Encontro Internacional de Práticas Anárquicas e Antiautoritárias contra as Prisões

Argentina | Julho de 2025

Chamada para trabalhos

A importância desse tipo de encontro que leva a uma agitação internacional e reproduzível é essencial para compartilhar nossas experiências na guerra contra a dominação. É por isso que, como uma continuação da iniciativa do Encontro Internacional de Práticas Anárquicas e Antiautoritárias Contra as Fronteiras, realizado por companheiros em Tijuana, México. Nesta ocasião, a iniciativa é retomada, convidando-nos a refletir sobre nossas práticas em torno das prisões, levando em conta a intensidade e as variadas formas pelas quais as prisões nos habitam. Como uma necessidade antiautoritária, é essencial ampliar a reflexão sobre as prisões e como elas não estão concentradas apenas em um espaço ou tempo específico, mas também como estão incorporadas em nossa vida cotidiana, até mesmo na natureza e nos animais não humanos.

Extrativismo, especismo, patriarcado, urbanismo, corpos em punição, coerção, prisões, tecnologia, militarismo, colonialismo, autoritarismo e assim por diante. Essas são algumas das práticas que se originam nas prisões. Portanto, convidamos qualquer individualidade, coletivo ou iniciativa a compartilharem sua contínua reflexão de pensamentos/práticas antagônicas contra as prisões através de conversas, projetos culturais, apresentações de material audiovisual, gráfico e cênico que gire em torno do pensar/fazer contra as prisões. Com o objetivo de mapear o papel que as prisões desempenham atualmente em nosso imaginário, desde o coletivo até o individual. Acreditamos na necessidade de aprimorar nossas ideias/práticas, baseadas na horizontalidade, no cuidado mútuo, na autogestão e na autonomia, para enfrentar a hegemonia do poder, a partir da multiformidade anárquica antiautoritária e do internacionalismo antiprisional.

As informações e a data de encerramento serão atualizadas assim que possível.

encuentroanarquico@riseup.net

Tradução > Liberto

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O viajante
Chupa uma laranja
Pelo campo seco.

Shiki

[Chile] “Nunca nos esqueceremos de você, querido companheiro!”

O corpo de Luciano já partiu. Um importante grupo de companheiros, amigos, apoiadores e familiares terminou hoje (14/08) de se despedir dele neste plano terreno da vida. Seu legado, sua presença, suas palavras e seus atos ficam para sempre na história do Anarquismo local e internacional, onde seu nome é sinônimo de força, resistência, decisão e coerência na tensão do conflito que não nos furtamos a enfrentar na prisão e na rua, onde o Tortuga sempre soube dar o melhor de si além de todas as dificuldades e limitações a que foi exposto em decorrência de suas decisões, fruto de suas claras convicções insurrecionais.

Nunca nos esqueceremos de você, querido companheiro!

Com nossos guerreiros sempre e em todos os lugares!

Tortuga vive e retorna na luta diária contra todas as autoridades!

Nada acabou,

Tudo continua!

Fonte: Buskando La Kalle

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A lua crescente
Está arqueada —
Que frio cortante!

Issa

[Chile] Lançamento: “Ovelha Negra”, de Jorge Enkis

A p r e s e n t a ç ã o

Na fazenda se preparam para o grande nascimento da centésima ovelha, mas esta ovelha nasce diferente de todas as outras.

Juliana, a ovelha negra, mora sozinha, pois se separa das outras ovelhas e parte em uma aventura para encontrar a si mesma e encontrar outros como ela.

Baixe, imprima e divulgue.

Em português:

https://editorialautodidacta.org/wp-content/uploads/2024/08/Ovelha-Negra-Jorge-Enkis.pdf

Em castelhano:

https://editorialautodidacta.org/wp-content/uploads/2024/08/Oveja-Negra-Jorge-Enkis.pdf

editorialautodidacta.org

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Canto da cigarra.
O vento espalha
Suave despedida.

Raimundo Gadelha

[Reino Unido] Os Dez Melhores Momentos das Olimpíadas para o Freedom

Os jogos olímpicos terminaram – aqui estão os destaques

 1. Sabotagem incendiária

A ação de um grupo de sabotadores ainda desconhecido foi realmente de encher os olhos. Na noite de abertura, enquanto o mundo olhava para a cerimônia de abertura das Olimpíadas em Paris, não era a tocha olímpica que chamava a nossa atenção, mas o bombardeio coordenado de caixas de sinalização que afetavam três das principais linhas nacionais da França. Essa sabotagem, que afetou mais de 800.000 passageiros, foi seguida por apelos imediatos por parte de políticos e executivos franceses para a captura do “bando de loucos e irresponsáveis”. Inicialmente, parecia que um sabotador havia sido pego, pelo menos de acordo com o Ministro do Interior da França e com o jornal de direita The Figaro. Infelizmente para eles, esse “militante de ultraesquerda” acabou sendo um grafiteiro, com a infeliz coincidência de ter um livro para seu curso de sociologia em seu carro quando foi pego. Tendo aparentemente esgotado todas as opções, a polícia francesa pediu ajuda ao FBI para investigar a “delegação inesperada” que enviou e-mails aos principais jornais sobre a sabotagem, embora não tenha reivindicado explicitamente a responsabilidade.

2. Arte insurrecionária

Em uma olimpíada saturada de patrocínios, foi uma lufada de ar fresco ver seus grandes anúncios serem retomados pela arte de protesto por toda Paris. Desde a parceria da Nike com o Centre Pompidou até à ênfase na forma como grandes poluidores usam os esportes para limpar suas imagens, nenhum anúncio ficou a salvo de ser rebatizado pelos artistas de rua de Paris.

3. Celebração de atletas palestinos

A França pode não reconhecer um Estado palestino, mas os atletas palestinos foram recebidos com entusiasmo nas Olimpíadas pelas multidões francesas. Competidores foram saudados por bandeiras palestinas hasteadas durante os jogos, um ato que foi ilegal na França por meses após o 7 de outubro.

4. Louise Michel ‘homenageada’

Louise Michel, líder da Comuna de Paris e notável anarquista e feminista, foi “homenageada” na cerimônia olímpica entre outras dez mulheres francesas. Michel, que ficou famosa por declarar “Se vocês não forem covardes, me matem” ao governo francês após a queda da Comuna, foi exilada na Nova Caledônia por anos. Ela não estava sozinha entre as imagens revolucionárias na cerimônia de abertura das Olimpíadas, que incluiu interpretações de “Ça ira”, uma famosa canção da Revolução Francesa, e cujas apresentações incluíam uma Maria Antonieta decapitada cantando. Não é preciso dizer que uma estátua de ouro desse ícone revolucionário não redimiu as Olimpíadas das injustiças cometidas contra as pessoas pelas quais ela passou a vida lutando.

5. Sabotagem de cabos de fibra ótica

Dias depois da sabotagem das ferrovias, os ativistas antiolímpicos atacaram os cabos de fibra óptica, afetando seis departamentos da França. Isso provocou um segundo frenesi na mídia e especulações sobre o que a “ultraesquerda” tentaria fazer a seguir. Apesar da intensa especulação da mídia e do reforço policial, a incapacidade do Estado francês de combater ou capturar esses grupos de ativistas aparentemente pequenos e independentes mostrou as limitações do Estado de segurança contra ataques desse tipo.

6. A delegação da Argélia jogou rosas no Sena

Por mais que os sucessivos governos franceses tenham a intenção de esquecer seu passado colonial, os atletas argelinos se recusaram a permitir que as Olimpíadas passassem sem um protesto contra seu antigo colonizador. Os atletas argelinos jogaram rosas no Sena durante a cerimônia de abertura das Olimpíadas em homenagem aos cerca de 100 manifestantes argelinos que foram mortos pela polícia francesa enquanto protestavam pela independência da Argélia em 1961. A ação foi simbolicamente pungente, pois o massacre envolveu o lançamento de manifestantes no Sena.

7. Protestos contra Israel

Outro grupo que não teve permissão para esquecer os crimes do passado foi a delegação israelense nas Olimpíadas deste ano. Mesmo antes da cerimônia de abertura, os protestos começaram durante a partida de futebol entre Israel e Mali, na qual os frequentadores do estádio com bandeiras e faixas palestinas demonstraram sua solidariedade. O fato de a Rússia ter sido proibida de competir, enquanto Israel não foi, continuou sendo um tema de controvérsia durante as Olimpíadas, com os espectadores continuando a destacá-lo o tempo todo.

8. O sindicato dos bailarinos venceu

Diante das “condições vergonhosas, sem compensação, ou sem saber o valor da transferência dos direitos de vizinhança” de 300 dançarinos dentre os 3.000 da cerimônia de abertura, o sindicato SFA-CGT solicitou uma greve no dia 23 de julho, que teria entrado em vigor durante a cerimônia de abertura no dia 26. Recusando-se a participar do ensaio no dia 23, eles ergueram os punhos no ar em solidariedade aos dançarinos mais precários. A greve não durou muito tempo, pois a empresa produtora dos jogos se ofereceu para aceitar muitas de suas reivindicações no dia seguinte, resultando no cancelamento vitorioso da greve.

9. O Rio Sena nunca foi limpo

Em uma monumental demonstração de arrogância governamental, o rio Sena, que foi usado para o triatlo olímpico, provavelmente nunca foi limpo com sucesso. O projeto de limpeza do Sena, vocalmente endossado pelo presidente francês Emmanuel Macron, não apenas custou £1,2 bilhão, mas também não conseguiu conter as “bactérias E. coli e Enterococcus intestinal na água”, que “ultrapassaram os níveis recomendados”. Isso pode ter resultado em doenças entre muitos atletas que adoeceram recentemente com problemas intestinais. Infelizmente, o próprio Macron quebrou sua promessa de nadar no rio no dia 23 de julho, impedindo que o site “I will poo in the Seine” [Eu vou fazer cocô no Sena] fosse usado para o fim a que se destinava.

10. Uma mensagem de esperança para o futuro das Olimpíadas

Do aumento da vigilância até a limpeza social dos indesejáveis, essas Olimpíadas mostraram nosso estágio do capitalismo em seu pior aspecto: insensível, securitizado e adaptado aos desejos de uma elite rica. No entanto, nos protestos ao longo das Olimpíadas, bem como na determinação genuína dos próprios atletas, houve momentos em que uma visão alternativa para o esporte e a competição brilhou. Como nas “Olimpíadas do Povo” de 1936, que surgiram como uma alternativa às Olimpíadas na Alemanha nazista, alguns atletas pediram uma Olimpíada desvinculada de regimes políticos e egos pessoais. Como disse Hugo Hay, finalista dos 5.000 m, sobre Macron: “Gostaria de dizer a ele que esses jogos não são dele, mas dos próprios atletas”.

~ Gabriel Fonten

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/08/13/freedoms-top-ten-olympic-moments/

Tradução > anarcademia

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/11/franca-protestos-contra-as-olimpiadas-de-paris-uma-betoneira-para-turistas-e-a-especulacao/

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Dia grisalho
brotos brotam brutos
na ponta do galho

Danita Cotrim

Esquerda e chantagem: a defesa impossível do governo de Maduro

Por Ybelice Briceño Linares | 06/08/2024

As políticas que esse governo vem implementando há anos estão longe de ser democráticas, progressistas ou mesmo meio revolucionárias.

[Escrevo] contra o silêncio eloquente e performático de boa parte dos intelectuais e artistas da chamada esquerda que, em nome de um mito ao qual não podem renunciar […] não se posicionam a favor da vida, como acreditávamos, mas a favor da repressão, da falsificação e do discurso ideológico monolítico.

Ileana Diéguez. A performatividade da Esquerda neocolonial

Dirijo-me a essa esquerda latino-americana e global que prefere se posicionar ao lado do terror pelo simples medo de perder sua utopia, uma esquerda que não consegue se livrar da chantagem grosseira: se você não está com Maduro, está com a CIA.

Os homens e as mulheres venezuelanos da esquerda crítica e honesta há muito se cansaram dessa chantagem. Não apoiamos o setor radical da oposição liderado por María Corina Machado, porque não concordamos com seus ideais nem com suas práticas geralmente antidemocráticas e de direita. Rejeitamos enfaticamente o bloqueio dos EUA, bem como qualquer tipo de interferência em nosso país. No entanto, isso não nos impede de ver que a revolução bolivariana (que apoiamos durante seus primeiros anos) há muito se desviou do caminho.

Há anos sabemos que, apesar de sua retórica esquerdista e de seu discurso anti-imperialista, o governo de Maduro e os militares que o apoiam são um governo absolutamente impopular, gerador de desigualdades sociais e cada vez mais autoritário, como demonstram a perseguição aos protestos populares nos últimos dias (mas que começou há anos) e suas práticas que beiram o autoritarismo mais sangrento.

Não estamos apostando no triunfo de uma oposição cujo projeto não compartilhamos, mas consideramos fundamental reconhecer a vontade popular expressa em uma eleição que, apesar das táticas vantajosas do governo e de todas as suas estratégias de intimidação, teve seu candidato claramente vencedor. E esse triunfo, mais do que uma aposta em um projeto de direita, expressa o cansaço absoluto de um povo que não suporta mais a situação de miséria, precariedade e profunda desigualdade a que foi submetido.

Isso foi agravado pela indignação com a fraude, que era suspeita, mas foi mais flagrante do que se poderia imaginar. As estratégias de má qualidade e as desculpas incomuns do Conselho Nacional Eleitoral – cujos membros são conhecidos por serem pró-governo – ficaram muito evidentes e, uma semana após as eleições, ele ainda não mostrou os resultados oficiais que apoiam o suposto triunfo de Maduro. Soma-se a isso a ausência de números detalhados por estado, paróquia e seção eleitoral, como sempre foi o caso. Tudo isso no contexto da proclamação precipitada de Maduro como presidente – antes da divulgação do segundo boletim com os resultados finais. Essas, entre muitas outras irregularidades, deram origem a uma profunda raiva que foi expressa nas ruas de todos os bairros e cidades do país. As pessoas que saíram para se manifestar não são apenas a população de classe média das grandes cidades, mas, acima de tudo, aquelas que vivem nos bairros populares e nos vilarejos mais pobres do interior, que vivem na situação mais precária, sem eletricidade, água, gás e com salários miseráveis; em outras palavras, as mesmas pessoas que saíram em 13 de abril de 2002 para defender Chávez do golpe de Estado da oposição.

O governo reagiu a esses protestos, em sua maioria pacíficos, com um discurso e uma prática de intimidação, perseguição e sequestro, descrevendo qualquer pessoa que se manifeste como “terrorista”, capturando não apenas aqueles que estão protestando, mas também aqueles que demonstram seu descontentamento por meio de redes e até mesmo simples testemunhas de mesa do processo eleitoral. Essa política foi acompanhada pela mobilização de forças parapoliciais ligadas ao governo (conhecidas como “coletivos”), cidadãos armados e motorizados que estão circulando pelos bairros, intimidando os habitantes e até mesmo atirando neles. O saldo atual dessa estratégia de terror, que o governo com o maior cinismo chamou de Operação Tun Tun – o nome de guerra de bater nas portas das pessoas – é de cerca de mil pessoas detidas – sem o devido processo -, mas o próprio Maduro prometeu encarcerar mais 1.200 pessoas e adaptar duas novas prisões para elas.

Por tudo isso, é urgente falar com a esquerda mundial, não apenas para fazê-la se posicionar sobre o que está acontecendo agora, mas também para fazê-la entender, de uma vez por todas, que as políticas que esse governo vem implementando há anos estão longe de ser democráticas, progressistas ou até mesmo revolucionárias:

– A perseguição, detenção e execução de jovens de bairros populares – enquanto faziam acordos e davam salvo-conduto aos líderes de gangues criminosas – em operações de segurança como a Operação Cacique Guaicaipuro, que levou à prisão sem julgamento justo, detenção em condições desumanas e morte em cativeiro de jovens inocentes, como no terrível caso dos cinco jovens de La Vega. Essa não é uma política de esquerda.

– A desoneração de impostos e tarifas sobre a importação de bens, alimentos e artigos de luxo, para favorecer as empresas – chamadas Bodegones – dos novos ricos ligados ao governo. A privatização neoliberal de ativos estatais também está ocorrendo, de acordo com a Lei Antibloqueio (2020), enquanto a maioria da população vive na pobreza e precisa sobreviver com um salário de quatro dólares por mês. Essa não é uma política de esquerda.

– A entrega de 12% do território nacional à exploração mineradora por meio do megaprojeto extrativista ARCO MINERO – por meio da figura autoritária do Decreto Presidencial 2248 que suspende todos os tipos de direitos na área – que abriu as portas para grandes transnacionais norte-americanas, canadenses, russas e chinesas, bem como para a mineração ilegal. Esse projeto resultou na devastação da floresta e de sua biodiversidade, na promoção do trabalho escravo, do trabalho infantil, da exploração sexual de meninas e mulheres e na perseguição e no assassinato de líderes comunitários indígenas Warao, E’Ñepa, Hoti, Mapoyo, Kariña, Piaroa, Pemón, Ye’kwana e Sanema. Essa não é uma política de esquerda.

– A intimidação, a perseguição e a detenção de líderes sindicais, camponeses e sindicais que lutam pela defesa dos contratos coletivos, contra os “bônus”, pela liberdade de associação ou por um salário digno. Esses foram os casos de Leonardo Azócar e Daniel Romero, líderes sindicais da SIDOR -Siderúrgica del Orinoco -, que foram presos e julgados “por terrorismo”, ou o ativista da Ferrominera del Orinoco Rodney Álvarez, que ficou preso por mais de 10 anos. Isso não é política de esquerda.

A essa altura, é preciso muita ingenuidade ou muito cinismo para continuar dizendo que o governo de Maduro – e seus militares – é um governo revolucionário. É por isso que me pergunto quando a esquerda internacional perceberá que tipo de regime está defendendo. Quando perceberá de que lado da história está se posicionando. Quando ela sairá da chantagem. Quando chegará à conclusão de que é obsceno que o medo de perder uma utopia valha mais do que o sofrimento, a fome, a perseguição de milhares de homens e mulheres venezuelanos.

Fonte: https://zonaestrategia.net/izquierda-y-chantaje-la-imposible-defensa-del-gobierno-de-maduro/

Tradução > Liberto

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talvez o hiato
a falta certa
a mata verde e o poeta

Kátia Ribeiro de Oliveira

Pessoas contra as prisões… em Aotearoa, Nova Zelândia

Por Alicia Alonso Merino | 04/08/2024

A primeira vez que escutei nomear Aotearoa foi por um casal de origem palestina que viajava na Flotilha da Libertade, rumo a Gaza, quando nos apresentamos e me disseram seu lugar de residência. Creio que ante a surpresa em meu rosto, em seguida acrescentaram: Nova Zelândia.

Aotearoa – a terra da nuvem branca – é o nome originário com o qual os maoris chamavam a grande ilha polinésia antes da colonização britânica iniciada em meados do século XIX e que está se tentando recuperar para refletir melhor a cultura originária do país. Como é de supor, os interesses econômicos britânicos baseados na mineração e na agricultura, bateram de frente com a cosmovisão maori. Como toda colonização, as consequências nesta grande ilha não foram melhores: em menos de cem anos a população maori foi dizimada de 100.000 para 40.000 habitantes, usurparam suas terras e assolaram com sua cultura e sua língua. Deixando como herança um racismo estrutural causadores das maiores taxas de empobrecimento, de acesso à educação, saúde e outros serviços às populações originárias.

Este imediato passado colonial racista deixou também sua marca no sistema penal. Um dos principais problemas atuais é a super-representação da população maori nas prisões. Se na atualidade as minorias indígenas no país representam 15% do total da população, nos cárceres representam 50% da população masculina e 70% da feminina. Além disso, uma pessoa maori tem muitas mais possibilidades de ir ao cárcere que outra pessoa não racializada, assim como que seja condenada com uma pena maior por infrações similares.

Para denunciar as condições das prisões, e o tratamento das pessoas Transgênero encarceradas, nasceu em 2015 a organização Pessoas Contra as Prisões Aoteaora (People Against Prison Aotearoa, [1] em inglês e PAPA em seu acrônimo). Com o tempo as pessoas integrantes neste coletivo comprovaram que os cárceres não reduzem os delitos, separam as pessoas de suas redes de apoio, as inserem em um entorno de violência, pretendendo que saiam sendo melhores pessoas. Ademais as prisões reproduzem as desigualdades sociais e os desequilíbrios de poder. Também consideram que se as pessoas são tratadas com dignidade e respeito e lhes oferecem os recursos necessários para sobreviver e prosperar, poderíamos viver em uma sociedade menos violenta e mais pacífica. Por isso, se converteram em uma organização abolicionista das prisões que trabalha por um país mais justo, seguro e equitativo.

As pessoas do PAPA buscam uma transformação do sistema de justiça que consideram tem que ir junto a uma transformação dos serviços sanitários e sociais para poder abordar as causas que estão por trás de uma grande parte dos delitos. Por isso demandam uma justiça transformadora, focada nas pessoas, nas famílias, nas comunidades, que se responsabilizem por prevenir e responder aos danos que se produzem. Uma justiça que apoie a cura, a reparação e garanta a não repetição do dano. Uma justiça que se baseie nos valores subjacentes da cultura maori, que supõe: tratar a todas as pessoas com humanidade, dignidade, respeito e compaixão (Mana tangata); construir relações comunitárias (Whanaungatang); ser responsáveis, assumir as ações e prestar contas desde uma ideia de reciprocidade, restauração do equilíbrio e corrigir os danos causados (Haepapa) e exercer cuidado, compaixão e empatia (Aroha).

Para isso estabeleceram uma extensa agenda com demandas a curto, médio e longo prazo na política criminal, sistema de justiça e sistema penitenciário. Os requerimentos incluem entre muitas outras: acabar com a guerra contra as drogas descriminalizando as mesmas, retirar o financiamento das polícias, abolir a prisão perpétua e o confinamento solitário, proporcionar transporte público às prisões, incrementar as visitas, estabelecer soluções comunitárias para o dano e as violências e instaurar a Tikanga Maori (que foram os primeiros sistemas legais e de costumes em Aotearoa e se baseiam em priorizar as relações e a Whanaungatang para resolver os conflitos).

Se as grandes empresas e financeiras que lucram com o colonialismo capitalista geram mais dano que o jovem maori que vende metanfetaminas, por que tememos mais a este último que aos ricos? As pessoas do PAPA o têm claro, a única saída socialmente aceitável e alternativa factível é a abolição das prisões.

[1] https://papa.org.nz/

Fonte: https://www.briega.org/es/opinion/gentes-contra-prisiones-aotearoa

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

de tantos instantes
para mim lembrança
as flores de cerejeira.

Matsuo Bashô

[Espanha] Comemoram o sucesso e o “grande poder de convocação” da última “caminhada libertária” em Zamora

Desde a associação Zamora Libertaria comemoram o fato de que a Caminhada Libertária por Zamora na última sexta-feira (09/08) “teve, mais uma vez e apesar do calor muito intenso, um grande poder de convocação e uma grande experiência”.

Durante mais de duas horas e meia pelas ruas da cidade, os participantes descobriram os lugares onde os zamoranos e anarquistas mais rebeldes da década de 1930 realizaram sua intensa atividade. As explicações do especialista (e de outros participantes) serviram para tornar conhecido esse passado libertário não tão distante no tempo.

Conhecidos escritores, jornalistas, trabalhadores, estudantes, feministas, esperantistas, artistas, músicos, anarcossindicalistas e carrilanos, todos ligados ao ideal libertário, foram os protagonistas do percurso, relembrando os lugares onde deixaram sua marca na cidade. “Um tema de crescente interesse acadêmico e científico devido à sua importância social e literária”, destacam.

Fonte: https://www.zamora24horas.com/local/celebran-exito-gran-poder-convocatoria-ultimo-paseo-libertario-por-zamora_15122867_102.html

agência de notícias anarquistas-ana

saúda o dia
no horizonte a chuva
bons ventos em flor

Rita Schultz

Gastos Militares-Mercado da Morte | Governo Lula lança cotação internacional para comprar 143 tanques e blindados

No dia 1º de agosto, o Exército Brasileiro abriu uma licitação para compra de 78 blindados e 65 tanques no âmbito do Programa Estratégico do Exército Forças Blindadas, contemplado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A consulta vai até o início de novembro e visa buscar fornecedores no mercado nacional e internacional, além de pesquisar preços dos 143 veículos de combate, relata o jornal O Globo.

Segundo o documento, o Exército também busca obter métodos de treinamento do novo sistema de armas e acordos de compensação. Os tanques de guerra deverão ter uma torre de canhão de no mínimo 105mm como armamento principal.

Em meados de julho, a força também firmou um contrato com a montadora italiana Iveco-Oto Melara para a aquisição de 420 viaturas blindadas Guaicurus. A compra custará cerca de R$ 1,4 bilhão do PAC. As viaturas deverão ser entregues ao longo dos próximos dez anos, segundo a mídia.

“Além das plataformas veiculares, o contrato abarca o serviço de integração do sistema de armas automatizado e de comando e controle”, destacou o Exército em nota, citada pela mídia.

As viaturas serão equipadas com um sistema de armas controladas remotamente do interior do veículo, no qual o atirador pode detectar alvos a longas distâncias e em condições de baixa visibilidade.

Ainda de acordo com a força, o contrato assinado com a Iveco-Oto Melara permitirá “a construção de infraestrutura local no Brasil para a montagem das viaturas, bem como a fabricação de componentes em território nacional”.

Também faz parte desse programa de modernização a aquisição dos blindados Centauro II, comprados por R$ 5 bilhões pelo governo federal da Iveco. O primeiro destes veículos chegou a ficar 40 dias retido na Alemanha.

No final de julho, ele embarcou para o Brasil. A expectativa é que o blindado chegue na quinta-feira (15/08), segundo a mídia.

Fonte: agências de notícias

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luar na relva
vento insone
tira o sono das flores

Alonso Alvarez

[EUA] Entrevista: Radon e a nova onda de ficção científica anarquista

O coletivo anarquista de ficção científica transumana Radon publicou várias revistas digitais nos últimos anos, explorando temas como distopia, rebelião e conflito social. Rob Ray entrevista os editores.
 
Você poderia explicar o histórico do coletivo?

Criamos o Radon Journal para preencher um nicho que gostaríamos que existisse quando éramos jovens: a interseção de ficção científica e anarquismo. Criamos um novo espaço expressamente para aqueles que querem olhar para as estrelas enquanto imaginam projetos para uma sociedade melhor. A práxis anarquista geralmente lida com o trabalho no presente para construir um futuro melhor e, portanto, estender um pouco mais essa linha do tempo naturalmente proporciona uma excelente ficção científica.

Uma grande parte do que a Radon faz é educar o público sobre o que esses conceitos implicam. Porque a ficção científica é mais do que apenas robôs e naves espaciais e o anarquismo é mais do que coquetéis molotov e black blocs.

Dois dos cofundadores passaram seus anos de ensino médio publicando livros de ficção científica juntos, foram para o mundo para se radicalizarem independentemente e se tornarem anarquistas, e se reconectaram 12 anos depois para combinar suas paixões e habilidades para uma nova geração de escritores.

A Radon também se concentra no transhumanismo em sua revista porque o anarco-transhumanismo é uma das mais novas e incompreendidas escolas de pensamento anarquista e combina perfeitamente com o que fazemos como um subgênero da ficção científica.

Ursula Le Guin, a escritora anarquista de ficção científica mais bem-sucedida de nosso tempo (em termos de alcance de mentes), faleceu em 2018 e nos devastou. Nosso objetivo é continuar seu legado de combinar política anarquista com histórias de ficção científica e mostrar ao mundo que um futuro igualitário é possível, ao mesmo tempo em que alertamos sobre possíveis mundos distópicos se não estivermos vigilantes.

Quão difícil tem sido encontrar um equilíbrio entre abordagens distópicas, geralmente especulativas, e mais “utópicas” (ou pós-escassez)?

A distopia parece ser uma de nossas categorias de submissão mais populares. E não é difícil entender por quê. O capitalismo em estágio avançado continua a apertar seu controle, a Terra está morrendo e o mundo está voltando a cair em ditaduras fascistas. Nossa geração do milênio descobriu que as promessas de nosso futuro eram mentiras e que as únicas coisas com as quais podemos contar são as que recuperamos por meio da ação direta.

Gostaríamos de ver mais histórias pós-escassez enviadas para nós, servindo como contos de como as sociedades anarquistas poderiam existir em um cenário de ficção científica. Dito isso, deixamos que cada edição crie sua própria identidade com base na natureza das histórias enviadas durante a janela de leitura de cada edição. As histórias mais utópicas e solarpunk tendem a encontrar espaço em revistas específicas para esses gêneros.

A maioria dos nossos envios vem de autores de ficção científica que incluem comentários sociais de esquerda em seus trabalhos, em vez de anarquistas que escrevem ficção científica. Gostaríamos que essa proporção se equilibrasse mais no futuro.

A ficção transumana tem tido uma aceitação bastante forte nos círculos anarquistas, possivelmente mais do que o solarpunk. Em sua opinião, qual foi a atração?

Para nós, o transhumanismo e o anarquismo andam juntos e se complementam logicamente. O anarquismo, como todos sabemos, visa a aumentar nossas liberdades sociais e econômicas em geral.

Enquanto isso, o transhumanismo visa nos dar liberdade física e remover os flagelos da existência humana, como a morte e as limitações humanas.

É provável que o conceito esteja ganhando atenção devido ao fato da tecnologia ao nosso redor estar aumentando em um ritmo exponencial. É natural que prestemos mais atenção às implicações e possibilidades da tecnologia à medida que tanto os indivíduos quanto a sociedade lutam contra as mudanças.

Queremos ser livres para explorar não apenas este planeta, mas todo o cosmos, sem estarmos presos a coisas arbitrárias, como dinheiro ou tempo de vida natural. Há muito a aprender sobre nossa realidade, e nós, humanos, somos infinitamente curiosos. Não há razão para nos deixarmos sofrer e morrer se pudermos evitar isso.

Por outro lado, os tipos eugenistas também podem ser atraídos pelo aspecto da “melhoria”. Como vocês tendem a lidar com esse tipo de situação?

Acreditamos que qualquer pai ou mãe aproveitaria a chance de prevenir doenças em seus filhos de forma fácil e segura. Mas reconhecemos que a tecnologia poderia facilmente ser usada pelas mãos erradas e acompanhar práticas malignas de eugenia. Então, será que impedimos a ocorrência de qualquer progresso tecnológico devido ao medo do uso indevido? O que acontece se os capitalistas usarem essa tecnologia? Como os anarquistas a usariam? O uso ético de novas tecnologias está em algum ponto intermediário? Não sabemos as respostas, e é explorando esse meio-termo que nascem as grandes histórias, e é isso que esperamos publicar.

Você também tem razão quando diz que há vários tecnolibertários de direita (como Elon Musk) que fizeram um trabalho surpreendentemente bom ao se vincularem ao conceito de transumanismo. Há uma batalha contínua sendo travada na maioria dos grupos transumanos (especialmente nos grandes grupos dos EUA) entre a esquerda e a direita pela posse do rótulo. Alguns editores da Radon são semi-ativos nesses grupos, trabalhando com outros anarquistas e comunistas para expulsar os libertários de direita e reivindicar o rótulo na cultura popular antes que seja tarde demais.

Acreditamos firmemente que o transhumanismo é inerentemente uma filosofia de extrema esquerda intimamente ligada ao pensamento anarquista. A Radon aborda o transhumanismo exclusivamente por meio de uma lente anarquista social e rejeita todos os “tech bros” e suas crenças.

Poucas tecnologias são inerentemente morais ou imorais. Toda invenção aumenta a capacidade da humanidade de fazer o bem tanto quanto aumenta nossa capacidade de fazer o mal. Por exemplo, a invenção do avião nos permitiu alcançar e nos conectar com nossos semelhantes de forma rápida e fácil. Mas também permitiu que a humanidade matasse populações inteiras de forma rápida e eficiente.
 
Gostei de Whiskey Mud (Edição 2), de Jonathan Olfert, e a ideia de mentes exploradas ou restritas está presente em muitas de suas histórias – há um cruzamento com o cyberpunk nesse sentido. O que você pensa sobre esse conceito como uma preocupação da ficção científica moderna?

Podemos não ter o cyberpunk listado como um dos nossos princípios principais, mas nossos editores também adoram esse subgênero. Blade Runner e Altered Carbon estão entre os nossos favoritos. Quem sabe, talvez o adicionemos como um termo listado em um ano, pois gostaríamos de receber mais inscrições de cyberpunk.

O cyberpunk é a extensão natural da nossa sociedade atual para o futuro e o gênero que provavelmente mais atrai os leitores atuais. A cada ano, sentimos que estamos prestes a entrar em uma inevitável existência cyberpunk. Dada a trajetória da humanidade, é muito provável que vivenciemos isso e tenhamos que lidar com isso. Talvez todos nós estejamos lendo a desgraça para nos prepararmos para esse futuro sombrio.

Que tipo de tendências conceituais você tem visto de autores radicais? O que você gostaria de ver?

A maioria dos autores radicais tem suas obras em diálogo com a motivação do lucro. Lidando com sua existência ou vivendo apesar dela, principalmente. Também recebemos uma série de comentários sobre o sistema de “justiça”, seja contornando-o ou atacando-o de frente.

Estamos ansiosos para publicar um bom motim anarquista no espaço. Ou algum tipo de narrativa de ação direta ardente, cativante e bem planejada, em que os protagonistas “consigam a mercadoria”, por assim dizer. Conte-nos uma história emocionante sobre como os anarquistas estão libertando mundos e impedindo que o resto da galáxia os destrua.

Você tem um processo de engajamento ativo com a comunidade mais ampla de escritores de ficção científica. Você espera injetar o pensamento anarquista nesses espaços?

A Radon é única pelo fato de estarmos divididos entre vários mundos. Por meio da participação na CLMP (Community of Literary Magazines and Publishers), estamos inseridos no ecossistema literário. Mas por meio da SFPA e da SFWA (Science Fiction and Fantasy Poetry/Writers Association), juntamente com nossos autores, temos conexões estreitas com os mundos da ficção científica e da fantasia. Enquanto isso, por meio da AK Press, da nossa conta Mastodon Kolektiva e da marca/crenças anarquistas pessoais, estamos imersos no universo anarquista.

Às vezes, é um desafio equilibrar os três, mas, no final, somos simplesmente nós mesmos e os combinamos. Um dos principais objetivos da Radon era injetar a teoria e a prática anarquista em espaços mais convencionais. Quando lançamos a revista, ocultamos nossas identidades e jogamos pelo seguro, temendo que as forças reacionárias se opusessem fortemente a uma editora abertamente anarquista. Mas, em vez disso, aconteceu o oposto, e não encontramos nada além de amor e apoio da comunidade editorial e de escrita especulativa.

Que outros projetos literários anarquistas ou simpatizantes você acha que valeria a pena dar uma olhada?

Para projetos explicitamente anarquistas, sugerimos dar uma olhada em Margaret Killjoy e seus muitos livros, podcasts e músicas. A AK Press, sem dúvida a maior editora anarquista do mundo, fez um ótimo trabalho recentemente ao entrar no espaço da ficção especulativa por meio de sua série Black Dawn. Sugerimos também que fique atento para ver se a sua cidade local está organizando uma feira de livros anarquistas. Grandes projetos anarquistas em nossa esfera de publicação semiprofissional incluem Strange Horizons, The Sprawl Mag, Solarpunk Magazine e Seize the Press.

Planos futuros?

No momento, estamos no último mês de leitura de nossa sétima edição e esperamos ter uma versão impressa para acompanhar o lançamento da oitava edição e além. Este ano, também esperamos atingir nossa nova meta de arrecadação de fundos por meio da nossa comunidade Patreon (atualmente em 51%!), o que nos permitirá aumentar os limites de palavras de ficção, talvez passar a ser trimestral, pagar mais aos autores ou criar a lendária antologia “best-of”.

Todas as edições da Radon estão disponíveis em radonjournal.com

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/06/09/interview-radon-and-the-new-wave-of-anarchist-sci-fi/

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/12/22/eua-uma-breve-historia-de-ficcao-anarquista/

agência de notícias anarquistas-ana

as peninhas
tão leves, flutuam
no ar

Akemi Yamamoto Amorim

[Espanha] Lançamento: “El batallón de las Lincoln”, de Mercedes Gutierrez García

No caos da Guerra Civil Espanhola, El Batallón de las Lincoln reivindica a história de um grupo de mulheres que desafiaram as normas sociais da época, vieram a Espanha para lutar contra o fascismo, e puseram suas vidas à serviço de uma causa estrangeira e de um país longínquo. Treze mulheres, treze histórias com nome e sobrenome próprio: Salaria Kea, Marion Merriman, Evelyn Hutchins, Lini Fuhr, Mildred Rackley, Anne Tufts, Kitty Bowler, Rose Abramson, Frances Vanzant, Hilda Bell, Avelino Bruzzichesi, Thelma Erickson e Muriel Rukeyser. Muitas delas voluntárias da XV Brigada Internacional, conhecida como a Brigada Abraham Lincoln.

El batallón de las Lincoln

Mercedes Gutierrez García

Editorial: Jus

ISBN: 9788419154491

Número de páginas: 168

17,10 €

malpasoycia.mx

agência de notícias anarquistas-ana

Borboleta azul
raspa este céu de mansinho
insegura e frágil.

Eolo Yberê Libera

[Espanha] Jenaro de la Colina Blanco – Propagandista Anarquista

Em 17 de março de 1906 nasce em Santander (Cantábria) o propagandista anarquista e anarcossindicalista Jenaro de la Colina Blanco – citado seu nome às vezes como Genaro. Tipógrafo de profissão, trabalhou de prensistas na Imprenta Díez de Santander e militou na Confederação Nacional do Trabalho (CNT) e nas Juventudes Libertárias desta cidade.

Aficionado ao desenho, ilustrou livros, faceta difícil de seguir já que não assinou os trabalhos. Em setembro de 1930, depois da ditadura de Primo de Rivera, fez comícios em prol da reorganização confederal às populações cântabras de Maliaño e Santander. Em 1933 realizou a capa do livro Aire de la calle, de José del Río. Em 1936, quando estourou a Revolução espanhola, foi representante da CNT no Comitê da Frente Popular de Esquerdas de Santander; no Conselho Interprovincial de Santander-Burgos-Palencia, até janeiro de 1937; ocupou um cargo de conselheiro na Prefeitura de Santander; e foi diretor geral de Instrução Pública da Junta de Defesa (Comitê de Guerra), entre outros cargos.

Como diretor geral de Instrução Pública se encarregou da regulação, ordenação e funcionamento do ensino em todos os níveis, assim como da custódia e da conservação do patrimônio artístico regional. Em janeiro de 1937 fez uma conferência, com o doutor Elosu y Aristide Lapeyre, em Burdeos (Aquitania, Occitania) sob o título “As horas trágicas do povo espanhol”. Em 1º de maio de 1937 participou do comício no teatro Pereda de Santander com Urano Macho Castillo. Quando a frente Norte caiu nas mãos dos fascistas, passou à zona republicana e, como capitão de Infantaria, lutou na frente de Teruel (Aragón).

Com o triunfo franquista, cruzou os Pirineus e foi internado nos campos de concentração de Argelès, Barcarès e Sant Cebrià. Em julho de 1939 pôde embarcar com o barco Méxique para Santo Domingo (República Dominicana) e nesta ilha trabalhou como colono agrícola. Depois de uma passada por Cuba, no começo de 1941 se estabeleceu com sua família no México e quatro anos depois fez parte da última Junta da Delegação da CNT.

Realizou desenhos para a publicação mexicana Renovación (1944). Em 1946 pertencia à Agrupação de Estudos Sociais e foi redator e colaborador do jornal Acción. Favorável à ação clandestina no Interior, em 1947 foi membro da Agrupação da CNT. No país asteca trabalhou como jornalista na revista Tiempo e como tipógrafo nas oficinas da Comissão Nacional dos Livros de Texto Gratuitos da Secretaria de Educação Pública do México. Comunidade Ibérica.

Uma vez aposentado, depois da morte do ditador Francisco Franco, regressou a Santander. Jenaro de la Colina Blanco morreu em 11 de setembro de 1993 em Santander (Cantábria). Sua companheira foi Concepción Gurría Cuevas (1910-1968) e um de seus filhos é o escritor, cinéfilo e jornalista José de la Colina.

Fonte: https://pacosalud.blogspot.com/2020/03/jenaro-de-la-colina-blanco.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Na noite em silêncio
o relógio presente
marca o passado

Eugénia Tabosa

Internacional | Terceira Feira Libertária Infantil “Construindo a Anarquia” | Dezembro de 2024

– apoio mútuo – antiautoritarismo – autogestão – solidariedade – liberdade – equidade – horizontalidade… –

A Feira Libertária Infantil é uma proposta feita por um grupo de indivíduos organizados, que se preocupam em melhorar a educação emocional das crianças, promovendo o desenvolvimento pleno e livre do ser humano, através de atividades realizadas a partir de diferentes disciplinas e abordagens, que visam criar e reforçar laços sociais como empatia, solidariedade, apoio mútuo e autogestão em várias comunidades. Eles identificaram que a privação emocional na infância é um problema emergente na sociedade atual, pois traz consigo condições que podem obstruir o sentido da vida no ambiente de uma criança e afetar negativamente seu pleno desenvolvimento.

É de grande importância reconhecer que há uma tendência a uma educação que oferece às crianças pouca ou nenhuma troca de afeto, pouca interação social com os outros, falta de clareza no estabelecimento de limites, pais e/ou mães distraídos digitalmente ou ausentes, juntamente com ambientes sociais complexos, nos quais se manifestam diferentes condições que favorecem a violência e a perda de espaços comunitários que representam alternativas a estas situações.

É por esta razão que o coletivo vem trabalhando em uma proposta de defesa comunitária chamada “Feira Libertária Infantil”, cujo objetivo é criar um espaço no qual gerar e fortalecer laços sociais que fomentem o respeito mútuo e a autonomia comunitária.

Tudo isso, através de oficinas gratuitas e exposições artísticas destinadas a pais, mães, famílias e comunidade em geral, que de forma lúdica poderão identificar ferramentas e habilidades para melhorar a gestão das emoções, bem como um reconhecimento da importância da ligação com seu entorno.

A proposta é também uma busca para recuperar espaços comunitários, gerando segurança, que fortalecem o intercâmbio de laços de solidariedade entre os habitantes da localidade.

agência de notícias anarquistas-ana

Quintal do sítio –
A única forma geométrica
É a linha de um varal.

Paulo Franchetti

Minicurso: 210 anos de Mikhail Bakunin e 160 Associação Internacional dos Trabalhadores: Lutas Sociais ontem e hoje

Há 10 anos atrás, a Biblioteca Terra Livre organizava o Colóquio Internacional Mikhail Bakunin e a AIT em homenagem aos 200 anos do revolucionário russo e 150 da organização Internacional de trabalhadores. Este ano a BTL e o GPEL (Grupo de Pesquisa Poder Político, Educação e Lutas Sociais) organizam juntos um minicurso que pretende resgatar as histórias das lutas da Associação Internacional dos Trabalhadores e de Bakunin destacando suas contribuições nos campos sindical e educacional.

Bakunin e a AIT foram fundamentais para o surgimento do movimento anarquista tanto no que diz respeito à forma de organização federalista, descentralizada e horizontal, quanto em suas proposições acerca da educação e da ação direta. Portanto, nosso objetivo é comemorar os 210 de Bakunin e 160 anos da AIT, abordando seus fundamentos teóricos e práticos, bem como de que maneira suas reflexões e lutas sociais reverberam nos dias de hoje.

O minicurso está dividido em três dias. Dia 31/09, teremos a aula “O desejo de destruir também é um impulso criativo: Associação Internacional dos Trabalhadores e Mikhail Bakunin”. Ministrada pelo professor Alexandre Ribeiro Samis.

Dia 01/10 será a aula “Reconciliando a ciência e a vida: o projeto de educação de Bakunin na AIT”, com o professor Rodrigo Rosa da Silva.

No encerramento, dia 02/10, teremos a aula “Um mundo que caibam muitos mundos: reverberações das lutas libertárias na construção de outras realidades”. Realizada pelos professores João Francisco Migliari Branco e Lúcia Emília Nuevo Barreto Bruno.

O minicurso ocorrerá no auditório da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo das 19:00 às 22:00.

Para fazer a inscrição, será necessário o preenchimento do formulário (o link se encontra na bio) e ao término enviaremos o certificado.

Para as pessoas que não puderem participar presencialmente, o evento será transmitido no canal da FEUSP.

Mais infos: bibliotecaterralivre@gmail.com

agência de notícias anarquistas-ana

lua n’água
entre pétalas
alumbra o abismo

Alberto Marsicano

[Espanha] Claire Auzias: Sonho de uma adolescente num dia de primavera

Por Tomás Ibáñez

Naquela sexta-feira, 3 de maio de 1968, a polícia invadiu a Universidade de Sorbonne, em cujo pátio várias centenas de estudantes haviam se reunido para lutar contra os fascistas. As repercussões são bem conhecidas: não apenas a raiva explodiu nas imediações da universidade com uma impressionante e espontânea explosão de rua, mas o eco dessa revolta se espalhou por várias partes da França.

Quando o estopim foi aceso, um evento chamado Maio de 68 ganhou força para sacudir o status quo reinante e mudar inúmeras coisas. Naquela mesma sexta-feira, 3 de maio, na cidade de Lyon, uma estudante do ensino médio, sem nenhum envolvimento político anterior, mas atenta aos ecos que vinham de Paris, descobriu repentinamente o anarquismo e se lançou de corpo e alma na agitação promovida pelo CAL (“Comités d’Action Licéens” – Comitês de Ação do Ensino Médio).

Nascida em 1951, Claire tinha então 17 anos, era menor de idade. Ela relatou essa intensa experiência em um belo texto intitulado “Un Mayo Menor” (Um maio menor), escrito 20 anos depois de maio de 68, traduzido e publicado por La Linterna Sorda no livro Esplendor en la noche (Esplendor na noite). É um exemplo claro, mais um, de como certos eventos transformam súbita e radicalmente as pessoas, deixando uma marca tão profunda que permanece por toda a vida.

Daquele momento em diante, sonhos de liberdade e solidariedade, pontuados por explosões de raiva contra a indignidade do sistema estabelecido, acompanharam Claire até seu leito de morte, na terça-feira, 6 de agosto, em Paris. Por mais de meio século, o compromisso anarquista, e portanto feminista, de Claire Auzias a manteve constantemente na linha de frente, publicando inúmeros artigos e livros, participando de manifestações, dando palestras em várias cidades, defendendo o povo cigano (romani) e denunciando seu genocídio.

Uma grande pessoa, uma amiga querida, um exemplo de coerência anarquista e rebeldia indomável. Seus artigos e livros já se tornaram parte da bibliografia libertária.

>> Para saber mais sobre Claire Auzias:

https://fr.wikipedia.org/wiki/Claire_Auzias

Fonte: https://redeslibertarias.com/2024/08/07/claire-auzias-sueno-de-una-adolescente-en-un-dia-de-primavera/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Cachorro vadio
À sombra da quaresmeira
Dorme sobre flores

Tony Marques

[México] Vamos tirar o companheiro Francisco Solar do isolamento!

Nos unimos à Semana Internacional de Agitação e Solidariedade pela libertação imediata do isolamento do companheiro anarquista Francisco Solar, que está preso no território dominado pelo Estado chileno.

Nos próximos sábados, 10 e 17 de agosto, haverá uma exposição de mais de 40 ilustrações gráficas feitas por compas de diferentes geografias em solidariedade a Monica e Francisco, replicando a exposição organizada na região do Chile há alguns meses. Haverá também uma mesa com material informativo e atual sobre a situação do companheiro e uma caixa de correio para aqueles que quiserem enviar sua mensagem de apoio diretamente.

VAMOS TIRAR O COMPANHEIRO FRANCISCO SOLAR DO ISOLAMENTO!

O ÚNICO DIÁLOGO POSSÍVEL COM O PODER É O ATAQUE!

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/26/chile-semana-internacional-de-agitacao-e-solidariedade-contra-o-regime-de-isolamento-do-companheiro-francisco-solar-10-a-17-de-agosto/

agência de notícias anarquistas-ana

Tormenta hibernal —
O rosto do passante,
Inchado e dolorido.

Bashô

[Chile] Morreu o companheiro Luciano Pitronello, “Tortuga

Informamos que há poucas horas (11/08/2024) o companheiro anarquista Luciano Pitronello “Tortuga” faleceu, após a gravidade dos ferimentos causados por um acidente de eletrocussão enquanto trabalhava na tarde de sexta-feira, 9 de agosto de 2024.

O companheiro Tortuga participou e contribuiu ativamente em diferentes projetos anárquicos/antiautoritários, onde sempre se posicionou em confronto aberto com o mundo do poder. Em junho de 2011, um dispositivo caseiro que ele pretendia instalar em um banco no centro de Santiago explodiu em suas mãos, causando-lhe graves lesões físicas. Durante os procedimentos legais contra ele, recusou-se a delatar sobre outro companheiro que o havia acompanhado em uma motocicleta na noite do ataque fracassado.

O importante é nunca perder o espírito de luta, nunca, por mais terríveis que as coisas pareçam, mas desde que sua mente e seu coração não te traiam, o resto se torna quase um detalhe, nossos corpos podem enfraquecer, é verdade, mas o que nos torna grandes não tem nada a ver com carne e ossos, o que nos torna gigantes são nossas convicções, nosso espírito de saber que estamos fazendo a coisa certa“.

O abismo não nos detém.

Comunicado um ano após o atentado que quase me custou a vida.

https://es-contrainfo.espiv.net/2012/06/20/hile-carta-de-luciano-pitronello/

Boa viagem Luciano, você viverá para sempre no conflito, na faca e na palavra.

Fonte: https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2024/08/12/chile-ha-fallecido-el-companero-luciano-pitronello-tortuga/

agência de notícias anarquistas-ana

Aconchegantes,
Os raios do sol de inverno —
Mas que frio!

Onitsura