[Espanha] Jordi Gonzalbo, com valentia e alegria ao pé do canhão até o final

Um entristecido Tomás Ibáñez, Barcelona dezembro 2024

Na quinta-feira, 26 de dezembro [de 2024], quando só faltava uma semana para completar 95 anos, faleceu em Perpiñán [França] Jordi Gonzalbo. Sua figura é um claro exemplo desses companheiros que, desde a modéstia própria de quem evita figurar, sempre está na primeira linha quando o requer a luta libertária.

Havia nascido em 1930 no popular bairro gótico de Barcelona, em um entorno familiar que se caracterizou pelo repetido encarceramento tanto de seu pai como de sua mãe devido a sua militância cenetista. Em 1938 passou a França com sua mãe que se estabeleceu em Perpiñán, a poucos quilômetros da fronteira espanhola. Alguns anos mais tarde Jordi, que havia aprendido um ofício no ramo da construção, se integrou na Federação Ibérica de Juventudes Libertárias (FIJL) e, junto com outros jovens, constituíram um grupo autenticamente de afinidade que denominaram “o grupo de Perpiñán”.

Em 1962, quando a FIJL passou a ser o principal sustentáculo da luta frontal empreendida por Defesa Interior (D.I.) contra a ditadura franquista, a proximidade da fronteira espanhola e o dinamismo do grupo de Perpiñán fizeram que este se constituísse como um dos principais canais de introdução de propaganda libertária na Espanha, e de contatos com o “interior”, assim como de recepção dos companheiros fugidos da Espanha.

Em particular, Jordi e sua companheira Jeanine Lalet empreenderam com certa frequência o que no título de um de seus livros este qualificou como “Itinerários Barcelona-Perpiñán”. Uns itinerários nos quais espreitavam importantes perigos. Foi assim, a simples título de exemplo anedótico, como Jordi e Jeanine interviram na passagem clandestina à França de quem, faz algo mais de meio século, foi ministro de universidades, o sociólogo Manuel Castells.

Mas o perigo não só ameaçava no território espanhol, foi na França onde em 1963 Jordi foi detido pela polícia francesa no marco de um amplo ataque. Esta atuação do Governo francês estava encaminhada a neutralizar a FIJL e os companheiros mais veteranos, tais como Cipriano Mera por sua luta frontal contra o franquismo. Agora bem, essa onda repressiva não fez Jordi desistir da luta contra Franco, assim que o grupo de Perpiñán manteve seu ativismo durante toda a década dos sessenta e recrudesceu a intensa atividade de apoio à reconstrução do tecido libertário no “interior” em princípios dos setenta e durante os primeiros anos da transição.

Um traço que caracterizou Jordi Gonzalbo e que, lamentavelmente, não era muito frequente no exílio libertário espanhol, foi sua participação no movimento libertário galês integrando-se nas fileiras dos “Jeunes Libertaires”.

Outra de suas peculiaridades foi sua assídua colaboração na imprensa francesa nutrindo durante uns quinze anos a coluna do “Correo de los lectores” do jornal L’Indépendant com uns pequenos artigos belamente escritos e não desprovidos de humor.

Adentrado já na casa dos 90 anos, Jordi seguiu apoiando as atividades libertárias indo aos atos culturais e às manifestações reivindicativas, e nunca faltou, por exemplo, ao encontro festivo anual organizado pela CNT francesa em Perpiñán.

Somos muitos e muitas que sentiremos sua falta.

Fonte: https://redeslibertarias.com/2025/01/02/jordi-gonzalbo-con-valentia-y-alegria-al-pie-del-canon-hasta-el-final/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

entre os vinte cimos nevados
nada movia a não ser
o olho do pássaro preto

Wallace Stevens