[Espanha] Polícia impede manifestação de jovens anarquistas diante do CIE (Centro de Internação de Estrangeiros) de Aluche, Madrid.

Mesmo que não tenha podido terminar o trajeto diante do CIE, ao ser bloqueado na Avenida de los Poblados, a 200 metros do final do trajeto, a já tradicional manifestação ocorreu com certa normalidade.

Por Pablo ‘Pampa’ Sainz | 31/12/2020

Como todos os anos nestas datas, grupos anarquistas realizaram a marcha que inicia no bairro de Usera, passando por vários bairros do cinturão sul de Madrid e para terminar no Centro de Internação de Estrangeiros(CIE). Nessa ocasião, com o lema: “Que as/os presas/os saiam, que os CIE ardam”.

A ação reivindicativa, que aparentemente não foi comunicada à Delegação do Governo, aconteceu sem grandes tumultos além da identificação de alguns participantes. Os controles foram realizados tanto no momento inicial da ação, quanto nos últimos 200 metros do ponto de chegada na Avenida de los Poblados, onde um cordão com aproximadamente vinte agentes policiais antidistúrbio interceptaram o avanço dos manifestantes impedindo a finalização da ação no local desejado, o CIE. Como consequência, a leitura do comunicado não pode ser ouvida pelas pessoas retidas de trás dos muros do Centro.

Em seu comunicado, os coletivos anarquistas denunciam que “utilizando-se da Lei, instrumento de poder, decidem que existam pessoas consideradas ilegais e que não mereçam viver em um território ou outro, quando foram expulsas ou tenham tido a necessidade de fugir de sua terra natal por consequência de guerras ou conflitos entre países movidos por interesses políticos ou econômicos”.

Uma particularidade percebida por diversos manifestantes foi que, exceto em alguns trechos específicos do trajeto, os manifestantes se encontraram obrigados a percorrer o trajeto pelas calçadas, enquanto as unidades da polícia reduziam o tráfego de automóveis movimentando-se pelas ruas. “Já que vão reduzir o tráfego, que deixem as pessoas caminharem pela rua e não amontoada nas calçadas”, disse um dos moradores do bairro de Aluche que se juntou ao último trecho da manifestação.

“São leis que encarceram e expulsam e matam pessoas. Este ano foi diferente de qualquer outro e por razão da pandemia foi declarado o Estado de alerta, as restrições de mobilidade e o fechamento de fronteiras, e os CIE foram esvaziados e estiveram fechados durante 142 dias. Porém, este governo de esquerda não paralisou as deportações, que foram realizadas mesmo com fronteiras fechadas. Violando desta maneira ainda mais os direitos dos migrantes, dificultando assim a assistência sanitária, as ações de advogados, de tradutores ou as solicitações de proteção internacional”, acusaram os manifestantes.

Ao fim, os manifestantes expressaram seu apoio “às pessoas encarceradas, que lutam dia a dia, às pessoas que realizam greve de fome ou motins para denuncias o que vivem e sofrem” e repudiaram “os Estados e políticos, que independente de suas ideologias, sempre terão leis que degradam, submetem outras pessoas para proteger seus própios interesses”.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/cie-de-aluche/la-manifestacion-de-jovenes-anarquistas-no-pudo-llegar-al-cie-de-aluche?fbclid=IwAR1JwM2eygQlA-JqWiukTTaYsV4IaQ2uqF0v965BhzHul5AfoLlhB9u8k8E

Tradução > Manuel Correntes

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aquecer as mãos
requentar as noites
esquecer os dias

Goulart Gomes

Horrores do holocausto: a triste história do álbum nazista feito com pele humana

Além de exalar um odor, o livro tinha linhas semelhantes a cabelos e marcas que pareciam tatuagens

Por Fabio Previdelli | 09/12/2020

Pawel Krzaczkowski é um grande colecionador de arte polonês. Durante uma de suas visitas a uma feirinha de antiguidades, Krzaczkowski comprou um álbum de fotografias que foram captadas durante a Segunda Guerra Mundial.

Até aí, as coisas pareciam normais. Porém, depois de um tempo, ele começou a notar certas peculiaridades na obra: além de exalar um odor, o livro apresentava linhas semelhantes a cabelos e algumas irregularidades em sua pintura, isso sem contar marcas que mais pareciam tatuagens.

Com todas essas particularidades, ele resolveu enviar o livro para que o Museu de Auschwitz o avaliasse. Foi a partir disso que veio a grande surpresa. Especialistas do Museu concluíram que a capa foi feita de pele humana. 

Os traços que pareciam cabelo eram pelos humanos, e os desenhos realmente eram tatuagens. O tecido usado no encadernamento do livro, de acordo com o Museu, veio, provavelmente, de um prisioneiro assassinado no campo de concentração de Buchenwald, no leste da Alemanha.

A autenticidade da capa foi constatada quando os especialistas compararam o livro com um bloco de notas que o Museu guardava que também havia sido feito a partir da pele de vítimas do Holocausto. 

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/horrores-do-holocausto-a-triste-historia-do-album-nazista-feito-com-pele-humana.phtml

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alvor
avançavam parados
dentro da luz

Guimarães Rosa

[França] Prostitutas, freiras e anarquistas: a história não contada das mulheres que moldaram Paris

Um dos bairros mais icônicos de Paris foi fortemente influenciado por um conjunto diverso de mulheres: prostitutas, freiras, uma artista travesti e ativos revolucionários. Seu papel, frequentemente negligenciado nos livros de história, é o centro de um novo conceito de turismo que focaliza nas mulheres francesas que moldaram a capital.

“É o tipo de coisa que, uma vez que você percebe, está em todos os lugares”, disse Heidi Evans, uma guia de turismo de 30 anos, enquanto ela mostrava um coração pendurado no alto de um dos muros da Rue dês Abbesses, uma movimentada via do pitoresco bairro de Montmartre, norte de Paris.

Um “A” negro corta o vermelho do coração, dividindo-o em vários pequenos pedaços.

O símbolo, que está pendurado em diversas ruas do bairro turístico, foi colocado para homenagear o movimento anarquista liderado por Louise Michel, uma icônica francesa revolucionária e feminista.

Michel e seus seguidores foram cruciais para o movimento radical da Comuna de Paris, que conduziu uma luta armada contra o governo francês no início da década de 1870.

Louise Michel é uma das principais figuras apresentadas no mais recente tour que Evans está preparando, para a série “Women of Paris Walks”.

O passeio será realizado no 18º arrondissement da capital francesa, uma região diversificada e popular entre os turistas, internacionalmente conhecida por ser o lar da basílica Sacré Cœur e do Moulin Rouge.

Evans, que é britânica, veio a Paris em busca de aventura, fundando sua empresa de turismo em 2016, depois de se convencer de que as mulheres eram “um tema extremamente negligenciado no turismo de Paris”.

Seus passeios procuram mudar isso, contando a história de diferentes partes da cidade a partir de mulheres que a moldaram.

Normalmente, explicou Evans, passeios e relatos históricos sobre Paris eram focados em personagens masculinos – Napoleão, Luís XIV, Victor Hugo, Jean-Paul Sartre – além de ignorarem ou diminuírem o papel de mulheres importantes.

“O que é interessante sobre Louise Michel é que você realmente vê o nome dela com frequência pela cidade. Há uma estação de metrô e escolas com o nome dela”, disse Evans, acrescentando: “E, contudo, aposto que, se você perguntasse sobre ela a um parisiense comum, ele não seria capaz de te dizer”.

Louise Michel é, de fato, a única mulher francesa a ter uma estação de metrô batizada com seu nome (embora Marie Curie, nascida na Polônia, tenha uma estação nomeada ao lado do marido Pierre; e Simone Veil também nomeie metade de uma estação).

Ignorar o papel das mulheres na história não é, claro, algo limitado à França ou à história francesa. De toda a história registrada, pesquisadores calcularam que as mulheres representam apenas 0,5%.

Em Paris, uma nova geração de ativistas começou a pressionar por uma mudança de narrativa, exigindo que seja enterrado, de uma vez por todas, o “clichê da mulher parisiense” (a “femme fatale” branca, esbelta e impecável) e que as mulheres – todas, não apenas aquelas que são brancas e fisicamente perfeitas – sejam propriamente reconhecidas.

Uma foto tirada em 11 de abril de 1982 mostra uma atitude da cantora e atriz americana Liza Minelli durante um show de uma noite no cabaré Moulin Rouge, em Paris.

Evans disse que ela se considerava parte deste movimento e que foi por isso que sua mais nova turnê mundial focalizaria um grupo ao qual ela chamou de mulheres protagonistas “contrastantes”: freiras, prostitutas, artistas, revolucionárias – e uma dançarina travesti que se rebelou com um notório beijo lésbico no salão de exposições do Moulin Rouge.

“Se eu fosse criar passeios sobre mulheres, precisaria preparar aqueles que apresentassem mulheres de todos os tipos”, afirmou Evans.

Seu mais recente tour passará por Pigalle, historicamente a grande área de prostituição de Paris, perto da basílica Sacré Cœur.

Ao traçar os passos das mulheres cujas pegadas ainda se mantêm na capital hoje, Evans disse que pretendia mostrar os contrastes do bairro, que durante o final do século 19 e início do 20 foi lar tanto de um florescimento marcante para profissionais do sexo quanto para freiras que produziam vinho.

“A ideia é mostrar aos turistas uma Paris de tipo diferente, não apenas a versão clichê”, disse Evans.

Fonte: https://www.thelocal.fr/20200928/prostitutes-nuns-and-anarchists-the-untold-story-of-the-women-who-shaped-paris 

Tradução > Erico Liberatti

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/21/franca-a-anarquista-que-agora-faz-parte-do-metro-de-paris/

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de momento em momento
tudo que eu digo
se choca com o vento

Camila Jabur

[Espanha] Despedida e reconhecimento a Héctor-Tobi da Biblioteca Social Reconstruir, Cidade do México

Não havia viagem confederal que passasse pela Cidade do México que não fosse para a Biblioteca Social Reconstruir para encontrar-se com Tobi. Com seu indescritível sorriso e amabilidade nos mostrava a grande quantidade de revistas, livros e cartazes que enchiam a Biblioteca e a história do anarquismo no México.

O último encontro que tivemos com ele foi em janeiro de 2019 e ali nos mostrava as revistas das e dos exilados que chegavam ao México após o golpe de estado franquista como a revista IPANEMA que se editava no mesmo barco rumo ao continente americano, ou a Revista Blanca ou os periódicos da CNT com espaços vazios em sua capa porque não haviam passado na censura republicana durante a Guerra Civil. Tobi nos contava que quando chegavam ao México estranhavam que ao invés de vir com meios de subsistência, chegaram carregados de livros, revistas e cartazes.

É que Tobi era uma biblioteca em vida, mas não se fechava entre os documentos, Tobi participava nas mobilizações e apoio ao movimento sindical. Não esqueceremos as histórias que nos contava na resistência contra a repressão sindical nas empresas e nos centros educativos.

Tobi, esta maldita pandemia te arrebatou a vida e já não poderemos continuar nos encontrando em nossa passagem pela Cidade do México. Desde a CGT, não esqueceremos o incalculável trabalho documental que realizastes estes anos, teu exemplo como militante anarquista e sobretudo tua amabilidade e sorriso.

Enviamos um abraço a todos os amigos e familiares que sentem como nós a tua perda.

Que tal terra te seja leve, companheiro.

Fonte: http://rojoynegro.info/articulo/sin-fronteras/despedida-reconocimiento-h%C3%A9ctor-tobi-la-biblioteca-social-reconstruir-ciudad-

Tradução > Sol de Abril

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Ao longo da estrada:
“A próxima descida trará
Mais quaresmeiras em flor!”

Paulo Franchetti

Possibilidades de pressão sobre o regime ditatorial na Bielorrússia

Reflexões não apenas sobre como melhorar a situação dos anarquistas presos na chamada Bielorrússia, mas também sobre como contribuir para a queda da ditadura local.

Recentemente, anarquistas que já possuem vasta experiência com as repressões do regime de Lukashenko foram presos. Dmitry Dubovsky, Igor Olinevich, Sergei Romanov, Dmitry Rezanovich, Mikola Dziadok, Akihiro Gaevsky-Hanada entre outros. O motivo do processo é óbvio: eles resistiram à ditadura. O regime da Bielorrússia não é diferente de outras ditaduras. Não aceita resistência ativa ao próprio mal, mesmo que seja apenas a atividade de indivíduos ou pequenos grupos. A classe dominante percebe que depois de tantos anos de opressão, qualquer resistência tem grande potencial de enriquecer o movimento até que o regime seja subjugado e caia.

A repressão pelas estruturas que defendem o regime está crescendo à medida em que a resistência se torna massiva. Já existem milhares de pessoas nas ruas das cidades bielorrussas tentando derrubar o ditador. A maioria delas não tem outro objetivo senão estabelecer no país uma democracia parlamentar ao estilo ocidental. De uma perspectiva anarquista, isso pode ser visto como uma atitude inconsistente que não aborda a natureza fundamental do problema.

No entanto, duas conclusões positivas podem ser tiradas disso.

1. A própria pressão sobre o regime e a possível realização de seu colapso podem significar uma melhora na situação dos anarquistas e outros prisioneiros. Pode haver uma redução nas punições, melhores condições de prisão ou até mesmo libertações.

2. Qualquer rebelião contra a opressão, por mais reformista que seja no início, tem o potencial de se apegar posteriormente a objetivos revolucionários. A participação ativa das minorias revolucionárias pode contribuir para isso, pressionando por atividades para além dos limites da estrutura democrático-burguesa.

O que está acontecendo na chamada Bielorrússia não é uma revolução social como pensam os anarquistas. Não tenhamos ilusões, para não termos que lidar mais tarde com a dor da desilusão. Não busquemos nos eventos o que não existe. Mas também não tomemos a falta de conteúdo revolucionário como pretexto para deixarmos passivamente tudo de lado. É preciso não ter ilusões, mas ao mesmo tempo intervir na situação de forma anarquista. Tentar reverter o curso dos acontecimentos em favor dos objetivos anarquistas.

Alguns anarquistas na Bielorrússia tiveram suas sentenças reduzidas como resultado da pressão da comunidade internacional, organizações de direitos humanos, diplomacia e até mesmo de membros do Parlamento Europeu. Algumas pessoas agora relacionam suas esperanças a essas esferas. Embora a libertação antecipada seja um grande alívio para os camaradas e seus entes queridos, mesmo aqui é necessário ter cuidado com as ilusões. Se o regime de Lukashenko continuar a afrouxar as medidas repressivas sob pressão da diplomacia ou das elites governantes de outros países, isso não é um sinal de boa vontade. Não é uma ajuda altruísta. Normalmente, é uma escolha estratégica tornando o regime mais legítimo aos olhos dos críticos estrangeiros e, assim, aliviando a pressão internacional. A libertação de vários presos dá a impressão de que o regime reflete sobre seus erros e não quer continuá-los. No entanto, é uma manobra de encobrimento. O regime não muda no núcleo. Ele segue os mesmos trilhos, apenas agora com o apoio de defensores oficiais dos direitos humanos, que sem saber ajudam do exterior a criar uma melhor imagem do regime do que ele realmente é.

Qualquer melhora na situação dos camaradas presos é uma notícia muito positiva. Mas não vamos permitir que isso se torne uma desculpa para abandonar a perspectiva anarquista e a negação intransigente das estruturas autoritárias de todos os estados. Os membros do Parlamento Europeu e os diplomatas governamentais não podem ser celebrados sem crítica. Embora às vezes eles defendam a libertação de anarquistas da prisão, não estamos associados em uma parceria. Não devemos olhar para eles como esperança, porque seus objetivos significavam bloquear e obstruir nossos objetivos.

Igor Olinevich, um dos anarquistas presos, expressou ceticismo sobre a ajuda dos governos e suas instituições em seu diário de prisão “Estou indo para Magadan” em 2011, quando escreveu: “A Bielorrússia desempenha o papel de um país primariamente, ambientalmente e economicamente poluído através do gás de petróleo, da produção de plásticos, suplementos alimentares, fertilizantes, papel, cimento, etc. Em geral, a Europa pode adotar resoluções e realizar manobras decorativas sobre a democracia à vontade, mas a verdade é que não se importa com o estado de tais coisas em absoluto. `É possível também negociar com canibais` – essa é a essência da política europeia.”

Esta não é apenas uma expressão de desconfiança na política oficial. É também uma indicação de para onde as forças revolucionárias devem ir. Os governos e empresários da União Europeia estão principalmente interessados em um comércio internacional harmonioso. Se o regime de Lukashenko não os impedir de fazê-lo, eles não têm razão para exigir sua remoção. Como Igor Olinevich bem observou: “Não temos de onde esperar ajuda. Ninguém vai nos salvar, exceto nós mesmos.”

Se sabemos que a estabilidade do regime bielorrusso depende do comércio com os países vizinhos, conclui-se que o bloqueio desses negócios contribui significativamente para a desestabilização. Anos atrás, Igor destacou quais setores econômicos são fundamentais no país. Cada um de nós tem a capacidade de descobrir mais sobre atores econômicos individuais e suas posições nas regiões em que vivemos. E qualquer pessoa, mesmo com o mínimo de recursos, pode criar problemas ou interromper seus funcionamentos. O regime bielorrusso não é um fenômeno isolado fechado entre as fronteiras nacionais. Seus interesses econômicos e políticos se espalham pelo mundo. Rastrear e intervir faz mais sentido do que confiar nas manobras dos poderes.

Lukáš Borl, dezembro de 2020

Fonte: https://lukasborl.noblogs.org/possabilities-of-pressure-on-the-dictatorial-regime-in-belarus/

Tradução > A. Padalecki

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agência de notícias anarquistas-ana

Abro a janela…
nos galhos finos só flores —
Ipê-amarelo

Rosa Elias

[França] Adeus ao camarada Skirda, o anarquista que lutou contra as mentiras dos historiadores

Recebemos a triste notícia da morte, em 23 de dezembro passado, do ativista e historiador libertário Alexandre Skirda, autor de um bom número de textos essenciais sobre a influência anarquista na Revolução Russa.

Recebemos a triste notícia da morte em 23 de dezembro do ativista e historiador libertário Alexandre Skirda, autor de uma série de textos essenciais sobre a influência anarquista na Revolução Russa. Ele era filho de um ucraniano que viveu a guerra civil e de uma russa, e nasceu na França em 1942. Seu trabalho, originalmente escrito em francês, foi traduzido para vários idiomas.

Seu primeiro livro, de 1971, é dedicado à revolta de Kronstadt e foi reimpresso em 2012 e 2017, incorporando novos dados após o acesso aos arquivos da ex-URSS. A copiosa coleção de fontes neste trabalho faz dele um documento de leitura obrigatória para compreender o confronto entre as concepções libertárias e autoritárias durante a Revolução Russa.

Com raízes ucranianas e um bom conhecimento de todas as línguas das fontes primárias da Revolução Majnovista, Alexandre Skirda estudou-a extensivamente e em 1982 publicou: Nestor Makhno, le cosaque de l’Anarchie, la lutte pour les soviets libres en Ukraine 1917-1921. Este livro logo se tornou uma referência indispensável, e suas sucessivas reedições, enriquecidas com nova documentação, têm servido para aquilatar aquele episódio memorável da luta por uma sociedade sem exploração.

Autor de outros livros sobre a história do anarquismo e traduções de Néstor Majnó e Jan Wacław Majaiski, Alexandre Skirda sempre trabalhou para desvendar eventos de enorme transcendência, cuja realidade fresca e esclarecedora se esconde por trás da falsidade e da manipulação que dominam a historiografia do século XX. Graças a ele, vemos além dos relatos tendenciosos “vermelhos” e “brancos” de eventos que são essenciais para conhecer.

Que a terra seja leve para aquele que dedicou sua vida a combater mentiras, desfazer injustiças e vindicar, com esforço e rigor, a memória daqueles que deram tudo de si na luta pela liberdade e emancipação humana.

Fonte: https://kaosenlared.net/adios-al-companero-skirda-el-anarquista-que-combatio-las-mentiras-de-los-historiadores/

Tradução > Liberto

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Assim como a vela,
Mergulhada no silêncio,
A peônia

Kyoroku

Líder do partido de extrema direita italiano é julgado por caso de imigrantes presos no mar

Matteo Salvini, líder do partido italiano de extrema direita Liga, compareceu neste sábado (09/01) diante de um juiz em Palermo por um novo caso de imigrantes presos no mar em 2019, quando era ministro do Interior.

 O ex-ministro é suspeito de sequestro de pessoas e abuso de poder por ter proibido o desembarque de uma centena de imigrantes resgatados no mar pelo navio da “Open Arms”, em agosto de 2019, e ao se negar durante dias a conceder um porto seguro para a embarcação da ONG espanhola, que estava ancorada na costa da pequena ilha de Lampedusa, enquanto as condições a bordo pioravam.

 Depois da primeira audiência preliminar a portas fechadas, o juiz adiou a continuação do procedimento até 20 de março, que deve determinar se Salvini será levado à Justiça ou se arquivará o caso.

 “Estou absolutamente sereno e orgulhoso do que tenho feito”, disse Salvini à imprensa ao final da audiência.

 “Minha única lamentação é o custo que este julgamento tem para os contribuintes italianos e o tempo que estou perdendo com os magistrados”.

 “Open Arms” ressaltou que “o acusado hoje não é apenas Salvini, mas os governos italiano e europeus que continuam a violar a Convenção de Hamburgo sobre a obrigação de socorro no mar e a Convenção de Genebra sobre a proibição de rejeitar refugiados”.

 Matteo Salvini tem sido acusado de ter “prendido” centenas de imigrantes resgatados pelo navio da guarda costeira italiana “Gregoretti” no mar, também durante o verão boreal de 2019.

 Porém, a promotoria siciliana da Catania pediu que as acusações desse caso fossem rejeitadas.

 Fonte: agências de notícias

 agência de notícias anarquistas-ana

minha sombra
com pernas mais longas
não me afasta

André Duhaime

[Chile] Sebastián Oversluij presente em cada ato de revolta contra o poder!

O que significa dizer em dezembro de 2020 “Sebastián Oversluij presente!”? Que sentido tem lembrar de um companheiro morto em ação nesses tempos?

Sete anos se passaram desde que o companheiro foi assassinado tentando expropriar um banco em dezembro de 2013 e hoje, em meio a uma pandemia e com a experiência de uma revolta generalizada em nossas costas, nos encontramos novamente na memória insistente de nossa caminhada irredutível.

A cada passo que damos no presente, somos acompanhados pela energia indomável daquelxs que trilharam os caminhos da insurreição contra o poder, companheirxs que empunharam uma diversidade de ferramentas de luta, deixando testemunho de sua posição ativa nos mais diversos processos e acontecimentos que elxs alimentaram com o fogo da luta anti-autoritária neste território.

Hoje, longe de qualquer fetiche nostálgico e vitimista, seguimos recordando o Angry como um companheiro que faz falta ao nosso lado, nas ruas, na sabotagem e na propagação multiforme da anarquia.

Em tempos em que cada gesto de luta e de repressão parece ser uma novidade para muitxs, trazer a memória do companheiro até o presente é um ato de cumplicidade e conseqüência com o caminho de luta que forjamos a partir de ações minoritárias; é uma contribuição para a difusão permanente das idéias e práticas que atentam contra a ordem social do poder e da autoridade.

Hoje, em dezembro de 2020, a memória e a trajetória de vida de Angry, sua conexão com diversos ambientes e coletivos de luta e las diversas expressões de propaganda anárquica desenvolvidas pelo companheiro, são apenas um exemplo que mostra que as hostilidades contra a sociedade carcerária, o Estado, a exploração animal e a dominação como um todo, foram forjadas ao longo dos anos em múltiplos atos, projetos e instâncias impulsionadas por companheirxs que contribuíram para a configuração do presente na guerra que seguimos habitando. Graças aos diversos gestos de memória nestes sete anos, o Angry hoje é conhecido mundialmente como um guerreirx anárquicx perigoso para o poder que pixou as ruas com frases de liberdade, participou em bibliotecas, em projetos e espaços autogestionados, que criou música, desenhos e publicações, participou da luta nas ruas, de sabotagens e ataques ao poder.

Tudo o que foi exposto nunca fez do companheiro um ser superior ou extraordinário, ao contrário, é uma amostra de quão valiosa seria sua contribuição hoje, marcada pelo contexto de pandemia e revolta onde o confronto contra o estabelecido se espalhou pela luta nas ruas, da selvageria vandálica, do ataque anti-policial, e das formas de ataque, resistência, solidariedade e autonomia, assim como as expressões mais explícitas de repressão democrática no encarceramento, no extermínio e na guerra direta contra xs corpxs dxs que lutam nas ruas.

Assim, a memória em torno do companheiro se concretiza e contribui para nosso presente através do diálogo com seu discurso e ação em permanente movimento e evolução, partindo de visões de luta popular para então avançar em direção à insurreição anti-autoritária e ao niilismo anárquico, como é possível mostrar a partir de seu próprio testemunho de vida em canções, conversas, ações e diversas iniciativas de memória após sua morte em ação.

Ao mesmo tempo, a memória em torno de Angry nos convida a rever o nosso próprio percurso de luta individual e coletiva, para continuar projetando desde o presente a guerra contra toda as formas de poder, para ir cada vez mais longe em nossos projetos, idéias e ações, para continuar apostando na expansão e aprofundamento dos laços de cumplicidade e de todas aquelas fissuras que fragilizam o domínio e permitem o florescimento da liberdade e da anarquia como possibilidade concreta no aqui e no agora.

COM MEMÓRIA ICONOCLASTA

A GUERRA ANÁRQUICA NÃO PARA.

SEBASTIÁN “ANGRY” OVERSLUIJ PRESENTE!

Dezembro 2020.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/01/09/chile-video-sebastian-oversluij-presente/

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Obscuramente
livros, lâminas, chaves
seguem minha sorte.

Jorge Luis Borges

[Argentina] Já saiu A Ovelha Negra 74

Nesta edição (novembro de 2020):

– Tempos de moderação progressistas. A política está em tumulto em todo o continente: eleições, referendos, revogações e debates locais acalorados sobre leis “históricas”, e nada transcendental está sendo definido na Bolívia, Chile, Estados Unidos, Peru ou Argentina.

– Novo documentário: Fumaça. Reflexões além da queima. Sobre o documentário que lançamos no início deste mês para contribuir com as lutas em curso pelas zonas úmidas.

Você pode procurá-lo na biblioteca, encontrá-la em alguns lugares desta e de outras cidades, ou lê-la on-line, e fazer o download a partir daqui. Para ler, refletir, compartilhar, copiar e divulgar.

Sítio do boletim, para ler este e os números anteriores:

boletinlaovejanegra.blogspot.com

Fonte: http://bibliotecaalbertoghiraldo.blogspot.com/2020/11/ya-salio-la-oveja-negra-nro74.html

Tradução > Liberto

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Crepúsculo. O sol no horizonte
Vai descendo
Os degraus do monte.

Clínio Jorge

[Espanha] CNT avança no setor metalúrgico: Nova seção na Power Electronics

SINDICAL | Valencia | Extraído do Cnt nº 425

A Power Electronics é um peso pesado na indústria de tecnologia de metais, empregando mais de 3.000 trabalhadores e com pontos de venda em mais de 40 países, com crescimento exponencial nos últimos anos. Desde 1987, fabrica acionamentos e motores de partida de velocidade variável de alta potência e está atualmente envolvida no mercado de energia solar e veículos elétricos. Ela até esteve envolvida na fabricação de respiradores durante o início da emergência sanitária da Covid-19. A empresa pertence à família Salvo, cujo vice-presidente é o ex-presidente executivo do conselho de administração do Valencia Club de Fútbol, Amadeo Salvo.

A empresa construiu recentemente um macrocentro de trabalho no município de Llíria (Valencia), com uma área de mais de 100.000 metros quadrados – denominado “Campus” – no qual trabalham mais de 1.000 funcionários. É neste centro de trabalho que a CNT montou sua nova seção sindical. A família Salvo também possui outra empresa no setor metalúrgico chamada “Power Metal Works”, na qual a CNT também criou uma seção sindical que vem operando há vários anos.

A seção sindical foi recentemente formada em julho e é o resultado do trabalho contínuo do sindicato na obtenção de afiliação no local de trabalho, na divulgação de comunicações, na distribuição de informações nas mudanças de turno, etc. O ponto alto deste esforço foi a criação de uma seção sindical com considerável número de membros e presença em vários departamentos da empresa. Uma empresa deste porte sem representação unitária e sem outra seção sindical mostra o medo que foi incutido entre os trabalhadores para evitar que o pessoal reivindique seus direitos. Atualmente, a CNT é o único sindicato de referência com uma presença real na Power Electronics.

Na medida que a constituição da nova seção sindical se espalhou, as expectativas foram altas e o número de membros aumentou exponencialmente. Houve demasiados anos de irregularidades, violações de acordos, abusos contínuos e medo. Mas agora que existe uma representação sindical da CNT na empresa, a Power Electronics não tem outra escolha senão cumprir com as normas trabalhistas e respeitar os direitos da força de trabalho.

A seção sindical da CNT pretende avançar pouco a pouco, mas com passos firmes. As primeiras exigências que foram apresentadas dizem respeito ao confinamento de trabalhadores em razão do Covid-19, cumprimento de aviso prévio sobre horários de trabalho flexíveis, prevenção de riscos nas linhas de produção, grupos profissionais que desempenham funções mais elevadas, etc. É muito claro para os representantes sindicais que eles devem aumentar sua filiação a médio prazo a fim de poder fazer suas reivindicações com mais força, e que eles não tolerarão uma única irregularidade a fim de cumprir literalmente com o acordo coletivo aplicável.

A CNT continua sendo estabelecida no setor metalúrgico, um setor historicamente combativo que deve continuar se organizando para recuperar todos os direitos que lhe foram retirados nas últimas décadas.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/cnt-avanza-en-el-sector-del-metal-nueva-seccion-en-power-electronics/

Tradução > Liberto

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O gato tigreiro
olha o sabiá
que voa ligueiro

Eugénia Tabosa

Carta | Comunidade Autônoma Temucuicui ante à mega-operação da Polícia de Investigações do Chile

Nossa comunidade mapuche, através da presente, e ante à gigantesca agressão por parte do Estado do Chile assinalamos o seguinte:

Na manhã da quarta-feira [07/01/2021], uma força de 800 agentes da Polícia de Investigações arrombou e quebrou a tranquilidade da comunidade Temucuicui, justamente no momento em que na cidade de Angol, uma força composta por carabineros (polícia) e membros do exército impediu à família do weichafe [guerreiro mapuche] Camilo Catrillanca entrar na cidade para conhecer o veredicto contra os carabineros assassinos.

Esta força da PDI, numa enorme caravana, entrou a vários Lof [organização social do povo mapuche] do território, comunidade Huañaco Millao Chacaico, Pancho Curamil, butaco e o setor de Pidima, além de diferentes moradias na cidade de Ercilla, fortemente armados, com equipes militares e apoiados por dois helicópteros. Não se tinha conhecimento sobre qual era o motivo de tão frenética agressão do Estado contra as comunidades. Durante o desenvolvimento das agressões e a violência exercida pelos funcionários da PDI, resultaram mortos vários animais que são parte do gado da comunidade, destruição de cercas e de casas, mulheres e crianças feridas, incluindo a detenção da mãe, da companheira e da filha de Camilo Catrillanca ao tentar voltar para a comunidade.

No desenvolvimento da violência perpetrada pelo Estado resultou morto um agente da PDI, sem que se saibam maiores detalhes. Foi informado para o jornal que a razão dessa violência e terrorismo era para cumprir com uma ordem da Promotoria de Alta Complexidade que pesquisa sobre tráfico e plantação de marijuana, tráfico de armas e munições, homicídios, e, segundo eles, essa ação de violência foi planejada há 8 meses. A questão desse fato é: qual foi o resultado? Na tarde, o rufião que oficia como chefe da PDI, assinalou o sucesso ao apreender umas mudas de marijuana e uma submetralhadora UZI, sem que se tenham mais antecedentes nem certeza que isso ocorreu como foi dito.

O Estado, que está ao serviço do modelo neoliberal, vem desenvolvendo teorias de conspiração desde o ano 2002 quando foi afirmado que as organizações mapuche eram financiadas pelo dono de um molinho na cidade de Collipulli, logo disseram que um número de mapuche recebeu instrução das FARC, na Colômbia, depois vem a operação Huracán onde hoje tem no alvo a vários carabineros por mentir e implantar supostas provas, e o assassinato de Camilo Catrillanca pelo qual declarou-se culpado ao funcionário policial que tirou sua vida. É uma soma de fatos onde se confabulam as mentiras, o racismo e o abuso policial. Nessa violência, mesmo na Operação Huracán, estão organizados e atuando em coordenação com a promotoria de alta complexidade, o tribunal de garantia de Collipulli, e o governo, especialmente o parasita burocrata Cristian Barra, que foi designado como coordenador da macro-zona do sul, pelo ministério do interior. Todos eles atuam sob as ordens das empresas florestais e da oligarquia latifundiária, que vê com espanto como o território de Temucuicui tem conseguido controlar um grande espaço do território, tem conseguido dar bem viver às famílias, reconstruir o mapuche mogen [vida mapuche] fora de todo domínio e tentáculo do Estado e dos partidos neoliberais.

Essas ações de terrorismo de Estado continuarão devido a que as comunidades continuarão com mais força e convicção a recuperação e o controle territorial para que nossas futuras gerações vivam em liberdade e dignidade.

Todos os que estão na cabeça dessa gigantesca operação, estão assinalando que existiu um arrombamento só em Temucuicui, porém, essa operação foi realizada em diferentes comunidades já citadas. É de notar, contudo, que não existe nenhum detido em Temucuicui por essa operação policial, mas foram 9 casas arrombadas e destruídas em Temucuicui, e outras 10 nas outras comunidades. Em grande parte delas não acharam nada. Duas mulheres detidas da comunidade Huañaco Millao Chacaico anunciaram que hoje passaram a controle e formalizações por acusações, ficando ambas em prisão preventiva.

Rejeitamos energicamente as ameaças do Diretor da Polícia de Investigações de continuar entrando e agredindo a comunidade com mais força; nós temos sido vítimas históricas de múltiplas violações e assassinatos, e eles isso sabem muito bem, por quanto nossa gente ficará a defender de qualquer agressão a todos os membros da nossa comunidade. As declarações desse nefasto e racista burocrata só vêm para fomentar a estigmatização das práticas coloniais contra Temucuicui, que o Estado abertamente tem declarado guerra.

Finalmente assinalar que Temucuicui vai se manter alerta e não permitirá a entrada a nenhum meio de comunicação.

Justiça para Camilo Catrillanca

Liberdade aos presxs políticxs mapuche

Não mais arrombamentos e agressões a nossa gente. 

COMUNIDAD AUTÓNOMA DE TEMUCUICUI

agência de notícias anarquistas-ana   

a sombra da nespereira
mergulha
na frescura do poço

Rogério Martins

[Venezuela] Indígena Pemón, preso pela ditadura chavomadurista, morre por falta de cuidados médicos

Por Olhos Ilegais

O indígena Pemón, Salvador Franco (44 anos) morreu nas horas da manhã de hoje, 3 de janeiro de 2021, na prisão Rodeo II, localizada em Guatire, Estado de Miranda. Venezuela. Ele foi detido junto com outros 13 índios Pemón por razões políticas, e sua situação de saúde era muito grave, desde quatro meses atrás. Diferentes organizações e indivíduos que trabalham com direitos humanos em nível nacional e internacional exigiram publicamente atenção médica urgente das autoridades responsáveis devido a sua condição crítica, mas este pedido nunca foi atendido pelas autoridades criminais.

A própria irmã de Salvador Franco, Liseth Franco, fez um vídeo de Kumaracapay na Gran Sabana, onde exigiu cuidados médicos e avisou que seu irmão estava tossindo sangue e que sua família, sua comunidade e o povo Pemón em geral estavam muito preocupados com sua vida. O Tribunal havia emitido uma ordem ao centro de detenção para que ele fosse avaliado por um médico especialista. Mas até o momento de sua morte, esta ordem nunca foi executada.

O Estado e as autoridades responsáveis são responsabilizados por esta morte infeliz, que poderia ter sido evitada se lhe tivesse sido dada a atenção necessária.

Fonte: http://periodicoellibertario.blogspot.com/2021/01/por-negarsele-atencion-medica-muere.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Tempo destinado
a esfregar e descorar
nódoas do passado.

Flora Figueiredo

[Cuba] Comunicado da Oficina Libertária Alfredo López de Havana

Não aceitamos senhores sobre nós nem servos sob nossas ordens. Trabalhamos para uma sociedade onde todas as questões públicas são resolvidas através da auto-organização daqueles que vivem, trabalham, criam e amam, em Cuba e no planeta. Testemunhamos, no entanto, que a mudança para tal forma de administrar nossas vidas comuns só pode ser o produto da mais profunda revolução social. Mas ser radical em nossa concepção do socialismo e da libertação humana não nos torna pessoas rígidas ou extremistas, nem nos opõe àqueles que sinceramente buscam caminhos de dignidade. A luta por garantias sociais é legítima, mesmo quando sua raiz germinativa não atinge imediatamente o ideal – desde que tal raiz exista – muitas das quais contêm germes vivos e em crescimento da sociedade comum com os quais, por enquanto, apenas ousamos sonhar. Defender tais germes e semear as sementes da liberdade, mesmo sabendo que podem levar milênios para se tornarem árvores tão robustas quanto as mais robustas em nossos campos, é nosso dever e escolha de vida.

E por tudo isso:

1. Repudiamos qualquer bloqueio contra o povo cubano, imposto de fora ou de dentro pelos Estados, Unidos ou não. Apoiamos radicalmente a plena utilização das capacidades criativas de nosso pessoal, sua auto-organização, auto-sustentação e auto-liberação, em um mundo que deve ser mais solidário e cooperativo.

2. Não apoiamos provocações que visem a explosão social. Isto seria trágico nas atuais circunstâncias de deterioração organizacional das classes trabalhadoras e dos segmentos mais precários da sociedade.

3. Apoiamos todas as formas de auto-organização daqueles que trabalham, vivem e criam em Cuba. Por auto-organização social entendemos os empreendimentos, projetos, redes, coletivos e outros esforços onde não há trabalho remunerado, imposição de autoridade, culto à personalidade, diversas violências diretas, estruturais ou simbólicas, hipercompetitividade, burocratismo, decisões nas mãos de uma elite, concentração da riqueza e apropriação desigual do conhecimento. Exigimos que a estrutura institucional do país dê prioridade às entidades auto-organizadas, como a promoção da criação de cooperativas e outros projetos coletivos de produção e serviços de natureza autogestionária, sobre as microempresas capitalistas e outras empresas baseadas em assimetrias sociais, especialmente o autoritarismo, a burocracia e a desigualdade econômica.

4. Neste sentido, as organizações que distribuem produtos à população devem ser reorganizadas como cooperativas de consumo, integrando a maioria delas de forma auto-organizada, a fim de cumprir as funções de venda em armazéns e outros varejistas, transporte, estocagem, sem implicar em roubo ou corrupção.

5. Somos contra o sistema salarial, mas enquanto ele existir, deve haver também o reconhecimento de um salário mínimo real, visivelmente acima da cesta básica como a renda mínima para uma vida digna, que deve ser pública em sua composição e sujeita a debate e aprovação geral; a remuneração devida deve ser feita de acordo com o horário de trabalho e horas extras; o acordo coletivo, o direito à sindicalização, o pleno acesso à resolução de conflitos trabalhistas por parte daqueles que trabalham, e o direito à greve deve ser imposto aos empregadores em todos os locais de trabalho.

6. Se foi possível reconhecer a legitimidade dos representantes das tendências liberais dentro da oposição política estatal cubana, nós nos consideramos portadores de plena legitimidade como socialistas libertários e parte da organização das classes trabalhadoras em Cuba; se tal reconhecimento não foi possível, nós o exigiremos para todas as opiniões políticas.

7. O crime de desprezo pela autoridade, como herança da ordem monárquica, deve ser abolido e todas as pessoas presas por tais atos devem ser libertadas.

8. A prisão ou qualquer outra sanção por “periculosidade pré-criminal” deve ser imediatamente abolida como uma instituição de origem fascista (Código Rocco).

9. Trabalhamos pela libertação de todo o espectro de todas as dominações e opressões, especialmente as do capital, da burocracia, do patriarcado, da hipercompetição, da epistemocracia, da colonialidade, do racismo, do etnocentrismo, da intrusão de poderosas estruturas estrangeiras, do consumo desenfreado e da predação ecológica.

10. O espectro completo significa que ninguém – pessoa ou grupo sob opressão – se liberta a si mesmo, não incluindo outros, ao ponto de alcançar toda a sociedade. A liberação não admite exclusões.

11. Não reconhecemos a falsa e autodestrutiva “normalidade” deste mundo como um ideal de que uma Cuba deva tender a ser “um país normal”.

12. Estamos em alerta contra qualquer movimento que, de coletivos, processos ou esforços que aspiram à libertação, possa propiciar o surgimento de novas e perigosas dominações.

A Oficina Libertária Alfredo López é um coletivo anarquista que durante anos apoiou e promoveu experiências alinhadas com seus princípios antiautoritários e anticapitalistas, e procura ser uma voz libertária oportuna neste arquipélago que chamamos Cuba. Organizou quatro Jornadas Libertárias em Havana, e é atualmente o principal gestor do Centro Social ABRA.

Fonte: https://centrosocialabra.wordpress.com/2021/01/03/comunicado-del-taller-libertario-alfredo-lopez-de-la-habana/

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/21/eua-cuba-anarquista-uma-cultura-de-resistencia-contra-o-capitalismo-e-o-estado/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/03/20/cuba-primeira-convocatoria-para-a-5a-jornada-primavera-libertaria-de-havana/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/05/12/abra-um-novo-empenho-autoemancipatorio-em-cuba/

agência de notícias anarqauistas-ana

Caramujo,
Suba sem pressa
O Monte Fuji!

Issa

[Chile] Vídeo | Sebastián Oversluij Presente!

Documentário sobre a vida do companheiro Sebastián “Angry” Oversluij, que foi morto enquanto tentava expropriar um banco em 11 de dezembro de 2013 em Santiago, Chile.

O material foi elaborado com informações de livros, propaganda, conversas e fragmentos de vídeos públicos e inéditos. Os desenhos que acompanham a história foram feitos pelo companheiro.

Com Sebastián Oversluij e Alexandros Grigoropoulos em cada Dezembro Negro.

Memória e ação!

>> Link para ver o vídeo:

https://gorf.tube/videos/watch/af37b9d5-561c-428d-bdb5-aae1ca7d2a27

Notas:

1. Aqueles que desejarem contribuir para a divulgação traduzindo o texto para outros idiomas podem escrever para memoriayaccion@riseup.net.

2. No minuto 17:32, onde “os anos 2016-2010” é mencionado, refere-se aos “anos 2006-2010”.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/12/11/chile-sebastian-oversluij-seguel-presente/

agência de notícias anarquistas-ana

inútil, inútil
a forte chuva
mergulha no mar

Jack Kerouac

[Espanha] Eduardo Vivancos nos deixou

Eduardo Vivancos (Barcelona, 19 de setembro de 1920) morreu em seu centésimo aniversário em Toronto, Canadá, em 30 de dezembro de 2020, após uma longa e ativa vida como anarquista, cenetista e libertário.

Vindo de uma família de classe trabalhadora, aos 14 anos começou a trabalhar e estudar à noite na Escuela del Trabajo de Barcelona, onde ingressou na Federação Ibérica da Juventude Libertária (FIJL) e na FECL (Federación Estudiantil de Conciencias Libres). Em 1935, ele se tornou membro da Confederação Nacional do Trabalho.

Em setembro de 1936, em meio à atmosfera revolucionária durante a Guerra Civil, ele aprendeu esperanto em um curso organizado no Ateneo Enciclopédico Popular, que seria um incentivo e uma ferramenta muito útil em seu trabalho como libertário e internacionalista.

Em 1937 ele começou a estudar no Instituto Obrero de Barcelona, mas mentiu sobre sua idade para entrar na 26ª Divisão, antiga Columna Durruti, sem o conhecimento de sua família. Em fevereiro de 1939, ele teve que se exilar. Ele passou pelos campos de refugiados de Vernet d’Ariège, Argelès, Bram, Agda e outros, onde intensificou seus contatos com refugiados quenianos e seu trabalho para o Esperanto. Lá ele conheceu, por exemplo, Jaume Grau Casas, membro da Academia de Esperanto e editor principal do “Kataluna Antologio” (uma antologia da literatura catalã traduzida para o esperanto).

Entretanto, seu trabalho principal mais conhecido ocorreu após o fim da Segunda Guerra Mundial, já em Paris, onde fez parte do comitê de criação de uma Juventude Anarquista Internacional, a pedido da FIJL. Foi decidido criar um boletim, que, devido ao seu caráter internacional, seria escrito em esperanto, e que se chamava “Senŝtatano” (aquele sem Estado). Vivancos foi um de seus editores, juntamente com Germinal Gracia. Dessa plataforma ele entrou em contato com os libertários esperantistas de muitos países, entre eles Eugenio Lanti, líder da Sennacieca Asocio Tutmonda, a associação dos trabalhadores esperantistas.

Em 1954 Vivancos emigrou para o Canadá com sua família. Em Toronto, ele aderiu à ADEC (Asociación Democrática Española Canadiense), que durante muitos anos realizou ações contra o regime franquista. Assim, foram organizadas conferências com a participação de Federica Montseny e Enrique Tierno Galván, entre outros. Em 1968, como parte da campanha internacional para boicotar o regime de Franco, ele se opôs veementemente à celebração em Madrid do Congresso Universal do Esperanto, que até mesmo nomeou Franco como seu protetor honorário.

Vivancos voltou à Espanha pela primeira vez sozinho em 1976, mas continuou a viver no Canadá, mantendo contatos com ex-cenetistas e libertários em geral da Espanha, América do Norte e outros países. Já cego, ele passou seus últimos anos em uma residência em Toronto, de onde permaneceu ativo com muitos desses contatos, e com sua irmã Juliette e sobrinha Sylvie, também ativa no movimento libertário e esperantista em Paris.

Que a terra lhe seja. Aqueles de nós que o conheceram nunca o esquecerão.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/nos-dejo-eduardo-vivancos/

Tradução > Liberto

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O grito do grilo
serra ao meio
a manhã.

Yeda Prates Bernis

[Chile] Lançamento: “El curandero”, de Jorge Enkis

A natureza nos deu tudo o que precisávamos para cuidar de nós mesmos, mas foi a sociedade mercantilista que enterrou estes conhecimentos ancestrais. Após a unificação farmacológica mundial, a UFM, muitos curandeiros ou sábios foram perseguidos e encarcerados.

Um curandeiro compartilhará seu conhecimento com seu jovem filho, depois que ele morrer nas mãos de uma doença de transmissão patogênica climática conhecida como TPC. Ele terá a missão de manter esse conhecimento para o cuidado de sua comunidade. 

Título: El curandero

Autor: Jorge Enkis

Editorial: Autodidacta

Número de páginas: 24

Idioma: Español

Dimensões: 14 x 17

Ano de Publicação: 2021

Preço: $2.000

>> Baixe, imprima e divulgue:

https://editorialautodidacta.org/wp-content/uploads/2021/01/El-curandero-Jorge-Enkis.pdf

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/12/02/chile-lancamento-el-arte-de-proyectar-la-anarquia-de-jorge-enkis/

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copo de vinho,
um olhar e um toque:
te adivinho…

Carlos Seabra