
Na segunda-feira passada, dia festivo em Valência, às 19:15 horas, umas oitenta pessoas se concentraram na plaza de la Virgen, convocadas pela Assembléia Popular Valência contra as Guerras. O objetivo da concentração era, segundo dizem as convocantes, manter viva a denúncia da escalada belicista, e do crescente militarismo da Europa, cada vez mais subordinada aos interesses estadunidenses. Também exigir o cessar imediato de todas as ações militares e o início de uma negociação entre a Rússia e a Ucrânia para deter a guerra.
A Assembléia Popular Valência contra as Guerras agrupa vinte e uma organizações e coletivos da cidade: associações de moradores, sindicatos, grupos feministas, ecologistas, de solidariedade com os países do Sul e as pessoas migrantes, pacifistas e antimilitaristas. Se constituiu em maio de 2022 para condenar a invasão russa da Ucrânia e estruturar um movimento contra as guerras na cidade de Valência.
As organizações convocantes denunciaram a agressão do governo russo ao ordenar a invasão da Ucrânia, mas também as responsabilidades das potências ocidentais e da OTAN, que estão a anos alimentado políticas expansionistas e de confronto com a Rússia. Também que a União Européia está se convertendo em um ator chave da escalada bélica, enviando mais armas ao exército Ucraniano e aumentado os orçamentos militares de seus países membros, ao mesmo tempo em que descarta a via da negociação e não dá o impulso necessário a medidas eficazes para enfrentar a emergência climática e as crescentes desigualdades sociais, que afetam a toda a humanidade.
Se dá a circunstância que também ontem, o SIPRI (Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo) publicou seu informe anual, no qual fica patente que o gasto militar da Europa em 2022 alcançou seu mais alto nível desde a Guerra Fria. Os países europeus aumentaram seus orçamentos militares em 13% em media, comparado a 2021, o maior incremento interanual nos últimos trinta anos.
As pessoas concentradas também denunciaram que, enquanto os bancos, o complexo militar industrial, os multimilionários e as grandes corporações obtêm lucros extraordinários com a guerra, as populações empobrecidas do Sul Global sofrem crises alimentares, o espólio de suas matérias primas, os desastres das guerras e a gestão criminosa do controle de suas fronteiras por parte dos países europeus. Esta última converteu o Mediterrâneo e as cercas de Ceuta e Melila em infames cemitérios.
Recordaram, também, que esta guerra se soma a mais de trinta conflitos armados que sofre o mundo atualmente e manifestaram que se negam a aceitar que os conflitos sejam abordados mediante o recurso às bombas, à violência e às matanças. Reivindicaram o lema: “A guerra é um crime contra a humanidade”.
Acabaram o ato com um minuto de silêncio pelas vítimas de todas as guerras, seguido de um chamado a todas as organizações cidadãs, sindicatos, movimentos sociais e as pessoas comuns, para estruturar um movimento internacionalista pela paz, que detenha a espiral bélica.
Entre as ações imediatas da Assembléia, contemplam o apoio aos desertores da guerra na Rússia, Ucrânia e Bielorrússia e a promoção da campanha de objeção fiscal aos gastos militares no Estado Espanhol.
Concentrações como a de ontem se repetirão em Valência, no dia 24 de cada mês, enquanto não cessar a guerra na Ucrânia.
Tradução > Sol de Abril
agência de notícias anarquistas-ana
verdes vindo à face da luz
na beirada de cada folha
a queda de uma gota
Guimarães Rosa
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!