
Com base em relatórios, investigações e documentos técnicos publicados em diversas fontes, apresento a seguir uma denúncia consolidando fatos sobre os impactos ambientais e sociais causados pela Norsk Hydro (controladora da Alunorte) em Barcarena e região no estado do Pará.
Por Contraciv | 19/11/2025
Desde pelo menos os anos 2000, o polo industrial de Barcarena sofreu dezenas de acidentes ambientais, incluindo rompimentos de dutos, vazamentos de lama vermelha (rejeitos de bauxita/caulim), despejos de efluentes com soda cáustica e outras substâncias tóxicas, formação de nuvens de fuligem e contaminação de igarapés e trechos do Rio Pará. Uma boa parte desses acidentes estão vinculados direta ou indiretamente às operações da Hydro/Alunorte. Os vazamentos repetidos alteraram solo, água e ar, e geraram impactos sobre pesca, agricultura de subsistência e saúde da população ribeirinha.
A Hydro admitiu a existência de tubulação clandestina que desviava efluentes, instaladas fora de controles formais, o que caracteriza conduta de ocultação e operação fora de padrões ambientais e legais. Há documentação e relatos que apontam para falhas sistemáticas de manutenção, armazenamento inadequado de rejeitos e canais de escoamento que ligavam unidades industriais diretamente a corpos d’água.
Os rejeitos efluentes contendo óxidos de metais, resíduos de bauxita/caulim e substâncias alcalinas (soda cáustica) deixaram lama vermelha em praias e igarapés, provocaram mortandade de peixes e tornaram áreas impróprias para consumo humano e lazer. Testes realizados em parte da população e em ambientes apontaram níveis anômalos de metais pesados e outras contaminações ambientais. Mesmo sem estudos epidemiológicos definitivos para estabelecer causalidade direta, temos indicativos nítidos de exposição persistente e riscos claros à saúde pública.
A ocorrência repetida de acidentes, com múltiplos registros oficiais, autos de infração e inquéritos, revela um padrão de risco associado à atividade de beneficiamento de alumina no complexo de Alunorte/Albrás, administrado por empresas ligadas à Hydro. Também estão documentados os esforços da companhia para deslocar litígios e evitar a responsabilização financeira e técnica pelas medidas de reparação. Isso desmonta a narrativa liberal sobre a riqueza dos países nórdicos, como a Noruega, pois escancara a participação de empresas desses países em desastres ambientais em países como o Brasil.
Isso motivou ações civis coletivas e procedimentos extrajudiciais, inclusive encaminhamentos à Justiça estrangeira e investigações por órgãos do Ministério Público, buscando responsabilização por danos ambientais, medidas de reparação, indenizações e adoção de políticas públicas de saúde e mitigação. É evidente a insuficiência das respostas locais e a gravidade das demandas das comunidades afetadas, o que significa que precisamos de ações mais drásticas.
Relatos de moradores apontam aumento de queixas respiratórias, dermatológicas, gastrointestinais, além de relatos de piora no desenvolvimento infantil e preocupações sobre a incidência de câncer e doenças neurológicas em áreas mais expostas. A ausência de políticas de saúde pública direcionadas às populações afetadas e a falta de estudos sobre os efeitos da contaminação agravam a situação. A população está exposta e sem acompanhamento médico-epidemiológico adequado, sem garantias de remediação ambiental e com economia local fortemente comprometida. Isso é inaceitável.
Com base nesses fatos e nas evidências públicas reunidas, várias medidas legais já foram requeridas: Instauração de investigação criminal e ambiental sobre a existência e uso de tubulações clandestinas, descarte irregular de efluentes e possíveis omissões de segurança operacional. Realização de estudos epidemiológicos e acompanhamento clínico das populações expostas. Interdição de fontes ativas de descarga, contenção de rejeitos, remoção e disposição segura de materiais contaminantes, tratamento da água e recuperação de áreas degradadas sob supervisão estatal e de peritos independentes. Indenizações, políticas de saúde e programas de requalificação econômica para comunidades ribeirinhas afetadas, garantia de transparência nos acordos e participação comunitária nas decisões. Responsabilização civil e criminal dos agentes, inclusive dos controladores e gestores que toleraram ou ocultaram infrações, e revisão de licenças ambientais concedidas, com adoção de padrões internacionais de prevenção de danos.
Todas essas medidas de reparação e mitigação do dano são importantes, mas sabemos que nada disso é suficiente. Chamamos a população para atacar a Hydro onde realmente dói: com ações diretas de auto-defesa em resposta a essa violência e à incapacidade da empresa por se responsabilizar pelos seus crimes ambientais. Precisamos de mobilização local e global contra a Hydro.
O conjunto de evidências públicas reunidas nas fontes consultadas demonstra que o caso ultrapassa incidentes isolados: trata-se de um padrão industrial de riscos e externalidades negativas. É preciso reparação às vítimas e medidas de prevenção para que a região não continue a pagar, em saúde e território, o custo da produção global de alumínio. A ausência de resposta tanto do estado quanto da empresa nos força a agir por conta própria. Solicitar que esta denúncia seja recebida pelos órgãos competentes (Ministério Público Federal, Ministério Público do Estado do Pará, órgãos ambientais estaduais e federais, e instâncias judiciais internacionais) não é suficiente. Mesmo que ocorra apuração integral dos fatos e adoção das medidas de proteção, reparação e responsabilização exigidas pelo interesse público, sabemos que essas coisas continuarão a acontecer enquanto essas empresas permanecerem atuando no nosso país. É a própria atuação delas aqui que é insustentável.
Precisamos nos juntar às populações e organizações locais que estão resistindo a essa violência e nos dispor a ajudar como necessário. Essa denúncia é um sinal de compromisso com essas pessoas. Ela visa não apenas chegar às instâncias jurídicas ou à empresa, mas à população afetada e grupos já ativos nessa luta, para ampliar redes de cooperação e ação de defesa da população contra a violência continuada desta empresa e da indústria de mineração como um todo.
Fontes:
agência de notícias anarquistas-ana
quantos pirilampos
posso contar esta noite?
caminho enluarado
José Marins
Perfeito....
Anônimo, não só isso. Acredito que serve também para aqueles que usam os movimentos sociais no ES para capturar almas…
Esse texto é uma paulada nos ongueiros de plantão!
não...
Força aos compas da UAF! Com certeza vou apoiar. e convido aos demais compa tbm a fortalecer!