Cartaz em solidariedade aos anarquistas indonésios

“Enquanto eles pedem paz, nós dizemos: que se foda tudo!”

A luta dos anarquistas indonésios rompe fronteiras e muros de prisão. Que toda revolta vá até o fim. Insurreição em todos os lugares!

Ar, solo e água envenenados. Servidão sem horizonte sob privilégios inalcançáveis. Dignidade hipotecada à humilhação de rações de crise. Essa desculpa miserável de vida, à mercê de qualquer um com riqueza ou cassetete para nos dominar, não dura para sempre. Mais cedo ou mais tarde, as coisas transbordam. O risco de enfrentar a morte nas ruas em chamas não garante resignação a uma vida que não vale o esforço de ser vivida.

Em muitas partes do mundo foi exatamente isso que aconteceu no último ano. Em nenhum lugar mais do que na Indonésia: uma sociedade baseada na extração de petróleo e minerais, cujo “progresso” pelo arquipélago se desenvolveu sobre os cadáveres dos povos indígenas. Nas cidades, a juventude, “excedente” desempregado da economia global, é condenada às favelas, vidas suspensas ao sabor do capricho de assassinos pagos da classe dominante. Ainda assim, como demonstram a resistência camponesa auto-organizada, a guerrilha papuana ocidental e os coquetéis molotov dos rebeldes urbanos, o Estado jamais conseguiu cumprir completamente sua tarefa: exterminar a memória, o espírito e a solidariedade em sua população.

Não é tão surpreendente, então, que em agosto de 2025 a sociedade exploda. Quando o cartel político decide conceder a si mesmo mais um aumento salarial em meio ao sofrimento generalizado, e um veículo blindado que perseguia um protesto em massa esmaga o corpo de um entregador local de motocicleta, o limite é ultrapassado. As ruas se enchem de fúria desenfreada, queimando e destruindo cada vestígio arrogante de um mundo que não cumpriu nenhuma de suas promessas, apenas ampliou um abismo de horrores.

Como voltar ao normal depois disso? No Nepal, em Madagascar, Marrocos, Irã e além, é aí que o impulso por liberdade esbarra em uma cerca de arame farpado. Não é apenas o trabalho ensanguentado da polícia e dos paramilitares, nem somente a língua bifurcada dos reformistas. É, acima de tudo, a falta de qualquer outra ideia do que a vida é e poderia se tornar. Enquanto não existir outro mundo além do de comprar e trabalhar, extrair e descartar, governantes e governados, apenas o fogo não pode derrubar todos os cercamentos do existente.

Alguns dentro da rebelião que envolveu a Indonésia não lutaram nem por reformas nem por mudança de regime naquele arquipélago saqueado. No lugar dessas desesperanças sem sonho, muitos continuaram, e outros descobriram, uma aventura inteiramente diferente: recuperar a vitalidade pessoal, empreender uma conquista insurgente da terra e da vida. No momento em que a confiança auto-organizada de uma insurreição e sua destruição jubilosa se perdem na hesitação, é aí que se planta a semente envenenada da qual sempre volta a crescer o reinado de novos tiranos e açougueiros. Não há nada a preservar nas relações sociais apodrecidas ao nosso redor: as máscaras, as mentiras, os mitos e narcóticos do Estado. Contra demandas frouxas e o duplo discurso dos políticos, ecoou uma conclusão direta: “Que se foda tudo!”

Hoje, juízes, torturadores, jornalistas e políticos enchem as masmorras indonésias com aqueles que acusam de despertar sua própria consciência, e a dos que os cercam, para essa visão de luta. Embora a paixão pela liberdade de alguns anarquistas na Indonésia seja visível há décadas, os que estão no poder se enganam sobre onde reside o perigo. Lá, como em qualquer lugar, o perigo é que sua ganância por riqueza e controle inevitavelmente semeia um desejo de vingança no coração das pessoas saqueadas. E se o fogo da raiva tocar o combustível da imaginação libertada, que não pode ser confinada e agora transborda de trás das grades para a atmosfera social, então, simplesmente, esses estimados líderes e toda a sua sociedade estarão arruinados.

Se sentimos solidariedade apaixonada com a rebelião, e especialmente com seus protagonistas mais ardentes, não é o sofrimento deste planeta concreto, com seus habitantes plastificados, que nos move, mas a luta vital para romper com ele sem olhar para trás.

inimigos jurados de todo Estado (A)

A LUTA DOS ANARQUISTAS INDONÉSIOS ROMPE FRONTEIRAS E MUROS DE PRISÃO

QUE TODA REVOLTA VÁ ATÉ O FIM.

INSURREIÇÃO EM TODOS OS LUGARES!

Fonte: https://actforfree.noblogs.org/2026/02/05/while-they-call-for-peace-we-call-for-fuck-everything-poster-in-solidarity-with-the-indonesian-anarchists-london-uk/

Tradução > Contrafatual

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João Angelo Salvadori

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