[Grécia] Contra as ilusões eleitorais e a delegação de responsabilidades

Os grupos estudantis exploram o fato de que, ao ingressar na universidade, o estudante se depara com diversos desafios, e o processo eleitoral é apresentado como a única solução para esses desafios. Apresenta-se a narrativa de que o indivíduo, por si só, não tem a capacidade de analisar as condições e reivindicar a mudança, mas somente por meio da delegação e da integração em forças partidárias é que pode exercer ação política. Não há espaço para construir uma opinião pessoal, mas, ao contrário, o indivíduo é chamado a aliar-se à facção com a qual menos discorda. Apostam na sensibilização do indivíduo para as questões estudantis, sem exercer uma crítica aprofundada à forma como a realidade universitária está estruturada e sem apresentar uma contraproposta adequada.

O papel das eleições estudantis vem complementar a ação das facções, transmitindo a ideia de que somente por meio do voto e, posteriormente, da representação, o indivíduo pode ser politicamente ativo. Ao delegar sua ação política a agentes partidários, perde-se a possibilidade de socializar as reflexões políticas em contextos não definidos pela representação eleita. Perpetua-se a noção de que somente através da identificação de sua posição com a posição da maioria é que se pode reivindicar a mudança da realidade social.

Rejeitando essa interpretação, propomos a abstenção eleitoral consciente. A mudança real não se define por meio de relações de delegação, mas por meio de reivindicações comuns, igualitárias e horizontais, tanto no espaço universitário quanto em nossa vida cotidiana mais ampla. Em oposição às assembleias gerais hierarquizadas e aos processos eleitorais, nos organizamos a partir da base e participamos de lutas nas faculdades e nas ruas, sem intermediários.

Espaço comunitário autogerido de Pa.Pey

agência de notícias anarquistas-ana

Caminho do mar:
A navalha no meu rosto
corta que nem gelo.

Antonio Cabral Filho

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