Anarcas

Pessoas anarquistas são pessoas que não querem dominar nem serem dominadas. São pessoas que não querem jamais assumir o papel de pessoa opressora nem a de pessoa oprimida, nem de vítima, nem de carrasca.

Não buscam apenas liberdade para uma pessoa mas para toda as criaturas, consideram que o máximo de liberdade individual só pode ser alcançado num quadro de liberdade e igualdade generalizada.

Lutam contra a exploração social, contra seu funcionamento econômico e sua ideologia, contra a desigualdade tanto econômica como sexual ou de outros tipos, contra todo poder e autoridade, e procuram trazer a Anarquia, o mundo, porque é a ausência de dominação, é um símbolo que existe nas mentes e nos corações daquelas que me desejam. E do mesmo modo que o dinheiro e o capital produzem a opressão e a tirania, a anarquia entrega a liberdade entre todas as pessoas.

O conceito utilizado por pessoas anarquistas para obter essa sociedade livre –o ideal de um mundo sem governo– é o anarquismo.

Mas há várias perspectivas quando defini-lo.

O anarquismo não é apenas um método para chegar a anarquia.

É também uma forma da vida individual e social realizável imediatamente e para o maior bem de todas as criaturas, não só um sistema, uma ciência ou uma filosofia a mais para desespero das pessoas anarcologas (termo que usarei para definir pessoas que estudam a anarquia, mas não necessariamente que sejam ou tenham alguma afinidade ideológica).

É possível ainda referenciar o anarquismo como uma possível filosofia social e pessoal com base na liberdade humana, no convênio ou acordo de livre deste com seus semelhantes e na organização de uma sociedade na qual não deve haver classes, grupos ou interesses privados e leis prejudiciais ou coercitivas de qualquer espécie a qualquer criatura que seja.

As bases do anarquismo são os direitos inalienáveis individuais, o pacto livre com as outras pessoas e criaturas, a organização de uma sociedade onde os direitos estejam garantidos pela relação harmoniosa, equilibrada de todas as participantes.

Ao contrário de outras ideologias, não há uma figura central em que as ideias tenham circundado para a articulação do anarquismo. Sempre olhe desconfiado se valorizam por demais, a ponto de cultuar uma pessoa, deixando de lado as ideias que movem ou moviam essa “ilustre” pessoa. Na anarquia há iconoclastia = destruir ícones.

Na luta somos dignas e livres!

anarkio.net

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terreno baldio
lixo revirado
gato vadio

Carlos Seabra

Vaquinha pela primeira publicação do Centro de Cultura Libertária da Amazônia (com a Monstro dos Mares)

Olá pessoal, é com muito prazer e, devo confessar, uma certa dose de orgulho que venho apresentar essa campanha de financiamento participativo.

Se trata da primeira publicação realizada pelo CCLA e de uma tradução importante para o movimento anarquista brasileiro atual: 10 Perguntas sobre o Anarquismo é uma obra muito didática sobre o nosso movimento, muito acessível e completa apesar do formato reduzido.

Essa tradução do companheiro francês da UCL Guillaume Davranche ajuda a manter o movimento atualizado com a produção anarquista mundial contemporânea e, ao mesmo tempo, resitua o anarquismo na sua perspectiva histórica.

Então, convido vocês a participarem dessa campanha doando um pequeno valor que vai ajudar o CCLA a existir a nível nacional e torná-lo conhecido Belém afora.

>> Aqui o link da campanha: https://www.catarse.me/10perguntas

cclamazonia.noblogs.org

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Nem uma brisa:
o gosto de sol quente
nas framboesas

Betty Drevniok

[Canadá] Festival Internacional de Teatro Anarquista de Montreal chega ao fim

Agradecimentos

Após 18 anos de existência, o coletivo do Festival International du théatre anarchiste de Montréal decidiu encerrar suas atividades.

Obrigado a todos os artistas, voluntários, ex-membros do coletivo e ao público por sua presença, contribuição e apoio durante todos esses anos.

Nosso festival sempre foi realizado de forma voluntária e sem nenhum apoio governamental.

Se outros anarquistas desejarem organizar outro festival, ficaremos felizes em ajudá-los.

Os membros do coletivo FITAM

anarchistetheatrefestival.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/06/canada-17o-festival-internacional-de-teatro-anarquista-de-montreal/

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Livro de poesia
Caminha sobre as estrofes
Uma joaninha

Estela Bonini

[Espanha] Sexta-feira, 11 de novembro: Apresentação do Fundo Fotográfico Moderno (FFM) da FAL

No dia 11 de outubro, às 18h30, continuaremos nosso itinerário de formação e divulgação do trabalho de arquivo do nosso centro documental. Nesta próxima sessão, que será a terceira, apresentaremos publicamente o Fundo Fotográfico Moderno (FFM) da FAL. Anna Pastor Roldán, historiadora e documentalista, será responsável pela elaboração da primeira ferramenta de descrição para a gestão documental da coleção; estamos nos referindo ao inventário de coleções fotográficas do Fundo Fotográfico Moderno (FFM) da FAL.

O Fundo Fotográfico Moderno reúne as coleções fotográficas pós-1939 mantidas pelo arquivo da FAL. Nesta sessão, explicaremos o processo de trabalho que levou ao primeiro inventário de coleções, informando sobre a política de acesso e consulta documental. Também discutiremos o grande valor histórico dessa coleção, anunciando as próximas linhas de trabalho relacionadas à sua gestão documental.

Embora a conferência seja destinada especialmente a pesquisadores ligados ao estudo da história do anarquismo, o acesso à palestra será gratuito. Acreditamos também que a sessão possa ser de interesse para estudantes e profissionais envolvidos na gestão documental de acervos fotográficos.

Gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para anunciar que, nos próximos meses, continuaremos com esse itinerário de atividades culturais e formativas ligadas ao arquivo da Fundação. De fato, em breve estaremos anunciando as datas das próximas sessões. Nesse sentido, recomendamos que você fique atento às notícias publicadas no site e nas redes sociais da Fundação.

Quando? Sexta-feira, 11 de outubro

Horário? 19:00 horas

Onde? Sede da FAL em Madri

fal.cnt.es

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/12/13/espanha-jornada-de-portas-abertas-na-fal-uma-viagem-por-nossa-memoria-grafica-fondo-fotografico-moderno/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/11/10/espanha-ampliando-e-melhorando-o-acervo-de-fotografias-historicas-da-fal/

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No entardecer
O azul celeste
Manchado é pelo arranha-céu

Dalva Sanae Baba

Lutar não é crime! Libertem o professor Adriano Gomes da Silva, já!

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO MANTÉM PRESO O PROFESSOR ADRIANO GOMES DA SILVA POR CRIME QUE ELE NÃO COMETEU!

ATENÇÃO! LUTAR NÃO É CRIME!

O governador de São Paulo, o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o seu secretário de segurança pública, o bolsofascista Guilherme Derrite(PL), prenderam de forma arbitrária o professor Adriano Gomes da Silva, por um crime que ele não cometeu. O professor é mais uma vítima da perseguição política praticada pelo governo fascista do Estado de São Paulo.

EXIGIMOS A LIBERDADE IMEDIATA DO PROFESSOR ADRIANO!

Desde o dia 16 de setembro deste ano, o Estado de São Paulo prendeu e mantém preso (na unidade prisional de Franco da Rocha II) o professor da rede pública de ensino da cidade de São Paulo, Adriano Gomes da Silva.

Sob acusações arbitrárias e provas tramadas, o governo do Estado de São Paulo, utilizando-se de suas instituições militar, jurídica e política, tenta silenciar, reprime e encarcera o professor Adriano, que com coragem enfrenta esse modelo de política fascista.

Acontece que o professor Adriano, com anos dedicados à luta em defesa da educação, enfrenta a truculência de um Estado que se esforça para destruir aqueles e aquelas que lutam por mudança e por dignidade.

O professor Adriano foi condenado a 10 meses de prisão em regime semiaberto. Motivo: manifestar-se contra as injustiças do Estado burguês, revoltar-se contra a violência de policiais que espancavam os Direitos Humanos de pobres trabalhadores numa ação de despejo de uma ocupação de moradia.

Por que a prisão do professor Adriano se trata de uma perseguição política?

Primeiro, porque em todos os processos – movidos pelo Estado – contra o professor, as acusações são sempre as mesmas (“desacato” e “desobediência”) e nos quais há sempre uma predominância de policiais como testemunhas acusatórias. Percebe-se: quem o prende são os mesmos que o acusam! Sua atual prisão, se dá pelo fato dele já ter sido julgado, condenado e sentenciado (sem ser comunicado para que pudesse recorrer) num processo de 2018, numa ação de despejo de uma ocupação, contra a qual o companheiro se posicionou diante da truculência policial, e sob a qual se tornou réu e foi condenado por desacato. E, segundo, porque em geral sentença por desacato costuma ser cumprida em regime aberto.

Cabe lembrar que a pedido do Governo do Estado de São Paulo, a Procuradoria Geral do Estado (PGE), desde 2014, moveu um Processo Administrativo Disciplinar contra o professor Adriano e o enviou à Secretaria de Educação, do qual resultou na sua demissão – em 2020 – do cargo que ocupava.

O Estado de São Paulo carrega um histórico de hostilidades e perseguições políticas contra trabalhadores. Incontáveis funcionários públicos do estado de São Paulo, têm sofrido ameaças, perseguição, prisão e demissões ao longo dos governos do PSDB (foi assim na greve de 2000 com o professor Tonhão e mais 4 companheiros demitidos) e agora o é no governo bolsonarista de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O processo movido contra o professor Adriano, demostra o caráter da política terrorista do governo burguês no Estado de São Paulo. Montado para criminalizar um professor que luta contra as políticas de destruição da educação e contra a precariedade das condições sociais; que luta pela dignidade da condição humana; que luta por uma escola de qualidade e gratuita para todos e todas!

A história não deixa dúvidas: os governos do Estado de São Paulo carregam em seu histórico a prática de arruinar a educação e as condições de vida do povo trabalhador! Os governos e a burguesia são bandidos do mesmo saco!

Não podemos permitir que a burguesia paulista leve adiante – sem ser contestada – seu projeto de ditadura capitalista!

Todos os processos movidos pelo Estado contra o professor Adriano têm seu peso político de classe.

Daí a importância de nos posicionarmos em solidariedade ao companheiro.

LIBERDADE IMEDIATA PARA O PROFESSOR ADRIANO GOMES DA SILVA!

E PARA TODOS OS PRESOS POLÍTICOS!

LUTAR NÃO É CRIME!

COMITÊ EM APOIO E SOLIDARIEDADE AO PROFESSOR ADRIANO GOMES DA SILVA

Outubro de 2024

agência de notícias anarquistas-ana

Fumaças vermelhas
da tempestade de pó
devoram o sol.

Masuda Goga

[Itália] Vídeo: Manifestação em Roma em solidariedade à Palestina

Apesar da proibição, a manifestação em solidariedade à Palestina e contra a lei DDL 1660 foi realizada em Roma, em meio a acusações, confrontos, controles e a desinformação habitual.

Apesar de ter sido proibida em 25 de setembro, da dissociação e da convocação de outra manifestação paralela para 12 de outubro por alguns grupos palestinos, os organizadores mantiveram a convocação. Essa data coincide com o aniversário do início da intensificação do genocídio do povo palestino por Israel após os ataques do Hamas. O acesso à cidade foi cortado por postos de controle da polícia em estradas e estações de trem, os ônibus ficaram retidos por horas, as linhas de metrô foram fechadas, mais de 1.600 pessoas foram identificadas e 40 foram detidas em delegacias de polícia e, posteriormente, expulsas da cidade por terem antecedentes criminais… e vans da polícia e carros blindados tomaram conta do centro da cidade e blindaram o local da manifestação pró-palestina, a Piazza Ostiense.

Apesar dos obstáculos, cerca de 10.000 pessoas conseguiram entrar na praça. Após provocações da imprensa e da polícia, a polícia atacou com canhões de água e gás lacrimogêneo. Muitos manifestantes reagiram às cargas policiais e os confrontos duraram horas. Foi confirmado que 4 pessoas foram presas, 2 delas acusadas de resistência, violência e danos a funcionários públicos.

A mídia, como de costume, está repetindo as palavras do Ministro do Interior, do chefe de polícia, de vários políticos e dos sindicatos da polícia: incidentes provocados por infiltrados violentos, resposta proporcional da polícia para proteger os manifestantes pacíficos, bandeiras do Hezbollah e gritos antissemitas, manifestação corretamente proibida porque a tese de infiltrados violentos foi corroborada, etc.

Link para o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=pkDOi0nUnpU

Borrokan

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/25/o-estado-italiano-cada-vez-mais-repressivo/

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crianças mortas –
mundo que escreve mal
por linhas tortas

Carlos Seabra

Apresentação do Relatório da Primeira Conferência no México de Pesquisa sobre Mulheres Anarquistas

Convidamos você a assistir à apresentação do Relatório da Primeira Conferência no México de Pesquisa sobre Mulheres Anarquistas, realizada de 22 a 26 de maio de 2023, na qual foram apresentados muitos trabalhos interessantes sobre o papel das mulheres anarquistas em diferentes épocas e latitudes e que agora podemos consultar, em formato digital, em um documento que compila a pesquisa que foi apresentada naquela ocasião.

Para participar pessoalmente, esperamos vê-lo na próxima quinta-feira, 10 de outubro, às 16h, na Sala do Conselho Margarita Nolasco da Escola Nacional de Antropologia e História da ENAH ou no canal da ENAH tv no YouTube: https://www.youtube.com/@enahtv5804.

Você pode fazer o download da publicação em:

https://drive.google.com/…/1zUihpZ9jX5KbpdGbnWUwcc…/view

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/08/20/memoria-da-primeira-conferencia-de-pesquisa-sobre-mulheres-anarquistas-no-mexico/

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Amo primavera
e o seu calor em cor
e o seu botão se abrindo, menino!

PatriciaBC

Tradução • Ajuda • Colaboração

[Reino Unido] Bilionários no espaço

O turismo de elite não está “abrindo caminho para a humanidade em direção às estrelas”, mas sim a fuga das elites de um planeta moribundo

Andrew J Boyer ~

Jared Isaacman se tornou o primeiro bilionário a caminhar no espaço, em uma missão bem-sucedida da Space-X intitulada Polaris Dawn. O evento atraiu manchetes por pouquíssimos motivos, além do fato de ele ser um bilionário americano e não um astronauta tradicional. De forma semelhante, no ano passado, a Virgin Galactic de Richard Branson completou seu primeiro voo comercial no espaço, com passagens custando mais de US$ 450.000 por assento (cerca de 2,5 milhões de reais). Existe ainda, é claro, a Blue Origin de Jeff Bezos, que promete lugares não apenas para turismo espacial, mas para viver e trabalhar no espaço.

Enquanto alguns podem achar inspirador que um empresário possa comprar o bilhete de um agradável passeio cósmico, o resto de nós fica desanimado com a sensação de que até o espaço pode ser transformado em mercadoria. Os capitalistas descartam conceitos como uma sociedade sem dinheiro, abolicionismo, apoio mútuo e democracia direta como ridículos e utópicos, mas no momento em que o espaço é mencionado a um bilionário, seus olhos brilham como a Via Láctea.

A ideia de bilionários abrindo caminho para viagens espaciais através do turismo destaca a questão: o que consideramos progresso? Uma justificativa comum para estados e para o capitalismo é que eles permitem projetos de grande escala como explorações espaciais e que construir foguetes é impossível sem estruturas de comando e um motivo de lucro. Mas enquanto esse senso grandioso de progresso é presunçosamente elogiado e defendido, a pobreza corre solta como sempre, guerras e genocídios continuam, desastres ecológicos varrem o planeta, grupos marginalizados enfrentam violência e muitas pessoas continuam exploradas e isoladas de suas comunidades. Há claramente uma diferença nas prioridades.

De alguma forma, o turismo (de qualquer tipo) sempre foi uma fuga privilegiada para um destino mercantilizado e com uma experiência cultural excessivamente selecionada. Mas os direitos de se gabar que alguém imagina ter quando posta suas fotos de férias nos Fiórdes nórdicos no Instagram, empalidecem em comparação ao sentimento divino que um membro rico da elite pode ter quando olha para a Terra de longe. A alegria deles não é ir “onde ninguém jamais foi”, mas sim “onde ninguém pode se dar ao luxo de ir”.

Mas tal arrogância cai nos ouvidos cínicos de gerações preocupadas com a destruição ambiental da Terra. Com o calor extremo se tornando a principal causa de morte relacionada ao clima, os mais jovens têm muito pouco interesse em viagens espaciais nostálgicas no estilo Apollo e preferem usar o custo de sua ”teórica passagem espacial” para pagar por moradia, alimentação e educação.

O desejo de viajar é completamente natural e não há nada do que se envergonhar. Explorar o espaço tem sido um sonho (ou pelo menos um pensamento passageiro) para todo ser humano que já olhou para a Ursa Maior. Mas a caminhada espacial de Jared Isaacman não é uma conquista heroica que abrirá caminho para nossos sonhos. Em vez disso, ela mostra como, diante de uma ameaça à sobrevivência da vida na Terra, as elites já estão se preparando para comprar sua saída do planeta.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/09/16/billionaires-in-space/

Tradução > meiocerto

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nas ondas cintila o luar.
longas algas,
verde cabelo do mar

Alaor Chaves

[Cuba] Prisão e escravidão moderna no “paraíso” dos trabalhadores

As Nações Unidas condenaram os trabalhos forçados impostos aos presos políticos em Cuba relatados no estudo sobre Formas Contemporâneas de Escravidão, segundo a ONG Prisoners Defenders.

No documento, apresentado oficialmente em setembro, as Nações Unidas citam que “a existência de leis e regulamentos nacionais que permitem o trabalho obrigatório por expressar opiniões políticas ou participar em greves continua a ser um motivo de preocupação em Cuba”.

De acordo com a organização não-governamental Prisoners Defenders, o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre as formas contemporâneas de escravidão, Tomoya Obokata, “adota explicitamente” o “breve relatório da ONG sobre o trabalho forçado nas prisões cubanas”, que dá exemplos concretos da “situação alarmante nas prisões cubanas, especialmente dolorosa para os prisioneiros de consciência e os presos políticos”.

A produção de carvão vegetal de Marabú e o corte de cana-de-açúcar para a colheita da cana são duas das principais formas de trabalho forçado a que são submetidos os presos políticos em Cuba, segundo os testemunhos recolhidos pela Prisoners Defenders.

A ONG afirmou que a situação afeta também os menores, que as jornadas diárias de trabalho são superiores a nove horas, que a alimentação dos trabalhadores é escassa e que não existe um controle médico prévio.

A Prisoners Defenders denuncia ainda que o carvão cubano produzido em regime de trabalho forçado em Cuba é comercializado na Europa, aspecto que a organização não-governamental espera que o relatório do relator da ONU ajude a alterar.

Fonte: agências de notícias

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/04/incidentes-repressivos-ou-violadores-de-direitos-humanos-em-centros-penitenciarios-cubanos/

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Lua crescente.
Onde está a outra parte?
Derramou no mar.

Rafael Medeiros

Por que as eleições não conseguem trazer mudanças reais

Os 10 filtros que as tornam ineficazes para a esquerda radical

Por que as 99% não podem simplesmente votar em um governo que atue em seu interesse e não no de 1%?

Em um nível simples, eleições parlamentares parecem a maneira ideal para as “despossuídas” usar seus números para superar o poder e as influências do pequeno número de “possuídas”. Muitos grupos e coletivos anárquicos sobre essa divisão na linguagem do 1% e 99%; uma aproximação grosseira que reflete uma realidade onde o número de lideranças ricas é na verdade muito pequeno, de fato menos de 1%. Então, por que as 99% não podem simplesmente votar em um governo que atue em seu interesse e não no do 1%?

Vamos começar reconhecendo que isso não é por falta de tentativa. A luta pelo sufrágio pleno no século XIX foi muito atraída pela ideia de que, uma vez que todas tivessem o direito de voto, um governo da maioria trabalhadora poderia ser eleito e redistribuiriam a riqueza no interesse de todas. Não era apenas uma grande parte da esquerda que via as coisas dessa forma, a elite rica também via e elas estavam aterrorizadas com o sufrágio em grande escala por esse motivo. Mas elas passaram a ver que o tipo de força de trabalho educada de que cada vez mais precisavam em sua sociedade em desenvolvimento não poderia ser negado para sempre e, portanto, mudaram da oposição ao sufrágio para concedê-lo somente depois de descobrirem como contê-lo e usá-lo em seu benefício. Sua capacidade de controlar o voto e o sistema eleitoral foi claramente demonstrada no século XX , quando governos de esquerda foram eleitos repetidamente, mas mudanças fundamentais quase sempre foram evitadas. Como isso foi alcançado?

As pessoas anarquistas às vezes são culpadas de simplificar demais esse processo seguindo as linhas do velho slogan “Se votar mudasse alguma coisa, seria ilegal”. O argumento é que se um governo radical fosse eleito, a classe capitalista o derrubaria usando sua influência sobre as pessoas militares para dar um golpe. Há muitos exemplos históricos de exatamente isso acontecendo, o Chile em 1973 é um que é frequentemente citado. Mas é uma simplificação grosseira que significaria que em muitos países da OCDE não é visto uma interferência no “processo democrático” por um longo período de tempo. Na verdade, como vemos, um golpe é apenas a última medida desesperada se todo o resto falhar. O método preferido é filtrar a mudança radical e substituí-la por uma fachada inofensiva e uma pequena reforma.

Uma maneira de entender como isso acontece é comparar o processo a um sistema de filtragem. Cada filtro no sistema é projetado para capturar um tipo específico de ameaça. Idealmente, aquelas que estão sendo filtradas não apenas não sabem que isso está acontecendo, mas na verdade cooperam no processo. O que são esses filtros?

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://anarkio.net/index.php/por-que-as-eleicoes-nao-conseguem-trazer-mudancas-reais/

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que flor é esta,
que perfuma assim
toda a floresta?

Carlos Seabra

Flecheira Libertária 782 | “representativa e blá blá blá”

os negócios 1

A produção de manifestos ou abaixo-assinados se tornou uma prática usual de ativistas com suas “celebridades”, e seus acadêmicos, jornalistas, empresários etc. Na última semana antes do primeiro turno da eleição municipal em São Paulo, grupelhos se uniram e redigiram documentos a favor de um ou do outro candidato. Tudo em nome do chamado voto útil com a finalidade de barrar o fortalecimento da direita e da ultradireita. Esses grupelhos são a verdadeira consciência destinada a nos guiar. Tolo é o rebanho que acredita que as urnas são capazes de inviabilizar a proliferação de condutas reacionárias e as mutretas nos diferentes negócios levados adiante nas cidades, com forte incidência do chamado crime organizado, empresariado local ou não, governantes, parlamentares etc. Pelo contrário: elas apenas ajudam a robustecelos e a perpetuá-los.

os negócios 2

O rebanho, por sua vez, ama ser governado, seja por sindicalista, liderança de movimento social, [político profissional ou por vocação, milico, coach… Enquanto isso, independentemente de resultados eleitorais, muitos dos postulantes do momento saem vencedores de antemão, organizando seus nichos, projetando-se, viabilizando seus objetivos imediatos e futuros etc. Afinal, política e, portanto, democracia também são negócios e dos “bons”. Tolos, mas produtivistas são os “intelectuais” de direita, de esquerda e até certos anarquistas que gastam tempo discutindo sobre a essência da “verdadeira” política ou democracia, seja direta, indireta, representativa e blá blá blá.

>> Leia o Flecheira Libertária 782 na íntegra aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/10/flecheira782.pdf

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Choveu há pouco –
O sol baixa das nuvens
Finas cortinas de névoa.

Paulo Franchetti

[Uruguai] Convite para participar da 10ª Feira do Livro Anarquista de Montevidéu

Algumas editoras, editores e livreiros fazem este convite para participar da Feira do Livro Anarquista de Montevidéu, para compas deste e de outros territórios.

Estaremos recebendo iniciativas e propostas de diferentes tipos (palestras, oficinas, estandes ou outras que sejam pertinentes ao tema da feira) no seguinte e-mail: feriadellibroanarquistademvdeo@riseup.net

Contra o circo eleitoral e a apatia geral, hoje, mais do que nunca, vamos continuar gerando espaços para aguçar as práticas e o debate anarquista.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/03/03/uruguai-9a-feira-do-livro-anarquista-de-montevideu/

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gota na água
faz um furinho como
prego na tábua

Carlos Seabra

[São Paulo-SP] Evento no CCS, 12/10: “Guerra Civil Espanhola através dos cartazes”

O Centro de Cultura Social (CCS) de SP receberá Maria de Lourdes Souza, professora aposentada da rede pública estadual de SP e autora de “Ay Carmela: Cartazes da Guerra Civil Espanhola” (Ed. Appris). Haverá uma apresentação e roda de conversa sobre sua pesquisa para a escrita desse livro. 

Durante a Guerra Civil Espanhola, houve um intenso engajamento político de artistas visuais e literatos. Esses produziram farto material de propaganda política, como os cartazes, usualmente utilizados neste período histórico. Eram eficientes como propaganda por serem de produção barata, reprodução rápida, além de possuir ampla visibilidade pois seus suportes eram nas ruas através dos postes e muros. Aliando-se a essas questões, a produção de belíssimas criações nos cartazes os tornaram esteticamente significativos nas artes visuais.

“Guerra Civil Espanhola através dos cartazes”

Data: 12/10/24 (sábado)

Horário: 16h – abriremos às 15h30

CCS – SP: Rua General Jardim, 253 – sala 22 – Vila Buarque – SP (metrô República)

Evento gratuito, presencial e aberto!

Lembrando que no CCS nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

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Angelus. Dedos da brisa
nas teclas das folhas
adormecem os pássaros.

Yeda Prates Bernis

[EUA] Roubar um banco é uma honra (Pré-venda)

Lucio Urtubia (Autor); Paul Sharkey (Tradutor); Philip Ruff (Prefácio)

Pela primeira vez em inglês, a autobiografia do revolucionário fora da lei que colocou o Citibank de joelhos.

Em 1981, Lucio Urtubia recebeu uma mala cheia de dinheiro dos executivos do Citibank, entregou as placas que havia usado para falsificar 20 milhões de dólares em cheques de viagem e foi embora impune. Esta é a verdadeira história do mais famoso Robin Hood do século XX, um anarquista por toda a sua vida, que roubou dos ricos para doar às lutas de libertação em todo o mundo.

Nascido em uma família pobre no País Basco, Urtubia foi recrutado para o exército de Franco antes de fugir para o exílio em Paris, onde trabalhou como pedreiro durante o dia e colaborou com os anarquistas catalães à noite. Logo ele estava planejando assaltos a bancos para financiar a luta espanhola, roubando armas e planejando a fuga de combatentes da resistência. Após as revoltas de maio de 1968, Urtubia abriu uma gráfica, produzindo panfletos políticos enquanto secretamente falsificava passaportes e contracheques de trabalhadores – até que descobriu o esquema que o tornaria famoso. “Ladrão que rouba ladrão tem mil anos de perdão!”, declarou Urtubia. Durante décadas, ele canalizou apoio para organizações como as Brigadas Vermelhas da Itália, o grupo Baader-Meinhof da Alemanha Ocidental, os Panteras Negras nos EUA e os separatistas bascos do ETA.

Contado com o calor e o humor fluidos de Urtubia, “Roubar um banco é uma honra” [To Rob a Bank Is an Honor] narra as histórias de vida e as convicções políticas de uma figura de grande envergadura no centro de uma era incendiária.

Lucio Urtubia (1931-2020) foi um pedreiro, antifascista, falsificador, ladrão de bancos e anarquista. Nascido no País Basco, viveu a maior parte de sua vida em Paris. Conheceu sua esposa, Anne Garnier, durante os eventos de maio de 1968 e juntos tiveram uma filha. Em 1991, eles abriram um centro social anarquista no bairro de Belleville, em Paris, chamado L’Espace Louise-Michel, que continua funcionando após sua morte. A vida de Urtubia foi tema do documentário Lucio (2007) e do filme da Netflix A Man of Action (2022).

Paul Sharkey disponibilizou um vasto conjunto de obras anarquistas em inglês, incluindo as de Peter Kropotkin, Errico Malatesta, Nestor Makhno e muitos outros. Ele mora na Irlanda.

Philip Ruff é um historiador e o autor de “Uma Chama que se Avoluma: A vida e o contexto do elusivo anarquista letão Pedro, o pintor” [A Towering Flame: The Life & Times of the Elusive Latvian Anarchist Peter the Painter].

Editora: AK Press

Formato: Livro

Páginas: 264

Lançamento: 3 de dezembro, 2024

ISBN-13: 9781849355780

$16.50

akpress.org

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Brisa ligeira
A sombra da glicínia
estremece

Matsuo Bashô

Alienação e a Decadência sob a Lente das Apostas: Um Reflexo da Sociedade Brasileira

A revelação de que beneficiários do Bolsa Família direcionaram bilhões de reais para casas de apostas (as famigeradas Bets) em um único mês expõe um sintoma profundo da sociedade capitalista brasileira: a alienação e a decadência. Esse dado alarmante, longe de ser um mero detalhe estatístico, revela um quadro mais amplo de uma população marginalizada, presa a um sistema que a mantém em um ciclo de precariedade, ilusão e dependência.

A aposta, enquanto prática, representa uma tentativa desesperada de escapar da realidade, uma busca ilusória por uma mudança de status social instantânea. No contexto do Bolsa Família, programa brasileiro destinado a mitigar a fome e a pobreza, essa prática revela uma profunda desconfiança no sistema e na possibilidade de uma mobilidade social real. Os beneficiários, pessoas em situação de pobreza, ao invés de utilizarem os recursos para investir em educação, saúde ou compra de alimentos básicos, veem nas apostas uma falsa promessa de enriquecimento rápido, perpetuando assim um ciclo de dependência e vulnerabilidade.

Essa realidade é um reflexo da lógica do capitalismo neoliberal, que incentiva o individualismo exacerbado, a competição desenfreada e a busca incessante por prazeres imediatos. A propaganda massiva das casas de apostas, que prometem a vida dos sonhos com um simples clique, encontra um terreno fértil em uma sociedade marcada pelas desigualdades e pela falta de perspectivas de futuro.

A alienação, nesse contexto, não é uma escolha individual, mas sim um produto de um sistema que molda as consciências e as necessidades. Os trabalhadores em situação de extrema pobreza, ao invés de ser visto como sujeitos de direitos e protagonista de suas próprias histórias, são transformados em alvo de um mercado que lucra com suas dificuldades.

É urgente, a partir de nosso espectro anarquista, que promovamos debates e reflexões sobre as causas profundas desse problema, que vão além da mera regulamentação estatal das casas de apostas. É preciso trabalharmos para reconstruir a consciência de classe entre os explorados e oprimidos, para que possam entender e, depois, combater esse ciclo vicioso de alienação, construindo uma sociedade mais justa e igualitária – que por consequência há de ser erigida sobre os escombros do Capital e do Estado.

Liberto Herrera.

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Um gosto de amora
Comida com sol. A vida
Chamava-se: “Agora”.

Guilherme de Almeida