[Espanha] Cartografia anarquista. Um passeio pela história social de Fraga

Desde o Centro de Estudos Libertários José Alberola, apresentamos esta Rota como guia cartográfico onde reconhecer os lugares nos quais se desenvolveram alguns dos acontecimentos mais relevantes da história do anarquismo em Fraga, desde princípios do passado século vinte até os anos trinta.

As ideias libertárias e o anarcossindicalismo enraizaram logo em Fraga e nas Terras Baixas do Cinca, sendo parte ativa do associacionismo obreiro e social desde então. Chegando a alcançar grande notoriedade em momentos históricos concretos: nos anos vinte, nos anos trinta, durante a guerra e a revolução de 1936, inclusive nos obscuros anos da ditadura franquista, na clandestinidade e no pós franquismo.

Agustín Orús, libertário desde sua adolescência, nascido em Fraga em 1918, contava que sua avó lhe cantava, sendo menino, o histórico hino anarquista Hijos del Pueblo. Está documentado o conflito laboral de 1906, como consequência da falta de trabalho pela paralisação das obras do Canal de Aragão e Catalunha (conhecido inicialmente como o Canal de Tamarite de Litera). Convocou-se uma greve reclamando pão e trabalho. Houve barricadas cortando o acesso à cidade na altura da ponte sobre o Cinca com enfrentamentos com a Guarda Civil, com o trágico resultado de vários mortos, entre os quais se encontram cinco obreiros e um guarda civil, e vários detidos. Nessa época se cantava uma balada que dizia: El canal de Tamarite, ni lo han hecho ni lo harán porque no quieren los ricos que los pobres coman pan.

Dos anos vinte e trinta fica a recordação da luta anarcossindicalista e o ativismo cultural e libertário: a greve de mulheres trabalhadoras da indústria manufatureira de figos secos. A intensa atividade desenvolvida desde a Sociedade Cultural Aurora – ateneu libertário – com a compra de um solar e a construção de uma casa pela própria militância, onde se instalou a escola racionalista com José Alberola como mestre, além do Sindicato, biblioteca, grupo de teatro e de um grupo de Juventudes Libertárias, etc. 

Na insurreição anarquista de dezembro de 1933, houve participação ativa em vários povoados da comarca, sobretudo em Belver de Cinca; não em Fraga, ainda que sim padeceu a repressão, com várias detenções e fechamento do Sindicato por ordem governamental. Foram muitas as detenções de militantes anarquistas, de povoados das Terras Baixas do Cinca, que estiveram vários dias presos no cárcere de Fraga (sede do partido judicial) até seu translado à prisão de Huesca.

Especial menção merece o processo revolucionário de julho de 1936: criação do Comitê Popular Revolucionário, a coletivização da terra e a incipiente indústria. O Conselho Municipal, a criação da primeira biblioteca pública, Hospital de Sangue ou a sede do primeiro Conselho de Aragão, etc.

Incluímos na Rota os domicílios particulares onde viveram Agustín Orús e Valero Chiné, militantes libertários de Fraga com uma longa trajetória, além do domicílio onde nasceu Liberto Sarrau, histórico militante anarquista, membro do grupo Quijotes del Ideal das Juventudes Libertárias de Barcelona e muito vinculado a Fraga; também a casa onde viveu José Alberola.

Tampouco queremos deixar de mencionar a militância anarquista — com especial relevância— que residiu em Fraga ou, por diferentes circunstâncias, visitou o povoado ou a comarca. Além de José Alberola e seu filho Octavio, não podemos nos esquecer de Ramón Acín, Felipe Alaiz, Buenaventura Durruti, Ricardo Sanz, Joaquín Ascaso, Francisco Ponzán, Manuel Lozano, Joaquina Dorado, Emma Goldman e tantas e tantos outros.

Rota não segue nenhuma cronologia concreta; tentamos fazer um percurso circular para que seja mais simples o percurso. A maior parte das localizações se encontram no casco histórico da cidade, com a exceção da última localização (a número 24), que se encontra na margem direita do rio. É certo que vários dos lugares mencionados correspondem ao período de guerra e o processo revolucionário de 1936-1938.

Não é um trabalho definitivo, mas em construção permanente. Somos conscientes de quão rica é a história do anarquismo em Fraga e nas Terras Baixas do Cinca; isso nos anima a continuar investigando e recopilando dados. Em qualquer caso, a guia tenta dar continuidade ao trabalho de divulgação histórica que desde o Centro de Estudos Libertários José Alberola desenvolvemos durante anos, também com os diferentes passeios guiados, organizados junto à organização anarcossindicalista de Fraga.

Dizer que nossa pretensão não é acadêmica nem científica; em qualquer caso, sempre contrastamos o que afirmamos. A maior parte da informação da qual se nutre a Rota corresponde às colaborações pessoais de companheiros que foram testemunhas ou participaram nos acontecimentos históricos que relatamos; essa condição merece todo nosso respeito e credibilidade. 

Animamos a todo o mundo a passear pelas ruas de Fraga com outro olhar e o entendimento aberto. A história do anarquismo faz parte de todas as pessoas que ansiamos e trabalhamos para alcançar a justiça social e a liberdade plena. 

Se necessitas ampliar informação, podes entrar em contato conosco através do correio eletrônico: celalberola@gmail.com

Fraga, primavera de 2026

Centro de Estudos Libertários José Alberola

Fonte: https://centrodeestudioslibertariosjalberola.blogspot.com/2026/04/cartografia-anarquista-un-paseo-por-la.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Dentro da mata –
Até a queda da folha
Parece viva.

Paulo Franchetti

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