O massacre de mulheres no Irã em números

Nos protestos de janeiro de 2026, pelo menos 250 mulheres foram mortas em todo o país, inclusive nas regiões curdas (Rojhilat ou Curdistão Oriental). Além disso, em 2025, 55 mulheres foram executadas, 182 mulheres presas e outras 80 foram condenadas à prisão, açoites ou morte. Além desses números, foram registrados 207 casos de feminicídio em todo o país no mesmo período.

Relatório Hengaw 2026: O custo trágico para as mulheres no Irã

Por ocasião do dia 8 de março de 2026, a organização de direitos humanos Hengaw publicou um alarmante relatório estatístico. O relatório documenta repressão estatal sem precedentes e persistência crítica da violência de gênero em todo o Irã.

O início de 2026 foi banhado em sangue

Os protestos de janeiro de 2026 foram violentamente reprimidos. A Hengaw relata que pelo menos 250 mulheres foram mortas a tiros, incluindo 25 adolescentes. Até o momento, já foram formalmente verificadas as identidades de 204 vítimas. As províncias mais afetadas são a de Teerã (61 mortas) e de Isfahan (29 mortas). Entre os alvos identificados estão muitas alunas, professoras e profissionais de saúde.

2025: Ano recorde de execuções

O ano de 2025 marcou um recorde sombrio com a execução de 55 mulheres em prisões iranianas, o maior número nos últimos 25 anos.

  1. Opacidade judicial: Somente 7% das execuções foram anunciadas pela mídia estatal, e muitas ocorreram em segredo.
  2. Minorias alvo: Entre as condenadas, se destacam as mulheres de minorias étnicas (curdas, turcas, lores e gilaks).

Judicialização da militância e do feminicídio

O sistema judiciário continua sendo usado como ferramenta de pressão política. Em 2025, 80 ativistas foram condenadas à prisão (totalizando mais de 354 anos), e condenadas a açoites, bem como a pena de morte (como para Nasimeh Eslamzehi e Zahra Shahbaztabari). Ao mesmo tempo, foram registradas 182 prisões arbitrárias, afetando as mulheres bahá’ís e curdas principalmente.

Por fim, a violência doméstica e social continua endêmica, com 207 feminicídios registrados em 2025. O relatório destaca que 14,5% desses assassinatos estão ligados a crimes de “honra“, como são chamados, com frequência cometidos por parentes próximos (maridos, pais, irmãos) em um contexto legislativo que se empenha em proteger as vítimas.

Foco no Curdistão

No Curdistão, a repressão é dupla: pelo menos 24 mulheres curdas foram mortas nas manifestações de janeiro (incluindo 3 menores) e outras 50 foram presas. Em 2025, 30 casos de feminicídio também foram documentados nas províncias curdas, atestando a insegurança política e civil persistente.

Fonte: https://kurdistan-au-feminin.fr/2026/03/09/iran-le-massacre-des-femmes-en-chiffres/

Tradução > CF Puig

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Alexandre Brito

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