
A mulher trabalhadora está sendo, mais uma vez, a grande esquecida da agenda política e dos meios de comunicação. O desemprego feminino aumentou neste janeiro em 32.000 mulheres, um percentual que duplica o dos homens, enquanto seguimos condenadas à parcialidade e à temporalidade dos contratos, sem que, ao que parece, nada disso torne necessário dedicarmos um único desses anúncios de medidas estrela com os quais o governo ocupa os holofotes. Enquanto isso, o sindicalismo e os movimentos sociais continuam sofrendo diariamente a repressão, como no caso de nossas companheiras das seis da Suíça, que enfrentam penas de prisão por fazerem sindicalismo.
Para a CNT, a luta sindical é indissociável da luta feminista, da mesma forma que o sistema capitalista é indissociável do patriarcado. A lógica capitalista faz com que as mulheres sejam destinadas a trabalhos imprescindíveis (limpeza, cuidados…), que atendem necessidades humanas, mas que devem ser realizados de forma não remunerada dentro do âmbito familiar ou em condições de exploração laboral doméstica e que não gozam de nenhum prestígio. Por outro lado, muitos empregos e atividades sem utilidade social ou diretamente antissociais (indústria militar, especulação financeira…) fortemente masculinizados, são realizados com alta remuneração e gozam de grande prestígio social.
Nesse marco capitalista e patriarcal, chega-se até a tentar convencer as mulheres de que a prostituição é uma atividade laboral como qualquer outra e que o proxeneta deve ser considerado um empresário, tentando até disfarçar isso como uma reivindicação sindical. A CNT considera que, em nenhum caso, a exploração do corpo da mulher pode ser considerada um trabalho, mas sim uma forma de violência sexual que, além disso, sustenta uma masculinidade hegemônica onde o desejo dos homens está no topo das relações sociais.
Este “mundo ao contrário” é o que a mulher trabalhadora enfrenta diariamente, sendo capaz de se reivindicar e se defender em um sistema profundamente misógino e tendo que lidar também, em muitas ocasiões, com o desprezo e a desvalorização por parte de seus próprios companheiros. A análise feminista reivindica um conceito de trabalho no qual o valor não se coloca na rentabilidade que uma atividade possa ter para o mercado capitalista, mas sim na importância que essa atividade tem para a manutenção da vida e a satisfação das necessidades humanas.
A mulher trabalhadora está criando um mundo novo neste instante, frente a um sistema que se devora a si mesmo. Na CNT, trabalhamos diariamente para ser uma ferramenta útil na luta contra o capitalismo e o patriarcado, contribuindo assim para as legítimas aspirações de emancipação feminina.
VIVA O 8 DE MARÇO
VIVA A LUTA DA MULHER TRABALHADORA
cnt.es
Tradução > Liberto
agência de notícias anarquistas-ana
O grito do grilo
serra ao meio
a manhã.
Yeda Prates Bernis
História sensacional! Desconhecia completamente essas informações.
Enquanto isso no Brasil...
Espaços como esse são fundamentais! Força compas. Vou contribuir!
A autoridade dos que são contra não é menos autoritária que as outras e encontra, quanto a mim, uma sólida…
Em agosto me mudarei com a família para o espírito santo. Mudança a trabalho. O lado bom é que terei…