
Paz entre os oprimidos, guerra aos opressores!
Primeiro de Maio Anarquista
Sexta-feira, 1º de maio
8h30
Praça Vittorio
Grupo antimilitarista
Contra todas as pátrias por um mundo sem fronteiras!
Nos últimos anos, os ricos ficaram ainda mais ricos, enquanto quem era pobre ficou ainda mais pobre. E a situação só piora.
Em toda parte, aumentam as fileiras de pessoas sem casa, sem renda, sem perspectivas. Para fechar as contas, muitos se adaptam a uma infinidade de trabalhos precários, mal pagos, informais, sem proteção.
Em toda parte, cresce a lista de mortos e mutilados no trabalho: não são acidentes, mas a lógica feroz do lucro que devora a vida e a saúde de tantos.
O preço do gás e da luz dobrou, muita gente está sendo despejada ou com a casa indo a leilão. Sem dinheiro para o aluguel e as contas, o acesso à saúde se torna uma mercadoria de luxo que poucos podem pagar.
O longo caminho de normalização das lutas sociais, iniciado em Turim em 1980 com a derrota da resistência operária na Fiat, está chegando ao seu epílogo.
A destruição das frágeis proteções conquistadas nos anos 1960 e 1970 caminha junto com uma repressão cada vez maior às lutas.
Hoje, os herdeiros diretos do fascismo estão no governo e estão restaurando o fascismo. Não é necessária a ditadura formal para cancelar os frágeis espaços de liberdade conquistados à custa de um século de lutas.
As questões sociais se tornaram uma questão de ordem pública para esmagar com violência policial qualquer sinal de insurgência social.
O conjunto de leis repressivas que este governo, em perfeita continuidade com os anteriores, tem promulgado pode enterrar na prisão companheiros e companheiras por episódios banais de luta. Hoje em dia, uma simples pichação, um bloqueio de rua, um piquete, uma ocupação, talvez combinados com um dos muitos crimes de associação, são tratados com extrema dureza.
Na véspera do 25 de abril, aprovaram a prisão preventiva para ativistas políticos incômodos ao governo.
Meloni como Mussolini: as leis especiais de 1926 se tornaram, passo a passo, as leis “normais” de 2026.
O governo condena à morte os migrantes com o bloqueio naval e coloca em confinamento (daspo, ordens de expulsão da cidade, vigilância especial, sequestro preventivo) os antifascistas.
As muitas medidas repressivas implementadas na última década para enquadrar os indesejáveis, os corpos excedentes, os subversivos não são suficientes para um governo que decidiu controlar toda a população.
Na periferia, a ocupação militar se tornou normal. Aliás! Cada dia está pior.
Áreas inteiras dos bairros pobres são colocadas sob cerco, com contínuas batidas policiais em pessoas sem documentos ou que vivem da economia informal.
Turim, de cidade do automóvel, está se transformando em cidade dos bombardeiros e vitrine para turistas. Uma vitrine que os pobres que passam horas nos jardins não devem sujar. A aspiração a uma sociabilidade não mercantilizada deve ser reprimida.
O governo, em todos os níveis, aponta o dedo para as pessoas mais pobres, racializadas, com a chantagem constante dos documentos, para esconder a guerra social que desencadeou contra todos os pobres, italianos e nascidos em outros lugares, alinhando-se ao lado dos patrões, grandes e pequenos.
O controle etnicamente direcionado do território visa reprimir pela raiz qualquer possível insurgência social. O CPR (Centro de Permanência para Repatriação), a prisão administrativa para sem documentos, é, assim como a cadeia, um depósito de lixo social.
O governo experimenta técnicas de controle social antes impensáveis, apenas para não gastar um centavo com moradia, saúde, transporte, escolas.
Os gastos militares estão em constante aumento, as missões no exterior das forças armadas italianas se multiplicaram.
Os militares passam seis meses em missões militares no exterior, seis meses nas ruas das nossas cidades.
A guerra pelo controle dos recursos energéticos caminha junto com a ofensiva contra as pessoas em viagem, para empurrá-las de volta para as prisões da Líbia, onde tortura, estupros e homicídios são fatos corriqueiros.
Hoje, querem todos recrutados, todos alinhados nas guerras em que nosso país está envolvido direta ou indiretamente. Nós não topamos.
Nós não nos alistamos, recusamos a retórica patriótica como elemento de legitimação de todos os Estados e de suas pretensões expansionistas.
O antimilitarismo, o internacionalismo, o derrotismo revolucionário foram centrais nas lutas do movimento dos trabalhadores e trabalhadoras desde suas origens.
Exploração e opressão atingem igualmente em todas as latitudes, o conflito contra os “nossos” patrões e contra os “nossos” governantes é a melhor maneira de se opor à violência estatal e à ferocidade do capitalismo em qualquer lugar.
Estamos ao lado das pessoas que, em todo o mundo, morrem sob as bombas; estamos ao lado daqueles que, em todo o mundo, sofrem prisão e repressão por terem se oposto ativamente à guerra.
Somos contra a economia de guerra aqui e em qualquer lugar.
Estamos ao lado daqueles que, em toda parte, desertam da guerra entre os estados, que disputam o domínio imperial sobre territórios, recursos, vidas de mulheres, homens e crianças.
Somos contra a guerra e contra quem a financia.
Somos desertores de toda guerra, partisanos contra todo estado.
Em um único dia, o governo gasta 104 milhões de euros: com o mesmo valor, seria possível equipar completamente um posto de saúde territorial.
Tente imaginar o quanto melhor seria a nossa vida se os bilhões usados para rejeitar homens, mulheres e crianças nos campos de concentração líbios, para garantir os interesses da ENI na África, para investir em armamentos, para pagar militares nas ruas das nossas periferias fossem usados para escola, saúde, transporte.
Mas imaginar não basta. É preciso mudar o paradigma.
São necessárias mudanças radicais. É inútil deleitar-se com a proposta de uma perspectiva welfare-state hoje inalcançável. A ilusão do welfare-state entrega um cheque em branco ao Estado, que hoje, quando está sob forte pressão, limita-se a esmolas.
Construamos assembleias territoriais, espaços, escolas, transportes, ambulatórios autogeridos. Contam-nos o conto de fadas de que uma sociedade complexa é ingovernável de baixo para cima, enquanto nos afogam no caos da gestão centralizada e burocrática das escolas, hospitais, transportes. A lógica é a do controle e dos negócios. É preciso rompê-la.
É urgente fazê-lo agora. Com a ação direta, construindo espaços políticos não estatais, multiplicando as experiências de autogestão, construindo redes sociais que saibam travar a máquina e tornar eficazes as greves e as lutas territoriais.
Um mundo sem explorados nem exploradores, sem servos nem patrões, um mundo de livres e iguais é possível.
Cabe a nós construí-lo.
Federação Anarquista Turinesa
Corso Palermo, 46 – reuniões todas as terças-feiras às 20h30
Tradução > Liberto
agência de notícias anarquistas-ana
Na teia da aranha
nada fica preso à noite –
brilha a lua cheia.
Katayama Yumiko
A autoridade dos que são contra não é menos autoritária que as outras e encontra, quanto a mim, uma sólida…
Em agosto me mudarei com a família para o espírito santo. Mudança a trabalho. O lado bom é que terei…
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O conceito de liberdade como prática cotidiana e resistência constante às cercas — seja do Estado, do capital ou das…
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!