
Cópias encadernadas de O Complô Anarquista para Roubar a Mona Lisa (The Anarchist Plot To Steal The Mona Lisa) podem ser encontradas aqui.
INTRODUÇÃO
Poucas pessoas sabem que os anarquistas franceses da década de 1890 financiaram o movimento através de roubos, ou desapropriações, e ainda menos sabem que anarquistas roubaram a Mona Lisa do Louvre em 1911. No entanto, os fãs do sucesso da Netflix Lupin já absorveram o legado desses ladrões anarquistas, pois o Lupin do título foi baseado no lendário ladrão anarquista Alexandre Marius Jacob, chefe da infame gangue dos Trabalhadores Noturnos, cujos roubos ousados ressoam até hoje, em 2026.
Antes dos Trabalhadores Noturnos, os anarquistas franceses da década de 1890 começaram seu empreendimento criminoso com um ladrão chamado Émile Henry, que foi muito demonizado por historiadores, até mesmo anarquistas. De qualquer forma, Émile era um jovem anarquista que se tornou ladrão em vez de seguir carreira acadêmica, e logo ficou famoso por suas bondades, sendo a mais famosa o roubo de uma vaca, que entregou em segurança a uma camponesa pobre. Embora seja conhecido pela história como um sanguinário que explodia bombas, Émile, na verdade, tinha alma bondosa e sensível, o que o levou ao primeiro grande ataque.
Em 1892, quando os pobres grevistas da mina Carmaux foram esmagados pelos capitalistas e traídos por políticos socialistas, Émile decidiu explodir os escritórios da empresa de mineração em Paris. Por artimanha do destino, a bomba foi encontrada pela polícia e levada para a delegacia, onde explodiu repentinamente, matando quatro policiais e uma secretária. Após essa explosão inesperada, Émile fugiu, mas contou com muita ajuda dos camaradas anarquistas.
Um dos seus amigos foi o crítico de arte anarquista Félix Fénéon, que o ajudou a escapar para a Inglaterra por meio de contatos como Oscar Wilde. Outro amigo que o ajudou foi o anarquista Charles Malato, que já havia fugido para Londres. Presos nesse exílio, Émile e Charles ajudaram a formar uma equipe de assaltantes, entre eles Leon Ortiz, Louis Matha e Paul Chericotti. Essa equipe assaltou várias lojas e casas tanto na Inglaterra quanto na França, com furtos se aproximando cada vez mais de Paris. No entanto, Émile foi muito afetado pelas execuções dos anarquistas Ravachol e Vaillant, e decidiu explodir um alvo capitalista como vingança.
Infelizmente para todos, Émile não conseguiu encontrar um alvo adequado, então escolheu o Café Terminus, de classe média, onde matou e feriu pessoas aleatórias com a bomba, só para ser capturado instantaneamente. A maioria das pessoas não sabe que a equipe de assaltantes de Émile o ajudou com os atentados a bomba, incluindo Louis Matha e Leon Ortiz, assim como ajudaram a desmontar o laboratório de bombas após o ataque. O ato de Émile desencadeou uma onda de repressão, e logo quase todos os seus companheiros estavam presos e colocados no infame Julgamento dos Trinta.
Enquanto intelectuais anarquistas como Félix Fénéon foram considerados inocentes, ladrões anarquistas como Leon Ortiz e Paul Chericotti foram condenados a trabalhos forçados na Guiana Francesa. Como muitos sabem, Émile Henry foi guilhotinado pelo Estado francês, embora logo tenha sido vingado pelo anarquista italiano Sante Caserio, que esfaqueou o presidente da França no peito. A repressão que se seguiu a esses atos foi imensa, quase esmagando o movimento anarquista francês, mas, uma vez recuperados, uma nova equipe de assaltantes foi rapidamente estabelecida, desta vez bem ao sul, em Marselha.
Foi na metrópole litorânea que Louis Matha e Charles Malato conheceram um jovem anarquista chamado Alexandre Marius Jacob, e logo treinaram o novo ladrão, que saquearia a República como os seus predecessores. De 1899 a 1903, Alexandre e os Trabalhadores Noturnos trouxeram mais de um milhão de francos para o movimento anarquista, e os lucros foram divididos entre um grupo central de anarquistas que se reuniam no Café Muniez em Paris. Entre eles, Louis Matha, Jean Grave, Émile Pouget e Félix Fénéon, todos ex-réus no Julgamento dos Trinta.
Infelizmente, o grande Marius Jacob foi capturado em 22 de abril de 1903, e a épica onda de crimes dos Trabalhadores Noturnos terminou. Sem maneira fácil de obter centenas de milhares de francos, o crítico de arte Félix Fénéon decidiu focar em criar um cartel de arte usando jovens anarquistas como Pablo Picasso e, em 1906, o astuto Félix já havia se tornado negociante de arte em uma grande galeria parisiense. Poucos meses após conseguir essa posição lucrativa, um ladrão de arte anarquista roubou duas estátuas supostamente africanas do Louvre e as vendeu para Picasso, que passou a replicar seus rostos de pedra nas suas pinturas, trazendo, assim, a arte africana para galerias europeias e escandalizando a burguesia racista.
Esse ladrão anarquista de estátuas não estava só arrecadando alguns francos com Picasso, estava testando a segurança no Louvre, com o seu último roubo de estátua ocorrendo poucos meses antes do maior assalto de todos, o roubo da Mona Lisa. Quando a ilustre pintura desapareceu, em 21 de agosto de 1911, a polícia acabou descobrindo a ligação de Picasso com as estátuas roubadas, embora estivessem tão distraídos com ele e seus amigos artistas, que não perceberam o plano maior.
A história completa desse lendário roubo agora é narrada em O Plano Anarquista para Roubar a Mona Lisa, um estudo em formato de livro sobre esses artistas e ladrões anarquistas, desde as origens, na década de 1880 até a década de 1910, quando organizaram o roubo da Mona Lisa. Não só roubaram a pintura, a mantiveram tempo suficiente para vender seis falsificações para grandes capitalistas como JP Morgan, gerando, assim, o equivalente a mais de um bilhão de dólares em moeda atual. Uma história de crime real como nenhuma outra.
Tradução > CF Puig
agência de notícias anarquistas-ana
Dança da mulher molhada
Ao vento o galho
Orvalho nas pétalas.
Silvia Mera
Discordo de chamarem aos regimes políticos onde existem eleições de "democráticos". Representatividade não é democracia. E regimes representativos, são elitistas;…
O conceito de liberdade como prática cotidiana e resistência constante às cercas — seja do Estado, do capital ou das…
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…