[São Paulo-SP] 06 de julho – “Banheiros, transgeneridade e anarquismo”

GRUPO DE ESTUDOS DE ANARQUISMOS, FEMINISMOS E MASCULINIDADES (GEAFM)

Sobre o tema:

A transgeneridade é avessa à normatização, trazendo para a pauta anarquista a necessidade de praticar a emancipação como um movimento coletivo que só existe no combate à cisnormatividade. Nesse sentido, é preciso pensar a violência simbólica do binarismo de gênero como algo que estrutura a própria arquitetura dos espaços públicos.

Os banheiros, ao demarcarem um tipo de fronteira cisgenerificada não só nas figuras “femininas/masculinas” que estampam em suas entradas, mas também ao moldarem um comportamento de vigilância em relação à pessoa que frequenta, se tornam ambientes excludentes em sua naturalização de violências cistemáticas.

O Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades (GEAFM) traz, no mês de julho, o tema “Banheiros, transgeneridade e anarquismo”, e sugerimos a leitura do manifesto “LIXO E GÊNERO. MIJAR/CAGAR. MASCULINO/FEMININO”, de Paul Preciado, contra as sutis e efetivas “tecnologias de gênero” que reiteram códigos binários de masculinidade e feminilidade a partir da captura das necessidades mais básicas de uma pessoa. Como leitura complementar, indicamos “Pela emancipação dos corpos trans: transgeneridade e anarquismo”, de Cello Pfeil.

Leituras indicadas para o encontro: www.tinyurl.com/GE0724

Quando? Sábado, 06/07/24 (16h-18h)

Onde? Sede do Centro de Cultura Social de SP (Rua Gal. Jardim, 253, sl. 22, Vila Buarque – São Paulo)

Infelizmente, não teremos intérprete de Libras.

agência de notícias anarquistas-ana

O tico-tico
Pensando ser abelha
Pousa nas flores.

Joice Cristina Souza

[EUA] Vandalismo em resposta à proposta de um “Distrito de Melhoria de Negócios” – em Asheville, Carolina do Note

Tudo ficará na mesma enquanto os bairros de chefes e juízes permanecerem santuários livres dos descontentamentos da sociedade de classes que eles mantêm: um santuário que estamos comprometidos a quebrar.” – FAI 2014

Em 6 e 16 de junho, dois burocratas estatistas, Eva-Michelle Spicer (proprietária da loja de joias Spicer Green) e Larry Crosby (gerente do Foundry Hotel), tiveram suas casas visitadas e seus veículos desativados. Essa ação foi realizada em resposta à afiliação dos indivíduos acima com a proposta e a defesa de um “distrito de melhoria de negócios” no que chamamos hoje de Asheville, na Carolina do Norte. A proposta desse distrito de melhoria de negócios busca posicionar os ricos proprietários de imóveis em posições absolutas de poder para ajudar o Estado e o capital a apertar seu controle social, “limpando” as ruas de “comportamentos antissociais” e “qualquer coisa considerada fora do comum” por meio de maior vigilância e segurança privada. Ao segregar os indivíduos desviantes, colocando-os fora de vista e longe da interação com clientes, vemos isso como um claro meio de facilitar o fluxo ascendente de capital e promover a gentrificação.

A oposição é possível, o Estado e a capital não são onipotentes. Os indivíduos que buscam implementar o distrito de melhoria de negócios têm nomes e endereços, juntamente com seus colegas estatais no governo local. Esses adversários não são teóricos, nem simbólicos, mas materiais. Nós atacamos para explorar suas vulnerabilidades. Atacamos para espalhar rachaduras no espetáculo da paz social, firmemente comprometidos em ampliar e exasperar a polarização entre os antagonismos de classe. Atacamos… “porque somos a favor do ataque destrutivo imediato contra estruturas, indivíduos e organizações do capital e do Estado“. – Alfredo Bonanno

Aqueles que dormem também mantêm a ordem mundial.

O único jeito de dissipar o medo e a tirania são transferi-los para o quintal dos inimigos.” – Membros aprisionados da CCF FAI/IRF.

– Alguns anarquistas

Fonte: https://scenes.noblogs.org/post/2024/06/23/vandalism-in-response-to-proposed-business-improvement-district-asheville-nc/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Mais fria que a neve,
Sobre os meus cabelos brancos,
A lua de inverno.

Jôsô

[Espanha] Solidariedade com as 6 de La Suiza

Comunicado da CNT-AIT de Alcalá de Henares referente à confirmação do Tribunal Supremo da condenação das 6 de La Suiza de Xixón:

Ante o rechaço por parte do Tribunal Supremo do recurso apresentado pelas seis de La Suiza e a confirmação de sua condenação, a CNT-AIT de Alcalá de Henares quer manifestar sua oposição frontal a estes fatos e sua solidariedade com as pessoas reprimidas. Consideramos estes fatos um precedente gravíssimo que tem como objetivo castigar um modelo sindical fundamentado na denúncia pública e na ação direta, quer dizer, na luta da classe trabalhadora por si mesma sem intermediários políticos nem judiciais. Um modelo que compartilhamos e no qual como anarcossindicalistas nos reafirmamos.

Não vamos deixar nossas vidas laborais nas mãos de entes jurídicos nem políticos que, amparados em uma falsa neutralidade, nos reduzam à passividade e nos condenem à infantilização mais aberrante. Buscamos nossa emancipação como classe através da criação de nossas próprias instituições independentes da Patronal e do Estado, com quem inevitavelmente confrontaremos ao ser nossos interesses diametralmente antagônicos.

Prova mais que clara disso é esta condenação que põe em questão liberdades que se acreditavam consolidadas desde a derrubada da ditadura: o Estado, por meio de seu judiciário de extrema direita, perverte sua própria doutrina para enviar a mensagem de que a partir de agora as linhas vermelhas se estreitam. É uma renegociação à diminuição de nossos direitos elementares que se inscreve em uma dinâmica de mais de uma década de retrocesso em todos os âmbitos de nossa vida; redução do bem estar, corte dos serviços públicos, das condições laborais, do direito ao protesto, liberdade de expressão, etc.

Este ciclo, de caráter internacional, mas que adquire no Estado Espanhol sua própria e velha idiossincrasia tem como objetivo assegurar a acumulação da riqueza nas mãos dos privilegiados ante as previsíveis contrações do mercado. Para nos impor esta degradação se segue um padrão simples: a extrema direita o reclama, a direita tradicional o legisla ou o sentencia e a esquerda do Capital não o reverte. Tudo isso sufragado e auspiciado por destacados círculos empresariais e midiáticos. Por isso por mais que alguns políticos mudem hoje sua roupagem não devemos deixar de recordar sua cumplicidade neste e em todos os casos repressivos que se acumulam.

A solidariedade ante a repressão é inquestionável. Nossa melhor arma, agora e sempre, a solidariedade. Liberdade para as 6 de La Suiza.

Fonte: https://alcala.cntait.org/solidaridad-con-las-6-de-la-suiza/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/25/espanha-a-suprema-corte-rejeita-o-recurso-da-cnt-e-condena-as-seis-sindicalistas-de-la-suiza-a-prisao/

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luar na relva
vento insone
tira o sono das flores

Alonso Alvarez

 

[Espanha] “A única coisa que fizemos foi defender os direitos da classe trabalhadora”

Uma concentração na Plaza Mayor em Xixón dá apoio às sindicalistas condenadas a três anos e meio de prisão.

Por Diego Díaz Alonso | 28 de junho de 2024

Cabeça erguida. As seis sindicalistas de La Suiza não demonstraram nenhum remorso por sua campanha contra os proprietários da extinta confeitaria gijonesa, mas sim orgulho pelos fatos pelos quais foram condenadas a três anos e meio de prisão. “A única coisa que fizemos foi defender os direitos da classe trabalhadora”, proclamou Héctor González, um dos condenados, que, diante de uma Plaza Mayor lotada em Xixón, reafirmou que “trata-se de condições de trabalho e liberdades” e desafiou os presentes a imaginar um mundo sem sindicatos, organizações que ele definiu como “a última trincheira” para defender as condições de vida da maioria social.

Luara Chao, outra das condenadas, agradeceu àqueles que estão apoiando o coletivo diariamente em uma luta por liberdades básicas que já dura sete anos: “A única coisa que fizemos foi o sindicalismo”. “É uma injeção de energia ver tanta gente aqui”, ressaltou Chao em relação a uma mobilização que reuniu um grande público, com forte presença de jovens, e que contou com o apoio de representantes de todos os partidos progressistas e sindicatos de classe, além de figuras do mundo da cultura, como Nacho Vegas e Rodrigo Cuevas.

“Esse caso visa reprimir qualquer tipo de movimento social”, advertiu Álvaro del Río, secretário regional da CNT asturiana-leonesa, em relação a uma sentença que poderia abrir um precedente para a prisão de ambientalistas ou feministas, disse ele.

Graças à mediação das conselheiras do IU e do Podemos, Noelia Ordieres e Olaya Suárez, três das mulheres condenadas puderam exibir a faixa do caso na sacada da prefeitura de Xixón.

Enquanto aguardam novas mobilizações, as mulheres condenadas estão confiantes na batalha travada por sua equipe jurídica para evitar sua prisão. Uma coleta de dinheiro encerrou a manifestação, na qual os gritos de “Viva a luta da classe trabalhadora!” e “Vocês não estão sozinhas!” foram entoados por toda a praça.

Fonte: https://www.nortes.me/2024/06/28/lo-unico-que-hicimos-fue-defender-los-derechos-de-la-clase-trabajadora/?utm_campaign=twitter#google_vignette

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Longa chuvarada…
Nos matos e nas lagoas,
um canto de vida.

Humberto del Maestro

Confira a programação completa da IV Feira do Livro Anarquista de Belo Horizonte!

P r o g r a m a ç ã o

09:00 Abertura

10:00 Clima e Crise

11:30 Biblioteca Anarquista Maria Lacerda de Moura

13:00 Almoço Comum

14:00 Palestina Livre

15:30 Educação e Luta

16:00 Oficina: Encadernação e Zine

17:00 Teia dos Povos: Maxacali

19:00 Ocupações Urbanas

21:00 Festa na Kasa Invisível

Dia 06 de julho das 09:00 às 21:00 no Espaço Comum Luiz Estrada – Rua Manaus, 348 – São Lucas, Belo Horizonte – MG

feiraanarquistabh.noblogs.org

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/10/vem-ai-a-iv-feira-do-livro-anarquista-de-belo-horizonte/

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Saci Pererê
fuma seu cachimbo
à sombra do ipê

Carlos Seabra

“Nossa vitória é o espaço que guardamos em cada memória”

Perdemos neste dia 28 de junho de 2024 o querido Alexandre de Sant’Anna, o alegre e inesquecível LECO, meu amigo-irmão de 53 anos de convívio. Um grande cara que era divertido, inteligente e solidário, foi um militante libertário, tendo participado e editado o jornal Inimigo do Rei, o principal jornal anarquista do Brasil no pós-ditadura nos anos 1980.

Era técnico em aerofotogrametria (de que muito se orgulhava) e também engenheiro, mas antes de tudo era engenhoso, tinha uma vasta cultura e foi um professor de primeira.

A tristeza é imensurável. Nossas reuniões e festas entre amigos ficarão empobrecidas pela falta de seu humor ácido, sutil e criativo.

Nos conhecemos em 1971 no Colégio Piratininga no bairro de Santa Cecília na capital de São Paulo, eu tinha 17, ele 18 e o Black (José Weliton), nosso grande amigo-irmão baiano, 19.

Nos descobrimos e nos construímos juntos. Ele e eu fomos da primeira turma do Curso Técnico de Aerofotogrametria, fizemos vestibular juntos, ele foi para a Engenharia da FAAP e eu para a Matemática do IME-USP, ele preferia frequentar as festas da USP, tanto é que se apaixonou por uma caloura do IME (a Valéria) e se casou com ela, tiveram um filho (o Pedro) e vieram a morar no mesmo endereço que eu no bairro do Caxingui perto da USP, vivíamos em casas separadas e partilhávamos o mesmo quintal. Depois ele se separou, se apaixonou novamente (pela Simone) e como produto de seu amor geraram o Guilherme.

Todos os que o conheceram o amavam e estão tristíssimos e enlutados. Qualquer manifestação de lembrança, homenagem e carinho em relação ao Leco será sempre incompleta, pois ele viveu uma vida bem vivida e dividiu com a gente suas alegrias.

Nos próximos dias seus amigos mais próximos vão se “encontrar” com o Leco no Bar Valadares, tradicional do bairro da Lapa, onde ele terá direito a uma cadeira vazia, quiçá com alguns presentes e a possibilidade de a gente derrubar um gole para o santo que era ele mesmo.

Uma última palavra (não autorizada, ainda) vem de nosso amigo e poeta Cacildo Marques “Nossa vitória é o espaço que guardamos em cada memória”, pena que vocês não ouviram a música ao vivo e a cores. O Leco adorava a arte do Cacildo.

É isso aí Leco, estamos cuidando de substituir a tristeza por sua falta pelo preenchimento com nossas lembranças afetivas de você. Daqui em diante só alegria por meio de nossa memória.

Aquele abraço

Fitti.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/01/nota-de-pesar-com-amor-e-anarquia-ate-breve-amigo-e-companheiro-leco/

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Silenciosa tarde
Dentro dos meus olhos
Teu mar se incendeia

Taghio Ramo

[EUA] Surrealismo e anarquismo, passado e presente

Em junho passado, cerca de cinquenta pessoas se reuniram na gráfica Eberhardt Press, em Portland, Oregon, para se encontrar com o lendário ativista americano Ben Morea e ver uma exposição temporária de suas pinturas. Morea foi um dos fundadores do grupo de afinidade anarquista Black Mask [“Máscara Negra”, em tradução livre], em Nova York, em 1966, e também o catalisador de coletivos de ação direta subsequentes, como o Up Against the Wall Motherfucker [“Mão na Parede, Filho da Puta”, em tradução livre], em 1968. Ele foi uma força motriz por trás do fechamento do Museu de Arte Moderna em 66 e da ocupação do teatro Fillmore East em 68, e seu comprometido ativismo anticapitalista e antirracista definiu o padrão do que o radicalismo engajado poderia realizar na era da Guerra do Vietnã. Artista desde o início dos anos 1960, suas pinturas austeras e gráficos satíricos são visíveis em toda parte nas distintivas páginas do zine Black Mask (dez edições; Nova York; novembro de 1966 a maio de 1968).

No entanto, o que a maioria dos que se reuniram para a exposição de Morea talvez não tenha percebido é que o que unia Morea a Eberhardt não era apenas uma perspectiva anarquista compartilhada, mas também uma perspectiva surrealista. Desde 2005, Charles Overbeck vem “imprimindo para o povo” em sua gráfica DYI em Portland, com ênfase especial na publicação de materiais de anarquistas surrealistas contemporâneos dos Estados Unidos, como Ron Sakolsky e Penelope Rosemont. Embora nunca tenha sido membro de um grupo surrealista ativo, Morea sempre relacionou sua prática de pintura e seu ativismo anarquista ao surrealismo, seja nas páginas da revista Black Mask ou em sua abordagem experimental da vida cotidiana.

Que importância poderia ter o surrealismo, um movimento de resistência cultural e social fundado há cem anos, para alguém como Morea? Como ele me explicou em muitas conversas, os surrealistas encontraram um modelo viável para uma forma social de coletividade que tentava unificar arte, resistência antiautoritária, ajuda mútua, e convivência consciente. Embora Morea tenha tantas críticas ao surrealismo quanto afinidades com ele, ele ainda o considera uma chave importante para o quebra-cabeça de como podemos viver de forma engajada aqui e agora. As pinturas que Morea exibiu na Eberhardt Press em junho exemplificam isso, pois foram concluídas por meio do método do automatismo, um método surrealista no qual o criador tenta se livrar do controle, da intenção e de qualquer fantasia de gênio criativo. Para Morea, a obra de arte é feita no momento e, portanto, torna-se o momento, unificado.

Alguns meses após a exposição de Morea na Eberhardt, houve o lançamento do livro Surrealism and the Anarchist Imagination [“Surrealismo e a imaginação anarquista”, em tradução livre], de Ron Sakolsky, na livraria Mother Foucault’s, em Portland. Publicado pela Eberhardt Press, o livro de Sakolsky conecta obras de arte de surrealistas contemporâneos, como as de Rikki Ducornet (em Port Townsend, WA), com as de anarquistas de Portland, como Jesse Narens, artista e musicista. Era impossível não reparar nas vivas conexões entre surrealismo e anarquismo no evento de lançamento, que estava lotado. A comunidade anarquista de Portland compareceu em peso para ouvir as reflexões de Sakolsky sobre o reencantamento surrealista da palavra na imaginação e a busca surrealista por uma “mitologia emancipatória” por meio de socialistas utópicos do século XIX, como Charles Fourier. Discutindo capítulos de seu livro, como “The Marvelous Dance of Anarchy and Individuality” [“A maravilhosa dança da anarquia e da individualidade”, em tradução livre], Sakolsky enfatizou que a revolução surrealista é inerentemente lúdica, poética e se desenvolve continuamente de forma autônoma e descentralizada.

Em meu próprio estudo do surrealismo como forma de protesto social na última década, passei a entender sua importância para toda uma geração de ativistas internacionais após a Segunda Guerra Mundial. Embora Guy Debord e a Internacional Situacionista sejam mais conhecidos por sua apropriação desdenhosa porém profundamente derivativa do surrealismo entre as décadas de 1950 e 1970, havia muitos outros jovens radicais nesse período que viam no surrealismo um modelo para seus esforços de resistência.

Nos Estados Unidos, houve um interesse concentrado no surrealismo em grupos da extrema esquerda durante as décadas de 1960 e 1970, às vezes ligados diretamente ao exemplo situacionista, mas em outros casos não. O caso mais óbvio é a formação do “The Surrealist Movement in the United States” (“Movimento Surrealista nos Estados Unidos”, em tradução livre) em Chicago, em 1966, por Franklin e Penelope Rosemont e alguns de seus colegas da livraria Solidarity e alhures. Os surrealistas de Chicago exploraram simultaneamente o anarquismo, o comunismo e outras formas de socialismo, mas, no final das contas, a orientação anarquista foi a que se manteve, como pode ser visto nos livros produzidos pela Charles H. Kerr Publishing Company. Um compatriota do grupo, Bernard Marszalek, a mente por trás da Ztangi Press, nunca se tornou surrealista, mas continuou atraído, entre outras coisas, pelos discursos surrealistas contra o trabalho assalariado.

De modo geral, a maioria dos ativistas pós-Segunda Guerra Mundial que se voltaram para o surrealismo nunca se tornaram em si surrealistas, e é isso que é tão fascinante. O surrealismo persistiu e se expandiu para além de si mesmo. O surrealismo foi uma abordagem complementar para os radicais que buscavam exemplos existentes para vidas de ação e resistência ponderadas. Além de Morea e Black Mask, há outras histórias do surrealismo ativista global após a Segunda Guerra Mundial que aguardam redescoberta. Algumas delas envolvem ativistas anarquistas, mas indivíduos com abordagens comunistas marxistas também foram atraídos pelo surrealismo, apesar do rompimento absoluto com o Partido Comunista em 1935. Quase nada foi escrito sobre o “Council for the Eruption of the Marvelous” (“Conselho para a Erupção do Maravilhoso”, em tradução livre), afiliado aos situacionistas em Berkeley no final da década de 1960, mas em minhas conversas recentes com o cofundador do grupo, Isaac Cronin, ficou claro que o surrealismo era uma fonte essencial para eles.

Uma dessas histórias é a de Jonathan Leake, um anarquista que considerava o surrealismo uma parte crucial de seu arsenal de oposição. Em 2023, trabalhei com a Eberhardt Press para publicar um livro chamado Resurgence! Jonathan Leake, Radical Surrealism, and the Resurgence Youth Movement, 1964-1967, (“Ressurgimento! Jonathan Leake, Surrealismo Radical, e o Movimento de Jovens pelo Ressurgimento, 1964-1967”, em tradução livre). O livro é uma antologia do raro zine anarquista Resurgence, de Leake (doze edições; impresso em Nova York, Chicago, São Francisco; de outono de 1964 a março de 1967). Junto com Walter Caughey, Paul Leake e outros, Jonathan Leake formou o Movimento de Jovens pelo Ressurgimento e seu zine na cidade de Nova York com o objetivo de minar a supremacia branca capitalista-imperialista por meio de ações diretas de oposição, discursos públicos e formação de redes de solidariedade por meio de publicações clandestinas.

~ Abigai Susik

Abigail Susik está associada ao National Humanities Center e é Professora Associada de História da Arte na Willamette University

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/04/13/surrealism-and-anarchism-past-and-present/

Tradução > anarcademia

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vozes no brejão
o cururu dos sapos
ecoando noite adentro

Paladino

Nota de pesar | Com Amor e Anarquia, até breve amigo e companheiro Leco.

Fomos comunicados que nosso amigo e companheiro Leco, o estimado Alexandre Sant’Ana faleceu na data de 28/06/2024.

O companheiro Alexandre, carinhosamente chamado Leco, era integrante do Movimento Anarquista no Brasil, realizador do Jornal O Inimigo do Rei (IR), integrante no coletivo Inimigo do Rei na cidade de São Paulo, integrante do CCS-SP e outros tantos agrupamentos e iniciativas durante toda sua vida.

Leco era professor e arquiteto, um espirito livre com humor libertário e crítico. Pai e Marido amado, apaixonado por sua família e a anarquia.

Para muitos de nós esteve sempre presente: solidário, com palavras de incentivo, motivador com análises e críticas humoradas e lúcidas sobre nossa condição no movimento anarquista e sindicalista, da sociedade Brasileira e mundial. Um de seus modos de expressão era através do desenho, que podem ser conhecidos nas páginas do IR. Tinha carinho especial pela arte dos quadrinhos, charges e a língua imagética de comunicação instantânea da ideia ao leitor. Leco dizia ultimamente que o movimento tinha de aprender novas linguagens para levar o conteúdo libertário ao máximo das pessoas, de forma simples, direta e honesta. O jornal impresso hoje em dia não era mais uma linguagem de grande alcance do povo brasileiro e mundialmente.

Sempre atuante no movimento, Leco nos brindou com sua experiência e conhecimento quando convidado para proferir conferência no 5º  Fórum Geral Anarquista, em  Cariacica, Espirito Santo (2022), no qual proferiu conferência sobre sua vida durante a ditadura militar, qual o papel do jornal O Inimigo do Rei na resistência à ditadura, a defesa da liberdade e continuidade do movimento anarquista no Brasil. Neste momento especial, Leco arrancou sorrisos com seu jeito sagaz e humor inteligente, sensibilizou muitos diante dos relatos de opressão do regime militar contra os militantes anarquistas, especialmente em São Paulo. Relatou também alguns feitos heroicos, como a conquista de uma prensa off-set para o movimento.

Atualmente Leco se encontrava engajado sindicalmente, como sempre, mesmo aposentando, pois seguia trabalhando como muitos de tantos outros trabalhadores e trabalhadoras brasileiras com os quais se colocou ao longo de sua vida ombro-a-ombro.

O projeto que ele dedicava mais sentimentos e tempo foi o de construção de uma Escola Indígena em São Paulo, uma de suas alegrias, que ele imputava “urgentemente necessária”.

Dessa forma, a Iniciativa Federalista Anarquista – Brasil vem a público manifestar seu pesar pelo falecimento do nosso amigo e companheiro Leco, o Alexandre Sant’Ana. Registramos a importância deste professor, arquiteto, desenhista, sindicalista, esposo, pai, amigo e companheiro nas nossas vidas. Agradecemos todo seu trabalho na defesa da liberdade e da justiça pelo fim da ditadura militar e pelo fim do autoritarismo ainda vigente no Brasil. Sua trajetória e seu legado estão marcados em nós.

Com Amor e Anarquia, até breve amigo e companheiro Leco. Que a terra lhe seja leve.

Secretariado da IFA-Brasil, associada à Internacional de Federações Anarquista.

federacaocapixaba.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

Porque não sabemos o nome
Tenho de exclamar apenas:
“Quantas flores amarelas!”

Paulo Franchetti

[Kosovo] Feira do Livro Anarquista dos Bálcãs 2024

Temos o prazer de anunciar que a 16ª edição da Balkan Anarchist Bookfair será realizada em Prishtina, Kosovo, de 5 a 7 de julho de 2024. A BAB é uma plataforma para promover livros, trocar informações e ideias, criar novas iniciativas e fortalecer organizações. A BAB representa a solidariedade, a resistência e a colaboração nos Bálcãs há mais de 20 anos.

A BAB chega em um momento crucial, quando o capital está passando por uma crise, os fogos da guerra estão se alastrando pelo mundo e o fascismo está se espalhando. Os Estados estão se tornando mais militarizados e as populações estão cada vez mais policiadas, separando comunidades e laços de solidariedade. Com qualquer tipo de dissidência oprimida, o capital corre livremente, sempre expandindo para novas fontes de exploração.

Os Bálcãs não são exceção. Estamos testemunhando a crescente militarização dos países dos Bálcãs, com estoques cada vez maiores de armas e tecnologias. O interesse nacional e o nacionalismo racial têm sido usados para justificar métodos mais opressivos de controle populacional, que muitas vezes prejudicam as minorias étnicas, sociais e políticas. O poder político tem se concentrado e a repressão política tem se tornado mais aberta. As organizações políticas foram enfraquecidas pela criação de ONGs, refletindo a lógica do neoliberalismo.

Ao mesmo tempo, o patriarcado cria um ambiente hostil para todos, especialmente para as mulheres e a comunidade LGBTQI+. Há cada vez mais casos de mulheres sendo mortas e atacadas, e isso acontece em público e em particular. Essa mesma lógica patriarcal também leva ao extremismo religioso, o que piora a situação.

Os Bálcãs são importantes na política global. A OTAN e a Rússia têm grande influência lá. A região também foi afetada pelas reformas neoliberais. Essas reformas deram acesso ao capital internacional, principalmente da UE, da China e da Turquia. Isso levou ao controle da infraestrutura pública por esses países. Os Bálcãs estão conectados aos mercados internacionais e agora também estão conectados ao controle da população e do movimento para o benefício do capital. Os Bálcãs estão se tornando uma base para o controle de migrantes, com centros de detenção como o planejado na Albânia em nome da Itália.

Como anarquistas, sempre trabalhamos além das fronteiras, criamos solidariedade e resistimos à opressão. Hoje, precisamos encontrar nossa força e responder à opressão.

Convocamos as editoras e iniciativas anarquistas, bem como todos os movimentos anarquistas e antiautoritários internacionais dos Bálcãs e de outros países a planejarem sua participação na BAB2024 em Prishtina. Convidamos todas as pessoas e grupos interessados a participar da organização do evento.

Para obter mais informações, entre em contato conosco pelo e-mail bab2024@riseup.net ou acesse bab2024.espivblogs.net.

A Assembleia da Feira do Livro Anarquista dos Bálcãs 2024

bab2024.espivblogs.net

Tradução > Contrafatual

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se andava no jardim
que cheiro de jasmim
tão branca do luar

Camilo Pessanha

Solidariedade e apoio integral às 6 de La Suiza

A Federação Anarquista Capixaba (FACA), enquanto secretariado da IFA Brasil, compartilha a nota abaixo:

Camaradas,

Desde a Iniciativa Federalista Anarquista do Brasil (IFA Brasil), nos solidarizamos inteiramente com a difícil conjuntura suportada pelas camaradas da Confederação Nacional do Trabalho (CNT) Xixón de La Suiza.

Após tomarmos ciência da absurda decisão judicial, que conduzirá nossas camaradas à prisão, prolatada e confirmada neste 24 de junho pela Suprema Corte Espanhola, fica claro que o Estado e o Capital neste território entendem e vociferam claramente que lutar por seus direitos é um crime, tentando usar as seis companheiras como exemplo, com a intenção de amedrontar e calar a voz de todas oprimidas.

Para além disso, as estruturas de dominação espanholas e europeias deixam transparecer mais uma vez, sem qualquer pudor, que o sindicalismo deve ser combatido e criminalizado em todas as suas faces, principalmente naquela anarcossindical.

De outro lado, saibam camaradas, que vocês não estão sozinhas e nossa luta e resistência é global!

Se tocam em uma, tocam em todas!

LIBERDADE PARA AS SEIS DE LA SUIZA!

SINDICALISMO NÃO É CRIME!

PELA ANARQUIA E PELA REVOLUÇÃO SOCIAL!

Iniciativa Federalista Anarquista do Brasil (IFA Brasil)

federacaocapixaba.noblogs.org

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lâmpada queimada
onde está a luz
que ali brilhava

Alexandre Brito

[Espanha] CGT mostra sua solidariedade com o povo do Quênia

“Tiveram que morrer assassinadas 23 pessoas para que o presidente voltasse atrás em sua reforma econômica com a qual pretendia encarecer produtos de primeira necessidade”.

A organização anarcossindicalista seguiu com atenção o desenvolvimento das mobilizações, protagonizadas principalmente por jovens da chamada “geração Z” (nascidos entre 1995 e 2010), cansados de viver na incerteza econômica.

No Quênia a juventude disse “basta”.  Saiu à rua e mostrou toda sua raiva contra a equipe do presidente William Routo – empresário e “político profissional” com uma longa carreira e experiência em cargos de responsabilidade. As mobilizações terminaram com acusações policiais, mas também com a vida de 23 pessoas. E também há dezenas de feridos em vários graus. O presidente não teve mais remédio que voltar atrás na aprovação desta polêmica lei econômica que, através de uma alta nos impostos, iria encarecer produtos de primeira necessidade, como o pão ou o transporte público entre outros.

As pessoas ocuparam a rua e tentaram acessar o interior do edifício do parlamento. Milhares de pessoas puseram seu corpo diante da polícia, sem mais uniforme que a raiva, o descontentamento e a desilusão. O resultado, por desgraça e como sempre, foi a morte de várias pessoas enquanto lutavam contra as injustiças sociais e a miséria que teriam que suportar (mais ainda) as classes mais vulneráveis da sociedade queniana.

As pessoas têm direito a sobreviver e está cansada de não ter um futuro, de olhar a este desde a instabilidade e a pobreza. Por isso, o rechaço total a esta lei econômica e o consequente aumento dos impostos foi generalizado. As ruas de Nairóbi, a capital do país africano, se agitaram com manifestantes solidários frente ao poder de turno. Chegar até as mesmas portas do parlamento, tentar acessar a ele, é uma mostra inequívoca de onde está o verdadeiro motor da mudança em nossas sociedades: na conscientização de que somos uma só classe, a classe trabalhadora. E como tal deveríamos nos organizar, porque é a única via que nos resta para fazer valer nossos direitos e liberdades, para melhorar nossas condições e estabelecer as bases de uma sociedade diferente para as gerações futuras.

O Executivo de W. Ruto, por sua parte, respondeu como o fazem sempre os burgueses assustados: com a repressão, com o exército, com sua polícia. Após exercer a violência mais cruel sobre seu próprio povo, assassinar a 23 seres humanos e ferir a outros muitos, anunciou cinicamente que “retira sua reforma econômica porque escutou a cidadania”. No entanto, no Quênia o descontentamento é generalizado desde há muito tempo, e desde o povo se criticou duramente os desperdícios econômicos que a classe política leva a cabo à custa da vida das pessoas mais vulneráveis.

Desde a CGT, através de sua Secretaria de Relações Laborais, se condenou a repressão exercida sobre os quenianos e quenianas, e frisa a importância da conscientização e da organização desde baixo, sem líderes nem partidos, de quem não tem mais saída que a ação direta.

Secretaria de Relações Internacionais da CGT

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

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Flores no jardim.
Uma abelha pousa aqui
e depois se vai.

Sérgio Francisco Pichorim

[França] Leia Jim Donaghey: Vodka Bakunin: punk e anarquismo

A muito jovem editora BPM, que “se propõe a criar um espaço editorial propício a uma reflexão sobre as conexões entre a questão política e a música, em todas as suas formas”, lançou uma estimulante fogueira assinada por Jim Donaghey, punk e também pesquisador em ciências sociais.

Punk e anarquismo, nada poderia ser mais óbvio para alguns(umas). Anarquia no Reino Unido pelos Sex Pistols, lançado no final de 1976, é tradicionalmente considerada a certidão de nascimento (oficial) do punk. E, no entanto, se você ouvir (ou ler) as letras mais de perto, a “visão” do anarquismo que é entregue ali é uma caricatura e não tem nada a ver com práticas libertárias. Da mesma forma, o título, Bakunin Vodka, refere-se a uma frase de Penny Rimbaud, baterista da banda Crass – um coletivo punk com práticas libertárias reivindicadas, precursor do anarcopunk – que, a propósito do anarquismo, disse certa vez: “Se alguém tivesse nos falado sobre Bakunin, provavelmente teríamos pensado que era uma marca de vodka”.

Será esta a derradeira provocação punk ou uma admissão da distância entre punks e anarquismo?

Sem dúvida, havia ambos nessa boa palavra. Mas Jim Donaghey, embora reconheça a ignorância das bases ideológicas do anarquismo entre os primeiros punks, reconhece que eles praticavam um “anarquismo primitivo”.

É, portanto, em busca desse “anarquismo punk” que o autor nos convida em uma curta, mas rica em referências, exploração das ligações entre punk e anarquismo no período 1976-1980. Uma viagem em cinco partes: estratégia de choque, ressaca hippie, anarquismo oposicionista, necessidade prática e crítica ao Estado, em que Proudhon, Murray Bookchin, The Clash, D.O.A. e os Dead Kennedys se encontram.

Sem tentar ver por trás de cada punk um anarquista, Jim Donaghey está interessado nos pontos de convergência. Há uma óbvia, a cultura DIY (Do It Yourself), fortemente popularizada pelas bandas punk, “não é uma expressão inovadora da autogestão libertária e do controle dos meios de produção por aqueles que produzem?

David (UCL Savoies)

  • Jim Donaghey, Vodka Bakunin. Punk e Anarquismo (tradução de Doroteja Gajić e Julien Bordier), BPM Editions, abril de 2024, 112 páginas, 8 euros

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Lire-Jim-Donaghey-Bakounine-Vodka-punk-et-anarchisme

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No dedão vermelho
Lateja meu coração —
Ferrão de abelha

Neiva Pavesi

[Reino Unido] Sindicalismo não é crime! Solidariedade com as 6 de La Suiza – IWW (WISE-RA)

Companheiras,

Desde o sindicato IWW-Administração Regional de Gales, Irlanda, Escócia e Inglaterra (ou WISE-RA), gostaríamos de estender nosso amor e solidariedade neste momento difícil as companheiras da CNT Xixón de La Suiza. A decisão adotada pela Suprema Corte na segunda-feira, 24 de junho de 2024, é um ataque, não apenas as seis sindicalistas da Confederação Nacional do Trabalho (CNT), mas um ataque a todos nós.

A decisão significa que, como ativistas sindicais, todos somos alvo da repressão por parte do Estado que protege o capital. Como sindicato, não apenas condenamos essa grave violação de direitos, mas também conclamamos todas as pessoas da classe trabalhadora que lutam para defender seus direitos e a justiça social a se posicionarem contra aqueles que desejam acusar o movimento trabalhista de comportamento criminoso.

É crime se opor à intimidação, ao assédio ou ao roubo de nossos salários? Acreditamos que não! Pedimos o fim do assédio aos ativistas sindicais. Exigimos uma retirada imediata e o fim das falsas acusações.

Ao estender nossa solidariedade a todas e a cada uma das 6 de La Suiza, ecoamos o apelo de que vocês não estão sozinhas. Vocês não estão sozinhas porque a IWW (WISE-RA), uma organização irmã da CNT dentro da Confederação Internacional do Trabalho, está com vocês na luta porque, se tocam em uma, tocam em todas nós!

Solidariedade.

iww.org.uk

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A rua apinhada
E nos passos apressados
As pessoas solitárias…

Débora Novaes de Castro

[Reino Unido] Chamada para solidariedade com o anarquista encarcerado Toby Shone

20 de junho de 2024

Toby Shone é um prisioneiro anarquista e membro do IWW Incarcerated Worker’s Organising Committee (IWOC) que está preso no HMP Garth, no Reino Unido.

Toby tem sido repetidamente assediado e submetido à repressão e ao aumento do isolamento pelo sistema prisional porque se recusou a ficar em silêncio sobre suas crenças políticas. Inicialmente, ele foi mantido na HMP Bristol, mas depois foi transferido para Garth para impedir o contato pessoal e a solidariedade de amigos e apoiadores. As correspondências de Toby têm sido rotineiramente retidas e vários contatos, inclusive representantes sindicais da IWOC, foram proibidos de qualquer forma de comunicação com ele.

O chefe de segurança do HMP Garth alega que essas restrições são uma questão de “segurança nacional”. No entanto, está claro que, na realidade, essa é apenas uma tática de repressão para impedir que informações sobre as condições dos prisioneiros sejam compartilhadas com organizações como a IWOC e a Cruz Negra Anarquista.

Toby participou recentemente da conferência anual da IWW 2024 por meio de uma mensagem de voz gravada por um representante sindical da IWOC. Toby falou sobre a importância de desenvolver nossa capacidade e apoio para a luta abolicionista dentro do sistema prisional do Reino Unido e, em particular, pediu uma campanha contra a exploração do trabalho dos prisioneiros e para enfrentar as condições terríveis.

Devido às suas crenças e à sua participação no sindicalismo, Toby foi isolado de muitos de seus amigos e contatos.

A IWW condena veementemente as ações das autoridades prisionais por sua perseguição a Toby Shone.

Salientamos que todo trabalhador, inclusive os milhares de presos, deve ter o direito de ser membro e participar dos sindicatos. Isso deve incluir a possibilidade de falar com um representante sindical de sua escolha.

Pedimos aos nossos membros, amigos e aliados que demonstrem solidariedade a Toby Shone, por exemplo, escrevendo para ele, uma carta por dia ou quantas puderem, até que essas restrições à comunicação de Toby sejam suspensas.

Vamos inundar as prisões com nossa solidariedade e deixar claro que Toby Shone não está e nunca estará sozinho.

Escreva para Toby:

Toby Shone A7645EP, HMP Garth,

Ulnes Walton, Leyland, PR26 8NE

Fonte: https://iww.org.uk/news/call-for-solidarity-with-incarcerated-anarchist-toby-shone/

Tradução > Contrafatual

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relampejou
sobre as árvores
a tarde trincou

Alonso Alvarez

O dia em que Louise Michel inventou a bandeira anarquista

Quase todo anarquista conhece a história de que a bandeira negra foi utilizada pela primeira vez por Louise Michel, a communard e anarquista francesa, durante uma passeata de desempregados.

A bandeira negra ou a rubro-negra são dois estandartes do anarquismo ao nível internacional. Junto ao mais contemporâneo “anabola”, sinalizam a presença de anarquistas em manifestações e demais rituais políticos.

Ao ler “Anarquismo e a história da bandeira negra” (1997), de Jason Wehling, tomei conhecimento sobre o pioneirismo de Louise Michel no uso do referido estandarte como um símbolo anarquista.

Naquele artigo, Wehling afirma, apoiado em George Woodcock, que Michel teria usado a bandeira negra pela primeira vez em 9 de março de 1883, durante uma passeata de desempregados em Paris, na França, que contou com 500 pessoas e Louise como líder.

O autor diz ainda que “nenhum aparecimento mais antigo pode ser encontrado da bandeira negra” e identifica um uso posterior ao de Michel em 27 de novembro de 1884, em Chicago, EUA, durante uma manifestação anarquista.

Guardei essa sociogênese da bandeira como parte de minha autoformação em anarquismo. Décadas depois, pesquisando sobre Louise Michel na Hemeroteca Virtual da Biblioteca Nacional, ressurgiu para mim a história daquele estandarte.

Na edição de 28 de julho de 1883 do Mercantil, um jornal de Petrópolis, encontrei o artigo de um correspondente do periódico em Paris, que relatava, numa crônica política, aquela passeata de desempregados liderada por Michel.

A crônica indica que a bandeira negra foi usada na mesma data afirmada por Woodcock. O cronista, diga-se de passagem, é simpático à Louise Michel e afirma que Emile Pouget esteve com ela na liderança daquela manifestação e foi condenado a oito anos de prisão, e Michel a seis anos.

A crônica contém detalhes que não foram mencionados por Wehling. Ela nos informa que o evento inaugurador do uso da bandeira negra contou não só com uma manifestação de desempregados, mas com brutalidade policial, provas forjadas, criminalização do protesto, acusações injustas, prisão de lideranças e indignação popular com o veredito.

É representativo do que é o anarquismo, o fato da gênese social da bandeira negra ocorrer numa manifestação de trabalhadores desempregados contra a carestia, liderada por uma anarquista ex-communard e pelo brilhante teórico do sindicalismo revolucionário e futuro vice-secretário de uma histórica organização operária francesa, a Confederação Geral do Trabalho.

O dia em que a bandeira negra foi erguida pela primeira vez, indica uma prévia do modus operandi anti-anarquista do Estado, quase uma receita de bolo para criminalizar o protesto social e encarcerar lideranças populares. Isto é, um manual de como transformar a questão social em caso de polícia.

Três meses após inventar o estandarte que posteriormente seria associado ao anarquismo, Michel foi condenada à prisão. Sua mãe morreu durante esse período. Com quase três anos de encarceramento, ela foi perdoada e libertada com a intervenção de Clemenceau e Rochefort. Saiu dali e realizou uma série de comícios. Pouget seria liberto ainda naquele mesmo ano.

Em seu livro “O conceito de cultura” (2009), o antropólogo Leslie White diz que o símbolo é composto de um significado e uma estrutura física através da qual ele “entra” em nossa experiência. Em 9 de março de 1883, Louise Michel nos deu esse objeto, um pedaço de pano preto, e um significado, a anarquia. Ela inventou um símbolo político até hoje legitimado pelos anarquistas e reconhecido em todo o mundo.

Obrigado, Louise.

Raphael Cruz

agência de notícias anarquistas-ana

Entardecer
Sob o velho telhado
Retornam pardais.

Hidemasa Mekaru

[Espanha] Solidariedade com as seis mulheres sindicalistas do La Suiza

À OPINIÃO PÚBLICA

26 de junho de 2024

As trabalhadoras e trabalhadores que compõem o Sindicato de Ofícios Vários da CNT-AIT de Cartagena querem tornar pública nossa inabalável solidariedade com as seis trabalhadoras de La Suiza de Gijón, condenadas a três anos e meio de prisão e ao pagamento de 125.428 euros depois que a Suprema Corte ratificou a sentença do Tribunal Penal de Gijón. Uma clara declaração de intenções do Estado por meio de um de seus poderes, o judiciário. Um aviso para aqueles que fazem sindicalismo de base, uma sentença vergonhosa que abre precedentes e à qual não podemos ficar indiferentes.

A Assembleia. SOV CNT AIT Cartagena

cartagena@cntait.org

www.cntait.org www.iwa-ait.org

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Seguro a xícara
viajando com o cheiro —
Ah, café fresquinho

Valéria Florenzano