
Embora mais um arauto da desgraça do que um ideólogo político, os temas de guerra, saúde mental e decadência social foram uma constante em sua obra
Por Stanton Cree
Ozzy Osbourne, o “Príncipe das Trevas” do heavy metal, morreu aos 76 anos. Apesar de não ser explicitamente ideológico, muitas das canções de Ozzy ainda refletem a raiva, o medo e a desilusão da classe trabalhadora com as quais ele cresceu. Esses sentimentos ainda ressoam hoje, e seus comentários distópicos, apocalípticos ou morais continuam tão relevantes quanto antes.
Crescendo na Aston operária dos anos 1960, Ozzy e seus companheiros de banda no Black Sabbath contribuíram significativamente para um movimento que transformou a música. Emergindo da fumaça industrial infernal com demônios que o assombrariam por toda a carreira, sua reputação duvidosa como ladrão, desistente da escola e briguento o tornaram uma figura controversa desde o início. Canalizando a atmosfera de pobreza e fábricas de Birmingham, a voz distinta e lamentosa de Ozzy se ajustava perfeitamente à sua futura persona de profeta do fim dos tempos.
Embora não possa ser chamado de radical político, as primeiras letras do Black Sabbath conseguiram capturar a alienação e o horror da vida moderna ao criticar a guerra, a autoridade e o espetáculo da sociedade consumista de forma acessível e impactante. Esses temas não eram inéditos na época, mas se destacavam pelo uso de imagens sombrias e ocultistas para transmiti-los.
Liricamente, esses temas acompanharam Ozzy por toda sua carreira até seu último álbum. Outra questão constante da qual nunca se esquivou foram suas lutas com o abuso de substâncias e problemas de saúde mental. Dada a postura machista geralmente associada à cultura do rock e do metal, a disposição de Ozzy em expor suas emoções e vulnerabilidades é realmente admirável. Suas dificuldades, obviamente, não estão livres de elementos problemáticos, mas a sinceridade com que as aborda, sem glamourizá-las, é claramente um traço duradouro e cativante de sua personalidade.
É impossível falar sobre o legado complexo de Ozzy sem abordar sua relação com sua esposa, Sharon. O temperamento volátil de Ozzy levou-o a agredir membros de bandas, tanto no Sabbath quanto posteriormente, e é de conhecimento público que ele tentou estrangulá-la em 1989. Nenhum dos dois evitou falar publicamente sobre o comportamento abusivo de Ozzy, e ambos atribuíram isso ao uso de substâncias. Embora eu rejeite as tentativas de alguns de transformar isso numa história romântica de sofrimento, redenção e perdão, parece bastante óbvio que eles se amavam e enfrentaram isso juntos.
Apesar de sua imagem sombria, Ozzy sempre teve mais um estilo de “hippie apolítico”, pregando paz e amor à humanidade sem grandes reflexões. Seus sentimentos anti-guerra são louváveis, mas parecem mais alinhados com uma noção de pacifismo como princípio moral do que com uma compreensão das causas nacionalistas e imperialistas das guerras. Ozzy sempre afirmou não se interessar por política, e isso, de fato, parece verdadeiro.
Isso não quer dizer que ele não poderia ter adotado posições melhores e mais claras em certos assuntos, mas sua aparente indiferença política é mais representativa da opinião dominante do que da nossa obsessão com ela. Um exemplo claro é seu suposto apoio a Israel e sua recusa em aderir ao boicote cultural. Sua resposta às críticas relacionadas foi, como de costume, vaga e sem qualquer compromisso político. Embora isso seja obviamente decepcionante do nosso ponto de vista, não deveria ser tão surpreendente, dado o estado da grande mídia e da opinião pública dominante.
Como ícone e figura pública, as pessoas obviamente esperavam muito de Ozzy Osbourne. Mas a realidade é que, apesar de seu talento e carisma no palco, ele era um indivíduo comum e tão falho quanto qualquer outro. No fim das contas, a política emocional de sua música não vem da teoria, mas da experiência pessoal. Por meio dela, ele evoca o medo do aniquilamento nuclear, a traição e as mentiras de líderes políticos e os efeitos devastadores da guerra sobre pessoas comuns. Embora isso ofereça apenas uma compreensão política superficial e simplista, o que tornava Ozzy cativante era sua honestidade crua, mesmo quando incoerente.
Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/07/23/ozzy-osbourne-sincere-flawed-and-unforgettable
Tradução > Contrafatual
agência de notícias anarquistas-ana
nuvem parada
beijada pela brisa
fica molhada
Carlos Seabra
Perfeito....
Anônimo, não só isso. Acredito que serve também para aqueles que usam os movimentos sociais no ES para capturar almas…
Esse texto é uma paulada nos ongueiros de plantão!
não...
Força aos compas da UAF! Com certeza vou apoiar. e convido aos demais compa tbm a fortalecer!