[Argentina] Ácratas de Salta

Ácratas de Salta é um projeto de autogestão que se propõe indagar, reunir e publicar diversas fontes e estudos sobre a história do anarquismo na província argentina de Salta.

A atividade anarquista no norte argentino, mas mais precisamente na província de Salta, é praticamente desconhecida em comparação à grande quantidade de estudos, análises e fontes existentes que atestam a efervescência libertária em Buenos Aires ou Rosário. Dentro das possíveis causas encontramos um certo centralismo na hora de historiar e o grande peso que tiveram as organizações anarquistas nestas importantes cidades. Por isso tem maior relevância o saber como se desenvolveram as ideias anarquistas em uma zona tão separada dos principais centros industriais.

Os desafios não são poucos, entre os que são recorrentes, a falta de testemunhos diretos ou as escassas fontes que se conservam (seja pela repressão sofrida ao longo da história ou a pouca conservação de registros sobre as lutas no movimento obreiro saltenho). Ambos os fatores dificultam a própria tarefa de reconstruir as lutas anarquistas no norte argentino. No entanto nos apoiaremos em fontes indiretas como jornais de Tucuman, Buenos Aires, biografias de outros militantes da região ou documentos conservados exclusivamente em Arquivos do velho continente.

À medida que transitamos nesta longa viagem de reconstrução do anarquismo saltenho, nos encontramos com várias histórias que começam a contrariar uma série de ideias pré-concebidas que se tem habitualmente sobre Salta. A primeira é sobre a inexistência de uma cultura ácrata em Salta e a segunda, não menos importante, é a percepção de uma província profundamente conservadora.

Pudemos reconstruir uma série de eixos sobre a atividade anarquista de Salta entre 1900 a 1932. Entre eles podemos mencionar: o desenvolvimento da imprensa Anarquista Saltenha; o funcionamento da organização gremial anarquista nesta província; o esquema dos diversos ramais ferroviários saltenhos; a origem das diversas greves declaradas no ferrocarril “Huaytiquina” – hoje o conhecem como “Tren a las nubes”-; o papel das mulheres saltenhas nas lutas obreiras; a participação do anarquismo na formação do Club Atlético Libertad fundado em 1901. Tudo isto nos permitiu confeccionar um primeiro mapa das organizações anarquistas que existiram tanto na cidade como na província de Salta.

O ter podido reunir todo este material sobre as publicações anarquistas de Salta, nos trouxe consigo um segundo ponto a resolver, que foi como divulgá-lo. Pelo que no ano de 2016 surgiu a ideia de tornar público e compartilhar todo o material agrupado mediante o Blog Ácratas de Salta.

Ali se encontram disponíveis diversas investigações como:

  • Estudos sobre publicações periódicas anarquistas saltenhas: ¡Verdad! (1920), Despertar (1920-1921), El Coya (1924- 1930).
  • Documentos sobre os vínculos dos saltenhos com Max Nettlau.
  • Diversos exemplares de La Protesta (Buenos Aires, 1897-1904) que pertenceram a bibliotecas pessoais de anarquistas saltenhos.
  • Os primeiros esboços biográficos de militantes como: Luis Martínez Fresco, Juan Riera Torres o Modesto, Pastor e Ruben Yañez.
  • Testemunhos sobre a visita de Pietro Gori a Salta e os denominados giros de propagandas.
  • Um mapa dos principais pontos da atividade anarquista de Salta durante a época.

Ao que esperamos em breve poder somar um “dicionário biográfico” de anarquistas Saltenhos, entre outros estudos.

Convidamos a percorrer algumas das histórias do anarquismo saltenho:

https://acratasdesalta.wordpress.com

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/10/10/argentina-anarquistas-em-salta/

agência de notícias anarquistas-ana

Saudades da amada —
Caem flores de cerejeira
às primeiras luzes.

Kaya Shirao

Flecheira Libertária 780 | “Trouxa é quem acredita em sustentabilidade, igualdade de direito, democracia representativa…”

semana passada, esta e as seguintes

O país arde em chamas, as pessoas e bichos na cidade de São Paulo ficam sufocados na fumaça com o quase pior ar do planeta; os ilegalismos empresariais em alta no comércio das chamadas drogas; os candidatos a prefeito entre cadeiradas e berros de filho da puta se aprumam para o próximo debate democrático em busca das futuras benesses governamentais. Os assujeitados permanecem paralisados. Há o fogo resultante das lucratividades capitalistas. Falam que é problema nosso. E o fogo colocado a mando de empresários legais e ilegais. Problema de ninguém. E dá-lhe retórica e palavras ao vento jorrando de boquitas moles. Tem ministro dizendo que o próximo orçamento do governo deverá destinar verba para isso. Mais uma vez se explicita que o Estado é para os empresários. Trouxa é quem acredita em sustentabilidade, igualdade de direito, democracia representativa… Viva Papai Noel e o coelhinho da Páscoa!

vestidos de terno e de farda

No capitalismo, assim como no socialismo autoritário, milico também pode ser empreendedor. Nos últimos anos, escolas cívico-militares proliferaram no país. Hoje, contando apenas as unidades de ensino que integram as redes estaduais e federal, são quase 800 escolas tuteladas pelos militares. Algumas escolas privadas também aderiram ao modelo. Isso se deve, entre outras coisas, à proliferação de agências de consultoria comandadas por milicos aposentados. Estes, além de suas elevadas aposentadorias, também se beneficiam por meio de negociatas feitas com o Estado e outros empresários da educação. Isso explicita o óbvio: a educação escolar, para além da produção de obediência, também serve para encher o bolso de empresários vestidos de terno e de farda. Pouco importa. E ainda há quem diga que militar e política devem estar separados… Tudo para o bem da pátria!!! Nunca tais palavras soam tão velhas e velhacas!

>> Leia o Flecheira Libertária 780 na íntegra aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/09/flecheira780.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

no mesmo banco
dois velhos silenciam
no parque deserto

Carol Lebel

Nova data e local da Feira Anarquista no Rio de Janeiro

Já estão abertas as inscrições de expositores para a próxima Feira Anarquista no Rio de Janeiro.

Neste ano, decidimos assumir a temática dos 60 anos da ditadura empresarial-militar, a qual tem sido tratada carinhosamente (com direito a desejos de acalanto aos familiares dos apoiadores da ditadura) pela pseudoesquerda que atualmente governa o país. Diante da absurda conciliação de classe do atual governo, reforçamos o uso da memória contra a desgraça que nos assola enquanto classe trabalhadora. Memória esta que deixa mais do que claro que a única resposta da nossa parte deve ser a luta organizada contra o Capital.

26 de outubro de 2024

Centro de Cultura Social (CCS)

Rua Torres Homens, 790, bairro Vila Isabel.

Das 11h às 20h.

www.instagram.com/feira.anarquista.rj

agência de notícias anarquistas-ana

Seu olhar segue
o voo do pássaro –
será que desce?

Eugénia Tabosa

[Espanha] A 32ª edição de Bicel, o boletim informativo da FAL, já está disponível para download.

Como muitos de vocês nos pediram a última edição de Bicel, o boletim anual da Fundação, temos o prazer de compartilhá-lo com vocês. É a 32ª edição.

Como todos os anos, junto com vários textos relacionados às atividades diárias da Fundação, você encontrará vários artigos relacionados a tópicos muito interessantes. Neste caso, você pode ler vários textos relacionados à origem das festas populares em Bilbao, à colônia industrial Ciudad Pegaso (Madri), ao trintismo e seus protagonistas, à revitalização dos estudos anarquistas na América Latina, ao panorama das editoras ligadas ao movimento libertário na Espanha e às contribuições mais significativas do livro “Las sin amo”, de Antonio Orihuela; mas há mais conteúdos interessantes que você não pode perder. Descubra-os.

>> Você pode baixar este último número e outros números anteriores no espaço Bicel de nosso site:

https://fal.cnt.es/bicel-publicacion-oficial-de-la-fal/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sou definitivamente
louca do haikai.
Ele, também.

Manuela Miga

[Chile] Santiago: Reivindicação de atentado incendiário contra ônibus RED nos arredores da 58° Comissária de Carabineros

Diante do estorvo cotidiano de habitar este mundo cheio de injustiças e violências, reunimos nosso tempo e nossas forças para, ainda que seja por um breve momento, virar a maré da passividade que sujeita os ritmos da exploração e fazer de nossa raiva e sentimento de vingança uma chama que faz soar os alarmes do sistema de segurança policial e carcerário, incendiando um ônibus Red da linha I04 de baixo do nariz da 58º Comissária de Carabineros no bairro Alessandri, localizada entre Antártica com Av. Jaime Larraín.

Desta delegacia saíram os pacos que assassinaram aos irmãos Vergara Toledo no 29 de Março de 1985. Aqui, até mesmo a camarada Luisa Toledo Sepulveda se pronunciou e censurou as pessoas de cabeça vazia pela coragem revolucionária dos seus filhos e familiares.

Esta é uma ação diante da impunidade sistemática que se formou e tomou o Estado/Nação do $hile em repressões e perseguições realizadas em todo seu desenvolvimento histórico e que hoje se encontra em seu ponto de democracia malcheirosa, chorando a morte dos três únicos “bons policiais” de Cañete que tiveram a mesma boa sorte da família Luchsinger-Mackay.

Escolhemos a data 25 de Julho como nome deste grupo de afinidade, pois nessa mesma data na manhã do ano de 2019, chegou ao escritório do ex Ministro do Interior Rodrigo Hinzpeter um pacote composto de dinamite, que não chegou a ser aberto e outro pacote de pólvora negra que o chefe dos carabineiros Manuel Guzmán abriu, explodindo suas mãos e ferindo a outros oito pacos da 54° Comissária de Huechuraba. A ação foi reivindicada pelo grupo Cómplices Sediciosos/Fracción por la venganza; e pouco depois, veio a operação repressiva contra Mónica Caballero e Francisco Solar, este último acaba assumindo a responsabilidade pelas ações.

Informamos este tipo de ações aqui, pois devem ser tratadas como uma vitória para a anarquia. Que o companheiro Francisco Solar tenha sido condenado por isso, não nos diz o contrário. A ação realizou seu propósito: atacar aos poderosos. E para nós, atacá-los representa sem dúvidas um feito a ser celebrado, a se rir e se reivindicar. Também para aprender a ser replicado da melhor forma possível, para devolver com força antagônica e subversiva o dano recebido; não fiquemos de braços cruzados e nos armemos de valor. Que se faça sentir, a sintonia entre a rua e a prisão.

Esta ação é uma saudação para todxs xs que dormem sem descanso nas sofisticadas construções de reclusão e isolamento com as quais tentam separá-los dos que sentimos como irmãos. Com fogo solidário para xs companheirxs Aldo, Luas, Mônica Cabellero, Joaquin Garcia, Panda, Ru, Tortuga, Tomás e xs detidxs da madrugada de 6 de Julho no dia de comemoração da morte de Luisa Toledo.

Para Claudia López, Emilia Bau, Macarena Valdés, Mauricio Morales, Sebastián Oversluij, Matías Catrileo, Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti assassinados na cadeira elétrica em 23 de Agosto de 1927. Pela memória dxs nossxs, traremos suas ideias para o presente, na luta nas ruas, em seu discurso e subversão que nos alimenta e potencializa nossa caminhada. ¡La salute e in voi!. Aderimos a Semana Internacional de Solidariedade com xs Presxs Anarquistas de 23 a 30 de Agosto.

Tortuga: esta foi para você! Viveras eternamente no fogo anárquico. Apesar dos esforços do poder e seus carniças midiáticos vomitarem sobre tua história, a memória anárquica saberá combater com vitalidade. Os corações indomáveis continuamos ativxs procurando que viva a anarquia. ¡Luciano Pitronello, presente!

Armar-se de valor e atacar a autoridade é nossa vitória!

Qualquer ação em sua rebeldia é totalmente válida!

Belén Navarrete presente no caos e na anarquia!

Grupo de Afinidad 25 deJjulio – Nueva Subversión

Fonte: https://es-contrainfo.espiv.net/2024/08/29/santiago-chile-adjudicacion-de-atentado-incendiario-contra-bus-red-a-las-afueras-de-la-58-comisaria-de-carabineros-de-chile/

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

Ah! Oh! É tudo
O que se pode dizer —
Monte Yoshino em flor.

Yasuhara Teishitsu

I Seminário Anarquismo, Educação e Cultura

São Paulo, 21 e 22 de novembro de 2024

Universidade de São Paulo

LOCAL: Diversitas – Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos

Casa de Cultura Japonesa

Av. Prof. Lineu Prestes, 159, Subsolo, Cidade Universitária, CEP 05508-000

O Grupo de Pesquisa Anarquismo, Educação e Cultura (GPAEC) foi criado em 2024 como fruto da aproximação de professores, estudantes, pesquisadores e militantes sociais vinculados ao Diversitas (Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos – USP) com o intuito de refletir sobre as teorias e práticas de educação libertária na atualidade e ao longo da história.

Nosso interesse abrange as práticas de cultura e educação impulsionadas pelo anarquismo e as lutas autônomas e organização política radical, em regiões da Iberoamérica e concentra-se entre os séculos XIX e XXI, envolvendo os percursos territoriais, conceituais e políticos estabelecidos pelo anarquismo e lutas libertárias.

As pesquisas decorrentes deste grupo buscam trazer à tona perspectivas históricas, sociológicas e educacionais permeadas pelo anarquismo e por movimentos sociais e políticos autônomos, historicamente oprimidos. A perspectiva dos estudos busca contribuir para a diversidade científica, conceitual e política em transformação na universidade pública e na sociedade.

Como evento público inaugural realizaremos o I Seminário Anarquismo, Educação e Cultura entre os dias 21 e 22 de novembro de 2024 em São Paulo. Convidamos à todas pessoas que tenham interesse no tema, seja produzindo pesquisas acadêmicas ou autônomas, seja participando de iniciativas libertárias ou movimentos autônomos no campo da educação, a se inscreverem para apresentar trabalhos nas Mesas de Comunicação e Debate e travar um diálogo conosco e com o público presente.

As Mesas consistirão em sessões de apresentação de trabalhos com comentários de convidados, seguidos de debate com o público presente. Organizaremos as propostas em dois Eixos Temáticos:

EIXO 1: Educação Anarquista, Ciência e Cultura em Iberoamérica;

EIXO 2: Movimentos autônomos e educação libertária na América Latina.

>> Mais infos aqui: https://anarquismoeducacaoecultura.wordpress.com/

agência de notícias anarquistas-ana

Este álbum de fotos:
Também as traças se nutrem
De velhas lembranças

Edson Kenji Iura

A FACA inaugura mais uma iniciativa: Banca da Solidariedade em Favor da Vida

A Federação Anarquista Capixaba, federada à União Anarquista Federalista (UAF), juntamente com outras individualidades, apresenta o projeto Banca da Solidariedade em Favor da Vida, uma iniciativa permanente e que promete criar raízes em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Espírito Santo.

O projeto Banca da Solidariedade em Favor da Vida tem como objetivo criar um espaço comunitário voltado ao apoio mútuo, à solidariedade e à autogestão. Inspirado em princípios de horizontalidade, busca promover uma rede de ajuda entre as pessoas, onde cada indivíduo pode contribuir com o que puder e retirar o que precisar, especialmente alimentos. A ideia central é que o local funcione como uma “banca” autônoma, acessível a todos, sem intermediários ou burocracias.

Baseado na prática da economia solidária, a banca está estruturada em um ponto estratégico da comunidade, permitindo que alimentos, itens de higiene e outros bens essenciais sejam compartilhados de forma livre, voluntária e anticapitalista. Esse modelo elimina hierarquias, promovendo um sistema de troca baseado na confiança e no respeito entre os participantes.

O projeto visa, sobretudo, minimizar o impacto da insegurança alimentar, que afeta muitas famílias, especialmente em tempos de crise. Além disso, fortalece os laços comunitários, criando um senso de pertencimento e responsabilidade coletiva. A autogestão é fundamental para a sustentabilidade da iniciativa, com a própria comunidade sendo responsável pela manutenção e organização do espaço.

A Banca da Solidariedade representa uma forma concreta de resistir às lógicas excludentes do mercado e do individualismo, incentivando uma cultura de generosidade e cuidado com o outro.

Convidamos todas as individualidades, não apenas do Espírito Santo, mas de todo o território dominado pelo estado brasileiro, para espalharmos esta iniciativa!

Aproveitamos ainda para convidar você: FILIE-SE À FACA!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Contato: fedca@riseup.net

Site: federacaocapixaba.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

face à primavera
a boneca de papel
frágil a beleza

Pedro Xisto

[Espanha] Voltairine de Cleyre

Voltairine de Cleyre (1866-1912), uma mulher estadunidense um tanto esquecida dentro do rico universo libertário, uma ativista e escritora de grande talento. Seu nome, por certo, se deve a que sua família era de origem francesa e seu pai era um grande admirador de Voltaire. Em um primeiro momento, embora flertou com outras ideias, seria por exemplo admiradora de Thomas Paine, um dos representantes mais progressistas do liberalismo nos Estados unidos, mas seria a execução dos chamados mártires de Chicago um dos fatores que a levou ao anarquismo e a colaborar com Benjamin Tucker em seu jornal Liberty; como mostra de sua visão libertária ampla, foi também uma grande admiradora de Thoreau. De 1889 a 1910, permaneceria durante a maior parte do tempo na Filadélfia e ali conhecerá James B. Elliot, livre pensador, com quem terá um filho. Trabalhou como professora, tradutora e propagandista anarquista nos círculos judeus, com inumeráveis escritos, um trabalho que se comparou ao de Rudolf Rocker.

Se assinalou Voltairine como a outra grande mulher, junto a Emma Goldman, dentro do anarquismo estadunidense. No entanto, não poderiam ser pessoas mais diferentes e, podemos aceitar a priori, mas mais adiante veremos que o assunto tem muitos matizes, que ambas representem duas tendências dentro do anarquismo, aparentemente antagônicas, mas obrigadas a entenderem-se, como são o anarcoindividualismo e o comunismo libertário. Emma escreveu um artigo onde descreveu Voltairine como “a mulher anarquista mais dotada e brilhante que a América produziu”, descreveu suas vidas e esforços como unidas geralmente pela causa libertária, às vezes em harmonia e outras em oposição.

Por sua vez, Voltairine defendeu Emma Goldman de maneira enérgica ainda que aceitando suas diferenças; de fato, como podemos observar na introdução da Wikipedia, algo tendenciosa, frente ao comunismo de Goldman, ela se definiu como defensora da propriedade individual, algo muito próprio da tradição estadunidense, mas onde talvez possam se encontrar ecos de Max Stirner. Ao mesmo tempo, considerou Voltairine que a competição não seria nunca anulada totalmente pela cooperação e inclusive seria bom que assim fosse, algo que recorda a filosofia de Proudhon e suas antinomias em equilíbrio permanente sem uma instância superadora (como na dialética hegeliana e marxista). Apesar de todas essas afirmações, como veremos mais adiante, o pensamento de Voltairine irá oscilando para outros caminhos dentro do universo libertário; o que sim pode dizer-se, desta autora e do anarquismo em geral, é que não acreditava em nada preconcebido a nível social e que os diferentes modelos libertários, em ausência de uma autoridade coercitiva, deveriam ser postos em prática e demostrar-se assim qual é mais efetivo.

Haverá quem esteja tentado a incluir a figura de Voltairine de Cleyre nesta tradição ultraliberal, esse suposto individualismo norte americano que chega até a atualidade com essa aberração dos libertarians e essa falácia do anarcapitalismo; desgraçadamente, há toda uma apropriação atual do libertário, e inclusive do anarquismo, mas claro, pouco ou nada que ver. Voltando à figura que nos ocupa, Voltairine pode catalogar-se como anarquista sem nenhuma dúvida, já que apostava pela liberdade em sentido amplo e esteve ao lado sempre dos mais humildes e oprimidos, acreditou sempre na emancipação das classes mais baixas através da cultura; como veremos, em seguida, terá também uma evolução ideológica que dificulta etiquetá-la sem mais.

Bem é certo, tal e como esclarece David Martín Sánchez, autor do recente livro Voltairine de Cleyre. A pérola do anarquismo, é que sim com frequência se considera esta figura dentro do individualismo é por haver considerado sempre que ao comunismo faltava a intimidade; como é lógico, criticava toda concepção socialista paternalista e burocrática, que anulasse o desenvolvimento e a liberdade individuais.

Como boa anarquista, Voltairine defendia a igualdade e a emancipação feminina por causas diferentes as das sufragistas de sua época. Coincidia com Emma Goldman em conceber o matrimônio como uma prisão para a mulher, ainda que ao que parece foi mais além ainda e acabou criticando inclusive a união livre, já que considerava que a convivência nesse sentido anulava o desenvolvimento vital e intelectual do indivíduo. Não obstante, insistimos, ainda que se poderia qualificar a esta mulher como partidária do anarcoindividualismo em um primeiro momento, propensa a um mutualismo proudhoniano que deu tanto jogo no século XIX nos Estados Unidos, já dissemos que sofreu uma considerável evolução e logo, sem talvez abraçá-los, compreendeu também os postulados do comunismo libertário. Pode dizer-se que se aderiu finalmente a um anarquismo sem adjetivos do estilo de Ricardo Mella ou Tarrida del Mármol combatendo toda etiqueta.

De fato, algo primordial em sua evolução, em 1897 Voltairine fará uma viagem à Grã Bretanha onde permanecerá durante quatro meses e se entrevistará com Louise Michel, Rudolf Rocker, Max Nettlau e Kropotkin, que definirá como um dos grandes homens que a Rússia havia dado assim como Tolstói. Outro fato, semelhante ao dos mártires de Chicago, que lhe impressionou enormemente e que provocará talvez outro giro em seu pensamento foi conhecer anarquistas espanhóis que haviam sido torturados em Montjuic. Era assim até o ponto que passará de um anarquismo tolstoiano, mais radicalmente pacifista, a ser partidária de uma ação direta e, sim não a justificar, a compreender às vezes certos atos violentos desesperados por parte dos libertários. Em 1911, conheceu também a Revolução Mexicana, e o pensamento de Ricardo Flores Magón, entusiasmando-se com tudo isso, iniciando uma grande campanha de apoio e escrevendo de maneira regular no jornal Regeneración do próprio Magón.

Há que dizer que em 1902 sofreu um atentado por parte de um antigo aluno, onde ao que parece entraram em jogo temas pessoais de ciúmes, pelo que talvez hoje o catalogaríamos de crime machista ou de gênero. O atentado debilitou ainda mais sua frágil saúde, com diversas enfermidades crônicas, e Voltairine morreu jovem em junho de 1912. Desconhecemos como teria seguido evoluindo, diferente de Emma Goldman, que viveu a Revolução Russa e a Revolução Espanhola durante a guerra civil. Ainda assim, cremos que sua figura merece ser recordada dentro do rico universo anarquista.

Capi Vidal

Fonte: http://acracia.org/voltairine-de-cleyre/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/09/11/eua-voltairine-de-cleyre-radical-americana/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/04/08/portugal-em-lisboa-apresentacao-do-livro-escritos-a-vermelho-de-voltairine-de-cleyre/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/10/09/eua-nao-mais-esquecida-voltairine-de-cleyre-a-mais-notavel-mulher-anarquista-da-america/

agência de notícias anarquistas-ana

Ah, quanta inveja
Da maneira que termina
O namoro dos gatos.

Ochi Etsujin

[Espanha] O que é o anarquismo?

Por Miquel Amorós | 01/08/2024

É uma doutrina, uma ideologia, um método, um ramo do socialismo, um curso de ação, uma teoria política? A resposta, em princípio, é fácil: anarquismo é o que os anarquistas pensam e fazem e, em geral, aqueles que se definem como inimigos de toda autoridade e imposição. Aqueles que, de várias formas, muitas delas verdadeiramente antagônicas, buscam a “anarquia”, ou seja, uma sociedade sem governo, um modo de convivência social fora de arranjos autoritários. O anarquismo nada mais seria do que a forma de concretizar essa anarquia, que o geógrafo Reclús chamou de “a mais alta expressão da ordem”. Em que ela consiste? Existem estratégias múltiplas e contraditórias para alcançar um ideal baseado em uma negação da qual existem várias versões, e é por isso que se poderia falar mais apropriadamente de anarquismos, como faz, por exemplo, Tomás Ibáñez. Se também levarmos em conta a situação histórico-social contemporânea, em que o anarquismo já não é grande coisa, apenas um sinal de identidade jovem e semi-acadêmica que tem pouca relação com épocas passadas mais gloriosas e permanece protegido de qualquer crítica séria e objetiva, as definições poderiam continuar ad infinitum. O anarquismo seria então uma espécie de saco cheio de fórmulas díspares rotuladas como anarquistas. As portas permanecem abertas para qualquer tendência, seja ela reformista, individualista, católica, comunista, nacionalista, contemplativa, mística, conspiratória, de vanguarda etc. Sobre a alegria bem-humorada nos meios libertários resultante dessa diversidade, poderíamos concluir da mesma forma que o autor ou autores do panfleto “Da miséria do meio estudantil” (1966) sobre os membros da Fédération Anarchiste: “Essas pessoas toleram tudo, porque toleram umas às outras”. A perspectiva não é animadora, pois, nos dias de hoje, a compreensão dos fenômenos sociais e das ideologias que os acompanham depende muito de se pensar neles adequadamente, ou seja, a partir da perspectiva fornecida pelo conhecimento histórico. Mesmo hoje em dia, o anarquismo não carece de intelectuais honestos e competentes para essa tarefa. Entretanto, a característica mais comum dos anarquismos pós-modernos, aqueles que navegam na pós-verdade e repudiam a coerência, é a rejeição de tal conhecimento. Além disso, de acordo com esse anarquismo, o passado deve ser intervencionado a partir do presente, como uma fonte de recursos estéticos, de acordo com a normatividade lúdica, a gramática transgênero e os hábitos gastronômicos da moda. O comprometimento, além disso, é efêmero. Em resumo, com a exceção voluntária de alguns núcleos sindicalistas, o anarquismo foi reduzido a um fenômeno de feira de livros. Nós, que navegamos na direção oposta, tentaremos explicar essa aspiração constante por uma organização social sem governo, depois sem Estado, sem autoridade separada, remetendo às suas origens onde elas se encontram, nos setores radicais das revoluções populares do século XIX.

>> Para ler o texto na íntegra em castelhano, clique aqui:

https://alasbarricadas.org/noticias/node/55311

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Pássaros em silêncio.
Noturna chave
tranca o dia.

Yeda Prates Bernis

[Grécia] “Pavlos vive na luta contra o fascismo, a pobreza e a guerra”: Grande marcha antifascista em Atenas

O 11º aniversário do assassinato do rapper antifascista Pavlos Fyssas foi lembrado na tarde desta quarta-feira (18/09) com uma concentração em Keratsini, Atenas, onde Fyssas foi mortalmente esfaqueado por um membro do partido neonazista Aurora Dourada.

Em seguida, por volta das 17h30, uma passeata com milhares de pessoas partiu do monumento dedicado a Fyssas, também conhecido pelo nome artístico Killa P. Os manifestantes marcharam por várias ruas do centro de Atenas.

Slogans em memória de Pavlos Fyssas e contra a extrema direita foram gritados por aqueles que participaram da passeata, com suas faixas escritas com palavras de ordem contra o racismo e o fascismo. A presença dos polícias do MAT [tropa de choque] foi intensa.

Na noite de terça-feira (17/09), milhares compareceram a um concerto antifascista no Parque Multifuncional Lipasmata, em Drapetsona, Pireu.

Fyssas foi assassinado em 18 de setembro de 2013 por Giorgos Roupakias em um café local. Giorgos  era militante ativo do partido neonazista Aurora Dourada.

Mobilizações também ocorreram no centro de Tessalônica, Patras, Volos, Ioannina, Heraklion e em muitas outras cidades do país.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/09/15/grecia-10-anos-desde-o-assassinato-do-antifascista-pavlos-fyssas-manifestacao-18-09/

agência de notícias anarquistas-ana

chuva fina
tarde esfria
todo o lago se arrepia

Alonso Alvarez

IV Congresso Internacional de Investigação sobre Anarquismo(s) | Santiago do Chile, 08 a 11 de outubro de 2025

Segunda CIRCULAR | Setembro 2024

Por meio desta segunda circular, o Grupo Organizador do IV Congresso Internacional de Investigação sobre Anarquismo(s) informa a estudantes, acadêmicos/as e investigadores/as, com ou sem formação universitária, e interesse em participar deste encontro, que se estende o prazo para envio de resumos até 30 de setembro de 2024.

O Congresso se realizará em Santiago do Chile, entre os dias 08 e 11 de outubro de 2025. As três primeiras jornadas acontecerão nas dependências da Universidade de Santiago do Chile (USACH), enquanto que a jornada de encerramento consistirá em uma feira do livro anarquista a realizar-se em um espaço pertinente ainda por definir.

O IV Congresso Internacional de Investigação sobre Anarquismo(s) é uma instância presencial, pois se busca facilitar o intercâmbio imediato de ideias, o debate e a colaboração, enriquecendo a experiência coletiva e possibilitando a criação de redes. Não obstante, se considerará a possibilidade de apresentar palestras em formato virtual.

LINHAS TEMÁTICAS PARA ENVIO DE RESUMOS E PALESTRAS

  • Anarquismo, anarcossindicalismo e movimento obreiro;
  • Biografias de anarquistas e trajetórias militantes;
  • Anarquismo transnacional: redes, circulações e intercâmbios;
  • Repressão do anarquismo;
  • O anarquismo nos movimentos sociais;
  • Anarquismo, gênero e sexualidade;
  • Educação e pedagogia anarquista;
  • Imprensa anarquista e cultura impressa;
  • Anarquismo, arquivos e bibliotecas;
  • Anarquismo e perspectivas teóricas;
  • Pensamento anarquista, decolonialidade e povos indígenas;
  • Artes e estéticas anarquistas;
  • Anarquismo e questão urbana;
  • Reflexões historiográficas desde o anarquismo;
  • Atualidade do anarquismo.

CRONOGRAMA

Prorrogação do prazo para envio de resumos: 30 de setembro de 2024.

Aceitação de resumos: 30 de novembro de 2024.

Envio de palestras: 31 de março de 2025.

Data do IV Congresso: 08 a 11 de outubro de 2025.

MAIS INFOS:

4Congresoanarquismos@gmail.com

Página web: https://4Congresoanarquismos.noblogs.org/

Facebook e Instagram: @4Congresoanarquismos

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

alta madrugada,
vaga-lumes no jardim
brincam de ciranda

Zemaria Pinto

[Espanha] Vídeo completo da palestra ‘A Revolução dos Cravos, 50 anos depois: uma visão anarquista’

Agora você pode acessar a palestra completa A Revolução dos Cravos, 50 anos depois: uma visão anarquista, ministrada pelo jornalista e fotógrafo Demetrio E. Brisset, que cobriu os eventos para diferentes mídias internacionais e espanholas.

Lembramos que em nosso canal do YouTube você encontrará um bom número de palestras, todas elas realizadas na sede de nossa fundação. Incentivamos você a visitá-lo e a se inscrever.

>> Assista o vídeo aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=0yOLwe1Bbbs

fal.cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

Tapete de flores
Borboletas coloridas
Natureza bela.

Andréia Bini de Souza Nascimento

[Espanha] ExPresión Nº 113 | Setembro 2024 (1ª quinzena)

Genocídio permitido

Mais de 40.000 mortos, 100.000 feridos e todos os cadáveres sem verificar que diariamente acontecem em Gaza, Cisjordânia e demais localidades.

Sem luz nem água, sem hospitais, sem alimentos, sem refúgios nem lugares onde correr.

O assédio de Gaza está planejado pelo Governo de Israel e suas forças militares para exterminar a população palestina. Não consumas seus produtos, nem vá a espetáculos onde participem «artistas», desportistas ou equipes israelenses. Boicote ou faça tudo o que imaginar para ferrá-los. Tudo o que façamos é pouco. Acertemos onde mais lhes doa!

Pelo direito de viver em sua terra do povo palestino!

>> Leia-Baixe aqui:

https://drive.google.com/file/d/11YAL0Hf6bUdOj4aXUzUE-hgzP48HF3xe/view

agência de notícias anarquistas-ana

velho haicai
séculos depois
o mesmo frescor

Alexandre Brito

[EUA] Anarquista suburbano ex-presidiário é acusado de depredar carro da polícia durante protesto contra o partido democrata

Por Barb Markoff Christine Tressel | 26/08/2024

Jeremy Hammond cumpriu uma sentença de 10 anos de prisão em um dos maiores escândalos de hacking da história.

Ele se tornou um grande nome no mundo do hacking criminoso há 20 anos, chegando a ser preso em uma prisão federal por comprometer informações pessoais de uma empresa de inteligência privada. Hammond chamou isso de desobediência civil eletrônica. O ex-presidiário está enfrentando novas acusações criminais por suposto comportamento de hooligan durante os protestos da Convenção Nacional Democrata (DNC).

No confronto mais violento com a polícia de Chicago durante a DNC na semana passada, que começou do lado de fora do consulado israelense em Chicago, as autoridades acusaram Hammond de pintar com spray um símbolo anarquista em um carro de patrulha da polícia de Chicago, de acordo com um relatório policial obtido pela I-Team. O vandalismo de Hammond teria ocorrido enquanto um policial de Chicago o observava e depois o levou sob custódia.

Hammond não é estranho ao sistema de justiça criminal. A I-Team começou a fazer reportagens sobre o nativo de Glendale Heights quando ele tinha 20 anos e era o rosto por trás do termo “hacktivista”.

Em 2013, Hammond foi condenado a uma década atrás das grades, depois de liderar um grupo de hackers conhecido como Anonymous numa invasão à empresa de inteligência privada Stratfor. Os investigadores afirmam que eles roubaram dados de cartões de crédito e registros pessoais de centenas de milhares de clientes, ganhando US$ 700.000 em cobranças ilegais.

Há dois anos, o juiz federal de Chicago Edmond Chang antecipou o fim da supervisão do tribunal sobre Hammond, citando sua “bem-sucedida transição de volta à sociedade”.

A polícia de Chicago afirma que isso acabou neste ano, no dia de Ano Novo, quando ele foi acusado de tentar tomar a ponte da State Street com um grupo de pessoas, disparar explosivos ilegais e colocar em risco os policiais e o público. As acusações foram posteriormente retiradas.

Depois veio a nova acusação durante a frenética manifestação pró-palestina da última terça-feira.

“Uma das principais condições da liberdade supervisionada é que o réu não cometa um crime, e parece que ele o fez, talvez em várias ocasiões. Veremos onde os casos vão parar, mas isso não teria sido bem visto se tivesse acontecido antes do término de sua sentença”, disse o ex-procurador federal e analista jurídico chefe da ABC7, Gil Soffer.

Hammond está fora da prisão sob fiança até uma data de julgamento em outubro. Se ele tivesse sido preso por essas acusações enquanto estava em liberdade condicional, as autoridades teriam o direito de levá-lo de volta à prisão simplesmente por ter sido preso. Mas ele estava livre e isento desse caso quando foi levado sob custódia no dia de Ano Novo e novamente na semana passada na DNC.

Fonte: https://abc7chicago.com/post/dnc-protests-glendale-heights-ex-con-jeremy-hammond-charged-defacing-chicago-police-car-during-israeli-consulate-protest/15233287/

Tradução > anarcademia

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/11/20/eua-o-preso-politico-anarquista-jeremy-hammond-foi-transferido/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2013/11/26/eua-declaracao-do-anarquista-e-hackativista-jeremy-hammond-ao-tribunal/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2013/11/19/eua-hacker-anarquista-e-condenado-a-10-anos-de-prisao/

agência de notícias anarquistas-ana

galho partido
depois da tempestade
caminho de formigas

Alexandre Brito

Agro é morte! Acabar com o latifúndio! Salvar a vida!

Contra o desmatamento, por uma Terra saudável!

Comunicado Nacional FOB

Nas últimas semanas, cada vez mais tem surgido novas notícias sobre a presença alarmante de fumaça no céu de todo território do povo brasileiro, mas muitas vezes não é apontado o que causa tal problema em nosso dia a dia.

A principal resposta é o LATIFÚNDIO, o latifúndio é a concentração de terras na mão de poucas pessoas que vieram, em maioria de famílias milionárias que lucram e lucraram com a exploração do povo.

O DESMATAMENTO a partir de QUEIMADAS é motivado pela ambição e mais e mais terras para gado, que será alimentado pela mão de trabalhadores pobres e depois será vendido no mercado para as famílias pagarem caro pelo alimento.

Além de ATAQUES CONTRA TERRITÓRIOS INDÍGENAS que continuam crescendo e sendo divulgado nas mídias toda semana, não pense que é coisa de 500 anos atrás, o ataque contra povos indígenas pelas terras de suas comunidades se mantém até hoje.

O ESTADO e seus GOVERNANTES não fazem nada para impedir o estrago ambiental do agronegócio e da mineração. Fica mais claro quando não atenderam as reivindicações dos trabalhadores do IBAMA que tentar fazer seus trabalho de preservação. Pelo contrário o governo virou as costas.

Agora que sabemos a causa, como podemos combater isso?

Nos organizando!

O povo não pode esperar que o governo tome providências por pura boa vontade, independente de governo Bolsonaro ou Lula, a estrutura do Estado se mantém e somente a luta pela terra, garantindo fim do latifúndio e uma ecologia social para preservação das nossas riquezas naturais em nosso territórios poderemos reverter essa destruição no planeta.

Através da ocupação de terras e o desenvolvimento de comunidades com hortas comunitárias, produção agroecológica, reflorestamento, preservação da vegetação e dos rios construiremos um mundo novo, com os seres humanos sendo parte da natureza, não somente a explorando.

É preciso colocar a questão ambiental em nosso dia a dia. Na nossa quebrada, escola e trabalho. Nos autoorganizarmos para construir e defender nossos territórios com base no apoio mútuo.

Organize-se na FOB e construa a luta de defesa de seu território!

Organizar a sociedade por terra e natureza!

Fim do plano safra para o agronegócio!

Terras desmatadas para agrofloresta dos povos!

Confisco de terras de mandantes de crimes ambientais

Construir uma greve geral climática!

lutafob.org

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/16/semana-de-acao-pela-terra-e-contra-o-agro-de-21-a-28-de-setembro/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/03/queimadas-a-loucura-do-capital-incendeia-o-brasil/

agência de notícias anarquistas-ana

Bolha de sabão.
Uma explosão colorida
sem nenhum estrondo.

Maria Reginato Labruciano

[Chile] Os nossos são eternos

A ofensiva não se esquece de ninguém. Estendemos abraços, contenção, carinho, amor e apoio a todos aqueles que tiveram um ano difícil com a perda de um ente querido.

“LUPI”, Luciano Balboa

 17/12/2001

08/08/2024

“TORTUGA”, Luciano Pitronello

03/11/1988

11/08/2024

BELÉN, Belén Navarrete.

16/03/1994

21/08/2024

“RISUEÑO”, Alonso Verdejo

27/03/1997

08/092024

Ninguém morre aqui, companheiros e companheiras

Fonte: Buskando La Kalle

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/11/chile-51-anos-do-golpe-companheiro-alonso-verdejo-assassinado-por-fascista-durante-marcha-ao-cemiterio-geral/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/02/chile-santiago-em-memoria-de-uma-guerreira-anarquista-palavras-de-despedida-para-belen-navarrete/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/08/16/chile-nunca-nos-esqueceremos-de-voce-querido-companheiro/

agência de notícias anarquistas-ana

Funazushi –
Sobre o castelo de Hikone
paira uma nuvem

Buson