A mídia burguesa relatou neste mês de fevereiro de 2025 o aumento explosivo de denúncias relacionadas ao calor extremo no ambiente de trabalho no Brasil. Cabe registrar que isso não é apenas um registro de condições laborais desumanas. É um retrato brutal de como o capitalismo opera: uma engrenagem que consome corpos, dignidade e o próprio planeta em nome do lucro.
Dessa forma, enquanto trabalhadores desmaiam, sofrem queimaduras ou colapsam sob temperaturas insuportáveis, patrões e governos insistem em tratar a vida como um recurso descartável, um “custo operacional” a ser minimizado. E isso não é um acidente do sistema. É a sua essência.
O calor extremo não é um fenômeno isolado: é a materialização da lógica capitalista que prioriza a produtividade sobre a vida. Em armazéns, lavouras, fábricas e até escritórios sem ventilação, os corpos são forçados a se adaptar a condições que máquinas não suportariam. A pressão por metas, o medo da demissão e a precarização do trabalho transformam o suor em lucro para uns poucos. Enquanto isso, a regulamentação estatal — quando existe — age como um paliativo, nunca como solução. O Estado, aliado histórico do capital, garante que as multas por violações sejam irrisórias diante dos ganhos obtidos com a exploração.
Recordemos que o mesmo sistema que superaquece os corpos nas linhas de produção é o que incendeia florestas, seca rios e acelera a crise climática. A busca infinita por crescimento econômico, extração de recursos e acumulação privada não só degrada o meio ambiente, mas também cria zonas de sacrifício onde trabalhadores pobres, muitas vezes negros e periféricos, são condenados a labutar sob sol escaldante. O capitalismo não separa a destruição ecológica da exploração humana: ambas são combustíveis para sua máquina de morte.
Diante disso, reformas são insuficientes. Exigir EPIs, intervalos ou leis mais rígidas é como pedir o apagamento de um incêndio florestal com um copo d’água. A raiz do problema está na propriedade privada, na hierarquia laboral e na ideologia do progresso infinito. A alternativa anarquista propõe a autogestão: que os trabalhadores controlem coletivamente seus ambientes de trabalho, decidam os ritmos, as condições e as prioridades produtivas. Imagine sindicatos transformados em assembleias horizontais, fábricas convertidas em cooperativas ecológicas, terras cultivadas sem patrões, em harmonia com os ciclos naturais.
E tudo isso não se trata de um ideal romântico, mas de uma necessidade urgente. Se o capitalismo não for desmantelado, ele nos matará a todos — primeiro os trabalhadores nas fornalhas do trabalho precário, depois a humanidade inteira em um planeta inabitável. A luta contra o calor extremo no trabalho é a mesma luta contra o aquecimento global: ambas exigem a destruição de um sistema que valoriza mais o capital do que a vida.
Organizar, ocupar, sabotar. Construir redes de apoio mútuo, greves selvagens e comunidades resilientes. O capitalismo não será derrotado por decretos, mas pela recusa massiva de ser moído por ele. A Terra não pode esperar. Nós também não.
Liberto Herrera.
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