O Câncer Dourado

O capital não é ciclo, é câncer. É a célula
que devora o corpo todo em nome do crescimento.
Sua liturgia é o preço, seu templo é o mercado,
seus santos são os barões com sangue escorrendo
pelas fendas dos dedos que contam o planeta.
Transformam rios em números, florestas em saldo,
afeto em serviço, o sonho em dívida perpétua.
O trabalhador é madeira para sua fornalha abstrata,
queimado para mover engrenagens que só cunham correntes.
Mas escutem: o rangido da máquina é sua tosse.
O colapso vem no ritmo do lucro insaciável.
Nossa greve é o anticorpo, o boicote é a faca,
a assembleia direta é o novo organismo, vivo,
que cresce nas ruínas podres do seu espetáculo vazio.

Liberto Herrera.

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Bolha de sabão.
Bolha cheia de ilusão
O vento de mim levou.

Setsuko Geni Oyakawa

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