alguns foram medidos e fotografados para a pérfida ideologia racial nazista. Em 1937, uma ordem secreta de Adolf Hitler fundou a “Comissão 3” da Gestapo, que acabou por organizar a esterilização ilegal dos jovens. Estão documentados 436 casos, mas o número real deve ser bem mais alto.

Crime sem castigo

Em 1947, dois anos após o fim do domínio nazista, o cruel episódio foi objeto de um processo. Os réus eram três médicos responsáveis, todos membros da Associação Médica Nacional-Socialista (NSDÄB), acusados de lesões corporais intencionais com consequente perda da fertilidade.

Durante o julgamento, nenhum deles mostrou consciência de ter agido errado. Como defesa, alegaram simplesmente ter agido “por ordem do Führer”. Não é de espantar que a persecução criminal tenha sido primeiro suspensa, e mais tarde definitivamente encerrada.

Os três acusados encontraram sem problema seu caminho na sociedade alemã do pós-guerra, um deles chegou a ser eleito, poucos anos mais tarde, presidente da Câmara dos Médicos do estado do Sarre.

Para suas vítimas, ficou até o fim da vida a sensação de serem uma indesejada mancha de vergonha. “Eu não tive juventude e, por causa dessa operação, também nenhum futuro mais”, desabafou certa vez Josef Kaiser.

Fonte: https://www.dw.com/pt-br/o-crime-do-nazismo-contra-as-crian%C3%A7as-da-vergonha-negra/a-56164273

agência de notícias anarquistas-ana

grama nos trilhos
composições mudas
sem estribilhos

Carlos Seabra

[EUA] Manifestantes vandalizam a sede do Partido Democrático de Portland

Quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Depois de uma manhã tranquila quando a polícia foi enviada para a cidade de Portland, Oregon, após as advertências sobre possíveis manifestações coincidentes com a posse da presidência de Joe Biden, cerca de 150 manifestantes vestidos de preto chegaram à sede local do Partido Democrata, onde vandalizaram a porta e as janelas e infestaram o edifício com grafites.

Enquanto alguns deles vandalizaram o edifício e quebraram as janelas, alguns tentaram proteger seus companheiros manifestantes de serem pegos pelas câmeras de segurança, cobrindo-as com guarda-chuvas.

De acordo com o Departamento de Polícia de Portland, os manifestantes atiraram objetos contra os policiais que vieram para dispersá-los, por isso foram criados controles de tráfego e foram emitidos avisos para limpar a área para evitar o uso de agentes de controle de multidões e armas de impacto pela polícia.

A polícia prendeu 8 manifestantes, confiscando uma arma de fogo (?), facas e bastões de metal. Um dos manifestantes até tentou tirar a bicicleta de um policial quando o mesmo lhe tirou uma faca grande.

Os manifestantes levavam uma faixa que dizia “Não queremos Biden, queremos vingança” com o símbolo da anarquia e armas pintadas nela, além da faixa que dizia “Somos ingovernáveis”.

agência de notícias anarquistas-ana

engano amigo
tenho a impressão
que a lua vem comigo

Estrela Ruiz Leminski

[França] Diante da aceleração das contaminações, o governo continua a se fazer de avestruz.

Na quinta-feira, 14 de janeiro, o Primeiro Ministro nos deu novamente seu ato de autossatisfação. Embora a situação esteja piorando, Castex acolhe favoravelmente a estratégia adotada nas últimas semanas de um toque de recolher às 18 horas. Esta medida se estende, portanto, a todo o território metropolitano. A França se torna sombria, além de dar duro no trabalho e consumir um pouco, mesmo aos domingos, nada mais existe. Enquanto estamos percorrendo dias ainda mais difíceis, o governo toma a pior decisão para a população, mas a que está mais de acordo com os interesses do Capital. O que o governo está propondo para nós? Ir ao trabalho… para aqueles que ainda podem ir ao trabalho. Os estudantes, os desempregados, os aposentados, os frágeis e/ou isolados, só têm que esperar por dias melhores com as migalhas que lhes são dadas generosamente e esperar que as vacinas eficazes cheguem a tempo. E se a vacinação é a solução certa, muitas pessoas hoje têm dúvidas, dúvidas que certamente não serão varridas pelos erros deste governo, que nos disse há alguns meses que as máscaras eram inúteis…

Os anúncios seguem um ao outro sem preocupação de plausibilidade. Blanquer continua a negar a evidência de contaminação no ambiente escolar e acumula anúncios rebuscados. Testes escolares? Dizem-nos que as capacidades de triagem serão muito reforçadas, com o objetivo de realizar 300.000 testes por semana nas escolas. Sabendo que desde novembro apenas 100.000 testes foram realizados (enquanto um milhão de testes foram armazenados no Ministério) e que a Educação Nacional tem 12 milhões de estudantes e 1 milhão de trabalhadores! Quanto à avaliação dos estudantes mais necessitados? Quem vai fazer isso, de acordo com que critérios? Estes anúncios são completamente desajustados e não respondem às emergências atuais.

Como só nos restam nossos locais de trabalho para conhecer outras pessoas, vamos lá! Se tudo o que podemos fazer agora é trabalhar, aproveitaremos a oportunidade para nos organizarmos ainda mais com nossos companheiros. As datas de mobilização já foram fixadas em janeiro: dia 21 a saúde, dia 23 contra os despedimentos, dia 26 em educação, dia 28 a do setor energético, e dias 16 e 30 contra as leis liberticidas e em 4 de fevereiro uma mobilização Inter-profissional e intersindical.

Confinamento ou toque de recolher, nada será satisfatório em qualquer caso, desde que seja uma questão de salvaguardar os interesses dos capitalistas acima de tudo. Os interesses deles não são os nossos. A prioridade diante da crise sanitária atual é a socialização de todo o sistema de saúde e a produção de vacinas. A partir de hoje, vamos autogerir nossa saúde para amanhã, autogerirmos toda a nossa existência.

União Comunista Libertária, 16 de janeiro de 2021

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Face-a-l-acceleration-des-contaminations-le-gouvernement-continue-a-faire-l

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o varal
a cerejeira prepara
o amanhecer

Eugénia Tabosa

[França] Massacre de Bounti: o exército francês deve deixar Mali

Levará cinco semanas, cinco meses ou cinco anos para descobrir a verdade sobre o massacre na aldeia de Bounti? Uma coisa é certa: o ataque foi perpetrado ou pelo exército maliense ou pelo exército francês, que de fato era o responsável por ele. Este último é, portanto, diretamente responsável, ou pelo menos cúmplice, por este massacre de civis. Esta é mais uma prova do impasse que esta “guerra contra o terrorismo” em uma base imperialista constitui.

Lembrete dos fatos:

No domingo, 3 de janeiro, entre 14h30 e 15h00, a periferia da aldeia de Bounti, na região de Mopti, foi atingida três vezes, matando 19 homens reunidos para um casamento. Os testemunhos evocam um ataque de um helicóptero de combate.

Em 6 de janeiro, o exército francês promoveu um bombardeio no mesmo dia, ao mesmo tempo, a 1 km de Bounti, mas por um avião de combate, em um grupo supostamente jihadista.

Em 7 de janeiro, o Ministério da Defesa do Mali apenas confirmou a versão francesa.

A associação comunitária Peule Jeunesse Tabital Pulaaku apoia a versão dos aldeões. A etnia Peule é comumente agrupada com os jihadistas e é vítima de discriminação e abusos das Forças Armadas do Mali e das milícias paramilitares hostis. Juntamente com a Federação Internacional de Direitos Humanos, a Jeunesse Tabital Pulaaku está pedindo a abertura de uma investigação internacional independente.

Nos últimos sete anos, a Operação Barkhane tem acolhido a eliminação mensal de dezenas de jihadistas, em particular por bombardeios aéreos, sem nenhum objetivo militar específico, sem nenhum objetivo político declarável. Uma “guerra sem fim” com o risco de “erros” sangrentos do tipo Bounti.

Para a União Comunista Libertária, esta é mais uma prova de que o Estado francês deve pôr um fim à sua intervenção imperialista no Sahel, e deixar os povos da sub-região encontrarem sozinhos a solução política para este conflito.

União Comunista Libertária, 15 de janeiro de 2021

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Massacre-de-Bounti-l-armee-francaise-doit-quitter-le-Mali

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Margeando riacho
Tenras folhinhas brotam
No campo queimado.

Mary Leiko Fukai Terada

[Espanha] Encontros digitais. Governe quem governe, as pensões se defendem.

Todos os anos surge a polêmica das pensões, dos cortes de pensão a que nos referimos. Que se não há dinheiro, que se há aposentadorias antecipadas, que se a pirâmide da população … uma lista interminável de objeções – objeções que eles não colocam a outras coisas que são verdadeiramente parasitárias – nós dissemos objeções que visam colocar suas mãos em mais de 70 bilhões de euros a serem administrados por bancos, companhias de seguros, sindicatos e todo tipo de carrapatos de dinheiro público.

Tentaremos esclarecer algumas coisas com esta conversa: o que é o Pacto de Toledo; o que é a mochila austríaca; o que dizem ou não os organismos europeus; se há ou não dinheiro para as pensões; com que idade poderemos nos aposentar… bem, talvez não porque eles estão negociando isso.

Três pensionistas ilustres estarão na palestra. Um de Bilbao, onde as pensões são mais altas; outro de Badajoz, onde as pensões são as mais baixas e um pensionista de Mérida (Badajoz) a moderará. Você poderá fazer-lhes perguntas através do bate-papo que habilitamos no canal.

O link para ver o bate-papo é o seguinte: https://youtu.be/aAg8U3UPP80

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/encuentros-digitales-gobierne-quien-gobierne-las-pensiones-se-defienden/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Os trigais maduros…
Escassas lanças doiradas
na guerra da fome.

Evandro Moreira

 

[Rússia] Tribunal de Moscou sentenciou o estudante Azat Miftakhov a seis anos de prisão

O Tribunal Distrital de Golovinsky de Moscou condenou o estudante graduado e ativista anarquista Azat Miftakhov a seis anos de prisão na segunda-feira, 18 de janeiro, após considerá-lo culpado de atacar um escritório do partido Rússia Unida em 2018.

Miftakhov, que estudou matemática na Universidade Estadual de Moscou, se declarou inocente das acusações de hooliganismo.

Dois outros suspeitos que antes se haviam declarado culpados no caso foram dados penas suspensas: Elana Gorban foi condenada a quatro anos de liberdade condicional e Andrey Eykin a dois anos.

Essas foram as sentenças exatas que os promotores estaduais solicitaram para os três réus do caso.

A advogada de Miftakhov, Svetlana Sidorkina, disse que planejam contestar o veredicto.

De acordo com o jornal independente Novaya Gazeta, vários ativistas foram presos perto do tribunal durante a audiência, incluindo a membra do Pussy Riot Rita Flores, Dmitry Ivanov – que dirige o canal Telegram Protestny MGU, o ativista Marat Vakhitov, e Nikita Zaytsev – um assessor do ex-deputado Oleg Sheremetev da cidade de Duma em Moscou.

Na noite do dia 31 de janeiro de 2018, figuras não identificadas quebraram uma janela do escritório do partido governante na rua Onezhskaya em Moscou e jogaram uma granada de fumaça dentro. Ninguém ficou ferido durante o ataque, mas a granada de fumaça danificou uma seção do piso do escritório. Um ano depois, em fevereiro de 2019, Azat Miftakhov foi preso sob suspeita de fazer explosivos, mas os tribunais se recusaram a prendê-lo alegando falta de provas. Miftakhov foi posteriormente detido em conexão com o ataque criminoso ao escritório da Rússia Unida.

O advogado de defesa de Miftakhov argumentou que as únicas provas que os promotores públicos têm são os depoimentos de duas testemunhas anônimas, uma das quais está morta, enquanto isso os outros dois réus no caso negam o envolvimento de Miftakhov no ataque. Eykin até disse que não conhece Miftakhov.

• Após sua primeira prisão, os defensores dos direitos humanos relataram que o corpo de Azat Miftakhov mostrava sinais de tortura: eles registraram uma marca de chave de fenda em seu peito e um hematoma na orelha. O Comitê de Investigação Russo se recusou a abrir um processo criminal por uso de violência.

• De acordo com investigadores estaduais, os réus no caso pertenciam a um movimento anarquista denominado Autodefesa do Povo, que está associado a um ataque terrorista de 2018 ao prédio do FSB em Arkhangelsk.

• Centenas de acadêmicos de todo o mundo, incluindo o conhecido filósofo e lingüista Noam Chomsky, assinaram uma carta aberta apoiando Miftakhov. O grupo russo de direitos humanos Memorial também o declarou prisioneiro político.

Fonte: https://meduza.io/en/news/2021/01/18/moscow-court-sentences-grad-student-azat-miftakhov-to-six-years-in-prison

Tradução > A. Padalecki

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/02/20/russia-anarquista-azat-miftakhov-e-solto-e-detido-novamente/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/03/20/ucrania-ataque-ao-tribunal-de-goloseyevsky-em-solidariedade-ao-anarquista-azat-miftakhov/

agência de notícias anarquistas-ana

vocês verão
– que quente
é essa estação

João César dos Santos