
A história política e humana de Ilaria Salis, que está presa há um ano nas prisões húngaras do reacionário Orban, acusada de atacar neonazistas e mantida em condições sanitárias desumanas e indecentes, merece algumas breves considerações. Apenas para limpar o campo de mal-entendidos e interpretações errôneas, gostaríamos de enfatizar que o antifascismo militante é uma prática que caracterizou a história do movimento dos trabalhadores imediatamente após o advento dos primeiros esquadristas, durante a ditadura e após o fascismo, e na qual nos reconhecemos. Portanto, não ficamos chocados se um grupo antifascista agir com determinação contra certa ralé neofascista e neonazista. Pelo contrário, nossa solidariedade incondicional se estende a eles.
Historicamente, o fascismo tem sido o braço armado do capital em oposição aos processos de emancipação dos explorados, e é nesse contexto que esses últimos se organizam para impedir a reação, para sua defesa física e espaços de viabilidade política.
Não é coincidência o fato de que são principalmente as pessoas das camadas sociais mais baixas que acabam nas prisões.
As prisões também são uma ferramenta para reprimir aqueles que lutam e se rebelam contra um sistema que atende aos interesses de uma minoria em detrimento da maioria.
Sempre fomos sensíveis às reivindicações daqueles que são forçados a permanecer na prisão e nos mobilizamos repetidamente para apoiar os prisioneiros em luta. A prisão e a detenção na prisão por um ano de uma pessoa que ainda não foi condenada é uma medida preventiva que vai contra a “salvaguarda e o respeito aos direitos humanos e às liberdades” considerados os fundamentos de um estado liberal; o fato de Ilaria ser forçada a ficar dentro de uma jaula superlotada, em condições sanitárias muito ruins, sem a possibilidade de trocar de roupa e se lavar, com o fornecimento de comida ruim e podre, etc., desafia exatamente os direitos da justiça burguesa (consulta a documentos, assistência de advogados, visita dos pais, etc.), dos quais os países ocidentais, a Itália e a Europa em primeiro lugar, se orgulham, é algo vergonhoso e indecente que deve ser denunciado e para o qual deve ser encontrada uma solução imediata com sua libertação. Com um ano de atraso, a grande imprensa e parte da classe política estão indignadas com a forma como um “cidadão italiano” é tratado nas prisões de um país europeu, enquanto a atitude é oposta se o assunto da contenda for o estado de saúde das prisões italianas e as condições em que os prisioneiros são obrigados a viver. Superlotação das celas, insalubridade e antiguidade das instalações prisionais, detenções preventivas intermináveis, programas de reintegração inconsistentes, para citar apenas alguns dos aspectos críticos do sistema prisional italiano, que registra taxas muito altas de suicídio e automutilação.
Não podemos deixar de lembrar a bárbara medida do 41 bis, um instrumento de tortura e alienação do preso que não tem igual em outros países europeus. É fácil se indignar com o que acontece fora da realidade de seu próprio país quando os problemas em casa são igualmente graves. A ideia da prisão como instrumento de reintegração social é uma tolice que deve ser superada. Contra as tentativas de criminalizar a prática antifascista, pedimos a libertação imediata de Ilaria, bem como de todos os nossos companheiros de prisão. Nenhuma legitimidade para a direita xenófoba e nacionalista, seja em molho neonazista, legalista ou neofascista, fora ou dentro dos parlamentos.
Iniciativa Libertária – Pordenone
Tradução > Liberto
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Esse caso do orelha me pegou demais. A barbárie é cada dia mais real. E a propósito, belo texto liberto!
Esta coluna é uma ótima iniciativa. Precisamos de mais resenhas sobre os livros com temática anarquista que estão sendo lançados…
Noam Chomsky roots are in the Marxist Zionist "Hashomer Hatsair" youth movement. He even spent few months in an Israeli…
crítica válida e pertinente, principalmente para o momento atual.
Que a terra lhe seja leve, compa!