
Por Coordenação Nacional
Desde o início do governo Lula a FOB tem denunciado que as regras fiscais de ajuste permanente adotadas pelo governo iriam impactar no corte de recursos para as áreas sociais. O novo ajuste fiscal levado a cabo pelo Governo Lula-Alckmin (PT-PSB) sobre a gerência de Haddad, Simone Tebet e Esther Dweck provocariam no curto e médio prazo o corte de recursos para áreas como educação e saúde, mesmo que houvesse aumento da arrecadação e crescimento econômico.
O que estão em jogo é a disputa do orçamento estatal pelas forças da classe dominante e pelo parlamento brasileiro. Isenções fiscais, dívidas de grandes empresas, pagamento da rolagem da dívida e emendas parlamentares são inegociáveis. Os tecnocratas do governo, principalmente do ministério da fazenda, gestão e inovação e do planejamento, já tem anunciado que pretendiam acabar com os pisos constitucionais das trabalhadoras e trabalhadores da Educação e Saúde como forma de adequar o orçamento ao novo teto de gastos. Depois de apresentar a proposta de aumento do IOF, o congresso através do presidente da Câmara e do Senado e abrir negociação sobre o tema apresentaram a proposta de desvinculações dos benefícios previdenciários ao salário-mínimo e dos pisos constitucionais da saúde e educação. Essa posição tem acordo com os tecnocratas dos ministérios da Fazenda, Gestão e Inovação e Planejamento, bem como de seus ministros, aprofundando ainda mais o ajuste fiscal permanente e agradando o setor patronal, principalmente do mercado de serviços e do setor financeiro. Isso porque como o novo teto de gasto tende a continuamente limitar investimento do estado na área social aprofunda a política de parcerias públicas privadas aumentado terceirização e privatizações, sejam permanentes ou por concessões. `Por hora está tudo parado porque o presidente da Câmara, Hugo Motta, que foi apoiado pelo governo na sua eleição, estão chantageando o executivo para pressionar o STF para combater as medidas de controle sobre as emendas parlamentares.
Essa medida, longe de ser uma “necessidade econômica”, é uma traição às demandas históricas da classe trabalhadora e uma submissão aos interesses do capital financeiro e das elites empresariais. O que não é nenhuma surpresa nós. Enquanto o governo insiste em manter privilégios para o agronegócio, o setor bancário e grandes corporações — beneficiados por isenções fiscais e generosos subsídios —, os mais pobres são penalizados com o desmonte de políticas públicas que garantem direitos básicos. O corte de verbas para programas sociais em um país marcado por desigualdades brutais não é apenas um erro: é um crime de classe.
Fica evidente o caráter de classe uma vez que por exemplo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) teve menos de 10% de contingenciamento de um orçamento de 14 bilhões enquanto o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) seu orçamento caiu de R$ 4,9 bilhões em 2023 para R$ 1,2 bilhão em 2024). Sem contar os enormes subsídios do Plano Safra e as isenções fiscais para exportadores foram mantidas.
Fica evidente o que a hegemonia da classe dominante se mantém no governo Lula. Os dados mostram que o governo prioriza o pagamento de juros aos bancos e mantém privilégios da classe dominante e suas frações, como financeira, do agro e das grandes corporações como mineração e montadoras, enquanto corta verbas vitais para o povo. A justificativa de “equilíbrio fiscal” esconde a opção política de não taxar grandes fortunas e não reduzir gastos com o capital, principalmente como o mecanismo de refinanciamento da dívida, principalmente com um banqueiro, indicado por Haddad, para comandar o Banco Central.
O sistema tributário que por si só massacra o povo é mais injusto para os trabalhadores e trabalhadoras, que pagam mais impostos proporcionalmente a sua renda dos que os membros das classes dominante e seus acionistas que lucros e dividendos isentos, assim como o agronegócio. Além disso, o mecanismo de rolagem da dívida com os juros nas alturas atende diretamente as frações do capital financeiro interno e internacional. O que se avizinha para esse ano e 2026 é mais uma reforma administrativa e previdenciária nos marcos da hegemonia neoliberal.
Resistência popular é urgente!
A FOB denuncia veementemente essa política de austeridade, que segue os mesmos passos dos governos anteriores, inclusive o de Bolsonaro. Não há justificativa aceitável para retirar recursos da população que mais precisa enquanto o Estado continua abrindo mão de tributar lucros e dividendos, além de manter um mecanismo da dívida pública que serve apenas para enriquecer especuladores.
Exigimos a imediata revogação desses cortes e a implementação de um projeto radical de reforma tributária que taxe as grandes fortunas e o capital, além do fim dos superávits primários que asfixiam o investimento social.
A luta contra o ajuste fiscal é a luta pela sobrevivência dos trabalhadores mais empobrecidos, dos desempregados e dos explorados. A FOB convoca todos os setores organizados do movimento sindical, popular e revolucionário a ocupar as ruas, pressionar o governo e construir greves e mobilizações capazes de frear esse ataque.
A classe trabalhadora não pode pagar pela crise que não causou!
Exigimos:
Taxação de grandes fortunas e heranças;
Taxação de lucros e dividendos;
Fim das isenções para o agronegócio e exportadores.
Fora com os cortes!
Pelo fim da austeridade fiscal!
Federação das Organizações de Base (FOB)
lutafob.org
agência de notícias anarquistas-ana
Cinza chumbo
de cara fechada:
nuvem de inverno!
Bianca Shiguefuzi
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!