
Um total de 91 anarquistas foram presos no último domingo (29/03) em Roma, quando se dirigiam para participar de uma cerimônia em memória de Alessandro Mercogliano e Sara Ardizzone, os dois ativistas anarquistas mortos em 19 de março, enquanto fabricavam uma bomba em uma casa de campo no Parco degli Acquedotti. A manifestação havia sido declarada “ilegal” pelas autoridades italianas, que mobilizaram um grande contingente de policiais e forças especiais no Parque Modesto di Veglia, onde cerca de 60 pessoas conseguiram depositar uma coroa de flores antes de serem identificadas. Os detidos foram levados à delegacia com autorização do Ministério Público para identificação e possível encaminhamento para deportação. A polícia justificou a proibição alegando que a reunião era “contrária aos valores da convivência civil e democrática” e que “glorificava condutas como plantar uma bomba”.
A primeira-ministra Giorgia Meloni usou as prisões para defender suas políticas linha-dura. Em uma mensagem nas redes sociais, ela afirmou que “a detenção preventiva de 91 indivíduos do movimento anarquista, considerados perigosos e que chegaram a Roma para uma manifestação não autorizada em memória dos dois anarquistas mortos, confirma a necessidade” do Decreto de Segurança promulgado por seu governo. Meloni rejeitou as críticas de que a lei criminaliza o protesto social, limita o direito de manifestação e concede poderes excessivos à polícia. “Ela não serve para limitar a liberdade de expressão, como alegam certos grupos de esquerda. Pelo contrário, serve para garantir que as manifestações ocorram de forma pacífica e não violenta”, argumentou. Os dois falecidos, Mercogliano (53 anos, natural de Nola) e Ardizzone (36 anos, de Roma), eram ligados à Federação Anarquista Informal-Frente Revolucionária Internacional (FAI-FRI), a mesma organização à qual pertence o anarquista Alfredo Cospito, condenado a 23 anos de prisão por um ato.
O incidente ocorreu apenas duas semanas após a morte dos dois ativistas, cuja identificação foi dificultada pelos ferimentos em seus corpos e só foi possível graças às suas tatuagens. Ardizzone havia sido absolvida no ano passado em Perugia, na investigação “Sibilla”, enquanto Mercogliano já havia sido condenado no mega-julgamento de 2019 contra anarquistas. O governo Meloni então usou a tragédia para impedir o relaxamento das condições restritivas do Artigo 41 bis que Cospito enfrenta e para alimentar o medo contra a manifestação nacional “Sem Reis”, realizada em 28 de março em Roma.
Agora, com essas 91 prisões “preventivas”, o governo consolida sua agenda que criminaliza a memória de ativistas políticos falecidos e a dissidência sob o pretexto de “ordem pública”. Enquanto a esquerda institucional italiana ignora a situação, os movimentos sociais denunciam a “democracia” de Meloni, argumentando que ela se baseia na prisão de pessoas antes que elas possam exercer seus direitos fundamentais. O direito de protestar, mais uma vez, é o primeiro a ser suprimido.
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