
Desde suas origens, o feminismo insistiu na importância do relato íntimo ou, mais concretamente, na necessidade de conceber novos relatos onde o pessoal e o político, o cotidiano e o histórico se religuem e mudem nossa visão da sociedade e da luta necessária para sua transformação. Partindo desta premissa, Irene articula a escritura deste livro lúcido e valente a partir da vida de sua tataravó Hilaria, de modo que o que poderia parecer um exercício de recuperação da memória familiar se desdobra e, já desde as primeiras páginas, se converte, também, em um manifesto, uma reflexão e uma invocação para pensar e armar os movimentos feministas contemporâneos. Assim, descobrimos que Hilaria foi uma proletária basca, uma mulher forte que ficou viúva muito cedo e criou só seus filhos. Teve que confrontar a tragédia política e o caos social da Espanha dos anos trinta, mas nada de todo o vivido (incluído seu atroz encarceramento) minou seu entusiasmo ilimitado pela vida e seu desejo indomável de construir um mundo melhor.
Claro, o exemplo de Hilaria é uma inspiração necessária para nosso tempo, pois cada dia é mais urgente chamar as coisas por seu nome: o feminismo liberal daquelas que se contentam com ter uma chefe, uma presidenta do Governo e uma extensa coleção de brinquedos sexuais não és mais que uma manobra de distração. Neste sentido, todo feminismo que defende o capital é um feminismo contra as mulheres, pois o capitalismo é o responsável último de sua opressão. Portanto, devemos perder o medo de criticá-lo, pois a sororidade não pode ser incondicional. Não queremos um feminismo que reivindique a igualdade no seio de um sistema baseado na exploração. Hoje mais do que nunca, com o auge geral de todo tipo de autoritarismos, necessitamos voltar ao feminismo de Hilaria: um feminismo popular e radical, ao mesmo tempo antifascista e anticapitalista.
Hilaria. Relatos íntimos para un feminismo revolucionario en el siglo XXI
Autora: Irene
Tradução: Iballa López Hernández
Número de páginas: 176
19,00€ IVA incluído
erratanaturae.com
agência de notícias anarquistas-ana
A fúria é semente.
Da rachadura no asfalto,
nasce o novo trigo.
Liberto Herrera
Discordo de chamarem aos regimes políticos onde existem eleições de "democráticos". Representatividade não é democracia. E regimes representativos, são elitistas;…
O conceito de liberdade como prática cotidiana e resistência constante às cercas — seja do Estado, do capital ou das…
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…