[Espanha] Mulheres em luta, rompendo fronteiras

Frente ao fascismo, o racismo e o colonialismo

Este 8 de março saímos juntas porque o avanço do fascismo, do racismo e do  colonialismo já está afetando nossas vidas. Não é uma ameaça longínqua: se expressa em guerras, ocupações, fronteiras cada vez mais violentas, políticas de expulsão e detenção, perda de direitos e controle social, a serviço de um sistema capitalista e patriarcal que necessita a desigualdade para sustentar a exploração.

Este avanço golpeia de forma específica as mulheres. Em contextos de guerra, ocupação e militarização, nossos corpos e nossas vidas se convertem em território de violência, pobreza e desapropriação, reforçando as violências machistas e limitando nossa autonomia.

Desde um feminismo internacionalista, denunciamos as consequências deste sistema sobre as mulheres em diversos lugares do mundo: a situação que vivem as mulheres na Síria; a resistência cotidiana das mulheres saharauis e palestinas frente ao colonialismo e o deslocamento forçado; e a perseguição que sofrem hoje as mulheres kurdas por sustentar projetos de autonomia e emancipação feminista. Do mesmo modo, denunciamos as políticas de detenção, deportação e separação de famílias que golpeiam especialmente as mulheres migrantes, gerando sofrimento, medo e desenraizamento. Não são realidades alheias, mas expressões de uma mesma estrutura de dominação que atravessa fronteiras.

Aqui e agora, a perda de direitos e a deterioração dos serviços públicos avançam pela mão dos governos de direita, com ataques diretos à autonomia das mulheres. Questionam-se conquistas básicas como o acesso ao aborto, a educação em igualdade ou a liberdade sexual e reprodutiva, enquanto se reforçam o controle, a desigualdade e a exclusão.

As consequências são visíveis na vida cotidiana: precariedade, dificuldade de acesso a uma moradia digna, empobrecimento e um aumento da violência machista em todas as suas expressões — físicas, sexuais, econômicas e institucionais —, que segue custando vidas.

Frente a este contexto, nossas reivindicações não são abstratas: são respostas concretas para defender vidas dignas e livres de violências.

EXIGIMOS:

• O fim de todas as violências machistas, incluídos os feminicídios, a violência vicária e os assassinatos de caráter machista, com políticas reais de prevenção, proteção, reparação e recursos suficientes.

• O fim da precariedade estrutural, da divisão sexual do trabalho e da diferença salarial e de pensões que condena as mulheres à desigualdade durante toda sua vida.

• Um sistema público de cuidados, comunitário, universal e gratuito, junto com condições laborais dignas no setor, com salários justos, estabilidade, convênios coletivos e acesso à greve.

• O direito a uma moradia digna e aos suprimentos básicos, frente à especulação, os desalojos e a precariedade habitacional.

• Proteção efetiva ante qualquer crise, porque suas consequências recaem de forma desproporcional sobre mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade.

• A erradicação de todas as violências e discriminações para com as mulheres, pessoas dissidentes e LGTBIQA+, assim como dos preconceitos de gênero na saúde.

• O fim da violência institucional, que criminaliza, desprotege e vulnera direitos, especialmente contra mulheres, pessoas migrantes e coletivos em luta.

• A revogação da reforma laboral e das reformas de pensões que nos condenam a vidas esgotadas e precárias.

• A revogação da lei mordaça, que criminaliza e castiga com sanções e cárcere o protesto social, utilizando-se para perseguir e reprimir coletivos feministas, sindicais e movimentos sociais críticos.

• Uma renda básica igualitária e a redução da jornada laboral a 30 horas.

Visibilidade e representação equitativa de mulheres e pessoas não binárias em todos os âmbitos.

• Uma sociedade não capacitista, inclusiva com a diversidade funcional e os corpos não normativos.

• Políticas reais de coeducação, formação e sensibilização em igualdade.

• A regularização de todas as pessoas migrantes, a revogação da lei dos estrangeiros, o fim dos CIE e o fim das deportações.

• Medidas urgentes frente à emergência climática, desde a justiça social.

Frente ao fascismo não há neutralidade.

Nossa resposta é coletiva, feminista e sem fronteiras, nas ruas, nos centros de trabalho e em todos os espaços da vida.

Mulheres em luta, rompendo fronteiras

Nos vai a vida, nos vão as liberdades

cgt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Folhas no chão —
A piscina de bolinhas
do gato brincalhão.

Cristina Chinen

Leave a Reply