[Espanha] Primeiro de Maio. Contra as guerras do capital, controle obreiro da produção

O interesse capitalista pelos recursos energéticos e territoriais está empurrando cada vez mais às sociedades mundiais aos desastres da guerra entre povos, os Estados, obedecem a seus amos impondo o belicismo, em maior ou menor medida, como forma de enriquecer rentistas e especuladores, enquanto as classes trabalhadoras sofremos a violência e o aumento do custo de vida, consequência desta espiral autoritária. A classe obreira nunca pode ser um sujeito passivo ante a imposição de qualquer ordem político-econômica, já que é a classe obreira quem torna possível com seu tempo e seu trabalho qualquer possível ordem…

Hoje ante a decadência do sistema liberal e suas consequências, a classe obreira deve romper com o imposto, manejado, e simples papel da “função laboral” que nos circunscreve unicamente na hierarquia do poder só ao “diálogo social”, quando somos muito mais que isso, somos o único motor da produção, não há outro, sem classe trabalhadora não há produção, e sem isso, não há governos, nem mercados, nem exércitos… si paramos, o mundo para, essa é a maior verdade da modernidade, e no entanto o capital estendeu uma enorme cortina de fumaça sobre esta verdade, para dividir-nos, apequenar-nos e individualizar-nos, empurrando-nos a ver só a coação diária à qual o capitalismo nos submete; estar obrigados a vender nossa força de trabalho para poder viver, manipulando e ocultando que há uma minoria que vive do trabalho dos demais, isso é o capitalismo, outro tipo de ordem mas do privilégio, como em seu dia foram as monarquias ou as burocracias soviéticas.

Nosso tempo histórico reclama com urgência resgatar a consciência de classe perdida, recuperar a ação direta, a solidariedade, a auto-organização e o internacionalismo, trabalhar a deserarquização, a equidade e o antiautoritarismo na luta obreira e social, romper com o delegacionismo no político e no sindical, e atuar acompanhados ante os ataques a nossa classe atendendo ao imediato e ao próximo.

Trabalhadoras, trabalhadores, ante um sistema que nos empurra cada vez mais à incerteza, à precariedade e à repressão, que nos instiga a enfrentar-nos entre nós; por ser daqui ou dali, por ser comum ou singular, por ser de um gênero ou outro, por ser instruídos ou incultos… Atendendo a toda nossa diversidade desde o anarcossindicalismo reivindicamos, antes de tudo, a identidade coletiva comum, a da classe obreira, que distingue entre exploradores e explorados em um sistema de dominação sobre a vida mesma.

Atendamos, pois, aos ataques a toda nossa classe, a imensamente majoritária classe trabalhadora, com ou sem emprego, que sofre as dificuldades de acesso a uma moradia, que padece o roubo salarial do trabalho não pago, que vive a condição de prescindível no econômico, que faz malabarismos para chegar ao fim do mês, que padece os acidentes e enfermidades laborais, a repressão estatal e as listas negras empresariais de trabalhadores que lutam, a que fica marginalizada ao não encontrar trabalho, a que é conduzida à eterna espera para tratar da saúde por falta de pessoal e meios enquanto os negócios privados de saúde enriquecem graças ao desinvestimento público dos gestores políticos, assim como ocorre com a educação, os serviços sócio-sanitários, ou a saúde pública que esta deixando que a qualidade da água, ar e alimentação seja cada vez pior, fundamentalmente pela contaminação sistemática do meio ambiente e a desnaturalização da natureza…

Por todo o dito e mais, pelo próximo e imediato, pelo distante e brutal, por suas consequências sobre a vida de trabalhadores, suas famílias e entornos; Organização e Luta até chegar ao Controle Obreiro da Produção… a única porta possível para mudar tudo, porque quem não muda tudo não muda nada, recuperemos a utopia revolucionária como horizonte, ou será a atrocidade que se imporá.

Recuperemos a consciência de classe, a solidariedade, o apoio mútuo… Começa por secundar conosco no 1º de Maio, dia da Classe Trabalhadora, aqui em Albacete. Que viva a luta da Classe Obreira.

União, Ação, Autogestão.

CNT-AIT Albacete.

cntaitalbacete.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

No terreno baldio
Ainda cheias de orvalho,
Campânulas!

Paulo Franchetti

[Chile] Organizações sociais e comunidades mapuche em resistência convocam para manifestação pelo 1° de Maio em Temuco

COMUNICADO 1º DE MAIO

As organizações sociais e políticas do Gulumapu, acampamentos de habitantes que hoje lutam pela moradia sustentável e de qualidade, comunidades do povo mapuche mobilizadas e em resistência, convocamos a reafirmar nossa luta este 1º de Maio, desde um espírito classista, anticolonialista, antirracista e anticapitalista, mantendo na memória os mártires de Chicago, obreiros que deram sua vida para defender o direito ao descanso, ao ócio e a denunciar a escravidão social que significa o trabalho de longas jornadas.

Frente à nova etapa que se abriu a nível internacional e nacional, hoje retomamos com maior força esse legado histórico e saímos a manifestar-nos em um contexto onde já não cabem os discursos ambíguos, vacilantes nem claudicantes dos setores progressistas da esquerda e da centro esquerda chilena. Isto ocorre em meio de um avanço mantido da ultra direita tanto no Chile como no mundo, fenômeno que diversas análises também identificaram como um desafio crescente para as forças democráticas e revolucionárias.

Neste cenário, as forças imperialistas, em aliança com setores conservadores, e o mundo do capital financeiro buscam ampliar suas riquezas e seu domínio mediante diversas formas de intervenção e conflito. Isto se expressa em genocídios como o caso da Palestina, na escalada de tensões no Oriente Médio — incluindo Irã — em guerras comerciais, e em intervenções militares e políticas na América Latina, como as impulsionadas pelos Estados Unidos, incluindo ações contra a Venezuela e o bloqueio a Cuba.

Tudo isso responde a uma lógica de expansão do poder e de aprofundamento de um modelo extrativista e de saque, que põe em risco a soberania dos povos e perpetua as desigualdades a nível global.

Denunciamos também que o avanço da ultra direita a nível internacional e nacional, é consequência da ausência de projetos e de direções políticas consequentes com as demandas dos trabalhadores do campo e da cidade. O governo de Boric se caracterizou por administrar e garantir a continuidade do modelo econômico neoliberal, promulgando leis que criminalizam a todo setor social que se mobilize por seus direitos e demandas, como a Lei Antitomas, a lei de usurpação, o aperfeiçoamento da Lei Antiterrorista, a Lei Nain-Retamal, a lei de pesca e outras medidas que fortalecem o resguardo da propriedade privada das grandes empresas, da multi sindical e da oligarquia, assim como o permanente Estado de Exceção, para resguardar o extrativismo e o latifúndio no território mapuche.

E hoje frente ao governo de Kast, rechaçamos categoricamente a Lei Miscélanea, que em palavras concretas para o povo trabalhador e para os territórios, implica redução de impostos para as grandes empresas e garantias para o saque extrativista. É um aprofundamento neoliberal para que a casta política e econômica sigam aumentando suas riquezas às custas do corte dos direitos sociais, como o anunciado por Quiroz onde propõe eliminar ou cortar mais de 140 programas sociais. Uma contradição total para quem diz ser “pró-vida e família”, mas ao mesmo tempo legislam para esfomear o povo e as infâncias, cortando todo avanço conseguido em matéria de direitos sociais e políticos.

As comunidades mapuche mobilizadas e em luta constante por recuperar seu território ancestral e seus direitos coletivos e históricos vêm enfrentando, desde os diversos governos de direita e esquerda do Estado chileno, a consolidação de uma política de perseguição e criminalização sistemática dirigida às autoridades ancestrais, weichafe, lutadores políticos e sociais sob um Estado de Exceção, que transformou o Wallmapu em um território sitiado por 15 bases militares e a promulgação de diversas leis punitivas contra todo ato de protesto político e social; Lei de usurpação, endurecimento da lei antiterrorista, lei Nain-Retamal, lei antitomas, constituindo tudo isso em um andaime jurídico desenhado para garantir a impunidade policial e castigar o protesto social mapuche e não mapuche.

Neste contexto situamos a emblemática montagem judicial contra Luis Tranamil Nahuel, preso político mapuche cuja condenação de 32 anos é o produto de um julgamento viciado que desconhece o direito a um devido processo e a presunção de inocência, demonstrando a confabulação dos poderes econômicos, políticos, judiciais e meios de imprensa hegemônicos. Este sistema de montagens judiciais se constituiu em uma norma aplicada a lutadores sociais mapuche e não mapuche e que na atualidade ascendem a quase 150 presos políticos reclusos nos cárceres do sul do Chile. Ante a negação do direito a um devido processo e a presunção de inocência exigimos a absolvição incondicional dos presos políticos mapuche reclusos nos cárceres do Estado chileno.

A situação que enfrentam na atualidade mais de 2 mil comunidades mapuche com aplicabilidade plena para restituição territorial via Conadi, é, a nula vontade política de dar resposta a esta demanda ancestral de parte do governo de Kast, expressa concretamente na eliminação dos fundos de apoio econômico para esta urgente demanda. Frente ao diagnóstico oficial do Estado entregue através da consulta indígena que projeta quase um século para resolver a crise de terras, as comunidades demandamos a restituição efetiva de 10 milhões de hectares baseando-nos no Az Mapu (direito próprio) correspondente ao direito consuetudinário e utilizando o mecanismo legal da expropriação vigente na atual Constituição chilena. Complementariamente, exigimos um fundo de reparação econômica para a reconstrução da economia mapuche, não como assistência, mas como compensação legítima pelo usufruto histórico de terras alienadas a favor de terceiros.

Estas políticas repressivas deixam em evidência um Estado chileno colonialista que sob um processo constante de usurpação e despojo tem como objetivo seguir outorgando garantias de investimento a capitais extrativistas nacionais e internacionais nas áreas de; das imobiliárias, obras rodoviárias, mineiros, hídricos, energéticos, marítimos e florestais no território mapuche ancestral.

E enquanto nos pede apertarmos o cinto com a desculpa de que não há dinheiro, toda esta agenda política seguirá concentrando a riqueza no 1% deste país, os mesmos setores que sendo beneficiados pela política da ultradireita, exigem aumentar as jornadas laborais e diminuir ainda mais o salário mínimo, que hoje não permite chegar ao fim do mês.

Sabemos que a distribuição da riqueza neste país, permitiria um salário mínimo de $850.000 mil pesos, no entanto, isto só se conseguirá com a unificação e organização do movimento sindical e trabalhador, que permita recuperar a consciência de classe e a organização de base, que por meio de seus históricos métodos como a greve e paralisação nacional, um caminho que a CUT abandonou, tornando-se cúmplice dos retrocessos que hoje tem a classe trabalhadora na passividade e resignação total.

Por isso nesta marcha, buscamos demonstrar na ação, a rearticulação em conjunto com os acampamentos, exigindo o direito à moradia digna como direito social humano e universal, portanto a transferência efetiva dos terrenos aos e às habitantes que decidiram por seus próprios meios construir suas moradias como única saída possível ante a especulação das grandes construtoras e imobiliárias que especulam com o uso do solo e tornam inalcançável o direito à moradia digna, sustentável e de qualidade.

Fazemos pública a denúncia e rechaço às ameaças de desalojo aplicando a lei antitomas, cremos que é de uma crueldade inaceitável sabendo que ninguém vive em acampamentos por gosto, mas necessidade.

É por esse motivo, que esta marcha terminará em um ato político cultural e uma panela comum no acampamento comitê ampliação Pichi Cautín, como uma demonstração concreta de que os acampamentos não estão sós e que os desalojos serão respondidos com unidade, luta e organização desde baixo, por que já não queremos que os poderosos sigam tornando-se mais ricos às custas da classe trabalhadora.

radiokurruf.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

sol na janela
dorme gato no sofá
cor de flanela

Carlos Seabra

[Espanha] 30 de abril – Dia da Sabotagem.

Hoje, 30 de abril, queremos resgatar da história anarquista essa data marcada como Dia Internacional da Sabotagem. Esse dia, a véspera de 1º de maio, parece ter suas origens nos anos 80 do século passado. Especificamente, começou em 1982 na Holanda: após a abdicação da Rainha Juliana e como resultado da indignação com o que foi considerado um desperdício de dinheiro público, foi feita uma convocação popular para sabotagem, que assumiu a forma de ataques a bancos e outros interesses capitalistas.

No ano seguinte, as ações de sabotagem se repetiram, mas dessa vez se espalharam por mais cidades europeias, tornando-se uma iniciativa internacional. Vale a pena mencionar as cidades de Londres, onde o dia foi vinculado às mobilizações “Stop the City” da época, descritas como “O Carnaval contra a guerra, a opressão e a destruição”. Na Espanha, a introdução desse dia deve ser creditada aos grupos autônomos de Euskal Herria, que chegaram a organizar caravanas de ônibus em apoio às mobilizações em outras partes da Europa.

Reivindicado acima de tudo pelo anarquismo internacionalista e apoiado por outros grupos autônomos, grupos de afinidade e até mesmo por alguns grupos marxistas revolucionários, o Dia Internacional do Sabotagem é uma data que ganhou relevância à medida que o 1º de maio se tornava cada vez mais distorcido e pacificado.

Organizar-se em torno de uma jornada para praticar e disseminar a sabotagem e dificultar o funcionamento da máquina capitalista foi uma tática para aquecer os ânimos e dar visibilidade ao conflito social, que teve seus ecos até o século XXI.

Em um contexto de crescente crise econômica e incipiente organização das classes populares, talvez precisemos recuperar a memória desse dia e, acima de tudo, sua essência de ação ofensiva e direta contra o capitalismo!

Fonte: https://editorialimperdible.com/2025/04/30/30-de-abril-dia-del-sabotage/

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em nosso universo
breve, passa, com pressa! e
graça, a borboleta

Issa

[Uruguai] Efemérides| 29 de abril de 1944, primeira feira do livro anarquista de Montevidéu e do mundo

As Feiras do Livro Anarquistas se popularizaram por todo o mundo nos últimos anos. Elas são uma amostra da constante e prolífica atividade cultural e ideológica do movimento, expressa tanto na publicação contínua de materiais (livros, revistas, etc.) quanto em sua divulgação e discussão nas palestras, exposições e controvérsias que nelas ocorrem.

Em Montevidéu, foram realizadas oito feiras do livro anarquista; as cinco primeiras ocorreram entre os anos de 2012 e 2016 nas instalações do Centro Social Autônomo La Solidaria, que foi desocupado em 2017. As seguintes foram realizadas no Centro Social Cordón Norte nos anos subsequentes, contando com uma importante afluência de público de diversas regiões do continente e do mundo.

Embora se considere como o início dessas iniciativas a feira realizada em Londres em 1983, encontramos em Montevidéu um antecedente anterior, quando, em 29 de abril de 1944, foi inaugurado o “Primeiro Salão do Livro Anarquista”, que, embora tenha um título diferente, segue exatamente o mesmo formato.

A atividade consistia na exposição de quase mil livros anarquistas de diversos autores e temas¹ e na realização de sessões de debate sobre “os problemas fundamentais de nossas ideias por meio de palestrantes em tribuna livre”, todos os sábados dos meses de maio e junho, às 22h30, no espaço “La Casa de los Libertarios”, localizado na esquina das ruas Yaguarón com Mercedes.

La Casa de los Libertarios havia sido fundada em outubro de 1943 e propunha, em sua declaração de princípios: “Defender o princípio da liberdade como elemento essencial para o desenvolvimento integral do homem e para uma relação social mais harmoniosa; por isso, considera o sistema de governo do homem pelo homem, assim como a atividade política que visa a isso, como propósitos que negam esse princípio. (…) Desenvolver e praticar a ação direta como tática de luta para poder construir os valores humanos indispensáveis para uma sociedade sem opressores nem oprimidos; sem explorados nem exploradores.”

Como se pode ver, a prática regenerativa e de ação direta anarquista tem sido uma constante em nossa região, impulsionando as primeiras associações operárias, associações cooperativas e as primeiras lutas revolucionárias contra o Estado e sua consolidação capitalista. São os mesmos princípios e diretrizes de ação que orientam hoje as diversas lutas autônomas que priorizam a auto-organização social e a ação direta, desprezando os becos sem saída da institucionalidade democrática, que apenas pretende oferecer pequenas concessões para garantir que os problemas estruturais não mudem.

Hoje, assim como os companheiros de La Casa de los Libertarios, apostamos em “desenvolver e praticar a ação direta como tática de luta para poder construir os valores humanos indispensáveis para uma sociedade sem opressores nem oprimidos; sem explorados nem exploradores”.

[1] Ver lista aqui: http://ateneuenciclopedicpopular.org/…/primer-salon-del

periodicoanarquia.wordpress.com

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Perto da montanha
Interrompe a caminhada
campo de margaridas

Eunice Kikue Okuma Cavenaghi

[Belém-PA] 1º de Maio de Luta e Luto

O Primeiro de Maio não é um dia de festa oficial, mas de memória e combate.

Diante da precarização, do avanço da pejotização e da exploração brutal do capital sobre os trabalhadores plataformizados, convocamos a classe para um 1º de Maio classista e de luta contra patrões e Estado.

“Trabalhar menos. Trabalhar todos. Redistribuir Tudo.”

PARTE I: ATO DE RUA (BLOCO AUTÔNOMO LIBERTÁRIO)


Iniciamos o dia com os setores mais combativos da classe trabalhadora em um
protesto de rua.

  • Local: Concentração em frente ao Ginásio Altino Pimenta (Doca de Souza Franco).
  • Horário: A partir das 08h.

PARTE II: Programação no CCLA

Após o ato de rua, as atividades continuam em nossa sede com política, cultura e solidariedade:

12:00 – Venda de Maniçoba Vegana com suco natural (disponível até as 14h).
14:00 – Audiovisual e Formação: Exibição do doc “Nosso Primeiro de Maio”,
seguido de vídeo palestra de Ricardo Antunes sobre a conjuntura do trabalho hoje, seguido de debate.
16:00 – Ação Direta e Solidariedade: Microfone aberto e distribuição de sopão
para pessoas em situação de rua.
18:00 – Show: Bruma Etérea com a participação da Cínica Radical.
19:00 – Poesia: Declamação de poesias libertárias (participação de Lis Dourado e Bzarro Zangado).
20:00 – Encerramento: Discurso final de fechamento.

Organização: CCLA – Centro de Cultura Libertária da Amazônia

cclamazonia.noblogs.org

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palmo a palmo
dedo a dedo
inicio teu percurso

Eugénia Tabosa

[Itália] Quando as palavras voltam a assustar… A delegacia de Roma coloca fora da lei “Addio Lugano bela”

por Mario Di Vito | (il manifesto, 26 de abril de 2026)
 
Polícias de primavera. Uma citação da tradicional canção está entre as motivações da proibição de lembrar os dois anarquistas mortos no parque dos Aquedutos
 
As palavras, como se sabe, são pedras. Os versos da canção anarquista Addio Lugano Bella foram lançados há 130 anos e ainda ferem. A prova está na medida com que, em 26 de março, o chefe de polícia de Roma, Roberto Massucci, proibiu a homenagem a Sara Ardizzone e Sandro Mercogliano, mortos uma semana antes no parque dos Aquedutos pela explosão acidental de um artefato que estavam construindo.
 
A proibição de lembrá-los foi acionada porque “nas horas seguintes aos fatos ocorridos” em Roma “foram pintadas pichações claramente incitando um clima de ódio contra a ordem constituída: Paz aos oprimidos, guerra aos opressores“. Que são, justamente, versos escritos por Pietro Gori em 1894. A pichação em questão apareceu na capital há algumas semanas, do lado de fora da estação Marconi da linha B do metrô. Não estava sozinha, havia outras como “A vingança será terrível”, “Fora 41 bis” e “Todos para fora das prisões”, mas a delegacia se impressionou com a citação da canção que narra um antigo exílio de anarquistas da Suíça, depois de mais uma das tantas derrotas judiciais de sua história. O que preocupa o chefe de polícia, principalmente, é a segunda parte: falar de “guerra aos opressores”, na verdade, seria uma “clara referência às instituições”. Poderia se dizer que a sobreposição entre “opressores” e “instituições” é fruto de uma livre interpretação da polícia, mas aqui não se faz crítica literária.
 
TRATA-SE, ANTES, da proibição de ir depositar buquês de flores no local da morte de duas pessoas, numa extraordinária demonstração de que a ordem pública se tornou um valor mais forte que o luto. E isso, pensando bem, assusta mais do que as palavras e até do que as pedras: nem o pesar é concedido aos anarquistas. Uma porção de decisões judiciais, nos últimos anos, nos explicaram que fazer uma saudação romana em memória de algum camarada morto não é uma tentativa de reconstituir o extinto partido fascista – crime – porque aquele gesto deve ser entendido como ato puramente comemorativo. O mesmo raciocínio, ao que parece, não vale para os anarquistas. Tanto que, quando no domingo, 29 de março, dezenas deles aparecem mesmo assim no parque dos Aquedutos, 91 são detidos e levados à delegacia. Alguns por se recusarem a fornecer sua identidade.


Outros preventivamente, como admitido pelo último decreto de segurança, que aqui é aplicado pela primeira vez. Basta um “estado de fato”, ou seja, uma suspeita, para passar até 12 horas numa delegacia. E nem é necessária uma decisão do Ministério Público: basta comunicar o fato ao promotor de plantão. E no final nem está previsto que seja explicado seja lá o que for.
 
EXPLICA O ADVOGADO Cesare Antetomaso: “No auto que fundamenta a detenção para identificação prolongada, que no caso do meu assistido se estendeu por quase 11 horas, não há praticamente nenhuma motivação capaz de relacionar com certeza a conduta de um cidadão sem antecedentes criminais, que trazia consigo uma flor para deixar perto do local onde duas pessoas perderam a vida em circunstâncias ainda a serem esclarecidas, àquilo que é previsto pelas novas normas”.
 
De incidentes, em todo caso, naquele dia no parque dos Aquedutos não houve nenhum: os anarquistas foram colocados em ônibus e levados, sem episódios de resistência a funcionário público. Alguns dos detidos, como penalidade, receberam uma ordem de afastamento (foglio di via), mas a questão é controversa. Esta medida, na verdade, só pode ser aplicada a quem cometeu “múltiplos crimes”, mas, novamente por decisão do governo Meloni, a manifestação não autorizada deixou de ser crime. É uma infração administrativa. E não se pode aplicar medidas policiais por uma simples multa.
 
QUE RESOLVAM OS ADVOGADOS, que já começaram a apresentar recursos. Conclui novamente Antetomaso: “Sem qualquer referência à periculosidade presumida do sujeito detido, a retenção se configura como ilegítima”. Não seria grande notícia. O próprio Gori, ainda em sua despedida de Lugano, dizia: “Expulsos sem culpa, os anarquistas vão embora“.
 
Fonte: https://ilrovescio.info/2026/04/27/quando-le-parole-tornano-a-far-paura/
 
Tradução > Liberto
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
beija flor perplexo
sem encontrar umidade
nem no bebedouro…
 
Haruko

[França] Sindicato dos Trabalhadores da Terra e do Meio Ambiente (para quê?)

Organizar os trabalhadores agrícolas

Quando se ouve falar de agricultura, é sempre pela perspectiva dos patrões, daqueles “pobres agricultores franceses”. Nós não somos patrões; a maioria de nós não possui terras. E, no entanto, trabalhamos em terras que não pertencem a ninguém. Queremos organizar a nossa solidariedade e lutar por melhores condições de vida. Junte-se a nós se for empregado, trabalhador sazonal ou agricultor independente. Se estiver aposentado ou desempregado, mas tiver experiência neste setor, será muito bem-vindo!

Para gerir as nossas próprias dificuldades

Em nosso sindicato, não temos um líder e não queremos um. Também nos recusamos a receber um salário pelo trabalho que fazemos. Acreditamos na autogestão, o que significa que todos os membros devem participar da vida do sindicato da melhor maneira possível. Isso também significa que cada voto conta e que todas as decisões importantes são tomadas na Assembleia Geral, para a qual todos os membros são convidados.

Para fazer a revolução

Melhorar nossas vidas dentro do capitalismo é necessário, mas não suficiente. Nosso objetivo é abertamente revolucionário: queremos acabar com a propriedade privada dos meios de produção, com o patriarcado e com o colonialismo. Acreditamos que, para fazer a Revolução, devemos retomar o controle da economia: das máquinas, da terra e assim por diante. E devemos produzir para o bem comum, e não para o lucro.

STTE 42

E-mail:

stte42@cnt-f.org (Loire)

ftte@cnt-f.org (França)

Site:

cnt42.cnt-f.org (Loire)

cnt-f.org (França)

agência de notícias anarquistas-ana

Insetos que cantam…
Parece que as sombras se amam
nos cantos escuros.

Teruko Oda

[Itália] Mestre: às ruas contra o 41bis

Sábado, 2 de maio, às 17h, na Piazzetta Coin, em Mestre (Veneza), para continuar a protestar contra a tortura de Estado e suas prisões de guerra. Ao lado de Alfredo, com Sara e Sandro em nossos corações.
 
Até o próximo dia 4 de maio, o ministro da Justiça decidirá sobre a renovação da “prisão severa” para Alfredo Cospito, anarquista detido há quatro anos sob o regime do 41bis.
 
O 41bis é, para todos os efeitos, uma “pena de morte em vida”. Uma arma de guerra que o Estado reserva para seus inimigos internos. Uma tortura legal da qual se sai morto ou como colaborador.
 
Vamos às ruas, mais uma vez.
Em solidariedade a Alfredo e sua luta.
Contra o 41bis. Contra toda prisão.
 
Companheiras e companheiros do Vêneto
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/13/italia-roma-fora-alfredo-do-41bis-18-de-abril/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Chuva cinzenta:
hoje é um dia feliz
mesmo com o Fuji invisível
 
Matsuo Bashô

[Espanha] 1º de Maio 2026: Contra a militarização e o imperialismo | CNT-AIT

Desde a CNT AIT entendemos que em momentos de agressões imperialistas e ameaças genocidas devemos posicionar-nos mais do que nunca contra o imperialismo, o fascismo, a guerra, o militarismo e o autoritarismo, que pretendem conduzir-nos ao abismo.

Quando a ameaça nuclear e a guerra se convertem em linguagem cotidiana, Estado e Capitalismo cruzaram uma linha que a qualquer pessoa, não com critérios morais, mas simplesmente com instinto de sobrevivência, deveria levar a atuar contra este sistema suicida no qual vivemos. Quando o fascismo já está nos governos dos países mais poderosos, e estendendo-se imparável em todo o mundo, não temos a opção de ficarmos quietos.

Os estados neocoloniais do ocidente estão superando de longe o conceito de “crime de guerra” (como se a guerra não fosse um crime em si mesma) e se adentram sem pudor nem vergonha no genocídio e no extermínio de populações inteiras.

Desde as declarações e jornais nos apresentam esta absurda escalada bélica como fruto do governo de um desequilibrado nos EUA, mas nós não somos tão inocentes; sabemos que por trás de Trump há grandes poderes econômicos e políticos com interesses muito concretos; não é a estabilidade mental de uma pessoa o que deve preocupar-nos, mas a própria arquitetura do poder internacional. Nós não temos a memória tão frágil, e não esquecemos os governos europeus aumentando seus gastos militares, chamando ao rearmamento e pensando em reinstaurar a militarização da população através do serviço militar.

A guerra é a maneira clássica em que os estados mais poderosos despojaram os mais fracos de seus recursos e riquezas. Às vezes de maneira encoberta, financiando grupos armados às escondidas, como no Congo, ou Sudão e sumindo regiões inteiras em guerras intermináveis. Às vezes de forma explícita, como estamos vendo no Oriente Médio e na Ucrânia. Isto não é uma anomalia, é a base mesma sobre a qual se construíram os estados e o capitalismo; um sistema para o qual a guerra é parte da estrutura de sua política exterior e econômica e o fascismo sua ferramenta de emergência para quando as coisas vão mal.

Vivemos em uma sociedade que chama terroristas e violentos os que queimam uma caixa ou assaltam fábricas de armas, ou a quem defende seu trabalho em uma greve, ou apoiam a seu vizinho em um desalojo. Resulta curioso ver como a margem de tolerância se amplia até o grotesco quando o líder da principal potência ocidental e seus sócios chamam abertamente ao extermínio de populações inteiras. Este duplo padrão não é casual, faz parte de uma ordem internacional construída para proteger os que concentram poder econômico, militar e midiático. Uma ordem na qual as normas existem, mas sua aplicação depende de quem não as cumpre.

NEM GUERRA ENTRE POVOS, NEM PAZ ENTRE CLASSES

POR UM MUNDO SEM FRONTEIRAS, SEM ESTADOS E SEM EXÉRCITOS

CNT-AIT Madrid – PZ Tirso de Molino 5, 2 izq. y 6 dcha.  madrid.cntait.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Folhas do ciclame
o vento pra lá e pra cá –
um coração pulsa.

Anibal Beça

[França] Palavras gentis para os policiais na universidade de Reims

O campus da URCA em Croix-Rouge foi coberto de pichações contra a polícia, nas paredes da biblioteca, em instalações militares e em outros prédios.

Um verdadeiro festival de grafites antipoliciais: o campus da URCA (Université de Reims Champagne-Ardenne) em Croix-Rouge foi alvo de uma série de mensagens antipoliciais descobertas na segunda-feira, 27 de abril de 2026: “morte aos policiais”, “foda-se a BAC”, “a polícia é fascista” e outras expressões, incluindo a infame “ACAB” (“Todos os policiais são bastardos”). O muro da biblioteca Robert de Sorbon estava coberto com essas palavras escolhidas a dedo, dirigidas às forças da lei, mas elas também foram encontradas em vários outros prédios […]

Fonte: https://attaque.noblogs.org/post/2026/04/27/reims-des-mots-doux-pour-les-flics-a-la-fac/

agência de notícias anarquistas-ana

no funeral
flores
que ele jamais lhe deu

Ruby Spriggs

[Argentina] 1º de Maio | Nem com o Estado • Nem com a burocracia • Organização livre

Neste 1º de Maio, voltamos às ruas para comemorar este dia de luta e protesto internacional!

Como há 140 anos, nós, trabalhadores e trabalhadoras, saímos às ruas para protestar contra nossas condições de vida e de trabalho. Assim como os Mártires de Chicago, nós, trabalhadores e trabalhadoras, protestamos contra a exploração capitalista.

Como todos os anos, a Federación Obrera Regional Argentina realizará, às 16h, na Praça Once (Buenos Aires), nossa manifestação pelo 1º de Maio.

Oficios Varios Capital Fora

fora.com.ar

agência de notícias anarquistas-ana

Arrastar espantalhos pelo chão
é o que a tempestade
faz primeiro.

Kyoroku

[Holanda] 2 de maio: Piquenique Revolucionário de Rotterdam


A revolução começa ao meio-dia! Algo especial está acontecendo em Rotterdam! As pessoas sentem a necessidade de reivindicar o espaço público e se reconectar umas com as outras. Por isso, convidamos você para este piquenique revolucionário. E traga seus vizinhos, seus amigos e sua família. Assim, poderemos redescobrir o que é criar conexões verdadeiras, compartilhar nossos desafios e unir forças!“, diz o convite.

O Piquenique Revolucionário de Rotterdam acontecerá no dia 2 de maio, às 12h! Com microfone aberto, um jantar comunitário (vegano), jogos, zines e atividades para crianças. Queremos nos reconectar para construir uma comunidade mais forte! Nos encontraremos no Het Park, no lado nordeste, perto dos banheiros. Não se esqueça de trazer algo divertido, como comida, uma cadeira ou um jogo!

Este piquenique se tornará uma série de eventos que acontecerão todo primeiro sábado do mês, cada vez em um parque diferente de Rotterdam. Esperamos ver você lá, junto com muitos outros!

agência de notícias anarquistas-ana

bate o vento frio
meu violão desanima
sobe o som do rio.

Leticia Kamada

[Rússia] Já estão abertas as pré-vendas do livro de Alejandro de Acosta, “Moralia. 3½ ensaios sobre o niilismo”

O livro de Alejandro de Acosta, “Moralia. 3½ ensaios sobre o niilismo”, já foi enviado para impressão. A editora “Egalité” abriu as pré-vendas.

Alejandro de Acosta é um pensador contemporâneo que atua na intersecção entre a teoria anarquista, a filosofia do niilismo e a poética do cotidiano. Seus textos combinam rigor intelectual com um estilo experimental, além de darem destaque às formas marginais e não discursivas de resistência. Além de seus próprios ensaios, ele é conhecido pelas traduções de obras fundamentais sobre o anarquismo e a teoria crítica, que criam um espaço único de diálogo entre as tradições.

Os textos incluídos no livro “Moralia. 3½ ensaios sobre o niilismo” diagnosticam o fim da política e exortam a ir além do pensamento partidário e institucional, rumo ao deserto das tempestades e furacões sociais, onde não há mais qualquer fundamento para revoluções e ativismo. À luz das múltiplas catástrofes, o niilismo perde seu significado diagnóstico, como reação ao declínio da civilização, e se torna uma poderosa teoria da ação social, que convida a confiar na imaginação, na força dos desejos e em formas de interação não sujeitas a estruturas institucionais.

Volume: 124 páginas

Preço: 950 rublos (Rússia), 35 lari (Geórgia), 13 dólares (resto do mundo)

O envio dos livros terá início a partir de 4 de maio.

Gostaria de fazer uma resenha do livro para um canal ou revista? Escreva para a “Egalité” e conte-nos um pouco sobre você, e a editora enviará uma cópia digital.

Para fazer o pedido do livro, escreva para o bot (https://t.me/egalite_book_bot) de atendimento do canal do Telegram “Egalité”.

agência de notícias anarquistas-ana

Voar sempre, cansa –
por isso ela corre
em passo de dança

Eugénia Tabosa

[Grécia] A identidade do anarquista Kyriakos Xymitiris é descrita por sua mãe através de seu depoimento no 3º dia do julgamento do caso Ampelokipi

 
“Nosso filho Kyriakos sempre foi voltado para o bem. Ele se importava e valorizava todas as pessoas, sem hierarquia, e o que lhe interessava era ser, não parecer. Ele se preocupava em ajudar, cuidar de tudo, apoiar, ouvir, doar. Ele celebrava a vida todos os dias, com pequenos e grandes atos difíceis. Porque era isso que fazíamos em nossa família.
 
Conosco, ele aprendeu a compartilhar, a doar e, a partir de suas próprias falhas, aprendeu que nossa família faz parte de um todo: somos parte da sociedade – que geralmente sofre. Ele aprendeu que estamos JUNTOS. Lutamos sempre por justiça e igualdade e contribuímos de todas as formas.
 
Em nossa vida de combate, seu pai cuidava dos doentes – ele era médico no Serviço Nacional de Saúde – e eu, sua mãe, recebia os estudantes e os ajudava a se orientar no vasto mundo em que vivemos hoje; eu era professora em escolas públicas.
 
Ao longo de sua infância, mensagens chegavam de todos os lados indicando que ele estava se tornando uma pessoa afetuosa e de espírito brilhante. Ele foi aprovado nos exames acadêmicos e ingressou na PA.PEI (Public Association of Pearson Institute) para cursar Ciência da Computação, trabalhando simultaneamente, o que lhe permitiu ter condições de frequentar uma faculdade particular e também estudar Sociologia. Posteriormente, foi aceito na Universidade Livre de Berlim, para onde se mudou para estudar. Formou-se com honras, trabalhando ao mesmo tempo para não sobrecarregar as finanças da família.
 
Mas ele olhou ao redor, para o que estava acontecendo no mundo. Viu e sentiu que as pessoas sofriam com a ansiedade do dia a dia, com as dificuldades econômicas, com a exploração dos poderosos, com o racismo, com a guerra às portas, todos esses flagelos que, infelizmente, não estão ausentes das sociedades humanas. E por tudo isso ele se posicionou.
 
Ele escolheu lutar. Apoiou pessoas com problemas de saúde, problemas de moradia, imigrantes em sua adaptação. Participou de coletivos, de passeatas contra o racismo, contra a lei do mais forte. Para Kyriakos, não existia “nós” e “os outros”, existia JUNTOS. Porque ele sempre gostou de aprender, de ler, de expandir seus horizontes, de “ligar os pontos” e, por meio da discussão, chegar a novas conclusões, mas sem se tornar intransigente e dono da verdade.
 
Mas agora ele não está mais conosco. Sua perda é insuportável para mim e para o pai dele. Os dias passam, mas os momentos vêm e vão. Lutamos diariamente. Nossas vidas se dividiram em ANTES, na quinta-feira, 31/10/2024, às 14h40, e DEPOIS, na quinta-feira, 31/10/2024, às 14h40.
 
O que guardo agora em meu coração é sua amada companheira, sua alma gêmea, Marianna. Porque esses dois são muito parecidos. Assim como Kyriakos, Marianna são almas raras, têm um olhar sensível, são sábios, amorosos e honestos, e estão sempre presentes onde quer que sejam necessários. Com dignidade e consistência.
 
Não vim aqui para julgar o filho. Vim aqui para lhes dar a sua imagem e para sentirem a sua presença. Afinal, ele assumiu as suas responsabilidades da melhor forma. Esta luz que também nos chega, a nós, seus pais, como um raio que tenta preencher a fenda do tempo. São os seus amigos e amigas, os seus companheiros e companheiras, uma palavra que tem sido mencionada com tanta suspeita. Crianças que poderiam viver uma vida fácil e despreocupada, mas que, em vez disso, escolheram lutar, reivindicar, sentir a dor dos outros como se fosse sua, e que se mantêm lado a lado em solidariedade. Tal como o nosso filho. Sinto-me feliz por sentir que o meu filho viveu e vive plenamente entre eles. E assim a sua ausência torna-se uma presença.”
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/11/06/grecia-atenas-aqueles-que-caem-no-calor-da-batalha-nunca-morrem/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Em cima da folha
Joaninha descansa
Que colorido!
 
Andréa Cristina Franczak

[Itália] 1º de Maio de 2026 no Circolo Culturale Anarchico “G. Fiaschi”

PRIMEIRO DE MAIO DE 2026
no Circolo Culturale Anarchico “G. Fiaschi”
via Ulivi 8/B, Carrara

O Primeiro de Maio há tempo perdeu o caráter de ruptura dos tempos passados, revestindo-se da ritualidade das manifestações de testemunho próprias destes tempos modernos. O mesmo poderia ser dito de vários outros nossos momentos tradicionais de luta. No entanto, a atual realidade social — entre incessantes massacres no trabalho e um crescente clima belicista no qual a habituação ao horror está ao alcance de qualquer um — necessita hoje, como ontem, do desencadeamento daquelas más paixões de que falava Bakunin. Pois somente a força propulsora e libertadora de uma ideia e de uma prática revolucionária coerente pode dar trabalho aos senhores da guerra e da exploração.

A liberdade é uma qualidade que se experimenta colocando-se em risco, escreveu um companheiro anarquista que por toda a vida uniu pensamento e ação. Uma observação verdadeira como uma razão de viver, uma constatação que vale mais que mil palavras. Sabe bem disso Alfredo Cospito, recluso no 41 bis por ter continuado a se expressar sem receios nem compromissos, e para quem em maio expirarão os primeiros quatro anos de aplicação daquele regime de tortura branca. Sabiam bem disso Alessandro Mercogliano e Sara Ardizzone, companheiros anarquistas que todos conhecíamos, tragicamente mortos em ação no mês de março em Roma. Sandro e Sara nunca fizeram mistério de suas convicções anarquistas. A despeito das alucinações dos vendidos da pena, não tinham uma “vida dupla”. E sua tenacidade se entrelaçava a uma doçura e uma modéstia imensuráveis.

Os senhores da nova inquisição, os produtores de morte que obtêm lucros da guerra, os massacreiros de hoje e de ontem — responsáveis por todos os massacres de Estado, de matriz neofascista e em conluio com a OTAN — certamente não estão em condições de dar lições de moral aos anarquistas. As forças repressivas gostariam de impor o silêncio sobre a vida e as escolhas destes nossos companheiros anarquistas. Eis por que neste ano, por ocasião do Primeiro de Maio, pretendemos lembrar Sandro e Sara, companheiros extraordinários que gostaríamos de ter conosco neste dia, e, ao lembrá-los, defenderemos a coerência e a integridade revolucionária que tiveram até o fim.

Nos encontramos na sexta-feira, 1º de maio, às 12h30, no Circolo Culturale Anarchico “G. Fiaschi” para um almoço em buffet. Durante todo o dia, o espaço estará aberto com distribuição de livros e publicações anarquistas e libertárias.

Site: circoloculturaleanarchicofiaschi.noblogs.org
E-mail: circolofiaschi@canaglie.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Cresce a erva do tempo, devagar,
brota do chão
e me devora.

Thiago de Mello

[Espanha] 1º de maio: Corre companheira! O velho mundo fica atrás de nós.

Hoje não marchamos por nostalgia nem por ritual. Marchamos porque o presente arde e o futuro querem nos arrebatar. Marchamos porque o trabalho segue sendo exploração, porque a obediência se nos impõem como virtude, e porque a dignidade ainda se negocia em mercados que nunca elegemos.

O velho mundo — da hierarquia, da submissão e do medo — se quebra sob nossos passos. Não o empurramos por capricho, mas por necessidade. Cada jornada laboral precária, cada direito cortado, cada vida subordinada ao lucro de uns poucos confirma que não há reforma suficiente dentro deste sistema.

Não há futuro sem desobediência.

Desobedecer é recordar que não nascemos para obedecer a ordens injustas. É negar-se a aceitar que a vida se reduza a sobreviver. É organizar-nos sem amos, construir sem permissões, resistir sem medo. A desobediência não é caos: é a semente de uma ordem nova, nascida desde baixo, horizontal, solidária e livre.

Frente aos que nos querem isoladas, escolhemos a comunidade. Frente aos que nos querem dóceis, escolhemos a ação direta. Frente aos que nos querem cansadas, escolhemos a luta compartilhada.

Paz. Trabalho. Revolução.

Falar de paz hoje não é ingenuidade: é uma urgência. Vivemos em um mundo atravessado por guerras abertas e conflitos permanentes, onde milhões de pessoas são deslocadas, exploradas ou sacrificadas em nome de interesses que nunca são os seus. As decisões que conduzem à guerra se tomam longe dos que a sofrem, em escritórios onde a vida humana se reduz a cifras, recursos ou fronteiras.

Nos dizem que a guerra é inevitável, que é parte da ordem do mundo, que devemos escolher lado e aceitar suas regras. Mas a guerra que nos impõem não é a nossa. Não lutamos por bandeiras nem por mercados, nem pelos lucros de elites políticas ou econômicas que jamais pisam no front.

A paz que defendemos não é a paz do silêncio, nem a paz dos cemitérios, nem a paz imposta pela força. É uma paz construída desde baixo, desde a justiça social, desde a igualdade real e o fim de toda dominação. Porque não pode haver paz enquanto exista exploração, enquanto a riqueza de uns dependa da miséria de outros, enquanto a vida esteja subordinada ao poder e o lucro.

Rechaçamos um mundo onde a violência é negócio e a guerra uma indústria. Rechaçamos que nossas vidas sejam instrumentalizadas para sustentar sistemas que necessitam do conflito para perpetuar-se.

Nossa paz nasce do apoio mútuo, da solidariedade entre povos, da desobediência aos que nos empurram ao enfrentamento. É a paz dos que se negam a matar e a morrer por interesses alheios. É a paz que se constrói organizando-nos, resistindo e criando alternativas.

Porque lutar pela paz hoje é também lutar contra as causas que tornam a guerra possível. E essa luta — coletiva, consciente, insubmissa — é já uma forma de revolução.

Hoje, como ontem, o anarcossindicalismo não pede permissão: constrói alternativas. Desde os sindicatos de base, as redes de apoio mútuo, as greves, as ocupações, as cooperativas, as ruas. Ali onde haja exploração, haverá resistência. Ali onde haja obediência, haverá rebeldia.

Que tremam os que sustentam este mundo velho.

Que se escutem nossas vozes em cada trabalho, em cada bairro, em cada rincão.

Porque não esperamos o futuro: o estamos criando.

Viva o Primeiro de Maio!

Viva a luta da classe trabalhadora!

Pela anarquia e o apoio mútuo!

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Cachorro vadio
À sombra da quaresmeira
Dorme sobre flores

Tony Marques