
~ Mateo Sgambati ~
O encontro está sendo sediado em Chiapas pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), com o objetivo de “chegar a um acordo sobre o quê, como, onde e por quê” da demolição do capitalismo e de todos os sistemas hierárquicos. O evento foi aberto no fim de semana com uma marcha na qual todos carregavam bandeiras palestinas.
“Somos todas crianças palestinas”, disse o Subcomandante Insurgente Moisés na abertura do encontro. “Hoje, em uma das pequenas partes deste mundo, o sistema capitalista está cometendo genocídio contra o povo palestino. Não podemos esquecer, não podemos deixar de lado”.
Em comunicado anterior ao encontro, o porta-voz zapatista El Capitán (também conhecido como Marcos) havia se referido ao que significa “nascer, crescer, viver e lutar como povos indígenas em uma geografia onde ser ‘outro’ é motivo de desprezo, exploração, repressão e expropriação. ‘Ser’ onde ‘não ser’ é a norma e o estigma para aqueles que são diferentes”.
Vídeos da cerimônia de abertura e atualizações diárias das reuniões estão disponíveis na Rádio Zapatista.
Em outra parte de Chiapas, mais de 250 delegados de 60 comunidades e organizações reuniram-se de 25 a 27 de julho para um “Encontro Internacional em Defesa da Vida: Milho, Água, Território e Mãe Terra”. O evento de três dias reuniu grupos de base de todo o México, incluindo Oaxaca, Veracruz, Coahuila, Guerrero e Chiapas, além de participantes da Colômbia, Alemanha e do País Valenciano.
O foco do encontro foi o compartilhamento de experiências de resistência comunitária e a construção de estratégias comuns contra os “projetos de morte”: megaprojetos, militarização e crime organizado que ameaçam a terra e a água.
Os testemunhos destacaram lutas em curso. O MODEVITE (Movimento em Defesa da Vida e do Território) compartilhou sua luta de mais de uma década contra a rodovia San Cristóbal-Palenque. Coletivos de Oaxaca falaram sobre a resistência ao Corredor Interoceânico, às barragens e à mineração, enquanto ativistas de Coahuila relataram a defesa do riacho San Miguel contra a poluição industrial e o despejo de resíduos tóxicos. De Veracruz vieram denúncias sobre agrotóxicos distribuídos pelo governo, que prejudicam o solo e a saúde.
“Nossos territórios abrigam uma grande diversidade biocultural herdada de nossos ancestrais, hoje em grave perigo devido a um modelo de desenvolvimento extrativista enraizado numa lógica individualista, capitalista e patriarcal”, afirma a declaração final. As comunidades relataram pressões semelhantes: projetos impostos sem consentimento, consultas manipuladas, avanço do crime organizado e esforços sistemáticos para dividir assembleias locais em favor de interesses corporativos.
Delegados internacionais relacionaram essas experiências a lutas mais amplas. Redes colombianas descreveram a defesa dos rios no Vale do Cauca e a resistência das comunidades pesqueiras de Taganga contra a exploração costeira. O encontro também expressou solidariedade com os movimentos de mulheres curdas, as academias de Jineolojî em Rojava e com os civis sob cerco em Gaza.
“Sabemos que nem governos nem Estados resolverão nossos problemas”, afirma a declaração. “Devemos continuar caminhando juntos, tecendo nossos saberes e espiritualidades, pelo respeito à vida, começando por nossos próprios corpos e territórios”.
Fonte: https://freedomnews.org.uk/2025/08/04/zapatista-gathering-of-resistances-and-rebellions-opens-in-chiapas/
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