
Em 11 de fevereiro de 1920, não nascia apenas um jornal, mas tomava forma o impossível tornado carne e tinta. Errico Malatesta, retornado do exílio com o coração ainda cheio de esperanças transoceânicas, depositou a primeira semente do Umanità Nova no solo inquieto de Milão. Não era um simples boletim de facção, era um desafio editorial de classe sem precedentes, um experimento único capaz de arrancar da resignação cinquenta mil cópias diárias. No auge do Biênio Vermelho, enquanto as fábricas rugiam com ocupações e os sonhos de revolução pareciam ao alcance das mãos, o diário tornava-se a bússola libertária de um proletariado que não pedia patrões, nem velhos nem novos.
Ao lado de Malatesta, mentes afiadas como navalhas e corações ardentes como tochas: Gigi Damiani, Luigi Fabbri, a lucidez analítica de Camillo Berneri e a paixão indomável de Nella Giacomelli. Uma vanguarda sem hierarquias empenhada em tecer a trama de uma alternativa à sociedade burguesa. O Umanità Nova não se limitava a narrar o mundo, tentava subvertê-lo a cada dia, orientando a resistência contra a sombra negra do fascismo que começava a crescer nas praças.
O romantismo militante dessa empreitada reside na sua própria fragilidade: uma redação que era barricada de papel, um baluarte de liberdade que o poder não podia tolerar. Os ataques esquadristas, sistemáticos e ferozes, culminados na destruição de 1922, não atingiram apenas os prelos e as rotativas, mas tentaram silenciar a voz daqueles que ousaram imaginar um amanhã horizontal. No entanto, entre os escombros daquela sede devastada, restava a marca de um fato consumado: a demonstração de que a anarquia sabe fazer-se cotidiano, organizada e com afeto coletivo. 100 anos destes dias, Umanità Nova! Muitos parabéns a você! Um caro abraço, um ser humano que te lê desde 2006.
www.militanzagrafica.it
Tradução > Liberto
agência de notícias anarquistas-ana
A rua apinhada
E nos passos apressados
As pessoas solitárias…
Débora Novaes de Castro
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!