[México] Preso anarquista Yorch recebe sentença de 7 anos e 6 meses

Chamado urgente a solidarizar-se!

Esta segunda-feira, 3 de junho de 2024, um dia depois das eleições e a 5 dias de que complete 18 meses sequestrado no Reclusório Oriente como parte da montagem contra a Okupache, nosso companheiro Yorch recebeu a notificação de que o juiz lhe havia sentenciado a 7 anos e 6 meses de prisão, e que tem 3 dias para apelar da decisão.

Sete anos e 6 meses de uma condenação absurda quando até a data toda a evidência apresentada tanto por sua defesa como pelo MP comprovou que não existe prova alguma para sustentar as acusações fabricadas e totalmente falsas contra ele. No entanto, fica claro uma vez mais que existe um lema contra nosso companheiro para mantê-lo encarcerado o máximo possível, dado que é uma peça chave em sua campanha de desprestígio das autoridades da UNAM (Universidade Autônoma do México) contra a Okupache, o qual pretende justificar e ganhar simpatias para um eventual desalojo do espaço autônomo de trabalho autogestivo que existe e resiste desde quase um quarto de século.

Fazemos um chamado internacional urgente a organizar a agitação e solidariedade com Yorch para exigir a revogação de sua sentença e para sua libertação imediata.

Arranquemos nosso companheiro das garras deste Estado impune e corrupto que encarcera, desaparece e mata os que lutam!

Fogo aos cárceres!

Yorch à rua!

Tradução > Sol de Abril

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em sempre imóvel íris
verde-neve azul jacinto
e as abrasadas rosas

Sousândrade

[Belo Horizonte-MG] “O capital mata, destrua o G20”

No dia 27 de maio de 2024 ocorreu a abertura do GT de Transição Energética do G20 na cidade de Belo Horizonte. O Estado tem sido parceiro das grandes empresas exploradoras e destruidoras da nossa natureza, responsável por um dos maiores desastres ambientais do país.

Por isso, anticapitalistas, anarquistas e autonomistas protestaram em frente ao Minascentro, onde foi realizado o evento, levando um boneco da morte, faixas que diziam “O CAPITAL MATA, DESTRUA O G20” e “G20, BEM VINDO AO INFERNO DE LAMA”. Além disso o grupo jogou lama na porta do evento fazendo com que os participantes sujassem seus pés e lembrassem das catástrofes recentes de Belo Monte, Mariana, Brumadinho e do Rio Grande do Sul. Vários gritos e cânticos foram entoados como “Fora G20!”, “Morte aos Ricos e ao Estado!”, “E vai virar um inferno (vai virar), povo do gueto mantou avisar!”, “Não Há Futuro (com o G20!), Não Há Futuro (com o Capital!), Não Há Futuro (com o Estado!”.

Pela manhã protestaram também integrantes do Comitê Mineiro Indígena e trabalhadores do setor de energia solar.

O G20 é um grupo composto pelas 20 maiores economias do mundo, incluindo ministros da economia e chefes de bancos centrais, que se reúnem periodicamente para decidir os rumos da economia global. Isto é, para decidirem as melhores maneiras para que o capitalismo continue sua expansão e exploração.

Durante as décadas de 1990 e 2000, o movimento antiglobalização, formado por diversos grupos e coletivos anticapitalistas, protestava contra esses encontros e suas políticas nefastas. Esses grupos utilizavam essas ocasiões para criar uma agenda própria, organizando-se, debatendo, manifestando-se e mostrando que é possível lutar por uma outra vida.

Com a realização de um grande encontro do G20 no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro e com vários Grupos de Trabalho acontecendo em diversas cidades do país, acreditamos que essa é uma ótima oportunidade para os grupos autônomos e radicais juntarem-se, discutirem e partir para ação enquanto grande parte da esquerda está mais preocupada com as eleições!

Em Teresina, na Avenida Marechal Castelo Branco, em frente ao Centro de Convenções, onde ocorreu uma reunião do G20 com delegações de 27 países, o Sindicato do Urbanitários do Piauí fez um protesto contra a privatização de serviços de abastecimento de água na cidade.

Não fique esperando, organize-se! 

Nos vemos no Rio de Janeiro em Novembro!

Vídeo: https://x.com/frenteantifabh/status/1795204228387881286?t=Wow_pKFP4cYulF8orkQj3g&s=19

Fonte: https://www.instagram.com/frenteantifabh?igsh=MTQxdzlqank1aHp4Zg==

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sol e margaridas
conversa clara
na janela da sala

Alonso Alvarez

[Espanha] Pela abstenção ativa. Este 9 de junho, não votes.

Ante as próximas eleições europeias de 9 de junho… Não votes. Abstenção ativa.

Os avanços em direitos da classe trabalhadora se realizaram graças a sua organização, a um grande número de sujeitos emancipados, e só desta forma podem se manter, e avançar a uma sociedade onde não exista a miséria, a injustiça e a exploração. A jornada de 8 horas ou o direito ao descanso semanal são bons exemplos disso.

O poder não está na força do voto, mas na capacidade de organizar a produção e a vida.

Pela abstenção ativa. Este 9 de junho, não votes. A luta está nas ruas, não nos parlamentos, nem nas redes sociais.

Sov Cnt Ait Chiclana

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Solidão no ninho
O pássaro se assusta
No eco do trovão

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Espanha] Centenário da morte do anarquista Franz Kafka

Alguns episódios de sua biografia e o conteúdo de textos como “O Julgamento” ou “O Castelo” nos permitem aventurar a filiação anarquista de Franz Kafka, cuja morte completa um século.

Por Demétrio E. Brisset | 03/06/2024

Em 3 de junho de 1924, aos 40 anos de idade, morria de tuberculose um dos autores mais influentes do século XX: o escritor tcheco Franz Kafka, popularmente conhecido por denunciar deformidades sociais como a burocracia transbordante, os labirintos legais e o desamparo individual; o termo kafkiano foi incorporado à nossa cultura como sinônimo do absurdo-sinistro.

Como ele se recusou a publicar seus romances (que deixou inacabados), foi somente muito depois de sua morte que sua grande produção literária se tornou conhecida. Quando ele foi descoberto na França, após a libertação do nazismo, os comunistas o consideraram decadente. Banido pelos soviéticos, ele foi marginalizado até mesmo em sua terra natal, a Tchecoslováquia.

Os estudos dedicados a Kafka e sua obra são tão numerosos que formam um gênero literário. A maioria se concentra em seu simbolismo e na atmosfera surreal de pesadelo, percebendo uma certa essência teológica como uma expressão de culpa metafísica. Muitas vezes, ele está relacionado ao expressionismo e prefigura o existencialismo com um sentido enigmático. Para Sartre, “o universo de Kafka é ao mesmo tempo fantástico e rigorosamente verdadeiro”, o que lhe confere uma “inquietante estranheza” ao mostrar uma realidade que não é cotidiana.

Mas há também um número crescente de pesquisadores que situam sua posição vital e literária dentro do anarquismo, como o editor alemão Wagenbach (que, em 1958, investigou o anarquismo de Praga antes da guerra de 1914-18), o jornalista judeu-novaiorquino Levi (1967), o sociólogo ecossocialista Löwy (1988) e o editor grego Despiniadis (2007). E eles fornecem argumentos convincentes: episódios de suas biografias e o conteúdo de seus textos. Nós os rastrearemos a seguir, caso um Kafka anarquista seja historicamente defensável.

Inconformismo juvenil

Durante sua juventude, Kafka participava frequentemente de reuniões de anarquistas tchecos. Aos 15 anos, ele já havia se tornado um socialista e simpatizava com os objetivos da Escola Livre ou Moderna. Em outubro de 1909, ele foi convidado a participar de uma manifestação contra a execução do fundador desse movimento educacional libertário, o anarquista espanhol Francisco Ferrer, “mas a reunião foi interrompida pela polícia”.

Depois disso, seu relacionamento com o anarquista praguense Michal Mares se intensificou, e ele assistiu a palestras sobre Malthus e amor livre. A família Kafka guardou um recorte de jornal que informava que, em 10 de outubro de 1910, “a organização juvenil anarquista Klub Mladych – Clube da Juventude – foi dissolvida pela polícia por fazer propaganda de ideias antimilitaristas e outras ideias subversivas”. Kafka participava frequentemente das reuniões desse clube (com tendências pacifistas e anticlericais), bem como das reuniões da “associação política Vilem Körber (que atacava a opressão política e econômica dos trabalhadores) e da associação sindical Movimento Anarquista Tcheco”. Nessas noites, ele conheceu a vanguarda dos escritores tchecos, entre eles Jaroslav Hasek, autor das aventuras corrosivas do soldado Schweik, cuja zombaria política, como a fundação do Partido do Progresso Moderado dentro da estrutura da lei, foi especialmente celebrada por Kafka. Embora geralmente permanecesse como um observador silencioso nessas reuniões, às vezes ele caía na gargalhada.

Sabe-se que, em 1911, ele participou da comemoração da Comuna de Paris e de uma assembleia contra a guerra; e, em 1912, de uma manifestação contra a execução do anarquista Liabeuf em Paris, que foi violentamente reprimida pela polícia, que prendeu muitos manifestantes, inclusive o próprio Kafka. Na delegacia de polícia, foi-lhe dada a opção entre pagar uma multa de um florim ou passar vinte e quatro horas na prisão: Kafka preferiu pagar a multa.

Seu conhecimento de autores anarquistas está registrado em seu diário, onde ele menciona Bakunin, juntamente com a frase “Não esquecer de Kropotkin!” Sua leitura também incluía biografias de revolucionários pacifistas e socialistas. Naquela época, tendo se tornado um “doutorado com aparência infantil”, ele também se dedicou a propagar o vegetarianismo, a ginástica e a terapia naturista, e sentiu-se atraído pelo nudismo. Ele sempre viajava de terceira classe e era muito generoso: “Ele distribui seu dinheiro entre os colegas pobres, porque não precisa de muito para suas necessidades”, de acordo com seu amigo Max Brod, que admirava seu traço de “compaixão pela humanidade”.

As preocupações sociais de Kafka se tornaram tão radicais que, na primavera de 1918, influenciado pela revolução soviética triunfante na Rússia, ele elaborou o programa de uma “Comunidade de Trabalhadores sem Propriedade”, em que o dinheiro e a propriedade privada seriam abolidos, todos teriam que trabalhar (no máximo seis horas por dia; para o trabalho físico, de quatro a cinco horas) e viver com grande moderação, seguindo as decisões do Conselho de Trabalhadores. As conversas com seu amigo Gustav Janouch por volta de 1920 (publicadas em 1952) mostram a persistência adulta de suas inclinações anarquistas da juventude.

Posições vitais

Depois de se formar em direito aos 23 anos, ele passou um ano como assistente jurídico no tribunal criminal de Praga, o que lhe deu uma visão do funcionamento do judiciário. Depois de um doutorado em direito, ele aceitou um emprego como funcionário em uma companhia de seguros italiana. Depois de um ano de tédio burocrático, prestou um concurso público e obteve o cargo de funcionário público na Companhia de Seguros de Acidentes Industriais da Boêmia, onde permaneceu até se aposentar devido a uma doença pulmonar em 1922. Parte de sua tarefa era lidar com pedidos de indenização por lesões físicas que os trabalhadores alegavam ser “doença ocupacional”, o que era rejeitado pelas empresas. Ele odiava trabalhar em um “ninho de burocratas obscuros” e não suportava o sofrimento dos trabalhadores mutilados e de suas infelizes viúvas, que eram arrastadas para o labirinto jurídico-burocrático do Fundo de Seguro dos Trabalhadores. Para Max Brod, ele disse: “Como os homens são modestos. Eles vêm nos pedir algo em vez de destruir tudo”. Ele reconheceu sentir as “delícias de ser um pária” e amar o indivíduo, “não tanto a comunidade; sou antissocial a ponto de enlouquecer”.

Mensagens literárias

Para Löwy, é em sua maneira social e política de criticar a realidade existente que o ponto de vista anarquista se manifesta, especialmente em seus brilhantes romances O processo (1914-15) e O castelo (1922-24), que estão imbuídos de antiautoritarismo (de origem libertária).

Partindo do pressuposto de que ele era um jurista com experiência considerável nos tribunais, durante a Primeira Guerra Mundial, em total solidão e no limite de sua energia, denunciar a corrupção dos tribunais de sua época no romance O processo constituiu sua luta pela sobrevivência. K., seu protagonista, “em nome de muitos outros, lutou contra a corrupção da justiça, mas sem a solidariedade dos outros”, recusando-se a se submeter. A pergunta-chave desse romance enigmático pode ser: “De quem emana a justiça?”, para a qual a resposta seria “de um sistema judicial hierárquico e corrupto com sua infinita hierarquia de funcionários, tão repugnante por dentro quanto por fora, sem que nenhum advogado busque melhorar esse sistema”. Algo que lembra o lawfare que é tão atual em muitos países…

A escrita de O processo se alternou com contos, entre os quais há um intimamente relacionado: Na colônia penal, um apelo ácido contra o colonialismo, a pena de morte e as deformações da justiça.

Quanto a O castelo, mais do que como um símbolo, podemos entendê-lo em sua materialidade: seria a sede de um poder terreno e humano, que é apresentado como arrogante, inacessível, distante e arbitrário, e que governa a aldeia por meio de um enxame de burocratas cujo comportamento é grosseiro, inexplicável e desprovido de significado. Uma dimensão crítica da autoridade estatal hierárquica (legal e administrativa) de inspiração claramente anarquista pode ser atribuída a ele.

Validade hoje

Será que seu trabalho contribui com alguma coisa em nossa angustiada sociedade ciberindustrial e hipercomunicada, com sua distribuição desigual de bens a cargo de forças fragmentadas e globalizadas ao mesmo tempo, que participam de uma estrutura de poder onipresente, anônima, formalmente democrática devido à sua camuflagem eleitoral e inamovível? E talvez o pior de tudo, internalizado pelos cidadãos de uma sociedade hierárquica e passiva de espetáculo e desperdício, onde a tecno-felicidade aparentemente triunfa, com instituições estatais e empresariais protegidas sob a densa sombra do poder hipnótico da mídia e do lazer programado.

Talvez se o interpretássemos como uma reflexão e uma denúncia de uma sociedade perseguida pelo autoritarismo, em que o controle e a capacidade coercitiva dos poderes constituídos, que devem ser combatidos, são fortalecidos, seria uma proposta válida para a rebelião social e vital.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/literatura/centenario-muerte-del-anarquista-franz-kafka

Tradução > Liberto

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Perdida na noite.
Na trilha dos vaga-lumes
busco o meu caminho.

Zuleika dos Reis

[País Basco] Nem guerra entre povos, nem paz entre classes

Quando se fala em guerra na retaguarda, as classes trabalhadoras estão sendo informadas de que devemos renunciar a salários mais altos, aceitar uma maior intensidade de trabalho, mais exploração, em benefício de uma economia voltada para a guerra.

Por Genís Ferrero, Membro da CNT | 05/06/2024

Em 1º de maio passado, aproveitamos esse dia internacionalista em Bilbao para lançar uma proclamação classista contra a guerra, contra todas as guerras e contra todos os Estados que as promovem e financiam direta ou indiretamente.

Os tambores da guerra estão rufando em todo o mundo: à guerra na Ucrânia, já normalizada pela mídia, somam-se a guerra e a barbárie na Palestina, que hoje ocupa inúmeras mobilizações em todo o mundo diante da impotência de não conseguir deter o massacre em Gaza.

Mas a guerra não se resume a esses dois conflitos, a guerra não parou no Curdistão, no Saara, no Sudão, no Mar Vermelho, no Congo, na Birmânia… conflitos que são silenciados pela mídia, pelas instituições ou pelas organizações políticas, mas que, mesmo assim, resultam em massacres, deslocamentos e barbáries para milhões de seres humanos.

A União Europeia pediu um esforço dos Estados membros para adotar uma nova economia de guerra, enquanto na Espanha o PSOE, PP, VOX, Sumar e três membros do Grupo Misto concordaram que a Espanha não aplicará mais o Tratado que limita as armas que pode possuir em conformidade com o mandato da OTAN. O recrutamento obrigatório está na mesa dos governos de um número cada vez maior de países, enquanto todos os tipos de governos do mundo financiam direta ou indiretamente os exércitos regulares que, em cada lado das várias guerras, praticam a barbárie.

Bakunin disse, no final do século XIX, que não poderia haver coexistência pacífica entre os Estados, pois a própria natureza da forma estatal, como instituição e salvaguarda das classes dominantes em cada região, baseava-se em sua extensão e dominação sobre as demais. A força e o crescimento de um Estado sempre se deram às custas dos outros, o que inevitavelmente levou à guerra. Bakunin, como socialista, anarquista e internacionalista, definiu a tendência ao imperialismo de qualquer Estado a partir de sua análise histórica e materialista de uma Europa antes da Grande Guerra, um mundo antes da política de blocos mundiais que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, um cenário muito mais parecido com o de hoje, em que as alianças entre os Estados só obedecem a relações de poder e dominação em termos de força, dependendo dos interesses das classes dominantes em competição umas com as outras.

O que a guerra significa para as classes trabalhadoras?

Mas o que a guerra significa para as classes trabalhadoras? Obviamente, a guerra traz morte e miséria na linha de frente, mas nas áreas de retaguarda ou em Estados que não estão diretamente em conflito, como o nosso, ela trará cortes sociais, perda de liberdades e a precarização de nossas condições de vida, normalizando o militarismo e desumanizando os lados em conflito. Quando a Comissão Europeia pede aos Estados-membros que se esforcem para adotar uma economia de guerra, eles estão, na verdade, se referindo à classe trabalhadora: a única classe que, com seu trabalho e sangue, gera o lucro que é apropriado por todas as classes privilegiadas, capitalistas e proprietárias, mas também por todas as classes burocráticas e religiosas que governam os Estados do mundo.

Sejamos claros: quando se fala em guerra na retaguarda, as classes trabalhadoras estão sendo informadas de que devemos abrir mão de salários mais altos, aceitar maior intensidade de trabalho, mais exploração, desistir da melhoria de nossas condições de vida em benefício de uma economia de guerra. Estão nos falando de cortes sociais e de renúncia às liberdades.

É um fato histórico, como Rosa Luxemburgo também demonstrou, que a guerra é uma das formas que os Estados têm à sua disposição para sustentar a acumulação de Capital e, portanto, é diretamente uma questão de classe. Por isso, não devemos entender a guerra como uma questão puramente moral, mas devemos entender a guerra militar como uma das formas históricas que todas as classes dominantes tiveram para garantir seus privilégios em sua competição interminável entre si, uma espiral criada com base na exploração e na dominação das classes deserdadas em todo o mundo.

Somente compreendendo as causas reais das guerras poderemos descobrir maneiras de nos opor a elas. E se sua razão de ser é a preservação dos privilégios de uma fração das classes dominantes às custas de nosso sangue, também devemos entender que não faz diferença sob qual bandeira os exércitos são liderados por Estados, visíveis ou obscuros.

Não faz diferença se eles se apresentam em formas democráticas ou ditatoriais, se são Estados seculares ou religiosos, se são exércitos regulares de Estados legítimos ou não. Enquanto houver governantes e governados, enquanto houver uma sociedade dividida em classes, todos os exércitos servirão à classe privilegiada e a suas formas de governo em cada território.

Se esse tem sido o caso desde tempos imemoriais, por que essa escalada do belicismo está ocorrendo agora? A resposta pode ser encontrada no processo de colapso no qual nossas sociedades estão imersas, um colapso que, para a CNT, é apenas o processo de exaustão das economias e das formas de Estado como as entendemos até agora. É a aceleração da crise inacabada de 2008 em nível global devido à coincidência da crescente escassez de matérias-primas e combustíveis fósseis, da catástrofe ecológica, da incapacidade dos Estados de garantir uma forma mínima de subsistência para camadas cada vez maiores da população…

E se a guerra é do interesse das classes privilegiadas, dos Estados e do Capital, sejamos claros, devemos concluir que aquele que tem a capacidade de deter a barbárie é também aquele que pode abolir o atual estado de coisas, ou seja, o proletariado. Ações espetaculares que apelam para a consciência e a moralidade podem parecer a única resposta, mas, na realidade, elas apenas respondem à impotência que aqueles de nós que têm um mínimo de humanidade sentem como indivíduos.

Mas a indignação, a denúncia pública ou as ações espetaculares não mudam a realidade material sobre a qual os exércitos, aqueles que os lideram e aqueles que os financiam são construídos. As classes trabalhadoras do mundo são as únicas que têm a capacidade real de pôr fim à barbárie, de pôr fim à guerra na Ucrânia ou de parar o massacre em Gaza.

A única maneira de interromper as guerras é a luta de classes na retaguarda, tornar o esforço de guerra inviável, aumentar as greves para a melhoria contínua das condições de vida, reduzir a jornada de trabalho, aumentar os salários, acabar com todo tipo de discriminação, sabotar o esforço de guerra, incentivar a deserção dos exércitos, incentivar greves nas empresas por nossas próprias condições de vida até que se torne inviável gastar as economias com a guerra e, é claro, derrubar os governos e as instituições que estão nos levando à barbárie.

Em 9 de junho, haverá novamente eleições para o Parlamento Europeu, instituição na qual os Estados se legitimam ao nos dizer que devemos dedicar nossos esforços como classe para manter seus lucros por todos os meios, inclusive a guerra militar. É hora de pedir a abstenção nessas eleições, de nos organizarmos e lutarmos para transformar a base material desta sociedade a fim de abolir todas as injustiças.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/tribuna/guerra-pueblos-paz-clases

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vento transparente
nu
vens

Alexandre Brito

[Espanha] Poema | Promessas

Promessas, promessas / Promessas e mais promessas / São plurais. São muitas / São milhões / Tão repetidas quanto não cumpridas / Que sem tempo são enterradas / Logo esquecidas

.

Não existe política sem promessas / Governante ou candidato / Sem seu rosário de promessas… / Seu baú de mentiras

.

Eles não se importam em / fraudar a confiança / dos eleitores e cidadãos / Esmagar seus direitos / Frustrar suas ilusões / Trair suas esperanças… / Sem respeito por ninguém / Imunes ao descrédito

.

Após uma entrega desmedida / de sentimentos efêmeros / em dias de euforia eleitoral / o espetáculo acabou / é hora de voltar ao túnel

.

Continuar como antes / dominado pelo pessimismo / Desemprego, precariedade… / Exploração e miséria / Desigualdade crescente… / O buraco entre ricos e pobres…

.

Desmantelamento do público / Cortes nos serviços básicos / Desarticulação social planejada / desde dentro e desde fora / lentamente, de forma dissimulada / Você já não manda mais na sua casa… / Mais silêncios do que vozes

.

No entanto, eles voltarão… / Certamente voltarão / sem sua arrogância / alguns deles ficarão intimidados / não com seu sofrimento / outros serão confundidos por seu sofrimento

.

As promessas voltarão / As palavras vazias / Vazias! / Sem nada / Nada mesmo

.

Miguel ROJO – junho//2024

Fonte: https://www.portaloaca.com/expresion/poemas/poema-promesas/

 

>> Nota da ANA:

As eleições para o Parlamento Europeu estão marcadas para 9 de junho de 2024

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Você revela
desejos mais íntimos
à luz de vela.

Reinaldo Cozer

[Grécia] Solidariedade ao espaço libertário Primavera

Na manhã de segunda-feira, 3 de junho, a ELAS [polícia nacional da Grécia] realizou uma operação na Universidade Aristóteles de Tessalônica (AUTh) para evacuar o espaço libertário Primavera. Unidades da OPKA [unidade especial antiterrorismo] entraram na ocupação, jogaram fora os pertences do local e depois deixaram o campus. Depois de algum tempo, os companheiros recuperaram o espaço e, depois que as forças policiais entraram uma segunda vez, foi realizada uma reunião de solidariedade. Essa evacuação ocorreu após o anúncio feito pelas autoridades reitorais da AUTh de que o espaço específico onde o espaço libertário Primavera está atualmente localizado será colocado em leilão pela Empresa de Desenvolvimento de Propriedade Pública da AUTh para ser entregue a iniciativa privada e “explorado”. O espaço libertário Primavera é um obstáculo na campanha repressiva do Estado dentro das instalações da universidade. É um espinho na tentativa de esterilização e restrição das universidades, de exclusão da sociedade delas e um inimigo do poder, é um campo para a radicalização de consciências e lutas.

A desocupação do espaço libertário Primavera faz parte da ampla campanha repressiva que o Estado desencadeou dentro das instalações da universidade com o objetivo de reestruturar a educação, com o ataque ao caráter social do asilo universitário, com a tentativa de entrada da polícia nas universidades e escolas, com as desocupações de ocupações estudantis durante a luta contra a emenda do artigo 16, com a recente evacuação da ocupação da Faculdade de Direito que foi realizada em solidariedade ao povo da Palestina, com a proibição de festivais e eventos políticos nas instalações da universidade e com a perseguição e o julgamento do estudante anarquista membro da Iniciativa de Estudantes Anarquistas de Atenas, acusando-o de danificar propriedade e desobediência devido à intervenção política de solidariedade à Palestina nas universidades.

Para o Estado e as instituições, a repressão às ocupações (dentro e fora das universidades) é parte integrante da implementação da estratégia de contrainsurgência preventiva para o esmagamento das resistências sociais e de classe e a transformação de todos os campos da atividade humana com o objetivo de aumentar os privilégios dos poderosos e a subjugação da sociedade. Desde a recente superação do artigo 16 sobre a educação pública e a aprovação do projeto de lei para o novo código penal, a crescente privação e empobrecimento às custas da grande maioria social, a constante degradação do sistema de saúde pública, a degradação absoluta da vida humana até a crescente pilhagem do mundo natural, bem como o encobrimento de redes de tráfico, a abafação de estupradores de crianças e o feminicídio dentro e fora das delegacias de polícia.

De nossa parte, como Antipnoia, um espaço anarquista e antiautoritário, entendemos que o ataque às ocupações dentro e fora das universidades é parte do ataque que todos nós estamos sofrendo, nos bairros, nos locais de trabalho, nas universidades, onde quer que a realidade social se desenvolva. Mas é em todos esses espaços que florescem a resistência, a auto-organização e a solidariedade entre os oprimidos, e é por isso que os defendemos e declaramos nossa solidariedade. Dentro e fora das ocupações e dos espaços de luta do movimento anarquista, nas ruas e em todos os campos, lutamos com a visão de libertação social e de classe, pela revolução social, pela anarquia e pelo comunismo libertário.

Somos solidários com as ocupações e as estruturas de luta auto-organizadas!

Somos solidários com os estudantes anarquistas que lutaram e continuam lutando para que o asilo universitário continue sendo um campo de luta, mobilização e organização da resistência social e de classe.

DEFENDEMOS COLETIVA E MILITANTEMENTE AS OCUPAÇÕES, OS ESPAÇOS AUTO-ORGANIZADOS E AS RESISTÊNCIAS SOCIAIS E DE CLASSE

stekiantipnoia.squathost.com

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o dia abre a mão
três nuvens
e estas poucas palavras

Octavio Paz

[Itália] Vamos negar as urnas, encher as praças!

Diante das próximas eleições locais e europeias, não vote, organize-se e lute.

A tão alardeada democracia é sempre uma decepção, mas no caso das eleições europeias ela chega ao ridículo.

A União Europeia tem seu centro de poder na Comissão Europeia, não no Parlamento Europeu, que nem sequer tem permissão para propor leis, mas apenas ratifica o que a Comissão decide.

O jogo de papéis entre a Comissão e os governos nacionais significa que as ações de ambos estão livres de qualquer controle. Os governos são forçados a adotar medidas antipopulares porque estão vinculados aos planos de estabilidade da UE, enquanto a Comissão é forçada a adotar essas políticas porque alguns governos nacionais querem que seja assim. No final das contas, nem um nem outro acabam sendo obrigados pela chamada vontade popular que seria expressa nas eleições.

As várias listas eleitorais concorrentes têm em comum, em maior ou menor grau, questões inaceitáveis: planos para aumentar a competitividade e fortalecer o papel da Europa em relação às outras potências econômicas em um contexto capitalista, planos para proteger a cadeia de suprimento de energia europeia por meio de políticas predatórias de exploração territorial também apoiadas por missões militares específicas, planos para construir muros nas fronteiras e armar-se até os dentes de acordo com a política de guerra que caracteriza a política externa europeia.

No que diz respeito às eleições locais, a música não é diferente. Nesse período, testemunhamos o conjunto de listas imaginativas elaboradas por forças políticas que se aliaram, mesmo de maneiras incompreensíveis, para participar do jogo partidário com a distribuição simétrica de listas e acordos estratégicos no caso de um segundo turno. Aceitar as regras do sistema significa ter programas insultantes e rixentos, se não contraditórios, muitas vezes desconectados da realidade das lutas. Significa prever que pode haver espaço para os direitistas, a quem a representação democrática é devida. Significa trancar-se na dimensão das moções se estiver na oposição, apertar a mão de empresários, militares e vários lobbies se sonhar em governar a cidade.

Os cinco anos da restauração do PD [partido democrático] não marcaram nenhuma descontinuidade com a administração Cinco Estrelas [partido]. Os problemas da cidade permaneceram inalterados e não foi o conselho municipal que os enfrentou, muito menos os resolveu. As verdadeiras lutas estão ocorrendo constantemente fora das câmaras municipais, nas estruturas de baixo para cima criadas pelas redes de cidadãos trabalhadores e desempregados, aquelas em que o método de luta rejeita o mecanismo de procuração e a instrumentalização eleitoral.

A mudança não se dá por meio das urnas. A votação não pode sacudir a cidade, mas apenas alimentar ilusões deletérias.

Em uma cidade onde os problemas se chamam desemprego, exploração, moradia, construção de escolas, militarização, repressão, poluição e destruição ambiental, a solução não passa pelas urnas.

Votar é inútil. As eleições europeias e locais são uma farsa.

A abstenção é o primeiro passo para dizer não a tudo isso!

Lutar e organizar-se desde baixo, sem ceder ao engano das urnas, é essencial para realmente mudar a sociedade

Para discutirmos isso juntos, nos reuniremos na quinta-feira, 6 de junho, às 21h, na Federazione Anarchica Livornese, Via degli Asili 33, Livorno

Federação Anarquista Livornese

agência de notícias anarquistas-ana

passarinho na cerca
enfeita o infinito
da colheita

Camila Jabur

[Grécia] Athens Tattoo Circus VII | 7-8-9 de junho de 2024

|| Tatuagem, Piercing, Pintura Facial para crianças, Bate-papos, Shows musicais, DJ’s e muito mais ||

O Athens Tattoo Circus é um projeto horizontal auto-organizado que promove e apoia a contracultura, as lutas sociais/antifascistas e a solidariedade com pessoas presas e perseguidas e suas lutas dentro e fora das celas. Ele é realizado para apoiar espaços ocupados e autogeridos, fazendo parte deles também.

Com a agenda da direita neoliberal, as estruturas de solidariedade e resistência são abertamente visadas pelo Estado, pelo capital e, é claro, pelo paraestado. No entanto, este foi um ano em que os espaços desocupados foram reocupados e novos espaços foram liberados. Todos os anos, nos últimos oito anos, temos nos organizado e realizado nossos desejos, sonhos e esperanças de uma vida mais livre e igualitária para todos.

Solidariedade com as pessoas presas e perseguidas que estão lutando, até que a última prisão seja demolida.

Contra todas as formas de poder, defendemos a liberdade, a igualdade, a auto-organização, as lutas não mediadas e a solidariedade.

Ocupação Papoutsadiko 20 Davaki Street, Haidari P.C. 12461

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Bela margarida
É tão simples, tão humilde,
mas também, tão alegre

Ricardo Mizoguchi Gorgoll

[Espanha] Liberdade para Abel! Amor à anarquia e ódio à repressão!

Desde quinta-feira, 30 de maio de 2024, outro companheiro anarquista está detido em prisões do Estado. Abel estava aguardando a resposta da Suprema Corte sobre o recurso contra uma sentença de 3 anos e 9 meses de prisão por agressão e agravante de crime de ódio. A origem de seu caso remonta a 2018, quando, após uma manifestação antifascista contra a JUSAPOL, um nazista vestindo a camiseta do Arjuna, um grupo musical do RAC (Rock Against Communism), caiu das escadas do metrô Urquinaona. Desde então, ele vem enfrentando uma pesada sentença de prisão e teve de pagar uma indenização de mais de 10.000 euros.

Durante todo esse processo, que durou mais de 5 anos, o Grupo de Apoio apontou os culpados do que agora é a sentença final. Por um lado, a associação de extrema direita da Polícia Nacional e da Guarda Civil, chamada JUSAPOL, organizadora do evento que, em outubro de 2018, procurou premiar as forças de segurança por terem reprimido [um protesto] em 1º de outubro. Por outro lado, destacamos os Mossos d’Esquadra [polícia catalã], o Ministério Público e o Juiz, encarregados de orquestrar este caso, utilizando com a máxima contundência todas as ferramentas à sua disposição. Destacamos, entre as utilizadas, a perseguição política contra o companheiro pelo fato de ser identificado nos arquivos da polícia como anarquista, motivo que, de acordo com o aparato judicial, a agressão e o crime de ódio contra um fascista. Finalmente, destacamos o papel que a Prosegur (a empresa de segurança privada do metrô) desempenhou no julgamento, ampliando a história que levou à condenação do companheiro.

As prisões do território ocupado pelo Estado espanhol contam mais uma vez com outro prisioneiro anarquista, outro prisioneiro por lutar, outro prisioneiro que é adicionado à longa lista daqueles que estão cumprindo uma sentença por não ceder ao poder. Tudo isso no mesmo dia em que a Lei de Anistia foi votada no Congresso: uma lavagem de roupa para tornar invisível o verdadeiro caráter repressivo do Estado. Mas a tristeza que sentimos não nos fará recuar, porque sabemos melhor do que ninguém que a luta não para, não importa de que lado do muro o sistema o coloque.

Abel está sendo mantido como refém no C.P. de Brians 2 (Sant Esteve Sesrovires) e estamos trabalhando para atender às suas necessidades mais imediatas e cuidar dele e de seu entorno. Por esse motivo, no domingo, 9 de junho, às 11h, partiremos da estação de trem de Martorell para fazer com que ele sinta nosso apoio, para mostrar que ele não está sozinho e para filtrar nosso calor através das grades. Por esse motivo, prevemos que em 22 de junho voltaremos às ruas, porque temos motivos de sobra, porque a única linguagem que o poder entende é a do conflito.

De hoje até o fim, em cada grito e cada faísca, em cada ato e cada ação, AMOR À ANARQUIA E ÓDIO À REPRESSÃO.

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Lua cheia.
Me dá, me dá!
Chora a criança.

Issa

Um importante livro sobre o anarquismo na Colômbia

NO NECESITO NINGUNA REVOLUCIÓN ESPERÁNDOME

Anarquistas extranjeros en Colombia (1910-1940).

A reconstrução das ideias anarquistas é, sem dúvida, importante, assim como a contribuição feita por essas aves migratórias que tiveram como porto intermediário para difundir suas ideias essa região chamada Colômbia.

Essas vozes, como um coro dissidente, levantaram-se contra o poder há um século e ainda continuam a nos surpreender, pois, apesar do fato de que muitas vezes foram empurradas para a beira do abismo pela história dos poderosos e por certa historiografia marxista (“mal-intencionada”), elas encontraram ecos de seus passos e foram, em várias ocasiões, o gesto germinal do movimento de inquilinos, do sindicalismo, da aliança operário-camponesa e de outras práticas rebeldes. Hoje, esses “gritos de liberdade”, que foram chamados de “estrangeiros perniciosos”, surgem nessas páginas que tecem vidas rebeldes.

NO NECESITO NINGUNA REVOLUCIÓN ESPERÁNDOME

Anarquistas extranjeros en Colombia (1910-1940).

La Valija de Fuego, livraria e editora

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o rio ondulando
a figueira frondosa
no espelho da água.

Alaor Chaves

[Irã] Condenamos a cerimônia em memória de Ebrahim Raisi na ONU

Por Hasse-Nima Golkar

A “Assembleia Geral das Nações Unidas” (na verdade, os Governos Unidos) decidiu homenagear Ebrahim Raisi (“Aiatolá da Morte”) em 30 de maio de 2024. Ele era um membro do alto escalão do Estado Califado Islâmico Xiita do Irã.

Ebrahim Raisi morreu em 19 de maio de 2024, juntamente com outros funcionários do governo, após um acidente de helicóptero na região montanhosa do Azerbaijão, no noroeste do Irã.

O principal objetivo de tais atos enganosos é confundir a opinião pública mundial, apoiando e também encobrindo os aiatolás, que há quarenta e cinco anos cometem crimes contra a grande maioria do povo iraniano.

Ebrahim Raisi, nascido em 1960, após a chegada ao poder do grande carrasco aiatolá Khomeini (1979), com cerca de 20 anos de idade, começou a trabalhar no judiciário. Ele foi fundamental na execução de milhares de prisioneiros políticos e prisioneiros de consciência. Assim como na repressão brutal dos movimentos sociais populares.

Ebrahim Raisi foi um dos membros do “Comitê da Morte”, formado com base na ordem escrita (Fatwa) do aiatolá Khomeini no verão de 1988. Ele foi encarregado da execução de todos os prisioneiros políticos que defendiam suas opiniões políticas contrárias ao regime islâmico no poder.

Nesse sentido, um dos assistentes do “Comitê da Morte” (na prisão de Gohar Dasht, na cidade de Karaj, a oeste da capital Teerã), chamado “Hamid Noury”, foi condenado à prisão perpétua no Tribunal Distrital Criminal de Estocolmo e, posteriormente, no Tribunal de Apelação da Suécia, acusado de “Crimes contra a Humanidade”. Com a participação de cerca de 90 testemunhas oculares e vários peritos, e vários milhares de provas irrefutáveis, sobre sua ajuda em mais de três mil execuções de prisioneiros políticos.

Hamid Noury está atualmente em uma das prisões da Suécia. E se Ebrahim Raisi estivesse vivo, como chefe da “Hamid Noury” e participante ativo desse crime terrível e desumano, ele poderia ser processado e condenado nos tribunais criminais de qualquer país da União Europeia.

Essa ação vergonhosa dos membros das “Nações Unidas” em homenagem ao assassino Ebrahim Raisi é um claro insulto à consciência de todos os povos do Irã e de outras partes do mundo que se preocupam com a liberdade e buscam a igualdade e a justiça. Portanto, este ato deve ser fortemente condenado.

Fonte: https://asranarshism.com/1403/03/10/raisi-un-memorial-eng/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/21/ira-quem-e-era-ebrahim-raisi-o-acougueiro-de-teera/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/01/ira-mae-de-jina-amini-se-manifesta-contra-a-sentenca-de-morte-imposta-ao-rapper-curdo-tumac-salihi/

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o crisântemo amarelo
sob a luz da lanterna de mão
perde sua cor

Buson

Novo vídeo | O Desastre Tem Nome: CAPITALISMO

Nos primeiros dias do mês de maio de 2024, o território conhecido estado do Rio Grande do Sul, no chamado Brasil, foi atingido pela maior catástrofe climática de sua história. Mais de uma semana de chuvas intensas fizeram com que diversos rios transbordassem, arrasando dezenas de cidades e destruindo tudo no seu caminho, para então desaguarem no rio Guaíba causando a maior enchente já registrada na região da Grande Porto Alegre e outras cidades do estado. Até 1º de junho, 171 mortes foram confirmadas. Milhares de pessoas perderam tudo. 614 mil ficaram desabrigadas. Mais de dois milhões foram afetadas. Cidades inteiras praticamente apagadas do mapa pela força das águas.

O Estado e o modo de produção capitalista têm responsabilidade direta pela devastação do planeta, produzindo cada vez mais catástrofes, derrubando florestas para dar lugar ao gado, às monoculturas e à mineração, degradando e impermeabilizando o solo com a expansão urbana. Em meio ao horror, fica evidente a completa incapacidade dos governos e dos ricos de cuidarem de nossas vidas e do nosso ambiente.

No centro dessa tragédia que anuncia uma nova realidade de eventos extremos cada vez mais frequentes, anarquistas, comunidades indígenas, quilombos e movimentos sociais organizam a solidariedade enquanto tentam reconstruir suas vidas e seus territórios gravemente afetados, seja pedindo e distribuindo doações, chamando por mutirões para limpar e voltar para imóveis atingidos, ou organizando novas ocupações de prédios vazios para abrigar pessoas que perderam suas casas.

>> Assista o vídeo (18:45) aqui:

https://antimidia.org/o-desastre-tem-nome-capitalismo/

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As vozes não têm idade
quando falam de terremotos
à luz das lareiras.

Kyoroku

[México] Comunicado da Okupache: Liberdade para nosso companheiro Jorge Esquivel!

A T E N Ç Ã O

Na manhã de hoje, 3 de junho, um juiz do quinto tribunal criminal federal condenou nosso compa Jorge Esquivel “Yorch” a 7 anos e 6 meses de prisão.

Poucas horas após o fim do show midiático que eles chamam de eleições, eles decidiram que era um bom momento para condená-lo após quase 18 meses de sequestro.

Está claro para nós que a armação contra Yorch está diretamente relacionada a essas mudanças de administração, incluindo a mudança de reitor na UNAM, já que sabemos que falar sobre o despejo da okupação é uma das propostas de campanha que não podem faltar, além de sempre nos usar para desviar a atenção quando são questionados por sua comunidade, já que a cada vez a incompetência e o fascismo da UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México) se tornam mais e mais evidentes até mesmo para os estudantes universitários mais orgulhosos.

É óbvio que somos incômodos para a universidade, para eles é mais importante eliminar a ameaça que representa um espaço que não depende de nenhuma instituição nem de nenhum partido político; do que atender às demandas de seus estudantes e de sua “comunidade” a quem as mesmas autoridades espancam, expulsam, detêm, discriminam, assediam, estupram, revitimizam e matam (clássico das instituições).

Também está claro para nós que essa montagem contra Yorch é mais um dos diferentes ataques contra a Okupache e aqueles que se organizam nela, como o assédio, a perseguição, os ataques com artigos de jornal, suas transmissões na Internet, rádio e televisão falando sobre o espaço como um dos problemas de segurança nacional, a espionagem da UNAM e das diferentes corporações policiais e de pseudointeligência, os cortes de água e eletricidade, o hackeamento de dispositivos eletrônicos, a criação de cartazes falsos com nomes e fotos das pessoas, acusando-nos de portar armas, explosivos, supostamente pertencentes a esta ou àquela organização, e tudo o mais que possam imaginar. Todos esses ataques durante 24 anos não foram e não serão suficientes para extinguir a organização autônoma, autogerida e horizontal da Okupache e de diferentes espaços/coletivos/comunidades/indivíduos espalhados pelo mundo, onde a mensagem de resistência também é clara e direta: NÃO DAREMOS UM PASSO PARA TRÁS.

Com relação ao caso de Yorch, continuaremos lutando, tanto com seus defensores legais, que esgotarão todas as instâncias desse jogo sujo, quanto do lado de cá das grades; desde a Okupache e de diferentes latitudes e corações prontos para lutar por sua liberdade.

Parem suas montagens!

LIBERDADE PARA NOSSO COMPANHEIRO JORGE ESQUIVEL!

Okupa e resista.

Não daremos um único passo atrás diante de qualquer tentativa de repressão.

Nenhuma agressão ficará sem resposta.

YORCH PARA AS RUAS!!!

#altoalosmontajes #libertadayorch #okupaChe #OkupaYResiste #autonomiayautogestion #endefensadelosespacios

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/28/mexico-continua-a-repressao-contra-a-okupa-che-e-jorge-yorch-esquivel/

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Trégua de vidro:
o canto da cigarra
perfura rochas.

Matsuo Bashô

[Espanha] Milhares de pessoas gritam contra a expansão do Porto de Valência: “Não, não, não, chega de porto!”

Entidades de bairro, ambientalistas, sindicatos e cidadãos saem às ruas para deixar claro o seu repúdio ao projeto

“Não, não, não à expansão!”, ou “não, não, não, não queremos mais porto”, foram algumas das frases gritadas na tarde de sexta-feira (31/05) na grande manifestação contra a expansão do Porto de Valência que começou às 18h30 no Paseo da Alameda de Valência, na altura da Puente de las Flores.

Milhares de pessoas participaram da mobilização convocada pela Comissió Ciutat-Port, plataforma de bairro e ambientalista contrária ao projeto, em clima festivo de protesto com faixas com slogans como “direito de respirar ar puro”, “direito à saúde” ou “menos porto, mais Albufera [parque natural]”.

O porta-voz da Comissió Ciutat-Port, Francesc Herrera, ficou muito satisfeito com o grande afluxo de manifestantes no terceiro protesto convocado pelo grupo: “Estamos muito felizes, estamos atravessando a Ponte de Exposições e a ainda tem gente na praça Zaragoza. A administração deve tomar nota e reconsiderar seu projeto. Devem interromper o processo de licitação pelo menos até que Puertos del Estado se pronuncie como órgão substantivo nos relatórios ambientais, o que ainda não fez. Portanto estamos num processo que não possui os documentos necessários para avançar. Solicitamos a retirada total do projeto, a eliminação do dique norte e a reversão da zona de atividades logísticas (ZAL).”

O presidente do conselho de trabalhadores do terminal público de contentores CPS, Julián Pérez, também participou no protesto, e afirmou: “esta expansão é desnecessária, injustificada e destruirá empregos”. Pérez garantiu que os estudos econômicos e laborais do PAV “não são verdadeiros, haverá destruição de empregos e queremos que façam um estudo real sobre o impacto do novo terminal no emprego”.

Néstor Banderas, 33 anos, e Lara Sanmiguel, 29 anos, são valencianos e participaram na manifestação a título individual, ou seja, não pertencem a nenhum grupo. Segundo Banderas, “parece que a expansão não está respaldada pelos necessários relatórios de avaliação ambiental, é um modelo econômico predatório e este objetivo de crescimento até o infinito não é a linha a seguir como sociedade”. Por sua vez, Sanmiguel afirma que “o nível de tráfego no Porto de Valência foi inferior ao do ano anterior, o que torna uma expansão desnecessária e, portanto, crescer por crescer não faz qualquer sentido econômico ou de sustentabilidade. Queremos viver em uma cidade portuária com poluição, trânsito, desemprego, sem pomar, sem Albufera?”

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Na velha roseira,
entre as folhas e os espinhos,
uma aranha tece.

Humberto del Maestro

[Itália] Colônia Cecília. Um sonho anarquista

Na sexta-feira, 7 de junho, às 21h, exibiremos, em sua estreia na Itália, o novo documentário do diretor brasileiro Carlos Pronzato, dedicado a revisitar a história da Colônia Cecília, um evento pouco conhecido que evidenciou – a partir da proposta do anarquista Giovanni Rossi – o desejo de construir, em 1890, no Brasil, uma comunidade igualitária na qual se tentaria não apenas um experimento de propriedade coletiva de bens, mas também uma experiência de comunidade “total” baseada no amor livre e na abolição da família monogâmica.

O documentário de Pronzato refaz os estágios desse evento, interrogando descendentes, estudiosos e punks, fornecendo uma nova chave de interpretação, desmontando mitos e lendas para chegar às verdadeiras razões da conclusão dessa experiência.

O documentário é legendado em italiano.

Ateneo Libertario Milano

Viale Monza, 255, Milano

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No terreno baldio
Ainda cheias de orvalho,
Campânulas!

Paulo Franchetti