
O escritor de romances policiais parisiense, que morreu há 30 anos, foi, a vida inteira, anarquista, e continua popular até hoje.
~ Maurice Schuhmann ~
O escritor francês anarquista e surrealista de romances policiais, Léo Malet, faleceu em 3 de março de 1996 sentado à frente da televisão. Nascido em Montpellier em 1909, envolveu-se no movimento anarquista desde cedo e escreveu para jornais como Le Libertaire e L’En-Dehors. Sua associação com este último não é surpreendente, assim como o editor, o antigo tolstoyano Emile Armand, Malet não se distanciou dos ilegalistas da época, mas simpatizou com eles, seja com Jules Bonnot e sua gangue, cuja história, mais tarde, incorporou ao romance La Vie est dégueulasse, ou com Marius Alexandre Jacob.
Mais tarde, colaborou com os surrealistas, notadamente, André Breton, assim como com trotskistas. O anarquismo, no entanto, permaneceu como presença constante na sua obra.
A partir de 1943, publicou romances policiais, entre outras obras, sob vários pseudônimos – por exemplo, JohnnyMetal. Em sua autobiografia La Vache Enragée, ele citou como uma de suas principais fontes de inspiração o cavalheiro ladrão Arsène Lupin, criado por Maurice Leblanc. Mais conhecido pelas histórias centradas no detetive particular Nestor Burma, que se caracterizam sobretudo por sua cor local parisiense distinta e pela paródia da ficção policial americana popular da época.
Inspirado por Os Mistérios de Paris, o romance moralizante do meio do século XIX escrito pelo socialista Eugène Sue, criou o ciclo Os Novos Mistérios de Paris. Cada romance da série se passa em um distrito diferente de Paris. Experiências autobiográficas, incluindo o envolvimento no movimento anarquista, surgem repetidamente nessas obras. A bem-sucedida série de livros foi adaptada várias vezes para o cinema, para quadrinhos, notadamente pelo artista anarquista Jacques Tardi, e produzida como reportagens para rádio. Ele recebeu diversos prêmios prestigiados de escrita policial e as suas obras continuam sendo reeditadas até hoje.
Além disso, escreveu a chamada “trilogia negra” de crítica social, que inclui o já mencionado romance sobre Bonnot. São histórias sobre azarões e marginais da sociedade francesa. Do ponto de vista atual, porém, também há motivos para críticas, especialmente sobre representações às vezes estereotipadas nos romances que beiram clichês racistas, especialmente em relação a personagens de origem árabe.
A autobiografia, que mencionamos, La Vache Enragée, vale muito a leitura, e dá uma visão abrangente do anarquismo contemporâneo e da sociedade francesa.
Fonte: https://freedomnews.org.uk/2026/03/03/leo-malet-a-fascination-with-illegalism/
Tradução > CF Puig
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