
Anarquismo Mais-Que-Humano.
26 a 28 de Agosto, Universidade de Manchester, Reino Unido.
31 de Agosto, online.
O que significa pensar, sentir e agir em caminhos mais-que-humanos? Como as teorias e práticas anarquistas mudam quando os rios têm direitos, quando as florestas resistem à proteção, quando os animais são sujeitos políticos, quando os humanos se estendem para além do biológico, quando as tecnologias envelhecem contra nós, e quando a Terra, por si só, se transforma em um participante ativo na luta? O anarquismo pode mesmo se dizer anarquismo sendo antropocêntrico? Ou o anarquismo já contém dentro de si as sensações de uma visão de mundo profundamente mais-que-humana?
O Anarquismo Mais-Que-Humano pode ser estruturado como local de tensão (do Anarquismo rejeitando horizontendo elementos mais-que-humanos), como uma política da relação (do Anarquismo com o mais-que-humano), como uma orientação filosófica e ética (anarquismo como mais-que-humano), ou como um que excede completamente as categorias atuais (Anarquismo além do humano).
Quando o anarquismo é entendido como uma resposta para o mais-que-humano, estudantes e ativistas podem focar na suspeita de IA Generativa de propriedade corporativa, ou resistindo à devastação ecológica, confrontando o capitalismo extrativo, construindo práticas de justiça multiespécie, ou se engajando na ação direta ambiental: Da defesa de terras da sabotagem climática, à reintrodução da comunidade a vida selvagem, medicina natural e educação decoloniais e ecológicas.
O Mais-que-humano também pode ser uma prática para a organização e imaginação anarquistas ‒solidariedades não-humanas inseridas em anarquismos ecofeministas e indígenas, a profundidade tática com paisagens e locais em guerrilhas e lutas clandestinas, ou as culturas vibrantes do punk, da arte e da literatura que celebram a co-conspiração de animais, ecossistemas e a própria Terra na revolta. O imaginário Cyberpunk nos encoraja a pensar sobre a humanidade em síntese com a tecnologia e a esfera digital, e mesmo sob o domínio atual das oligarquias tecnológicas, os ativistas continuam a conquistar espaços para explorar tecnologias mais-que-humanas.
Indo mais além, o anarquismo pode ser entendido como uma filosofia enraizada em um mundo de seres interdependentes, agências em rede e materialidades vivas. O social nunca é puramente humano; a vida política emerge de inumeráveis forças relacionadas, animadas e inanimadas, onde derivadas, cooperações e fricções específicas na fábrica da existência. Qualquer tentativa de reduzir esta polifonia a uma simples lógica de dominância, arrisca-se a reproduzir os mesmos modelos hierárquicos que o anarquismo busca abolir.
Finalizando, o anarquismo pode ser um local de conflito e criatividade quando abordado em uma perspectiva mais-que-humana: Como os individualistas, sociais, verdes, queer, indígenas, pós-humanos e eco anarquistas se colidem, se sobrepõem, ou se informam mutualmente uns com os outros? Como os compromissos anarquistas podem ser reconfigurados quando mudarem da libertação humana para o florescimento multiespécie? Ou mesmo para a evolução pós-humana além das nossas limitações biológicas?
Para explorar estas provocações, a 9ª Conferência Internacional da Rede de Estudos Anarquistas os convida à submissão de artigos que abordem o Anarquismo Mais-que-humano como tema central.
Abaixo a não-exaustiva lista de tópicos sugeridos. Engajamentos anarquistas com o Mais-que-humano podem incluir:
• Justiça multiespécie, ajuda mútua ecológica e práticas de criação de laços familiares;
• Críticas anarquistas ao antropocentrismo, supremacia humana e à categoria “humano”;
• Anarquismos indígenas, políticas baseadas na terra e relações ecológicas decolonizadoras;
• Libertação animal, anarquismo vegano e solidariedades interespécie;
• Estratégias ecoanarquistas, incluindo defesa da terra, sabotagem e alternativas ecológicas prefigurativas;
• Abordagens pós-humanistas, neo-materialistas e animistas ao pensamento anarquista;
• A influência política das paisagens, clima, infraestruturas ou tecnologias;
• Colapso climático, resposta a desastres e organização ecológica anarquista;
• Ecologia queer, ecologia crip e desafios anarquistas à personificação humana normativa;
• Reintrodução da comunidade à vida selvagem, permacultura e experiências anarquistas em bens comuns multiespécies;
• O papel das forças não humanas nos movimentos sociais, revoltas e vida cotidiana;
• Futuros anarquistas especulativos, incluindo solarpunk, biorregionalismo e construção de mundos multiespécies;
• Usos potenciais da IA generativa para fins anarquistas;
• Coletivos tecnológicos de base e os mundos tecnológicos alternativos que eles imaginam e constroem;
• Imaginários cyberpunk ou síntese humano-tecnológica e mundos digitais construídos por nós e para nós;
Se você se achar menos-que-interessado nessas sugestões, você está bem vindo para propor um artigo ou algo relacionado a teoria anarquista e práticas que tem menos haver com o tema da conferência.
Nós aceitamos submissões de estudantes, ativistas, artistas e todos aqueles que estão explorando ou experimentando o Anarquismo Mais-que-humano, mas, por favor, note que o compartilhamento de conhecimento é um componente essencial da conferência.
Temas ou correntes de temas particulares são bem vindos, assim como formatos de apresentação não-tradicionais, como performances, exibições, oficinas e muitos outros… Os resumos devem estar em inglês(mas estamos acomodados a artigos em qualquer língua). Por favor, indique se você for apresentar em outra linguagem.
Os resumos não devem ter mais que 350 palavras e precisam ser enviados até 31 de março de 2026, através do formulado indicado abaixo:
Mande sua proposta aqui : https://cryptpad.fr/form/#
Por favor, indique se você pretende se apresentar pessoalmente ou online. Caso esteja online, por favor, indique seu fuso horário. A conferência em pessoa irá ocorrer na Universidade de Manchester, Reino Unido, 26-28 de Agosto. O dia da conferência Online irá ocorrer no dia 31 de Agosto. Provavelmente poderemos ajudar um número pequeno de participantes com despesas de viagem e alojamento. Por favor, indique se você precisa de suporte e nos dê uma estimativa aproximada de suas despesas, caso seja preciso.
Entre em contato conosco caso tenha alguma dúvida, necessidade ou comentário específico, e façamos o possível para atendê-lo. Você pode nos encontrar em asn.conference@protonmail.com
anarchiststudies.noblogs.org
Tradução > Núcleo de Traduções Libertárias Ferrer y Guardia (NTLFG)
agência de notícias anarquistas-ana
clube
dividir uma cabeça
faça
Cláudio Fontalan
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!