[Espanha] Crônica da Turnê de Difusão Anarcossindicalista na Comarca da Sierra del Segura

Desde o Sindicato de Ofícios Vários de Albacete da CNT-AIT queremos informar dos resultados da Turnê de Difusão Anarcossindicalista pela Comarca da Sierra del Segura.

Nossa Turnê de Difusão se estendeu durante uma semana na qual nossas companheiras e companheiros realizaram diversas atividades, entre elas, pregaram cartazes durante vários dias em alguns povoados da comarca. A Turnê de Difusão se estendeu com fixação de cartazes nos municípios de Yeste, Elche de la Sierra, Molinicos, Alcaraz e Riopar.

As companheiras e companheiros se transladaram a estes povoados durante a semana e se dedicaram a fazer propaganda em defesa da organização obreira.

A intenção de nosso sindicato era contar com cartazes em todos estes povoados, com o fim de começar a ter presença nesta comarca e, desta forma, puderam se multiplicar nossos contatos nestas comarcas com o objetivo de poder realizar um trabalho mais exaustivo de propaganda, atividade cultural e organização obreira na serra.

Cremos que nosso papel se cumpriu amplamente porque alcançamos nossos objetivos. Mas nos demos conta de que há na Sierra muitas pessoas afins a nossas ideias que sem dúvida poderiam tomar a iniciativa na organização de um movimento cultural especificamente obreiro e anarquista.

Para finalizar a campanha, no sábado pela tarde, realizou-se uma reunião em Riopar com alguns moradores que estavam interessados em escutar as intenções que tinha nossa organização anarcossindicalista na comarca da Sierra del Segura.

Ainda apesar de que haviam sido as festas de Riopar, alguns moradores estiveram dispostos a escutar-nos. Em nosso caso, estávamos convencidos de que contávamos com a firme decisão e intenção de recuperar culturalmente um movimento especificamente libertário em muitos dos povoados da comarca.

Cremos que a cultura libertária poderia fazer parte do germe da organização de um grupo de companheiras e companheiros, na Comarca da Sierra del Segura, que ajude a reorganizar o movimento libertário em muitos destes povoados. Com este fim, a militância anarcossindicalista da CNT-AIT que fomos ao ato, adotamos o acordo de nos comprometermos por impulsionar uma atividade cultural especificamente anarquista nestes municípios.

PELA DEFESA DE UMA CULTURA OBREIRA ANARQUISTA

PELA REORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO LIBERTÁRIO NA COMARCA DA SIERRA DEL SEGURA

>> Mais fotos: https://cntaitalbacete.es/2024/09/sindical-cronica-de-la-gira-de-difusion-anarcosindicalista-en-la-comarca-de-la-sierra-del-segura/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

o dia abre a mão
três nuvens
e estas poucas palavras

Octavio Paz

[Espanha] Greve pela Palestina 27 de setembro em Coruña

A CGT convoca Greve Geral em todo o Estado Espanhol para o próximo 27 de setembro, sexta-feira. O motivo da convocatória é a de protestar contra o genocídio que está se cometendo contra o povo palestino e a atitude contemporizadora do governo espanhol e da União Europeia com o criminoso governo sionista de Israel.

Este sindicato manifesta que a greve é legal, que todos os trabalhadores e trabalhadoras podem participar na greve e que não é necessária a existência de representantes da CGT no centro de trabalho para unir-se à mesma.

A CGT de Coruña se soma a esta convocatória e faz um chamado ao povo trabalhador para que se una ao protesto e para que nutra a manifestação que sairá do Obelisco às 20:00 horas, convocada, além deste sindicato, por outras organizações e coletivos sociais.

Fonte: CGT-A Coruña

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agência de notícias anarquistas-ana

Cai a pedra n’água
partindo o espelho do rio:
as nuvens se esvaem.

Ronaldo Bomfim

[Espanha] Apresentação em Fraga da Biblioteca Anarquista Agustín Orús

Desde o Sindicado de Fraga da CNT-AIT convida todos os cidadãos para a apresentação da Biblioteca Anarquista Agustín Orús, um novo espaço dedicado à cultura e construído graças aos esforços de militantes que contribuíram com volumes ao longo dos anos e que conseguiram nos trazer livros de grande valor histórico e emocional.

Essa inauguração ocorrerá nas instalações do Sindicato, Paseo Barrón Cegonyer, 6, 3º, no sábado, 28 de setembro de 2024, às 17h00. Naquela ocasião, as pessoas interessadas poderão visitar a biblioteca e conhecer a variada lista de títulos disponíveis sobre diversos assuntos, tanto clássicos quanto atuais.

Após essa visita, iremos para a Sala Aurora, localizada na C/San Quintín 9, para continuar o dia ouvindo uma introdução biográfica sobre Agustín Orús Ortín, um militante anarquista de Fraga (1918-2000) e a figura que dá nome à biblioteca. Em seguida, o livro Se va solsint, Otra forma de ver el mundo será apresentado por seu autor, Patricio Barquín. Patricio é um colaborador regular da revista Temps de Franja, da revista Orto e, durante 2022 e 2023, do jornal Fragua Social. Ele ganhou um prêmio de segundo lugar em um concurso provincial de contos em 1999, em 2016 participou do livro coletivo intitulado Fábulas libertárias e em 2019 ganhou o concurso local de microcontos com o conto erótico “Instrucciones pa menjar una figa”. Na apresentação de seu novo livro, ele compartilhará detalhes do trabalho e do processo criativo que a levou a editar essa compilação de artigos que exalam uma visão de mundo muito particular, combativa e comprometida.

Finalmente, para encerrar o dia, compartilharemos opiniões em torno de uma comida, na própria Sala Aurora.

CNT/AIT Fraga

Fonte: https://bajocincalibertario.blogspot.com/2024/09/presentacion-en-fraga-de-la-biblioteca.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

nas ramagens embaciadas
o sol
abre frestas

Rogério Martins

COP30, Amazônia e a farsa ambiental do “capitalismo verde”

Realização da cúpula climática em Belém vende ilusões com o “desenvolvimento sustentável” enquanto avançam as concessões às mineradoras, o garimpo ilegal e o genocídio dos povos indígenas

Em 2023, Belém do Pará foi oficializada como sede da 30ª edição da Conferência das Partes (COP30), um encontro sobre mudanças climáticas promovido pela ONU, com a participação de 197 países e a União Europeia. Será a primeira vez que o evento vai acontecer na Amazônia. Alardeado com grande pompa por Lula (PT), Helder Barbalho (MDB) e Edmilson Rodrigues (PSOL), a conquista (duvidosa) de trazer a COP 30 para terras paraenses, está sendo vendida como o evento da década na Amazônia brasileira.

Baseados no conceito de “desenvolvimento sustentável” como uma alternativa para o acelerado colapso climático que vivemos, os governantes envolvidos vendem a imagem de que um capitalismo verde seria a saída para a região e as populações tradicionais que aqui habitam – uma improvável aliança entre as necessidades de sobrevivência física e cultural dos povos amazônidas com as “necessidades” do mercado. Na tentativa de vender uma imagem progressista, escondem os diversos acordos com pecuaristas e garimpeiros, e pouco se fala da nova concessão para North Star que se pretende uma das maiores refinarias de ouro do mundo.

Até quando essa farsa verde será mantida, com suas contradições, conciliações e compromissos superficiais em nome do capitalismo? As limitações do governo Lula III em responder à crise climática são evidentes. Apesar da criação do Ministério dos Povos Indígenas e do retorno de Marina Silva como Ministra do Meio Ambiente, os Yanomami continuam a enfrentar invasões e garimpos ilegais em seu território, enquanto a exploração na Amazônia por mineradoras estrangeiras, crescem.

As políticas neoliberais adotadas pelo governo Lula também contribuem para agravar os problemas. O novo teto de gastos (arcabouço fiscal) foi responsável por um aumento no orçamento do ministério do Meio Ambiente que não repõe a perda inflacionária dos últimos anos, e que causou cortes nas fiscalizações, combate a incêndios e florestais. No começo do ano de 2024, servidores do IBAMA suspenderam as fiscalizações cobrando reajuste salarial e reestruturação da carreira.

A falta de desenvolvimento econômico, o desemprego e a baixa renda que afetam os municípios das regiões incentivam os jovens a buscar sustento nos garimpos e nas madeireiras na região.

A tentativa do governo do Pará de vender uma imagem amigável ao meio ambiente é desmentida pelos fatos. Em 2021, o estado assinou um “protocolo de intenções” com seis mineradoras, incluindo a canadense Belo Sun, que comprou terras da reforma agrária de forma irregular no município de Senador José Porfírio, no Pará, para o controverso “Projeto Volta Grande”, que pode se tornar a maior mina de exploração de ouro a céu aberto do país.

O projeto será próximo a Usina de Belo Monte, que se encontra em monitoramento devido às instabilidades em termos de impactos ambientais e que pode se agravar com a construção da mina. Além disso, o partido do governador Helder Barbalho, MDB, tem prefeitos associados a garimpos ilegais, como Valmir Climaco, prefeito de Itaituba, cidade no sudoeste do Pará, responsável por 81% do ouro ilegal no Brasil.

Durante 2023, cidades do Norte e algumas do Centro-Oeste sofreram com a fumaça decorrente de queimadas na Amazônia. Manaus, capital do Amazonas, registrou a segunda pior qualidade do ar do mundo, além de enfrentar uma severa seca que afetou diversos municípios no Norte, causando insegurança alimentar e problemas de saúde devido ao consumo de água não potável por comunidades ribeirinhas, quilombolas e povos indígenas da região.

Em Belém, a única capital governada pelo PSOL no país, a cidade enfrenta sérios problemas de acumulação de lixo devido à suspensão do envio de resíduos para o aterro sanitário gerido pelo setor privado, pela empresa Guamá Tratamento de Resíduos. Seguindo a lógica das políticas neoliberais que promovem as Parcerias Público-Privadas (PPPs). Além disso, a empresa tem sido alvo de diversas denúncias e condenações por danos ambientais.

A crise climática tornou-se um desafio premente que requer ação imediata. No entanto, não podemos confiar no sistema capitalista para enfrentá-la, dado que este sistema tem sido amplamente responsável pela exacerbada crise climática. Não podemos esperar soluções eficazes de eventos liderados por potências capitalistas e de seus representantes políticos cujos interesses primários frequentemente se concentram no lucro em detrimento da preservação da vida.

Alguns comunistas

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agência de notícias anarquistas-ana

Entre as ruas, eu,
e em mim, eu em outras ruas,
sob a mesma noite.

Alexei Bueno

Lula hipócrita!!!

[Espanha] A cicatriz que deixa a guerra na natureza

Os conflitos bélicos deixam uma longa lista de vítimas mortais e também um importante número de baixas no meio ambiente que é um dos grandes esquecidos.

Por José A. González

Como começa uma guerra? É uma pergunta com difícil resposta. Com o primeiro tiro? Com o primeiro míssil? Ou com a primeira morte? Mas também é complexo responder quando acaba. Quando? Com o armistício? Com a rendição da outra parte? Ou com a recuperação do último ser vivo ferido? A lista de vítimas de conflitos armados está cheia de nomes e sobrenomes são a grande perda e o principal dano. Logo, com o passar do tempo, chegam os cálculos econômicos, o custo monetário das escaramuças, mas… E a natureza? É uma grande esquecida.

Os conflitos armados têm consequências que vão mais além das vítimas do armamento. As listas de perdas acumulam nomes e sobrenomes de pessoas, mas “nos esquecemos da fauna terrestre”, assegura a este jornal Oleksii Vasyliuk, porta-voz da Ukraine War Environmental Consequences Work Group. “Sabemos que há casos de destruição completa de toda a população animal”, acrescenta.

Em fevereiro de 2022, as primeiras bombas do exército russo caíram sobre o Donbás e em poucos dias as tropas do Kremlin chegaram às imediações de Kiev. Desde então, as batalhas se sucedem dia após dia com vítimas humanas, danos materiais e mais de 30% das zonas das áreas protegidas Ucranianas, mais de 1,24 milhões de hectares, “foram bombardeadas, contaminadas, queimadas ou afetadas por manobras militares”, segundo a revista Yale Environment360, citando dados do Ministério de Proteção Ambiental e Recursos Naturais da Ucrânia. “Estão destruindo zonas de conservação da natureza, cuja proteção durou uns 100 anos”, adverte Vasyliuk. “Só para lembrar: Ucrânia é o lar de 35% da biodiversidade europeia e cada de uma de cada três espécies sob proteção”, assinala Doug Weir, diretor do Observatório de Conflitos e Meio Ambiente (CEOBS).

Nas áreas protegidas Ucranianas se encontravam tritões alpinos, linces, ratos da neve, texugos, corujas reais, musaranhas alpinas, perdiz. “Estas espécies são as que mais sofreram pelos bombardeios”, assinala Vayliuk. “Não tem nenhuma possibilidade de escapar das explosões”, acrescenta. Nem tampouco podem fazê-lo das inundações.

Faz um ano, a represa de Kajovka em Jersón (Ucrânia) veio abaixo e “inundaram 120.000 hectares dos territórios dos parques nacionais e as reservas da biosfera”, detalha o porta-voz de Ukraine War Environmental Consequences Work Group. “Todos os animais desta zona, desde os grandes até os microscópicos habitantes do solo morreram em poucas horas”, afirma.

A Ucrânia é o último dos conflitos que golpeou o Velho Continente, mas não é o único conflito no planeta na atualidade. A dezenas de milhares de quilômetros também ressoam as bombas em Gaza. As imagens dos satélites que viajam ao redor do planeta revelam como o verde dos campos e hortos palestinos se converteram em extensões de areia e destruição. Ucrânia e Gaza são duas cicatrizes na natureza ainda abertas, mas não é a única marca bélica no mundo.

A obscuridade no Iraque

A menos de 1.000 quilômetros da Faixa de Gaza, os iraquianos se recuperam dos últimos anos de contenda. Faz 8 anos, no verão de 2016 – recorda a ong holandesa Pax-, o meio ambiente voltou a ser usado como arma de guerra.

O Estado Islâmico, segundo o informe ‘Living under a black sky’ desta organização e apresentado ante as Nações Unidas, usava o rio Tigre como fossa comum – em uma ocasião chegou a jogar na água ao menos 100 cadáveres de uma vez – e jogava cru ou substâncias tóxicas em lagos e rios. Ademais, daí o título, os poços petrolíferos arderam durante meses “expulsando no ar numerosos contaminantes que a própria população respirava”, revelou a investigação da Pax. Durante estes incêndios, documenta a ong, se liberou no ar dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio, monóxido de carbono, níquel, vanádio e chumbo.

Mais além da contaminação do solo e das águas. “Estas substâncias podem causar graves efeitos em curto prazo sobre a saúde, especialmente para as pessoas com enfermidades pré-existentes”, revelava o informe.

O bosque como trincheira

Com o passar das semanas, dos meses e dos anos; as frentes da guerra vão se movendo e variando. Os bombardeios se centram em cidades, mas em terra os bosques servem como refúgio e como armazém. “O desmatamento é outro dos impactos indiretos da guerra”, explica Weir. “Na Síria, encontramos que a destruição dos bosques estava perto dos povoados e acampamentos dos refugiados”, comenta Angham Daiyoub, investigadora pré-doutoral do Centro de Investigação Ecológica e Aplicações Florestais (CREAF). Neste país do oriente médio, após mais de uma década de guerra, se perderam ao redor de 63.700 hectares de bosque ou o que é o mesmo 19,3% da cobertura florestal. “Esta superfície é equivalente a praticamente toda a área metropolitana de Barcelona”, compara Daiyoub, que investigou esta perda de natureza na Síria.

Uma das causas são os bombardeios de artilharia. As explosões e os ataques provocam incêndios florestais difíceis de extinguir em um contexto bélico. Na Ucrânia nos primeiros dias de contenda arderam mais de 100.000 hectares e se deram até 31.000 incêndios. “Muitas bombas caíram sobre a zona estepária e aí os bosques são artificiais e ardem mais rápido”, explica Oleksii Vasyliuk. “Por certo, os incêndios também aceleram a propagação de plantas invasoras”, afirma este cidadão Ucraniano.

A segunda das causas do desmatamento é o deslocamento de pessoas. “Os refugiados que fogem da guerra o fazem sem nada”, detalha Daiyoub. “Chegam a zonas onde necessitam da natureza para sobreviver e, às vezes, acabam usando seus recursos de uma forma insustentável”, adverte.

Curar as feridas

O uso dos bosques como trincheira não é uma tática das guerras do século XXI. Nas contendas da II Guerra Mundial já o eram. Um estudo da Universidade Johannes Gutenberg (Alemanha) revelou que os bosques de pinhos e bétulas na Noruega “tiveram um impacto ambiental importante nessa época”.

Sua investigação se centrou perto de Tromso, ao norte da Noruega, onde o famoso encouraçado nazi Tirpitz se refugiava dos bombardeios dos aliados. Ali, as tropas de Hitler usaram uma névoa química para ocultar sua frota em 1945. As pesquisas, sete décadas depois, lideradas por Claudia Hartl-Meier revelaram que esse composto afetou o crescimento das árvores. Mas com os anos, voltaram a recuperar seu vigor. “A natureza pode ser assombrosa recuperando-se de danos graves”, responde Weir. Ainda que alerta que “é possível que não volte a ser como antes, que se instalem espécies diferentes ou que o habitat que se recupere seja menos diverso que antes”.

Apesar do passar dos anos e os esforços de restauração, muitas zonas do Velho Continente ainda têm cicatrizes do passado. Também na Espanha. “A contaminação da guerra persiste muito tempo depois”, assinala a investigadora do CREAF. “Com o passar dos anos teremos que estudar a contaminação provocada pelos bombardeios nos campos da Ucrânia e ver como afetará o preço da alimentação”, comenta o diretor do Observatório de Conflitos e Meio ambiente.

O zinco, o chumbo, o cobre ou o manganês, entre outros, tardarão anos em desaparecer das terras e das águas da Ucrânia. “Ainda se podem ver na Europa zonas prejudicadas pelos combates da Primeira Guerra Mundial”, recorda Weir. “Se seguimos vivos- afirma Oleksii Vasyliuk em um correio eletrônico-, teremos que dedicá-lo à reconstrução após a guerra”.

Passará o tempo, na Ucrânia; ou em Gaza; ou no Iraque; ou no Afeganistão. O primeiro é o armistício, logo a paz e, finalmente, a reconstrução das cidades e da natureza. “Tem que participar as comunidades afetadas e os culpados terão que pagar compensações”, denuncia Weir. Talvez, as guerras acabem quando se paga o último euro, dólar ou libra do dano material que se cometeu.

Fonte: https://www.grupotortuga.com/La-cicatriz-que-deja-la-guerra-en

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de primavera —
O casal na correria
rindo sem parar.

Edson Kenji Iura

[Reino Unido] Tanques de batalha, helicópteros e anúncios de recrutamento do exército salpicados com tinta vermelha no Festival Aéreo

Final de agosto, Bournemouth, Reino Unido.

Durante o Festival Aéreo de Bournemouth, os ativistas enviaram a mensagem de que as incursões de equipamentos militares e a glorificação da indústria de armas em espaços naturais não serão toleradas, espalhando tinta vermelha em um tanque de guerra, um helicóptero de exibição e placas de recrutamento do exército. Essa ação foi realizada em solidariedade à Palestina e a todos os outros povos e terras sob ocupação, e àqueles sob a longa sombra do colonialismo britânico, com a esperança de interromper a normalização do envolvimento contínuo do Reino Unido em guerras e genocídios, e de que outros também ajam contra todos os alvos de opressão e dominação onde quer que os vejam. É verdade que, no início, parecia uma tarefa intimidadora passar despercebido em uma vila militar improvisada, com militares, policiais e comissários de bordo patrulhando para proteger o equipamento, mas com o som das ondas e a escuridão da praia atuando como nossos cúmplices, conseguimos deixar nossa marca e desaparecer novamente. Não houve cobertura da mídia sobre nossa ação, o que presumimos ser devido ao profundo e ardente constrangimento causado às forças armadas, à segurança, à polícia e ao conselho que pagaram por esse desastre e tentaram mantê-lo seguro.

Nossa mensagem para todos que estão lendo isso é que qualquer expressão de dominação pode ser um alvo e que não somos os únicos ou estamos mais bem equipados do que vocês para causar problemas aos nossos opressores. Não se iniba com a ideia de que algo é impossível – vá e veja por si mesmo se você pode tornar isso possível. Tome todas as precauções possíveis, esteja pronto para mudar seus planos e saiba que aqueles que querem ficar em seu caminho não são infalíveis como a propaganda quer que você acredite. Ao testar os limites, muitas vezes descobrimos o quanto as forças opressoras estão despreparadas para qualquer forma de resistência, pois esperam que permaneçamos passivos, e podemos começar a libertar nossas próprias mentes dessas gaiolas artificiais e capacitar a nós mesmos e aos outros a agir de forma a buscar a vida com mais liberdade.

Tradução > Contrafatual

Fonte: https://unoffensiveanimal.is/2024/09/23/battle-tank-helicopter-and-army-recruitment-adverts-splashed-with-red-paint-at-the-air-festival/

agência de notícias anarquistas-ana

Vento de primavera –
O mugido da vaca
Do outro lado do aterro.

Raizan

[Espanha] La Suiza | Manifestação 28 de setembro

As organizações convocantes deste ato queremos expressar nosso total apoio e solidariedade com a CNT e com as 6 companheiras condenadas pelo caso conhecido como La Suiza. E manifestar:

  • Se condena ao sindicato e as companheiras por fazer concentrações informativas diante de uma empresa.
  • Se condena a uma companheira vítima de violência machista, revitimizando-a.
  • Se condenam procedimentos habituais em qualquer conflito ou negociação sindical.

As penas e as indenizações são desproporcionalmente altas inclusive no caso de que se houvessem cometido os delitos que lhes imputam.

Por tudo isso sentimos esta condenação como própria e animamos à classe trabalhadora a seguir mobilizando-se com dois objetivos fundamentais:

  • Impedir que as companheiras entrem na prisão.
  • Impedir a criminalização do sindicalismo.

Os sindicatos somos o contrapeso real ao capitalismo selvagem e como organizações de classe os únicos que podemos defender os interesses dos trabalhadores. Os direitos dos mais frágeis.

Restringir a ação sindical ou o direito a negociar é um ataque a todos os trabalhadores deste país que não vamos consentir.

Companheiras não estais sós! 6 de La Suiza liberdade!

gijon.cnt.es

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agência de notícias anarquistas-ana

olhando para trás
meu traseiro cobria-se
de cerejeiras em flor

Allen Ginsberg

Salles se foi, mas no governo da frente ampla a boiada continua passando

Diante da crise climática que assola o país fica explícito que a política de conciliação do governo Lula/Alckmin fortalece as bases da extrema direita e a devastação ambiental

Por Juliane Santos | 23/09/2024

Ricardo Sales, ex-ministro do meio ambiente durante o governo de extrema direita de Bolsonaro, falou em “passar a boiada” em abril de 2020, dizendo durante uma reunião ministerial que a pandemia da COVID 19 era a oportunidade do governo Bolsonaro passar a boiada nas regulamentações ambientais. Um grande escândalo na época. Sales se foi, mas no governo de frente ampla de Lula/Alckmin a boiada segue passando.

O exemplo mais explícito de tal fato é a forte crise ambiental que o país atravessa, com a fumaça tóxica oriunda das queimadas que atingem os principais biomas e mais da metade do território brasileiro. É uma crise que une o pior índice de queimadas em 14 anos e a pior seca histórica desde 1950, situações que são frutos do aquecimento global.

As queimadas são resultado da atuação do agronegócio, que ateia fogo para avançar as fronteiras agrícolas e garantir cada vez mais lucros. O Agro, atuando em cima do consenso extrativista, teve papel de destaque e atuou em unidade com os diferentes governos do FHC, do PT, do golpista Temer e de Bolsonaro, como desenvolvido no artigo de Leandro Lanfredi (O Brasil em chamas a culpa e do agro do Estado mas e também dos bancos). Cada um desses governos à sua maneira financiou, apoiou e contribuiu no desenvolvimento desse consenso.

É verdade que o agronegócio, principal emissor de gases de efeito estufa nacionalmente (74%), se fortaleceu nos anos de bolsonarismo no governo federal, além de seguir sendo beneficiado pelos governos bolsonaristas como de Tarcísio de Freitas em São Paulo, que investiu 1,4 bilhões somente esse ano no agronegócio. Porém, é do governo de frente ampla de Lula/Alckmin que esse setor recebeu o maior Plano Safra da história, com mais de 400 bilhões destinados somente aos médios e grandes produtores.

Se fizermos uma comparação, o Dia do Fogo, sob o governo Bolsonaro em 2019, teve quase 1.500 focos de incêndio, já hoje em 2024, no último dia 10, o Brasil registrou mais de 5 mil focos de incêndio. Diante de todo esse cenário, fica explícito a partir da prática que a conciliação de classes fortalece as bases da extrema direita e a devastação ambiental, inclusive abrindo espaço à demagogia bolsonarista, como a declaração do senador do Acre, Márcio Bittar, do União Brasil, que disse cinicamente que “não é possível que continuem culpando o governo Bolsonaro” agora que o Brasil bate recordes de queimadas sob o governo Lula, sendo que Bolsonaro e seus ministros defendiam abertamente “passar a boiada”, inclusive foi a bancada ruralista no Congresso no governo bolsonarista (setor que em grande parte hoje compõe a base do governo federal) que impôs um verdadeiro pacote anti-ambiental, como o PL da Grilagem que legaliza o roubo de terras. Ao mesmo tempo, vários ataques estão sendo aprovados no governo Lula-Alckmin, como a votação do PL do Veneno, que flexibiliza a liberação de agrotóxicos, e o Marco Temporal, ambos aprovados no Senado.

Simultaneamente a esses fatos, o governo Lula também vem se subordinando aos interesses das potências imperialistas e de empresas como a Shell, ao tentar avançar com a extração de petróleo na Margem Equatorial, que afeta especialmente populações indígenas e ribeirinhas.

Em Julho deste ano vimos os servidores dos órgãos ambientais federais denunciarem que seu quadro havia perdido até 30% dos novos servidores concursados, com um déficit acompanhado de arrocho salarial e condições de trabalho mais precárias. No ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), o quadro de brigadistas (que enfrentam os incêndios) caiu de 1.415 para 981. Esse é apenas um aspecto do desmonte das políticas ambientais que se aprofundaram sob o governo Bolsonaro, mas que têm sua continuidade no Arcabouço Fiscal de Lula e Haddad, que significou no início deste ano uma redução em 24% no combate aos incêndios no orçamento do Ibama, que o Ministério de Marina Silva alega ter reposto depois com crédito extraordinário. O arcabouço fiscal do governo federal é continuidade da agenda do golpe de 2016 e da extrema direita, e agora demonstra mais uma vez que é um obstáculo para o combate às queimadas. O PSOL, de Boulos e Guajajara, são parte desse governo de frente ampla e assumem, assim, um compromisso com essas políticas de ajuste e de financiamento do agro.

A reflexão que precisa ser colocada é para onde a lógica de frente ampla, de unidade com todos, para “combater o fascismo e a extrema direita” está nos levando. Como vemos nestes poucos, mas absurdos, exemplos é que a lógica de alianças da frente ampla vai se ampliando cada vez mais e favorece enormemente os setores mais reacionários da direita e da própria extrema direita, que até então se buscava combater. Somente a classe trabalhadora em aliança com os povos indígenas, quilombolas e todos os setores oprimidos é que poderá dar uma saída para tal situação e reverter a crise climática. É preciso enfrentar a extrema direita e o agronegócio e pôr em ação um plano emergencial para todo esse contexto de barbárie, o que só será possível por meio de um programa operário e popular e independente dos governos.

Fonte: https://www.esquerdadiario.com.br/Salles-se-foi-mas-no-governo-da-frente-ampla-a-boiada-continua-passando

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agência de notícias anarquistas-ana

cada galho pro seu lado
mas na cor das flores
nenhum discorda

Alonso Alvarez

Arte e Revolução, Emma Goldman | Tradução Lari Tokunaga

Nesse controverso rascunho não-datado, Emma Goldman elenca conexões entre arte e revolução a partir da vida-obra de diversos literatos, escultores, pintores, músicos e dramaturgos de épocas passadas e de seu próprio tempo. Na atualidade, podemos questionar seu posicionamento na defesa de cânones eurocentrados e predominantemente masculinos. De qualquer forma, se trata de um opúsculo que merece a discussão!

Esse material foi elaborado de forma independente, em consonância com o interesse de algumas pessoas investigadoras do anarquismo que me contactatam. Assim, peço uma colaboração simbólica de R$15 para prosseguir nessas veredas de pesquisa e tradução. Quem não conseguir apoiar poderá acessar a publicação de forma aberta em período subsequente. Ao me ajudar, você também contribui para que eu tenha fôlego para continuar inflamando a discussão. Chave pix e e-mail de envio do texto: lariguetokunaga@gmail.com

Gracias

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agência de notícias anarquistas-ana

em rincões e esquinas
frios cadáveres:
flores de ameixeira

Buson

O estado italiano, cada vez mais repressivo

A Câmara de Deputados aprova o Ddl 1660 que, na prática, institui a Lei Marcial com penas de cárcere para qualquer dissidência ou protesto

A câmara de deputados aprovou por amplíssima maioria o Ddl 1660, mediante o qual, sem demasiados eufemismos, se institui na Itália o estado de polícia. Um resumo do que espera os italianos e italianas.

– O fechamento de estradas, e consequentemente as greves, se convertem em delitos penais com condenações de até 2 anos de prisão;

– Os protestos em prisão e os centros de reclusão de imigrantes podem ser castigados com até 20 anos de cárcere;

– Idem para quem proteste contra as grandes obras;

– Também a “propaganda” das lutas é punível com até 6 anos, por se considerar “terrorismo de palavra”;

– Prisão de até 7 anos para quem ocupa uma casa vazia ou se solidariza com as ocupações;

– Até 15 anos por resistência ativa;

– Até 4 anos por resistência passiva;

(um novo delito, rebatizado “antiGhandi”)

– É facultado às forças da ordem portar uma segunda arma pessoal à margem da de ordenança e sem estar em serviço;

– Não se livram de prisão imediata as mulheres grávidas ou com filhos menores de 1 ano e

– Por último, mas não menos importante, se proíbe aos imigrados sem permissão de estadia inclusive o uso de telefone celular, vinculando a aquisição da SIM à posse de licença.

Tudo isso com o silêncio cúmplice da “oposição parlamentar”, a qual, mais além de um voto contrário puramente simbólico não moveu um dedo para contra-atacar realmente as novas leis “fascistíssimas”, ainda piores que o próprio código Rocco. Inclusive dos aproximadamente 160 parlamentares, no momento do voto no Montecitorio à “oposição” tinha no recinto só 91!!!

Não só isso: antes da votação final do Ddl, PD (Partido Democrático) e Movimento 5 Estrelas (M5E) apresentaram umas ordens do dia (aceitos pelo governo) que instavam a este a incrementar os gastos para assumir novos agentes de polícia e guardas penitenciários: a enésima prova de como, mais além de algum matiz, em sustância estão todos unidos para o endurecimento de disposições repressivas, úteis para a guerra e para a economia de guerra, quer dizer a introdução de fato de uma autêntica lei marcial!

Agora a palavra a tem o Senado, o qual certamente aprovará em breve esta ignóbil e infame lei.

Fonte: https://cruznegraanarquista.noblogs.org/post/2024/09/19/el-estado-italiano-cada-vez-mas-represivo/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de primavera –
Uma criança
Ensina o gato a dançar.

Issa

[Espanha] Morte e desespero em Gaza (e em muitos outros lugares)

Por Juan Cáspar | 11/09/2024

Não me pergunte por que presto atenção nisso, mas acabei assistindo a parte de um debate em que, entre outras coisas, são discutidos os assassinatos em massa em Gaza pelo Estado de Israel. Ocorre que duas pessoas se recusam a tomar uma posição, argumentando que o número de mortos é manipulado. Naquela época, o número estava aumentando, falava-se em mais de 40.000 mortos pelo ataque israelense. Eu me pergunto qual número de mortos é aceitável para que esses elementos previsivelmente ideológicos condenem o humanamente intolerável, ou talvez eles acreditem que é falso que esteja ocorrendo um massacre em Gaza. Um deles, que afirma ser o líder de algo chamado Partido Libertário, um oximoro óbvio para qualquer pessoa com um cérebro bem oxigenado, alega ainda que não conhecemos toda a verdade sobre os crimes cometidos pelo Hamas contra israelenses em outubro do ano passado. É claro que é extremamente lógico que o que foi cometido por alguns poucos justifique a punição de milhares de pessoas inocentes. E isso vindo de um pseudolibertário, que afirma ser crítico de qualquer abstração chamada Estado e sua feroz máquina de guerra (bem, tenho certeza de que isso não o incomoda tanto). Enfim. É de se perguntar que mecanismo cruel e estranho opera no cérebro de algumas pessoas para que, dependendo de suas simpatias ideológicas, elas não condenem um crime de Estado. E, infelizmente, isso não acontece apenas em um lado do espectro ideológico.

Em breve, completará um ano do início do ataque israelense a Gaza, quando um exército infligiu sofrimento e morte indescritíveis a uma população civil. É possível que as estatísticas, as mesmas que foram negadas por essa dupla de idiotas iníquos, também não contribuam muito para aumentar a conscientização, pois estamos nos acostumando demais com o horror. Dezenas de milhares de mortos, entre eles muitas crianças, outros tantos que podem estar sob os escombros e espalhadas pelas estradas, sem que os serviços de emergência possam agir devido ao bombardeio contínuo, e uma infinidade de feridos sendo tratados em condições terríveis porque a infraestrutura da faixa foi destruída pelos ataques militares. Inúmeros derramamentos de sangue que deveriam chocar nossa consciência e que só demonstram que a humanidade, mais uma vez, está passando por uma era interminável de colapso moral. O que aconteceu em 7 de outubro de 2023, com centenas de israelenses mortos por milicianos do Hamas, não só foi a desculpa perfeita para o extermínio definitivo dos palestinos, mas toda a argumentação parece condicionada a esses crimes, sem levar em conta que já houve muitas décadas de perseguição cruel do Estado de Israel contra a população palestina.

O genocídio do Estado israelense em Gaza é a prova de que o direito internacional é uma pantomima e que as instituições supostamente encarregadas de defendê-lo estão condicionadas e diretamente subordinadas aos interesses dos poderosos. Já se passaram meses desde que a Corte Internacional de Justiça, sem levantar a voz muito alto e sem tomar nenhuma medida definitiva contra isso, concluiu que havia motivos para acreditar que o genocídio estava sendo cometido em Gaza, mas os aliados ocidentais de Israel, liderados pelos Estados Unidos, permaneceram em silêncio e continuam a fazê-lo. Se as instituições jurídicas obviamente não fazem o melhor que podem para aliviar os problemas do mundo, mas sim para sustentá-los, a responsabilidade recai sobre todos nós, sobre a população civil, sobre os movimentos sociais. Se nos dizem, que diabos cada um de nós pode fazer? Mas sempre há uma ação imaginativa que pode ser tomada, além de manter um olhar altamente crítico sobre todo o Estado e sua máquina de guerra. Fome e desespero para grande parte do planeta, enquanto em nossas vidas confortáveis discutimos meras estatísticas. Às vezes, eu amaldiçoo grande parte da espécie humana. No entanto, tenhamos confiança para superar as estruturas sociais e políticas cruéis que foram criadas, juntamente com inúmeros conflitos históricos que continuam a nos determinar.

Fonte: https://exabruptospoliticos.wordpress.com/2024/09/11/muerte-y-desesperacion-en-gaza-y-en-tantos-lugares/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Num pesado embalo
alguém traz a cerejeira –
Noite de luar.

Suzuki Michihiko

Eu não voto!

Eu não voto, não submeto minha vontade a políticos de nenhum governo.

Eu não voto, prefiro não fortalecer a partitocracia, abstenho-me ante a oligarquia dos partidos políticos e da podre social-democracia. Não pretendo colaborar com a indigna participação em um engano tão óbvio.

Eu não voto, prefiro não participar da mentira, da armadilha e do engano, para não legitimar regras do jogo endemicamente corruptas.

Eu não voto, não sou um indivíduo apático e passivo, me preocupo com as questões sociais que me afetam, assim como a meus companheiros, familiares, vizinhos etc. É por isso que opto por não ceder, por meio do direito de voto, nem minha voz nem o consentimento para agir em meu nome por meio de um sistema que é corrupto em sua raiz.

Eu não voto, não quero me manchar voluntariamente com o sangue, a tortura e a violência que podem ser praticados por Estados, bancos e exércitos (leis, prisões, orçamentos, corrupção, guerras…).

Eu não voto, não quero participar das decisões sinistras que, sem dúvida, serão tomadas em favor dos interesses empresariais contra a classe trabalhadora.

Eu não voto, não quero participar de um sistema que subsidia traidores profissionais, como partidos, sindicatos e suas lideranças.

Eu não voto, prefiro me organizar com outras pessoas de forma horizontal, como iguais, para lutar e poder mudar as coisas, praticando o assembleismo, a autogestão e a ação direta.

Eu não voto, não quero ser um servo passivo e delegar as questões importantes que dizem respeito à minha vida e aos meus coletivos a partidos políticos, empresas, bancos, entidades coorporativas e instituições remotas que não posso influenciar de forma alguma.

Eu não voto, nem acredito na história ridícula do voto útil ou do mal menor, não apoio nem escolho o mal em nenhum grau. Não me parece pouca coisa fazer o que considero certo em consciência e, portanto, começar retirando meu apoio moral e respeito por toda essa farsa.

Eu não voto, prefiro ter minha consciência livre de contribuir e reforçar esse sistema de servidão mediante minha participação eleitoral. Prefiro manter minha personalidade e, a partir daí, buscar alternativas, agir, criar, pensar fora e livre das amarras desse consenso podre.

Eu não voto, pois, ao não participar da farsa eleitoral, não dou meu consentimento, nem dou licença ou cheque em branco aos oligarcas de qualquer cor.

Eu não voto, não acredito na dicotomia das já inexistentes esquerdas e direitas, não acredito nas promessas absurdas da social-democracia, dos globalistas, dos pós-modernistas, dos liberais e de outros charlatães da moda, para a aceitação de seu jogo na sociedade e de suas regulamentações horríveis.

Eu não voto, a moral e as leis que prevalecem são produto do capital e da sofisticada rede de totalitarismo e corrupção instalada no Estado para controlar as massas por meio da sociedade de consumo capitalista e para enganar os mais insatisfeitos com a falsa ideia de reforma.

Eu não voto, prefiro exercer a responsabilidade e manter a decência.

Eu não voto, não negocio com terroristas.

SEU VOTO NÃO MUDA NADA,

SUA LUTA MUDA TUDO.

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agência de notícias anarquistas-ana

na noite, o vento
vindo cheiroso de ver
madressilvas.

Alaor Chaves

[Espanha] “Defender a terra. Estados Unidos e a ecologia radical”, de José Ardillo

Estados Unidos foi um dos países pioneiros no desenvolvimento de uma “consciência ecológica”. Desde os tempos de naturalistas como Thoreau no século XIX, passando pelas políticas nacionais de preservação de zonas de bosque e de natureza selvagem, até os primeiros movimentos populares contra a deterioração ambiental e poluição do meio físico.

Na América do Norte uma forma muito avançada de civilização técnica convive com vastos espaços de natureza selvagem. Diferente da velha Europa, sua riqueza natural e selvagem pode oferecer ainda a seus habitantes a referência de grandes espaços não habitados nem perturbados pela civilização moderna.

Herdeiros da sensibilidade da contracultura, os anos 80 viram o nascimento do ecologismo radical na América: de Murray Bookchin e sua ecologia social, à ecologia profunda e a ação direta do Earth First!. Suas propostas teóricas e suas práticas de defesa dessa terra selvagem que ainda sobrevivia em seu país, servem hoje de ensino para todo movimento emancipador que faça da consciência ecológica uma de suas pedras angulares.

José Ardillo é autor de vários ensaios e novelas, alguns dos quais foram publicados por El Salmón. Este texto apareceu em Ekintza Zuzena, número 37, ano 2010, e depois o incluímos no livro Ensayos sobre la libertad em um planeta frágil, El Salmón, 2014.

Defender la tierra. Estados Unidos y la ecología radical

José Ardillo

Pasquines, 8

2023

4€

24 páginas

edicioneselsalmon.com

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Flores no jardim,
Jabuticabas no quintal!
Eis a primavera.

Mailde Tripoli

Lula Farsa Ambiental-Capitalismo Verde: “Atrair quem diz que ama a Amazônia”

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a abertura de visitação em reservas ambientais, durante evento voltado ao turismo nesta quarta-feira (18/09). “Não adianta a gente fazer reservas numa floresta qualquer, e aquilo ficar só para os mosquitos e as cobras se enxergarem”, disse.

A declaração ocorreu durante a cerimônia de sanção do Projeto de Lei nº 1829/2019, que atualiza e moderniza a Lei Geral do Turismo, no Palácio do Planalto.

“É preciso que a gente crie condições de transformar aquela reserva numa área de visitação. Vamos atrair o pessoal que diz que ama a Amazônia lá na Europa, lá no ocidente para visitar o Brasil. Tem que ter uma pick-up, uma estradazinha”, declarou Lula.

A fala do presidente Lula corroborou as declarações do presidente Arthur Lira (PP-AL), durante o mesmo evento, em defesa da visitação em áreas de reserva. A Lei Geral do Turismo, aprovada em agosto, desburocratiza, aprimora e favorece uma maior integração entre o poder público e a iniciativa privada.

Uma das mudanças promovidas pela atualização na legislação está a atualização das normas de responsabilização de agências e a flexibilização de regras de hospedagem, além de revogar legislações anteriores consideradas obsoletas.

Lula ainda afirmou que “ninguém quer fazer turismo em coisa ruim. Ninguém quer fazer turismo em cemitério, em lugar de muita pobreza, em campo de concentração, em lugar de refugiado”. “A gente precisa fazer turismo em coisas que são atrativas”, afirmou.

Fonte: agências de notícias

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no capim orvalhado
guarda-chuva de renda
a teia de aranha

Tânia Diniz

Enquanto brasileiros respiram fumaça das queimadas, petroleiras realizam “evento global” no Rio

Por Suzana Camargo| 23/09/2024

Os brasileiros passaram as últimas semanas respirando a fumaça tóxica dos incêndios que se espalharam por diversas regiões do país, agravados por uma grave estiagem e seca que parecem ter se tornado “o novo normal” para esta época do ano, uma alarmante consequência das mudanças climáticas. E justamente nesta semana, em que líderes mundiais se encontrarão na sede das Nações Unidas, em Nova York, para discutir entre outros desafios globais, a crise do clima, executivos das principais empresas petrolíferas do mundo participam de um encontro no Rio de Janeiro.

O congresso, considerado “um dos maiores eventos globais de energia”, era até então chamado de Rio Oil & Gas, mas provavelmente como hoje em dia esse nome pegaria mal, ele foi batizado agora de ROGe, Conectando Energias. Com patrocínio master da Petrobras e do Governo Federal e promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), estarão debatendo o futuro da energia ali companhias como Shell, BP, Exxon e Total – a grande maioria delas já tinha sido alertada na década de 70 que a queima de combustíveis fósseis provocaria o aumento da temperatura do planeta.

Para protestar contra o encontro no Rio – chamado por ambientalistas de “Saldão do Fim do Mundo”-, organizações da sociedade civil estão realizando uma manifestação pacífica no Boulevard Olímpico, onde acontece o congresso. Foram levados para o local um inflável gigante com a foto dos executivos das petroleiras e a frase “Eles lucram, a gente sofre”.

Além disso, em diversos bairros do Rio de Janeiro foram espalhados cartazes “para expor a responsabilidade das grandes corporações de petróleo pela atual emergência climática.”

As ONGs questionam que, mesmo que o congresso divulgue o foco em uma “transição energética justa”, a presença das petroleiras no evento levanta questões cruciais sobre a transição para um futuro sustentável.

Entre os palestrantes que aparecem como destaque no evento no Rio está a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que logo que assumiu o cargo deixou bem claro que é favor da exploração de petróleo na Foz do Amazonas e que é “o dinheiro do óleo que vai bancar a transição energética.”

“Enquanto uma parte do governo brasileiro participa da Semana do Clima em Nova York, com foco em discutir ações concretas para enfrentar a crise climática, outra parte recebe os principais executivos do setor fóssil do mundo para a “Semana brasileira do petróleo e gás”, afirma Ilan Zugman, diretor para América Latina e Caribe da 350.org. “O Brasil vem sofrendo alguns de seus piores eventos climáticos extremos, a resposta deveria ser fácil, mas até o momento não é. O país busca protagonismo internacional na agenda climática através do G20 e da COP30, então, chegou a hora de tomar suas decisões.”

“As mudanças climáticas estão gerando consequências severas, e as petroleiras parecem alheias a isso. Na COP28, em Dubai, os países signatários do Acordo de Paris concordaram com a transição energética e se comprometeram a triplicar os investimentos em energias renováveis. Mas a realidade é que as petroleiras continuam a promover a exploração de combustíveis fósseis, na contramão do que diz a ciência”, alerta Tica Minami, gerente de projetos do ClimaInfo.

Fonte: agências de notícias

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Tempo destinado
a esfregar e descorar
nódoas do passado.

Flora Figueiredo