A farsa do Voto

O ato de votar é frequentemente celebrado como um dos pilares da democracia moderna, promovido como a expressão máxima do poder popular. No entanto, uma análise crítica sob a ótica anarquista revela que o voto não é, de fato, um instrumento de emancipação, mas uma ferramenta que legitima a dominação do Estado e perpetua as estruturas de exploração. Ao participar das eleições, os indivíduos entregam sua autonomia a representantes que, na prática, governam em benefício das elites e dos interesses capitalistas. Esse ritual eleitoral, que se repete a cada ciclo, não apenas mantém intactas as estruturas de poder, mas também perpetua a ilusão de que é possível mudar o sistema por dentro, enquanto na realidade, a democracia representativa é uma fachada que reduz a participação popular a um ato simbólico, esvaziado de qualquer significado transformador.

O Estado, por sua própria natureza, concentra poder em poucas mãos e administra a sociedade de cima para baixo, impondo suas regras e decisões. A ideia de que podemos alterar esse sistema elegendo “representantes do povo” é uma armadilha que desvia as energias revolucionárias para a via institucional, onde são inevitavelmente absorvidas e neutralizadas. Mesmo os candidatos que se apresentam como “progressistas” ou “reformistas” acabam, uma vez eleitos, submetidos às mesmas dinâmicas de poder, obrigados a fazer concessões que enfraquecem suas propostas originais. O ciclo eleitoral, assim, se torna um círculo vicioso que perpetua a dominação do capital e do Estado, mantendo as massas em um estado constante de apatia política, sem condições de questionar verdadeiramente a ordem estabelecida.

Registremos ainda que o próprio ato de votar cria a falsa impressão de que o povo tem voz e controle sobre as decisões que afetam suas vidas. No entanto, após o momento do voto, o cidadão comum é excluído dos processos decisórios, que passam a ser monopolizados pelos políticos e pelas instituições estatais. Esse afastamento entre o eleitor e as decisões políticas fortalece a alienação, alimentando a ideia de que a política é um campo reservado a especialistas, distantes da realidade e das necessidades do povo. Essa dinâmica reflete a natureza autoritária do Estado, que, ao invés de servir ao povo, se serve dele para perpetuar suas estruturas de poder em seu próprio benefício e das elites burguesas.

A verdadeira emancipação do povo só pode ser alcançada por meio da construção de uma autonomia coletiva, que rejeite a intermediação do Estado e se baseie na autogestão, no apoio mútuo e no federalismo. A autogestão permite que as pessoas organizem suas vidas e atividades em comum sem a imposição de hierarquias, tomando decisões de forma direta e horizontal. Esse modelo não apenas devolve o poder ao povo, mas também cria uma cultura de solidariedade e responsabilidade coletiva, onde todos participam ativamente na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. O apoio mútuo, nesse contexto, é o alicerce que sustenta essas práticas, promovendo a cooperação e o cuidado entre os indivíduos e as comunidades, sem a necessidade de intervenção estatal.

No mesmo sentido, o federalismo anarquista propõe uma reorganização radical da sociedade, substituindo o Estado centralizado por uma rede de associações livres, onde as decisões são tomadas em assembleias locais e coordenadas de forma confederada. Essa estrutura descentralizada impede a concentração de poder e permite que as comunidades se autogovernem de acordo com suas necessidades e desejos, respeitando a diversidade e a autonomia de cada grupo. O federalismo, longe de ser uma utopia distante, já se manifesta em diversas lutas e movimentos sociais ao redor do mundo, onde as pessoas se organizam fora das instituições estatais para resolver seus problemas e criar alternativas ao capitalismo e ao Estado. Essas experiências demonstram que é possível viver sem a tutela do Estado, construindo uma sociedade baseada na liberdade e na cooperação.

Para que essa transformação ocorra, é crucial que se reconheça a inseparabilidade entre o Estado e o Capitalismo. O capitalismo depende do Estado para garantir a propriedade privada e a acumulação de riqueza nas mãos de poucos, enquanto o Estado se alimenta da exploração capitalista para manter suas estruturas de dominação. A luta contra o Estado, portanto, é também uma luta contra o Capitalismo, pois ambos são faces da mesma moeda de opressão. Não basta substituir os governantes; é necessário abolir o sistema que permite e perpetua a exploração e a desigualdade. Somente assim poderemos construir uma sociedade verdadeiramente livre, onde o poder não seja mais uma ferramenta de controle, mas uma expressão coletiva de liberdade e igualdade.

Além da autogestão e do federalismo, o anticapitalismo surge como um pilar fundamental na construção de uma nova sociedade. O capitalismo, em sua essência, é um sistema que gera desigualdade, explora o trabalho e mercantiliza todas as esferas da vida. Para o anarquismo, a única forma de romper com esse ciclo de exploração é por meio da abolição do capitalismo e da criação de uma economia baseada na cooperação, no socialismo antiautoritário e na solidariedade. Numa sociedade anticapitalista, a produção e a distribuição de riquezas são organizadas de acordo com as necessidades de todos, e não em função do lucro de poucos. Isso só é possível fora das lógicas de mercado e de competição que caracterizam o capitalismo, construindo uma economia que serve efetivamente ao bem comum.

Por fim, a necessidade de construir a autonomia da sociedade fora do Estado é uma resposta à falência das instituições e à incapacidade do sistema representativo de atender às demandas populares. A alternativa não reside em reformar o Estado ou o Capitalismo, mas em superá-los, construindo uma nova forma de organização social. Esse processo exige uma ruptura radical com as formas tradicionais de política, substituindo a delegação de poder pela participação direta e a competição pela cooperação. Somente através da autogestão, do apoio mútuo, do federalismo e do anticapitalismo, o povo poderá conquistar sua liberdade e construir uma sociedade onde a justiça, a igualdade e a solidariedade sejam as bases da convivência humana.

Não vote, lute!

 Federação Anarquista Capixaba – FACA

federacaocapixaba.noblogs.org

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agência de notícias anarquistas-ana

Está chovendo? Não
bichos-da-seda comendo
as folhas, tão ávidos.

Masuda Goga

[Peru] Tribo “não contatada” ataca madeireiros

O recluso povo Mashco Piro do Peru usou arcos e flechas para atacar madeireiros que invadiram seu território na Amazônia, segundo uma organização indígena regional. A FENAMAD, que representa 39 comunidades indígenas nas regiões de Cuzco e Madre de Dios, disse em 5 de agosto que acredita que a extração ilegal de madeira estava ocorrendo no território Mashco Piro e que um madeireiro foi ferido no ataque de 27 de julho. Dias antes do incidente, surgiram fotos de cerca de 50 membros da tribo isolada aparentemente procurando comida em uma praia fluvial – o que, segundo o grupo de defesa Survival International, é prova de que as concessões madeireiras estão “perigosamente próximas” de seu território. A foto foi tirada perto do assentamento indígena Yine de Monte Salvado, no Rio Las Piedras, província de Tambopata, Madre de Dios. Acredita-se que os Yine sejam parentes próximos dos Mashco Piro.

Dois madeireiros foram atingidos por flechas enquanto pescavam na área em 2022, um deles fatalmente, em um encontro com supostos membros da tribo Mashco Piro. Esse incidente ocorreu no Rio Tahuamanu, assim como Las Piedras, um afluente do Rio Madre de Dios, perto de onde a Reserva Territorial Madre de Dios, criada sob pressão da FENAMAD para proteger povos isolados, faz fronteira com uma concessão de madeira operada pela empresa madeireira Maderera Canales Tahuamanu. Mas os Mashco Piro, por definição, não sabem onde termina a reserva criada para eles, e acredita-se que os madeireiros tenham entrado ilegalmente na reserva.

A Survival International está pressionando o governo do Peru a tomar medidas para proteger o grupo. “Esta é uma emergência permanente. No último mês, temos visto os Mascho Piro a cada duas semanas em diferentes pontos, e em todos eles estão cercados por madeireiros”, disse Teresa Mayo, pesquisadora da Survival International, à Associated Press. “É realmente uma questão de vida ou morte. E somente o governo pode e tem o dever de impedir isso.”

Um relatório de 2023 do relator especial das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas lembrou que o governo do Peru havia reconhecido em 2016 que os Mashco Piro e outras tribos isoladas estavam habitando territórios que haviam sido abertos para concessões madeireiras. O relatório expressou preocupação com a sobreposição e protestou contra o fato de o território de Mashco Piro não ter sido demarcado “apesar da evidência razoável de sua presença desde 1999”. (CBS News, ABC, AP)

Alfredo Vargas Pio, diretor da FENAMAD, disse que as novas fotos são “provas irrefutáveis de que muitos Mashco Piro vivem nessa área, que o governo não só deixou de proteger, como também vendeu para empresas madeireiras. Os madeireiros podem trazer novas doenças que acabariam com os Mashco Piro, e há também o risco de violência de ambos os lados”.

Várias empresas madeireiras têm reivindicações em terras que se acredita serem habitadas pelos Mashco Piro. A Canales Tahuamanu construiu mais de 160 quilômetros de estradas no território dos Mashco Piro em preparação para novas atividades madeireiras. Caroline Pearce, diretora da Survival International, disse que a operação é “um desastre humanitário em andamento”.

A Survival International protesta contra o fato de que, apesar da presença dos Mashco Piro, o Forest Stewardship Council certificou a operação da Canales Tahuamanu como sustentável e ética. A organização está solicitando ao conselho que retire a certificação, com Pearce dizendo que “se isso não for feito, todo o sistema de certificação será ridicularizado”. (YaleEnvironment360)

A maioria dos relatos da mídia, incluindo alguns mencionados aqui, usa o termo “”não-contatado”” para grupos como os Mashco Piro, mas é melhor chamá-los de povos isolados. Apesar dos crescentes encontros com pessoas de fora e até mesmo das tentativas equivocadas de “contatá-los”, esses grupos resistem ativamente ao contato.

Foto: Survival International

Fonte: https://countervortex.org/blog/peru-uncontacted-tribe-attacks-loggers/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

pousada na lama,
a borboleta amarela,
com calor, se abana

Alaor Chaves

[Porto Alegre-RS] 01/09 – Cinedebate Anticarcerário

Atividade de arrecadação para o II Festival Internacional de Cinema Anarquista de Porto Alegre

Semanas de agitação contra o isolamento do companheiro Francisco Solar // Semanas de agitação pelxs presxs anarquistas

Exibição dos filmes:

CONPILADO ANTICARCELARIO (2023-2024) (Chile, 2024)

El compilado anticarcelario reúne algunos registros sobre convocatorias, semanas de agitación por la prisión política e iniciativas colectivas para difundir el posicionamiento anticarcelario en el territorio dominado por el estado de Chile.

Declaração de Francisco Solar (Chile, 2023)

El 18 de julio del 2023 comienza el juicio contra lxs compañerxs anarquistas Mónica Caballero y Francisco Solar, acusadxs de distintos ataques explosivos.

Durante los días 19 y 20 de julio, francisco declara en tribunales asumiendo al responsabilidad política de los ataques explosivos contra el ex ministro del interior Rodrigo Hinzpeter, la 54 comisaria y la inmobiliaria Tánica. Extractos de la declaración del compañero anarquista.

GRIN – Guarda Rural Indígena (Brasil, 2016)

Um cineasta maxakali resgata memórias sobre a formação da Guarda Rural Indígena (Grin) durante a ditadura militar, com relatos das violências sofridas pelos seus parentes.

Contra a criminalização da Revolta: pelo fim do processo contra Caio e Fábio (Brasil, 2023)

Dia 13 de dezembro de 2023 foi publicada a sentença do juri popular no processo contra Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza. Fábio foi absolvido das acusações, mas caio foi condenado a 12 anos em regime fechado. Neste episódio de Vozes Anarquistas da Antimídia, Acácio Augusto analisa o caso e suas consequências para as lutas populares.

Quando? dia 01/09

Que horas? às 17h

Atenção: você possui histórico ou denúncia por assédio, abuso ou violência e quer colar em alguma das atividades? Por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

espaco.noblogs.org

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tocar sobre teu corpo
ao silêncio das estrelas
um acorde de guitarra

Lisa Carducci

Porto Alegre 2024 | Resposta ao chamado de agitação contra o isolamento do companheiro Francisco Solar

Porque entendemos que na guerra social existem momentos de luta que nos devolvem a vida livre ainda que cientes do entorno e da opressão, e que existem momentos de repressão que nos debruçam na confrontação com o inimigo nas prisões, entendemos que ambos os momentos tem uma prática imprescindível que os acompanha: a resposta cúmplice.

Porque a prática de hostilidade contra a dominação precisa reverberar para expandir a revolta e assim expandir as possibilidades da destruição do estado.

Da mesma forma, quando um companheiro é sequestrado ou se encontra ferido produto da sua atividade anárquica de inimigos da dominação, é imprescindível ecoar, expandir a solidariedade.

O companheiro Francisco Solar, tendo já passado por vários momentos tanto de luta como de repressão, é um inimigo público do estado chileno. E, ao ter assumido a responsabilidade de dois ataques de significativa magnitude, usando essa declaração como propaganda para o anarquismo, bateu mais uma vez no sistema, com uma alegria de ser o seu inimigo, com orgulho de ter atacado eles, longe da imagem submissa, arrependida que os poderosos gostam de ver em quem os desafia.

Como consequência esperada, o poder se endurece ainda mais contra ele, isolando-o mesmo dentro do isolamento já existente em todo sistema prisional.

E eis que nossas respostas precisam chegar até ele e até todos que se decidem a atacar aquilo que nos ataca dia a dia: que nenhum guerreiro esteja só, nem no ataque nem na repressão ou no isolamento.

Uma sucinta atividade informativa, com companheiros que sentem o chamado à agitação e solidariedade ácrata, e uma faixa no ingresso ao campus universitário, foram nossas respostas a esse chamado. Na atividade, compartilhamos o vídeo com o depoimento de Francisco e transmitimos nossa memória negra olho no olho afirmando nossos laços de cumplicidade antiautoritária. Já a faixa que dizia: O único diálogo possível com o poder é o ataque, Francisco Solar; foi deixada com a intenção de fincar essa ideia chave nos olhos daqueles que frequentam esses espaços, afugentando de alguma forma o caminho afunilado à democracia e a via institucional.

Contra o isolamento do companheiro Francisco Solar

Pela expansão da revolta

Expandido as respostas anárquicas aos chamados à luta e à solidariedade

Morte ao estado e Viva a Anarquia.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/26/chile-semana-internacional-de-agitacao-e-solidariedade-contra-o-regime-de-isolamento-do-companheiro-francisco-solar-10-a-17-de-agosto/

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Nem uma brisa:
o gosto de sol quente
nas framboesas

Betty Drevniok

[São Paulo-SP] “Propostas anarquistas para as catástrofes climáticas”

Como enfrentar a emergência de um cenário de caos climático cada vez mais evidente? As redes de autogestão anarquistas propõem uma conexão com a terra e com o cotidiano imediato em vez da aposta em partidos, ONGs e créditos de carbono. Lavrar sementes microscópicas para a discussão é o que sugere o texto “Em Frente A Mais Um Verão Repleto De Desastres Climáticos, Vamos Falar Sobre Soluções Reais”, de Peter Gelderloos, escolhido para o encontro de setembro do Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades. Um convite a levantar a pauta da construção de mundos melhores a partir da ação coletiva que começa em nossas comunidades.

Não há sobrevivência possível se continuarmos delegando nossas ações a um projeto hegemônico de sustentabilidade, uma vez que o capitalismo fagocita as crises e acaba saindo mais fortalecido delas. As populações que agora se encontram em um rescaldo de catástrofes ambientais e precisam lidar com a condição de refugiadas climáticas continuarão sofrendo os efeitos devastadores de um sistema que reproduz desigualdades. Um sistema reformista que, ao investir em energias verdes, acaba por acelerar a produção de mercadorias.

Como o próprio texto sugere, conversemos e nos concentremos nas pessoas que são capazes de desconstruir os paradigmas do ecocapitalismo.

Para o texto e as orientações de participação, acesse http://tinyurl.com/GE0924, também disponível no link da bio.

• Data: Sábado, 07/09/24 (16h-18h)

• Local: Sede do Centro de Cultura Social de SP (Rua Gal. Jardim, 253, sl. 22, Vila Buarque – São Paulo)

⁠• Infelizmente, não teremos intérprete de Libras.

⁠• Os encontros do grupo são presenciais, gratuitos e abertos para todas as pessoas interessadas.

⁠⁠• Crianças são bem-vindas ao CCS!

• Traga algo para um lanche vegano coletivo, faremos café.

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

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No campo queimado
ainda uma leve fumaça
Tronco resistindo

Eunice Arruda

[Porto Alegre-RS] 31/08 – Roda de Conversa sobre Parentalidades

Toda a sociedade como conhecemos é construída em cima de alicerces bem estabelecidos: Estado, família, propriedade, religião.

O primeiro contato de qualquer pessoa com essa estrutura é através da família.

Toda hierarquia e autoritarismo da sociedade são impostos a pessoas incapazes de fazer qualquer escolha.

Mas, e quando crescemos e não concordamos com essa estrutura?

E quando queremos justamente mudar essa estrutura da sociedade?

E quando, em meio a tudo isso, temos filhos?

A intenção desse encontro não é apresentar fórmulas ou soluções.

Não é um curso de “como e o que fazer”.

É um encontro para compartilhar experiências, desafios e frustrações (por que não?).

É um encontro aberto também para quem não tem filhos e/ou não se considera anarquista.

No Esp(a)ço, dia 31/08, a partir das 15h.

Rua Castro Alves, 101 – Porto Alegre, RS.

Atenção: você possui histórico ou denúncia por assédio, abuso ou violência e quer colar em alguma das atividades? Por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

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no aconchego da terra
a semente
vive a espera

Eugénia Tabosa

[Espanha] Lucy Parsons, o último dinossauro de Chicago

Ofuscada pela morte de seu marido, a vida dessa sindicalista revolucionária abrangeu os melhores anos da esquerda nos Estados Unidos.

Por Eduardo Pérez | 29/07/2024

Carter Harrison, o prefeito de Chicago, observa a multidão a uma distância segura, sentado confortavelmente no banco de trás de seu carro. Desde o incidente em Haymarket, essa data sempre lhe dá dor de cabeça. Primeiro de maio, problema na certa. Nessa ocasião, em 1893, Harrison está moderadamente otimista. No que ele vê como uma demonstração de magnanimidade, ele permitiu que Lucy Parsons, aquele demônio em forma de mulher, fizesse uso da palavra. Ela, em uma demonstração de contenção que – ele deve admitir – o surpreende favoravelmente, cedeu à única condição estabelecida pelo prefeito: ele não deve ser mencionado em seu discurso. As ideias de Lucy Parsons deixam boa parte das autoridades dos EUA de cabeça para baixo. De acordo com uma citação amplamente atribuída ao Departamento de Polícia de Chicago, ele a considera “mais perigosa do que mil insurreicionistas”. Harrison espera tê-la domado, pelo menos por hoje.

Alguns minutos após o horário anunciado, uma mulher aparece no pódio. Tudo nela é escuro: cabelo, olhos, pele, vestido. Ela é tão magra que parece que uma brisa fria poderia levá-la embora. Quem dera fosse assim, pensa Harrison. A voz de Parsons, por outro lado, é poderosa desde sua primeira frase. “O prefeito de Chicago é pior do que um czar!”, ela grita. A multidão aplaude. “Merda!”, lamenta Harrison, antes de ordenar que o motorista se retire.

Os primeiros 20 anos de Lucy Parsons são uma charada envolto por uma incógnita coberta por um enigma. Ela nunca esclareceria completamente suas origens. Ela nasceu em 1851, ou talvez em 1849. Ela sempre negou ter ascendência africana. Afirmava que seu sangue era mexicano e nativo americano. Mais tarde usaria vários sobrenomes, mas o nome inicial mais plausível é Gathings, o sobrenome de seu proprietário. Parece que Lucy nasceu escrava na Virgínia e depois foi vendida e levada para o Texas. Após a emancipação dos escravos, quando adolescente, ela vive em Waco com outro ex-escravo 20 anos mais velho que ela. É lá que ocorre o evento que marcará sua vida, levando-a a uma dimensão desconhecida e, ao mesmo tempo, mantendo-a, como tantas outras mulheres, à sombra de uma presença masculina até os dias atuais.

Trata-se do encontro dela com Albert Parsons, um jovem branco que, depois de lutar do lado perdedor na Guerra Civil, tornou-se jornalista e republicano radical, ou seja, a seção do partido que defende com mais veemência a igualdade racial. Eles moram juntos, ela adota o sobrenome dele e, em sua versão, eles se casam, embora isso seja duvidoso, dada a existência de leis que proibiam casamentos interraciais. Por volta de 1873, eles se mudam para Chicago, uma grande cidade industrial em plena expansão após o terrível incêndio de 1871. Os Parsons vão se posicionando cada vez mais à esquerda, participando dos primeiros partidos socialistas e da grande greve dos trabalhadores de 1877, que terminou em derrota. Em uma época em que o socialismo era considerado uma grande família com diferentes táticas e, às vezes, com fronteiras internas confusas, Lucy e Albert tenderam gradualmente para o campo anarquista, que considerava que não havia necessidade de participar das instituições do governo e que o próprio governo deveria ser abolido. Albert funda a seção local da International Working People’s Association [Associação do Povo Trabalhador Internacional] e o jornal The Alarm [O Alarme].

Nesse período, Lucy Parsons demonstra que não é apenas “a companheira de”. Ela não era um apêndice de seu marido, mas uma ativista e pensadora por direito próprio. Juntamente com outras importantes sindicalistas da época, como sua amiga Lizzie Holmes, ela organiza o Chicago Working Women’s Union [Sindicato de Mulheres Trabalhadoras de Chicago]. Ela tinha o hábito de se dirigir às massas em grandes comícios dominicais às margens do Lago Michigan. Será como colunista de jornal que ganhará mais destaque, descrevendo as condições de vida precárias dos trabalhadores, atacando as classes proprietárias e incentivando a organização de classes por meio de sindicatos. Embora na Europa houvesse uma divisão entre os revolucionários que defendiam a ação pública e coletiva e aqueles que optavam pela ação violenta individual ou de pequenos grupos, Parsons concordava com ambas. De fato, um de seus artigos mais famosos, que chegou a vender 100.000 exemplares do The Alarm, incentivava os vagabundos a aprender a usar dinamite.

1886 seria um ano crucial na vida de nossa protagonista, ligada desde então ao destino de seu marido. Em um cenário de grandes greves pela jornada de oito horas, em 4 de maio, uma bomba explode na Haymarket Square, em Chicago, após um comício no qual Albert Parsons e outros líderes haviam discursado. Embora não se prove que nenhum dos oito acusados (todos homens, Lucy e Holmes são poupados porque é muito ultrajante executar uma mulher) esteja envolvido no atentado, todos são condenados e quatro deles, incluindo Albert, são executados por enforcamento. Eles entrarão para a posteridade como “os mártires de Chicago”.

Parsons, agora viúva, multiplica sua atividade propagandística na imprensa e em eventos públicos que, muito ocasionalmente, levaram à sua prisão, especialmente em Chicago. Ela também esteve envolvida em eventos importantes da história social dos Estados Unidos, como a fundação da Industrial Workers of the World (Trabalhadores Industriais do Mundo – IWW). Aos 90 anos, ela morreu em um incêndio em sua casa. O médico Ben Reitman, outro herói dos pobres, discursou em seu funeral, chamando-a de “o último dos dinossauros, aquele valente grupo de anarquistas de Chicago”. Desde então, seu corpo foi enterrado no Cemitério Alemão em Waldheim, o local de descanso dos mártires de Haymarket e de outros grandes rebeldes.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/contigo-empezo-todo/lucy-parsons-ultimo-dinosaurio-chicago

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Janelas fechadas.
Lá fora, uma frente fria
pedindo passagem.

Renata Paccola

[EUA] ABC No Rio, um lar para artistas anarquistas, ergue-se novamente na baixada leste de Nova Iorque

Anos após sua demolição, o ABC No Rio vai ganhar um novo e energeticamente eficiente quartel-general no mesmo lugar do famoso ponto de encontro de artistas da rua Rivington.

Por Melanie Marich | 16/07/2024

Há dezoito anos, o pessoal da ABC No Rio comprou seu prédio da cidade por um dólar. Uma década depois, ele foi demolido. Agora, finalmente, o famoso centro anarco-cultural da baixada leste está iniciando a construção de um novo prédio – em seu endereço original.

“Se alguém dissesse que um grupo de artistas anarquistas levantaria todo esse dinheiro pra fazer isso acontecer, que a cidade de algum modo manteria sua palavra e transferiria a propriedade do prédio para nós, e ainda nos daria todo o dinheiro que precisávamos para concluir o projeto, quem iria acreditar?”, disse Eric Goldhagen, copresidente do conselho do ABC No Rio.

O coletivo que se tornou uma organização sem fins lucrativos iniciará agora um esforço de 18 meses para construir uma “casa passiva”, com alta eficiência energética, na rua Rivington, 156. Desde a demolição do prédio original em 2016, o ABC No Rio tem estado “no exílio”, realizando programas em diferentes centros culturais da cidade.

O novo prédio do ABC No Rio também incluirá uma câmara escura para fotos, uma instalação de serigrafia, uma pequena biblioteca de imprensa e espaços de reunião para a comunidade – tudo para honrar seu uso original como um centro para artistas. Em seu auge, o centro cultural abrigava shows de punk hardcore, um estúdio de serigrafia e uma biblioteca gratuita de zines.

Punks, artistas, veteranos e autoridades municipais se juntaram à diretoria do ABC No Rio para a cerimônia oficial de abertura de terra, que foi iniciada com música do conjunto de metais Hungry March Band.

A Comissária de Assuntos Culturais, Laurie Cumbo, parabenizou o diretor do coletivo, Steven Englander, por sua persistência diante do aumento dos custos de construção, destacando a contribuição de US$ 21 milhões do Departamento de Assuntos Culturais para o projeto, a maior parte dos custos de construção.

“Este espaço é muito importante neste exato momento porque agora, mais que nunca, precisamos da sua criatividade, precisamos das suas ideias, precisamos das suas soluções”, disse Cumbo.

“O poder da ação comunal”

O ABC No Rio foi fundado em 1980, depois que um grupo de artistas que ocupava a rua Delancey organizou o The Real Estate Show, uma exposição sobre políticas de habitação e território na cidade de Nova York. Embora a polícia tenha rapidamente encerrado a exposição, os artistas entraram em negociações com a prefeitura para ocupar uma das dezenas de propriedades vazias no bairro.

Eles escolheram o prédio da Rivington Street, que tinha um letreiro de neon quebrado onde se lia originalmente “ABOGADO CON NOTARIO”, mas as únicas letras que funcionavam eram “ABC NO RIO”, dando nome ao coletivo.

Becky Howland, uma das fundadoras originais do ABC No Rio, ficou emocionada ao compartilhar suas observações, maravilhada com a comunidade multigeracional que manteve o coletivo funcionando por mais de quarenta anos.

“Isso mostra o poder da ação comunal”, disse Howland.

Harvey Epstein (vereador democrata da baixada leste) disse que seu primeiro contato com o ABC No Rio foi como estudante de direito nos anos 90, quando foi observador jurídico em uma ação do grupo no início dos anos 90.

“Este é o bairro da luta e da reconstrução”, disse Epstein, morador da baixada leste por toda a vida. “Este edifício voltará ambientalmente mais forte e servirá a este bairro com o qual todos nós nos importamos.”

Apesar das atuais relações amistosas entre o ABC No Rio e os políticos locais, os membros de longa data continuaram a relembrar as origens antiestablishment do coletivo durante a comemoração. Muitos se referiram às tentativas de despejo que a organização enfrentou durante o governo do ex-prefeito Rudy Giuliani na década de 1990.

O membro de longa data Seth Tobocman cita essa história turbulenta como a razão pela qual o ABC No Rio durou tanto tempo: “É o resultado do fato de que as pessoas que trabalharam na defesa do No Rio têm dez anos de experiência em ter sido despejadas”, disse Tobocman, referindo-se aos despejos de outras ocupações na era Giuliani, como o infame par na décima terceira rua.

Jenna Freedman se envolveu pela primeira vez com o ABC No Rio em 1992 por meio de um treinamento de desobediência civil do qual participou no espaço, embora ela tenha então perdido contato com o grupo por muitos anos. Eventualmente Freedman não só voltou ao coletivo como em 2005 organizou o jantar de ensaio de seu casamento na rua Rivington 156, com seu agora marido, o copresidente do conselho, Goldhagen.

“Temos conversado muito sobre como isso poderia ser daqui para frente”, disse Freedman. “Atualmente, há quatro gerações de voluntários, e é bom imaginar: qual será a quinta?”

Fonte: https://www.thecity.nyc/2024/07/16/abc-no-rio-groundbreaking-cultural-center/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Uma flor desabrocha
para a vida.
Alegria no jardim.

Aprendiz

 

[Espanha] Lançamento: “Insurreição animal. Histórias extraordinárias de rebelião e resistência animal na era do capitalismo global”, de Sarat Colling

Macacos que escapam das gaiolas dos laboratórios, porcos que se recusam a descer a rampa do matadouro, vacas que arriscam suas vidas e enfrentam aqueles que roubam suas crias, cabras que escapam de leilões de gado e voltam para libertar seus companheiros, gorilas que desarmam as armadilhas dos caçadores e alertam outras espécies sobre a ameaça, cavalos que se recusam a correr em pistas de corrida, elefantes que atacam aqueles que os torturam em circos, baleias assassinas que afundam iates ultrapoluentes… Embora os animais não tenham voz, todas essas ações falam por si. Assim, as histórias de rebelião e resistência animal insistem para que os escutemos e os reconheçamos como companheiros na luta pela justiça social.

Nesse sentido, não podemos nos esquecer de que todas as estruturas urbanas, comerciais e industriais do capitalismo dependeram historicamente (e continuam a depender) da exploração animal. A insurreição dos animais é, portanto, um fenômeno social e político que muitas vezes não conseguimos enxergar. Ao coletar e reunir as histórias de animais que se rebelaram e se rebelam todos os dias contra essa situação, este livro mostra que todos eles são seres sencientes com seus próprios interesses e desejos e que, como tal, são sujeitos da luta por sua vida, liberdade e bem-estar.

Nesse poderoso ensaio, Sarat Colling aborda a insurreição animal em suas dimensões histórica, política e econômica. Mas o faz sempre com base nas histórias e nos testemunhos (muitas vezes obtidos em primeira mão em várias viagens e pesquisas) que vêm dos lugares onde os animais se rebelaram, de onde escaparam ou onde se refugiaram. Fomos ensinados a nos distanciar dos animais oprimidos, a ignorar sua luta e o que ela implica. Bem, é hora de nos aproximarmos deles. Todos eles são indivíduos. Todos eles têm uma história para contar.

“Um livro imprescindível sobre a relação entre os animais e a sociedade humana, absolutamente único e um prazer de ler”. Marc Bekoff, professor de biologia e autor de A Vida Emocional dos Animais.

“Desde o surpreendente ato de resistência da vaca Emily até a rebelião memorial do porco Francis, a autora deste magnífico ensaio coloca com maestria as histórias de luta dos animais não humanos oprimidos em uma perspectiva histórica e social”. David Nibert, Professor de Sociologia da Universidade de Wittenberg, autor de Direitos Animais, Direitos Humanos [Animal Rights, Human Rights].

>> Sarat Colling é ensaísta, vegana, ativista dos direitos dos animais não humanos e especialista em estudos críticos da animalidade. Trabalha como diretora de programas no Centro de História Natural da Ilha de Hornby, na Colúmbia Britânica. Desde que obteve seu doutorado em Sociologia Crítica pela Brock University, em Ontário, há mais de dez anos, com uma tese de mestrado intitulada Animais sem Fronteiras: Resistência em Animais de Fazendas em Nova Iorque [Animals without Borders: Farmed Animal Resistance in New York], Colling concentrou suas pesquisas em estratégias de insubordinação animal e se tornou uma das principais referências na área. Além de Insurreição Animal, suas obras incluem Animais em Revolta: Fronteiras, Resistência, e Solidariedade Humana [Animals in Revolt: Borders, Resistance, and Human Solidarity] e A Fuga de Grão-de-bico [Chickpea Runs Away]. Além de seu trabalho acadêmico, ela participou de inúmeras campanhas e ações em defesa dos direitos dos animais e da descolonização de suas existências. Atualmente mora em uma pequena casa que ela mesma construiu na Ilha de Hornby junto com sua cadela, Xena.

Insurreição animal.

Histórias extraordinárias de rebelião e resistência animal na era do capitalismo global

Sarat Colling

Tradução: Teresa Lanero Ladrón de Guevara

Coleção Libros salvajes

Número de páginas: 352

ISBN: 978-84-19158-58-1

Preço: 24,00€

erratanaturae.com

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Uma flor desabrocha
para a vida.
Alegria no jardim.

Aprendiz

[Itália] Por que se definir com a palavra “Pirata”?

Por que a Jolly Roger? Porque tem um significado profundo, antigo e romântico, antigo porque precede revoltas, revoluções, ideias anarquistas, iluministas e/ou revolucionárias, romântico porque o fundo preto da bandeira significa a ausência de fronteiras, nações, diferenças, raças ou religiões.

A caveira e os ossos nos lembram do pacto fraterno que nos une, nos avisa que, depois de experimentar a liberdade, não há como voltar atrás, que o caminho do pirata é de mão única, não há como voltar atrás.

Por que se definir com a palavra “Pirata”? Porque pirata é tanto masculino quanto feminino na mesma palavra, porque pirata é o que sempre, desde o início da história humana, se rebelou contra a autoridade constituída.

Nuova Pirateria Romantica & Black Wave Kollective

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o pardal
foge do frio
no bolso do espantalho

Cláudio Feldman

[Espanha] “Muros de Bitácora”, intervenções murais no espaço público

Memória é patrimônio

Em Murs de Bitácora Ilustramos os episódios de nossa história nas ruas de povoados, bairros e cidades.

Memória coletiva. Pintamos para recuperá-la, reivindicá-la e celebrá-la.

Visibilizar e realçar, mediante intervenções murais no espaço público, os episódios próprios da memória coletiva de cada comunidade.

Construir, desde a ação local, um mapa global da memória coletiva popular com Murs de Bitácora.

Registrar e “mapear” com as intervenções em todo o território, a pluralidade e riqueza do patrimônio memorial e a memória coletiva.

  • Usar a cultura e a arte urbana como uma ferramenta de coesão social e pedagógica que contribua para a construção e fortalecimento da própria identidade mediante recuperar nossa história.
  • Difundir e aproximar a arte urbana como uma disciplina transformadora, capaz de dignificar o espaço público e aportar valores positivos aos indivíduos e às comunidades.
  • Recuperar o espaço público como um espaço vivo com/de/pelas coletividades, um entorno de intercâmbio, enriquecimento e reflexo das inquietudes e necessidades de sua cidadania.
  • Materializar com intervenções artísticas todos aqueles processos participativos que revisam, reivindicam e difundem o patrimônio não tangível que é a memória.
  • Aportar material pedagógico à comunidade educativa do entorno. As intervenções de Muros de Bitácora resultam um evento próximo ao alunado que incentivam um amplo leque de atividades educativas.
  • Criar um mapa de murais que projete uma visão de conjunto de todos e cada um dos fragmentos e episódios da memória, possibilitar itinerários cujos murais ilustrem a história nos cenários em que aconteceu.

>> Mais infos: mursdebitacola.com

Tradução > Sol de Abril

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Eu afogo as distâncias
constantes abismos
montanha ou labirintos.

Anfrangil

[Espanha] Uma perspectiva anarquista sobre os novos grupos “ecologistas”

A narrativa catastrofista e a narrativa do colapso, impulsionadas pelas elites de Davos e por outros tecnocratas que promovem a transformação energética em busca de um novo modelo produtivo e econômico que continue a manter a dominação tecnocapitalista sobre todos os seres vivos, está moldando a nova corrente “ecologista” de grupos como Extiction Rebellion, Ultima Generazione, Futuro Vegetal….

A figura simbólica dessa nova militância “ecologista” é Greta Thunberg, uma ferramenta de mídia (uma adolescente com rosto angelical) que foi das salas de aula para os salões de Davos, passando pelo parlamento sueco, usada como publicidade e propaganda para as ideologias da tecnocracia e foi rapidamente convertida em um símbolo a ser explorado. Greta é o produto in vitro de Al Gore e de outros pesos pesados da narrativa do dia do juízo final, ela é a “influenciadora” que incentiva os jovens a invocar a agenda “verde” desenvolvida pelos centros de poder financeiro e tecnológico e pela ONU para salvar o planeta “antes que seja tarde demais”. Ela se tornou a heroína de um ambientalismo rançoso e, da noite para o dia, tornou-se uma excelente atriz cujos principais espectadores são os grupos “ambientalistas” mencionados acima.

Os seguidores de Greta foram acompanhados por Just Stop Oil, Ultima Generazione, Futuro Vegetal e muitos outros grupos eco-ansiosos. Eles são os neoativistas 4.0, equipados com cola, tinta e câmeras nas costas, para filmar em tempo real o que mais parece um set de filmagem do que um protesto. Esses neoativistas não têm nenhum projeto, nenhuma crítica elaborada… eles só vivem para o momento, para o efêmero, o superficial e o espetáculo além desse nada. Eles não fazem nenhum trabalho revolucionário como outros grupos ambientalistas, apenas vivem assediados pela ansiedade provocada pelas elites financeiras e filantrópicas que lhes disseram que o mundo está chegando ao fim. Isso é apenas parte do vácuo do discurso do juízo final. Nunca veremos esses grupos indo além do espetáculo. Não os veremos criticando, treinando ou lutando contra os outros males do sistema tecno-industrial, eles simplesmente seguem as diretrizes estabelecidas pelas elites que os convenceram de que todo o mal é o CO2, ignorando os outros males, a dominação e a exploração necessárias para o funcionamento do capitalismo.

Eles encenam dramas reais patrocinados por seus mestres: filantropos progressistas e apoiadores da ideologia transhumanista. Eles fazem suas as exigências da elite global e dos fundos de investimento. Agem sob a ilusão de salvar o mundo com slogans pré-embalados contra o CO2, as mudanças climáticas e a extração de combustíveis fósseis. É uma pena que “durmam” sobre o impacto devastador da transição digital e o aumento exponencial da poluição eletromagnética. Eles são “fluidos”, perfeitamente adaptáveis ao contêiner ideológico daqueles que os financiam e funcionais para o avanço da Grande Reinicialização e a plena realização da Quarta Revolução Industrial. Eles defendem todas as demandas do poder dominante, do desenvolvimento sustentável à carne sintética, do consumo de insetos ao despovoamento para salvar o planeta.

Os movimentos Friday for Future, Extinction Rebellion, Just Stop Oil, Ultima Generazione, etc. são apenas a base de uma pirâmide hierárquica no topo da qual reside um grande grupo de políticos, administradores, fundações filantrópicas, elites financeiras e tecnocráticas, magnatas do petróleo, da energia nuclear e da energia “limpa”, organizações governamentais e não governamentais. No entanto, abaixo da base da pirâmide, a massa humana é educada para a resiliência como um novo ato de fé, como uma forma de salvação das crises intermináveis, para se adaptar a não possuir nada, não ter privacidade e ainda assim ser feliz, de acordo com o lema do Fórum Econômico Mundial, alimentando-se de comida industrial, insetos e carnes e vegetais sintéticos, enviando seus filhos para escolas transformadas em centros tecnológicos que produzem autômatos digitais.

O objetivo é instilar o medo, convencer as massas de que elas enfrentam um perigo concreto e iminente; a orgia de slogans de conteúdo de baixa qualidade, espalhados por toda parte e de forma martelante e sistemática, tem a tarefa precisa de acostumar as massas e fazê-las dançar ao ritmo da mesma música orquestrada por vários maestros. “Repita uma mentira cem, mil, um milhão de vezes e ela se tornará uma verdade”: essa é a frase atribuída a Joseph Goebbels. A insistência com que o catastrofismo climático é propagado destrói o pensamento crítico e distorce a percepção da realidade, na medida em que qualquer evento é acriticamente atribuído à questão climática: os desastres resultantes de eventos extremos são atribuídos ao clima e não ao desmatamento, à urbanização selvagem, à modificação ambiental extrema e às operações de geoengenharia terrestre e atmosférica.

O dióxido de carbono se torna o inimigo; os defensores do ambientalismo catastrófico nos lembram disso em coro, com a intenção precisa de aniquilar o ser humano e torná-lo culpado, apontando-o como parte da mudança climática, induzindo-o, assim, a apoiar a destruição e o redesenho da natureza ao mesmo tempo. É hora de acreditar que essa é a maneira de salvá-la. Do perigo de enchentes à seca e ao aumento do nível do mar, a catástrofe está sempre próxima: a ciência diz isso, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) diz isso, os centros de poder governamentais e não governamentais e, finalmente, os “ambientalistas” repetem isso.

O regime tecnocientífico “constrói” a Natureza 4.0, a natureza inteligente: carne sintética, o tomate roxo, a floresta inteligente, plantas resistentes à mudança climática, são apenas alguns exemplos de como ocorre a manipulação da vida, assumida pelos “escultores da evolução”, que depois de terem sido treinados para modelar pequenos pedaços da Natureza em laboratórios de pesquisa, agora estão prontos para transformar toda a Natureza.

A engenharia da natureza não poupa nem mesmo os céus, pois com a desculpa de combater o CO2 e o aquecimento global/alteração climática, serão implementadas técnicas de manipulação da atmosfera, da terra e dos oceanos. A geoengenharia atmosférica já está em ação localmente e por um período limitado de tempo, mas a meta será obter o controle total do clima global, como parte do controle total da vida.

O Planeta Inteligente será, na realidade, o Planeta Projetado tão amado pelo geoengenheiro Alan Robock e pelo resto da tecnocracia, envolto em véus que embranquecem o céu, amortecem a luz do sol e padronizam a temperatura da Terra.

A Conferência da ONU sobre a Água, em março de 2023, oficializou a nova “emergência” da água. Será mais uma estratégia para centralizar o gerenciamento e impor o racionamento.

Mas então, se o dióxido de carbono, a luz e a água, os três elementos fundamentais da vida, também caírem nas mãos dos mestres universais, o que será de nós e da vida na Terra?

É hora de relançar uma ecologia radical que mais uma vez critique o sistema tecnocientífico. Colocar a ecologia política de volta na mesa. Lembrar as lutas e os grupos ecológicos que, com seus erros e acertos, podem servir de exemplo para que continuemos suas lutas e, ao mesmo tempo, nos livrarmos desse “neoecologismo” catastrofista e de controle remoto.

Pela anarquia.

CHIMPANZÉS DO FUTURO, MADRI, JULHO DE 2024

Tradução > Liberto

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Nos fios do poste
Andorinhas se empoleiram
Vendo o pôr-do-sol

Igor

[EUA] Lançamento: “Riot Act”, de Sarah Lariviere

Nesta história, uma mistura de punk rock com 1984, um grupo de alunos de teatro ataca um regime político. É um enredo perfeito para quem ama os livros de A. S. King e Marie Lu.

Em uma versão alternativa de 1991, um governo americano autoritário controla tudo e todos. Ele censura quais livros podem ser lidos, que músicas podem ser ouvidas, e que peças de teatro podem ser apresentadas.

Quando sua melhor amiga é assassinada pelas autoridades e quem lhe ensina teatro desaparece sem deixar rastros, Gigi decide organizar colegas que atuam na Escola de Ensino Médio Champaign para apresentar a peça Henrique VI. Mas o que isso lhe custará?

Sobre a autora

Sarah cresceu em Champaign, Illinois, formou-se em teatro pela Oberlin College e tem um mestrado em serviço social pela Hunter College em Nova Iorque, onde ela se especializou em cuidado com crianças e famílias. Ela mora em Los Angeles, Califórnia, onde ela se inspira em seu selvagem jardim e no som do violão de seu filho.

Riot Act

Sarah Lariviere

304 páginas, capa dura

Publicado em 16 de julho de 2024

$10,00

goodreads.com

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

livro antigo
o bicho traça
o sonho dos sábios

Alexandre Brito

[Portugal] A horizontalidade é um trabalho sempre em curso

Há nove anos, em Setembro de 2015, na Penha de França, em Lisboa, abria a Disgraça, com a vontade de ser um espaço «antiautoritário onde se pudesse discutir e criar soluções colectivas para problemas que tínhamos vindo a individualizar». Com a sua espécie de arquitectura invertida, este espaço está, desde há quase uma década, alugado ao colectivo que o gere e tornou-se num ponto fundamental de vida para além da opressão capitalista da cidade de Lisboa. Hoje, perante «uma cidade devastada pela especulação imobiliária, pela crise da habitação e pela elitização da cultura», a Disgraça decidiu que a única forma de fugir do aumento cavalgante das rendas e das ameaças de expulsão é comprar o espaço. Podes contribuir em gofundme.com/f/disgraca

A Disgraça está a combater o monstro imobiliário tornando-se proprietária do seu espaço, o que, ainda que se trate de uma propriedade colectiva, é quase irónico. Chegou-se realmente a este ponto em que as únicas opções são a propriedade ou a não existência?

Neste momento em Lisboa, como sabemos, é cada vez mais difícil sustentar os aumentos absurdos de rendas. Confrontades com o facto de que espaços amigos se encontram em situações de despejo iminente, urge a necessidade de assegurar a Disgraça a longo termo. Temos investido muito tempo, suor e lágrimas ao longo destes quase 9 anos e contemplar a possibilidade de nos tornarmos mais uma vítima da gentrificação de um dia para o outro, ou dar este espaço a perder e possivelmente (ou não) ter de recomeçar noutro sítio, levou-nos a decidir que era preciso reunir esforços para que tal não acontecesse.

Há também a opção de okupar, mas como se viu recentemente com o Centro Social de Santa Engrácia ou com centros sociais okupados anteriores (neste momento) é bastante difícil assegurar um espaço através dessa via. Apesar de agora as opções a longo termo parecerem ser essas – propriedade ou não existência –, vemos também o papel da Disgraça em apoiar movimentos de resistência, incluindo o de okupação, para que no futuro esta pergunta não faça sentido. A ironia de haver anarquistas a comprar propriedade não nos passa ao lado; contudo, é fulcral que haja espaços estáveis onde se possa aprender, partilhar, conspirar e (des)construir de forma colectiva e horizontal.

Um olhar sobre o vosso calendário mostra uma actividade quase frenética. Como se organizam para manter esse ritmo de coisas a acontecerem, tratarem da gestão burocrática do espaço, da biblioteca, da sala de concertos, da oficina, da sala de ensaios, da serigrafia, do ginásio, da loja livre ou da Tortuga e, ao mesmo tempo, se manterem em autogestão horizontal?

É importante relativizar um bocado a quantidade de eventos que se vê no nosso calendário. Nem todos são organizados pelo colectivo da Disgraça. Alguns exemplos são os benefits organizados por vários colectivos, os concertos regulares da ATR, os DIY Mondays semanais… É importante para nós que a Disgraça seja um espaço onde as pessoas se possam envolver facilmente e onde não haja binários rígidos entre pessoas organizadoras e consumidoras. É também por isso que tentamos organizar frequentemente as assembleias Galaxy, abertas a qualquer pessoa.

Em princípio, os diferentes espaços dentro da Disgraça funcionam autonomamente. A Tortuga, o ginásio, a sala de ensaios, etc., têm os seus próprios grupos que se autogerem. Na prática, isto nem sempre funciona tão bem quanto gostaríamos. Sentimos, contudo, que tem havido uma evolução positiva. No início, quase tudo era organizado pelas pessoas do colectivo. Hoje em dia há muito mais fluidez – a horizontalidade é um trabalho sempre em curso.

Ultimamente, a dupla responsabilidade de manter o funcionamento diário da Disgraça ao mesmo tempo que nos organizamos para comprar o espaço tem sido desafiante. Achamos que a organização horizontal não é só sobre partilha de tomada de decisões mas também do trabalho e da responsabilidade para que fique mais fácil fazê-lo colectivamente. Também esperamos, quando conseguirmos assegurar o espaço, adaptarmo-nos mais facilmente com a fluidez do tempo e energia disponíveis, em vez de precisarmos de seguir o ritmo de rendas mensais.

Sabemos que têm tido um papel importante no apoio aos migrantes que estão acampados na zona dos Anjos, em Lisboa, nomeadamente por emprestarem a vossa cozinha para que possam cozinhar. Como têm corrido as coisas? É possível a solidariedade não caritativa, mesmo em situação tão limite?

Queremos realçar que, neste caso, o colectivo da Disgraça tem pouco envolvimento na Cozinha dos Anjos em si, que funciona autonomamente – o espaço e o equipamento são utilizados pelas pessoas que deles necessitam. Mas, daquilo que temos visto, parece-nos estar a correr super bem. É muito fixe que a malta esteja a relaxar – cozinhar, ouvir música, jogar jogos – num ambiente bastante mais seguro do que estar na rua, sob o risco de serem confrontades pela bófia, políticos e outros parasitas desta sociedade de merda.

De forma geral, precisamente por serem situações limite, torna-se difícil evitar que se perpetuem padrões de caridade. É mais uma das facetas das socializações que sempre tivemos (e continuamos a ter) e que, como tudo o resto, requer um esforço activo e diário para as desconstruir. Mais especificamente sobre a Cozinha dos Anjos, é uma pergunta que lhes teriam de fazer, uma vez que são as pessoas que, a nível prático, mais estão a lidar com essa questão.

Fonte: https://www.jornalmapa.pt/2024/08/13/a-horizontalidade-e-um-trabalho-sempre-em-curso/

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Varro, embevecida —
Sinfonia de cigarras
Alegra a faxina.

Sonia Regina Rocha Rodrigues

Memória da Primeira Conferência de Pesquisa sobre Mulheres Anarquistas no México

Compartilhamos a Memória da Primeira Conferência de Pesquisa sobre Mulheres Anarquistas, organizada no México em maio de 2023 pela Rede de Pesquisadoras sobre Mulheres Anarquistas.

1ª edição digital 2024.

Em outubro de 2022, um pequeno grupo de companheiras que vinha pesquisando as mulheres anarquistas, especialmente o projeto Magonista, tomou consciência da falta de espaços de discussão e sociabilidade em que estudiosas e pesquisadoras das mulheres libertárias na história pudessem divulgar suas pesquisas, apresentar seus trabalhos, trocar experiências e fontes de consulta e, em geral, socializar e dar feedback sobre seus estudos. Foi assim que surgiu, pela primeira vez em nosso país, a Rede de Investigadoras sobre Mulheres Anarquistas (RIMA). Uma rede que visa a possibilitar o desenvolvimento e o trabalho coletivo entre as mulheres que se dedicam a esse tema. Nosso objetivo é formar uma rede de pesquisadoras, principalmente no México e na América Latina, que realizam estudos sobre mulheres e anarquismo a partir de diferentes disciplinas. Pretendemos iniciar um projeto autogerido que formará essa RIMA e promoverá a ajuda mútua, o trabalho coletivo e interdisciplinar, o diálogo, a divulgação e a troca de experiências sobre os estudos e as práticas que estão sendo realizados atualmente em nosso país e em outras latitudes.

Como tarefa inicial, a RIMA propôs a Primeira Jornada no México sobre Pesquisa sobre Mulheres Anarquistas, a ser realizada de 22 a 26 de maio de 2023, na Cidade do México, tanto presencial quanto virtualmente. Como resultado da convocação, recebemos cerca de quarenta trabalhos, que foram apresentados com amplas possibilidades de discussão, excedendo em muitas nossas expectativas numéricas. Eles trataram de tópicos interessantes e variados de interesse para pesquisadores e estudiosos das anarquistas no México e em várias partes do mundo. Além disso, tivemos apresentações de quatro excelentes palestrantes, que compartilharam conosco seus produtos e experiências na pesquisa do assunto que nos interessa. Foram eles: Laura Fernández Cordero, Ana Lau Jaiven, Anna Ribera Carbó e Jorell Meléndez. Também foi apresentado um livro importante para nosso tema: Revolucionarias, rebeldes y anarquistas: las mujeres en el Partido Liberal Mexicano, de Luis F. Olvera Maldonado, com comentários de Gabriela López Ruiz e Alejandro de la Torre.

Os locais para a conferência foram o Instituto de Investigaciones José María Luis Mora e a División de Estudios Superiores del INAH, cujos responsáveis gostaríamos de agradecer pelo apoio em termos de espaço e logística, sem os quais essa reunião não poderia ter sido realizada; em particular, estendemos nossos agradecimentos à nossa companheira e designer gráfica Paola Avila Meléndez, por seu trabalho inestimável, tanto nos arranjos necessários para obter os espaços mencionados quanto no design dos pôsteres e da publicidade necessária para a materialidade do evento.

A conferência mencionada foi bem-sucedida e é um bom presságio para um trabalho coletivo a médio e longo prazo. O resultado é bastante otimista e esperançoso. Muitos colegas participaram com uma variedade de temas. A diversidade de tópicos nos mostra os interesses, gostos, preocupações teóricas e práticas, bem como as inclinações dos pesquisadores. Nosso objetivo foi alcançado no sentido de descobrir que experiências temos, que estudos estão sendo realizados sobre mulheres anarquistas em diferentes regiões do mundo. O resultado desse evento rico e fundamental é o presente relatório, que reúne 22 trabalhos e artigos de especialistas sobre esse e outros tópicos.

Como introdução, esta Memória começa com um texto muito interessante sobre a “Vida e pensamento de Juana Belén Gutiérrez de Mendoza”, escrito pela historiadora Ana Lau Jaiven, que também deu uma palestra na conferência. Também tivemos um interessante ensaio de Laura Fernández Cordero, intitulado “Cuando estalló la forma de amar“, que é a apresentação de seu livro Amor y anarquismo. Experiencias pioneras que pensaron y ejerceron la libertad sexual, Siglo XXI editores. Jorell Meléndez-Badillo apresentou seu excelente trabalho intitulado: “La pluma como arma: un contrapunteo intelectual entre Blanca de Moncaleano y Luisa Capetillo” (A caneta como arma: um contraponto intelectual entre Blanca de Moncaleano e Luisa Capetillo). Em seguida, foi apresentado o livro de Luis F. Olvera Maldonado, Revolucionarias, rebeldes y anarquistas: las mujeres del Partido Liberal Mexicano, Editorial Antagonismo, Cidade do México, 2023, sob a pena de Gabriela López Ruiz.

Nesta apresentação, incluímos breves comentários sobre os trabalhos que compõem a presente Memória. As mesas de trabalho da Primeira Jornada foram convertidas nos seguintes capítulos:

>> Para ler o documento na íntegra, clique aqui:

https://drive.google.com/file/d/1zUihpZ9jX5KbpdGbnWUwccWFgVJJzNl0/view

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Vento nas ilhas.
Gaivotas sobre o mar
Imitam veleiros.

Oddone Marsiaj

Justiça, ordem e anarquia: a teoria política internacional de Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865)

R e s u m o

Apesar de escrever quase 2.000 páginas sobre política internacional, as obras do anarquista Pierre-Joseph Proudhon simplesmente não aparecem na historiografia ou no estudo da teoria contemporânea das Relações Internacionais. Defendo que tal não se justifica, ilustrando suas percepções convincentes e duradouras sobre a história e a natureza do “internacional”. Proudhon empregou uma teoria sociológica e psicológica da justiça; ele via a guerra e o conflito como motores de mudança na sociedade; e ele via a ordem como emergente da profunda anarquia da sociedade (global). O artigo fornece uma leitura contextualizada de suas obras para ilustrar sua importância histórica, e demonstra seu potencial para contribuir com a teoria de RI atual por meio de uma comparação com a Teoria Crítica contemporânea.

>> Acesse o texto na íntegra aqui:

https://revistas.ufrj.br/index.php/read/article/view/61288

agência de notícias anarquistas-ana

Toma nota, rapaz:
Hai-kai é a captura
De um momento fugaz

Lubell