
Nesta 11ª versão da feira anarquista do livro e da publicação, invocamos e convocamos a alquimia que jaz nos caldeirões onde se forja o que sustenta a vida: o alimento. O cuidado das mãos que descascam, amassam, fatiam, esperam, lavam e servem serão as topografias que exploraremos para que essas palavras das quais nos gabamos conhecer, como autonomia e autogestão, nos deem pistas de como rondá-las de maneiras mais apropriadas, dada a situação presente na qual estamos, onde a fome é uma das formas de sofisticação do aparato do Estado em sua versão mais macabra: o genocídio.
Nutrir-se supõe brincar com os elementos que possibilitam o movimento em espiral do orgânico e inorgânico: água, fogo, terra, ar. Recordar nossas composições e sua tendência à decomposição nos põe em contato com o comum que nos chama, a eterna metamorfose que supõe o ato mesmo da cocção, fermentação e compostagem. Misturas às quais recorremos como quem não pode fazer outra coisa, com aquela doce suavidade que impregna o ímpeto do selvagem. Acorrer, atender, sintonizar-se, disso sabe a alma vegetal que nos compõe, o repouso mineral que nos sustenta e o olhar aberto do animal que não duvida, mas que simplesmente: sabe. Nutrir a própria vida supõe costurar comunidade e solidão, que não é senão a outra face da anarquia. Recordar sua tão potente e difícil etimologia: anarkhia, sem origem, sem princípio, sem mando. Temos atendido ao que isso supõe? Talvez seja hora de olhar para nossas mãos e saber o que estas fizeram e o que podem; entre um calo e outro, entre uma linha oblíqua e uma reta, tecem-se histórias de comunidades que migram, se enraízam e desenraízam, se deslocam e fazem ninho. Jaz, pois, a memória entre nossas mãos e seus tão necessários esquecimentos. Então voltar: acorrer, atender e sintonizar-se, sejam os modos pelos quais pensemos que a anarquia seja a única possibilidade de coabitar com tudo quanto existe, sem que a fome seja uma arma de guerra, mas a forma mais elementar do movimento.
Fazemos um chamado para participar deste caldeirão ácrata onde poderão ofertar o que o território de suas mãos lhes sugerir.
Mais infos: https://www.instagram.com/feria.anarquista.del.libro.ylp/
Tradução > Liberto
agência de notícias anarquistas-ana
o sapo, num salto,
cresce ao lume do crepúsculo
buscando a manhã
Zemaria Pinto















Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!