[Reino Unido] Rafael Barrett: o negligenciado guerreiro dos paraguaios oprimidos finalmente tem seu lugar ao sol

O cronista anarquista da “tristeza paraguaia” – outrora conhecido somente entre radicais latino-americanos – está finalmente sendo reconhecido no país que ele adotou e recebe agora tradução para o inglês

Por William Costa | 11/11/2024

Quando o escritor anarquista espanhol Rafael Barrett foi contrabandeado de volta ao Paraguai, perto da pequena cidade de Yabebyry, em 1909, não era possível reconhecer o jovem correspondente de jornal que havia chegado à conturbada nação cinco anos antes para cobrir uma revolução armada.

Fisicamente, ele estava sendo consumido por uma infecção de tuberculose que o mataria no ano seguinte. Ideologicamente, ele havia sido transformado pela imersão no que chamou de “tristeza paraguaia”, abandonando os resquícios de sua juventude na elite burguesa de Madri para abraçar o anarquismo e o movimento trabalhista.

Escrevendo na imprensa paraguaia, Barrett se tornou a principal voz a denunciar as terríveis condições e violências estatais que ainda assolavam a população décadas após a apocalíptica Guerra da Tríplice Aliança (1864-70), que havia matado metade da população e levado os interesses imperialistas estrangeiros a se estabelecerem.

No entanto, sua metamorfose teve um preço.

“Ele veio para cá porque seus escritos e ações irritaram o governo paraguaio – ele foi perseguido”, disse Alfredo Esquivel Romero, professor em Yabebyry, onde Barrett se escondeu por um ano em um rancho isolado depois de ser deportado. “Ele se manteve fiel aos seus princípios, escrevendo sobre a realidade que os paraguaios estavam vivendo.”

A exclusão e a censura continuaram após sua morte. Embora Barrett tenha sido elogiado por gigantes da literatura latino-americana, como Jorge Luis Borges, Eduardo Galeano e Augusto Roa Bastos, sua obra passou décadas em relativa obscuridade no turbulento Paraguai do século XX.

Agora, ele está experimentando um ressurgimento esperado entre aqueles que pressionam por mudanças em um país que ainda luta contra profundos males sociais.

“Antes, muito poucas pessoas em Yabebyry sabiam quem ele era”, disse Esquivel Romero, cuja escola está participando da Rota Rafael Barrett, um projeto do ministério da educação para promover os textos de Barrett. “Fizemos murais e concursos de leitura, e Barrett está se tornando mais conhecido em nossa comunidade.”

Condições políticas adversas, incluindo a ditadura de direita de 35 anos do general Alfredo Stroessner (1954-89), fizeram com que a fama de Barrett ficasse limitada por muito tempo aos círculos esquerdistas perseguidos. A primeira edição paraguaia de seus artigos coletados só foi lançada em 1988.

Seguindo seus passos internacionalistas, muitos de seus descendentes tornaram-se figuras importantes em movimentos de esquerda em toda a América Latina, incluindo sua neta Soledad Barrett, que foi assassinada pelo regime militar do Brasil em 1973.

Hoje, a crescente proeminência de Rafael Barrett inclui um aumento nas publicações acadêmicas nos últimos anos, um documentário e a primeira edição em inglês de sua obra.

“Há uma explosão de literatura que aborda questões sociais: a falta de trabalho e oportunidades, migração, exploração, problemas ambientais”, disse Norma Flores Allende, uma jovem escritora salvadorenha que vive no Paraguai. “Muitos de nós, escritores, estamos procurando respostas – um raio de luz – e é isso que encontramos em Barrett.”

Apesar do crescimento econômico, o Paraguai tem um dos níveis mais altos do mundo de crime organizado e uma enorme desigualdade, afetando especialmente as comunidades indígenas e camponesas. Sob o comando do partido de direita Colorado, que governa o país quase ininterruptamente há quase 80 anos, os níveis de percepção da corrupção são os segundos mais altos da América do Sul, enquanto os gastos públicos com saúde e educação estão entre os mais baixos do continente.

“Algumas coisas mudaram, mas muitas continuaram desde a época de Barrett – ele parece muito contemporâneo e relevante”, disse Flores Allende.

Sua contínua relevância é vista em sua obra mais célebre: The Truth of the Yerba Mate Forests [“A verdade das florestas de erva-mate”, em tradução livre]. A série de artigos de 1908 ajudou a expor a “escravidão, a tortura e o assassinato” infligidos aos trabalhadores forçados por empresas internacionais que exploravam a extração de erva-mate.

Luis Rojas, economista do grupo de pesquisa Heñói, disse que a economia do Paraguai continua a se basear na extração de commodities para os mercados internacionais, deixando poucos benefícios para a maioria dos paraguaios.

“Hoje isso é feito com soja, milho transgênico, trigo, arroz, plantações de eucalipto, pecuária: é essencialmente o mesmo modelo”, disse Rojas. “A população é explorada, marginalizada, expulsa das áreas rurais e excluída do acesso à terra.

“O trabalho de Barrett é fundamental para entender o que aconteceu no Paraguai no último século – tudo narrado em um estilo excepcional”, disse Rojas.

Em Yabebyry, onde Barrett passou de fugitivo clandestino a símbolo de orgulho, são grandes as esperanças de que sua escrita também possa ajudar a conduzir a um novo futuro.

“Rafael Barrett plantou uma semente aqui”, disse Esquivel Romero. “Estou convencido de que, por meio desses esforços, veremos nossos jovens mais proeminentes, defendendo a si mesmos e os direitos da comunidade e de seu povo.”

Fonte: https://www.theguardian.com/world/2024/nov/11/rafael-barrett-paraguay-writer

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

surgidos do escuro,
somem na moita, na noite:
amores de um gato

Issa

[Grécia] Devolução de cimentos aos seus legítimos proprietários

Nossa luta pela vida e pela liberdade está em conflito absoluto com seus planos de desenvolvimento, lei e ordem e com a necropolítica que, em todo o mundo, está transformando rios em fronteiras, montanhas em parques de cimento ou minas, praias em resorts turísticos, mares em depósitos de lixo, nossas necessidades até os meios mais básicos de sobrevivência (moradia, comida, água…) em mercadorias lucrativas e nós em engrenagens da máquina capitalista.

Em 06/05/2024, o Estado despejou novamente o Centro Social Ocupado Ζιζάνια (Zizania), atacou e fechou o prédio. Um ataque a uma comunidade que, com base no cuidado mútuo, na resistência, na solidariedade e na horizontalidade, é um obstáculo real aos seus planos de uma cidade para turistas, investidores e patrões, e não para as pessoas que vivem nela.

Para nos impedir de entrar no prédio, além de colocar bastardos uniformizados e armados para vigiar um imóvel vazio por 3 meses, eles lacraram as portas e janelas da ocupação com cimento.

Depois de recuperar Ζιζάνια e abrir o prédio, fizemos uma visita à Building Infrastructure para devolver a eles o que realmente é deles. O próprio cimento com o qual a ocupação foi selada. Estamos reabastecendo a casa com vida, autoeducação e estruturas de ajuda mútua, eventos e assembleias políticas.

E a história radical da esquina da Fili com a Feron continua.

Ocupação Ζιζάνια para sempre.

10-100-1000 (re)ocupações.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1633121/

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agência de notícias anarquistas-ana

Balde d’água
subindo pelo poço.
Dentro uma perereca!

Sonia Mori

[Argentina] Novo título para a coleção Utopía Libertaria: “El Apoyo Mutuo” de Piotr Kropotkin

Amigas, amigos, companheiras e companheiros, temos o prazer de comunicar a saída de um novo título da coleção Utopía Libertaria: El apoyo mutuo. Un factor de la evolución de Piotr Kropotkin.

Em suas próprias palavras:

A importância dominante do princípio de ajuda mútua aparece principalmente no campo da ética. Que a ajuda mútua é a verdadeira base de todas as nossas concepções éticas, é algo bastante evidente. Mas qualquer que sejam as opiniões que se tenham com respeito à origem do sentimento ou instinto de ajuda mútua – seja que o atribua a uma causa biológica ou uma sobrenatural- devemos rastrear sua existência até os estágios inferiores do mundo animal; a partir destes estágios podemos seguir sua evolução ininterrupta e, apesar da grande quantidade de forças que lhe opuseram, através de todos os graus do desenvolvimento humano, até a época presente.

O autor do prólogo da presente edição, Matías Blaustein, nos diz:

Ali onde o capitalismo nos propõe dominação e alienação em forma de extrativismo, ali onde capitalismo e extrativismo engendram contaminação, enfermidade e morte, ali onde câncer e capitalismo supõem a aniquilação da autonomia, a autogestão, a solidariedade e a liberdade, só o caminho da liberdade e o apoio mútuo nos apresentam uma alternativa real. Definitivamente, conforme passam os anos cada vez fica mais claro que Kropotkin tinha razão: o tempo lhe deu a razão.

E o autor do posfácio, Frank Mintz nos recorda que:

Kropotkin resistiu até sua morte a que “para escravizar o pensamento” seu livro, entre muitas outras obras, fosse publicado pelo Estado.

Publicamos este livro, como o fez Kropotkin, para que nos emancipemos das muitas travas e correntes sociais que impõe a organização estatal da democracia capitalista, da marxista leninista ou de qualquer partido único ateu e/ou religioso.

https://youtu.be/mW6MKWq4abA

https://www.instagram.com/p/DDDce1Ui2UX/

https://www.facebook.com/shevek.librosdeanarres/videos/1341175713960154/

Libros de Anarres

Avenida Rivadavia 3972 

(C1204AAR) Ciudad de Buenos Aires 

[4981-0288] [+54 9 11 5493-9503]

www.Librosdeanarres.com.ar

www.facebook.com/pages/Libros-de-Anarres

www.instagram.com/librosdeanarres

Tradução > Sol de Abril

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Neblina sobre o rio,
poeira de água
sobre água.

Yeda Prates Bernis

[Chile] Palavras em solidariedade com o anarquista Felipe Ríos pelos compas detidos em 6 de julho em Villa Francia

Como presos políticos do 6 de julho, desde o módulo 12 do cárcere empresa Santiago1, queremos dar uma afetuosa saudação ao companheiro anarquista Felipe Ríos, atualmente o único preso pelo “Caso 21 de maio”.

Este comunicado surge por causa da perseguição constante que sofreu por parte de funcionários da miserável instituição da gendarmeria, aquele com o objetivo de impedir que o companheiro possa optar pelos benefícios que lhe correspondem esmagar a moral combativa sobre a qual se mantêm a prisão política.

Convidamos a que os gestos de solidariedade se multipliquem em suas diversas expressões com todos os prisioneiros políticos e em especial com aqueles que vivem situações de isolamento, longa condenação e perseguição por parte dos pacos [polícia].

Saudamos também os companheiros do mesmo caso submergidos na clandestinidade e a todos aqueles que vivem hoje foragidos da justiça chilena fascista e lhes desejamos a eterna liberdade.

Liberdade a Felipe Ríos!

Liberdade aos presos políticos subversivos, anarkistas e mapuches!

Viva os que lutam!

Tradução > Sol de Abril

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Jogue estes crisântemos
E todos os que tiver
Dentro do caixão!

Sôseki

Realizado com sucesso mais uma edição da Feira Anarquista de SP | “Sigam plantando as sementes da rebeldia, rumo ao jardim. Viva a anarquia!

A XIV Feira Anarquista de SP aconteceu no dia 24 de novembro. Pelo terceiro ano seguido, coletivos, artistas, movimentos sociais e editoras que se norteiam pelo anarquismo ocuparam a EMEF Des. Amorim Lima durante o dia inteiro.

O evento fluiu tranquilamente. Ano a ano, conseguimos melhorar a organização do espaço, com diálogo, sugestões e críticas de quem expõe na Feira e constrói junto a nós. Circularam cerca de 2 mil pessoas pelo evento. Destacamos, com alegria, a presença cada vez maior das crianças! Coletivos responsáveis por refeições veganas e vegetarianas cumpriram com sucesso a missão de manter todo mundo alimentado para um dia cheio. Foram 7 práticas de artes e esportes; 3 apresentações teatrais; 2 exibições de filmes; 14 rodas de conversa; 9 lançamentos de livros e 1 grande mutirão para devolver a escola limpa e organizada.

Agradecemos a todas as pessoas que somaram, atuando em uma banca de livros ou compartilhando experiências em uma roda de conversa, conspirando com um amigo, amiga ou amigue, ou carregando mesas e cadeiras.

Durante o dia, foi distribuída a zine “Da flor no asfalto ao jardim da anarquia”, uma reflexão escrita recentemente sobre a trajetória desse evento. A versão on-line está no site da Feira Anarquista.

A Feira Anarquista de SP é um espaço para fortalecer coletivos que atuam em diferentes latitudes e longitudes, propagandear práticas e ideias anarquistas para pessoas curiosas e propiciar (re)encontros de pessoas que sonham e trabalham para um mundo onde todas as vidas sejam livres de todas as formas de opressão. É um dia de anarquia em ato, para circular e semear ideias e ações. Se é um evento grande, se essa Flor consegue romper o asfalto dessa cidade de cimento, é só devido a cada uma de vocês que comparecem, estando só ou em bando, mas que chegam com coração aberto, a raiva bem direcionada e os braços dispostos para construir junto.

Recuperando o fôlego e cuidando da pós-produção, seguimos com a certeza de que ano que vem haverá mais uma, e esperamos contar com quem quiser somar, no espírito do apoio mútuo e da solidariedade.

Até lá, sigam plantando as sementes da rebeldia, rumo ao jardim. Viva a anarquia!

>> Mais fotos:

https://www.instagram.com/p/DDAbB9CvLkx/?img_index=1

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Lá, bem sobre a estrada,
a casa entre flores onde
não entrarei nunca.

Alexei Bueno

[Espanha] XXII Encontro do Livro Anarquista de Madri

Anotem em suas agendas os dias 6, 7 e 8 de dezembro, pois será realizada a 22ª edição do Encontro do Livro, um espaço para se reunir, debater, refinar conceitos e, finalmente, promover a disseminação de algumas ideias e debates que ocorrem dentro do anarquismo.

Nesse espaço haverá palestras, workshops… E, claro, editoras e distribuidoras com o objetivo de apoiar e divulgar a propaganda e a literatura anarquista. Nós o incentivamos a vir e participar da disseminação da cultura anarquista e da criação de espaços para gerar comunidade para a luta contra o poder.

Nos vemos entre os livros.

Escuela Popular de Prosperidad “La Prospe” C/ Luis Cabrera 19

A LEITURA PREJUDICA SERIAMENTE A IGNORÂNCIA.

encuentrodellibroanarquista.org

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Tapete de flores
Borboletas coloridas
Natureza bela.

Andréia Bini de Souza Nascimento

[Chile] A 9 anos da detenção dos companheiros Kevin Garrido e Joaquín García | Memória e solidariedade com os que atentam contra o poder

Na madrugada de 19 de novembro de 2015, o companheiro Kevin Garrido, que tinha 18 anos de idade, se dirigiu em sua bicicleta às imediações da Escola de Gendarmeria de San Bernardo, armado de uma bomba, uma lamina e um acendedor. Depois de selecionar o lugar de colocação, o companheiro ativa a bomba que havia fabricado de maneira artesanal (composta por um extintor cheio com mais de 2 kilos de pólvora negra, estilhaços e uma mecha).

Depois da detonação em uma das entradas da escola de carcereiros, o companheiro foi rapidamente perseguido e capturado por um carro civil da bastarda polícia chilena que vinha seguindo seus passos, por causa da colocação de outro artefato explosivo que foi posto na 12° delegacia de San Miguel, em 29 de outubro de 2015, o qual foi adjudicado pela “Conspiração Internacional pela Vingança – Célula Deflagrante Gerasimos Tsakalos” (companheiro da CCF encarcerado na Grécia).

Essa mesma noite, se emite uma ordem de captura para o companheiro anarquista Joaquín García Chancks, que foi qualificado como coautor do atentado realizado na 12° delegacia, junto a Kevin. Na manhã do dia seguinte ambos os companheiros foram expostos em todos os canais de televisão como um troféu para o estado policial chileno: “Me sentaram em uma de suas salas de espetáculos por mais de seis horas a ouvir as palavras que esparramava um promotor com um fedor de vômito. Ante os discursos de juízes e promotores culpando-nos a mim e a meu companheiro e ameaçando-nos com dezenas de anos na prisão esperaram caras de tristeza ou preocupação sem saber que riríamos e insultaríamos em suas caras” (Kevin Garrido, Novembro de 2016).

Após sua formalização, os companheiros ficaram na prisão preventiva na seção de segurança máxima do CAS. Em junho de 2016, após viver 7 meses neste regime de castigo e isolamento, Kevin pediu o translado ao cárcere/empresa Santiago 1, onde foi enviado a diferentes módulos para presos reincidentes, sem passar antes pelos módulos de “novatos” como é o protocolo, evidenciando um claro ato de vingança por parte da gendarmeria. Ainda assim, Kevin jamais pediu considerações a seus miseráveis carcereiros, nem caminhou com temor ao interior do cárcere. Pelo contrário, Kevin viveu o encarceramento com a mesma consequência que praticava na rua, e por isto sempre foi bem recebido por outros presos nos módulos nos quais viveu.

Em julho de 2016, o companheiro Joaquín consegue sair da prisão, com uma prisão domiciliar total, o qual transgrediu em poucos dias. Em setembro de 2016, após estar clandestino por mais de dois meses, Joaquín foi recapturado pela PDI, portando um revólver e munições.

Após 3 anos e 7 meses de encarceramento, realizou-se um extenso julgamento oral contra ambos os companheiros. A instância os declarou culpados do atentado contra a 12ª delegacia de San Miguel, mas além disso a Kevin declararam culpado do atentado contra a escola de gendarmeria e a Joaquín pelo porte de arma de fogo e as munições que portava ao ser recapturado. Por estes delitos, em 05/09/2018 Kevin e Joaquín foram sentenciados a 17 e 13 anos de prisão, respectivamente.

Na manhã da sexta-feira, dia 02 de novembro de 2018, após a contagem matutina, o companheiro Kevin Garrido enfrentou em um conflito com um bastardo preso autoritário, que o atacou covarde e indignamente pelas costas, enquanto o companheiro Kevin ia em busca de sua arma para confrontá-lo. Após este covarde ataque, Kevin permaneceu gravemente ferido, sem receber a assistência médica necessária, esperando a chegada da ambulância durante 1 hora e 15 minutos. Foi transladado ao hospital Barros Luco, onde falece após uma operação de alto risco.

No domingo, dia  5 de novembro se levou a cabo um multitudinário funeral, o qual percorreu desde San Bernardo até o povoamento La Victoria, onde foi recebido por afinidades e companheiros, que acompanharam o cortejo fúnebre com gritos, panfletos, faixas, fogo, pirotecnia e chumbo. Tudo isto sob um grande assédio policial que contou com helicópteros, GOPE, carros policiais, feridos e enfrentamentos.

O companheiro Kevin Garrido nunca se considerou uma vítima do sistema carcerário; pelo contrário, o enfrentou dignamente declarando a guerra a todas as expressões do bastardo autoritarismo que o forma, seja com carcereiros, presos autoritários, juízes ou promotores.

O caminho insurrecional que empreendeu Kevin desde curta idade, o reivindicamos cada ano ao fazê-lo presente na luta de rua, em múltiplas formas de propaganda e em ações diretas que atentam contra a autoridade, o cárcere e a infraestrutura do progresso.

Atualmente o companheiro Joaquín García se encontra prisioneiro no cárcere/empresa La Gonzalina de Rancagua, condenado até novembro de 2028.

“Quem pode dizer que é o primeiro a cursar este caminho, abarrotado sempre de múltiplas trilhas? Herdamos, talvez sem querê-lo, as ferramentas e o ímpeto que outros deixaram, alguns renunciaram, outros foram e outros poucos seguem por aí dando cara, mas o que nunca cessou de existir é o terreno fértil, o espaço antagonista no qual se pode exercer a violência, projetar, amadurecer, diferenciar-se”. (Joaquín García. Dezembro 2018)

Novembro Negro em memória do companheiro
Kevin Garrido e todos os nossos mortos
Liberdade para o companheiro Joaquín García!

>> Em destaque fotografia de Kevin Garrido em uma ação em 2012.

Tradução > Sol de Abril

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Algo faz barulho —
Cai sozinho, sem ajuda,
O espantalho.

Bonchô

[Espanha] Só o povo salva o povo! Reflexões sobre uma catástrofe

Estamos em um momento decisivo para o nosso futuro político. Chegou a hora de decidir e tomar uma posição; não é mais suficiente nadar e depois guardar as roupas. É urgente porque disso dependerá o que seremos nas próximas décadas, e é nosso dever interromper essa deriva histérica que nos relega a seres passivos, espectadores das decisões em que nossas vidas estão em jogo, que nos condena a ser explorados sem fim, que nos desumaniza e nos rouba a vida.

Temos de escolher uma de duas opções: o Estado ou o povo. E, por mais que a mídia ou aqueles cujos salários dependem dela possam nos martelar, não se trata de uma dialética entre pagar ou não pagar impostos, não se trata de saber se estes ou aqueles são incompetentes, pois todos são – eles mesmos reconhecem sua negligência ao entregar a administração de empresas públicas, para as quais foram eleitos, a empresas privadas que eles reconhecem que administram melhor -, ou que o que é necessário é uma mão firme e uma liderança clara, como propõem a ultradireita e a esquerda radical. O que importa é quem elegemos para tomar decisões e por que e como essas decisões são tomadas, porque quando as decisões precisam ser tomadas em uma emergência – mas também em questões econômicas ou educacionais, por exemplo – não deveríamos ter que recorrer a pessoas/personagens que não sabem nada sobre o assunto, o que precisamos é que especialistas que sabem sobre nossos objetivos, que conhecemos e reconhecemos, assumam a liderança.

Precisamos dar um passo à frente e demitir todos os fantoches que tomaram conta de nossas decisões, mandá-los para lugares onde não possam causar danos e repensar tudo desde o início. E o começo não é outro senão os seres humanos, as pessoas que habitam o mundo ao lado de outras espécies animais e vegetais, mas também ao lado de rios e montanhas, ao lado de pomares e campos de grãos e mares e nuvens. Começar a partir daí, do básico da existência: comida, moradia, roupas, amor… e também poesia, filosofia, arte, ciência… e construir um sistema que valorize o outro, que enfatize a interdependência e o apoio mútuo (solidariedade, se você quiser usar uma palavra menos politizada), a diversão e o prazer. Vamos criar uma sociedade que nos faça felizes, onde haja tempo para brincar, para o desenvolvimento pessoal e também, é claro, para o trabalho como algo necessário para manter a vida.

Uma vez que tenhamos pensado nisso e colocado em preto e branco, teremos que ver como nos organizaremos, mas nada de comissões de charlatães ou vendedores ambulantes pagos, nada de recriar o Estado de uma forma mais humana ou de trabalhadores para trabalhadores. Vamos pensar nas pessoas mais válidas ao nosso redor e vamos dar a elas a responsabilidade de serem nossos porta-vozes, evitando que rompam com sua comunidade, que se desconectem para se tornarem mais profissionais, e vamos acompanhá-las contribuindo com nosso conhecimento – que as empresas têm conseguido explorar tão bem. Ninguém poderia ser responsável por nada porque todos nós seríamos responsáveis e, se algo desse errado, teríamos a capacidade de corrigi-lo e, juntos, aprender com ele. Seria difícil fazermos algo pior.

O capitalismo teve séculos de tentativas e erros, várias guerras mundiais e conflitos permanentes, pilhagem e repressão, milhões de inocentes mortos, baseia-se em incentivar o que há de pior em cada ser humano, seu individualismo e egocentrismo, cada um por si e, em suma, chegar a esse ponto em que apenas alguns, cada vez menos, se beneficiam. Chegou a nossa hora, a hora dos outros, aqueles de nós que são mais e têm mãos e pernas e produzem e consomem e sem os quais esse sistema não funcionaria. Só precisamos romper o véu que foi colocado sobre nós para podermos ver claramente que há outras maneiras de nos organizarmos, um novo sistema criado à nossa imagem, no qual não haverá acumulação por poucos.

Vamos nos organizar em bairros, em ateneus, em centros sociais, em grupos habitacionais que lutam contra a gentrificação e a turistificação, em grupos feministas, em qualquer espaço que funcione horizontalmente e, se não houver nenhum, vamos criá-los. Não deixemos os lugares para serem reconstruídos, organizemo-nos também em nossos locais de trabalho em sindicatos combativos e de classe. Vamos criar nossos próprios espaços para mostrar que não queremos os deles, vamos tornar o Estado desnecessário. O tempo está se esgotando e está se tornando cada vez mais urgente.

Será hoje ou amanhã, mas será. Tenho a sensação de que será com sofrimento, mas não precisa ser, é fácil se pensarmos nisso. Hoje é melhor do que amanhã.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/alkimia/solo-pueblo-salva-al-pueblo-reflexiones-torno-una-catastrofe

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

As margaridas
na ciranda, sorridentes
como crianças

Maria Fátima A. V. da Silva

23D: Convocatória para a mobilização nacional contra a escala 6×1! Por 30 horas semanais, sem perdas salariais! Fim do banco de horas já!

Por Coordenação Nacional da FOB

A Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB) convoca toda a classe trabalhadora para uma ação de mobilização nacional no dia 23 de dezembro de 2024. Nosso objetivo é combater o regime desgastante da escala 6×1 e reivindicar condições dignas de trabalho para todas e todos!

Por que lutar?

A escala 6×1 é fruto da ganância da classe dos patrões, que sacrifica a saúde e a vida social das trabalhadoras e trabalhadores em troca de lucros.- Exigimos 30 horas semanais de trabalho, sem perdas salariais, para garantir mais tempo para viver, estudar e participar de nossas comunidades.

O fim do banco de horas é essencial, pois ele é um instrumento injusto que prolonga as jornadas diárias de trabalho sem o pagamento de hora extra. Além da falta de pagamento das horas acumuladas, seu uso para compensar alguma falta por necessidade são bastante rígidos.

O que faremos?

Neste dia de luta, ocuparemos nossos locais de trabalho e moradia com atividades organizadas pela base:

– Piquetes em frente a locais de trabalho, denunciando a exploração e conscientizando sobre a necessidade da redução da jornada.

– Reuniões nas comunidades, ampliando o diálogo com moradoras e moradores sobre como essa luta nos afeta a todas e todos.

Construção da Greve Geral

Não podemos confiar no parlamento e na sua dinâmica de reuniões e acordos. É preciso mais ação direta, ou seja, mais ação auto-organizada nos locais de trabalho, estudo e moradia. Essa mobilização é um passo fundamental na construção de uma greve geral combativa e popular. Apenas através da organização direta e do enfrentamento ao sistema explorador seremos capazes de conquistar nossas pautas históricas.

Junte-se à luta!

Vamos acumular forças para este dia com atividades preparatórias. É importante realizar atividades em escolas de ensino médio, promovendo debates e formação política junto às novas gerações da classe trabalhadora. O mesmo vale para as faculdades e universidades.

Se vai trabalhar neste dia e não tem condição agir publicamente em seu local de trabalho, participe das atividades preparatórias, articule para que outros trabalhadores possam realizar piquetes em seu local de trabalho.

Ser classe é cumplicidade. Só através da ação coletiva organizada poderemos romper as correntes que nos mantêm presos à lógica do lucro.

23 de dezembro: dia nacional de luta!

Pelo direito à vida, ao descanso e à dignidade! Com força e solidariedade, rumo à vitória! Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB)

lutafob.org

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agência de notícias anarquistas-ana

quarto escuro
silhuetas se amam
pecado puro

Carlos Seabra

[Espanha] Guadalajara: Recepção popular para Amadeu Casellas, ex-preso anarquista, após 27 anos de prisão

Amadeu Casellas finalmente deixa as masmorras fascistas, e nós o recebemos junto com nossos companheiros da CNT-Guadalajara.

Amadeu passou 27 anos de sua vida na prisão, uma vida que ele dedicou à luta revolucionária. O Estado não o perdoou pelo fato de sua militância ter sido o foco e a luz de muitas gerações de pessoas em todo o mundo, que seguiram seus passos.

Durante muito tempo, ele se envolveu na expropriação de bancos para financiar greves e organizações de trabalhadores, o Estado o prendeu várias vezes e também não o perdoou pelo fato de que, dentro das prisões, ele organizou centenas de presos sociais para lutar contra o tratamento desumano que historicamente receberam.

Nós o receberemos nesta sexta-feira, às 18h, para conversar e fazer um lanche com ele, e para que esse companheiro sinta o calor e o apoio daqueles de nós que veem em sua história um exemplo para todos aqueles que querem transformar a sociedade a partir de suas raízes.

Os benefícios do encontro serão revertidos para o Fundo de Resistência de as @6delasuiza

Fonte: https://kaosenlared.net/guadalajara-recibimiento-popular-a-amadeu-casellas-expreso-anarquista-tras-27-anos-de-carcel/

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Cem anos de idade-
A paisagem das folhas
Caídas no jardim

Bashô

Responda o Quiz: Foi Lula 3 que disse que o “Petróleo é presente de Deus”?

Petróleo na Foz do Amazonas: Lucro para Poucos, Devastação para Todos

A proposta de exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas, mesmo diante de reiteradas negativas (até o momento) do IBAMA e de alertas sobre os riscos socioambientais, exemplifica o avanço desenfreado do modelo capitalista em busca de lucro, ignorando os custos humanos e ecológicos.

O ministro do governo Lula, Alexandre Silveira, apoiado por lideranças políticas e pela Petrobras, mantém otimismo sobre a concessão da licença, ignorando as evidências científicas de que a região enfrenta altíssimos riscos ambientais e impactos irreversíveis sobre as comunidades locais, incluindo povos indígenas que habitam a área. Essa postura não nos surpreende e reflete, uma vez mais, a predominância de interesses econômicos sobre a preservação ambiental e os direitos das populações afetadas.

Os impactos potenciais vão além do local. A exploração pode causar danos irreparáveis a ecossistemas únicos e às espécies que dependem deles, além de aumentar a dependência de combustíveis fósseis, uma das principais causas da crise climática global. Em um contexto de eventos extremos, como secas, inundações e incêndios florestais, o Brasil enfrenta consequências devastadoras da emergência climática, agravadas por ações que priorizam lucros sobre a sustentabilidade e a resiliência ambiental.

Essa insistência na exploração na foz do Amazonas expõe o paradoxo de um país que, ao mesmo tempo, busca liderar esforços de transição energética e investe em projetos que reforçam um modelo energético ultrapassado. A lógica capitalista subjacente a essas decisões transforma recursos naturais em mercadoria, negligenciando as vidas humanas e a biodiversidade envolvidas. Essa visão míope não só ameaça ecossistemas cruciais, como também exacerba desigualdades sociais e destrói a base de sustentação da vida no planeta. Desde o anarquismo, superar esse modelo econômico é uma necessidade imperativa para alcançar o equilíbrio socioambiental e garantir a sobrevivência das gerações futuras.

Concretamente, para o aqui e agora, confrontar a exploração predatória e priorizar políticas de justiça climática e ambiental em um esforço coletivo para reformular prioridades globais pode e deve ser posto em pauta pelos movimentos sociais. Sem isso, os custos da crise climática continuarão a ser pagos pelos mais vulneráveis, enquanto as grandes corporações lucram à custa da destruição planetária.

Liberto Herrera.

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Vôo dos pássaros!
fio costurando ligeiro
o céu ao mar.

Tânia Diniz

[Espanha] Alfa e Ômega da revolução nos anarquistas

Por Eduardo Montagut | 07/11/2024

A fundamental escritora e jornalista Soledad Gustavo publicou um breve artigo no Almanaque de La Revista Blanca do ano de 1903 onde refletia sobre o sentido revolucionário dos anarquistas, “alfa e ômega” da revolução, e que queremos comentar nesta breve nota, nestes tempos nos quais estamos tão interessados pelo conceito de revolução.

Para nossa protagonista era certa a premissa de que cada qual levava dentro de si mesmo um anarquista porque até a pessoa mais inofensiva se rebelava contra a menor injustiça e desobedecia às leis que geravam obstáculos, e até se revolvia contra os causadores de um dano ou prejuízo, tivessem autoridade ou não. Até os “amantes cristãos” mais moralistas, e até segundo o conceito que estabelecia a Igreja Católica, e mais respeitosos com todo tipo de preceitos, o burlavam tudo se fossem obstáculos à satisfação de suas esperanças e desejos.

De tudo isso se deduzia que o homem, por muito reacionário que fosse, aceitava somente, em princípio, a tutela que lhe sujeitava, antes pela força e depois pelo atavismo.

Assim pois, Soledad Gustavo, expunha que, na realidade, os anarquistas não pretendiam nada impossível quando anunciavam que aspiravam transformar a sociedade. Era como seguir o curso natural, como o das águas de um rio que avançam para a desembocadura. Os anarquistas tinham que trabalhar nas consciências. O amor, as ilusões, as ditas, os “horizontes infinitos do pensamento” nada seriam sem a esperança que fazia com que a humanidade pudesse alcançar um dia a formação de uma sociedade na qual todos os seres fossem felizes por serem livres, sãos e porque viveriam conforme o que sua natureza lhes exigisse. Esse era, em conclusão, o trabalho dos anarquistas, os representantes do “alfa e ômega” da revolução.

Fonte: https://www.nuevatribuna.es/articulo/sociedad/historia-soledad-gustavo-alfa-omega-revolucion-anarquistas/20241107180011232190.html

Tradução > Sol de Abril

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A abelha voa vai
vem volta pesada
dourada de pólen

Eugénia Tabosa

Contra Todos os Governos

Governos não servem ao povo,

não mudam a cidade,

o Estado ou o mundo.

.

Governos mantém a ordem

reduzindo vidas a algoritmos,

realizam grandes negócios

contra os interesses públicos.

.

Governos não são transparentes,

nem democráticos.

Não passam de arranjos oligárquicos

a serviço de interesses obscuros.

.

Por tudo isso, não serviremos a nenhum governo,

seremos desde sempre desobedientes,

ingovernáveis

e, terrivelmente, libertários.

Carlos Pereira Júnior

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Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.

Soares Feitosa

[Argentina] Buenos Aires: Feira do Livro Anarquista – 7 e 8 de dezembro

“A paixão pela destruição também é uma paixão criativa”

A feira do livro anarquista é um espaço de encontro, debate e aprofundamento das ideias anarquistas em Buenos Aires.

Este tipo de feiras, historicamente datadas há várias décadas em diferentes cantos do mundo, são espaços dinâmicos, que a cada ano renovam o foco e a tensão em torno de ideias e práticas antiautoritárias, entendendo que, embora façamos parte de uma linha histórica, nossa memória é ativa e está direcionada, não apenas para a efeméride ideológica, mas acima de tudo para o conflito.

Contato: feriadellibroabsas@riseup.net

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rio premeditado
abisma-se no mar,
sua mãe, seu túmulo.

Alaor Chaves

[Espanha] A 6 meses de reclusão do companheiro anarquista Abel

Este 30 de novembro fazem 6 meses que nosso companheiro anarquista Abel foi sequestrado pelo Estado e encarcerado no C.P. de Brians 2 com uma condenação firme de 3 anos e 9 meses pela agressão a um manifestante da JUSAPOL [associação de extrema direita da Polícia Nacional e da Guarda Civil] que portava simbologia fascista em 2018. Todas as instâncias judiciais do Estado ratificaram a acusação do delito de lesões com agravante de ódio com o objetivo de blindar assim seus esbirros e criminalizar ainda mais a militância do companheiro. Um castigo, que o confinamento converteu em dobro, posto que durante todo este tempo rechaçou em duas ocasiões a classificação em terceiro grau, fazendo alusão à ideologia do compa e sua falta de empatia com a “vítima”. Assim justifica o Poder os programas de reinserção (condição indispensável para obter licenças penitenciárias) aos quais deve submeter-se o preso com o objetivo de aniquilar sua consciência revolucionária: qual carpinteiro que tocam os pregos torcidos da tábua. Assim convertem a condenação em tortura e chantagem.

Mas para nós, não representa nenhuma novidade sua política penitenciária baseada em exercer um conjunto de violências estruturais segundo a posição social dos presos: a pura exploração laboral, as humilhações e agressões dos carcereiros e o maltrato sistemático às famílias são só a ponta do iceberg. Tampouco nunca esperamos que suas leis nos servissem de ferramenta, nem muito menos aspirado a reformá-las para edulcorar o abuso e sofrimento. Porque sabemos que o cárcere, como qualquer outra instituição repressiva, é um instrumento a serviço do Poder e da classe dominante, cujo objetivo é aniquilar qualquer vestígio de dissidência na sociedade. Uma Instituição que só merece ser destruída e abolida.

Portanto, a prisão, esse agulheiro onde o tempo parece que se detêm e em momentos passa sem dar-se conta, é o lugar que destina a Democracia para quem se atreve a questionar a ordem estabelecida. Jogando nele aos que obrigam a viver no ângulo morto e aos que lutam sem cessar. Por todos eles também saímos a gritar. Porque não nos esquecemos dos outros presos em luta que resistem dentro e fora do Estado e dos que podem estar por vir. Porque não nos conformamos em fazer tremer com nossos punhos o vidro que nos separa, com apurar nossas vozes em uma chamada contra o tempo, com enviar nosso afeto por correio postal. Queremos esses muros vê-los cair.

Este 30 de novembro saímos a defender o que é nosso e nos querem roubar. Por amor a Anarquia e ódio a repressão. Já que nós somos os que amando os espaços que habitamos, resistimos neles, pondo nosso corpo pelo trivial e simples fato de que são nossas trincheiras. Preferimos as cinzas da metrópole ao jugo do Capital. Pelo ódio a suas pátrias, fronteiras, guerras e desastres, onde em frente estamos nós, amantes do conflito e da revolta, quem semeamos o apoio mútuo e solidariedade contra todo sistema de dominação. Sem oferecer aos mortos, feridos e caídos, nem um minuto de silêncio, nem um minuto de joelhos, tão somente uma vida inteira de combate e de vingança. Pelo ódio aos chefes, burgueses, partidos, fascistas e tiranos que com sua careta de democratas nos quiseram a força como figurantes do espetáculo da miséria. Apesar disso, decidimos ser protagonistas por nossa paixão à liberdade e o ódio a sua autoridade, pelo carinho a nossos iguais e o amor a nossos irmãos que nos querem arrebatar. Por tudo isso, saímos às ruas em 30 de novembro. Porque a solidariedade é a arma que corta a distância que nos separa. Por amor à Anarquia e ódio à repressão.

GRUP DE SUPORT ABEL, Novembro 2024

Tradução > Sol de Abril

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Dia de primavera –
Os pardais no jardim
Tomam banho de areia.

Onitsura