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[Espanha] Crônica da II Jornada Anarcossindicalista do Livro

By A.N.A. on 6 de Junho de 2014

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De 15 a 18 de maio a delegação salamantina da Fundação Anselmo Lorenzo de Estudos Libertários, em colaboração com a CNT-AIT de Salamanca, realizaram a segunda Jornada Anarcossindicalista do Livro. Realizamos atos de temas atuais na rua, nos expressamos e debatemos com pessoas que quiseram se acercar e assim nos enriquecemos mutuamente.

O fato de ocupar as ruas e que elas sejam um espaço de debate e de expressão é muito importante para a nossa organização porque, com as leis atuais contra a liberdade de expressão impostas pela Prefeitura de Salamanca e a futura lei de Segurança Pública, nossas liberdades são reprimidas cada vez mais. A CNT tem inúmeras multas por distribuir panfletos, colar cartazes e colocar mesas de propaganda em vias públicas; com estas medidas repressivas só conseguem que cada vez mais tenhamos mais ânimo para ocupar os espaços públicos.

Ademais, um dos princípios da CNT é a ação direta, isto significa que não participamos em comitês de empresa nem em nenhum sistema de representatividade, por isso é tão importante para nós dotarmos de espaços de reflexão e debate entre iguais para poder nos formar e assim levar a cabo nossa atividade sindical e social.

Durante a jornada difundimos material alternativo, a respeito de conflitos sindicais que estamos apoiando neste momento, assim como textos pela abstenção nas próximas eleições europeias, nossa campanha de boicote à abertura aos domingos e dias festivos de grandes centro comerciais e a difusão das ideias anarquistas e anarcossindicalistas. Também contamos com as distribuidoras de livros não comerciais, da CNT de Salamanca, CNT de Avila, e o coletivo de Ação Antifacista de Salamanca, com o que pudemos difundir material para enriquecer a cultura e a critica. Na rua Zamora, na altura da Plaza de los Bandos organizamos as seguintes atividades:

O companheiro Julio Reyero, do Sindicato de Transportes de Madri da CNT-AIT, desenvolveu a fala “A caridade. Controle social e desigualdade”: “Amancio Ortega (Inditex), Juan Roig (Mercadona), Abel Matutes (Grupo Matutes, multinacional Fiesta Hotel Group), Rafael Arias Salgado (Carrefour España), Ana Botella (Alcaldesa de Madri), integrantes da Opus Dei e muitos outros lavam sua imagem primeiro com uma colaboração entusiasta com as organizações caritativas (Caritas, Banco de Alimentos, Intermon Oxfam), e recuperam seu dinheiro depois através de uma exoneração fiscal de 35% (o governo quer que seja 100%). Além disto, no caso dos produtos de alimentação das cadeias de supermercados, se estão economizando os custos de eliminação dos produtos vencidos ou a ponto de fazê-lo. Se, além disso, somarmos o aumento de vendas que produzem campanhas como a “operação quilo”, o negócio não pode ser mais redondo, diretamente proporcional à sua falta de vergonha. Em definitivo, os mesmo que realizam a caridade são aqueles que criam a pobreza, um negócio redondo para manter este sistema injusto.

As companheiras e companheiros do Grupo Anarquista Cencellada promoveram um debate em torno do texto “Reflexões anarquistas sobre a luta contra a dominação”. O Grupo Anarquista Cencellada nasceu em Valladolid, com o objetivo de difundir e fortalecer as ideias e praticas libertarias, assim como com o propósito de criar um movimento anarquista consciente, ativo e dinâmico. Faremos da rua nosso meio de expressão e difusão de ideias, assim como qualquer lugar que possa surgir no qual se forme e informe sobre o anarquismo. Nosso fim não é crescer como “grupo”, senão como movimento. Queremos que o anarquismo possa chegar facilmente à toda pessoa interessada, e que esta se organize por afinidade e ideias e lute. Falemos de política, mas de política de verdade, de nossos assuntos comuns. Nós, as pessoas, somos seres sociais e por isso levamos uma vida cheia de relações: relações com outras pessoas, com a terra, com outros animais… A política da que vamos falar e a dessas relações. Vamos falar sobre como são nossas relações agora e aqui com todo o que nos rodeia e sobre como são as relações que aqueles que nos dizemos anarquistas cremos que deveriam existir.

Os companheiros e companheiras da revista literária “Caperucita Negra” de Arévalo (Ávila) apresentaram sua publicação com um recital de poesia. Caperucita Negra é uma revista literária digital e impressa, autoeditada por um grupo de pessoas que publicam seus próprios textos, poemas, contos, comics, desenhos e fotografias, para poder expressar tudo aquilo que lhes inquieta sem necessidade de editoras ou subvenções e sem vontade de lucro. A revista oferece um amplo ventilador de temas e gêneros literários, misturando sensibilidade e vanguarda, como caminho até a reflexão e a expressão. Já foram editados 10 números. A editoria está composta por cinco pessoas de Ávila e Arévalo e por Colaboradores procedentes de vários lugares da península. É uma revista aberta a todo aquele que queira colaborar.

Um companheiro da Federação Local de Salamanca da CNT-AIT explicou em uma breve conferência o que é a CNT-AIT. A CNT foi fundada em 1910, e entre suas realizações estão as lutas que levaram à jornada de oito horas, o descanso sabático, as férias remuneradas, seguro de saúde, aposentadoria e desemprego ou recrutamento obrigatório de desempregados. Promoveu greves de aluguéis. Fundou escolas, bibliotecas, editoras. A CNT é uma ferramenta de luta para a classe trabalhadora. Os princípios são o federalismo, assembleísmo, autogestão, ação direta, solidariedade e apoio mútuo. Todo o sindicato filiado à CNT estabelece um pacto de solidariedade com o resto da confederação, o que faz com que cada agressão recebida por uma das partes seja respondida por todos. O mesmo acontece entre os membros de cada sindicato. O anarquismo é uma filosofia política que diz que a sociedade pode se organizar, sem poder, sem coerção e violência. Negamos que necessitemos de especialistas políticos treinados para decidir em nome de outras pessoas. Opomo-nos as hierarquias – cada indivíduo é soberano para decidir sobre o que o afeta. Queremos a transformação radical da sociedade, a abolição do trabalho assalariado, a revolução social. Portanto, nosso objetivo é o Comunismo Libertário, um sistema socioeconômico que faça da liberdade e da igualdade seus valores fundamentais. E nós pensamos que, para conseguir nossos fins, devemos usar meios coerentes com eles. Este princípio de autodefesa envolve confronto com os patrões e instituições. Por tudo isso a CNT é anarcossindicalista. A CNT atua na empresa mediante a Seção Sindical, que é o conjunto de trabalhadores filiados à CNT nesta determinada empresa. Se a empresa é daquelas que usa de repressão imediata, a seção trabalha na clandestinidade. Se cumpre a legalidade vigente, a seção sindical age abertamente. Todas as seções da CNT funcionam mediante assembleias, por meio da qual se nomeia um delegado que se faz porta voz dos companheiros na empresa. A ação na empresa é levada a cabo por meio da ação direta e se utilizam medidas de pressão de todo o tipo com vistas a obter uma série de reivindicações, mas com o olhar posto no ultimo extremo: transformar a sociedade.

O último ato das jornadas foi uma fala-debate a cargo de vários integrantes da EcoRede: a Cooperativa Integral é um projeto de autogestão em rede que pretende paulatinamente juntar todos os elementos básicos de uma economia como são produção, consumo, financiamento e moeda própria e integrar todos os setores de atividade necessários para viver à margem do sistema capitalista. Existem numerosas cooperativas integrais no país – em Salamanca existe um gérmen que se chama Ecorede. O principal objetivo da Ecorede de Salamanca é o intercâmbio de bens e serviços, de preferência de primeira necessidade mediante uma moeda social criada pela mutua confiança dos membros da Ecorede, adotando formas de organização assembleísta.

salamanca.cnt.es

Tradução > Caróu

agência de notícias anarquistas-ana

Salpicados de sons
Silêncio em suspenso:
Grilos e estrelas.

Marcos Masao Hoshino

Posted in Educação, Movimentos Políticos & Sociais, Mundo | Tagged CNT, CNT-AIT, Espanha, Fundação Anselmo Lorenzo de Estudos Libertários, Jornada Anarcossindicalista do Livro, Salamanca

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