[Uruguai] Agitação contra o isolamento do companheiro Francisco Solar

Desde o território em conflito com o Estado uruguaio, nos unimos à campanha contra o isolamento que a gendarmaria [polícia] e o poder judiciário do Chile querem impor ao companheiro Francisco Solar.

A piora excepcional das condições carcerárias é um exemplo claro de que seu “direito” é uma falsidade, que não é o mesmo para todos, que é válido até que seus privilégios sejam tocados, e eles foram tocados pelos ataques diretos que receberam!

Seu direito é apenas uma encenação que eles desmontam à vontade, dependendo de quem é o prisioneiro. Sua mentira democrática está desmoronando, assim como o avanço repressivo que fizeram nestes dias na Villa Francia.

A sentença imposta ao companheiro, que eles pretendem ser exemplar, mostra o quanto eles sabem que estão ameaçados pela ação revolucionária violenta. Isso, em vez de intimidar, dá o tom da continuidade da luta, sem líderes, sem centralismo, evitando a cada passo relações hierárquicas alheias à prática antiautoritária. A anarquia sempre continua, “como um ponto de partida, não de chegada”, para recuperar nossas vidas. Que eles tenham todos os motivos para temer a anarquia!

Contra o isolamento do companheiro Francisco Solar!

Expandir as práticas de solidariedade internacional negra!

A n a r q u i s t a s

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/04/chile-vamos-tirar-o-companheiro-francisco-solar-do-isolamento/

agência de notícias anarquistas-ana

Varrer o chão
E então parar de varrê-lo —
Estas folhas secas.

Taigi

Nota de solidariedade a sindicalistas condenados na Espanha (Português, Espanhol, Esperanto)

NOTA DE SOLIDARIEDADE

Desde o Rio de Janeiro, queremos fazer chegar aos sindicalistas condenados a três anos e meio de prisão por apoiar uma companheira da Pastelaria La Suiza (em Gijón, na região de Astúrias, na Espanha), que havia denunciado o seu chefe por assédio sexual e moral, todo o nosso carinho e nosso apoio nesses momentos tão dramáticos. Essa sentença é um passo a mais no processo global de perseguição e criminalização das lutas e do sindicalismo combativo. Hoje, como sempre, frente às represálias da patronal e do Estado, são necessárias solidariedade, fraternidade e apoio mútuo. Um grande abraço fraterno pros nossos companheiros, companheiras e suas famílias. Buscaremos acompanhar a situação e ajudar no que for possível.

NOTA DE SOLIDARIDAD

Desde Rio de Janeiro-Brasil queremos hacer llegar a los sindicalistas condenados a tres años y medio de prisión por apoyar a una compañera de la Pastelería La Suiza (Gijón, Asturias) que había denunciado a su jefe por acoso laboral y sexual, todo nuestro cariño y nuestro apoyo en unos momentos tan dramáticos. Esta sentencia es un paso más en el proceso global de persecución y criminalización de la protesta y del sindicalismo de combate. Hoy, como siempre, frente a las represalias de la patronal y del Estado, solidaridad, fraternidad y apoyo mutuo. Un gran abrazo fraterno para nuestros compañeros, compañeras y sus familias. Nos esforzaremos por seguir de cerca la situación y ayudar en todo lo que podamos.

SOLIDARECA NOTO

El Rio-de-Ĵaneiro (Brazilo), ni volas alvenigi, al la sidikatistoj kondemnitaj je tri jaroj kaj duono da prizono pro subteno de laboristino de “Pastelaría La Suiza” (en Asturio, Hispanio) kiu denuncis sian estron pro morala kak seksa ĉikanado, nian plenan korinklinon kaj nian apogon en ĉi-tiuj tiel dramaj momentoj. Tiu veredikto estas plia paŝo en la tutmonda procezo de persekuto kaj krimigo de sociaj luktoj kaj batalema sindikatismo. Hodiaŭ, kiel ĉiam, antaŭ la reprezalioj de la dungantoj kaj de la Ŝtato, necesas solidareco, frateco, kaj reciproka subteno. Grandan fratan brakumon al niaj kunuloj kaj siaj familioj. Ni klopodos informiĝi pri la situacio kaj helpi kiel ajn ni povos.

Associação de Trabalhadores de Base (ATB)

Instituto de Estudos Libertários (IEL)

Organização Popular (OP)

Julho/2024

organizacaopopular.wordpress.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/25/espanha-a-suprema-corte-rejeita-o-recurso-da-cnt-e-condena-as-seis-sindicalistas-de-la-suiza-a-prisao/

agência de notícias anarquistas-ana

meio dia
dormem ao sol
menino e melancias

Alice Ruiz

“Fazer sindicalismo não é crime”

Sindicalismo revolucionário, repressão política e a luta por um internacionalismo

Por Kauan Willian

No fim de junho de 2024, a CGT (Confederación General del Trabajo), em conjunto com CNT (Confederación Nacional del Trabajo) e outros sindicatos e organizações políticas da Espanha, lançaram a campanha “Hacer sindicalismo no es delito” (Fazer sindicalismo não é crime) (CGT, 2024). A campanha se refere à condenação de 6 mulheres militantes da CNT de Xixón pelo Supremo Tribunal, acusadas de caluniar um empresário em campanhas por greves. Meses antes, o sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo lançou o “Manifesto contra a perseguição aos metroviários de São Paulo” – a perseguição, no caso, era feita pelo governo de extrema direita do governador Tarcísio de Freitas, por greves contra a precarização e a privatização do serviço público (Sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo, 2024). Nas greves contra a privatização das gestões das escolas públicas do Paraná, ainda em junho, a Procuradoria também pediu a prisão da presidente do sindicato dos professores do Estado (Brasil de Fato, 2024).

Essa repressão tem um contexto evidente. Como em diversas ocasiões de crise do capital, ou mesmo de reação da classe dominante à emergência de revoluções, as organizações dos trabalhadores foram extremamente atacadas, desmontadas, desmobilizadas, isso quando não estavam enfrentando a tentativa de absorvê-las às instâncias administrativas oficiais. David Harvey (2011) analisa que um dos impactos da crise de 2008 foi a mutação do neoliberalismo em vertentes ainda mais agressivas e autoritárias, de forma parecida com as consequências da crise de 1929, que havia gestando os corporativismos e fascismos. Soma-se isso ao fato iminente da articulação transnacional e global das extremas direitas no mundo, obtendo alinhamentos.

Embora tenha havido a tendência do corporativismo sindical, após a Segunda Guerra Mundial, de ser diferenciado como “legal” em relação aos movimentos tidos como “espontâneos”, principalmente em movimentos sociais ou exteriores à organização do mundo do trabalho, vemos que a classe dominante e seus aparatos repressivos organizados pelo Estado, não hesitam em atacar ou destruir tentativas de organização dos trabalhadores. Sendo assim, o corporativismo sindical nascido em meio aos nacionais-estatismos e o atrelamento e reconhecimento de sindicatos nos Estados tidos como democráticos após as ditaduras militares (principalmente no caso sul-americano) não impediram uma repressão política contra trabalhadores que lutam por seus direitos, em espaços legalizados ou não (FONTES, 2014).

De outra maneira, consideramos equivocadas as ‘teorias do fim do trabalho’ que surgiram no período pós-fordista na Europa e foram adotadas por diversas correntes da esquerda. Para André Gorz, o desenvolvimento da automação e a descentralização dos polos industriais, agora voltados para o setor de serviços, desfiguraram o movimento operário e colocaram em xeque o conceito de centralidade da revolução entre os trabalhadores industriais. Segundo sua análise, a produção guiada pela racionalidade econômica capitalista tornou-se inapropriável por uma racionalidade socialista. Nessa perspectiva, a proposta era acelerar a tendência antitrabalho, acreditando que isso poderia desestabilizar o capitalismo ao gerar contradições difíceis de serem corrigidas. Além disso, Gorz defendia a luta por valores universais desvinculados da consciência proletária, como garantias de renda mínima para a subsistência, ocupações, entre outros (GORZ, 1980).

Trazendo ao debate a história do sindicalismo revolucionário, principalmente anteriormente à Segunda Guerra Mundial, mas também experiências importantes de um sindicalismo combativo após esse período, defendemos aqui a tradição de uma organização dos trabalhadores que pode ser classista, internacionalista, anti-imperialista e revolucionária. Defendemos que tanto a tendência corporativista ou reformista dos sindicatos não podem conter os ataques, a repressão ou mesmo o avanço da expropriação da força de trabalho, principalmente sob as reordenações das formas políticas para os interesses do capital, como o avanço das extremas direitas. Da mesma forma, ideias e práticas de organizações ou grupos que negam a importância do mundo do trabalho, também não foram efetivos em edificar processos revolucionários e transformações estruturais. Um sindicalismo revolucionário e combativo, portanto, transcende relações corporativas autocentradas em determinadas categorias ou aspectos regionais e nacionais (embora seja importante tais dimensões em um primeiro momento) e deve edificar uma luta por unidade dos trabalhadores formais e informais, assim como desenvolver questões de libertação nacional, anti-imperialistas e internacionalistas.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://patosaesquerda.com.br/fazer-sindicalismo-nao-e-crime/

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/15/espanha-nao-podemos-permitir-que-esse-novo-caso-de-repressao-sindical-nos-faca-retroceder/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/25/espanha-a-suprema-corte-rejeita-o-recurso-da-cnt-e-condena-as-seis-sindicalistas-de-la-suiza-a-prisao/

agência de notícias anarquistas-ana

Me comovem
tuas mãos limpas
e tua boca suja

Eliane Pantoja Vaidya

Lula promovendo e apoiando a empre$a latifundiária JBS, dos bilionários irmãos Batista.

[Espanha] “Não podemos permitir que esse novo caso de repressão sindical nos faça retroceder”

  • A CNT demonstra unidade sindical no caso de La Suiza, com o apoio de organizações sindicais em nível estatal e em Euskal Herria
  • Além disso, foi realizada uma concentração de solidariedade em Donostia

A Confederação Nacional do Trabalho (CNT) realizou uma coletiva de imprensa neste sábado (13/07) na Fundação Anselmo Lorenzo para mostrar seu apoio as seis trabalhadoras de La Suiza que foram condenadas, por dois crimes diferentes, a 3 anos e meio de prisão, embora cada um não ultrapasse dois anos de prisão.

No ato, a Secretária Geral da CNT, Erika Conrado, denunciou que a sentença no caso La Suiza “mostra, mais uma vez, que a defesa dos direitos trabalhistas está em contradição com os interesses das classes dominantes em nossa sociedade”. Conrado destacou que essa sentença é “a continuação, por parte das instituições do Estado, dessa estratégia de coerção e repressão da luta sindical”.

Diante dessa situação, a líder da CNT fez um apelo à unidade e à luta de toda a classe trabalhadora: “Não podemos permitir que esse novo caso de repressão sindical nos faça retroceder em nossas aspirações de emancipação e liberdade. Devemos exigir, como sempre, a plena liberdade sindical e continuar acompanhando nossas companheiras em todas as instâncias necessárias para defender seus direitos”.

Representantes de vários sindicatos, como CCOO, CGT, Solidaridad Obrera, UGT, SAT, Co.Bas, Confederación Intersindical e SOFITU, participaram do evento em apoio as trabalhadoras de La Suiza. Desde Euskal Herria, LAB, ELA, ESK STEILAS e ELA demonstraram seu apoio lendo seus diferentes comunicados de solidariedade.

A sentença do caso La Suiza

As seis trabalhadoras de La Suiza foram condenadas e acusadas por terem coagido outros trabalhadores e por terem causado danos à propriedade. O sindicato sempre negou essas acusações e denunciou a empresa por persegui-las por seu ativismo sindical.

A luta pela liberdade sindical

A liberdade sindical é um direito fundamental que permite que os trabalhadores defendam seus interesses coletivos. Entretanto, esse direito está sendo cada vez mais atacado por empresas e governos. A CNT considera que a defesa da liberdade sindical é essencial para a luta pela emancipação da classe trabalhadora.

Nesse contexto, a CNT conclama todos os trabalhadores e trabalhadoras a se unirem na luta pela defesa dos direitos trabalhistas e da liberdade sindical.

Fonte: https://www.cnt-sindikatua.org/es/noticias/no-podemos-permitir-que-este-nuevo-caso-de-represion-sindical-nos-haga-retroceder

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/25/espanha-a-suprema-corte-rejeita-o-recurso-da-cnt-e-condena-as-seis-sindicalistas-de-la-suiza-a-prisao/

agência de notícias anarquistas-ana

Antigo casebre
Margaridas no quintal
de terra batida

Priscyla Momy Okuyama

[Espanha] A CGT organiza uma nova edição da Escola Libertária de Ruesta de 26 a 28 de julho.

Por mais um ano a CGT abre sua Escola de Verão Libertária: um espaço de encontro e debate, de aprendizado e recreação, onde todos nós podemos contribuir com nossas experiências e conhecimentos para enriquecer uns aos outros.

Este ano, nos reuniremos novamente em Ruesta (Zaragoza) sob o lema “Organizando fora do capitalismo: o papel fundamental das mulheres“.

Este ano, a Escola Libertária discutirá se é possível organizar nossas vidas fora das imposições do capitalismo e mais perto de um modo de vida autogerido e solidário, substituindo o interesse pela acumulação e pela competitividade e aproximando-se um pouco mais de uma vida digna para todos, colocando a vida no centro, e se algumas das campanhas da CGT podem contribuir para essa possibilidade.

O mesmo projeto do povo de Ruesta, a partir de nossos princípios libertários, autogestionários, e de apoio mútuo, poderia se aproximar desse objetivo, e nosso Coordenador de Ruesta falará mais sobre isso. Os mesmos princípios permeiam todos os projetos, todas as campanhas que desenvolvemos a partir da CGT, e poderemos analisar, sob esse prisma, algumas das mais recentes, como o impulso para a mudança para menos horas de trabalho, para que todos trabalhemos, para redistribuir a riqueza, para que tenhamos mais tempo para viver, e que se concretiza na campanha pelas 30 horas; Ou o direito a uma aposentadoria digna, que nós, mulheres trabalhadoras, temos tanta dificuldade de incluir entre os direitos pelos quais devemos lutar durante toda a nossa vida profissional, e em que a diferença de gênero não signifique mais uma discriminação, mais uma precariedade em nossas vidas.

E se nossos acordos incluem a promoção de grupos de consumidores, achamos interessante saber se há experiências de autogestão da soberania alimentar popular, como o desenvolvimento do direito de um grupo de pessoas ou de uma aldeia de definir suas próprias estratégias sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos com base na pequena e média produção. Outros exemplos de projetos reais já desenvolvidos podem ser encontrados nas Ecovilas. Quase todos nós conhecemos alguma, mas talvez não saibamos como viver em uma Ecovila, como elas são organizadas, como esses projetos coletivos funcionam, como estão interligados em redes. Acreditamos que será muito interessante que elas compartilhem suas experiências conosco.

Sempre que nós, libertários, nos reunimos, concordamos que a semente para um novo mundo, aquele que carregamos em nossos corações, deve ser plantada não apenas por meio de ação direta e resistência, mas, indispensavelmente, por meio da educação desde a mais tenra idade. Mas a verdade é que a grande maioria das escolas que conhecemos são fiéis transmissoras dos valores e do conhecimento do sistema capitalista. Tentaremos conhecer iniciativas de escolas libertárias e seu impacto sobre as crianças que as frequentam. Conheceremos também experiências em que o esporte é o meio para um desenvolvimento saudável, com apoio mútuo e trabalho em equipe e, com diversão, favorecendo a integração inquestionável de todas as pessoas que o praticam e que vêm compartilhá-lo, e não uma finalidade lucrativa, competitiva, individualista e excludente. O esporte, em suma, fora do capitalismo.

Todas estas são experiências que colocam a vida no centro, que nos mostram maneiras de nos afastarmos dos interesses escravizadores do capitalismo, inseparáveis do patriarcado, e é por isso que queremos destacar o papel das mulheres nessa nova maneira de ver o mundo. Em nossa assembleia final, compartilharemos o que mais ressoou em nós, o que mais nos surpreendeu ou levantou mais questões, a fim de avaliar o que podemos incorporar em nosso trabalho diário e em nossos sindicatos.

Todas as informações estão nesse link: https://ruesta.com/escuelalibertaria2024/

As inscrições, já abertas, poderão ser realizadas até o dia 15 de julho nesse link: https://forms.gle/WUkJaGVSvU8eUqPAA

Esperamos vocês!

cgt.org.es

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

meus hai-kais:
lápis caídos
de um estojo frágil

Valdir Peyceré

[Argentina] Lançamento | Leon Czolgosz: o anarquista que assassinou o presidente dos Estados Unidos

Esta pequena fanzine busca ser um exercício de memória em torno do companheiro Leon Czolgosz, responsável pelo assassinato do presidente dos Estados Unidos William McKinley, no dia 6 de setembro de 1901, em Buffalo.

A ação de Leon não apenas gerou repercussão internacional e alimentou uma campanha repressiva nos EUA contra o movimento anarquista, como também fez parte de uma série de ações internacionais ligadas pela chamada “propaganda pela ação”, na qual podemos incluir os ataques de companheiros como Gaetano Bresci, Sante Geronimo Caserio, Auguste Vaillant, Emile Henry, Michele Angiolillo, Luigi Lucheni, Mateo Morral, entre outros, e na Argentina os casos de Salvador Planas, Francisco Solano Regis, Simón Radowitzky e Kurt Wilckens. Com isso queremos dizer que tanto a ação, quanto Leon como indivíduo, não podem ser vistos isoladamente de seus ambientes, práticas e histórias, mas que têm seus fundamentos tanto na miséria transversal do sistema capitalista quanto nos exemplos de resistência e ofensivas individuais que o anarquismo tem enfrentado historicamente, não sem infinitos debates, contradições e controvérsias.

Com a necessidade de nos afastarmos dos fetiches e nos aprofundarmos na história e no contexto de Leon Czolgosz, decidimos traduzir o texto “A tragédia de Buffalo”, escrito pela companheira Emma Goldman, e transcrever a resenha “O revólver de Czolgosz”, publicada em Buenos Aires semanas após o ataque. Com o objetivo de abordar criticamente diferentes pontos de vista e tentar entender o lugar da ação violenta, da solidariedade e da repressão nos ambientes ácratas.

Expandindo a revolta.

Julho 2024.

Buenos Aires.

Baixe “Fanzine Leon Czolgosz” aqui:

 https://expandiendolarevuelta.noblogs.org/files/2024/07/Leon-Czolgosz-fazine-online_compressed.pdf

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Clareira na mata —
Velho jacarandá caído
Carregado de flores.

João Toloi

[Espanha] Quem é quem no conflito de La Suiza

A Suprema Corte manteve as sentenças de prisão para os 6 membros do La Suiza. Esses são os principais atores no caso que poderia levar à prisão desses sindicalistas. O filho dos proprietários da confeitaria é assessor do governo de Javier Milei. O advogado da família, Javier Gómez Bermúdez, presidiu a Câmara Criminal da Audiência Nacional e entre seus clientes está o filho do ditador da Guiné Equatorial.

 Por Miguel Ángel Fernández | 27/06/2024

No início de 2017, uma funcionária da Confeitaria La Suiza, em Gijón, procurou o sindicato CNT por causa de seus problemas trabalhistas, que incluíam longuíssimas horas de trabalho, pagamento abaixo do acordo salarial e horas extras não pagas; ela também alegou que sofria abusos de seu chefe.

Após uma série de reuniões para buscar uma solução negociada para o conflito, e diante da recusa da empresa em chegar a um acordo, o sindicato iniciou sua campanha habitual de pressão e denúncia. Sete anos depois, o que começou como uma mera disputa trabalhista, do tipo que poderia ser contada em dezenas no setor de hotelaria e comércio, ameaça levar seis sindicalistas para a cadeia. Este é o “quem é quem” do caso La Suiza:

A família dona do local

 Conhecida por seus vínculos com a política local, a família proprietária da confeitária fazia parte da queixa apresentada por um grupo de hoteleiros que buscava proibir o sindicato CNT por “extorsão e associação ilegal”. O tribunal determinou que não havia um caso e rejeitou a queixa, uma decisão posteriormente ratificada pelo Tribunal Provincial.

Pablo Álvarez Meana, filho dos proprietários e aparente arquiteto da estratégia legal, merece menção especial. De acordo com [o jornal] Nortes, ele é um fã declarado de Netanyahu, Meloni e Le Pen, bem como um especialista em “Segurança e Política Internacional”, e vive entre Marbella e Buenos Aires, onde assessora Patricia Bullrich, ministra de segurança de Javier Milei.

Javier Gómez Bermúdez

Advogado do setor empresarial e ex-presidente da Câmara Criminal da Audiência Nacional, que lida com questões de terrorismo. Ele tem experiência em terrorismo juvenil por meio de seu trabalho no Tribunal Central de Menores e no tratamento penitenciário de prisioneiros terroristas e do crime organizado como Juiz Central de Vigilância Penitenciária.

Ele estabeleceu as diretrizes legais sobre terrorismo/vandalismo urbano e tratamento penitenciário do crime organizado terrorista. Em 2007, presidiu o julgamento dos atentados de 11 de março. Atualmente, está tirando uma licença voluntária do judiciário para se dedicar à prática da advocacia no escritório de advocacia Ramón y Cajal.

De acordo com o jornal El Español, seus clientes incluem pessoas ligadas ao regime da Guiné Equatorial, incluindo Carmelo Ovono Obiang, filho do ditador.

Lino Rubio Mayo

Magistrado do Tribunal Penal de Gijón, que emitiu a sentença em primeira instância. Conhecido popularmente como “Justiceiro de Poniente“, ele tem um longo histórico de controvérsias relacionadas a conflitos trabalhistas ou sociais, entre elas a sentença de três anos de prisão para os sindicalistas Cándido e Morala, do CSI, por quebrarem uma câmera de vídeo durante um protesto trabalhista contra o fechamento do Naval Gijón (o evento inspiraria a obra “Los lunes al sol“, de Fernando León de Aranoa).

Os antimilitaristas das Astúrias ainda se lembram de como ele se apressou em despachar a antiga legislação anti-submissão para que a sentença fosse mais dura.

Manuel Marchena

Magistrado da Suprema Corte e presidente da Segunda Câmara Criminal, que ratificou a condenação. Em 2019, presidiu a Câmara do Tribunal responsável pelo julgamento dos líderes do processo de independência da Catalunha no caso popularmente conhecido como “julgamento do procés”.

Em 2024, no exercício das competências para o julgamento de pessoas sem legitimidade processual, presidiu a audiência oral contra o deputado do Podemos Alberto Rodríguez, acusado de agressão por chutar um policial da tropa de choque.

As seis pessoas condenadas

Seis pessoas, incluindo a trabalhadora que denunciou sua situação, foram condenadas a três anos e seis meses de prisão, dois anos por obstrução da justiça e 18 meses por coerção.

Os condenados, cinco mulheres e um homem, estão totalmente integrados à sociedade, com família e filhos: motorista de táxi, empregada, vendedora de loja, cantora, assistente de clínica e professora são suas profissões. Eles exerceram seu direito à livre atividade sindical, conforme consagrado no Artigo 2 da LOLS, na Constituição, na Carta Social Europeia e na OIT. Agora podem ser forçados a ir para a prisão.

Fonte: https://www.lamarea.com/2024/06/27/quien-es-quien-en-el-conflicto-de-la-suiza/?fbclid=IwZXh0bgNhZW0CMTEAAR1uMWl7MWgkd3ih2pNGshj_kL-kJYAKE5JBW48W35hKORZPhhTUilbnGE0_aem_2XT899cYAc99_Go6irnWGQ

Tradução > anarcademia

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/25/espanha-a-suprema-corte-rejeita-o-recurso-da-cnt-e-condena-as-seis-sindicalistas-de-la-suiza-a-prisao/

agência de notícias anarquistas-ana

No azul do céu
O sol ofusca
Nas bolhas de sabão.

Rodrigo Luiz Ferreira

[França] Livreto: Ação direta contra os partidos de esquerda de 2014 a 2024

Se estamos defendendo a revolução social, então nossa crítica e a ação que se segue a ela não podem poupar essa esquerda política e autoritária

Introdução ao livreto:

Aqui está um livreto para fazer seu amigo social-democrata pular, aquele cidadão bom e respeitável que coloca sua cédula de votação na urna e vai para a cama com a consciência tranquila pela sensação de dever cumprido. O cidadão de esquerda que clama pela unidade sacrossanta todas as manhãs. Que afirma querer mudanças, mas quer preservar a estrutura. Que odeia os excessos, as revoltas, os ingovernáveis… sim, o apoiador dessa esquerda que espera, a cada eleição, tomar posse do aparato do Estado, fazendo belas promessas e apresentando-se como uma alternativa desejável.

Mas precisamos lembrá-lo? A esquerda eleitoralista é uma armadilha criada pelo capital para capturar a raiva e pacificá-la. Seu objetivo nunca será a destruição do Estado, a abolição de fronteiras e exércitos ou o fim do trabalho. Para governar, ela precisa de prisões, tribunais, delegacias de polícia e os funcionários que os acompanham. Por ser constitutivo do sistema político em que vivemos, ela só pode ser inimiga dos anarquistas.

Se defendemos a revolução social, então nossa crítica e a ação que se segue não podem poupar essa esquerda política e autoritária. E é também porque nos deparamos com essa esquerda no decorrer das lutas e mobilizações que sabemos muito bem como é necessário atacá-la, enfraquecê-la e combatê-la.

Abaixo os líderes e os representantes!

Pela autogestão e a revolução!

>> Formato PDF (página por página):

https://trognon.info/IMG/pdf/contrelespartisdegauche.pdf

Fonte: https://trognon.info/Brochure-Actions-directes-contre-les-partis-de-gauche-212

agência de notícias anarquistas-ana

Início de inverno —
Minha filha de dois anos
Ensino a usar “hashi”

Gyôdai

Rap e Funk Ostentação: Falência e Espetáculo

Se analisarmos o rap e o funk ostentação, o que teremos é basicamente a propaganda mais explícita do capital.

Por Arthur Moura

O crescimento notório entre os anos 2000 e 2020 projetou o rap, tornando-o popular, ao ponto de ser incorporado pelas classes médias e até mesmo pela burguesia. Esse longo período de duas décadas precisa ser analisado com mais cuidado para que se entenda melhor esse processo. Em meu livro O Ciclo dos Rebeldes: processos de mercantilização do rap no Rio de Janeiro, busquei, de alguma forma, analisar esse processo histórico. Essa expansão não significou somente a popularização dessa expressão musical. Para além de se tornar um intenso negócio lucrativo, transformando alguns rappers em milionários, seu projeto inicial fora subtraído à categoria de mera mercadoria. O que antes propagava ideias de enfrentamento e rompimento brusco com as principais estruturas opressivas, como a polícia, a justiça burguesa, as grandes empresas e o Estado, agora reforça toda a lógica desse poder, criando mais uma voz útil na legitimação dessas mesmas estruturas. Aos poucos, os rappers passaram a bajular o poder…

Se analisarmos o rap do Rio de Janeiro e São Paulo (hoje não mais os únicos polos do rap), o que teremos é basicamente a propaganda mais explícita do capital, propagada com orgulho e veemência. Essa propaganda forma a identidade do rap, que não mais se liga às lutas, mas a uma busca desesperada pela ascensão social. Essa é a pauta principal na boca dos rappers. Não à toa, rap e funk ostentação estão se fundindo como grandes conglomerados capitalistas para aumentar suas lucratividades. Filipe Ret, MC Ryan SP, Caio Luccas e Chefin recentemente lançaram o clipe “Melhor Vibe”, que é mais do mesmo, o clichê do clichê. A propaganda principal desses artistas gira em torno de demonstrar um estilo de vida opulento, conferindo distinção com a quase totalidade da população, sobretudo seus próprios fãs, a maioria jovens negros e pobres que sonham em algum dia sair da condição de precariedade. Como o contexto social brasileiro é de intensa miséria, a propaganda em torno dessas conquistas busca imprimir a mensagem de que todos são capazes de chegar ao topo, ainda que esse processo leve muito tempo (ou a vida toda – ou que nunca chegue).

Sendo referenciais para jovens em busca de alternativa, MC´s e grupos, empresários e comunicadores, tentam dar concreticidade ao clássico valor liberal da dedicação ao trabalho, já que eles mesmos ficaram ricos, supostamente comprovando suas teses. Aqui é importante ressaltar que a música está em segundo plano, tanto é que as produções musicais são absolutamente rebaixadas. O que está em primeiro plano é a propaganda, os negócios, o estilo de vida e o espetáculo. Como afirma Debord (1997), “o espetáculo não exalta os homens e suas armas, mas as mercadorias e suas paixões.”

Adorno faz referência aos movimentos artísticos revolucionários de 1910, afirmando que eles não proporcionaram “a felicidade prometida pela aventura”. O mesmo poderíamos dizer do Maio 1968 na França? “Pelo contrário, o processo então desencadeado começou a minar as categorias em nome das quais se tinha iniciado.” E conclui: “Com efeito, a liberdade absoluta na arte, que é sempre a liberdade num domínio particular, entra em contradição com o estado perene de não-liberdade no todo.” Nesse sentido Adorno pontua que o contexto geral foi mais determinante que as pretensões artísticas. Do mesmo jeito (mal comparando…), o rap se afundou numa busca infantil pelo poder. E notem que o termo infantil aqui não é utilizado gratuitamente. Os personagens construídos em torno desses sujeitos são direcionados a crianças (ou mentalidades infantilizadas de um modo geral), pré-adolescentes e adolescentes. Basta ver o público-alvo de artistas como MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, MC Ig, Oruam, Chefin, MC PH, Filipe Ret, Cone Crew Diretoria e diversos outros MC’s e grupos do RJ e SP. As letras são simplórias e carregadas de todo tipo de clichês, sendo de imediata assimilação, sem contar que os personagens, ao passo que buscam demonstrar segurança e solidez, são rasos e superficiais, abordando assuntos banais. MC Ryan, por exemplo, quando toma enquadro da polícia, elogia os agentes da repressão, além de filmar tudo dizendo aos fãs que a polícia está certa. Já que se tornou um milionário, seus valores buscam equiparar-se aos da classe dominante.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://passapalavra.info/2024/07/153522/

agência de notícias anarquistas-ana

Trovão ribomba
Galinhas levantam a crista
de uma única vez!

Naoto Matsushita

[Grécia] A polícia ataca uma ocupação anarquista na Universidade Aristóteles

08.07.2024

A polícia atacou uma ocupação anarquista localizada dentro do campus da Universidade Aristóteles, no norte da Grécia, na manhã de segunda (08/07).

A evacuação da autoproclamada “Cantina Autogerida da Escola Médica” aconteceu na presença de um oficial de justiça. Nenhum indivíduo estava presente no local durante a intervenção policial, e vários itens foram recolhidos.

Várias horas depois, um protesto ocorreu contra a operação.

Fonte: https://www.ekathimerini.com/news/1243455/police-raid-anarchist-squat-at-aristotle-university/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge –
Ah, o caminho da montanha!

Matsuo Bashô

[Espanha] Trabalhadoras do Madrid en Calle convocam uma greve por tempo indeterminado contra o Grupo 5

Depois de reuniões de última hora convocadas pela empresa, nas quais as funcionárias pensaram que iriam reconsiderar e mudar de ideia sobre a revogação de direitos adquiridos por décadas, eles finalmente só aceitaram o reconhecimento desses direitos para as trabalhadores da equipe do centro de trabalho antes de dezembro de 2022 (data em que o serviço SAMUR SOCIAL será separado da empresa). Desde então, os conflitos com a empresa têm sido contínuos, levando mais de um ano e meio com reuniões, especialmente na Inspetoria do Trabalho, nas quais esses direitos foram negados, reconhecidos novamente e, mais uma vez, negados.

Fomos forçadas a convocar uma greve por tempo indeterminado devido à violenta sensação de impunidade da empresa, que acredita que pode violar as leis mais essenciais sobre direitos trabalhistas e minar nossos direitos sem justificativa ou lógica. Nos sentimos enganadas e roubadas, e o pior é que não temos mais esse sentimento com essa empresa.

A decisão de greve foi apoiada por uma maioria retumbante na assembleia por toda a equipe da Madrid en Calle, incluindo as trabalhadores que fazem parte das seções sindicais CNT e Co.Bas, com 37 votos a favor de uma equipe de 44 trabalhadores.

Enquanto isso, a empresa não permite que essa seção participe ou assista a reuniões com o comitê, tendo sido ignorada em todos os momentos, a menos que seja forçada a fazê-lo por uma autoridade, e ainda não fornece um espaço para exercer nossos direitos sindicais, nem uma rolha, nem nada que o acordo de intervenção social obriga as empresas a fazer em seus artigos 37 e 38.

É por tudo isso que nossa paciência e impotência chegaram ao limite. Estamos fartas das mudanças repentinas de posição da empresa. Estamos fartas do fato de que hoje temos direitos que amanhã não sabemos se serão retirados. Que eles nos ignorem. Que mintam na nossa cara dizendo que não vão tirar nossos direitos.

Somos a seção sindical da CNT Madrid en Calle. Temos mais de 50% de nossos membros no local de trabalho. Como trabalhadoras de equipes de rua, exigimos ser ouvidas e recuperar nossos direitos. Por esse motivo, estamos convocando uma greve por tempo indeterminado em busca de

  • O cumprimento pela empresa dos acordos assinados entre a RR.TT e a RR.EE.
  • Sermos reconhecidas, por meio da seção sindical, como interlocutoras das trabalhadoras do centro (mais de 50% de afiliadas).
  • Ampliar nossos direitos em um setor altamente precário e melhorar a acessibilidade aos direitos adquiridos.
  • Reconhecimento da categoria profissional dos assistentes do EECC/PUE. Eles estão atualmente no Nível 3, pedimos que sejam reconhecidos no Nível 2.

Estamos cansadas de mostrar nossos rostos. Nos vemos nas ruas.

Madri nas ruas, Madri em luta!

Em Madri, 5 de julho de 2024

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/las-trabajadoras-de-madrid-en-calle-convocan-una-huelga-indefinida-contra-grupo-5/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A noite chorou
a bolha em que, sobre a folha,
o sol despertou.

Guilherme de Almeida

[EUA] Anarquista resiste ao Grande Júri na Carolina do Sul

Uma anarquista e musicista da Carolina do Sul foi recentemente intimada a comparecer diante de um grande júri federal. Ela pediu que outras pessoas compartilhassem amplamente esta declaração a fim de conscientizar sobre sua provação.

“Meu nome é Cyprus Hartford. Tenho 20 anos, sou musicista, mulher trans e anarquista. Em 5 de junho de 2024, fui parada na estrada por agentes federais e recebi uma intimação para testemunhar perante um Grande Júri Federal em Charleston, Carolina do Sul, em 13 de agosto de 2024. Após consultar amigos, familiares e advogados, tomei a decisão de contestar essa intimação e, se necessário, recusar-me a prestar depoimento perante o grande júri. Não permitirei que o Estado me intimide. Não colocarei minha comunidade em risco ao fornecer ao Estado informações que não têm nada a ver com comportamento prejudicial, mas que revelam informações particulares sobre nossas crenças, atividades e associações protegidas pela primeira emenda.

Os grandes júris são um processo arcaico e secreto por meio do qual o Estado obtém acusações. Eles foram abolidos em todos os lugares em que foram implementados, exceto nos EUA e na Libéria. Como anarquista, não acredito que nenhum tribunal deva ter o poder de condenar seres humanos à prisão, mas isso é especialmente verdadeiro para os grandes júris. Os grandes júris minam os direitos das testemunhas de se protegerem contra a autoincriminação, forçando-as a depor sob ameaça de prisão federal indefinida por desacato civil ao tribunal. É isso que estarei enfrentando por me recusar a cooperar. Os grandes júris quase sempre votam a favor do indiciamento, com uma exceção. Os grandes júris quase nunca acusam policiais brancos que atiram e matam pessoas negras. Esse processo legal é essencialmente um tribunal canguru¹. Ele não tem lugar em um país supostamente livre. Eu me recuso a participar do processo de carimbar uma acusação. Diferentemente de qualquer outro processo legal nos EUA, os grandes júris federais acontecem a portas fechadas. Não há advogado de defesa, nem juiz, nem imprensa ou público. Os processos secretos são inerentemente antidemocráticos e suscetíveis a abusos com motivação política.

Embora eu não acredite que essa intimação seja justificada, não fiquei surpreso ao recebê-la devido à repressão semelhante que está ocorrendo na área de Charleston. Em março, o mesmo agente da ATF que me entregou a intimação deixou um cartão na porta da casa de minha família. Durante a primavera deste ano, várias outras pessoas da região de Charleston, Carolina do Sul, foram intimadas e prestaram depoimento. A repressão estadual e federal está aumentando em todo o país. Após anos de sucessivos movimentos de protesto em massa, o Estado está reprimindo ainda mais a dissidência. Temos as ferramentas para poder lutar contra isso no tribunal. Quando recebi essa intimação, liguei para os advogados do movimento associados à National Lawyers Guild. Eles me colocaram em contato com pessoas que já estiveram na situação em que me encontro. Garantiram-me que eu não estava sozinho. As pessoas já estiveram em minha situação e tomaram as decisões que estou tomando. O Estado procura nos isolar e nos separar uns dos outros, mas somos mais fortes quando estamos juntos.

No momento, estou tentando encontrar um advogado para me representar no tribunal. Esse é um processo um tanto caro e difícil. Um link do gofundme para me ajudar com isso, bem como com as despesas de subsistência nesse meio tempo e com o possível financiamento no caso de eu ser presa por minha recusa em cooperar, pode ser encontrado aqui: https://www.gofundme.com/f/support-cyprus-against-state-repression. Qualquer dinheiro que sobrar depois de tudo isso será destinado a outras pessoas que estejam enfrentando a repressão do Estado.

Com amor e raiva,

Cyprus Hartford

It/they/ela²”

Notas:

  1. NT: Tribunal canguru é um termo do direito para um procedimento judicial no qual o julgador é manifestamente autoritário e/ou parcial, decidido desde o início a julgar de modo favorável ou desfavorável a uma das partes, independentemente do conjunto de provas.
  2. NT: Decidi não traduzir todos os pronomes pois eles têm um significado próprio nos países de língua inglesa que não tem equivalência na língua portuguesa.

Tradução > Contrafatual

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/02/14/eua-anarquista-opositor-de-grande-juri-esta-livre/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2013/06/21/eua-anarquista-estadunidense-e-preso-por-se-recusar-a-cooperar-com-um-grande-juri/

agência de notícias anarquistas-ana

No meio da noite,
A voz das pessoas que passam —
Que frio!

Yaha

[França] Protestos contra as Olimpíadas de Paris: “Uma betoneira para turistas e a especulação”

Com os jogos anunciando a exclusão urbana e um aumento na vigilância, perturbações e protestos marcam a passagem da tocha olímpica pela França

A atual emergência política na França ocorre apenas algumas semanas antes dos Jogos Olímpicos, que devem ser oferecidos como um falso símbolo de inclusão e internacionalismo. No entanto, o grafite “Zbeul Olympiques” é amplamente visto decorando a publicidade do metrô de Paris. Zbeul, que se pode traduzir como “uma baita de uma bagunça”, expressa a desconfiança dos oponentes em relação ao carnaval olímpico nacionalista e neoliberal.

Em Marselha, “100 dias de Zbeul Olympiques” estão sendo realizados em resposta à chegada da tocha olímpica à cidade. Em uma manifestação no dia 8 de maio, os manifestantes denunciaram “o advento de uma sociedade de vigilância generalizada” e a crescente exploração de “trabalhadores, especialmente voluntários e imigrantes sem documentos” por meio dos jogos olímpicos, que transformam as cidades em “uma betoneira para turistas e a especulação, ao por exemplo remover ‘indesejáveis'”.

De acordo com a Organização Comunista Libertária, a expulsão das ocupações de pessoas sem-teto em Paris continuou “em um ritmo infernal até as férias de inverno, e recomeçou assim que elas terminaram”, incluindo uma ocupação de quase 300 pessoas em Vitry e a ocupação Unibéton em Saint Denis. Algumas associações apresentaram a cifra de 4.000 pessoas sem-teto, muitas sem documentos, ameaçadas desde a primavera de 2023.

Há décadas, os jogos olímpicos têm feito com que as cidades abram caminho para um saque corporativo do espaço urbano: destruindo bairros pobres para dar lugar a uma vila olímpica, que mais tarde se torna uma área cara e exclusiva. Em vez de regeneração, as Olimpíadas trouxeram gentrificação. Em Paris, a vila dos atletas, para a qual foram destruídas 3 escolas, 19 empresas, 1 hotel e 2 residências, será convertida em escritórios, lojas, hotéis e residências de luxo, assim como o novo centro aquático olímpico próximo ao Stade de France. Parte do parque Courneuve também foi desclassificada para acomodar o grupo de mídia e dará lugar a residências de luxo em uma área onde as moradias já estão superlotadas. Desde que Paris foi designada como cidade-sede em 2017, os preços dos imóveis aumentaram 22,3%.

O aumento da vigilância estatal também é motivo de preocupação. Durante as Olimpíadas e bem depois (até março de 2025), o Estado francês imporá pela primeira vez a “vigilância algorítmica por vídeo”, ou seja, a coleta abrangente e a análise por IA de imagens de câmeras fixas e drones. Organizações de direitos humanos e sindicatos radicais temem que essa seja outra “medida excepcional” que se tornará permanente e que pode abrir caminho para a legalização do reconhecimento facial – já usado ilegalmente pela polícia nacional desde 2015.

Em St. Etienne, a “Event Sabotage Sports Association” (Associação Esportiva de Sabotagem de Eventos) convocou ações disruptivas durante a passagem da tocha olímpica na forma de “um grande passeio musical e esportivo”, incluindo “caminhadas-pinturas, danças de contato com a rua e cochilos dinâmicos”. Ativistas de solidariedade à Palestina também têm protestado contra a passagem da tocha em vários locais, incluindo Sisteron, Angers e Rennes. Os defensores do boicote pediram que Israel fosse excluído dos Jogos, da mesma forma que os atletas russos e bielorrussos só podem competir como neutros.

~ Daniel Adediran

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/07/03/a-concrete-mixer-for-tourists-and-speculation/

Tradução > anarcademia

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/06/13/franca-flemme-olympique-um-jornal-anarquista-contra-as-olimpiadas-e-o-mundo-que-as-hospeda/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/16/franca-paris-feira-anti-olimpiadas-no-domingo-19-de-maio/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/25/franca-jogos-olimpicos-a-conta-dispara/

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de granizo —
Compartilho com os pássaros
A minha varanda

Tony Marques

 

[Espanha] Traficantes de Sueños, a luta de uma livraria rebelde para não ser expulsa de Lavapiés por um apartamento turístico.

O coletivo madrilenho lança uma campanha para comprar o local com a ajuda de seus clientes, sócios e vizinhos: “Apostamos por nos manter no centro geográfico e político como lugar de resistência”.

Por Henrique Mariño | 02/07/2024

Ruas fotocopiadas, bairros intercambiáveis, urbes similares. A gentrificação, a turistificação e a globalização estão convertendo os centros das cidades em áreas temáticas —as mesmas lojas, os mesmos bares, os mesmos apartamentos— onde começam a escassear os vizinhos e os negócios tradicionais. Traficantes de Sueños, muito mais que uma livraria, resiste em Madrid, ainda que o anúncio da venda do local que ocupam na Rua Duque de Alba pôs a seus responsáveis em alerta em dezembro passado.

Buscar outro local apesar dos aluguéis subindo? Renunciar a um propósito que transcende a venda de livros, porque também editam, distribuem e agitam? Mudar de localização e deixar atrás o triângulo de Lavapiés, Tirso de Molina e La Latina? Não a tudo: seus vinte trabalhadores e trabalhadoras decidiram comprar o estabelecimento, reformá-lo e continuar com um trabalho crítico e reflexivo que os levou a receber o Prêmio Livraria Cultural em 2015, concedido pela Confederação Espanhola de Grêmios e Associações de Livreiros (CEGAL).

“Apostamos por nos manter no centro geográfico e político como lugar de resistência”, explica Charlie Moya, membro da Traficantes de Sueños, que convocou esta sexta-feira seus amigos, vizinhos, clientes e sócios para apresentar-lhes o projeto. “Encantaria-nos que passasses a fazer parte desta alegria coletiva”, convida através de suas redes sociais, onde deixa claro que a Senda de Cuidados, a Red Interlavapiés e Traficantes de Sueños decidiram preservar este lugar de “encontro e construção coletiva”.

Charlie Moya redunda no objetivo: “Que a militância madrilenha possa seguir tendo seu espaço”, cuja fisionomia remete a uma livraria, ainda que ele o entenda como “tudo o que passa por nosso edifício”: apresentações, debates, encontros, conferências, projeções, oficinas, cursos e um longo etcetera onde “seguir pensando juntas e construir em comum”. Também seus muros: ainda que o local custe 1,2 milhões de euros, necessitam outros 300.000 para a reforma, daí o chamado desta sexta-feira, às 19.30 horas, na Rua Duque de Alba, 13.

“A proprietária pôs à venda o local ante a obrigação de realizar umas obras cujo custo não quis assumir. Então pensamos que era o momento oportuno para continuar aqui, porque confiamos no bairro e nas vizinhas”, acrescenta o membro de um coletivo que opera como uma associação sem objetivo de lucro e que se define a si mesmo como um “projeto de economia social” e como uma “empresa política”. Sempre, segundo Charlie Moya, junto à cidadania, sobretudo nos “momentos críticos e necessários”, da eclosão do 15M ao auge do feminismo.

“Desde há mais de 25 anos abrimos nosso espaço ao debate, pelo que devemos seguir resistindo em um momento de mudança e incerteza. Também, consideramos que a compra do local suporia dar um salto”, pondera o membro da Traficantes de Sueños, que também publica ensaios, distribui livros de editoras alternativas, oferece serviços de desenho gráfico e organizam cursos através de Nociones Comunes, a quinta pata de uma iniciativa à qual haveria que somar o Espaço La Maliciosa.

Situado no bairro das Acacias —a quinze minutos caminhando, torrentera abaixo—, abriu faz dois anos em colaboração com Ecologistas em Ação e a Fundação dos Comuns, uma rede de propostas similares impulsionadas desde várias cidades do Estado que realiza trabalhos de investigação e estimula o pensamento crítico. O investimento, julga Charlie Moya, permitiria consolidar La Maliciosa como ateneu comunitário e converter a Traficantes de Sueños em uma referência não só madrilenha, mas também espanhol.

Entre outras medidas, ampliariam os fundos editoriais, um atrativo a mais para os clientes e os sócios, que apontam o projeto ao comprometer-se a um gasto mensal fixo. Muitos são vizinhos de Lavapiés e outros bairros centrais, testemunhos do assédio imobiliário ou já centrifugados pelo sistema. “Temos que permanecer neste espaço também para evitar que acabe sendo um piso turístico, um hotel ou um estabelecimento de uma grande rede”, conclui o porta voz da Traficantes de Sueños, integrada por vinte pessoas e que esta sexta-feira desvendará os passos a seguir para a compra do local.

Elas, Senda de Cuidados e a Red Interlavapiés aportarão 150.000 euros, mas necessitam outros tantos em doações para adquirir o piso, que conta com uma planta superior na qual se celebram debates e apresentações. Um quinto da quantia final, pelo que também aceitam empréstimos a 0% de interesse. Podem consultar todos os detalhes em #ConVosotrasSí: el proyecto de Duque de Alba se queda, onde facilitam a conta bancária de uma entidade que reivindica “a figura do livreiro como agitador cultural” e fomenta “o olhar crítico para a realidade e a cooperação cidadã”, segundo o jurado do XVII Prêmio Livraria Cultural.

Fonte: https://www.publico.es/culturas/traficantes-suenos-luta-libreria-rebelde-no-expulsada-lavapies-piso-turistico.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

No espaço, um brilho
qual uma folha viva:
O grilo.

Edércio Fanasca

[Itália] Ao lado de Juan. Por tantos e tantos motivos

Nunca esquecemos nossos companheiros, Juan livre, abaixo a POLGAI!

No próximo dia 16 de julho, às 9h30, no tribunal de Brescia, começará mais um processo contra nosso amigo e companheiro Juan Sorroche. A ação pela qual ele é acusado é um ataque explosivo ocorrido em 2015 na mesma cidade contra a POLGAI, uma estrutura que colabora com as polícias de vários países nas técnicas de controle de tumultos e contraguerrilha.

Quando os dispensadores de terror de Estado veem ser devolvida uma pequena parte de sua violência, a polícia política e o judiciário trabalham incessantemente para encontrar os responsáveis por tal afronta – ninguém ouse desafiar o monopólio burguês e estatal da violência! –, a ponto de esta ser a terceira vez que Juan é investigado pela mesma ação.

Qual é a máxima expressão do monopólio estatal da violência? A guerra. E enquanto os diversos complexos científico-militar-industriais nos arrastam para a terceira guerra mundial – do qual o genocídio em curso em Gaza é a mais brutal antecipação –, as retaguardas dessa mobilização total devem permanecer pacificadas. Por isso o aperto repressivo contra qualquer prática de luta não simbólica (pensemos no drástico aumento das penas programadas para os bloqueios de estradas, para as ações de resistência às obras das Grandes Obras ou até mesmo para a difusão de textos considerados “incitadores”). Por isso as pauladas contra os estudantes ou as represálias patronais-judiciais contra os carregadores. Por isso as requisições em caso de greve. Por isso as contínuas investigações contra companheiras e companheiros. Por isso o 41bis aplicado a Alfredo Cospito. Por isso o ataque às ideias e publicações anarquistas.

Em tempos de guerra, acabam-se as pantomimas garantistas. O Estado mostra seu rosto e seu martelo. As fronteiras entre frente externa e frente interna tornam-se cada vez mais difusas; o imigrante em luta se confunde com o antagonista, as revoltas nas periferias incitam os movimentos antimilitaristas no ventre da besta, às contestações nos campus universitários correspondem as resistências nos territórios atingidos pela fúria extrativista do capital.

Eis um exemplo dessas interconexões globais: na mesma seção especial da prisão de Terni onde Juan está há anos (e por vários meses também Zac), estão detidos militantes revolucionários cuja prisão se prolonga há quatro décadas e cuja história está diretamente ligada à luta contra a OTAN e contra o imperialismo. Desde janeiro passado, nessa seção está também preso o palestino Anan Yaeesh.

Embora a resistência conduzida por Anan nos territórios palestinos seja legítima até mesmo segundo as cartas de Direito internacional; embora todos saibam que nas prisões israelenses a tortura contra prisioneiros palestinos é praticada sistematicamente, o ministro da Justiça italiano acolheu o pedido de extradição de Anan por parte do Estado de Israel, enquanto a resistência armada contra o colonialismo sionista – hoje abertamente genocida – para os juízes italianos se torna “terrorismo”, a mesma acusação pela qual estão presos também os palestinos Ali e Mansour, a mesma acusação movida a Juan pela ação contra a POLGAI. Lembramos então que essa estrutura está ativa em Brescia desde 1974 (ano do massacre de Piazza della Loggia) e que entre as polícias com as quais colabora está também a israelense. E lembramos que na província de Brescia (Ghedi) há um ponto fundamental desse imperialismo ocidental ativamente cúmplice do massacre sem fim do povo palestino: uma base da OTAN onde estão armazenadas bombas nucleares capazes de desintegrar populações inteiras. O círculo se fecha.

É importante estar ao lado de Juan contra essa nova tentativa de enterrá-lo na prisão. Não apenas por solidariedade com um companheiro que sempre deu uma contribuição generosa às lutas. Mas também como uma oportunidade para relançar as iniciativas contra o terrorismo de Estado, contra o genocídio na Palestina, contra a guerra global, sua economia, sua logística, contra a repressão e pelo fim do 41bis. A solidariedade com Juan – e com os outros companheiros e companheiras na prisão – é para nós parte da mobilização a ser construída para o futuro processo contra Anan, Ali, Mansour.

Por uma Intifada mundial dos oprimidos e oprimidas. Para transformar a guerra dos patrões em guerra contra os patrões.

Como gritamos em Brescia durante as manifestações pelos cinquenta anos do massacre de Estado de Piazza della Loggia, “nossos companheiros nunca esquecemos, Juan livre, abaixo a POLGAI!”.

Companheiras e companheiros

Sábado, 13 de julho, a partir das 17h30 – largo T. Formentone (Piazza Rovetta), Brescia

Manifestação em solidariedade com Juan.

Terça-feira, 16 de julho, a partir das 9h00 na via Lattanzio Gambara 40

Presença solidária em frente ao tribunal de Brescia.

Fonte: https://ilrovescio.info/2024/06/08/al-fianco-di-juan-per-tanti-e-tanti-motivi/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/20/italia-juan-sorroche-condenado-a-28-anos-de-prisao/

agência de notícias anarquistas-ana

Tormenta hibernal —
O rosto do passante,
Inchado e dolorido.

Bashô