
por Ian Angus | 08/11/2025
Todos os anos, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) publica um Relatório sobre a Lacuna de Emissões (Emissions Gap Report).
À primeira vista, isso parece uma boa notícia: “O Acordo de Paris tem sido fundamental para reduzir as projeções de emissões globais de gases de efeito estufa (GEE).”
E esta também soa encorajadora: “As projeções de aquecimento global com base nas políticas atuais caíram de pouco menos de 4 °C na época da adoção do Acordo de Paris, para pouco menos de 3 °C hoje.”
Lidas rapidamente, essas frases parecem indicar que o Acordo é responsável por reduzir as emissões que causam o aquecimento global.
Mas espere um pouco. A palavra traiçoeira nessas frases é projeções. Como o próprio relatório mostra, as emissões reais de gases de efeito estufa em 2024 foram mais altas do que nunca. Na verdade, a taxa atual de crescimento é mais de quatro vezes maior do que na década de 2010.
Então, o que há de fato por trás dessas projeções?
Pelo Acordo de Paris, os governos nacionais devem apresentar suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), planos voluntários e não vinculantes de redução de emissões até 2035. As primeiras NDCs foram apresentadas em 2020, e a segunda rodada, supostamente mais ambiciosa, deveria ser entregue neste ano, em setembro. Assim, o que o Gap Report revela não são reduções reais, mas promessas de reduções futuras.
E mesmo considerando esse caráter imaginário, as NDCs apresentadas até agora ainda estão muito aquém dos cortes necessários para manter o aquecimento abaixo de 1,5 °C neste século.
Além disso, dos 195 signatários do Acordo de Paris, apenas 64 se deram ao trabalho de enviar novas NDCs até o prazo deste ano. E as reduções prometidas por essa minoria “são relativamente pequenas e cercadas de significativa incerteza”.
Há ainda uma certeza a acrescentar: os Estados Unidos se retiraram do Acordo de Paris, de modo que suas NDCs, uma grande parte das reduções prometidas, expirarão em janeiro.
Não é de se admirar que o PNUMA, apesar das declarações otimistas em seu primeiro parágrafo, tenha intitulado todo o relatório de Fora da Meta (Off Target).
Como disse Greta Thunberg há quatro anos, antes da COP26:
“Blá, blá, blá. É só isso que ouvimos de nossos chamados líderes. Palavras que soam bem, mas que até agora não levaram a nenhuma ação.”
A influência dos lobistas das petroleiras e dos petro-estados continua dominante na COP30. Prepare-se para mais blá, blá, blá.
Fonte: https://climateandcapitalism.com/2025/11/08/emission-reductions-promises-promises-promises/
Tradução > Contrafatual
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Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!