[Alemanha] 8M | Lutemos juntos pelos direitos humanos de todos e de cada uma, e contra o governo patriarcal!

Por que nos manifestaremos todo em 8 de março? Será em memória da greve selvagem das trabalhadoras de Petrogrado, cuja revolta de fome em 1917 desencadeou a Revolução Russa, em fevereiro? Ou porque o prefeito da Colônia e o comissário de igualdade de oportunidades da cidade convidaram um dia de ação comemorativa no Kulturbunker Mülheim?

O município de Colônia faz suas afirmações corretas, diz que todos os dias deveriam ser 8 de março, incentiva a luta contra a discriminação às mulheres* e pelos direitos políticos. Contudo, como a comemoração dessa histórica greve das mulheres pode ser conciliada em uma aliança local com empreendedoras feministas comprometidas com a “igualdade de oportunidades para mulheres em todos os níveis hierárquicos “? E quem celebra suas carreiras de sucesso junto com os dirigentes dos partidos governamentais CDU, SPD e Verdes, enquanto os sindicalistas reformistas da DGB aplaudem?

Quando se trata da discriminação salarial que sofre as mulheres, e da sua pobreza na melhor-idade, o Dia da Igualdade Salarial , em 27 de fevereiro, seria a data mais completa. Porque é o dia que marca os dados, este ano, em que a desigualdade salarial entre mulheres* e colegas homens* fica explícita. Simboliza o período em que as mulheres* trabalham de graça, em média, em relação aos homens, que recebem desde o início do ano (diferença salarial entre gêneros, Gender Pay Gap).

Dia Anual da Igualdade de Cuidados, em 29/02, também tem como objetivo destacar uma situação desigual, pois chama atenção para o trabalho de cuidado não remunerado, bem como para a distribuição injusta dessas atividades e a sua falta de valorização. Como esses dados existem somente a cada 4 anos como “dia bissexto”, ela simboliza o trabalho de cuidado não remunerado que, do contrário, seria “invisível”. Especialmente porque as mulheres* assumem quatro vezes mais atividades de cuidado que os homens* e ainda estão longe da “igualdade” ideal em tarefas socialmente fáceis.

Algumas feministas, que gostam de celebrar as conquistas do movimento das mulheres em aliança com os governantes, frequentemente argumentam que “nós” estamos indo tão bem aqui na Alemanha, enquanto a situação das mulheres* e meninas* é muito pior globalmente. Isso é, então, citado como motivo para não lutar (mais) contra a opressão patriarcal e a exploração capitalista no terreno e, sim, para fazer as pazes com as condições de 8 de março.

Contudo, outros países da UE já possuem leis mais progressistas para proteger as mulheres*. Na Espanha, por exemplo, a igualdade salarial para as mulheres* está consagrada na lei, assim como a representação proporcional em todos os níveis políticos. Há também o consenso sexual (” Só o sim significa sim!” ), já obrigatório, enquanto, aqui, a norma patriarcal do consentimento tácito das partes ainda é extensamente tida como normal.

Criticar essa “normalidade” como injustiça, porém, significa questionar o sistema de dominação masculina*. Os ideais de liberdade, igualdade e solidariedade deveriam ser passados ​​adiante em conteúdos educacionais esclarecidos. Isso ajudaria as pessoas a assumirem responsabilidades desde cedo, assim como agir de maneira autodeterminada sexual e reprodutivamente.

No entanto, hoje, os ataques da direita visam desmontar os direitos das mulheres, tais como a protecção à violência, o direito ao asilo, ao aborto ou ao emprego (até meio período). O caso de Jeffrey Epstein, em particular, mostra o poder das redes de homens violentos que se apoiam mutuamente, ultrapassando fronteiras nacionais para exploração e opressão, também na política e nos negócios. A violência sexualizada em instituições estatais, como polícia, militares e judiciário, mostra claramente que não há como ter “participação igualitária” num tal sistema patriarcal.

As feministas burguesas, na busca pelo poder econômico e político, fazem parte dessa dominação. Portanto, não deveria surpreender se Alice Schwarzer, conhecida ativista pelos direitos das mulheres, não apenas defende o serviço militar feminino, como até consideraria uma chanceler da AfD como “encorajadora”. Essas mulheres não são aliadas, porque até vão excluir a exclusão de pessoas trans* e inter* e não às ruas no Dia Internacional da Visibilidade Trans * (31.03.) nem no Dia Internacional das Pessoas Não Binárias (14.07).

Lutemos juntos pelos direitos humanos de todos e de cada uma, e contra o governo patriarcal!

Rede Anarco-Sindicalista – ASN-IWA Colônia

Rede Anarco-Sindicalista – ASN-IAA Colônia

Creative Commons: BY-NC (asnkoeln.wordpress.com)

Tradução > CF Puig

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Valentin Busuioc

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