[Reino Unido] Jantando com o Diabo

Mesmo que Chomsky não soubesse nada dos crimes sexuais de Epstein, ser amigo do arquifascista Steve Bannon é imperdoável

Kell com Farshéa ~

O que havia no multimilionário Jeffrey Epstein que permitiu que um professor sênior, de cultura e formação fortíssimas, de uma das melhores universidades particulares do mundo fechasse os olhos para os rumores que circulavam sobre o seu gosto por adolescentes?

Sejamos francos, ninguém se surpreendeu quando JK Rowldemort apareceu nos arquivos, convidando Epstein para o show inspirado em Harry Potter. Nem quando tentou silenciosamente apagar os registros do iate. Ela é uma transfóbica séria que coloca a vida de crianças em risco ao financiar campanhas de ódio, e cujos livros e filmes estavam cheios de clichês racistas e antissemitas. Mas e Chomsky? O velho professor libertário e intelectual e aclamado pelo público?

Quando Norman Finkelstein foi convidado por Robert Trivers para sair com Alan Dershowitz e Epstein em 2015, ele respondeu: “Tenho a impressão de que, se Epstein colocou a sua filha aos 15 anos nessa posição, você não o descreveria publicamente como um ‘amigo’ nem pessoa íntegra idônea. Na verdade, espero que você estrangulasse tanto Epstein quanto Dershowitz rapidamente.”

Então, como é possível que os Chomskys estivessem tão isolados na sua torre de marfim a ponto de não ouvirem esses boatos quando Noam participou das soirées de casas na cidade em 2015?

Epstein já tinha cumprido pena por tráfico de menor, em 2008, mas a esposa, Valeria quer que todos acreditemos que, 7 anos depois, eles eram ingênuos, inocentes confiantes que foram enganados pelo brilhante vigarista. Toda a explicação dela depende do idealismo e da bondade de Noam; um especialista em linguística e nas maquinações do Estado americano, mas que, de alguma forma, em outros aspectos, era um inocente por fora. Então, ou Valeria também era igualmente ingênua, ou o casal simplesmente não tinha a firmeza moral de Norman Finkelstein.

O que chama atenção no seu texto é o quanto evitou mencionar a sua própria responsabilidade, ter conhecimento ou a sua cumplicidade.

Não acredito que Chomsky tenha ido a festas sexuais ou à ilha. Mas ele e Valeria foram à casa geminada de Epstein e ao Zorro Ranch (que agora está sendo exposto como mais um inferno para abuso infantil entre adolescentes). Sem esquecer que Chomsky está nos arquivos “fantasiando sobre a ilha caribenha”. Então ele e Valeria certamente eram companheiros de viagem e acompanhantes dos eventos de ricos e bem conectados de um homem excepcionalmente repugnante.

Mesmo que acreditemos em Noam e Valeria, vagando por grupos de pessoas ricas e poderosas, todos amigos do generoso Sr. Epstein, não sabiam nada sobre os crimes sexuais; nem daquele almoço de 3 horas intermediado por Epstein? Aquele pelo qual Valeria não pediu desculpas e está realmente torcendo para que não tenhamos notado?

Porque, como mostram as fotos, Chomsky, libertário repreensor do imperialismo americano e herói para muitos da esquerda e do anarquismo, fez amizade com um amigo improvável nesses encontros notórios. Entra, à direita do palco: Steve Bannon.

Ninguém esperava que Chomsky aparecesse nos arquivos, e absolutamente ninguém esperava que ele fosse um companheiro de bebida de um fascista internacional. O que os Chomsky estavam fazendo ao recebê-lo para almoçar em 10 de fevereiro de 2019? Bannon, que não só fez parte do primeiro gabinete de Trump, mas passou anos construindo vínculos entre partidos de extrema-direita e fascistas na Europa e América do Norte. Bannon de Breitbart, da supremacia branca nativista.

Eles não podem fingir que nunca ouviram falar de Bannon. Não são só fotos constrangedoras em festas. Foi um almoço de verdade de 3 horas. Com um fascista de verdade. Talvez tenha sido essa arrogância, como a de intelectuais liberais, professores estáveis, você pode conversar com pessoas do outro lado da divisão em uma trégua civilizada, por mais repugnante que seja, em nome do discurso intelectual e da curiosidade objetiva. Como um dos ‘intelectuais públicos’ do mundo, Chomsky tinha carta branca para sentar e conversar com um organizador fascista internacional. O que fez Valeria? Estava sentada à mesa? Ou lavando as mãos repetidamente no banheiro?

Tenho vontade de admitir que, enquanto tinham algum respeito por Noam Chomsky, anarquistas, anti-imperialistas e antifascistas, por décadas, citavam seus livros e pagavam suas contribuições; e estavam ele e esposa conversando num almoço com um poderoso organizador fascista. Após a Segunda Guerra Mundial, pessoas que haviam colaborado com os nazistas foram arrastadas para as ruas, as suas cabeças foram raspadas e elas foram exibidas para todos verem. Eu realmente gostaria de saber por que não deveríamos buscar a máquina de cortar cabelos agora.

(Lembrando todas as vítimas de Epstein e, em particular, Ava Cordero, moça trans de 16 anos que ele abusou entre 1999 e 2001 e que, depois, foi desacreditada, abusada e criticada pela mídia que o protegia).

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2026/02/12/dining-with-the-devil/

Tradução > CF Puig

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