[Reino Unido] Entrevista do Cowley Club: “Toda comunidade pode se beneficiar de um centro social”

Um dos centros sociais mais antigos em funcionamento do Reino Unido, o Cowley Club, em Brighton, é estruturado como uma cooperativa gerida por membros.

Entrevistado por Zosia Brom ~

Você pode nos contar quem são vocês, como tudo começou e quais são suas atividades?

Somos o Cowley Club, um centro social em Brighton, nós estamos atuando desde 2003, ou seja, por um bom tempo. Tudo começou com a necessidade de um espaço que não apenas promovesse os princípios anarquistas de organização, mas também servisse como um centro comunitário para diversos movimentos ativistas.  Ao longo dos anos, nos transformamos em um coletivo com uma ampla variedade de atividades. Temos um café vegano que serve comida deliciosa, uma livraria anarquista onde você pode encontrar de tudo, desde teoria até zines, e um banco de alimentos para os necessitados. Mas isso não é tudo!

Também oferecemos um espaço de encontro para diferentes grupos ativistas – pense nele como uma base para organizações populares. Nossa biblioteca é abastecida com literatura radical e organizamos eventos culturais abertos a todos.

Trata-se de criar um ambiente onde as pessoas se sintam bem-vindas e possam engajar-se em discussões e ações que importem para elas. Honestamente, estamos sempre procurando maneiras de expandir nossas atividades, então quem sabe o que vem a seguir na pauta do dia?

Quais são os valores fundamentais que orientam o Clube e como vocês garantem que esses valores sejam refletidos nas atividades diárias?

Citando o texto em nosso quadro de abertura: “Por um sistema social baseado no apoio mútuo e na cooperação voluntária: contra todas as formas de opressão. Para estabelecer uma participação na prosperidade geral para todos – a derrubada das barreiras raciais, religiosas, nacionais, de gênero e sexuais – para resistir à destruição ecológica e para lutar pela vida em uma terra”. Em termos mais simples, somos guiados por princípios anarquistas de organização popular e pelo lema “sem deuses, sem gerentes” [1] e estamos tentando, tanto quanto possível, que todos esses valores sejam refletidos na forma como nos organizamos no cotidiano e permanecer livres da influência dos partidos políticos, mesmo os “progressistas”.

Por que vocês acham que manter centros sociais como Cowley é importante?

À medida que o mundo que nos rodeia se torna cada vez mais sombrio – graças ao aumento do custo de vida, à gentrificação desenfreada e à ameaça iminente de colapso ecológico – espaços como o Cowley Club tornam-se mais cruciais do que nunca. Oferecemos uma alternativa às estruturas opressivas que nos são impostas, mostrando diferentes maneiras de organizar nossas vidas. Não se trata apenas de ter um lugar para frequentar; trata-se de criar um suporte para o movimento, um espaço para as pessoas se reunirem, socializarem e planejarem mudanças.

Nestes tempos turbulentos, centros sociais como o nosso desempenham um papel vital promovendo resiliência e solidariedade comunitárias. Lembram-nos que não estamos sozinhos nesta luta e que podemos trabalhar juntos para construir um mundo que se alinhe com os nossos valores – um mundo baseado na cooperação e no apoio mútuo, em vez da competição e do individualismo.

Qual o papel do clube no fortalecimento do ativismo local e como vocês se envolvem com outros movimentos populares em Brighton e para além?

Em primeiro lugar, nosso objetivo é fornecer espaço acessível para projetos e grupos importantes na área. Hospedamos uma série de organizações, incluindo a Federação Solidária, Cruz Negra Anarquista, Antifascistas de Brighton, e Sabotadores de Caça de Brighton [2]. Esses grupos usam nosso espaço não apenas para se reunir, mas também para arrecadar fundos e traçar estratégias. Algumas das iniciativas são de longo prazo, enquanto outras surgem em resposta a necessidades imediatas – elas são igualmente importantes no plano das coisas.

Também adoramos organizar conversas sobre livros, discussões, exibições de filmes e eventos de apoio a prisioneiros. Cada uma dessas atividades ajuda a cultivar um senso de comunidade e a incentivar o diálogo em torno de questões urgentes. Honestamente, adoraríamos fazer ainda mais, mas muita da nossa energia é dedicada a garantir que possamos manter as portas abertas e a luz acesa. É um ato de malabarismo, mas cada evento e reunião contribuem para a trama do ativismo local e reforçam a ideia de que estamos todos juntos nessa.

Que impacto o Cowley Club teve na comunidade de Brighton?

Ao longo dos anos, eu diria que o Cowley Club causou um impacto bastante significativo na comunidade de Brighton. Fornecemos um espaço onde as pessoas podem se conectar, se organizar e desenvolver um senso de pertencimento. A visibilidade das nossas atividades contribuiu para normalizar as discussões em torno do anarquismo e do ativismo popular, tornando estes conceitos mais acessíveis ao público em geral.

Também servimos como rede de apoio durante as crises, seja através do nosso banco de alimentos ou organizando eventos que aumentem a conscientização sobre questões sociais. Ao oferecer um espaço seguro para as pessoas se reunirem e aprenderem, encorajamos muitos indivíduos a envolverem-se no ativismo nas suas próprias comunidades. As relações aqui formadas estendem-se, muitas vezes, para além dos nossos muros, criando redes permanentes de solidariedade.

Como vocês vêem o papel de centros sociais como o Cowley Club evoluindo no futuro?

À medida que o mundo continua a mover-se em um espiral de crises – sociais, ecológicas e econômicas – o papel dos centros sociais como o Cowley Club se tornará, sem dúvida, ainda mais vital. Estes espaços serão essenciais não apenas para fornecer recursos, mas para nutrir a próxima geração de ativistas e organizações.

Diante dos desafios constantes, precisaremos nos adaptar e evoluir, encontrando novas maneiras de atender às necessidades de nossa comunidade, permanecendo leais aos nossos princípios anarquistas. Nós vemos Cowley como um lugar onde surgem soluções criativas, onde as pessoas podem experimentar novas ideias e práticas de organização. Quer se trate de enfrentar a crise do custo de vida ou de responder a desastres ecológicos, queremos estar na vanguarda da criação e partilha de recursos que capacitem outros a agir.

Que projetos ou iniciativas futuras estão em preparação pelo Cowley Club?

Existem muitos planos e ideias circulando por aí, mas atualmente estamos limitados pelo fato de que nossos voluntários fazem o que podem. A realidade é que precisamos encontrar um equilíbrio entre o que queremos fazer e o que podemos efetivamente alcançar com os nossos recursos atuais.

Como o Clube é financiado e quais são os desafios financeiros de gerir tal espaço?

Temos uma mescla de fontes de financiamento para manter o Cowley Club funcionando. Principalmente, nós contamos com o bar e vários eventos que organizamos, além do apoio de uma cooperativa habitacional que tem uma unidade em nosso prédio e de doações de nossos apoiadores. Mas sejamos realistas: os desafios financeiros estão sempre presentes. Tudo fica cada vez mais caro – taxas de juros, serviços públicos, você escolhe!

Nosso prédio tem mais de um século e com isso vem a necessidade constante de reparos, grandes e pequenos. Além disso, estamos lidando com algumas dívidas históricas que estamos trabalhando para quitar. Custava mais de £ 3.000 por mês para manter o local funcionando e muitas vezes, parece uma luta constante garantir todo esse dinheiro. Estamos todos trabalhando juntos para encontrar maneiras de arrecadar fundos e manter nosso espaço.

Qual o papel dos voluntários nas ações diárias do Clube?

Os voluntários são o coração do Cowley Club. Todo o lugar funciona com a força voluntária – sem eles, simplesmente não existiríamos. Eles tomam conta de tudo, desde servir no café e organizar eventos até manter a livraria abastecida e o espaço limpo. É uma situação em que todos estão a postos, e nós realmente valorizamos cada voluntário que atravessa nossas portas.

Quanto mais voluntários tivermos, mais energia poderemos gerar, e isso abre a oportunidade para ainda mais projetos e atividades. Trata-se de construir uma comunidade de pessoas que compartilham uma visão comum e desejam contribuir para algo maior do que elas mesmas. Além disso, é uma ótima maneira de conhecer pessoas que pensam como você e aprender novas habilidades ao longo do caminho!

Se alguém lhe dissesse que está planejando abrir seu próprio centro social, com base na experiência de funcionamento do Cowley, que conselho você daria?

Em primeiro lugar, eu diria: vá em frente! Há uma necessidade real de mais espaços como este e todas as comunidades podem beneficiar-se de um centro social. Mas meu conselho seria planejar bem. Faça sua pesquisa e converse com pessoas que têm experiência em gerir centros sociais – há uma riqueza de conhecimento por aí, e aprender com os acertos e erros dos outros pode economizar muito tempo e esforço.

Tenha em mente que cada área tem sua vibração única e o que funciona em um lugar pode não ser transposto diretamente para outro. Portanto, embora seja ótimo obter inspiração de outros projetos, mantenha-se flexível e adaptável às necessidades da sua própria comunidade. Por último, não se esqueça de se divertir! Construir um centro social é criar um espaço que reflita seus valores e reúna as pessoas. Abrace a jornada e os relacionamentos que você construirá ao longo do caminho.

Notas

[1] No original: “no gods, no managers”, em provável alusão ao lema “no gods, no masters” (sem deuses, sem mestres).

[2] No original: Solidarity Federation, Anarchist Black Cross, Brighton Antifascists e Brighton Hunt Saboteurs. A última organização refere-se a um grupo que atua, desde a década de 1960, sabotando a prática de caça de animais selvagens na região, ver: https://brightonhuntsaboteurs.wordpress.com/

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/10/09/cowley-club-interview-every-community-can-benefit-from-a-social-centre/

Tradução > mariposa

agência de notícias anarquistas-ana

Flores ao vento.
Na cortina da janela
Cores da primavera.

Alonso Alvarez Lopes

Ondas de calor ameaçam colapsar ecossistemas, incluindo o Amazonas

Aquecimento da temperatura terá variadas consequências, como a queda da fertilidade, prevê relatório sobre ciência climáticas.

O aumento das temperaturas globais está perturbando processos vitais nos oceanos, levando a Amazônia ao limite de um colapso em grande escala e colocando em risco uma geração ainda não nascida, aumentando as chances de complicações na gravidez.

Essa é uma das conclusões do relatório anual ’10 Novos Insights em Ciência Climática’, lançado pela The Earth League, um consórcio internacional de cientistas e especialistas em clima.

O trabalho revela o impacto das mudanças climáticas que podem reverter décadas de progresso em saúde materna e reprodutiva, contribuir para eventos de El Niño mais extremos e causadores de prejuízo, além de ameaçar a Amazônia, um dos mais importantes sumidouros naturais de carbono, juntamente com outros sete insights climáticos cruciais.

O relatório foi elaborado para subsidiar os formuladores de políticas com o conhecimento mais recente disponível. As informações científicas foram sintetizadas para destacar as implicações políticas que podem orientar as negociações na COP29, que ocorre em novembro, no Azerbaijão, e direcionar as políticas nacionais e internacionais.

“O relatório confirma desafios em escala planetária, desde o aumento das emissões de metano até a vulnerabilidade de infraestruturas críticas”, diz Johan Rockström, co-presidente da The Earth League e diretor do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático, na Alemanha.

“Ele mostra que o aumento do calor, a instabilidade dos oceanos e a possível virada da Amazônia podem empurrar partes do nosso planeta além dos limites habitáveis. No entanto, também oferece caminhos claros e soluções, demonstrando que, com ação urgente e decisiva, ainda podemos evitar resultados incontroláveis.”

“O relatório revela o alcance dos impactos da mudança do clima em diferentes sistemas ecológicos, econômicos e sociais. Com menos ambientes habitáveis, a migração de populações pode se intensificar. Também existe um impacto importante na saúde materna, que pode perdurar por gerações”, afirma Mercedes Bustamante, professora da UnB (Universidade de Brasília) e membro do conselho editorial da publicação.

Segundo ela, no Brasil, há uma articulação entre as ações do país para reduzir o desmatamento e a degradação da Amazônia e as iniciativas internacionais para diminuir as emissões de gases de efeito estufa, que afetam o bioma de forma sinérgica.

Apesar dos desafios globais em intensificação, ela ressaltou haver um conjunto de políticas e soluções que podem ser implementadas para enfrentar as mudanças climáticas de maneira eficaz. Diante das ameaças à saúde materna, essas soluções integram, por exemplo, ações de equidade de gênero e justiça climática.

O relatório também destaca dois grandes desafios para o mundo natural. O aquecimento dos oceanos persiste e os recordes de temperatura da superfície do mar continuam a ser quebrados, levando a eventos de El Niño mais severos do que se compreendia anteriormente.

Segundo o relatório, as perdas econômicas globais adicionais projetadas devido ao aumento na frequência e intensidade do El Niño, resultante do aquecimento global, podem chegar a quase 100 trilhões de dólares ao longo do século 21.

A série ’10 Novos Insights em Ciência Climática’, lançada com a UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) nas COPs desde 2017, é uma iniciativa colaborativa da Future Earth, da The Earth League e do Programa Mundial de Pesquisa Climática, sintetizando os principais desenvolvimentos recentes na pesquisa sobre mudanças climáticas.

O relatório deste ano representa o esforço coletivo de mais de 80 pesquisadores de destaque, provenientes de 45 países.

Os 10 insights

Metano: Desde 2006, os níveis de metano aumentaram drasticamente. Já existem soluções econômicas, mas políticas rigorosas são necessárias para reduzir suas emissões nos setores de combustíveis fósseis, resíduos e agricultura.

Poluição do ar: A redução da poluição atmosférica melhora a saúde pública, mas afeta o clima de forma complexa, exigindo que as estratégias de mitigação e adaptação levem isso em consideração.

Calor extremo: Temperaturas e níveis de umidade crescentes estão tornando partes do planeta inabitáveis. Planos de ação contra o calor precisam priorizar os grupos mais vulneráveis.

Saúde materna e reprodutiva: Extremos climáticos estão prejudicando a saúde materna, ameaçando décadas de progresso. Soluções precisam integrar equidade de gênero e justiça climática.

Mudanças nos oceanos: O aquecimento dos oceanos agrava eventos de El Niño e ameaça a estabilidade de sistemas marinhos, podendo causar perdas econômicas globais massivas.

Resiliência da Amazônia: A diversidade biocultural ajuda a Amazônia a resistir às mudanças climáticas, mas essas ações locais precisam ser complementadas por reduções globais de emissões.

Infraestruturas críticas: Infraestruturas estão cada vez mais vulneráveis a desastres climáticos. Ferramentas de IA podem auxiliar a torná-las mais resilientes.

Desenvolvimento urbano: Poucas cidades integram mitigação e adaptação em seus planos climáticos. Uma abordagem que combine fatores sociais, ecológicos e tecnológicos pode ajudar no desenvolvimento resiliente.

Minerais de transição energética: A demanda por minerais de transição está aumentando, assim como os riscos na cadeia de suprimentos. Melhor governança é essencial para uma transição justa.

Justiça climática: A aceitação pública das políticas climáticas depende de sua percepção de justiça. A exclusão dos cidadãos no processo de formulação pode gerar resistência.

Fonte: Agência Bori.

federacaocapixaba.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

Procurando pouso
Na rua movimentada,
Borboleta aflita

Edson Kenji Iura

Um viva aos subversivos

Só acredito nos malditos,

nos incompreendidos,

nos marginais e proscritos.

.

Duvido, sinceramente,

de todos os obedientes

que sustentam, mansamente,

a ordem estabelecida.

.

Um viva a todos os insurgentes e subversivos!

Um brinde aos que sonham!

Carlos Pereira Júnior

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agência de notícias anarquistas-ana

À beira da estrada
A flor do hibisco, e o cavalo
De pronto a comeu!

Bashô

[EUA] Vote em Ninguém!

Ninguém está do seu lado.

Ninguém fala a verdade.

Ninguém defenderá a sua liberdade.

Ninguém é independente de verdade.

Ninguém vai parar as guerras.

Ninguém vai parar de armar Israel.

Ninguém vai restaurar o povo ao poder.

Ninguém vai desafiar o poder dos bancos.

Ninguém vai parar o roubo sistemático da riqueza coletiva.

Ninguém vai desafiar a criminocracia global do mal.

Vote em Ninguém!

Fonte: https://thepolarblast.wordpress.com/2024/11/02/vote-for-nobody/

Tradução > anarcademia

Nota:

As eleições de 2024 nos Estados Unidos estão programadas para serem realizadas, em grande parte, na terça-feira, 5 de novembro de 2024.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/11/01/eleicao-e-farsa-democracia-tambem-aqui-ou-acola/

agência de notícias anarquistas-ana

cada haikai
uma nova peça
num quebra-cabeça sem fim

George Swede

 

Evento Anarcopunk em SP, 09/11: Som, Debate y Combate Anticolonial

Sallllveeee!!! Mantendo o nosso compromisso com as lutas de nossa ancestralidade guerreira indígena, com as causas Anarquistas e Punk nas periferias, aldeias e favelas dessas terras de Piratininga e Pindorama, nós d@ Coletiv@ AnarcoPunk Aurora Negra temos a satisfação de convidar todes para mais uma atividade de reflexão, debate, organização, confraternização e luta, aqui em nosso espaço Biblioteca Romeu Ritondalli e Arquivo Memória Viva AnarcoPunk. Precisamos falar sobre as Lutas Anti-coloniais e a necessidade de “Desbrasilizar” o “bra$il” e reivindicarmos as terras de Pindorama de volta, recontando a nossa própria história, dentro desses territórios de Abya Yala, nessas terras que foram patenteada de bra$il. Em prol da liberdade e o bem viver.

O bra$il é uma invenção dos portugueses/colonizadores e essa colonização tem que deixar de existir. A destruição da natureza, da fauna e da flora, os saques, estupros e explorações, as catástrofes climáticas e os genocídios constantes no território dominado pelo e$tado bra$ileiro, há mais de 524 anos nos impedem de viver a nossa própria vida, nossas culturas, nossas línguas e ritos. Em troca de uma vida injusta e medíocre dentro dessa sociedade civilizada, pacificada, falida e repressora. Dominada hoje pelo capitalismo e a ganância global, que nos mata dia após dia, mas com bases no mesmo velho modo colonial de ser. Queremos outra coisa. Chega! Já basta!

Na ocasião, estaremos recebendo aqui em nosso território o companheiro Júlio Guató (ativista indígena, professor e escritor), Federico Ferretti (Militante da Federação Anarquista Italiana-FAI e professor da universidade de Bologna) e Johnny (Coletivo AnarcoPunk Aurora Negra/Revolta Popular), que irão fomentar o debate sobre todos esses temas, suas vivências, ideias e pesquisas. Logo após o debate, teremos som com as bandas: Degeneração, Pindorama e Revolta Popular. Haverá comes e bebis, exposição de materiais libertários e muita troca de ideias, a partir das 15h, do dia 09/11/2024. Atividade para quem gosta de não viver mais do mesmo!!! Tragam as crianças e seus materiais para troca ou exposição. Venham somar com a gente!

Contatos: e-mail: col.auroranegra@gmail.com

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Primavera-me
Borboleta anarca
Flui sem dizer nada

Nanû da Silva

Bakunin manda o recado, curto e grosso

Eleição é farsa!!! Democracia também. Aqui ou acolá!

[Alemanha] Antifascista em fuga preso em Berlim

Ações de solidariedade sendo organizadas para com “Nanuk”, acusado de atacar nazistas na Saxônia

Juju Alerta ~

O antifascista Thomas J., também conhecido como “Nanuk”, foi preso por investigadores do Departamento de Polícia Criminal do Estado da Saxônia em Berlim na segunda-feira, 21 de outubro, informa a mídia alemã. Após sua prisão, ele foi levado perante um juiz em Karlsruhe e está sob custódia desde então. Além disso, duas casas foram revistadas em Berlin-Kreuzberg e Berlin-Mitte.

As autoridades estaduais estão atualmente na procura de múltiplos antifascistas escondidos. Supostamente conectados ao caso “Antifa Ost” – no qual um grupo de antifascistas foi condenado a penas de prisão por ataques a nazistas desde 2019. Nanuk é acusado também de participar do ataque de 2019 ao Tribunal Federal de Justiça em Leipzig.

Inicialmente, as investigações sobre o ataque de Leipzig se concentraram na Seção 129a (filiação a uma organização terrorista), que permite poderes investigativos expandidos, como explorar secretamente históricos de bate-papo em smartphones ou grampear apartamentos, como já aconteceu antes no caso Antifa Ost. No entanto, este caso foi encerrado em junho e acusações individuais de incêndio criminoso e danos materiais foram encaminhadas ao Ministério Público.

Ocorrendo logo após a deportação para a Hungria de Maja T, outre antifacista, esta investigação reflete uma nova dimensão de repressão visando indivíduos envolvidos em movimentos antifascistas. Também conectada ao caso de Budapeste está a prisão em maio da antifascista Hanna, em Nuremberg. No caso dela, o Ministério Público Federal está agora tentando fabricar uma acusação de tentativa de homicídio, porque ela teria participado de ataques a fascistas durante uma contramanifestação por ocasião do anual “Dia da Honra” em Budapeste.

Após a prisão de Nanuk, grupos antifascistas organizaram manifestações de solidariedade em várias cidades alemãs. O grupo de solidariedade do julgamento Antifa Ost declarou que as autoridades estaduais estavam tentando “usar a teoria da ferradura para equiparar nossos camaradas aos nazistas que foram atacados”. O grupo de solidariedade enviou também “força a todos aqueles que escaparam com sucesso das autoridades, a todos aqueles atrás das grades e aqueles de fora que continuam a lutar pelas ideias que o estado tenta suprimir”.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/10/28/antifascist-in-hiding-arrested-in-berlin/

Tradução > Alma

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Pesos de papel
sobre os livros de figuras –
Vento de primavera.

Takai Kitô

Anarquia organizada

Por muito tempo, gerações de pessoas anarquistas se debruçaram  no desafio de organizar, para os mais variados fins e tem se mostrado um esforço grande, compensador em muitos casos e muito frustrante em outros.

A busca de um entendimento de organização que não seja opressor e nem explorador entre pessoas que a priori pensam de forma semelhante tende a se tornar uma batalha exaustiva. Nenhuma das pessoas envolvidas também não querem ser oprimidas ou exploradas, mantendo a guarda erguida entre pessoas consideradas companheiras, mas curiosamente, ao menos aqui no nas terras brasileiras, há um relaxamento dessa guarda quando se tem um relacionamento com grupos não anarquistas, como grupos hostis de partidos de esquerda, particularmente marxistóides autoritários. É até comovente perceber pessoas anarquistas “declarando voto” de 2 em 2 anos ou se submetendo às estruturas institucionais estatais, assessorando partidos e usando todas as táticas autoritárias e políticas profissionais nas organizações que participam.

Não podemos culpá-las porque os ambientes e as vivências de muitas dessas pessoas foram em sua maioria de práticas autoritárias, hierarquizadas, centralizadoras, competitivas e impositivas.

O que podemos e temos como compromisso é evidenciar essas práticas, rompe-las de forma direta com a metodologia anarquista, de tal forma processar mudança das atitudes e consciência das pessoas.

A organização anárquica em sua concepção mais simples e direta é uma prática onde todas as pessoas envolvidas não são opressoras e nem oprimidas; que todas as pessoas envolvidas não sejam exploradas e nem exploradoras.

Escrito e combinado isso, tudo o mais é o melhor arranjo possível entre todas as pessoas, inclusive, isso abre um leque enorme de possibilidades organizativas, onde gera muitos desentendimentos e cizânias.

O que a nossa experiência tem nos mostrado, que muitas vezes as pessoas não conseguem lidar com propostas de consenso ou que o que é apresentado não está de acordo com as ideias de alguma grande “pensadora idolatrada” da vez e que é repetida como uma gravação contínua lacradora sem nenhum tipo de filtragem, o que leva a enormes discussões sem fim e rachas que se tornam insuperáveis pelo tempo. “A nossa organização é mais organizada que a sua”… “a minha organização faz mais textos lacradores e ostenta mais teoria, tem mais anarcologia que as outras”… besteira!

Nossa obsessão por uma revolução de base anarquista se torna tão grande que não percebemos que patinamos nos processos iniciais de organização e sacrificamos o pouco tempo e recurso que temos em picuinhas secundárias, enquanto o sistema nos oprime e explora por 24h de forma ininterrupta, isso em nossa localidade, em nossa região e com a nossa gente.

Então, onde é que a atuação direta é necessária?

Na base,  organizando a revolta e a rebeldia, descentralizando e horizontalizando tudo em zonas autônomas de luta e resistência.

Nessa altura da leitura, é possível que tenham pessoas que estejam concordando com isso. Fica então com o convite e a provocação de agir local em práticas anárquicas e se possível com mais pessoas. Por mais poderosas que sejamos, se nos unirmos às outras pessoas poderosas, formaremos um grupo, um coletivo, uma associação, uma sociedade muito mais poderosa… se a concórdia e os egos permitirem!

Na anarquia, há uma concepção organizativa muito presente, diferente do que muita distopia tenta associar ou que muita gente associa com caos, bagunça e baderna. A anarquia é vivida sem controle de forma nenhuma, em livre associação de todas as pessoas em comum acordo, tendo em vista não oprimir e nem ser oprimida nem explorar e nem ser explorada, isso é repetido pela importância do conceito.

Na luta somos dignas e livres!

anarkio.net

agência de notícias anarquistas-ana

Rumo sem destino
Borboletas amarelas
voam par em par.

Rafaela Cristiane W. Kowalski

[França] Louise Michel é autora de Vinte Mil Léguas Submarinas (1954)

Por Gérard de Lacaze-Duthiers | 31/08/2023

O aniversário da morte de Júlio Verne em 1905 [1] foi uma ocasião para falar muito sobre seus romances de antecipação científica. Ele foi, sem dúvida, um escritor cuja obra não deixa de ser interessante, um precursor ou, se preferirmos, um utópico, pelo menos para sua época, já que a maioria de suas antecipações se tornou realidade. É sobretudo seu romance Vinte Mil Léguas Submarinas que tem sido objeto de comentários da maioria dos jornalistas e escritores que erraram ao ignorar, ou fingir ignorar, que o verdadeiro autor desse romance não foi Júlio Verne, mas uma “plebeia” chamada Louise Michel.

Os estudiosos, e não menos importantes, concordam que Júlio Verne previu os submarinos atômicos nessa obra publicada por Hetzel em 1870. Vamos esclarecer as coisas. Naquela época, Louise Michel estava empenhada em resolver certos problemas científicos cuja solução, acreditava ela, poderia beneficiar a humanidade. É claro que a “boa Louise” estava longe de prever o uso que o aprendiz de feiticeiro faria de tal descoberta: ela teria preferido deixar seu manuscrito trancado a sete chaves, ou destruí-lo sem piedade, em vez de publicá-lo.

Ela também previu o avião, que teria o mesmo destino, sendo usado para a destruição de pessoas e coisas, embora tenha garantido a ele um propósito pacífico. Ela não profetizou que a humanidade futura teria cidades aéreas, uma previsão que está muito próxima de ser cumprida? Ela também poderia ter previsto viagens à Lua, a Marte e a outros planetas. Ela também previu os raios X e pensou na fotografia, no cinema e na televisão. E menciono aqui apenas algumas de suas previsões, quando ela defendeu o diagnóstico psiquiátrico dos doentes e, em outro campo, o cuidado com as crianças, a educação de adultos e muitas reformas sociais em harmonia com o progresso material.

Ela era uma revolucionária, que esperava que chegasse o dia em que os seres humanos se tornassem mais conscientes, sendo, no momento, não mais do que primatas de ideias, enquanto amanhã a humanidade, educada com mapas do mundo, telescópios e microscópios, deixaria de ser presa de um misticismo entorpecido. Na Comuna, ele esperava que as descobertas da ciência levassem a humanidade na direção da verdade e da bondade; ela tinha ideias originais sobre tudo, e seria um erro de avaliação de suas ações não levar a sério essa faceta de seu temperamento.

Mas voltemos à navegação submarina, que em uma peça, Le Monde nouveau, ela previu que logo seria realizada ao mesmo tempo que a navegação aérea. Essa ideia era muito cara a ela, e foi isso que a levou a escrever uma peça que outra pessoa assinaria em seu lugar. Uma coisa muito curiosa”, escreveu Emile Girault em La Bonne Louise (1885), Psychologie de Louise Michel, “é que, embora Louise não fosse uma cientista, ela tinha intuições maravilhosas. Muitas pessoas – se não todas – ficarão muito surpresas ao saber, por exemplo, que o famoso Vinte Mil Léguas Submarinas, publicado por Júlio Verne, foi escrito por ela, não, é claro, o romance como apareceu, mas a ideia fundamental; o que ela concebeu foi o submarino, o universalmente conhecido Nautilus. Sua cópia tinha cerca de duzentas páginas e, um dia, quando o que ela mais precisava era de dinheiro, vendeu seu manuscrito por cem francos ao famoso divulgador.

Não é a ideia fundamental, o Nautilus, o coração da obra, que a torna interessante e valiosa? Júlio Verne nunca teria escrito seu livro se não tivesse essas duzentas páginas em suas mãos. Somente elas constituem três quartos do volume. Ele tinha pouco a acrescentar. Isso não diminui em nada o talento, a inteligência ou o conhecimento do homem que escreveu o livro. De forma alguma diminui seus dons como escritor. Ele sabia como usar o material pronto para o edifício iniciado pela mulher que a burguesia bem pensante chamava desdenhosamente de “Virgem Vermelha”.

Na primeira edição de Vinte Mil Léguas Submarinas, no capítulo XI, intitulado “O Nautilus”, Júlio Verne apresenta o submarino nos seguintes termos, durante a conversa de um passageiro com o capitão do navio: “Devo admitir que este Nautilus, a força motriz que ele contém, os dispositivos que permitem que ele seja manobrado, o poderoso agente que o impulsiona, tudo isso excita minha curiosidade no mais alto grau. No capítulo seguinte, intitulado “Tudo por eletricidade”, o capitão lista os dispositivos necessários para a navegação subaquática:

Você conhece alguns deles, como o termômetro, que dá a temperatura dentro do Nautilus; o barômetro, que pesa o ar e indica as mudanças climáticas; o higrômetro, que indica o grau de secura da atmosfera; o grama-estrela, que, quando se decompõe, anuncia a chegada de tempestades; a bússola, o cronômetro e os óculos que permitem ver de dia e de noite, um manômetro, sondas etc. Ele é um agente a bordo, tudo é feito por meio dele. Ele me ilumina, me aquece, é a alma do meu equipamento mecânico. Esse agente é a eletricidade. Mas como eu a gero? Eu só peço ao mar que me dê os meios. Todos os metais encontrados no mar são usados para alimentar as baterias. O Nautilus pode andar a 50 milhas por hora.

Este capítulo de Vinte Mil Léguas Submarinas é fundamental. É bem ao estilo de Louise Michel, que, como as professoras de sua época, só podia ter dados científicos básicos, mas que, com base neles, enxergava muito mais longe e tirava conclusões que poderiam mudar o mundo futuro, que, segundo ela, seria um novo mundo no qual a ciência contribuiria para a felicidade da humanidade ao mudar seus hábitos e crenças.

Não temos motivos para suspeitar da boa fé de Emile Girault, que possuía inúmeras cartas de sua “boa Louise” e que tinha em suas mãos a maioria dos manuscritos dela. Fernand Planche, em seu livro Vie ardente et intrépide de Louise Michel (Vida ardente e intrépida de Louise Michel), concorda com ele: Ainda nesse gênero científico e social, Louise Michel escreveu Vingt mille lieues sous les mers (Vinte mil léguas submarinas). Seu manuscrito ainda não estava terminado e um dia, quando precisava de dinheiro, ela o vendeu por 100 francos a Júlio Verne. Quando as pessoas dizem”, acrescenta Fernand Planche, “que Júlio Verne era extraordinário, que ele previu os submarinos, elas estão erradas. O Nautilus foi projetado por Louise Michel. Júlio Verne simplesmente terminou o livro acrescentando capítulos. O livro foi seu maior sucesso e lhe rendeu uma fortuna. Foram feitas quase cem edições e o livro foi traduzido para vários idiomas, inclusive alemão, inglês, espanhol, italiano e russo. Sua editora não podia reclamar. Ele ganhou vários milhões. Quanto à “boa Louise”, o pouco que ganhou com essa colaboração – apenas o nome de Júlio Verne aparecia na capa – ela distribuiu para os pobres.

Em um artigo publicado no Le Monde libertaire n°29 de junho de 1957 (“Autour de Louise-Michel”), Gérard de Lacaze-Duthiers retomou esse artigo após uma solicitação de esclarecimento de Hem Day.

Notas

[1] No mesmo ano que Elisée Reclus e Louise Michel.

Fonte: https://www.partage-noir.fr/louise-michel-est-l-auteur-de-20-000-lieues-sous-les-mers

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Da terra ao céu
Há muitas coisas
Verdade, tire o véu.

Augusto Menezes

[Espanha] Lançamento: “Vidas en rojo y negro”. Uma família anarquista que desafia o silêncio

Um dos livros que sacudiram o panorama editorial do Uruguai em 2023 chega agora ao estado espanhol pela mão de La Vorágine. “Vidas en rojo y negro” é uma história que começa em uma pequena aldeia da Cantábria e que se escreve em Montevidéu. Ali vive Antonio Ladra, o descendente de uma família humilde e anarquista que pagou com sangue, exílio ou silêncio a ousadia de sonhar e pôr em marcha um mundo mais justo.

Agora, chega a Traficantes de Sueños Antonio Ladra(Montevidéu, 1956), jornalista e escritor com vários livros de investigação publicados, mas também de poesia; também é permanente animador dos festivais de jazz com o Hot Club de Montevidéu, ainda que não toque nem o tambor.

A história que conta em Vidas en rojo y negro é a de sua família, uma das que não tem espaço nos livros de história oficiais. A família Ladra —desde o diminuto povoado de Toñanes (Alfoz de Lloredo, Cantábria)— apostou pela anarquia, pela liberdade e a democracia em uma Espanha sequestrada pelo totalitarismo franquista.

Agora, o filho de Sol Ladra, desde Montevidéu, indaga, relata e traz à luz uma história tão diminuta como heroica, tão necessária como invisibilidade. Este livro faz com que umas vidas qualquer  por fim sejam contadas com detalhe e, ao fazê-lo, a morte retrocede, a singularidade aflora.

Este é o último desafio ao silêncio de uma família anarquista que se mantêm firme mas sobrevive estilhaçada pela repressão e a derrota, pela repressão e o exílio, pelo castigo e o silêncio.

VIDAS EN ROJO Y NEGRO

Antonio Ladra

11,00€

lavoragine.net

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

A felicidade
nem de mais e nem de menos –
Minha primavera.

Issa

Lula é… um Zé Ruela ambiental!!!

[Chile] Marcha do Dia Mundial do Veganismo em Santiago

o de novembro está chegando, data em que se comemora o dia mundial do veganismo e que, contraditoriamente, não temos nada a comemorar enquanto a exploração animal continuar existindo. O mínimo que podemos fazer é manifestar nosso legítimo descontentamento contra toda a opressão sofrida por nossos irmãos e irmãs, que continuam sendo objetos de consumo dessa sociedade carcerária e capitalista.

Conclamamos toda a afinidade antiespecista a nos reunir novamente para marchar pela libertação animal. Traga sua faixa, cartaz, bandeira, folhetos ou qualquer material de propaganda.

Nos encontraremos na sexta-feira, 01 de novembro, a partir das 16:00 horas, na Plaza Los Héroes e depois marcharemos pela Alameda até a Plaza Dignidad.

Compartilhe e participe, faça isso pelos animais!

agência de notícias anarquistas-ana

No meio da grama,
Surge uma luz repentina.
Vaga-lume acorda.

Renata Paccola

Dia do Trabalho na Nova Zelândia: um dia para refletir, resistir e reinventar

À medida que o Dia do Trabalho se aproxima na Nova Zelândia [1], vale à pena recordar as suas origens – não como um mero dia de folga, mas como um lembrete do poder da união dos trabalhadores contra a exploração e na busca por uma sociedade mais justa. Originalmente concebido para homenagear a luta por uma jornada de trabalho de oito horas, o Dia do Trabalho destaca uma história cheia de solidariedade, ação direta e resistência. Mas quanto deste espírito sobrevive nas celebrações do Dia do Trabalho de hoje? E como podem os anarquistas e anticapitalistas reivindicar este dia como um momento de reflexão e resistência radicais?

O Dia do Trabalho na Nova Zelândia tem suas raízes na década de 1840, quando o carpinteiro Samuel Parnell se recusou a trabalhar mais de oito horas por dia, desencadeando um dos primeiros movimentos em direção à jornada de trabalho de oito horas. No final do século XIX, a jornada de trabalho de oito horas tinha se espalhado e, em 1890, o país celebrou o seu primeiro Dia do Trabalho oficial para homenagear o espírito de unidade da classe trabalhadora.

Inicialmente, o Dia do Trabalho comemorava as vitórias da organização sindical e da resistência dos trabalhadores, um dia em que os trabalhadores, muitas vezes com o apoio dos sindicatos, saíam às ruas. Desfiles, discursos e comícios centravam-se nos direitos laborais, salários justos e condições de trabalho mais seguras. Mas com o passar dos anos, o significado do Dia do Trabalho tem sido diluído, mercantilizado e transformado em nada mais que um fim de semana prolongado em Outubro – muito longe de seu princípio radical.

O significado do Dia do Trabalho foi desgastado à medida que os direitos dos trabalhadores diminuíram através de políticas neoliberais, legislação anti-sindical e interesses corporativos. Na Nova Zelândia de hoje, existe uma grande disparidade de riqueza entre os ricos e a classe trabalhadora, a filiação sindical diminuiu e os trabalhadores estão enfrentando empregos precários e custos de vida altíssimos, com salários que não acompanham. À medida que o Dia do Trabalho se torna mais uma questão de vendas e churrascos do que de solidariedade e resistência, é crucial considerar como podemos recuperar este dia para a classe trabalhadora.

Tal como Parnell e os seus pares lutaram por uma jornada de oito horas há mais de 150 anos, os trabalhadores de hoje enfrentam as suas próprias batalhas. Espera-se de quem atua na hotelaria, nos setores de serviços, no varejo e na logística que trabalhe longas horas por baixos salários, muitas vezes sob vigilância e demandas de trabalho eventual baseadas em aplicativos.

Para os anarquistas, o Dia do Trabalho é um lembrete claro de que o capitalismo depende fundamentalmente da exploração dos trabalhadores para sobreviver. Os anarquistas não vêem a erosão dos direitos laborais como um mau funcionamento dentro do capitalismo, mas sim como a sua função inevitável. A luta dos trabalhadores não é simplesmente para melhorar as condições de exploração, mas para acabar com ela. Em vez de negociar melhores condições para os trabalhadores sob o capitalismo, os anarquistas imaginam um mundo onde o trabalho seja uma questão de cooperação, apoio mútuo e associação voluntária – e não de necessidade ou coerção.

O Dia do Trabalho não deve limitar-se à negociação de pequenas reformas, melhores condições ou salários mais justos, mas deve ser visto como um momento para sonhar alto. Imagine um mundo onde todos pudessem partilhar a riqueza da sociedade sem compulsão, onde os trabalhadores administrassem os locais de trabalho e as comunidades das quais fazem parte, sem patrões ou proprietários. Esta visão desafia a própria estrutura do capitalismo e do Estado.

Retomando o Dia do Trabalho: o que podemos fazer?

  1. Pratique Ação Direta: Use o Dia do Trabalho como uma oportunidade para organizar ações que apóiem diretamente os trabalhadores na Nova Zelândia. Isto pode significar redes de apoio mútuo, organização no local de trabalho ou apoio a greves e protestos existentes. Ao resistir ativamente e ao perturbar os sistemas exploradores, resgatamos o Dia do Trabalho como um dia de ação.
  2. Educar e Aumentar a Conscientização: Aproveite este dia para educar a comunidade sobre a verdadeira história do Dia do Trabalho e discutir as limitações das “reformas” capitalistas. Organizar palestras públicas, distribuir zines e criar conteúdos online pode encorajar outros a pensar criticamente sobre o trabalho e o capitalismo.
  3. Desafie o consumismo: resista à mercantilização do Dia do Trabalho como um feriado comercial. Organize ou participe de “dias sem compra” (“buy-nothing days”), eventos de compartilhamento de habilidades ou iniciativas locais de “mercado realmente muito livre” (“really, really free markets”). Estes eventos fornecem exemplos tangíveis de um mundo onde os recursos são partilhados livremente e não comprados e vendidos.

O Dia do Trabalho deveria ser mais do que um feriado ou um aniversário da jornada de oito horas de trabalho; deveria ser um apelo ao desmantelamento das estruturas que nos mantêm presos a uma vida de exploração. Ao reinventarmos o Dia do Trabalho como um dia de resistência anticapitalista, podemos lembrar uns aos outros que os trabalhadores têm o poder de resistir, reconstruir e reivindicar um novo futuro. Se avançarmos e agirmos coletivamente, o Dia do Trabalhador pode mais uma vez ser um ponto de encontro para aqueles que acreditam num mundo onde o trabalho serve às pessoas e não ao lucro.

Neste Dia do Trabalho, vamos rejeitar a conformidade, rejeitar os símbolos vazios da política reformista e, em vez disso, lembrar que a mudança radical começa com a nossa disposição de resistir e reinventar.

Fonte: https://awsm4u.noblogs.org/post/2024/10/27/labour-day-in-new-zealand-a-day-to-reflect-resist-and-reimagine/

Nota:

[1] Na Nova Zelândia, o Dia do Trabalho é comemorado na quarta segunda-feira de outubro.

Tradução > mariposa

agência de notícias anarquistas-ana

Um tico-tico
Todo colorido
Pinta meu coração.

Kátia Viana Barros

[EUA] Resenha do livro: Cinquenta anos depois, o romance de Ursula K. Le Guin sobre anarquistas utópicos continua tão relevante quanto sempre

Em Os Despossuídos (The Dispossessed), um físico se encontra pego entre sociedades

Por Alan Scherstuhl | 15/10/2024

FICÇÃO

The Dispossessed: A Novel (50th Anniversary Edition)

por Ursula K. Le Guin.

Harper, 2024 ($35)

Um pouco depois da metade de Os Despossuídos, o romance de ficção científica inesgotavelmente rico e sábio de Ursula K. Le Guin sobre um físico pego entre sociedades, o protagonista, Shevek, nascido e criado em um coletivo anarquista, fica bêbado (pela primeira vez) em uma festa chique de uma sociedade capitalista em um planeta que não é o seu. Lá, esse brilhante mas perplexo cientista, é encurralado por um plutocrata com perguntas impertinentes. Qual é o objetivo dos esforços de Shevek para criar uma Teoria Temporal Geral que reconcilie “aspectos ou processos do tempo”?

Shevek explica que o tempo em nossas percepções é como uma flecha, movendo-se em apenas uma direção.

No cosmos e no átomo, no entanto, ele se move em círculos e ciclos, a “repetição infinita” um “processo atemporal”.

“Mas de que adianta esse tipo de “compreensão”, pergunta o plutocrata, “se não resulta em aplicações práticas e tecnológicas?”

As tensões que Le Guin explora aqui — entre o teórico e o aplicável, o cientista e a sociedade — não diminuíram nos 50 anos desde que The Dispossessed conquistou os prêmios Hugo, Locus e Nebula. A ciência neste romance de 1974 — agora reeditado com uma introdução comemorativa cheia de angústias sobre o presente da escritora Karen Joy Fowler — é vaga, uma física explorada através de metáforas. Mas a representação de Le Guin de um cientista preso entre totalmente convincentes mundos opostos continua emocionante em sua precisão, às vezes até mesmo assustadora.

No planeta coletivista Anarres, uma paisagem desértica devastada pela fome, a busca de Shevek por uma Teoria Temporal Geral é frustrada por cientistas-burocratas que estão preocupados que suas descobertas possam se mostrar contrarrevolucionárias. Depois de arquitetar uma fuga diplomática para a exuberante Urras, financiada pela abundância capitalista, Shevek descobre que seu trabalho é visto como proprietário — um produto. Essa perspectiva o muda. Shevek se vê se comportando como os “proprietários” patriarcais de Urras. Bêbado e solitário, esse homem gentil cuja linguagem não tem pronomes possessivos, agarra uma mulher como se ela fosse sua. É um ato que mais tarde o enoja — e o coloca em um curso revolucionário que afetará todos os mundos que a humanidade alcançou.

Le Guin, que morreu em 2018, deixa para os leitores fazerem o que quiserem dessa mudança. A flecha do tempo avançou rapidamente desde 1974, mas os círculos e ciclos da obra-prima de Le Guin continuam a sugerir, com urgente humanidade, tanto o presente quanto o futuro.

Fonte: https://www.scientificamerican.com/article/book-review-fifty-years-later-ursula-k-le-guins-novel-about-utopian/

Tradução > Alma

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agência de notícias anarquistas-ana

viagem de trem
entre as estações
a primavera

Joaquim Pedro

[Espanha] A Biblioteca Anarquista Maria Rius de Lleida recebe documentação do anarquista César Broto

  • O escritor Miquel Àngel Bergés doa ao arquivo os documentos usados para compilar sua biografia de Broto.

 O escritor Miquel Àngel Bergés doou ao arquivo da Biblioteca Anarquista Maria Rius, em Lleida, os documentos que utilizou para compilar sua biografia do anarquista César Broto Villegas.

O livro foi publicado em 2006 pela Pagès Editors com o título Lleida Anarquista. Memórias de um militante da CNT durante a República, a Guerra Civil e o franquismo. O material consiste em gravações das entrevistas realizadas e em vários documentos e anotações escritos pelo próprio Broto e por Bergés.

O autor também publicou, entre outros livros, Coisas que fizemos antes de sermos esquecidos (Pagès Editores, 2023), um romance sobre as revoltas anarquistas, a Guerra Civil, o franquismo e o exílio dos anarquistas Félix Lorenzo Páramo, o primeiro prefeito anarquista de Lleida; Josep Larroca, presidente do Tribunal Popular e a miliciana Maria la Caçadora.

César Broto Villegas (Zaragoza, 1914 – La Pobla del Duc, 2009) foi um militante ativo da CNT-AIT e da FAI em Lleida durante a década de 1930, participando da fundação do jornal “Acracia”.

Frente Segre

Membro da Coluna Durruti – 26ª Divisão, foi ferido na queda da frente de Segre e condenado a 15 anos de prisão. Libertado quatro anos depois, em 1945 foi secretário da CNT catalã e, mais tarde, secretário-geral da CNT. Preso novamente, ele passou mais 15 anos nas prisões e campos de trabalho de Franco.

Em 2021, a Fundación de Estudios Libertarios Anselmo Lorenzo (FAL) publicou seu livro O grande tráfico de escravos, no qual Broto narra como o franquismo usou prisioneiros como mão de obra escrava para a construção de grandes obras públicas e também para o benefício de empresas privadas e setores simpáticos ao regime. O livro foi apresentado em junho passado no Seu Vella de Lleida, como um lembrete de que esse espaço também foi um campo de concentração.

A Biblioteca Anarquista Maria Rius agradeceu a Bergés pela doação e disse que ela estará disponível para consulta assim que o arquivamento e a digitalização do material registrado forem concluídos.

A biblioteca, que leva o nome da anarquista arbequina Maria de Riu Berenguer (Arbeca, 1900 – França, 1970), abriu suas portas no bairro de Balàfia, em Lleida, em 2016. Ela funciona de forma autogerida, horizontal e em assembleia, com o objetivo de disseminar o pensamento e as práticas anarquistas, promovendo o conhecimento, a reflexão e o debate.

Fonte: https://www.lavanguardia.com/local/lleida/20241016/10027624/biblioteca-anarquista-maria-rius-lleida-recibe-documentacion-anarquista-cesar-broto.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

poesia sem inspiração.
a culpa, certamente,
é a mudança da estação.

Lineu Cotrim