
Nos entusiasma e motiva convidar a companheiros, coletivos, editoras e iniciativas dos Balcãs e mais além de Skopie para a Feira do Livro Anarquista dos Balcãs 2026, que acontecerá de 24 à 27 de setembro. Com tenacidade e dedicação, assumimos a responsabilidade de albergar este comovente encontro de resistência, solidariedade e auto-organização. Esperamos dar-lhes as boas vindas para compartilhar quatro dias de encontros, debates, desacordos, aprendizagem, organização e luta coletiva.
Depois de quinze anos, a Feira do Livro Anarquista dos Balcãs regressa à Skopje, onde se celebrou pela última vez em 2011. Regressa a uma cidade completamente mudada, uma região transformada e um contexto global radicalmente alterado. O que permanece inalterado é a necessidade de nos encontrarmos, nos organizarmos, intercambiarmos e resistirmos juntos. O regresso da BAB à Skopje não é um gesto nostálgico, mas uma necessidade política: reconectar velhas e novas lutas, fortalecer laços regionais e internacionais e enfrentar as realidades do presente com força coletiva. Um novo movimento de anarquia está se mobilizando uma vez mais nesta cidade moldada pelas contradições, a devastação e a sobrevivência. Estão surgindo novos coletivos, grupos informais e iniciativas, reconectando com lutas passadas enquanto abrem novas frentes de resistência. Skopje está se convertendo uma vez mais em um terreno de confronto com o Estado, o capital e todas as formas de dominação.
As guerras já não são eventos excepcionais; estão se convertendo na cotidianidade do mundo. O imperialismo já não se esconde atrás de máscaras diplomáticas, mas transforma abertamente fronteiras, vidas e futuros. As novas tecnologias se desenvolvem a portas fechadas, em mãos privadas, enquanto que suas consequências afetam a todos nós: inteligência artificial, vigilância digital, controle algorítmico do trabalho, a educação, a saúde, a guerra e o entretenimento. Estamos excluídos dos dados, das decisões e das infraestruturas, mas obrigados a suportar sua carga, cada vez mais como objetivos da militarização e do controle social.
Ao mesmo tempo, uma nova onda de política reacionária está revertendo décadas de luta. Os movimentos antigênero atacam as mulheres, as pessoas queer e trans com renovada violência. Forças patriarcais, nacionalistas e religiosas estão mobilizando o medo e o ressentimento, moldando novas gerações com velhas hierarquias. A maquinaria econômica do capitalismo continua sua destruição sem fim, batendo novos recordes a cada ano em colapso ecológico, exploração, deslocamento e miséria social.
Estas crises não são independentes. Formam uma paisagem interconectada de dominação. É o resultado lógico do poder estatal, da acumulação capitalista, do controle tecnológico e da hierarquia social.
Nos Balcãs, estes processos globais adquirem formas particularmente brutais e visíveis. A região segue sendo tratada como um laboratório semiperiférico de austeridade, privatização, corrupção e extração. Estão construindo represas em rios, estão vendendo bosques, estão convertendo montanhas em minas e estão reconfigurando cidades para obter lucros especulativos, enquanto comunidades inteiras ficam sem água, ar limpo nem meios de vida seguros. A destruição ecológica avança pela mão do desemprego, da migração forçada e o desmantelamento do que resta da infraestrutura social.
Ao mesmo tempo, regimes populistas novos e reciclados, projetos nacionalistas e governos autoritários consolidam seu poder mediante o medo, a militarização, a misoginia, o racismo e o revisionismo histórico. As fronteiras dos Balcãs seguem sendo zonas de detenção, rechaço e morte para as pessoas em movimento, enquanto que as populações locais sofrem a disciplina da dívida, a precariedade e a crise permanente. No entanto, em toda a região, as lutas continuam: contra as centrais hidrelétricas, o extrativismo da água e da terra, os desalojos, a violência policial, a opressão de gênero, a organização fascista, os regimes fronteiriços e a exploração laboral. Estas lutas costumam ser isoladas, e é precisamente por isso que necessitamos espaços como a Feira do Livro Anarquista dos Balcãs para conectar, coordenar e resistir juntos.
Ante esta crua realidade, nos enfrentamos com uma tarefa compartilhada: responder de forma revolucionária e radical. Repensar nossas estratégias, reconstruir nossas redes e agudizar nossas práticas de resistência. Encontrar as frestas do sistema e atuar ali, juntos.
A Feira do Livro Anarquista dos Balcãs está a mais de uma década existindo como um espaço precisamente para isto: não só para livros, mas também para encontros, debates, desacordos, aprendizagem, organização, cuidado, frustração e renovação de forças. É um encontro emotivo que se nega a estancar-se em um só lugar, refletindo as realidades de nossa região e a necessidade de uma constante recomposição das lutas.
Em 2026, a Feira do Livro Anarquista dos Balcãs acontecerá em Skopje, de 24 à 27 de setembro.
Skopje é uma cidade com uma rica história de luta, revolta, repressão e sobrevivência. Uma cidade onde as culturas se encontram e chocam, onde o espaço urbano se disputa constantemente, onde as novas gerações voltam a formar grupos de resistência em condições cada vez mais duras. Desde as lutas obreiras até a organização antifascista, desde a resistência feminista e queer até as lutas ecologistas e de moradores, Skopje não é só um lugar de crise, mas também de potencial.
Convidamos a coletivos anarquistas, editoras, infoshops, iniciativas autônomas, grupos informais e indivíduos dos Balcãs e de outros lugares a reunir-se em Skopie para compartilhar experiências, análises, ferramentas e práticas. Os convidamos a trazer seus livros, fanzines, textos, cartazes, debates, oficinas, filmes, intercâmbios de habilidades e propostas. Os convidamos a trazer suas lutas, suas dúvidas, suas perguntas e sua ira, assim como suas energias e desejos de um mundo diferente.
A Feira do Livro Anarquista dos Balcãs não é um evento para espectadores e palestrantes, mas um espaço comum que construímos juntos. É um lugar para encontrar-nos com companheiros de diferentes contextos, aprender das derrotas e vitórias dos demais, debater, discordar e apoiar-nos material e politicamente. É um espaço para fortalecer laços entre locais e internacionalistas contra as fronteiras, os Estados e o capital.
Envio de propostas para eventos: bab2026@riseup.net
A assembleia organizadora está estruturando o programa da feira (de quinta-feira, 24 à domingo 27 de setembro). Nossa principal preocupação é incluir o maior número possível de apresentações e oficinas, mas também deixar tempo suficiente para um debate profundo sobre cada tema. O programa está previsto para as jornadas completas de quinta-feira, sexta-feira e sábado, com meia jornada no domingo.
Em tempos de guerra, autoritarismo, reação patriarcal, devastação ecológica e dominação tecnológica, insistimos em nos organizarmos sem governantes nem chefes. Insistimos na solidariedade em lugar da competição, da auto-organização em lugar da representação, da ação direta em lugar da delegação.
Nos próximos meses se oferecerão mais detalhes sobre a participação, o marco político, a logística e as datas limites para as contribuições. Lhes pedimos que traduzam esta convocatória a seus idiomas, a compartilhem conosco, a publiquem em suas plataformas e a compartilhem em seus canais de comunicação.
Se agradece a difusão.
Feira do Livro Anarquista dos Balcãs 2026, Skopje 24–27 de setembro de 2026
Contra a guerra, o capital, o patriarcado e o Estado – Pela solidariedade, a resistência e a liberação.
bab2026.espivblogs.net
Tradução > Sol de Abril
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agência de notícias anarquistas-ana
mamãe passarinho chocando,
papai trouxe a comida
festa na copa das árvores
Akemi Yamamoto Amorim
Discordo de chamarem aos regimes políticos onde existem eleições de "democráticos". Representatividade não é democracia. E regimes representativos, são elitistas;…
O conceito de liberdade como prática cotidiana e resistência constante às cercas — seja do Estado, do capital ou das…
Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…