[México] Miguel Peralta: “Não desista compa, resista, nós aqui fora pensamos em você”

A seguir, escrito de Miguel Peralta pelo Dia Internacional de Solidariedade com Marius Mason e todos os prisioneiros anarquistas de longa data.

Não desista compa, resista, nós aqui fora pensamos em você – pensamos em vocês – sabemos como é difícil estar isolado, limitado, vigiado, que você está farto da lista de chamada, do uniforme terrível, do som dos cadeados, da comida, dos carcereiros.

Quero que você saiba que nós também sentimos a mesma raiva por esse maldito sistema de merda que nos separa.

Acho que às vezes o sorriso está ausente, mas não devemos permitir que tirem nossa felicidade, acho que desde que colocamos os pés na prisão estamos condenados, porque eles nos separam de nossos entes queridos, da natureza, de nossos compas, da luta, da lua, mas não há outra opção a não ser continuar resistindo para derrubar esses muros que nos separam.

A guerra que você enfrenta é muito desgastante, mas só você conhece esse combate perfeitamente. Com certeza você tem suas estratégias para ser livre no seu dia a dia, não deixe de sonhar, não desanime, espero que essas palavras abram uma brecha nesses muros e que seja o canal para poder nos ouvir, quero que saiba que não está sozinho, estamos esperando por você aqui, mando um grande abraço!

Liberdade e Anarquia!

Vamos queimar os muros das prisões!

Miguel Peralta

11/06/2023

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A neve está derretendo –
A aldeia
Está cheia de crianças!

Issa

Um convite à anarquia!

A anarquia é um conceito, um método, uma teoria, uma filosofia, uma proposta política. Tudo isso e nada disso!

Definir a anarquia é um grande erro, mas seria pior deixar que qualquer definição fosse realizada, principalmente por pessoas e grupos que não tenham práticas libertárias de fato ou que sejam apenas uma encenação sem profundidade.

Anarquia é ação compartilhada, é coletiva. Não se associa ao capitalismo ou ao Estado. Como percebem, é possível entender e rascunhar uma definição provisória sobre anarquia sobre o que não é ou não seria anarquia. Podemos arriscar até escrever que anarquia é uma experiência, uma vivência que se apoia em ações coletivas e individuais estabelecidas de forma em que não tenha opressão e exploração entre as pessoas participantes e nem de quem não esteja participando. Isso considera que quem não estiver nessa vivência, que não concorda, não poderá interferir de forma opressiva e exploratória naquela experiência.

Algo que destacamos é que a anarquia se mantém em transformação permanente e isso lhe confere uma enorme flexibilidade. Uma flexibilidade com uma condição (sempre tem uma pegadinha), de que cada pessoa envolvida não será oprimida e nem será uma opressora, de que cada pessoa envolvida não será explorada e nem será uma exploradora.

Aqueles delírios rebeldes da juventude, de fazer o que quiser sem nenhuma limitação, sem consequências, é um devaneio irresponsável de liberais que querem extravasar suas castrações e frustrações, de explorar e oprimir sem ter uma moral e uma ética atrapalhando.

Lamentamos que muitas pessoas tenham entendido isso e que muitas ainda usam e associam a anarquia ao caos, a baderna. Só haverá caos e baderna justamente para aquelas pessoas e grupos que estejam alicerçados em hierarquias, dominação, exploração, opressão e não querem que essa estrutura acabe. Para todas as que estão de fora da “festa”, que somos nós, pessoas oprimidas e exploradas, nos cabe o rompimento e a formação de qualquer estrutura que tenha o combinado básico e não negociável de não explorar, não ser explorada, não oprimir, não ser oprimida. Com isso posto, a imaginação é o limite!

Um brinde e um convite à anarquia, na luta somos dignas e livres!

anarkio.net

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O coração da aranha
se desfaz em geometria
de seda e mandala.

Yeda Prates Bernis

[São Paulo-SP] No CCS, 17/06: “Do Amor Livre à Anarquia Relacional”

Quando? Sábado, 17/06 (16h-18h) / Onde? Sede do Centro de Cultura Social de SP (Rua Gal. Jardim, 253, sl. 22, Vila Buarque – São Paulo) / Teremos intérprete de Libras.

Textos:

  • Um breve manifesto instrucional para a anarquia relacional – Andie Nordgren (2006)
  • Ciúmes: Causas e uma possível cura – Emma Goldman (1915)
  • Casamento e Amor – Emma Goldman (1910)

Orientações de Convivência:

Tanto a filosofia quanto a prática do grupo estão orientadas pelos princípios do anarquismo, ou seja, autogestão, autonomia, cooperação, solidariedade, liberdade, igualdade, responsabilidade, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo.

Tendo isso em consideração, pedimos gentilmente que siga as seguintes orientações para um melhor aproveitamento do encontro:

  • Atente-se ao foco do assunto em pauta, procure não desviar tanto do recorte proposto para o encontro.
  • Solicitamos o cuidado de não empregar termos e expressões capacitistas.
  • Busque falar de modo sucinto e objetivo, para que haja tempo de todas as pessoas que queiram se expressar tenham a oportunidade.
  • Levante a mão quando quiser falar, as facilitadoras do encontro irão buscar organizar as falas buscando equilibrar o tempo de fala entre todas as pessoas participantes.
  • Se quiser e puder, traga algo para um lanche coletivo, de preferência vegano ou vegetariano. Faremos café!

Evento aberto, gratuito, não necessita de inscrição, basta comparecer.

GRUPO DE ESTUDOS DE ANARQUISMOS, FEMINISMOS E MASCULINIDADES

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Algo de dança
nas algas,
quase canção dos corais.

Yeda Prates Bernis

Podcast | 5° episódio da série Militantes Libertárias e Libertários: Louise Michel

Este é o décimo quinto episódio da série Militantes Libertárias e Libertários, uma produção do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Anarquismo e Cultura Libertária, ancorado no Laboratório de Pesquisa e Práticas de Ensino em História do IFCH/UERJ, visando contribuir para a criação da memória de movimento anarquista, colocando em destaque mulheres e homens militantes que lutaram em prol do coletivo, da ajuda mútua e da solidariedade. Recuperar as contribuições dos anarquistas no campo das ideias e das lutas em que se engajaram, justifica esse trabalho no sentido de que possamos refletir sobre sua experiência histórica e o legado deixado por essa tradição. Neste episódio, contamos um pouco da trajetória da famosa anarquista Louise Michel.

Coordenação do podcast: Angela Roberti

Coordenação da série: Angela Roberti e Ingrid Ladeira

Texto: Samantha Lodi

Apresentação: Júlia Malheiros e Alícia Bastos

Vinheta: Leonardo Pereira

Arte da capa: Patrick Dansa

Link: https://open.spotify.com/episode/5K2kVkhm877qAH6ScxFR04

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as pálpebras do gato
ao ritmo das gotas
do candelabro

Valentin Busuioc

[Espanha] Novidade editorial: ‘Cinema al frente’, de Pau Martínez Muñoz

Por fim podemos anunciar o próximo lançamento da Fundação Anselmo Lorenzo: trata-se de “Cinema al frente“, um completo livro que revê o cine realizado pelo movimento anarquista na Guerra Civil espanhola. Uma situação na qual se estabeleceu um sistema coletivizado nas mãos dos e das libertárias, com uma filmografia insólita no conjunto da cinematografia espanhola e internacional. Seu autor? Pau Martínez Muñoz.

Falamos de um conjunto de filmes muito heterogêneo entre reportagens de Guerra, documentários e filmes de argumento. Um trabalho minucioso e ilustrado com infinidade de quadros extraídos das próprias produções mediante os quais Pau Martínez Muñoz, nos guia por um total de quarenta e quatro filmes.

Pau Martínez Muñoz recebeu no ano de 2006 o prêmio Cinema Rescat de Investigación Cinematográfica e publicou artigos relacionados com a filmografia anarquista, participando por sua vez em numerosos congressos da Asociación Española de Historiadores de Cine.

Cinema al frente

Pau Martínez Muñoz

Col. Imágenes, 4

Madrid, 2023

ISBN: 978-84-123507-8-4

266 págs.

Precio 24,00 €

fal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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ao vento de outono
a sineta de ferro
subitamente toca!

Dakotsu

[Áustria] Feira do Livro Anarquista de Viena!

Olá a todos,

Em breve acontecerá a Feira do Livro Anarquista de Viena! De 15 a 17 de setembro, queremos criar um espaço para nos reunirmos, lermos e discutirmos. Além das bancas de livros, haverá palestras, cozinha para todos e concertos – portanto, compareçam!

Se quiser entrar em contato conosco, escreva-nos um e-mail para a-bookfair-vienna@riseup.net. Portanto, traga seus companheiros e amigos, leia e discuta conosco – estamos ansiosos por isso!

Haverá mais informações no decorrer do verão em http://abuchmesse.noblogs.org.

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A mesma paisagem
escuta o canto e assiste
a morte das cigarras

Matsuo Bashô

 

[Chile] Chonchi: Ciclo de filmes contra a devastação dos territórios – 17 de junho

Convidamos toda a comunidade de Chonchi e arredores para a primeira sessão da Série de Filmes Contra a Devastação dos Territórios, nos encontraremos no SÁBADO 17 DE JUNHO às 15 horas em @tallerislatortuga, Pedro Montt 241 (a poucos passos da igreja de Chonchi).

A série de filmes começará com o documentário “Aquí Se Respira Lucha”, de 2018, que expõe a crise socioambiental na baía de Quintero-Puchuncaví. Esse documentário foi realizado pelo meio de comunicação Resumen @resumen.cl e o Cabildo Abierto de Quintero-Puchuncaví, e registra um dos momentos do conflito com maior mobilização popular, um conflito que ainda está latente na região de Valparaíso. No final da exibição, teremos um debate para compartilhar opiniões.

Durante o mês de maio deste ano, mais de 100 estudantes foram intoxicados por gases tóxicos e material com partículas tóxicas. Durante esses dias, eles não puderam realizar suas atividades escolares devido à gravidade do ar. A luta das comunidades pela defesa da vida continua com mobilizações estudantis e populares.

Todos os dias a ordem vigente, por meio da mídia hegemônica, quer nos fazer engolir de olhos fechados o seu discurso da “ideia de progresso”, ou seja, o avanço desenfreado do capitalismo que transforma tudo o que é necessário para a vida em mercadoria, destruindo em seu caminho os ecossistemas e as possibilidades de uma vida sem suor. É contra isso que estamos levantando essa atividade aberta: para refletir coletivamente e quebrar a normalidade do desastre ambiental produzido pelas grandes indústrias-empresas.

Estamos esperando por você!

Fonte: https://lapeste.org/2023/05/chonchi-ciclo-de-cine-contra-la-devastacion-de-los-territorios-17-junio/

Tradução > Liberto

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Profundo silêncio.
Na escuridão da floresta
Dançam vaga-lumes.

Eusébio de Souza Sanguini

[Argentina] Mar del Plata: As Petroleiras Pelo Mar Não Passarão

  • Mais um dia 4 [de junho] nas ruas…

 

  • Mar livre de petroleiras, hoje e sempre!

Mais uma vez, o dia 4 do mês que se inicia é novamente um mês de luta e nas ruas denunciando o “Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento InSustentável da Nação, o elo administrativo que o extrativismo requer para avançar sobre nossos bens comuns e territórios. Por meio de falsas consultas e audiências públicas manipuladas pelas empresas petrolíferas, acabam concedendo licenças ambientais a projetos ecocidas. E, por outro lado, por meio das forças repressivas do Estado e do sistema de justiça, perseguem, processam e prendem aqueles de nós que resistem às suas políticas, dando luz verde a uma ditadura extrativista cada vez mais evidente”. Essas foram algumas das palavras que foram ouvidas hoje no documento da Assembleia por um Mar Livre de Petroleiras que mais uma vez disse e demonstrou que na cidade não há licença social para as empresas petrolíferas.

#mardelplata #Atlanticazo #marlibredepetroleras #fueraequinor #fuerapetroleras

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um raio de sol
transluz — balança a cortina…
borboleta amarela!

Douglas Eden Brotto

[Itália] Alfredo Cóspito volta ao cárcere de Sassari. Espera-se para 19 de junho a vista para determinar (ou não) a condenação.

O companheiro anarquista Alfredo Cóspito, ainda confinado no 41 bis após uma longa greve de fome nos últimos meses, regressa ao cárcere de Bancali, em Sassari, onde se encontrava antes de ser transladado ao cárcere de Opera, em Milão. O translado da Sardenha a Lombardia aconteceu em janeiro, devido a seu estado de saúde provocado pela greve de fome iniciada em outubro e finalizada em 19 de abril.

Alfredo Cóspito, depois de 181 dias, havia interrompido sua greve de fome após a decisão do Tribunal Constitucional de abrir o caminho a uma condenação reduzida para o companheiro, abandonando a norma que havia obrigado o Tribunal de Apelação de Turim a condenar-lhe necessariamente a prisão perpétua pelo atentado contra a Escola de Cadetes de Carabinieri de Fossano.

Em 19 de junho se celebrará ante o Tribunal de Apelação de Turim uma vista para a possível redeterminação da condenação.

Atualização com o advogado de Alfredo, Flavio Rossi Albertini.

Fonte Buskando La Kalle

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/19/italia-cospito-encerra-greve-de-fome/

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Na multidão
Bundobolinas trafegam
Na contramão

Levi Bucalem Ferrari

[Peru] No Rio Amazonas, indígenas capturam dois navios que transportavam petróleo

Os Kokamas são um povo indígena da Amazônia, que vive entre o Peru e a Colômbia. Na terça-feira (06/06), usando canoas, um grupo de indígenas cercou duas barcaças que transportavam petróleo em um dos rios da imensa floresta, antes de capturar essas embarcações. Um verdadeiro ataque “com coquetéis molotov”, explica a petrolífera canadense PetroTal, proprietária dos navios. Uma das barcaças está carregada com 40.000 barris de petróleo. A PetroTal é a maior produtora de petróleo bruto do Peru.

“No momento, temos duas barcaças, uma delas de bandeira brasileira, com tripulação brasileira, e a outra é peruana”, disse José Luis Medina, representante da companhia, ao canal TV Peru.

Com todo o seu cinismo, a PetroTal ousa acusar a captura das suas barcaças de “muito perigosa com risco de impacto ambiental na região”.

Esta ação é organizada contra esta multinacional, em nome da preservação da natureza. Pela internet, simpatizantes da Associação Indígena para o Desenvolvimento e Conservação do Bajo Puinahua (Aidecobap) acusam a PetroTal de destruir o meio ambiente “com total impunidade”. Em março, esses militantes ocuparam uma plataforma de petróleo na Amazônia peruana. Na região de Loreto, no norte do Peru, os indígenas também bloquearam a passagem de petroleiros em um rio.

Recorde-se que em fevereiro de 2022 um oleoduto vazou no meio de uma reserva natural da Amazônia, derramando mais de 6.000 barris de petróleo e causando danos consideráveis ao ecossistema e aos habitantes. Em janeiro do mesmo ano, ocorreu um vazamento de óleo na costa do Peru: 11.900 barris de óleo vazaram no mar devido a um vazamento durante o descarregamento de um navio-tanque. E esses não são os únicos desastres causados nos últimos anos pelas petrolíferas no país.

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Num atalho da montanha
Sorrindo
uma violeta

Matsuo Bashô

Rap Combativo | Ktarse – Contra O Marco Temporal

Parte I (Marcos Favela)

O Marco Temporal e um ataque orquestrado / Pelo governo contra os povos originários / Propagadores da violência e carnificina / Eles demarcam todas as terras indígenas

Mais um projeto genocida do estado / Para atender imperialistas arrombados / A existência do Marco Temporal / É um massacre ao povo ancestral

Do povo indígena que nunca se entrega / Ao M.T. que vende sua terra / Covardemente destroem a Amazônia / Grandes negócios no Brasil colônia

Eles transferem os recursos híbridos / De mão beijada pros donos do garimpo / Sobra riqueza pro setor energético / Destroem o solo com exploração do minério

Economia verde é só ideologia / Que manipula os crimes ruralistas / Das mineradoras e do agronegócio / Dos madeireiros, grileiros ambiciosos

Especuladores das terras e jazidas / Segmento econômico, político ecocida / Nenhum governo vai enfrentar o capital / Só o povo para derrubar o Marco Temporal

REFRÃO

Resistência indígena contra a opressão / Lutando e inflamado a rebelião / Contra os ataques do Estado e do capital / Revoguem essa porra de marco temporal

Parte II (Rodrigo)

Desde a invasão do colonizador em nossas terras / Somos atacados com violência e guerras / Invasores europeus gananciosos capitalistas / Sanguessugas das riquezas da América latina

Seja na colônia, no império, ou na republica / O genocídio indígena se perpetua / Através da escravidão, rapinagem, saques / Morticínio, matança, requintes de crueldade

Disseminado pelos imperialistas / Europeus e estadunidenses belicistas / O resultado do cenário avassalador / Vidas ceifadas pela ambição do colonizador

Corpos indígenas empilhados em covas rasas / Mortos por inanição, doenças, cruz, balas / Aldeias incendiadas, ataques armados / Criminosos financiados por latifundiários

Apoiados pelo agronegócio e ruralistas / Capitalistas em busca de minérios e jazidas / Nenhuma lei ou ministério indígena / Vai barrar os interesses colonialista

Só com as forças das ruas insurgentes / Com rebelião popular combatente / Poderá barrar a expansão do capital / Revoguem essa porra de marco temporal

REFRÃO

Resistência indígena contra a opressão / Lutando e inflamado a rebelião / Contra os ataques do Estado e do capital / Revoguem essa porra de marco temporal

Parte lll (Leal)

Somos um povo forte no campo e na cidade / Temos que fortalecer a combatividade / Juntar forças e fazer ecoar a nossa voz / Contra as políticas de morte no nós por nós

Reagir contra aqueles que querem nos destruir / Ousar lutar e se rebelar até o fim / Contra os políticos financiados pela indústria do minério / Assassinos sociais que estão no congresso

Elaborando leis para legitimar o genocídio / Para o Estado encobrir os crimes dos ricos / Aos playboys tudo é permitido nesse cenário / Até tirar aquilo que para nos é mais sagrado

Nossas vidas e nossos territórios / O racismo ambiental é notório / O alastramento das políticas sanguinária / Lubrifica essa engrenagem macabra

Onde o cifrão está acima da vida e da natureza / Mais não vamos se reder pra esse sistema / Igual nossos ancestrais lutaram e resistiram / continuaremos trilhando seus passos e caminhos

Batendo de frente, trancando vias / Enfrentando os jagunços e a policia / Marchando e lutando com determinação / Abaixo esse porra ou segurem a rebelião

REFRÃO

Resistência indígena contra a opressão / Lutando e inflamado a rebelião / Contra os ataques do Estado e do capital / Revoguem essa porra de marco temporal

>> Para ouvir, clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=MxEZPzhqXvY  
 

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o lutador, na velhice,
conta à sua mulher o combate
que não devia ter perdido

Buson

[Argentina] Petroleiras no mar: “Há toda uma campanha publicitária a favor da indústria Petroleira, ocultando a informação sobre os impactos negativos que gera”

No marco do décimo oitavo “Atlanticazo” realizado pelas comunidades costeiras em defesa do mar, ante os avanços dos projetos petroleiros, no “Enredando Las Mañanas”, entrevistamos Fernanda, integrante da Assembleia por um Mar Livre de Petroleiras. Contou sobre as mobilizações deste último 4 de junho, às quais se somam cada vez mais localidades costeiras, chegando até Ushuaia. Informou sobre o que ocorre no Golfo San Matías, com a tentativa de construir um porto e oleoduto para exportar hidrocarbonetos provenientes de Vaca Muerta e quais são os avanços dos diversos projetos petroleiros. Detalhou a função do Ministério de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Nação, que aprova informes de impactos ambientais insuficientes e não ouvindo a voz de moradores nas audiências públicas. “Há toda uma campanha publicitária, notas públicas, permanentemente falando a favor da indústria Petroleira, da excelência da tecnologia, ocultando a verdadeira informação sobre os impactos negativos que gera em todos os territórios. E menosprezando as comunidades que nos organizamos inclusive até tratando-nos de “fascistas ambientais” para isolar-nos da população.”, afirmou. Por Rede Nacional de Meios Alternativos.

Conte-nos sobre o “Atlanticazo” de domingo e desde quando já vêem saindo todos os 4 e por quê?

Ontem foi o décimo oitavo “Atlanticazo”. Uma ação que vem se realizando desde janeiro de 2022. Esse 4 [de junho] foi o primeiro e foi uma mobilização massiva em nossa cidade e também se fez em outros pontos da costa e do país. Se deu como resultado da resolução do Ministério de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Nação que decidiu autorizar a exploração sísmica em três áreas marítimas a 300 km da costa, apesar de que em uma audiência pública realizada esse ano, deu como resultado uma forte oposição ao projeto petroleiro. O Ministério decidiu dar-lhe curso e isso desencadeou uma resposta massiva por parte das comunidades costeiras e de todo o país que acompanhou nossa reivindicação com muita força e contundência. A partir desse momento seguimos sustentando todos os 4 de cada mês, não só em Mar del Plata mas em outras localidades.

Quê outras localidades se somaram?

A partir de toda a ação que vinhamos realizando faz quase dois anos, vem se formando uma rede de comunidades costeiras. Em princípio a cidade de Buenos Aires, Mar del Plata, Necochea, Miramar, Bahía Blanca, Mar Chiquita, o Partido da Costa e pouco a pouco pudemos estender esta rede até o resto das províncias que tem frente marítima e hoje já há comunidades em Río Negro, Chubut. En Santa Cruz está começando a se desenvolver e na Tierra del Fuego, que é uma comunidade onde historicamente houve off shore, desde a década de 70. Ali nunca havia se dado um processo de oposição e hoje já há mobilizações todos os 4, que fazem algumas ações de visibilização e de presença. Também “atlanticazos” em Ushuaia e Río Grande.

Comente-nos o que está ocorrendo no Golfo San Matías?

No Golfo San Matías há um processo de resistência que vem se dando encabeçado pela comunidade de Las Grutas mas somadas a outras que estão na zona e que tem que ver com o avanço do extrativismo petroleiro que pretende seguir avançando, destruindo e despojando nos territórios. O governo provincial, no ano passado, apresentou um projeto de modificação da lei 3308 que protegia o golfo San Matías das atividades hidrocarboníferas. Quer dizer, não se podia fazer exploração, e tampouco instalar nenhum porto de saída de hidrocarbonetos. Isto é porque o Golfo é uma área de muita riqueza biológica e ademais conhecida a zona por atividades de mergulho. O governo apresenta o projeto de modificação que é aprovado pela legislatura de Río Negro com a oposição da comunidade, habilitando a que se instale um porto na zona de Punta Colorada, desde o qual sairiam hidrocarbonetos provenientes de Vaca Muerta, quer dizer que para isso também há que construir um oleoduto, o que se vai exportar através desses portos é petróleo. O oleoduto será desde Vaca Muerta atravessando todos os territórios até chegar à costa rionegrina.

Em 3 de junho houve uma ação simultânea em diversos pontos do percurso convocado por organizações, sindicatos e comunidades tehuelche e mapuche de Río Negro e Neuquén para manifestar-se contra a construção do oleoduto que hoje já está em um processo de consulta pública fraudulenta. Também para  manifestar-se contra esta modificação ilegal porque é o que definitivamente termina habilitando que o projeto de exportação de hidrocarbonetos avance.

Como está a situação a respeito do avanço da exploração sísmica?

Há vários momentos nos quais foram se dando avanços do projeto petroleiro. Uma foi quando a Câmara Federal de Mar del Plata decide dar baixa na medida cautelar em meio das férias judiciais no verão. Alegando que o governo e as corporações cumpriam com todos os parâmetros que se requeriam para gerar o controle e planejamento em casos de que houvessem inconvenientes. Só algumas precauções pontuais, mas habilitando que a empresa Equinor comece a fazer exploração sísmica a 300km da costa. Esse processo não começou porque por um lado o navio sísmico não estava disponível e por outro,  porque para estas áreas marítimas a janela de tempo de trabalho é de outubro a  março pelas condições que se dão, requer que seja na primavera-verão. Então ainda não começaram mas vem anunciando que com total segurança, coisa que nós pomos em dúvida, que começarão em outubro. O pomos em dúvida porque entendemos que a resistência segue crescendo e que em comunidade ainda estamos em um plano de luta para defender o mar e nossos territórios costeiros.

Por outro lado seguem fazendo consultas públicas por outras áreas marítimas. Houve uma no ano passado, uma consulta por outro bloco que finalmente obteve sua declaração de impacto ambiental em abril deste ano. Essa área marítima está em uma zona que limita com o Uruguai e agora em maio abriu-se uma consulta virtual por outras áreas CAN 107 e CAN 109, que estão a 200km da costa de Mar del Plata, muito mais perto que as outras.

O que estamos vendo é que enquanto as comunidades seguimos nos organizando, o governo e as corporações seguem avançando por fora da voz do povo, não a ouvindo, seguem com as autorizações que são meros trâmites administrativos para eles. O único que fazem é convocar uma audiência virtual muito “aparelhada” por Petroleiras. Porque definitivamente os trabalhadores dessas empresas seguem anotando para participar como se fossem moradores das comunidades e o que termina sucedendo é que o Ministério, independentemente, do resultado da consulta pública, da licença ambiental. Não tem sentido. Por isso como Assembleia já decidimos não participar mais. Não damos mais aval a esse “circo midiático-administrativo” que se dá no marco do Ministério do Ambiente que hoje não cumpre nenhuma função em termos de proteção do ambiente e da sociedade.

Nestas audiências no geral são maioria de moradores ou termina sendo maioria de gente alheia ou pró Petroleiras?

A maior participação se dá por parte de moradores das comunidades dos territórios mas o que vemos é que as vozes a favor vem pela mão de gente vinculada economicamente à atividade Petroleira, ou é trabalhador da mesma, ou é parte da atividade subsidiária à Petroleira ou pertence a algum sindicato que de alguma forma vai se beneficiar com o projeto. Como é o caso da CGT local, porque já tem seus acordos políticos com o governo nacional, lhes prometeram postos de trabalho e outras coisas mais. As vozes a favor vem com interesse econômico por trás. As vozes de moradores são contra com argumentos mais que válidos, o que se diz a favor são os mesmos espelhinhos coloridos que se reproduzem cada vez que o extrativismo baixa em um território, seja através de megamineração a céu aberto, fracking, projetos imobiliários, etc. Sempre falam de milhares de postos de trabalho, de sair da pobreza, dos milhares de dólares que vão chegar. Desenvolvimento econômico.

Há toda uma campanha publicitária, notas públicas, permanentemente, falando a favor da indústria Petroleira, da excelência na tecnologia, ocultando a verdadeira informação sobre os impactos negativos que gera em todos os territórios, não somente na Argentina mas em todo o mundo. E menosprezam as comunidades que nos organizamos inclusive até tratando-nos de “fascistas ambientais” para isolar-nos da população.

Qual é o desafio que temos as comunidades para enfrentar estes projetos extrativistas?

Em princípio o grande desafio é seguir organizando-nos. Levamos quase dois anos de organização Assembleária, autogestiva, de coração, sem recursos. É um grande desafio porque vivemos hoje, submergidos na necessidade cotidiana de sobreviver, isso é muito difícil para a maioria de nós poder participar e por este tempo voluntário e comprometido a serviço de uma causa comum. Para muitos significa deixar horas de estar com nossas famílias, as vezes resignar horas de trabalho para poder sustentar as atividades que se realizam desde as Assembleias. Isso requer poder chegar com as mensagens a toda a comunidade para que cada vez sejamos mais para aportar um grãozinho de areia, ainda que seja pequeno para sustentar a resistência porque o que se vê é um panorama tremendo para todos os territórios costeiros.

É um grande desafio neste momento tão vertiginoso de nossa sociedade, sustentar comunidade em resistência mas é o único caminho, de maneira individual, não vamos chegar. É a grande força que temos como povo, gerar ações e enfrentarmos os problemas que nos desafiam permanentemente.

Fonte: https://rnma.org.ar/2023/06/08/Petroleiras-en-el-mar-hay-toda-una-campana-publicitária-a-favor-de-la-indústria-Petroleira-ocultando-la-informacion-acerca-de-los-impactos-negativos-que-gera/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

o pardal
foge do frio
no bolso do espantalho

Cláudio Feldman

[Suécia] Ajude-nos a imprimir o livro infantil anarquista

O coletivo de mídia anarkism.info está fazendo um livro de ABC anarquista para crianças em sueco. O livro tem vários propósitos. Em primeiro lugar, o objetivo do livro é dar às crianças de 7 a 12 anos a oportunidade de ler um livro com perspectivas anarquistas em sueco. Além disso, daria aos pais anarquistas acesso à literatura infantil em sueco com perspectivas anarquistas, que eles podem dar ou ler para crianças. Outro objetivo do livro infantil é divulgar informações aos interessados sobre o que pode ser o anarquismo. Finalmente, o livro visa promover a comunidade e união dentro da comunidade anarquista na chamada Suécia.

O livro de ABC descreve palavras anarquistas, conceitos, fenômenos e pessoas em ordem alfabética. Ao longo do livro são usados exemplos bem conhecidos do movimento anarquista na Suécia. O livro será ilustrado por vários ilustradores da comunidade anarquista da chamada Suécia. O livro infantil é fruto de um trabalho sem fins lucrativos.

AJUDE-NOS A IMPRIMIR O LIVRO INFANTIL

Estamos agora em um estágio de trabalho em que começamos a planejar a impressão do primeiro livro anarquista ABC em sueco. Vamos imprimir 50 livros para começar. A impressão dos livros custa SEK 5.500. Para imprimir o livro infantil, precisamos de ajuda com contribuições financeiras e, portanto, estamos iniciando uma campanha de arrecadação de fundos para financiar a impressão. O dinheiro doado para a arrecadação será usado para imprimir o livro ABC. (O livro infantil não será impresso/publicado por uma editora estabelecida, nós mesmos cuidaremos da impressão do livro)

O livro infantil é um projeto de longo prazo. O dinheiro gerado com a venda do livro será usado para imprimir mais exemplares do livro ABC. Desta forma, o livro infantil torna-se um projeto financeiramente independente.

O livro estará disponível para venda em feiras de livros radicais e livrarias autônomas na Suécia, bem como em nossas próprias plataformas.

>> Para apoiar, clique aqui: https://www.firefund.net/abcbook

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

sombras pelo muro:
a borboleta passa
seguindo a anciã…

Rosa Clement

[França] Chamada para ação: Pare a Lei Kasbariana!

PARE A LEI KASBARIANA! Pare a criminalização de ocupações, inquilinos e trabalhadores na França e em todos os lugares!

De 7 a 14 de Junho a Coalizão de Ação Europeia pelo direito à moradia e à cidade (EAC) convoca uma semana de ações em toda a Europa contra a lei “anti-squat” ou lei kasbariana na França.

Reúna-se e proteste em frente às embaixadas francesas por toda a Europa!; pendure um banner, tire fotos e compartilhe nas redes sociais #STOPKASBARIANLAW

A chamada ‘lei Kasbariana’, também conhecida como ‘lei anti-squat’, que será finalmente votada no dia 14 de junho na Assembleia Nacional Francesa e no Senado, marca um ataque sem precedentes à moradia e aos direitos políticos e suas consequências sobre ocupações, inquilinos, pessoas sem casa e trabalhadores em greve. Resumindo: a ocupação – possivelmente com uma definição muito ampla – será punida com dois anos de prisão e multa de 30.000 euros.

Como nunca antes, os direitos sociais estão em jogo no meio da Europa e sabemos que, se esta lei for implementada na França, outros países poderão seguir este mau exemplo que preocupa a todos nós. É por isso que convocamos ações junto às embaixadas e consulados franceses de 7 a 14 de junho!

www.housingnotprofit.org

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

meio dia
dormem ao sol
menino e melancias

Alice Ruiz

[Espanha] Azeite Solidário

Desde 2014 trabalhamos na distribuição de azeite solidário, azeite que destina seus lucros para apoiar organizações, ajudando a pagar gastos judiciais e multas em casos de repressão e ao mesmo tempo fazer chegar o fruto de nosso trabalho às pessoas que o merecem. Se queres solidarizar-te e colaborar podes contribuir comprando este azeite verde de oliva virgem extra de primeira prensa a frio que elaboramos uma pequena cooperativa de militantes do SOC-SAT, um Azeite de luxo com azeitonas de pequenos agricultores e agricultoras da zona. Azeite duplamente solidário. Ante a repressão e pela manutenção de nossas lutas, nosso riquísimo apoio mútuo.

Atualmente temos estas 3 campanhas ativas:

• Sindicalistas da CNT Xixón enfrentam multas de mais de 150.000€, gastos judiciais e penas de cárcere por reclamar seus direitos.

• Uma forma de apoiar e colaborar na luta da Coordenadora de Astúrias em Defesa do Sistema Público de Pensões em seu objetivo de defender uma aposentadoria digna e suficiente!

• Joel, vítima da Operação Catalunha por dar suporte digital e defender a web do referendum em 1º de outubro de 2017 dos ataques que sofria.

>> Mais infos: https://AzeiteSolidário.fun/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

para onde
nos atrai
o azul?

Guimarães Rosa

[Chile] Santiago: Rifa solidária com o Arquivo Histórico La Revuelta

A todos os nossos amigos da região chilena e de todo o mundo. O Arquivo Histórico La Revuelta necessita de sua ajuda, estamos vendendo números de rifa com o objetivo de manter vivo nosso projeto, estamos em tempos de necessidade econômica e sabemos que contamos com vocês.

No cartaz [em destque] descrevem-se os prêmios e a conta para transferência, em privado podem solicitar o número de rifa que desejam.

Se queres contribuir desde fora do Chile, em privado podes comunicar-se conosco, agradecemos as demonstrações de apoio e solidariedade.

Viva a memória negra, viva a anarquia!

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/15/chile-lancamento-da-revista-acontratiempo-n4/

agência de notícias anarquistas-ana

A princípio: “O que é aquilo?”,
Mas depois…
“Campos de arroz!”

Paulo Franchetti