[EUA] Contingente Antiautoritário para o Comício No Kings de 28 de março na chamada Olympia!

Em junho de 2025, mais de 5.000 pessoas se reuniram para o comício No Kings no edifício do capitólio do Estado de Washington, no terreno ocupado de St’cas (a chamada “Cidade de Olympia”). [1] O protesto No Kings em outubro reuniu milhares de pessoas, algo raro nesta cidade. [2]

Vamos lá!

QUANDO: Sábado, 28 de março @ 11:00*

ONDE: Desembarque Percival, St’cas (chamada Olympia, WA)

e logo depois, subida até o prédio do Capitólio

*Não foi um erro de digitação! O comício está marcado para as 11h30, mas venha cedo! Socialize, conheça outras pessoas lá (faça qualquer coisa além de esperar).

Vista-se quente, carregue água, cubra-se; assuma que você vá aparecer em câmeras.

Seja para a passeata ou para o comício: traga os seus próprios planos, disposição para agir e considere trazer algo para compartilhar com os outros.

SEM REIS! SEM PRESIDENTES! SEM PRISÕES! SEM LIMITES! SEM NAÇÕES! SEM GENOCÍDIO!

É tudo! Te vejo lá

…?

… ok, talvez mais uma coisa

Esse apelo é feito com a suposição: Não estamos sozinhos

Ocultos por um oceano de bandeiras americanas, longe das organizações sem fins lucrativos e das tradicionais organizações predatórias que veem qualquer luta como uma campanha de arrecadação de fundos ou recrutamento, há outros na multidão que sentem a mesma raiva pela inação. Essa raiva é isolante. Os horrores normalizados da vida cotidiana e da sobrevivência já são insuportáveis o suficiente sem um comício cheio de supostos cânticos radicais deixados sem realização. Queremos romper com essa normalidade, queremos agir juntos e estamos buscando a oportunidade para isso (ou, nos melhores momentos, aproveitar a oportunidade).

Este chamado é feito com um incentivo: vamos nos encontrar

Aqueles que lerem este chamado: Vamos nos reunir em 28 de março no desembarque de Percival, mas não para por aí. À medida que centenas e talvez milhares se reúnem, esteja pronto para encontrar e encorajar outros que querem mais do que palavras vazias. Podemos encontrar afinidade em lugares inesperados, e talvez alguém que não se pareça com você, que não se chame radical ou anarquista (ou qualquer outro nome que prefira) encontre você e perceba que você compartilha o mesmo ódio por toda forma de dominação que eles, o mesmo desejo por um mundo melhor e a mesma disposição para agir. E talvez você, eles e nós ajamos juntos.

Esta decisão é feita com um lembrete: a última manifestação foi ruim

A expressão “Sem Reis” foi tornada sem força no seu contexto. Em outro mundo, talvez isso apontasse à necessidade de decapitar os líderes, reconhecimento de que todos que quiserem ser livres deviam destruir total e completamente os sistemas de poder e opressão sob os quais vivemos, junto com os seus executores e, na ausência deles, criar algo novo, um mundo do qual não haveria mais volta.

No nosso contexto, “No Kings” é um slogan e um título feitos para um comício em frente a um prédio vazio do Capitólio. É caracterizado por um mar de bandeiras americanas, placas proclamando que este momento é uma aberração. A culpa pelas atrocidades contínuas do Estado é atribuída à atual administração dos EUA, não à máquina de morte do próprio Estado.

A frase “Sem Reis” espera um retorno a opressores mais respeitáveis, talvez algumas reformas no clube dos assassinos que chamamos de polícia, ICE, CBP, militares etc. Não tem intenção de desmontar a opressão bipartidária e as crueldades que matam e fazem desaparecer nossos vizinhos em prisões e campos de detenção, que financiam genocídio enquanto clamam por protestos para permanecerem “pacíficos”, que bombardeiam crianças no exterior, que despejam nossos vizinhos de prédios de apartamentos e depois os tiram varridos de acampamentos no inverno. Mas não precisa ser assim.

Cada um de nós faz parte do contexto em que vive. O que não tem dentes em um momento pode ser feroz se assim nós o tornarmos.

Este chamado é feito com um reconhecimento: ninguém é dono de nenhum protesto

No comício No Kings de 18 de outubro em St’cas, algumas pessoas na multidão se sentiram insatisfeitas com as placas acenando perto do capitólio. Era uma mistura de pessoas jovens e mais velhas, não muitos, talvez uma dúzia, que espontaneamente saíam para as ruas, incentivando outros a se juntarem a eles. Eles conseguiram chegar a cerca de meio quarteirão antes de desistir, não por causa do trânsito ou da polícia, mas por desânimo; A multidão de ambos os lados da rua optou por permanecer como espectadora. Por um momento, porém, estavam prontos para quebrar a normalidade mágica que mantinha todos os outros na calçada. Eles estavam prontos para infringir a lei (pelo menos a lei de trânsito). Eles queriam outra coisa. Quem sabe o que teriam feito se mais pessoas tivessem se juntado a eles, ou se tivessem ido um pouco mais longe.

Nenhuma pessoa sozinha decide o que acontece em 28 de março. Talvez as pessoas quebrem esse feitiço de normalidade de novo de um jeito que você não esperava (talvez até de formas que você não goste, e tudo bem). Talvez nos surpreendamos e a nós mesmos, talvez encontremos um ao outro e a afinidade, e consigamos mais do que ousamos esperar.

Ou talvez seja uma curta caminhada até um prédio vazio do capitólio. É o que nós fazemos dele.

SEM REIS! SEM PRESIDENTES! SEM PRISÕES! SEM LIMITES! SEM NAÇÕES! SEM GENOCÍDIO! SEM NORMALIDADE!

Palestina Livre & Foda-se os EUA <3

Com amor,

-alguns anarquistas

[1] https://www.king5.com/article/news/local/thousands-rally-state-capitol-…

[2] https://www.chronline.com/stories/handmaids-zebras-and-other-protesters…

Fonte: https://pugetsoundanarchists.org/anti-authoritian-contingent-to-the-march-28th-no-kings-rally-in-so-called-olympia/ 

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

A serra em chuva
Sob o sol poente –
Como não agradecer?

Paulo Franchetti

[Grécia] Sobre a morte dos anarquistas Alessandro Mercogliano e Sara Ardizzone em Roma

Nas primeiras horas da sexta-feira, 20 de março de 2026, dois anarquistas foram encontrados mortos em um imóvel abandonado – uma antiga estação ferroviária no Parco degli Acquedotti, nos arredores de Roma: Alessandro Mercogliano, de 53 anos, e Sara Ardizzone, de 36 anos.

Segundo relatos da polícia, suas mortes ocorreram após a explosão de um artefato explosivo improvisado que estavam preparando, o que provocou o desabamento do telhado do imóvel, soterrando-os sob os escombros. Essa hipótese é reforçada pelo fato de o corpo do companheiro ter sido encontrado com um dos braços amputado e queimaduras pelo corpo, além de depoimentos de vizinhos que relataram ter ouvido uma explosão vinda do parque na noite anterior.

Desde os primeiros minutos após o anúncio de suas mortes, os papagaios jornalísticos da mídia tradicional entraram em ação, falando de “terroristas sedentos de sangue” e “membros-chave do grupo do terrorista anarquista preso Alfredo Cospito”, enquanto cidadãos do bem e escravos voluntários comemoravam suas mortes com postagens e comentários nas redes sociais.

Sara e Sandrone (como era conhecido nos círculos anarquistas) não eram desconhecidos dos mecanismos repressivos ou dos jornalistas tagarelas do país vizinho.

Ela estava entre os processados ​​na operação repressiva antianarquista “Sibilla”, acusados ​​de “incitação ao crime e fuga com o agravante de intenção terrorista”. Antes de sua absolvição no ano passado, na cidade de Perugia, durante a audiência preliminar, ela leu uma declaração no tribunal, na qual, entre outras coisas, afirmou:

“Sou anarquista. Como anarquista, sou inimigo deste Estado, assim como de qualquer outro, pois sua existência pressupõe o exercício do poder militar e econômico por alguns homens e mulheres contra outros povos e contra o planeta em geral. Sou inimiga de qualquer forma de governo, pois a escolha entre democracia e ditadura é apenas a mais funcional para o controle da população ou, mais precisamente, da classe oprimida.”

Ele tem sido alvo de policiais e juízes há muitos anos, algo que também fica evidente pelos recentes vazamentos de informações de segurança, segundo os quais “Mercogliano foi um dos principais protagonistas do terrorismo insurrecional anarquista das últimas décadas”. Em 2019, ele foi um dos cinco réus condenados em primeira instância no importante julgamento antianarquista “Scripta Manent”, que tratava da fundação e da filiação à Federação Anarquista Informal – Frente Revolucionária Internacional (FAI-IRF), que, de 2003 a 2016, realizou dezenas de ações diretas contra alvos políticos, jornalísticos e repressivos. Ele será libertado da prisão em novembro de 2020, após ser absolvido dessas acusações em segunda instância.

No entanto, Sara e Sandrone não eram conhecidos apenas por seus perseguidores. Sua longa e multifacetada atuação no seio do movimento anarquista, sua participação em ocupações e outros projetos, eventos e manifestações auto-organizados, mas sobretudo a camaradagem que construíram e os momentos de luta que compartilharam com camaradas ao longo de todos esses anos, são revelados nos comunicados e textos que já circulam na Itália em defesa de sua memória, que nos lembram de forma palpável que “quem tem camaradas jamais morre”. Como afirma o título do comunicado conjunto de grupos anarquistas, camaradas e companheiros de diversas cidades da Itália, Sandrone e Sara eram “mais fortes que a morte”.

Sara e Sandrone não estão sozinhos. Desde a noite de 19 de março, suas figuras permanecem vivas nos corações de todos aqueles que resistem e lutam contra o Capital e o Estado.

Seus nomes passaram para a imortalidade e permanecem altos, junto com os de Giorgos Tsikouris, Maria Elena Angeloni, Giangiacomo Feltrinelli, Vitaliano Principe, Alfredo Papale, Giovanni Taras, Aldo Orlando Pinones, Attilio Di Napoli, Rocco Sardone, Maria Antonietta Berna, Angelo Del Santo, Alberto Graziani, Kyriakos Xymitiris e tantos outros lutadores que tombaram lutando na incessante luta contra o Poder capitalista-estatal-imperialista.

Da metrópole ateniense, expressamos nossas mais sinceras condolências aos seus entes queridos, amigos e camaradas que lamentam sua perda, dedicando à sua memória o seguinte trecho de uma composição:

[…] e depois há aquelas Estrelas roxas, que amaram tanto a Liberdade, que se aproximaram tanto do sol para queimar e serem queimadas, tanto que se tornaram cinzas e luz […] a morte é o esquecimento, mas a Vida é a Memória […] e, no entanto, lembrarei para sempre aquele brilho nos seus olhos que clamava de longe: ação mais rápida que a decadência […]

Iniciativa Proletária,

Atenas, 22/03/2026

prolprot.espivblogs.net

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agência de notícias anarquistas-ana

Seus cachos de seda
são borboletas douradas
brincando na brisa.

Humberto del Maestro

[Itália] Em memória de Sandro e Sara

Todos nós somos responsáveis pelo nosso sonho de escalar até o céu. Não podemos nos tornar agora anões quando sonhamos, lado a lado, sentindo cada um o bater do coração do outro, de atacar e derrotar os deuses. É esse sonho que assusta o poder“.

A luta para nos libertarmos das amarras da autoridade, da desigualdade e da opressão é uma longa batalha, uma luta de mulheres e homens que, em nome da liberdade, arriscam a própria existência.

Para além de toda a retórica, é na ação que se expressa e se materializa a força revolucionária.

É na soma das decisões individuais de ruptura que se manifesta o sentido mais profundo da luta.

Enquanto dois companheiros perdiam a vida, intensificava-se a propaganda do regime, que agitou o fantasma do terrorismo e invocou novas medidas repressivas com uma abordagem bipartidária.

Esses mesmos partidos que, até algumas horas atrás, acusavam-se mutuamente de trair os valores da Constituição e de atacar as liberdades coletivas, agora se reconhecem como defensores da democracia diante do perigo anárquico.

Enquanto a sociedade desmorona à beira de um conflito mundial, arrasando territórios inteiros em nome do progresso, a classe dominante vê na luta pela liberdade o terror a ser combatido.

Dois companheiros morreram, dois companheiros que deram a vida zombando dos valores que o poder quer nos incutir desde que nascemos, transformando-nos em escravos da lógica do lucro e da opressão.

Das ruínas desta sociedade podre surgirão novos impulsos libertários; diante da repressão, novas mãos se unirão para quebrar as correntes.

Prestamos homenagem àqueles que lutaram com o sorriso zombeteiro de quem não se submete.

Choramos; nossas lágrimas são de dor porque, com Sandro e Sara, perdemos dois companheiros valiosos; mas estamos conscientes de que o exemplo de suas vidas interrompidas não será em vão e contribuirá para a conquista de novas instâncias de liberdade.

O reino do Capital é o reino da morte, da nossa anulação como indivíduos, como mulheres e homens livres.

A própria morte é uma ilusão; na alegria da revolução, nós a derrotamos e exaltamos a vida.

Sandro e Sara, para sempre no coração daqueles que lutam.

Dois companheiros

The Hole

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Começo de chuva…
A tempestade faz festa,
no meio da rua.

Humberto del Maestro

[Espanha] Nenhum regime nem império: povos livres

Comunicado de Embat sobre a guerra no Oriente Médio

A guerra na Ásia ocidental e no norte da África dura décadas. É uma guerra de interesses econômicos entrelaçados. É uma guerra de culturas e religiões, de visões do mundo. É uma guerra geopolítica em grande escala. Há de tudo. A cada poucos anos o conflito estoura em um ou outro país: Palestina, Líbano, Síria, Iraque, Líbia, Sudão, Yemen, Kurdistão… ou Irã. De alguma forma o conflito atual era um acontecimento esperado, o que nos surpreende é a virulência de tudo isso.

Em torno a este ódio atávico entre os diversos estados e povos, destaca-se o papel do estado sionista de Israel, que se converteu na ponta de lança do imperialismo. No contexto atual, o projeto imperialista do Atlântico perdeu todo tipo de verniz humanista e democratizador, empregando a força bruta e a violência verbal com toda a crueza possível. Inclusive falam de guerra santa, exatamente igual o que faz o outro lado iraniano. Os estados europeus, de novo, apoiam os Estados Unidos e Israel em sua nova aventura belicista, arrastando-nos a uma guerra global sem precedentes atuais. A situação se agrava a cada momento, ante a incredulidade dos povos ocidentais, testemunhos distantes de seus líderes cegos pela dinâmica imperial.

Desde Embat, Organização Libertária da Catalunha, rechaçamos esta nova intervenção militar imperialista e sionista que só trará dor e destruição aos povos da zona. Isto não quer dizer que estamos do lado do regime dos ayatolás do Irã. Este regime repressivo assassinou encarniçadamente dezenas de milhares de pessoas que saíram para protestar há cerca de dois meses. Agentes do imperialismo, pessoas que querem democracia ou gente que está farta de tudo? Havia de tudo. Não cairemos no erro de tomar a parte pelo todo, nem o todo pela parte. Reconhecemos a agressão imperialista e a condenamos, assim como condenamos o regime assassino.

Na mesma medida, apoiamos os povos de toda a zona, que lutam por sua sobrevivência, esmagados por regimes autoritários como os estados de Israel, Turquia, Síria, Arábia Saudita, Egito, EAU, Qatar, Bahréin, Omã ou Irã. Simpatizamos com os povos que lutam de forma genuína por sua liberdade, como os kurdos, armênios, assírios, baluchis, amaziges, palestinos e outros que lutam por sua existência. Da mesma forma queremos apoiar as incipientes expressões revolucionárias que possam ocorrer naquelas terras, como os conselhos obreiros ou os comitês de greve. Não são ferramentas do imperialismo yanqui, mas o berço de um novo mundo.

Neste sentido, nosso trabalho como militantes revolucionárias internacionalistas é indubitavelmente asfixiar a máquina de guerra industrial e trabalhar para tornar impossível a agressão imperialista. Em nosso território temos empresas armamentistas internacionais, vivemos em um estado imperialista que faz parte da OTAN e temos bases do exército americano, e por muito “não à guerra” que queira apropriar a socialdemocracia, sabemos que a paz é a proposta revolucionária histórica. Necessitamos hegemonizar o discurso, o rechaço antiautoritário a dominação dos povos e trabalhar ativamente com o restante de agentes revolucionários para impossibilitar a expansão belicista que propõem os centros imperiais. O signo de nosso tempo é a decomposição da ordem imperial, a crise capitalista e a devastação climática. Hoje mais do que nunca nossos corações e pensamentos estão com os que enfrentam a cara mais crua destes tempos. Para uma paz verdadeira, a única proposta válida passa por desmantelar sua maquinaria de guerra global, uma liberação real que passa pela ação revolucionária pela qual trabalhamos as militantes de Embat.

A hora mais escura é sinal de que a longa noite está terminando

Longa vida aos povos irmãos do Oriente Próximo

OTAN Não, Bases Fora!

Agora mais do que nunca, Socialismo ou Barbárie!

Fonte: https://embat.info/ni-regim-ni-imperi-pobles-lliures/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Desde aquele dia
não movi as peças
no tabuleiro.

Jorge Luis Borges

[França] Lançamento: Votar, eu? Nunca!

Desde o início dos tempos democráticos, o abstencionista tem sido um alvo perfeito, um encrenqueiro por padrão, um culpado ideal quando há uma crise política. Não votar seria crime; Hoje em dia, é crime em alguns países. Não votar então proibiria você de ter qualquer direito à expressão política. Nada poderia estar mais longe da verdade.

Desde o início dos tempos anarquistas, muitos camaradas se recusaram a se submeter à primazia coercitiva da maioria e a seguir na direção desse gado eleitoral que cederá sua soberania aos eleitos divinos. “Nem Deus, nem César, nem tribuno”, disse um deles; Acima de tudo, não havia “servidão voluntária”, argumentava o outro.

De Octave Mirbeau a Sébastien Faure, passando por Reclus, Louise Michel, Pouget, Libertad e tantos outros, La Pigne reuniu todo um argumento político e histórico com o objetivo de transformar a democracia representativa em uma ilusão e o voto uma abdicação insuportável.

Sim, cidadão-eleitor, o criminoso é você!

E, até certo ponto, esses textos incisivos e corrosivos, ancorados em seu tempo, o da triunfante Terceira República, acabariam até por ser de atualidade ardente. Votar, eu? Nunca!

Voter, moi? Jamais!

Coletivo

Éditions de la Pigne, formato 12 x 20 cm, 160 páginas

9 euros

lapigne.org

agência de notícias anarquistas-ana

Regato tranqüilo:
uma libélula chega
e mergulha os pés.

Anibal Beça

[Indonésia] Paramilitares tentam assassinar o camarada Andrie Yunus – Declaração da Persaudaraan Pekerja Anarko-Sindikalis (PPAS-IWA)

A Persaudaraan Pekerja Anarko-Sindikalis, parte da Associação Internacional dos Trabalhadores (PPAS-IWA), condena veementemente a tentativa de assassinato de Andrie Yunus, ativista de direitos humanos e Vice-Coordenador da Comissão para Pessoas Desaparecidas e Vítimas de Violência (KontraS). Na noite de 12 de março de 2026, Andrie Yunus foi atacado com ácido, resultando em queimaduras que cobrem 24% de seu corpo, incluindo especialmente os olhos e o rosto (principalmente o lado direito), o peito e ambas as mãos. Este ato não pode ser tratado como um acidente, pois foi executado de forma organizada e planejada: com foco em partes vitais do corpo; utilizando meios de difícil obtenção; e, sobretudo, precedido por intimidação e perseguição nos dias anteriores.

Andrie Yunus é um trabalhador que dedicou sua vida à defesa do interesse público e à proteção de vítimas de violações de direitos humanos e da violência estatal que não têm acesso a serviços jurídicos. Ao longo desse trabalho, tem denunciado de forma consistente o Estado, cujas operações são marcadas por violência, exploração, práticas corruptas e submissão aos interesses capitalistas.

O ataque com ácido contra Andrie Yunus ocorreu imediatamente após ele gravar um podcast sobre remilitarização e a revisão judicial da Lei da TNI (Forças Armadas Nacionais da Indonésia). Aproximadamente um ano antes, ele havia forçado a entrada em uma sala de reuniões em um hotel de luxo onde elites políticas se preparavam para aprovar essa mesma lei, legislação posteriormente contestada por diversos grupos por enfraquecer a posição dos civis em um mercado de trabalho já limitado.

Em diversas ondas de protesto, como #EmergencyWarning (#PeringatanDarurat), #DarkIndonesia (#IndonesiaGelap), #RejectTheTNIBill (#TolakRUUTNI) e os protestos de agosto e setembro de 2025, Andrie Yunus atuou junto à Equipe de Advocacia pela Democracia para defender a libertação de inúmeros manifestantes que foram presos, espancados pela polícia e criminalizados, incluindo anarquistas. Em especial nessa última onda de protestos, ele também integrou o Comitê de Apuração de Fatos, conduzindo investigações independentes sobre violações e uso excessivo da força por autoridades estatais.

Esses fatos demonstram que Andrie Yunus esteve envolvido na luta contra a brutalidade policial e o militarismo, instrumentos que o Estado utiliza de forma recorrente para sustentar os interesses dos proprietários do capital e a exploração da classe trabalhadora. Embora nunca tenha se identificado como anarquista, sua atuação consistente na defesa da classe trabalhadora e da população em geral, bem como sua oposição a diversas regulamentações que fragilizam a posição dos civis e dos trabalhadores, deve ser reconhecida como uma prática alinhada à defesa dos interesses da classe trabalhadora, em consonância com os princípios centrais do anarco-sindicalismo. A tentativa de assassinato contra Andrie Yunus e sua atuação reforçam ainda mais a tese histórica do anarquismo de que o Estado não é senão um conjunto de crimes, não havendo, portanto, motivo para defendê-lo.

Diante disso, a PPAS-IWA declara sua solidariedade a Andrie Yunus e a todas as pessoas que foram vítimas de violência por resistirem à arbitrariedade estatal.

Uma agressão contra um é uma agressão contra todos. Atacar um é atingir mil. Que a justiça seja restaurada a todos que têm direito a ela. Exijamos o impossível. Pois, ao fim, restam apenas dois caminhos: o caminho da vitória da classe oprimida e explorada sob o Estado capitalista, ou o caminho da vitória do fascismo.

Viva a solidariedade!

15 de março de 2026

Fonte: https://redandblackanarchists.com.au/statement-from-the-persaudaraan-pekerja-anarko-sindikalis-ppas-iwa-in-solidarity-with-andrie-yunus/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquuistas-ana

Antes que algum nome
nos designasse, já rias,
pequena cascata.

Alexei Bueno

[Alemanha] Onda massiva de repressão contra o movimento eco-anarquista

Conforme relatado em uníssono por diversos meios de comunicação burgueses, 18 buscas ocorreram na madrugada de hoje (24/03) em todo o país. Elas atingiram residências particulares e locais anarquistas. Berlim foi palco da maioria dessas buscas, com 15 operações. Outras buscas ocorreram em Hamburgo, Düsseldorf e Kyritz (Brandemburgo). Segundo as autoridades, a operação tinha como alvo quatro pessoas supostamente identificadas como pertencentes ao meio anarquista. Nenhuma prisão foi realizada até o momento nesse contexto. Essas buscas são consequência de um ato de sabotagem cometido no final do ano passado contra o parque tecnológico Berlin-Adlershof. Essa ação fazia referência, em particular, à participação do grupo Vinci/Eurovia no projeto CIGEO em Bure e causou cerca de 70 milhões de euros em danos materiais.

Desejamos muita força e tudo de bom às pessoas envolvidas, e aos policiais o que eles merecem!

ACABesos

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/09/17/alemanha-em-berlim-sabotagem-a-complexo-militar-causou-grande-apagao/

agência de notícias anarquistas-ana

uma folha salta
o velho lago
pisca o olho

Alonso Alvarez

[Itália] Para Sara e Sandro

Foi com grande pesar que soubemos da morte de Sara e Sandro, nossos amigos e companheiros de ideias e de luta. Enquanto os choramos, recebemos e divulgamos estas palavras, como se fossem nossas:

Sabemos com dor do falecimento, nesta noite (19/03), de Sara e Sandrone. Não sabemos o que realmente aconteceu, nem podemos confiar nas notas oficiais das delegacias. Essas delegacias que falam de “grupo Cospito”, às quais respondemos com as mesmas palavras de Sara em suas declarações no tribunal: “A responsabilidade individual é um fundamento do anarquismo. Eu não recebo ordens nem as dou: nem de ninguém nem a ninguém. Ajo respondendo apenas à minha consciência, que não tem parâmetros de interesse nem de vantagens e que continua sendo a única voz que posso escutar.”


Conformem-se, caros investigadores, os anarquistas não têm chefes nem generais!


Conhecemos Sandrone e Sara nas assembleias e nos acampamentos, onde se falava de anarquia, solidariedade, prisão, do sistema de domínio que nos cerca e de como combatê-lo.


Não nos interessa saber especificamente o que aconteceu naquela casa onde encontraram a morte. Sabemos com certeza que em seus corações estava aquela ideia de liberdade e anarquia que também sentimos, sabemos com certeza que neste mundo onde a guerra faz cada vez mais vítimas inocentes, para agir contra ela também é necessária a violência revolucionária.


Diante de um presente inundado de bombardeios em hospitais, escolas, mercados e habitações civis, de guerras e genocídios em nome do dinheiro e do poder, acreditamos ser necessária a audaciosa vontade de utilizar todos os meios contra este sistema.


Nos entristece não poder mais encontrá-los em nossas ruas, mas sabemos que sempre os teremos ao nosso lado, independentemente de como o estado agora queira fazê-los parecer.

Viva a anarquia!
Viva a luta!
Com Sara e Sandrone no coração!

Centro de documentação anarquista l’Arrotino
Individualidades anárquicas
Antiautoritários de Valtellina

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/24/italia-mais-fortes-que-a-morte/

agência de notícias anarquistas-ana

o pó da estrada…
a chuva fina revela
florzinha lilás

Antônio Gonçalves Hudson

Contra a guerra e o militarismo, contra os governos e o Estado, contra o capitalismo que não consegue sobreviver sem a guerra!

Nós, anarquistas, somos contra a guerra com base em princípios revolucionários anticapitalistas, na experiência histórica e na compreensão das causas, motivos e objetivos ocultos por trás da propaganda das guerras e da militarização. Faremos o possível para combater a guerra militar e todas as outras formas de guerra em todos os níveis apropriados, exceto a guerra social dos oprimidos contra os governantes e os capitalistas. Como demonstraram as guerras na Iugoslávia, no Afeganistão, no Iraque, na Líbia etc., nenhuma guerra entre governos, milícias e facções tem qualquer relação com os sonhos dos pobres e dos desamparados, mas sim com os objetivos ocultos das empresas globais; e vemos que as primeiras e principais vítimas dessas guerras serão as pessoas em cujo nome elas são travadas.

Na verdade, somos contra quaisquer fatores ou motivos que tenham servido para justificar guerras. Apenas justificamos uma guerra: aquela que liberta os povos explorados e oprimidos, ou seja, a guerra contra os governos locais e centrais. Apoiamos a libertação das nações da melhor maneira possível, mas não justificamos nenhuma guerra capitalista sob o pretexto da libertação de nações e setores da sociedade. Vemos isso como uma guerra indireta contra as classes oprimidas por parte dos mulás iranianos e dos governos regionais.

Além disso, vemos a guerra não apenas como tiros e mortes, mas como parte integrante de outras guerras cotidianas travadas pelo sistema capitalista contra o meio ambiente, os animais, os povos libertários e oprimidos em todos os cantos do mundo, o que inclui também os conflitos militares.

Somos contra o regime ditatorial iraniano com a mesma firmeza e determinação com que nos opomos ao eixo EUA-Israel, que desencadeou a guerra contra o Irã. Não vemos nenhuma razão legítima para esta guerra. Se o problema é a ditadura do regime dos mulás iranianos, então os EUA e seus aliados no Afeganistão trouxeram o Talibã de volta ao poder. Assim como o regime dos mulás iranianos, os regimes do Golfo são ditatoriais, misóginos e até mesmo escravizam crianças; a América está sendo oprimida e discriminada. Portanto, de certa forma, os Estados Unidos fazem o mesmo ao executar seus próprios cidadãos e ao discriminar negros e povos indígenas nos Estados Unidos.

É claro que a brutalidade do governo dos EUA não pode justificar a brutalidade dos autoritários ou de qualquer outro regime. Ressaltamos aqui que a guerra deles não tem nada a ver com a libertação dos povos oprimidos do Irã. Pelo contrário, assim como os partidos xiitas no poder no Iraque e os partidos políticos curdos na Região do Curdistão do Iraque, eles estão matando pessoas libertárias, que buscam a liberdade e clamam por um Estado-nação. Eles matam qualquer um que ouse levantar a voz contra eles, apenas para se manterem no poder.

Ao mesmo tempo em que nos opomos e condenamos a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, nos opomos e condenamos a guerra antissemita do regime islâmico do Irã contra (civis israelenses e contra os povos do Curdistão, do Cuzistão, do Baluchistão e do Azerbaijão). Declaramos também nossa oposição à guerra e aos ataques do governo paquistanês contra cidades afegãs.

Consideramo-nos defensores da luta de libertação de todas as nações e classes oprimidas do mundo e, com base nisso, somos contra qualquer guerra, como, por exemplo, uma guerra entre governos e milícias pela soberania e que garanta o gozo do sofrimento dos oprimidos.

Somos anarquistas e, assim como somos os inimigos mais radicais do poder e da gestão do Estado e de suas empresas, somos os defensores mais radicais da libertação dos grupos e da autogestão social das minorias culturais e étnicas.

Não à guerra injusta (guerra das empresas, dos governos e das milícias).

Não à invasão, à ditadura, ao regime prisional e à costa islâmica.

Não ao Estado e ao capitalismo.

Não à guerra, à destruição ambiental e à destruição dos animais

Sim à luta e à guerra dos povos oprimidos e subjugados contra os governos e poderes locais.

Sim à solidariedade revolucionária dos povos oprimidos em todo o mundo.

Fórum Anarquista de Língua Curda (KAF)

Fonte: https://anarkistan.net/2026/03/08/against-war-and-militarism-against-governments-and-the-state-against-capitalism-that-cannot-live-without-war/

Tradução > Reno Moedor

agência de notícias anarquistas-ana

Silenciosa tarde
Dentro dos meus olhos
Teu mar se incendeia

Taghio Ramo

[Espanha] VI Acampamento Libertário, (1 a 5 de abril)

[Semana Sem Santos / Contra a via crucis da servidão]

Convocamos a todas as criaturas e seres diversos:

Um encontro onde compartilhar, conhecer-se, aprofundar e seguir gerando redes… CSOA Algarroba Negra

Após a vivência dos anteriores acampamentos, queremos seguir apostando por esta ação que nos demonstrou e nos demonstramos, que aporta e muito.

Neste tempo tão convulso, não imaginamos melhor proposta que juntar-nos e seguir resistindo ante a criminalização dos espaços sociais e nesta ocasião contra a via crucis da servidão cotidiana.

A autogestão no dia a dia, a construção coletiva, a aprendizagem compartilhada, a reflexão entre afins e o atuar como método, com a intenção de seguir criando o mundo que queremos viver.

Mais informação:

Contato através de redes sociais e o correio algarrobanegra@protonmail.com

agência de notícias anarquistas-ana

Gatinha meiga
ao passar da mão
seu corpo se ajeita

Eugénia Tabosa

Ampla adesão à greve em Hego Euskal Herria (País Basco)

Autor: Komunikazioa • 17/03/2026

  • Greve geral de 17M: mobilizações em defesa de salários dignos
  • “Temos que converter esta jornada de paralisação e mobilização na chama que leve à organização da classe trabalhadora desde a base”, assinalam desde a CNT.

A greve geral convocada este 17 de março registrou uma adesão significativa em diversos setores de Hego Euskal Herria, acompanhada de mobilizações multitudinárias nas 4 capitais. A jornada de paralisação situou no centro do debate a necessidade de garantir condições de vida dignas para a classe trabalhadora.

A convocatória teve como principal eixo a reivindicação de um salário mínimo adaptado à realidade sócio econômica do território. Neste sentido, desde a CNT se insistiu em que o atual Salário Mínimo Interprofissional resulta insuficiente frente ao elevado custo de vida, especialmente nos âmbitos como a moradia, a energia e a alimentação, que absorvem uma parte crescente da renda dos lares.

Durante a jornada se registrou paralisações em setores como a indústria, a educação, o transporte e os serviços públicos. Além disso, os piquetes cortaram acesos pela estrada a polígonos industriais e cidades, além de que milhares de pessoas participaram em manifestações.

Desde a CNT, se enfatizou que a greve responde a uma situação considerada “urgente”, marcada pela perda de poder aquisitivo e a extensão da precariedade. A jornada também serviu para apresentar uma crítica ao papel das estruturas institucionais e de diálogo social.

Neste contexto, a greve de 17M foi proposta pela CNT como um primeiro passo dentro de uma estratégia mais ampla de mobilização. “Mais além da paralisação de 24 horas, se incidiu na importância de fortalecer a organização coletiva, impulsionar assembleias nos centros de trabalho e consolidar dinâmicas de participação que permitam sustentar futuras reivindicações”, assinalam desde a organização anarcossindicalista.

O sindicato avaliou positivamente o desenvolvimento da greve e o nível de participação, ao mesmo tempo em que insistiu em que os avanços dependerão da capacidade de organização e pressão da classe trabalhadora nos próximos meses.

A jornada conclui assim com uma destacada resposta nas ruas e nos centros de trabalho, abrindo um novo cenário no qual as reivindicações salariais e sociais seguirão ocupando um lugar central na agenda pública.

Fonte: https://cnt-sindikatua.org/es/amplio-seguimiento-de-la-greve-en-hego-euskal-herria/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/16/espanha-17-de-marco-greve-geral/

agência de notícias anarquistas-ana

Ao cair da tarde
apenas uma cigarra –
Companheiras mortas.

Francisco Handa

[França] Os condenados das montanhas: Os Curdos, um povo desconhecido. Origens e advento do PKK

Propomos aqui, a partir do livro Lições Curdas: os condenados das montanhas escrito por Azadî e publicado em 2025 pelas edições La Fabrique, uma breve história do povo curdo, certamente não exaustiva.

Quer admitamos ou não, em nossas práticas e discursos, podemos involuntariamente veicular clichês redutores do povo curdo. Todos e todas, em algum momento, podemos ter inconscientemente obscurecido a riqueza cultural e societal deste povo, projetando nossos estereótipos, imagens mentais e mitos. Não é uma reprovação nem um julgamento de intenção, mas sim discursos inconscientes.

O autor deste artigo, como muitos militantes, com toda honestidade e inocência, pode ter veiculado essas reduções involuntárias que invisibilizam, por simplificação, a totalidade da luta do povo curdo.

Azadî, curdo alevi, militante decolonial, convida a penetrar mais a fundo na sociedade curda em sua complexidade, para apreender as dimensões desconhecidas deste povo, de suas culturas e de suas histórias, para conceder-lhes seu justo valor plural. Para tal, Azadî procede primeiro a um inventário de desconhecimentos. “Os Curdos são um povo que poucas pessoas conhecem realmente.” Colocada esta constatação, duas questões emergem: Quem são eles? E de onde vêm?

Em busca da própria história

O movimento intelectual que iniciou a pesquisa das raízes ancestrais dos Curdos ocorreu num contexto de descolonização durante o desmantelamento do Império Otomano. No início do século XX, em plena transformação dos conjuntos políticos anteriores, os Curdos procuraram justificar historicamente a vontade de fundar um Estado independente. Para tal, interrogaram as fontes persas e árabes da época medieval e atribuíram a uma lenda iraniana a gênese de seu povo. A descoberta dessas origens pré-islâmicas baseou-se em conteúdos míticos e em pesquisas arqueológicas e linguísticas.

Perto do final do primeiro milênio da nossa era, como os Árabes, os Turcos ou os Berberes, os Curdos adquirem reconhecimento. Há menção do povo anteriormente ao Islão.

Um mosaico religioso e político

Notados por suas qualidades guerreiras, os Curdos distinguem-se pela sua diversidade religiosa. Embora sejam maioritariamente de confissão muçulmana, sunita, mas também xiita, alguns curdos mantiveram práticas religiosas mistas, mesclando o Islão com práticas religiosas ancestrais, como o alevismo na Turquia. O povo curdo conta também com cristãos e cristãs.

A esta pluralidade religiosa acrescenta-se a particularidade geográfica da localização do povo curdo. Há séculos, os Curdos estão na encruzilhada de zonas de influência de Impérios. A adesão maioritária dos Curdos ao Império Otomano conduziu à implantação de um Curdistão otomano na Anatólia oriental, situado na atual Turquia e na parte oeste do Irã. Sob a era do Curdistão otomano surgem numerosos principados curdos, governados por tribos curdas, com quase independência política. Do lado persa, um processo similar desenhava-se.

Um patchwork linguístico não unificado e combatido

A língua curda é hoje falada por mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo. É uma língua classificada como indo-europeia, declinada em múltiplos dialetos e idiomas, nunca unificados. Seguiram-se políticas de assimilação. Em seu livro, Azadî escreve que: “A proibição da língua constitui, ao lado da proibição dos costumes, das narrativas históricas, dos estilos de vestuário, etc., a base de formação das sociedades ditas nacionais” e citando Öcalan “A sociedade nacional homogênea é a sociedade mais artificial já criada e resulta de um imenso ‘projeto de engenharia social’.”

O Curdistão define-se por toda essa diversidade ancestral. Situado na junção da Síria, Irã, Turquia e Iraque, dotado de importantes recursos minerais, de uma terra entre as mais férteis, é e continua sendo objeto de cobiças e perseguições.

Uma repressão multissecular

Em 1916, as autoridades otomanas atacaram os Curdos. Em dois anos, 750.000 Curdos foram deslocados, dois terços morreram de doença, frio ou fome. O fim da primeira guerra mundial significou o desmantelamento do povo curdo: na Síria (10% da população atual), no Iraque (entre 15 e 20% da população atual), no Irã (entre 10 e 15% da população atual) e na Turquia (mais de 25% da população atual).

O livro de Azadî revisita cada um desses eixos que constituem a história colonial do Curdistão, a batalha da língua, fator de coesão entre os diferentes países onde vivem os Curdos, vetor de resistência face às tendências hegemônicas dos Estados turco, sírio ou iraquiano. Estes últimos trabalharam para o desaparecimento da língua curda, esse marcador visível e determinante na unidade de um povo. O programa de uniformização dos Estados-nação fez-se contra a diversidade que caracterizava essas sociedades.

“Os Curdos são ao mesmo tempo os Bretões e os Argelinos dos Estados que os dominam: eles são não apenas seus colonizados cuja história, cultura, dignidade e vida são negadas, mas também formam uma população interna que deve ser educada, formada, transformada em cidadãos dóceis para ser explorada.”

Tornando os colonizados estrangeiros em seu próprio país, a escola desempenhou um papel fundamental no processo de assimilação. Sobre a missão civilizatória colonial em relação às jovens alevis, o autor evoca a “turquificação da população curda”. Ele cita internatos coloniais dedicados a essa finalidade. Na Síria, é o monolinguismo árabe que constitui a vertente dessas políticas de assimilação. Mais de 30% dos Curdos que vivem na Síria são privados da nacionalidade síria, de passaportes e de empregos na função pública. No Iraque, a língua curda é por vezes reconhecida como língua autorizada e sujeita a flutuações de aceitação por parte do Estado.

1946, ano charneira na história do povo curdo

“Este ano emblemático vê nascer e desaparecer [a primeira e única até hoje república do Curdistão,] a República de Mahabad…”

Esta República iniciada por intelectuais citadinos, próxima do marxismo, rompeu com as dinâmicas tribais. Efêmera, é frequentemente comparada pelos Curdos à Comuna de Paris. Um jornal foi publicado em língua curda e uma rádio emitiu em toda a região autônoma. A adoção da língua curda como língua oficial acompanhou-se da abertura de inúmeras escolas.

Sujeito ao confronto das potências locais e internacionais, vítima das clivagens sociais, abandonado pelos chefes tribais e pelos apoios soviéticos, violentamente perseguido pelo Irã, a República agoniza em 1947. Seus dirigentes são enforcados. Por mais breve que tenha sido, esta experiência abriu uma oportunidade de diálogos transfronteiriços favorável à difusão do pensamento marxista.

Em 1955, uma feroz repressão abate-se novamente sobre os Curdos no Irã e no Iraque. Na Síria e na Turquia, uma nova geração de líderes de obediência marxista aparece. Em 1959, o poder turco prende 49 intelectuais por propaganda separatista.

A revolução iraquiana de 1958 baralha as cartas geopolíticas. Os Curdos apoiam o novo regime que, em troca, promete uma zona curda autônoma, levantando toda proibição linguística. Mas logo a questão curda choca-se com a ascensão do nacionalismo árabe.

A revolta de 1961 no Curdistão iraniano

Este período singulariza-se por “a passagem do movimento curdo da tradição tribal à abordagem nacionalista marxista.” Os anos sessenta veem a causa curda diversificar seus possíveis em função das evoluções dos Estados árabes limítrofes. A vitória de um nacionalismo pró-árabe no Iraque e na Síria afeta profundamente os Curdos por políticas de arabização frequentemente violentas. A causa curda viu-se então invisibilizada entre os movimentos terceiro-mundistas. Seguiu-se uma ruptura árabe-curda, com exceção da causa palestiniana.

No Iraque, a revolta curda de 1961, por iniciativa do Partido Democrático do Curdistão (PDK), durará cerca de 14 anos e resultará em importantes perdas para o exército iraquiano. Na Turquia, o golpe de Estado de 1960 oferece uma janela ao renascimento do nacionalismo curdo. Ao mesmo tempo, concretiza-se o desenvolvimento de um movimento de esquerda na Turquia, mas rapidamente surge uma ruptura entre os Curdos e a esquerda turca.

Em 1967, milhares de pessoas reúnem-se no leste da Turquia. É o primeiro movimento massivo contra o Estado nas regiões curdas desde 1938 e a revolta de Dersim. Isso pressagia os focos culturais revolucionários do leste e a irrupção de um movimento curdo na Turquia, separado das organizações de esquerda turcas. As questões de classe e curdas encontram-se. Estamos na aurora do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) dos anos 1974 a 1978.

Dominique Sureau (UCL Angers)

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Les-damnes-des-montagnes-Les-Kurdes-un-peuple-meconnu-Origines-et-avenement-du  

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge –
Ah, o caminho da montanha!

Matsuo Bashô

[Itália] Mais fortes que a morte

Há uma enorme diferença entre a violência dos oprimidos e a dos opressores: a primeira rege-se por uma ética, a segunda, por nenhuma.

(Sara Ardizzone)

Nossa capacidade de nos expressarmos e nos comunicarmos não nos permite aventurar-nos pelos caminhos inexplorados da responsabilidade pelos riscos assumidos em carne própria. Qualquer discurso nesse sentido acaba sendo inevitavelmente provisório, insuficiente. Buscar concretamente a liberdade — em sua forma autêntica e integral, não nas falsificações concedidas e impostas pelo Estado — significa entrar na dimensão do risco inerente à própria busca. Nesse lugar, nossas escolhas, muitas vezes selvagens e solitárias, traçam o sulco de um caminho sem volta. A liberdade é uma qualidade que se experimenta ao se colocar em risco.

Dizemos isso sem cair em retórica: os dois anarquistas encontrados mortos [19/03/2026] após o desabamento de uma casa de campo em Roma, Sara Ardizzone e Alessandro Mercogliano, são nossos companheiros fraternos, dos quais nos orgulhamos de ter como companheiros. Os jornalistas a soldo, cujo lixo de papel nos informou do ocorrido, escrevem repetidamente sobre a detonação de um artefato explosivo. As distâncias inquietantes que se mantêm, sempre com o objetivo de garantir uma segurança vergonhosa, não nos pertencem. Estamos acostumados a não acreditar em uma única palavra do que profere a máquina propagandística, mas se houvesse um lampejo de verdade nas informações “vazadas”, não podemos deixar de nos deter no fato fundamental: Sara e Sandro morreram em ação, morreram lutando. A guerra social não é uma farsa, um estilo de vida ou uma subcultura. É, antes de tudo, uma guerra. Sara e Sandro são um exemplo luminoso da união indissolúvel entre pensamento e ação que inspira o anarquismo, revolucionários até o último instante de suas vidas e na morte.

Sara e Sandro são e serão para sempre uma parte do nosso coração, um coração que não pode deixar de se recusar a escrever um obituário.

As afirmações delirantes dos senhores da Inquisição e da repressão andam de mãos dadas com as dos senhores da guerra e da exploração. Os autores de massacres, os assassinos em massa, os promotores da morte clamam escandalizados pelas bombas dos anarquistas.

Com Sara e Sandro compartilhamos a paixão inextinguível pelo pensamento e pela ação anarquistas. Com eles, alguns de nós vivemos, compartilhando a intensidade febril de momentos que nenhum relógio jamais poderá marcar. Com eles, quando fomos interrogados pela máquina de repressão do Estado, mantivemos nossa dignidade e consolidamos a tenacidade de nossas decisões. Temos certeza disso: aqueles dias infinitos que vivemos nunca se tornarão uma lembrança desvanecida. Momentos que não se baseavam em discursos ideológicos, mas na convicção de nossos caminhos, nos sentimentos, na confiança mútua, na alegria de viver. Todos nós que os conhecemos profundamente sabemos que nunca haverá palavras adequadas para descrever sua modéstia, sua doçura, sua dignidade.

É por isso que a determinação revolucionária de Sara e Sandro tem a força de transcender o tempo, superando o sofrimento e a dor. A paixão deles pela vida será mais forte do que a morte. A integridade deles será sempre um aviso contra todo opressor.

21 de março de 2026

Circolo Culturale Anarchico “G. Fiaschi” (Carrara)
Circolo Anarchico “La Faglia” (Foligno)
Danilo Cremonese e Valentina Speziale
Circolo Anarchico “G. Bertoli” (Assemini)
Nucleo Anarchico “É. Henry” (Cagliari)
Biblioteca Anarchica Sabot (Roma)
Natascia Savio
Luigi di Faenza

Fonte: https://circoloculturaleanarchicofiaschi.noblogs.org/2026/03/21/piu-forti-della-morte/

agência de notícias anarquistas-ana

Pelos fios do poder,
os pardais tecem ninhos
de desobediência.

Liberto Herrera

Chaos Star – Artigo do periódico italiano ‘Disfare’ sobre a repressão na Indonésia

Artigo do periódico italiano ‘Disfare‘ sobre a repressão na Indonésia, escrito por Palang Hitam. Versão corrigida atualizada: 17/3/26 Traduzida ao português: 18/3/26

Repressão e Resistência na Indonésia

De agosto a setembro de 2025, ocorreram distúrbios generalizados na Indonésia em várias cidades do Arquipélago. Foi a maior revolta social moderna do país e foi, provavelmente, desencadeada pelo assassinato de Affan Kurniawan, mensageiro online de motocicleta, que foi emblemático para muitos dos manifestantes: marginalizados, trabalhadores precários, pessoas de rua, trabalhadores e classes baixas. Affan foi assassinado pela polícia da Brimob Mobile Brigade em um veículo blindado, e a polícia o atropelou na frente da multidão em Jacarta. A morte ocorreu no contexto de um protesto contínuo contra a corrupção governamental, o aumento do custo de vida e a brutalidade policial. O assassinato desencadeou protestos em massa ainda maiores, que levaram a confrontos violentos com a polícia e as forças policiais paramilitares. Legisladores e políticos zombaram abertamente dos manifestantes, que apenas chamavam atenção para questões sociais imediatas que preocupavam a todos, e apontaram para o crescente poder reacionário do ex-regime militar. Desde os distúrbios, a repressão se tornou ainda mais intensa.

Começando em 30 de agosto de 2025, centenas de milhares de pessoas foram às ruas em cidades como Bandung e Jacarta, exigindo não só responsabilização e justiça para Affan, mas o fim de todo o esquema corrupto político-militar-capitalista. Métodos anarquistas e táticas de rua se tornaram comuns, assim como slogans e alvos anarquistas. As facções governamentais, partidos políticos, sindicatos e associações estudantis perderam completamente o controle da narrativa. Eles não conseguiram controlar a raiva nas ruas e o momento da revolta foi desencadeado. Muitos prédios governamentais, corporações, delegacias de polícia e residências de políticos seniores foram saqueados ou incendiados.

Em retaliação, o governo indonésio, liderado pelo ex-militar Prabowo, reprimiu a dissidência, especialmente os anarquistas, já que foram seus slogans e táticas insurrecionais que foram amplamente adotados durante a revolta. Mais de 6.500 foram presos, principalmente jovens, enquanto as autoridades prendiam e detinham indivíduos vagamente suspeitos de participação nos distúrbios. Por exemplo, muitas pessoas foram presas só por estarem perto de protestos ou por documentarem o que estava acontecendo no celular. “Anarquista” virou insulto para qualquer acusado de ser contra o sistema, mas acabou acendendo as ideias.

Para citar apenas alguns exemplos de casos “anti-anarquistas”: um jovem, Very Kurniaa Kusuma, foi violentamente preso e detido só por estar no lugar errado na hora errada com um telefone na mão, sem qualquer motivo real, além de ser contra as ações da polícia e querer gravar aquilo.

Rizky Ardiansyah (conhecido como Riky) e Muhammad Rafli Andriansyah (referido como Kipli) são dois anarquistas indonésios que enfrentam acusações exageradas apresentadas como crimes graves. Acusados de envolvimento em destruição de propriedade e criação de dispositivos incendiários, coquetéis molotov, essas acusações são infladas e politicamente motivadas. A realidade subjacente é que as acusações servem como cortina de fumaça para os esforços do Estado de criminalizar a resistência à autoridade e deslegitimar a guerra social contra o brutal regime de Prabowo.

Relatos de familiares indicam que ambos os companheiros presos sofreram abusos físicos graves na detenção. Foram espancados com varas e mangueiras, deixando hematomas e ferimentos visíveis. Apesar disso, os dois companheiros não deram nenhum testemunho falso. Riky e Kipli são corajosos e fazem parte da nova anarquia juvenil que está crescendo ao redor do mundo.

Alfarisi bin Rikosen, de 21 anos, foi preso em Surabaya e no complexo de Medaeng. Acusado de atacar um prédio do governo regional com molotov na revolta de agosto. Alfarisi foi uma das 288 pessoas detidas e torturadas em Surabaya, onde também há 32 anarquistas acusados. Alfarisi morreu, em decorrência de tortura, em custódia policial em 30 de dezembro de 2025, segundo o relato da família e do advogado.

A maioria dos réus foi presa arbitrariamente, com relatos generalizados de tortura na detenção. Os maus-tratos indicaram que muitos dos sequestrados nas ruas sofreram abusos físicos graves em interrogatórios, indicando o padrão da opressão sistemática patrocinada pelo Estado. Mais de 600 continuam detidos, mais de 70 acusados presos são anarquistas, presos, em geral, por tumultos, destruição de propriedade e incêndio criminoso, pegando até 5 anos de prisão. Alguns dos anarquistas acusados enfrentam penas de 20 anos ou mais por ações destrutivas graves, ferimentos, liderança e instigação.

Vieram à tona detalhes do tratamento brutal sofrido pelos prisioneiros. A maioria foi espancada e sufocada com sacolas plásticas, humilhada na frente uns dos outros, forçada a dar falso testemunho, agredida sexualmente, queimada com cigarros e outros fatos semelhantes que vemos em casos em que os serviços de segurança acham que têm mandato político claro para o abuso. Falsos depoimentos foram divulgados pela polícia para presos e pessoas do lado de fora, como falsa prova de “fulano delatou” etc., e parte da campanha de desinformação coordenada.

A maior parte dos anarquistas presos na Indonésia pertence à chamada rede ‘Estrela do Caos‘, grupo composto de mais de 40 “anarquistas individualistas” e “niilistas”, cujo “papel de liderança” foi atribuído a Eat (Reyhard Rumbayan), preso por ataque incendiário da FAI-IRF contra um banco em solidariedade ao anarquista ferido Luciano Tortuga em 2011. Eat e vários companheiros (perseguidos pela polícia para os prender) são acusados de mentores da revolta social. Todos os réus rejeitam as acusações e acusações implícitas na “conspiração” alegada pela polícia.

Eat foi espancado e torturado pela unidade antiterrorista Densus 88, que lidera o caso contra os anarquistas. Eat também é acusado de ser membro do Palang Hitam/ABC Indonesia. Eat ficou gravemente doente por falta de remédios para tratar a sua saúde, HIV+ e paralisia. Pela falta de provas das acusações graves, o advogado de Eat conseguiu libertação temporária antes do julgamento.

No momento em que escrevo esta, Eat está em prisão domiciliar em Bandung e continua sob investigação, enfrentando 20 anos de prisão. Eat foi preso em Makassar depois que a unidade antiterrorista Densus 88 usou o spyware Pegasus para penetrar e rastrear o seu celular. Eat foi rastreado por mais de uma semana e depois preso por 15 veículos do Densus 88 com metralhadoras. Parece que as autoridades policiais e o Densus 88 mapearam e registraram fortemente a presença anarquista online, usando o spyware Pegasus e coletando dados principalmente de serviços organizacionais, e depois atacaram extensivamente.

Outro camarada anarquista enfrentando longa pena de prisão é Adit (Aditya Dwi Laksana). Adit foi classificado como perigoso porque não quebrou sob tortura, então a polícia espalhou, do lado de fora, usando a divisão de crimes cibernéticos, nas redes sociais que Adit era informante. Os documentos judiciais revelam o contrário. Adit foi torturado muito severamente e tentaram danificar a sua visão. Ele é acusado de ações destrutivas em Getong, Bandung, destruição do Banco Hana e explosivos na Assembleia Representativa Popular Regional de Bandung. Enfrenta mais de 20 anos de prisão e, segundo os documentos judiciais, há provas pesadas contra ele, que atenderam a todos os requisitos para o julgamento. Adit era um dos vários camaradas que já estavam sob vigilância da Densus 88 [unidade antiterrorista] quando a revolta ocorreu. Adit está atualmente preso na prisão de Kebon Waru, perto de Bandung.

Escreva aos camaradas aprisionados na prisão de Kebon Waru:

Very Kurniaa Kusuma
Rizky Ardiansyah (Riky)
Rafli Andriansyah (Kipli) [erro: Kipli está detido na prisão de Solo, Java]
Aditya Dwi Laksana (Adit) [atualizado]

[nome]
JI. Jakarta No.42-44,
Kebonwaru, Kec. Batununggal,
Kota Bandung, Jawa Barat
Indonésia

Outros anarquistas presos em Kebon Waru:

M. Subhan Abdul Ghoni
Eli Yana
Muhammad Vanza Alfarizy
Joy Erlando
Muhammad Jalaludin
Jatnika Alan Ramdhani
Ariel Octa Dwiyan
Angga Friansyah
Putra Rizwan Annas
Wanda Abdul Rahman
Wawan Hermawan
Reyhan Fauzan Akbar
Arfa Febrianto
Rizal Zhafran
Muhibuddin
Muhammad Zaki
Arya Yudha
Rifa Rahnabilla
Marshall Andy Kaswara
Yusuf Miraj
Deni Ruhiyat
Rizky Fauzi
Maditya Dena

Todos acusados de agredir policiais e de violência em público pelos Artigos 170 (violência em público), 214 (resistência coletiva) e 406 (destruição de propriedade de outros) do Código Penal indonésio. A maioria desses prisioneiros são pessoas comuns que não têm ligação com anarquistas individualistas nem niilistas, são vítimas de prisões arbitrárias pela polícia e têm os julgamentos com acesso negado aos seus próprios advogados.

Palang Hitam / ABC enfrenta consideráveis dificuldades para operar na Indonésia neste momento e apela por ações de solidariedade e fundos para apoiar os réus. Por favor, doe para o fundo de solidariedade através dos noblogs Dark Nights ou de qualquer grupo ABC estabelecido há muito tempo.

Palang Hitam

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2026/03/16/chaos-star-article-from-italian-periodical-disfare-about-the-repression-in-indonesia/

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

As pontas quebradas
dos lápis que te desenham
inda estão na mesa

Everton Lourenço Maximo

Por que antibelicismo e antimilitarismo?

Por CF Puig | 21/03/2026

Vivemos o inimaginável tempo histórico em que se diz, “estamos em tempo de guerra”, conformando-se à distopia que, de tão deplorável, se fosse paródia, seria fraca, por exagerada demais, de tão devastadora para os de abaixo, tão distorcedora do bom desenvolvimento da natureza ecológica, que nenhuma ficção que se passava nos anos “2020-2030”, que eu tenha lido, foi tão perversamente cruel, detalhadamente ruim. Mas é o que temos para hoje.

Resta, portanto, nos posicionarmos diante da guerra. Por amar a liberdade, individual e coletiva, e por nos recusarmos a matar outros, como nós, das classes trabalhadoras e abaixo, nos recusarmos a obedecer a ordens sempre criminosas, pois não há motivo bom para a guerra, na guerra todos perdem, ainda mais os mais vulneráveis. Somente lucram os fabricantes de armas e munições. Exatamente por isso os EUA estão sempre patrocinando guerras, direta ou indiretamente, chamando aos outros de terroristas. Alcovitando e sendo encobertos nos crimes hediondos dos amiguinhos migrados de Europa para a terra que dizem prometida a eles, os genocidas que atualmente cometem o crime de cerco a população civil, e isso não se via desde tempos julgados ultrapassados, como a Idade Média e as guerras coloniais de África e de América do Sul. Não se conceberia, em tempos modernos, guerra de cerco a população civil. Esta, ainda assim, continua sendo a realidade de Gaza. Normalizam o absurdo.

Nós? Nós é que somos os empoderados do absurdo, somos nós que sabemos a importância do amigo para toda obra, puxar laje ou ajudar com o churrasco, tudo é diversão, alegria de fazer junto. O absurdo de sobreviver na opressão do capitalismo e, ainda assim, sorrir, dançar, festejar, jogar, brincar, jogar conversa fora na esquina tomando um.

Pela liberdade individual e coletiva, somos contra a guerra e nossa luta para isso é não indo à guerra e nos solidarizando com todos os desertores. Para aqueles que dizem que só se faria revolução com violência, dizemos, a revolução é no dia a dia, não dá para ser no tapa, é trabalho de formiguinha, é construção de relações, de coletivos criadores e formadores, é dinâmica ética e valorizadora do individual e do coletivo, que trata o erro como aprendizado e convida a ajudar a melhorar. Se um dia houver situação em que seja necessário defender as nossas casas, as nossas famílias? Sim, parece justificado se defender. A defesa é a única justificativa para a violência; mas não a ‘defesa’ fake que os genocidas alegam.

O terror da guerra de hoje é visualizado ao vivo, ou em cortes, depois os memes de IA etc. Os soldados sentados em escrivaninhas com joystick na mão lançam explosivos no bairro civil mesmo, é bem onde cair, onde calhar. Os mais perversamente criminosos, e os menos repreendidos pelos poderosos da lei do mais forte internacional, ainda tomam como alvos hospitais, ambulâncias, jornalistas, casas com famílias inteiras em momento de festa.

Contra a guerra, contra os genocídios,

Com os de abaixo e à esquerda,

pela liberdade de todos em todo o mundo.

agência de notícias anarquistas-ana

oco eco no beco
o escuro aprimora o vento
para os desconcertos

Alex Dias

[Chile] Cadeia de rádios em solidariedade à companheira anarquista Mónica Caballero.

Convidamos todas as rádios companheiras a se unirem a uma cadeia de rádios no âmbito da semana de mobilização pela sua saída para as ruas, que será realizada no dia 28 de março a partir das 12h (horário do Chile)

Vale lembrar que, nas próximas semanas, o Tribunal de Apelações analisará pela segunda vez seu pedido de liberdade condicional, que já havia sido rejeitado anteriormente, apesar de ela cumprir todos os requisitos exigidos para obter o agora chamado “benefício” carcerário.

Diante disso, como rádios, queremos nos solidarizar com a companheira que mantém sua posição inabalável diante das artimanhas do poder.

Junte sua rádio pela saída para as ruas da nossa companheira.

Contra o arrependimento, continuamos ao lado de nossos companheiros e companheiras na prisão.

Mónica Caballero para as ruas!

Presos anarquistas e subversivos para as ruas agora!

Inscreva sua rádio no formulário… https://pad.riseup.net/p/CADENAZOXMONI

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/18/chile-semana-de-agitacao-pela-libertacao-da-presa-anarquista-monica-caballero-sepulveda-de-23-a-29-de-marco/

agência de notícias anarquistas-ana

O gari folheia
o livro de poesias—
Voa passarinho!

Regina Ragazzi