Chaos Star – Artigo do periódico italiano ‘Disfare’ sobre a repressão na Indonésia

Artigo do periódico italiano ‘Disfare‘ sobre a repressão na Indonésia, escrito por Palang Hitam. Versão corrigida atualizada: 17/3/26 Traduzida ao português: 18/3/26

Repressão e Resistência na Indonésia

De agosto a setembro de 2025, ocorreram distúrbios generalizados na Indonésia em várias cidades do Arquipélago. Foi a maior revolta social moderna do país e foi, provavelmente, desencadeada pelo assassinato de Affan Kurniawan, mensageiro online de motocicleta, que foi emblemático para muitos dos manifestantes: marginalizados, trabalhadores precários, pessoas de rua, trabalhadores e classes baixas. Affan foi assassinado pela polícia da Brimob Mobile Brigade em um veículo blindado, e a polícia o atropelou na frente da multidão em Jacarta. A morte ocorreu no contexto de um protesto contínuo contra a corrupção governamental, o aumento do custo de vida e a brutalidade policial. O assassinato desencadeou protestos em massa ainda maiores, que levaram a confrontos violentos com a polícia e as forças policiais paramilitares. Legisladores e políticos zombaram abertamente dos manifestantes, que apenas chamavam atenção para questões sociais imediatas que preocupavam a todos, e apontaram para o crescente poder reacionário do ex-regime militar. Desde os distúrbios, a repressão se tornou ainda mais intensa.

Começando em 30 de agosto de 2025, centenas de milhares de pessoas foram às ruas em cidades como Bandung e Jacarta, exigindo não só responsabilização e justiça para Affan, mas o fim de todo o esquema corrupto político-militar-capitalista. Métodos anarquistas e táticas de rua se tornaram comuns, assim como slogans e alvos anarquistas. As facções governamentais, partidos políticos, sindicatos e associações estudantis perderam completamente o controle da narrativa. Eles não conseguiram controlar a raiva nas ruas e o momento da revolta foi desencadeado. Muitos prédios governamentais, corporações, delegacias de polícia e residências de políticos seniores foram saqueados ou incendiados.

Em retaliação, o governo indonésio, liderado pelo ex-militar Prabowo, reprimiu a dissidência, especialmente os anarquistas, já que foram seus slogans e táticas insurrecionais que foram amplamente adotados durante a revolta. Mais de 6.500 foram presos, principalmente jovens, enquanto as autoridades prendiam e detinham indivíduos vagamente suspeitos de participação nos distúrbios. Por exemplo, muitas pessoas foram presas só por estarem perto de protestos ou por documentarem o que estava acontecendo no celular. “Anarquista” virou insulto para qualquer acusado de ser contra o sistema, mas acabou acendendo as ideias.

Para citar apenas alguns exemplos de casos “anti-anarquistas”: um jovem, Very Kurniaa Kusuma, foi violentamente preso e detido só por estar no lugar errado na hora errada com um telefone na mão, sem qualquer motivo real, além de ser contra as ações da polícia e querer gravar aquilo.

Rizky Ardiansyah (conhecido como Riky) e Muhammad Rafli Andriansyah (referido como Kipli) são dois anarquistas indonésios que enfrentam acusações exageradas apresentadas como crimes graves. Acusados de envolvimento em destruição de propriedade e criação de dispositivos incendiários, coquetéis molotov, essas acusações são infladas e politicamente motivadas. A realidade subjacente é que as acusações servem como cortina de fumaça para os esforços do Estado de criminalizar a resistência à autoridade e deslegitimar a guerra social contra o brutal regime de Prabowo.

Relatos de familiares indicam que ambos os companheiros presos sofreram abusos físicos graves na detenção. Foram espancados com varas e mangueiras, deixando hematomas e ferimentos visíveis. Apesar disso, os dois companheiros não deram nenhum testemunho falso. Riky e Kipli são corajosos e fazem parte da nova anarquia juvenil que está crescendo ao redor do mundo.

Alfarisi bin Rikosen, de 21 anos, foi preso em Surabaya e no complexo de Medaeng. Acusado de atacar um prédio do governo regional com molotov na revolta de agosto. Alfarisi foi uma das 288 pessoas detidas e torturadas em Surabaya, onde também há 32 anarquistas acusados. Alfarisi morreu, em decorrência de tortura, em custódia policial em 30 de dezembro de 2025, segundo o relato da família e do advogado.

A maioria dos réus foi presa arbitrariamente, com relatos generalizados de tortura na detenção. Os maus-tratos indicaram que muitos dos sequestrados nas ruas sofreram abusos físicos graves em interrogatórios, indicando o padrão da opressão sistemática patrocinada pelo Estado. Mais de 600 continuam detidos, mais de 70 acusados presos são anarquistas, presos, em geral, por tumultos, destruição de propriedade e incêndio criminoso, pegando até 5 anos de prisão. Alguns dos anarquistas acusados enfrentam penas de 20 anos ou mais por ações destrutivas graves, ferimentos, liderança e instigação.

Vieram à tona detalhes do tratamento brutal sofrido pelos prisioneiros. A maioria foi espancada e sufocada com sacolas plásticas, humilhada na frente uns dos outros, forçada a dar falso testemunho, agredida sexualmente, queimada com cigarros e outros fatos semelhantes que vemos em casos em que os serviços de segurança acham que têm mandato político claro para o abuso. Falsos depoimentos foram divulgados pela polícia para presos e pessoas do lado de fora, como falsa prova de “fulano delatou” etc., e parte da campanha de desinformação coordenada.

A maior parte dos anarquistas presos na Indonésia pertence à chamada rede ‘Estrela do Caos‘, grupo composto de mais de 40 “anarquistas individualistas” e “niilistas”, cujo “papel de liderança” foi atribuído a Eat (Reyhard Rumbayan), preso por ataque incendiário da FAI-IRF contra um banco em solidariedade ao anarquista ferido Luciano Tortuga em 2011. Eat e vários companheiros (perseguidos pela polícia para os prender) são acusados de mentores da revolta social. Todos os réus rejeitam as acusações e acusações implícitas na “conspiração” alegada pela polícia.

Eat foi espancado e torturado pela unidade antiterrorista Densus 88, que lidera o caso contra os anarquistas. Eat também é acusado de ser membro do Palang Hitam/ABC Indonesia. Eat ficou gravemente doente por falta de remédios para tratar a sua saúde, HIV+ e paralisia. Pela falta de provas das acusações graves, o advogado de Eat conseguiu libertação temporária antes do julgamento.

No momento em que escrevo esta, Eat está em prisão domiciliar em Bandung e continua sob investigação, enfrentando 20 anos de prisão. Eat foi preso em Makassar depois que a unidade antiterrorista Densus 88 usou o spyware Pegasus para penetrar e rastrear o seu celular. Eat foi rastreado por mais de uma semana e depois preso por 15 veículos do Densus 88 com metralhadoras. Parece que as autoridades policiais e o Densus 88 mapearam e registraram fortemente a presença anarquista online, usando o spyware Pegasus e coletando dados principalmente de serviços organizacionais, e depois atacaram extensivamente.

Outro camarada anarquista enfrentando longa pena de prisão é Adit (Aditya Dwi Laksana). Adit foi classificado como perigoso porque não quebrou sob tortura, então a polícia espalhou, do lado de fora, usando a divisão de crimes cibernéticos, nas redes sociais que Adit era informante. Os documentos judiciais revelam o contrário. Adit foi torturado muito severamente e tentaram danificar a sua visão. Ele é acusado de ações destrutivas em Getong, Bandung, destruição do Banco Hana e explosivos na Assembleia Representativa Popular Regional de Bandung. Enfrenta mais de 20 anos de prisão e, segundo os documentos judiciais, há provas pesadas contra ele, que atenderam a todos os requisitos para o julgamento. Adit era um dos vários camaradas que já estavam sob vigilância da Densus 88 [unidade antiterrorista] quando a revolta ocorreu. Adit está atualmente preso na prisão de Kebon Waru, perto de Bandung.

Escreva aos camaradas aprisionados na prisão de Kebon Waru:

Very Kurniaa Kusuma
Rizky Ardiansyah (Riky)
Rafli Andriansyah (Kipli) [erro: Kipli está detido na prisão de Solo, Java]
Aditya Dwi Laksana (Adit) [atualizado]

[nome]
JI. Jakarta No.42-44,
Kebonwaru, Kec. Batununggal,
Kota Bandung, Jawa Barat
Indonésia

Outros anarquistas presos em Kebon Waru:

M. Subhan Abdul Ghoni
Eli Yana
Muhammad Vanza Alfarizy
Joy Erlando
Muhammad Jalaludin
Jatnika Alan Ramdhani
Ariel Octa Dwiyan
Angga Friansyah
Putra Rizwan Annas
Wanda Abdul Rahman
Wawan Hermawan
Reyhan Fauzan Akbar
Arfa Febrianto
Rizal Zhafran
Muhibuddin
Muhammad Zaki
Arya Yudha
Rifa Rahnabilla
Marshall Andy Kaswara
Yusuf Miraj
Deni Ruhiyat
Rizky Fauzi
Maditya Dena

Todos acusados de agredir policiais e de violência em público pelos Artigos 170 (violência em público), 214 (resistência coletiva) e 406 (destruição de propriedade de outros) do Código Penal indonésio. A maioria desses prisioneiros são pessoas comuns que não têm ligação com anarquistas individualistas nem niilistas, são vítimas de prisões arbitrárias pela polícia e têm os julgamentos com acesso negado aos seus próprios advogados.

Palang Hitam / ABC enfrenta consideráveis dificuldades para operar na Indonésia neste momento e apela por ações de solidariedade e fundos para apoiar os réus. Por favor, doe para o fundo de solidariedade através dos noblogs Dark Nights ou de qualquer grupo ABC estabelecido há muito tempo.

Palang Hitam

Fonte: https://darknights.noblogs.org/post/2026/03/16/chaos-star-article-from-italian-periodical-disfare-about-the-repression-in-indonesia/

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

As pontas quebradas
dos lápis que te desenham
inda estão na mesa

Everton Lourenço Maximo

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