
Jean Vigo, morto aos 29 anos por tuberculose, cineasta essencial regularmente redescoberto, autor de quatro filmes, em que somente o último, ‘L’Atalante’, é um longa metragem, foi filho do anarquista Miguel Almereyda “suicidado” na prisão em 1917. Atormentado pela morte do pai, Vigo não cansou de tentar reabilitar sua figura, quando a tarefa não foi possível, manteve-se sempre fiel à memória e aos ideais paternos.
Foi um cineasta engajado e impertinente, dotado de uma concepção da vida, da liberdade, do compartilhar e da solidariedade que zombava dos poderes político, religioso e militar.
Sua obra, frequentemente censurada, foi desfigurada pelo Estado e por seus produtores, de modo que, não seria falso dizer, que ‘À propos de Nice’, seu primeiro filme, é o único em que ele pôde se expressar fora de todo controle, em uma liberdade perfeita… O trabalho ideal.
É a uma viagem através desse filme único, em que um incêndio denuncia, sob o disfarce do carnaval, as desigualdades sociais, metáfora da revolta que varrerá os poderosos – filme em que Isabelle Marinone, especialista em cinema libertário, diz que é “uma bomba de celuloide” – que Thierry Guilalbert nos convida.
É tempo de devolver a Vigo, muitas vezes confiscado pelos sábios especialistas, reduzido a um cineasta ingênuo, ou pior, a um modelo do comunismo, a sua dimensão libertária.
Jean Vigo Libertaire: À propos de Nice
Thierry Guilabert
ISBN : 978-2-900886-00-7 – 15 €
Tradução > P.O.A.E.F.
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crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!