
Por Gorgon Eloquentia Verax
Rebeliões recentes no Nepal, na Indonésia e em outros países asiáticos têm um símbolo inesperado: a bandeira pirata de One Piece. A caveira com chapéu de palha, marca dos “Piratas do Chapéu de Palha”, aparece entre faixas contra corrupção, censura e abuso de poder.
Não é só referência nerd. Para muitos jovens, ela expressa liberdade melhor do que qualquer bandeira partidária. Eles cresceram vendo Luffy e sua tripulação enfrentando governos autoritários, corporações violentas e desigualdade. A mensagem é clara: seguir o próprio caminho, romper hierarquias, lutar contra injustiça.
Essa geração não quer herdar símbolos ideológicos que já chegam carregados de disputas e burocracias. As velhas bandeiras (de partidos, sindicatos, movimentos institucionalizados) perderam força por estarem associadas a chefias, negociações de gabinete e promessas que não mudam a vida cotidiana. As bandeiras comunistas não funcionam, pois muitos jovens estão desiludidos com o legado desses movimentos; e as do anarquismo foram historicamente perseguidas e marginalizadas. Um ícone vindo da cultura pop, sem dono oficial, permite união imediata. Ele comunica resistência e solidariedade sem dividir quem está na rua por rótulos políticos.
No Nepal, a bandeira pirata apareceu em protestos contra leis que tentam controlar redes sociais e criminalizar críticas ao governo. Na Indonésia, foi levantada por caminhoneiros e estudantes insatisfeitos com preços, impostos e desigualdade. Em outros lugares, virou forma de driblar repressão: um pano de mangá é mais difícil de censurar que um estandarte abertamente político.
Autoridades têm reagido, chamando o símbolo de “antipatriótico” e confiscando bandeiras. Mas a cada tentativa de repressão, a imagem se espalha ainda mais.
Para quem vive e constrói práticas libertárias, o recado é nítido: quando as estruturas tradicionais perdem credibilidade, novos sinais surgem. A caveira com chapéu de palha não é só um meme; é o aviso de que a juventude quer liberdade real, sem chefes nem rótulos, e que está disposta a criar seus próprios símbolos para defendê-la.
agência de notícias anarquistas-ana
Vidraça quebrada –
o reflexo do opressor
se esvai em estilhaços.
Liberto Herrera
Perfeito....
Anônimo, não só isso. Acredito que serve também para aqueles que usam os movimentos sociais no ES para capturar almas…
Esse texto é uma paulada nos ongueiros de plantão!
não...
Força aos compas da UAF! Com certeza vou apoiar. e convido aos demais compa tbm a fortalecer!