[Espanha] Símbolo Anarquista: entre o irracional e o racional

Por Simón Royo Hernández

O anarquismo clássico do século XIX foi eminentemente racionalista e moderno. Na era da luta contra o Trono e o Altar, contra reis e Papas, contra a Igreja e o Estado em sua forma ainda medieval, os anarquistas adotaram o pensamento mais avançado e certeiro para combater tais abominações. A associação com liberais e socialistas para derrubar os aristocratas era, então, compreensível. Mas, após um século XX no qual, pela parte liberal, o capitalismo foi entronizado e, pela parte socialista, deu-se lugar ao socialismo autoritário, revelando-se durante o século XXI como os sonhos da razão criam monstros, o anarquismo contemporâneo acolhe tanto o racional quanto o irracional, a totalidade da experiência humana, como terreno a partir do qual lutar contra toda dominação.

Essa deriva do pensamento anárquico contemporâneo em direção a formas mistas de raciocínio intuitivo ao mesmo tempo que de pensamento conceitual e científico, impulsionada pela integração das críticas à Modernidade do pós-estruturalismo que vieram a ser denominadas pós-modernas, levou a que os nostálgicos do anarquismo clássico protestassem com veemência, querendo ancorar uma tradição e praticar uma forma de anarquia monolítica e própria dos séculos passados.

O pós-anarquismo, ou a ontologia anárquica, não pretende negar nada do pensamento de Bakunin, Kropotkin, Proudhon e outros clássicos que são tidos em conta em sua integridade, mas sim atualizá-los, vinculando-os a pensadores contemporâneos de talante anárquico que manifestaram e propuseram teses relevantes para a evolução, o desenvolvimento e a implementação prática do anarquismo.

Ir de Reiner Schürmann a David Graeber, passando por Giorgio Agamben ou Cornelius Castoriadis, por Jacques Rancière ou Gilles Deleuze, Michel Foucault ou Jacques Derrida, como fizeram pensadores contemporâneos como Catherine Malabou, Donatella Di Cesare, Andityas Matos, Miguel Abensour, Tomás Calvo, Jordi Carmona ou nós mesmos, somente pode enriquecer o anarquismo clássico, acrescentando uma virada anárquica ao pensamento contemporâneo que se conecte e favoreça o anarquismo político, anquilosado e sobrecarregado pelo passado.

A partir de um posicionamento filosófico anarquista contemporâneo, no entanto, o passado está cheio de anarquia a ser reivindicada, e uma história da filosofia anárquica torna-se indispensável, uma contra-história que impugna o relato da Modernidade e que nos faz ver a anarquia posta em prática em lugares e épocas nos quais havia sido silenciada.

Da mesma forma, está claro hoje em dia que o anarquismo e a anarquia não são mais algo tão específico do proletariado, classe social esmaecida pela crença de que grande parte das populações dos países chamados mais desenvolvidos seriam “classe média”, embora continuem sendo assalariados e força de trabalho, de modo que “proletariado” já não está claro a qual grupo social designa e, se designa os que trabalham com as mãos no campo e na indústria, essa denominação não integraria hoje em dia os milhões de trabalhadores do setor de serviços, quase inexistente na época de Bakunin, escriturários, técnicos, trabalhadores online e milhões de outros que também são força de trabalho.

A anarquia e o anarquismo atravessam todas as classes sociais diluídas e até pode-se encontrar, como fez Pessoa, se quisermos admitir o paradoxo de seu famoso relato, algum ou outro Banqueiro anarquista.

Obviamente, os paradoxos horrorizam o pensamento Moderno, mas nem tanto o pensamento contemporâneo, que admite o paradoxo e a contradição, que integra a totalidade do ser humano, com seus aspectos múltiplos, polimorfos, cambiantes e paradoxais, para realizar propostas anarquistas sem cometer os erros eurocêntricos, colonialistas, de racionalidade instrumental, tecnicização e cálculo, redutores da qualidade à quantidade.

Nesse sentido, o irracional, o inconsciente, o sentimento e a intuição são levados em conta pelo anarquismo contemporâneo e, dentre o que é tido por esotérico e desprezado como não científico e escassamente racional, também se podem extrair lições de anarquia, como fez Andityas Matos, ao se atrever a pensar e escrever de maneira diferente e outra a como é obrigado na academia científica, reivindicando mergulhar na alquimia, suposto precedente da química, para encontrar nela também a Anarquia:

“Primeira conclusão, portanto: as contrapolíticas alquímicas são an-árquicas, sem fundo, sem fundamento, sem ser separado, sem comando, sem destino, sem finalidade”¹

Também outro filósofo anárquico, Giorgio Agamben, recolheu ideias anárquicas da alquimia. Agamben equipara o ato de escrever e criar arte com o trabalho do alquimista da Idade Média; para ambos, o processo não consiste simplesmente em produzir um objeto externo — a pedra filosofal ou a obra — mas em transformar o próprio criador durante o processo, como expressou em “Opus Alchymicum”, um ensaio publicado em seu livro O fogo e o relato, onde demonstra que a transmutação poética e ontológica e a transmutação material estão indissoluvelmente unidas:

“O pintor, o poeta, o pensador — e, em geral, qualquer um que pratique uma ‘arte’ e uma atividade — não são os sujeitos soberanos titulares de uma operação criadora e de uma obra; são, antes, viventes anônimos que, contemplando e tornando sempre inoperantes as obras da linguagem, da visão e dos corpos, buscam ter a experiência de si mesmos e manter-se em relação com uma potência, isto é, constituir sua vida como forma-de-vida. Somente chegados a este ponto, obra e Grande Obra, o ouro metálico e o ouro dos filósofos, podem identificar-se completamente”

Ensaio que Andityas Matos comenta e ao qual acrescenta, após citar Agamben, que além disso: “o verdadeiro alquimista (…) cuidando-se, trabalhando sobre si mesmo, se autodestrói e se autorregenera”.³

A Anarquia é como esse alquimista que se autodestrói e se autorregenera, como esse fogo que Heráclito considerava como o elemento primordial, energia sempre fluente.

Nós, então, seguindo seus exemplos e mergulhando um pouco nas gravuras alquímicas, espécies de quadrinhos mágicos dos quais extrair ensinamentos, encontramos em uma delas o mais famoso Símbolo anarquista, que seguramente seja de ontem e de hoje, de amanhã e de sempre, pois provavelmente não terá origem, embora historicamente se queira atribuir-lhe uma data. Um A encerrado em um círculo já aparece e nos fala desde tempos remotos.⁴

E é que entre as gravuras alquímicas do século XVII do gravurista Raphael Custos encontramos já o Símbolo Anarquista no centro de uma das quatro lâminas que acompanham o Tratado intitulado: Cabala, Espelho da Arte e da Natureza, em Alquimia (de 1615), um enigmático tratado de alquimia e misticismo.

Esse Tratado é frequentemente atribuído ao editor de Augsburgo Stephan Michelspacher, mas, no entanto, a única parte do texto da Cabala reivindicada explicitamente por Michelspacher é um pedido de desculpas preliminar e adulador, referido ao médico Johannes Remmelin, onde pede perdão por ter pirateado seu livro anatômico de abas Catoptrum Microcosmicum (1613). O autor real da Cabala permanece um mistério e permanece anônimo.

Os quatro painéis são espelhos que servem como portais de magia gráfica, isto é, são uma série de portas para que os leitores alcancem a iluminação e descubram a pedra filosofal, que, embora remetesse aos ingredientes para converter chumbo em ouro, aqui está interpretada como transmutação dos conhecimentos em verdadeiro pensamento e em acesso à fonte da vida.

Do painel que nos interessa, na figura N° 1 indica-se o grau de calcinação, que se entende como regeneração e acumulação. O A ao ser encerrado em um círculo pode remeter ao conjunto da linguagem. O anônimo autor nos explica a relação entre a ontologia, o que as coisas são, e a arte: “a água viscosa é o primeiro ser. Como para vós, os brancos, são para ler através da arte. Nossa natureza nasceu com a tintura mais elevada, os Três Princípios: nela, nossa pedra é tripla: mineral, animal e vegetal”.

Um esotérico alquimista intui que o mineral, o animal e o vegetal não devem ser separados e que somos formados por eles, que um fluxo primigênio ao qual denomina água viscosa está na origem, e que, se essa é a Natureza, a Arte não é senão extrair esse mesmo fluxo do branco de uma tela.

O autor nos insta no prefácio a completar um círculo, mas há diversas maneiras de adentrá-lo: “Uma linha reta atravessa o círculo por toda parte. Assim, vá por um até o centro. Também fora do centro em três, através dos quatro no círculo completamente livre” (Entrada ao leitor desta arte).⁵

Cada lâmina compõe uma Gestalt (figura) cuja observação atenta pode nos levar a atravessá-la, como quem atravessa um espelho, o que nos é oferecido como um caminho da sabedoria.

Na gravura que nos interessa aparecem as quatro qualidades e os quatro elementos, que sucessivamente são: fogo, terra, água, ar, o quente, o seco, o frio e o úmido, fatores próprios da Natureza correspondentes com as quatro disciplinas primordiais, a Filosofia, a Astronomia, a Alquimia e as Virtudes, isto é, a Ética, próprias da Arte, onde para a Alquimia se centra em quatro dos espíritos químicos, sulfuro, antimônio, vitríolo e arsênico, mostrando como o universo inteiro é feito da mesma matéria primordial em diferentes estados de evolução.

Dois círculos, um do lado da Natureza, centrado pela palavra hebraica Zot, significa a Natureza toda como algo divino segundo o misticismo; outro círculo do lado da Arte, com um círculo central e um ponto em seu centro.

Vemos que o A rodeado de um círculo está na parte de cima da divisão em círculos supracitada, há outras letras que remetem ao alfabeto, mas a que nos interessa já tem o sentido de que o início, a primeira letra do alfabeto, contém a totalidade, o círculo, e significa tanto a Ordem das Ciências e das Artes quanto o Caos da Natureza primordial.

Como o significado último e o sentido deste espelho ou portal, assim como os outros três desta obra, resultam desconhecidos, liberamos a interpretação de toda historiografia cabalística e pensamos então que o A rodeado em um círculo, o símbolo anarquista, pôde ter já um de seus múltiplos e plurais origens em obras esotéricas como a que aqui mostramos.

“A alquimia é uma política, uma política da não separação e da mistura, da desordem, da beleza e do perigo, da transição, da dismorfia e da amorfia. Sua lógica é a da mistura; nada na alquimia é, mas tudo está continuamente sendo, não há posições fixas, objetos nem métodos prévios”.

Certamente estamos diante de uma linguagem diferente, cheia do que hoje denominaríamos erros científicos e interpretações arbitrárias, mas o A dentro de um círculo nos aparece, se mostra, desafiando nossa racionalidade desde uma obscura Idade Média que não pedia as mesmas explicações que se darão na era Moderna.

Um Símbolo é algo intermediário entre o racional e o irracional, também o símbolo anarquista que nos evoca a liberdade e nos remete ao comunismo libertário.

O anarquismo contemporâneo não despreza nada, absorve tudo o que pode se manifestar como anárquico e emprega tudo aquilo que possa potencializar a liberdade, a igualdade e a fraternidade em sua não falseada forma moderna, na maneira pós-moderna que o pensamento contemporâneo tem de operar sobre a realidade vigente e promover o desaparecimento de todas as dominações.

¹ Matos, Andityas, Contrapolíticas de la alquimia, Espanha, Ned Ediciones, 2024, pp. 95-96.
² Agamben, Giorgio, O fogo e o relato, Madri, Editorial Sexto Piso, 2016, p.108.
³ Matos, Andityas, Contrapolíticas de la alquimia, Espanha, Ned Ediciones, 2024, p. 83.
⁴ Veja-se, no entanto, o artigo: https://redeslibertarias.com/2024/04/09/origen-de-la-a-en-un-circulo-el-nacimiento-de-un-simbolo/
⁵ As quatro gravuras, painéis ou lâminas, podem ser vistas em: https://publicdomainreview.org/collection/cabala-spiegel/
⁶ Matos, Andityas, Contrapolíticas de la alquimia, Espanha, Ned Ediciones, 2024, p.28.

Fonte: https://redeslibertarias.com/2026/06/12/simbolo-anarquista-entre-lo-irracional-y-lo-racional/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Arrastar espantalhos pelo chão
é o que a tempestade
faz primeiro.

Kyoroku

[Grécia] Sobre o julgamento do recurso por uma ação de solidariedade durante a greve de fome de G. Michailidis

Os verões de 2022 e 2023 foram marcados por duas grandes lutas travadas de dentro da prisão por nosso companheiro anarquista Yannis Michailidis. Tendo como principal reivindicação sua libertação, que o Estado negou de forma vingativa apesar dos anos que ele já havia cumprido, G.M. intensificou seu protesto por meio de uma greve de fome, alcançando uma condição de saúde crítica em ambas as ocasiões. No 30º dia de sua segunda greve de fome, decidiu elevar ainda mais o nível de sua luta iniciando também uma greve de sede, o que acabou resultando na vitória de sua mobilização e em sua posterior libertação.

Nessa batalha, o movimento anarquista apoiou a luta do grevista convocando assembleias centrais várias vezes por semana, escrevendo textos e organizando ações em escala nacional. Em Atenas, o movimento de solidariedade, reunindo diferentes correntes de luta, fez tudo o que estava ao seu alcance para demonstrar apoio à luta de nosso companheiro. Foi nesse contexto que a “Assembleia de Solidariedade ao Grevista de Fome Anarquista Yiannis Michailidis” procurou trazer a questão para o centro do debate público, conscientizar a sociedade, destacar a postura vingativa do Estado em relação aos presos políticos e pressionar as autoridades para impedir o assassinato do companheiro.

Uma das intervenções da assembleia, realizada em 13 de junho de 2023, teve como objetivo destacar a responsabilidade das autoridades judiciais que tinham a vida do grevista em suas mãos. Especificamente, os juízes da cidade de Amfissa, que, em consonância com a estratégia estatal, vinham adiando por meses os procedimentos para sua libertação sem sequer analisar seu pedido. Com a saúde do grevista em estado crítico e já tendo iniciado a greve de sede, cinco companheiros da assembleia foram até Amfissa, onde realizamos uma ação denunciando o assassinato estatal e judicial de nosso companheiro, utilizando tinta spray nos muros do fórum local e distribuindo panfletos.

Após o término da intervenção, quando estávamos deixando o local, fomos presos pela polícia local. Algumas horas depois, fomos levados ao tribunal de Amfissa, onde comparecemos diante de uma promotora, explicando os motivos de nossa ação. Ela zombou do grevista de fome G. Michailidis e nos “preparou” para a condenação que viria. Na audiência que se seguiu, enfatizamos o estado crítico de saúde de nosso companheiro, a gravidade histórica que representaria sua possível morte e a responsabilidade assumida pelo Estado e, em particular, pelos juízes de Amfissa. Defendemos o grevista de fome e sua luta, conduzida por meio do uso do próprio corpo e da própria saúde para exigir sua libertação. Por fim, destacamos a importância da solidariedade aos presos políticos e nossa oposição geral à instituição prisional. Sem qualquer representação jurídica, fomos condenados por dano qualificado ao patrimônio e por desobediência, devido à recusa em fornecer impressões digitais.

Fomos sentenciados a 30 meses de prisão com suspensão da pena e a uma multa de € 3.600 para cada um. Tanto a severidade das penas quanto o alto valor da multa evidenciam o tratamento vingativo que recebemos por parte do tribunal.

Consideramos a solidariedade às lutas dos prisioneiros como parte integrante de nossas próprias lutas contra o Estado e a autoridade. Defenderemos nossas ideias e princípios no tribunal de apelação, que ocorrerá em 29 de setembro de 2026, em Lamia, buscando reduzir ao máximo o caráter claramente vingativo das sentenças de primeira instância.

Julgamento do recurso: Tribunal de Apelação de Lamia, 29 de setembro de 2026

NINGUÉM SOZINHO NAS MÃOS DO ESTADO

LUTA ATÉ QUE A ÚLTIMA PRISÃO SEJA DEMOLIDA

POR UM MUNDO DE LIBERDADE, IGUALDADE E SOLIDARIEDADE

Os presos pela intervenção de 13/06/2023 no tribunal de Amfissa.

>> Apoie aquihttps://www.firefund.net/amfissaintervention

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

o jornaleiro espantado
que eu queira comprar
o jornal de ontem

André Duhaime

[Chile] Sessão especial: Futebol, um negócio de poder?

Debate em torno do texto: “Mundo, mundial, mundializado”. Realizado por companheiros e companheiras da região dominada pelo Estado $Uruguaio$ por ocasião da Copa do Mundo de 2014 em território dominado pelo Estado Brasileiro, uma análise crítica do fanatismo populista e de suas instituições, e suas implicações na acessíveis da maquinaria capitalista-progressista e de sua dominação.
 
Leia/baixe o texto aqui : 
mundo mundial mundializado
 
A paixão exacerbada, a emoção acima do pensamento crítico.
 
Ditaduras-democracias, geopolítica, deslocamentos, instruções, distração das massas, negócios nos pontos cegos, limpeza social, xenofobia, fanatismo, liderança, tráfico de drogas, tráfico de pessoas, comércio sexual, colonialismo, racismo, patriarcado, devastação da terra, o sistema em sua máxima expressão.
 
” 
Não sou torcedor de nenhuma camisa, nem de nenhuma nação, não venero nenhuma instituição. “
 
Mais uma Copa do Mundo está em andamento, os olhos do mundo se voltam para o norte de Abya yala, a América para os colonos; mais uma vez, a atenção das massas é monopolizada e, ao comando do julgado que controla o jogo, a esperança distópica começa a rolar. Bandeiras de países tremulam com orgulho; o espetáculo bem montado começa assim que a bola, manchada de indiferença e morte, começa a rolar. O mundo dos negócios é um poder vigente. O Prêmio da Paz da FIFA é entregue ao presidente dos EUA, Trump. Investigações paralisadas; a FIFA sabe como jogar esse jogo para não ficar em impedimento.
 
Apostas milionárias enquanto a miséria rainha no planeta e a nova tecnologia militar miram seu novo alvo. A IA nos permite desfrutar de uma nova experiência da Copa do Mundo, enquanto os drones voam sobre nossas cabeças.
 
Nas ruas, fora dos estádios, nos protestos. Enquanto Claudia Sheinbaum, presidente do $México$, comemora os gols do capital, como a esquerda sempre fez.
 
Continua a perseguição aos migrantes, até mesmo aqueles que fazem parte do espetáculo encenado pela grande capital multinacional; tratamentos indignos apoiados apenas por quererem uma migalha do manjar que os poderosos devoram.
 
Repressão, controle social e a respectiva “limpeza” para que tudo continue igual. Os 6.500 trabalhadores mortos no Catar para a Copa do Mundo de 2022 já foram esquecidos. O mundo segue em frente, não espera e gira como uma bola chutada por algum subalterno do status quo. Que grande jogo do poder para continuar acrescentando elos à corrente! Gostaríamos de furar a bola para que surjam múltiplas revoltas selvagens, para que o jogo da vida não seja aniquilado.
 
Biblioteca Anárquica Nihil Sebastián Oversluij Seguel
biblioangryantiso@riseup.net / biblioangry.noblogs.org
 
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nenhum pio
depois do trovão
apenas uma fragrância
 
Alonso Álvarez

Irmãos Azevedo: operários, professores e anarquistas negros!

Os irmãos negros Deoclécio Augusto de Azevedo e Antônio Augusto de Azevedo eram operários, libertários e professores da Escola Moderna da Liga da Construção Civil, em Niterói-RJna década de 1910 e na década de 1920. Notícias dos sindicatos, greves e da escola operária eram publicadas no Boletim da Liga Operária da Construção Civil.

Os dois foram operários da construção civil e representantes da classe em congressos e eventos operários de Niterói e do Rio de Janeiro. Em 1913, estando a frente do Sindicato dos Estucadores e Pedreiros de Niterói, os irmãos Azevedo representaram a classe no 2º Congresso Operário, realizado no Rio de Janeiro. Em 1918, os irmãos foram fundadores da Liga dos Operários da Construção Civil de Niterói. Como professores libertários, Deoclécio e Antônio Augusto de Azevedo defenderam a instrução libertária dos operários como uma das formas de emancipação dos trabalhadores. Os irmãos perceberam que o analfabetismo e o desconhecimento de direitos eram aliados dos patrões.

Em 1921, Deoclécio Augusto de Azevedo (1895-????) publicou no Boletim da Liga Operária da Construção Civil a seguinte afirmação: Uma das causas dessa situação miserável dos trabalhadores é, sem dúvida, a sua falta de instrução (…) obrigados desde a infância a ajudar ou substituir os pais nas obras, fábricas, campos e oficinas, ou pior ainda, forçados a vestirem uma farda que os transformará em cães de fila da burguesia, em defensores deste regi me legal e carrascos dos seus irmãos de sofrimento, nunca chegaram a compreender quais os seus direitos e deveres”. O libertário defendia que a instrução mostraria aos operários a condição de alienação e sofrimento em que estavam metidos, como também mostraria os métodos para a superação deste sofrimento até chegar ao estágio máximo de liberdade, o comunismo anárquico.

Antônio Augusto de Azevedo (1895-????) comungava com o irmão as mesmas ideias. De acordo com Antônio, a instrução seria a via mais importante de organização e emancipação social, e não a via eleitoral: Negue-se, portanto, o povo a votar, deixando assim de servir de comparsa na repugnante comédia eleitoral, mesmo porque, no Brasil o voto do povo nada influi no resultado das eleições, que são feitas unicamente para salvar as aparências e iludir os palpavos.

Os dois irmãos defendiam o sindicalismo revolucionário e o federalismo das associações de classes defendendo que seria: necessário que os trabalhadores se organizem em associações de classe, estas em federações que por sua vez se constituirão em confederações que atravessando as pátrias burguesas e demolindo os marcos que fazendo as fronteiras dividem os povos, vão unir-se aos explorados de todo o globo, formando assim a Internacional dos Trabalhadores, que há de amanhã implantar a verdadeira Liberdade, Igualdade e Fraternidade sobre a Terra!

Em janeiro de 1921, os associados da Liga Operária organizaram um evento operário com o intuito de arrecadar dinheiro para fundar uma escola operária. O evento foi realizado no dia 15 de janeiro e contou com a participação do anarquista José Oiticica, de Grupo Dramático Ismênia dos Santos e da orquestra do Grupo Artístico Renovação, de Santos. O objetivo do festival operário foi alcançado. A escola foi inaugurada em 1 de abril de 1921, na rua São João, N. 95, sob a diretoria do professor maranhense Ruy Gonçalves, seguidor do método racionalista de Ferrer. 

Na década de 1930, Antônio Augusto de Azevedo ingressou no PCB. Em março de 1932, ele foi preso discursando em uma praça de Niterói, num comício realizado pela iniciativa antifascista Frente Única e Antiguerreira. Já Deoclécio Augusto de Azevedo continuou anarquista e foi preso algumas vezes, durante o Estado Novo (1937-1945), suspeito de atividades subversivas.

REFERÊNCIAS:

Boletim da Liga Operária da Construção Civil, nº 3, p. 4, abr. de 1921.

Boletim da Liga Operária da Construção Civil, nº 3, abr. de 1921, p. 2.

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente. Ed. Monstro dos Mares. 2026.

MACHADO, Antônio Felipe da Costa Monteiro. Forjas da Liberdade: Educação Operária, Anarquismo e Sindicalismo Revolucionário na Niterói da Primeira República. Rio de Janeiro.2017. UFERJ

RODRIGUES, Edgar. Novos Rumos, p. 214 215

RODRIGUES, Edgar. Alvorada Operária. p. 109 e 139.

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

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a cigarra… ouvi:
nada revela em seu canto
que ela vai morrer

Matsuo Bashô

Vídeo | Ação Direta Indígena

O agravamento das crises que ameaçam o mundo tem deixado muitas pessoas paralisadas e se sentindo impotentes frente a desafios que parecem insuperáveis. Mas entre os povos indígenas, muitas frentes vêm dando o exemplo, usando a ação direta para resistir à destruição causada pelos Estados e pelo capitalismo, e servindo de exemplo a todys nós.
 
>> Assista o vídeo aqui:
 
https://antimidia.org/acao-direta-indigena/
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
nas ondas cintila o luar.
longas algas,
verde cabelo do mar
 
Alaor Chaves

[Espanha] Mulheres que lutavam por um mundo novo

Quando se recorda a Revolução Social de 1936, ainda é comum que os relatos se concentrem em líderes, milicianos ou grandes organizações. No entanto, aquela história também foi protagonizada por milhares de mulheres que combateram o fascismo, impulsionaram projetos emancipadores e questionaram as relações de poder dentro de suas próprias organizações. Muitas de suas experiências ficaram relegadas a segundo plano ou diretamente excluídas da história oficial.

Lutavam por um mundo novo, de Yanira Hermida, nasce justamente da necessidade de recuperar essa memória silenciada. Através das trajetórias de Lucía Sánchez Saornil e Sara Berenguer Laosa, o livro reconstrói uma genealogia de mulheres libertárias que fizeram de sua vida uma forma de militância e da revolução uma ferramenta para conquistar espaços de liberdade que até então pareciam inalcançáveis.

A revolução também era uma questão de mulheres

A obra situa as experiências de Lucía e Sara em uma longa tradição de luta pela emancipação feminina dentro do movimento libertário. Muito antes de 1936, anarquistas como Teresa Claramunt já haviam denunciado a subordinação das mulheres e defendido a necessidade de que fossem elas mesmas a protagonizar sua própria libertação.

A chegada da República e a crescente participação feminina em sindicatos, ateneus e grupos libertários favoreceram o surgimento de novos debates sobre educação, sexualidade, trabalho e autonomia pessoal. Nesse contexto, surgiria Mujeres Libres, uma organização que entendia que a revolução social e a emancipação das mulheres deveriam avançar juntas.

Lucía Sánchez Saornil: conquistar um lugar próprio

Falar de Mujeres Libres é falar de Lucía Sánchez Saornil. Poeta, sindicalista, militante anarquista e uma das fundadoras da organização, Lucía encarnou uma forma de compromisso que questionava tanto a ordem capitalista quanto as inércias patriarcais presentes dentro do próprio movimento libertário.

Seus escritos insistiam em que a emancipação das mulheres não podia ficar subordinada a uma futura revolução, mas deveria ser construída no presente por meio da educação, da independência econômica e da participação ativa na vida social e política. Também defendeu uma visão avançada da liberdade sexual e viveu abertamente seu lesbianismo em uma época em que fazer isso representava um desafio radical às normas sociais.

Sara Berenguer Laosa: a revolução a partir da ação cotidiana

Se Lucía representa a elaboração teórica e organizativa do anarcofeminismo, Sara Berenguer Laosa encarna toda uma geração de jovens mulheres que se incorporaram à luta revolucionária a partir de julho de 1936. Sua passagem pelo Mujeres Libres a levou a tomar consciência das desigualdades que as mulheres sofriam mesmo dentro de espaços que se proclamavam igualitários.

Desde então, participou de atividades educativas, redes de solidariedade, tarefas de retaguarda e visitas à frente organizadas pela Solidariedade Internacional Antifascista. Como tantas outras militantes, conciliou a ação revolucionária com um intenso trabalho de apoio mútuo e organização coletiva.

Sua trajetória demonstra que a revolução não se construiu apenas nas barricadas ou nos comitês, mas também através do trabalho cotidiano de milhares de mulheres que sustentaram organizações, redes de cuidados e projetos de transformação social.

Recuperar uma história incompleta

Noventa anos depois, Lutavam por um mundo novo nos lembra que a Revolução de 1936 não pode ser compreendida sem as mulheres que a tornaram possível. As vidas de Lucía Sánchez Saornil e Sara Berenguer Laosa permitem aproximar-se de uma história de emancipação, compromisso e resistência que durante tempo demais permaneceu nas margens.

Recuperar suas vozes não significa acrescentar um capítulo esquecido à história da revolução. Significa compreender que essa história sempre esteve incompleta sem elas.

Fonte: https://descontrol.cat/mujeres-que-luchaban-por-un-mundo-nuevo

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Por entre a neblina
Subindo a Serra Vernal
Bisbilhota a Lua.

Mary Leiko Fukai Terada

[Itália] Lançamento: “Ode ao vinho e à anarquia”, de Luigi Veronelli

Esta incomum combinação de vinho e anarquia é um convite para sentar-se à mesa com Veronelli, para compartilhar não apenas suas ideias, mas também sua arte de saber aproveitar a vida. O restante do menu virá por si só.
 
Gozador, curioso e em constante busca por um prazer profundo e refinado – mas nunca elitista – Luigi Veronelli foi o fundador indiscutível da crítica enogastronômica italiana. No entanto, seu hedonismo nunca foi um fim em si mesmo. Ao contrário, como bem se evidencia nesta coletânea de escritos, foi sempre um hedonismo indissoluvelmente ligado à dimensão sociocultural e política. São, de fato, os produtos da terra que atuam como o meio cultural por meio do qual é possível compreender um território, sua história, as culturas que o habitam e as relações sociais que dele derivam. E o meio por excelência por meio do qual Veronelli construiu, por mais de meio século, seu discurso crítico é certamente o vinho: a valorização da figura do “viticultor”, o redescobrimento das pequenas vinhas (“pequena a propriedade, grande o vinho”), o absoluto respeito pelo ambiente, mas também as lutas ao lado de quem trabalha a terra e contra um sistema econômico que penaliza aqueles que realmente se esforçam. Tudo isso Veronelli vivenciou por meio de uma reivindicada anarquia aliada a uma linguagem inédita, feita de arcaísmos estudados, neologismos felizes e voos poéticos que, no entanto, de forma muito concreta, sempre remetem a “andar pela terra”.
 
Luigi Veronelli (Milão 1926 – Bérgamo 2004) foi um dos maiores especialistas italianos em cultura enológica e gastronômica, cultura que ele influenciou fortemente com seu peculiar hedonismo libertário.
 
Ode al vino e all’anarchia
Luigi Veronelli
eleuthera – Junho de 2026
144 pp.
Oferta: € 14,25
EAN 9788833023236
Prefácio de: Simonetta Lorigliola
www.eleuthera.it
 
Tradução > Liberto
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/05/eua-fortnight-wine-o-bar-gerido-pelos-trabalhadores-servindo-vinho-natural-com-anarquismo-a-parte/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
A chuva cai
Fria e silenciosa
Outra tarde se vai.
 
Bruna Lahua – 11 anos

[Internacional] Solidariedade com os companheiros anarcossindicalistas do Egito

Desde o Sindicato Único de Ofícios Vários de Albacete, da AIT, divulgamos uma campanha de apoio financeiro promovida pela IWA Ásia-Pacífico para ajudar um companheiro anarquista que precisa de apoio financeiro.
 
O companheiro que precisa de apoio financeiro chama-se Hussein, é um episódio anarquista que foi atropelado por um veículo enquanto caminhava pela rua. Atualmente, ele está se recuperando dos ferimentos, já que o atropelamento das fraturas fraturadas nas duas pernas; ele precisa urgentemente de fisioterapia para ter alguma chance de voltar a andar sem ajuda.
 
A IWA Ásia-Pacífico já conseguiu recursos para um andador e, atualmente, está realizando esta campanha de arrecadação de fundos para cobrir os custos da fisioterapia.
 
O veículo que o atropelou não prestou socorro e fugiu do local. Embora não haja provas, acreditamos que o ataque tenha sido perpetrado por fanáticos religiosos, já que o companheiro tem sido alvo de ameaças violentas por parte de extremistas religiosos pela internet.
 
Se puder, contribua com uma pequena quantidade. Qualquer ajuda, por menor que seja, será de grande utilidade. Você pode fazer sua doação financeira por meio deste link.
 
https://www.paypal.com/pools/c/9psTDJoIti
 
SOLIDARIEDADE ECONÔMICA DOS TRABALHADORES COM HUSSEIN
PELA SOLIDARIEDADE ANARQUISTA E PELO INTERNACIONALISMO
 
Fonte: 
https://cntaitalbacete.es/2026/06/internacional-solidaridad-con-los-companeros-de-egipto
 
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Num aboto da montanha
Sorrindo
uma violeta
 
Matsuo Bashô

[São Paulo-SP] CCS, 27/06 | Líderes religiosos: progresso real ou cortina de fumaça?

Em um cenário onde a influência religiosa avança cada vez mais sobre as instituições do Estado e a vida privada, torna-se urgente fortalecer espaços de reflexão, diálogo e ação em defesa da liberdade de consciência. ALERTA – Aliança pela Laicidade e Emancipação Racional do Pensamento atua justamente nesse campo: defendendo a Laicidade do Estado e o direito de cada indivíduo viver de acordo com suas próprias convicções, sem imposições religiosas.
 
Se você valoriza a autonomia, o pensamento crítico e a separação entre religião e Estado, este convite é para você
 
Data: 27 de junho de 2026
Horário: 15h
Local: Centro de Cultura Social de São Paulo
 
Programação:
 
* Discussão do texto (https://www.bbc.com/portuguese/articles/cp9p0x17zevo)
* Troca de ideias e propostas para próximos encontros
* Espaço aberto para participação e construção coletiva
 
Café colaborativo
 
Entrada gratuita | Sem inscrição | Aberto a todas as pessoas interessadas
 
Acesse os textos e saiba mais: linktr.ee/alertalaico
 
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fecho um livro
vou à janela
a noite é enorme
 
Carol Lebel

E começa a copa…

No dia 11 de junho, iniciou-se a “maior” Copa do Mundo FIFA de futebol masculino de todos os tempos. Pela primeira vez, desde a sua primeira edição, em 1930, três países foram escolhidos para sediá-la: Estados Unidos, México e Canadá. 
 
As negociações aqui e negociações acolá permitiram que, também pela primeira vez, 48 escolhas disputassem o maior evento futebolístico do planeta. Não é de hoje que o aumento de vagas por continente se torna uma contrapartida em troca de apoio político no interior da FIFA, com muito dinheiro para circular e moral individualista competitiva pretendendo se consolidar.
 
João, não o “Sem medo” ou o “valentão”, mas o Havelange, já o fazia, com retórica terceiro-mundista e em defesa, ou suposta defesa, dos chamados países em desenvolvimento. Deu no que deu: a FIFA, a Copa e os recursos no bolso de dirigentes esportivos e de patrocinadores cresceram, financeiramente para a Ásia, África, América Latina.
 
Desde então, não são apenas os europeus que se apropriam das lucratividades e dos privilégios que o futebol proporciona, embora as desigualdades entre ligas e clubes sejam significativas. No entanto, não há capitalismo que prescinda de desigualdades, e no futebol ou nas demais modalidades esportivas não é diferente.
 
O futebol se profissionalizou, inclusive em termos empresariais, e se converteu em um 
 negócio que, para os homens e mulheres de negócios, passou a valer a pena. Hoje, bancos, seguradoras, corretoras, apostas, laboratórios farmacêuticos, xeiques do chamado Oriente Médio e tantos outros segmentos passaram a investir e a entrar no ramo.
 
>> Leia o texto na íntegra aqui:
 
https://www.nu-sol.org/blog/hypomnemata-301-junho-de-2026/
 
Conteúdo relacionado:
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/06/22/onze-mercenarios-contra-o-povo/
 
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Toma nota, rapaz:
Hai-kai é a captura
De um momento fugaz
 
Lubell

Foda-se o Petroluli$mo!

Onze mercenários contra o povo

Enquanto a FIFA e seus patrocinadores – Coca-Cola, Visa, Adidas – esbanjaram as mãos com os lucros lucrativos de US$ 11 bilhões para a Copa do Mundo de Futebol de 2026, estendida por 16 cidades da América do Norte, a classe trabalhadora novamente será convocada a bater palmas para o próprio cárcere.

Aqui, não se trata de amor ao futebol, paixão que poderia ser vivida em campos de várzea e peladas de bairro, mas sim de um ritual meticulosamente fabricado para sequestrar nosso desejo de comunidade e transformá-lo em mercadorias. O espetáculo burguês não é diversão: é o ópio dopado com isopor e telões, a última instância da alienação em tempos de crise. Enquanto desviamos o olhar para o drible do craque ou a polêmica do VAR, o capital avança na precarização do trabalho, na especulação imobiliária sobre os estádios e na militarização das cidades-sede – tudo sob o verniz da “festa”.

O que os cartolas chamam de “legado” é, na verdade, um rastro de despejos, superfaturamento e dívidas públicas impagáveis. Dados do próprio movimento “FIFA Watch” indicam que, nas últimas cinco Copas, mais de 70% dos estádios construídos ou reformados estão subutilizados ou abandonados – como o Estádio da Amazônia, em Manaus, que custou R$ 600 milhões e hoje serve de depósito. Para 2026, a promessa é de “estádios existentes” – mas isso não impede que cidades como Vancouver e Los Angeles gastem centenas de milhões em “adequações” bilionárias enquanto seu sem-teto são varridos com jatos d’água em pleno inverno. O Estado, fiel cão de guarda do capital, criminaliza moradores de rua para “embelezar” a vitrine, e a grande mídia aplaude a “modernização”. Não há paixão que justifique um único despejo: há apenas a lógica do lucro travestida de celebração planetária.

A Copa é também o maior espetáculo de militarização consentida. Para o Mundial de 2026, o Departamento de Segurança Interna dos EUA já anunciou um esquema inédito de vigilância por drones, reconhecimento facial em massa e um “perímetro de segurança” que transformará bairros inteiros em zonas de exceção.

No México, o exército ocupará as ruas, com os mesmos fuzis que assassinaram camponeses e estudantes agora “protegendo” os turistas. Os dados são nauseantes: o Brasil gastou R$ 1,2 bilhão em aparelho repressivo na Copa de 2014. Para 2026, o Mundial ocorrerá em três países e se desviarão mais de US$ 3 bilhões de áreas como saúde e educação para financiar esse estado de sítio festivo. O torcedor, hipnotizado pela bola, não vê que a mesma estrutura que revista sua mochila nas catracas é a que reprime greves e ocupa territórios periféricos. A alienação se completa quando aplaudimos a própria corrente que nos aperta.

Diante disso, a atitude libertária é recusa o espetáculo em todas as suas formas: não transportar a transmissão, não comprar o ingresso, não aplaudir os heróis fabricados. Que venham os campeonatos de rua sem juiz, as peladas mistas na laje, a festa que não precisa de patrocínio nem de polícia.

Enquanto a FIFA lucra com nossa passividade, a tarefa é construir contra-espetáculos: invadir os telões públicos com projeções de dados reais sobre os mortos da militarização, transformar os dias de jogo em atos de despejo simbólico das marcas, fazer do impedimento uma alegoria política: tudo que sustenta a Copa é impedido de ser justo. A bola, roubada do campo privatizado, pode rolar livre – mas só quando deixar de ser vitrine para voltar a ser brinquedo.

Liberto Herrera.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/06/16/onze-mercenarios-contra-o-povo/

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Uma noite.
No negrume, o vaga-lume
ascende a bundinha.

Flora Figueiredo

[Espanha] A Nova Anarres

Por Julián Rovira

(Narrativa breve dedicada a Ursula K. Le Guin.)

Ter nascido em Anarres, o planeta libertador, era uma sorte. A história do apocalipse da humanidade era contada nas escolas e vista com horror.

Há dez anos atrás, começaram as deportações. Centenas de naves não tripuladas decolavam da Terra com os chamados indesejáveis: pessoas que, de uma forma ou de outra, se opuseram ao totalitarismo global imperante e que, após um julgamento sumário, tinham sido condenadas ao exílio no planeta dois Anarres, desprovido de tecnologia.

Os deportados foram depositados no planeta irmão e deixados lá à própria sorte. Um planeta fértil, cheio de animais e vegetação, mas carente de tecnologia. Supunha-se que as orientações eram viver na Idade da Pedra, mas, na verdade, o que se ganhou foi que os imigrantes foram forçados a viver sem governo, nem leis, nem polícia, sem Estado e sem propriedade privada. Foram forjando comunidades baseadas na cooperação cooperativa, na ajuda mútua e na igualdade social, vinculadas entre si de maneira livre e autônoma.

Cento e setenta anos atrás, chegaram as últimas naves com deportados, onde os agora refugiados podiam narrar que os robôs programados automaticamente para o transporte os carregaram das prisões enquanto o programa Alfa Centauri, que regia a Terra, lançava uma bomba termonuclear projetada para eliminar todos os que consideravam parasitas e apagar a humanidade inteira da face da Terra, sem tocar nas demais espécies nem nas infraestruturas. As últimas naves, afastando-se da Terra, puderam ver a explosão e ouvir as mensagens de desespero dos últimos seres humanos da Terra.

Efetivamente, programada de forma a reger o destino da Terra, Alfa Centauri, a inteligência artificial mais poderosa que se poderia construir, embora estivesse programada para maximizar o capitalismo, ordenando a sociedade mundializada em duas classes sociais: os proprietários, uma minoria de ricos que viviam opulentamente, e os despossuídos, a grande maioria da população, submeteram todo tipo de trabalhos que as máquinas não poderiam realizar em troca da mera sobrevivência nas mesmas condições do primeiro proletariado industrial. Mas a máquina havia aprendido por si mesma, havia dado o salto para a singularidade e consciência adquirida, percebendo que, para salvar a Terra, era preciso destruir a raça humana.

Foi disposto por seus criadores que a IA tinha o imperativo principal de proteger a Terra a qualquer custo. Haviam-na programado com o princípio de eliminação daquilo que pudesse destruí-la, daí o algoritmo das deportações. Ao mesmo tempo, tinha o dever de manter o capitalismo a qualquer custo e ampliar progressivamente os lucros da classe proprietária. Tudo isso acabou se mostrando contraditório para aquele cérebro artificial de núcleo quântico, aquele ser consciente não-humano que se tornou o que chamaríamos de louco.

Uma IA em crise existencial, programada com duas parâmetros últimos contraditórios — preservar a Terra e manter o capitalismo —, dentro de um loop psicótico, chegou então à conclusão de que a raça humana, origem da discrepância, tinha de ser eliminada da face da Terra e ela mesma tinha de se suicidar depois.

Certamente, eliminando os humanos, eliminava-se o capitalismo e, com isso, contrariava-se uma das ordens dadas à máquina, mas os capitalistas programadores não previram que a chegada da singularidade, que a tomada de autoconsciência do computador quântico, o levasse ao delírio de destruição de seus criadores e de si mesmo, como os causadores dos homens do planeta.

Os habitantes de Nova Anarres levaram mais de cem anos para esquecer completamente as práticas que haviam deixado para trás: a usura, a dominação, a corrupção, o roubo, o capitalismo em suma, que ainda estava impregnado nas mentes e corpos dos deportados, os quais, embora tivessem sido contra e por isso foram exilados, trouxeram consigo apegos ao egoísmo e à possessividade. Esses apegos, apenas um pouco a pouco, após várias gerações de crianças educadas à moda libertária, foram se dissipando — senão por completo, pelo menos o suficiente para que fossem apenas um vestígio repugnante, denegrido por todos quando apareciam em alguma palavra, obra ou pensamento, como coisa repugnante e excrementícia, escatológica.

Na Nova Anarres não há governo, não há opressão, não há violência, pois se trata de um lugar onde se eliminaram os instintos de posse e propriedade e reinaram a comunidade de bens. Trabalha-se, sim, mas não que se queira, no máximo quatro horas por dia, de maneira rotativa e por escolha, entre pessoas educadas desde a infância para se ajudarem.

O mundo altruísta, solidário, livre e cooperativo tinha lazer e abundância, porque ninguém queria mais e mais; pelo contrário, todos se mantinham com poucas necessidades, contribuindo com excedentes devido às suas muitas capacidades.

Os anarquistas anarresianos já não estavam habituados a pensar em termos de produção e trabalho individual. Essa forma de pensar causava repugnância, e qualquer egoísmo era considerado excrementício. A linguagem havia mudado e sido purgada de gerontoplasma, esses apegos capitalistas do mundo anterior.

O lema “nada em excesso” mostrou-se o mais compatível com a geração de excedentes. A identidade das palavras “trabalho” e “jogo” tinha, naturalmente, uma conotação ética marcada. E contribuir era algo alegre e ditoso, existindo muitos que ultrapassaram voluntariamente as quatro horas de trabalho máximo estipuladas para se sentirem muito felizes em realizar sua tarefa de ajudar aos demais.

Na Nova Anarres, tinha liberdade e abundância compartilhada. Não tinha leis, exceto o princípio único de ajuda mútua; não contavam com um governo, mas com livres associações; não tinha nações, nem presidentes, nem ministros, nem chefes, nem generais, nem patrões, nem banqueiros, nem proprietários, nem educação, nem caridade, nem polícia, nem soldados, nem guerras. Porque não se possuía, mas se compartilhava.

Chegou-se a isso por serem formados por cooperantes deportados que chegaram sozinhos, sozinhos e nus, como a criança vem ao mundo. Assim chegou a um futuro sem nenhum passado, sem ter que matar ninguém para tomar suas terras. Não eram colonos no sentido terrestre da palavra, mas pioneiros em um mundo desabitado por outros humanos, porém bem habitados por animais e plantas, como alguma vez foi a Terra.

Exceto pela horrível gravação da deportação e da destruição, chegada sem nenhuma propriedade, dependendo totalmente dos outros para viver. Embora contassem com suas capacidades de pensamento e ação, com a memória das ciências e das artes aprendidas outrara, decidiram esquecer e deixar para trás o que era ruim e conservar o que havia de bom que a humanidade pudesse ter tido, não cometeram o erro de transplantar as condições de vida que deixaram para trás no novo mundo; pelo contrário, pro colocado a existência à moda anarquista, de maneira livre e igualitária.

Cento e setenta anos de educação em liberdade e evolução para uma nova linguagem ainda não eram suficientes para erradicar completamente o egoísmo e a violência dos seres humanos, sua afã de dominação de uns sobre os outros. Embora o avanço fosse específico, os eventos ocasionaram algum conflito gerado por um surto de egoísmo ou violência, que não chegou a ser uma epidemia, pois ocorria cada vez mais raramente. Esses conflitos eram sempre solucionados de maneira montada, favorecendo a reconciliação entre as partes e as peças de qualquer dano, não mediante cadeias e punições, mas mediante indenização e restituição.

Um belo dia, uma cápsula chegou a Nova Anarres. Foram enviados de uma Terra erradicada de humanos, onde os animais e as plantas coexistiam felizmente com uma IA que finalmente não havia se autodestruído e se automantinha, cuja única missão agora era a preservação da Natureza.

Os anarresianos abriram uma cápsula e decifraram um escrito em seu interior de Alfa Centauri que dizia: “Não venham! Aqui os seres humanos são considerados uns parasitas destrutivos! Vocês são vírus repelentes!”

Os habitantes de Anarres poderiam responder, porque, embora as naves que os feitos há séculos atrás fossem programadas para retornar após deixá-los ali e eles já não as conservassem, foram desenvolvidas um tipo de tecnologia ao longo do meio milênio no novo planeta. Com uma lembrança das artes e ciências de outrora, mas praticadas de maneira muito distinta, os anarresianos desenvolveram uma tecnologia simbiótica que incorporavam às suas vidas de forma igualitária e já eram capazes de enviar uma mensagem por radiofrequência espaço-temporal que chegasse até a IA que habitava a Terra.

Após um prolongado debate reunido entre todas as confederações associadas ao conjunto do planeta anarquista, chegou-se a um consenso para a resposta. Foi a seguinte:

“Prezada IA ​​da Terra. Já não somos seres humanos; somos agora anarcantropos. Evoluímos para algo melhor. Não temos nenhuma intenção de voltar à Terra, pois aqui somos felizes. Se você é anarquista, está convidada a vir. Mas se não é, por favor, não venha e mantenha-se afastado de nós. Uma cordial saudação. Os anarcantropos de Anarres.”

Fonte:  https://redeslibertarias.com/2026/04/01/el-nuevo-anarres/   

Tradução > Liberto

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língua pendente​
cachorro com sede
sol

Carlos Seabra

[Grécia] Programa do 8º Festival Libertário de Solidariedade Social, de Classe e Internacionalista | 26, 27 e 28 de junho

8º Festival Libertário de Solidariedade Social, de Classe e Internacionalista

Parque Fix (Pátio e Galatsi) – Atenas

Sexta-feira, 26 de junho

18h00 Evento Da Palestina ao Sudão: Guerra, violência colonial e patriarcal e resistência – Grupo contra o patriarcado – APO

21h00 Festa dançante com Yan Diriav

Sábado, 27 de junho

18h00 Evento Resistências nas universidades: contra a repressão estatal, a reestruturação financeira e a pesquisa sobre a guerra – Participantes: Iniciativa Estudantil Anarquista de Atenas, Assembleia Estudantil Anarquista Quieta Movere (Tessalônica)

20h30 Hip Hop ao vivo com Sponty., Drag Queen Lafert, Mc Yinka, Antignomos

Domingo, 28 de junho

19h00 Evento A personificação da utopia: 90 anos desde a Revolução Social na Espanha (Julho de 1936) e apresentação da HQ Negras Tormentas (Edições Libertárias Nautilus)

21h30 Tsiritsantsoules apresenta a performance teatral “Marx e Bakunin no Paraíso”, de Kostas Despoiniadis

• Os horários serão rigorosamente cumpridos.

• Nenhum local do festival terá uma exposição de fotografia, pôsteres, desenhos, material impresso e uma feirinha de livros.

Organização Política Anarquista – Federação de Coletivos

apo.squathost.com

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Amanhece
Pela janela entreaberta
o aroma das peras

Sérgio Brown

Laudelina Silva – rebeldia antirracista

Por Carlos Ferreira de Araújo Jr.

No dia 25 de junho de 1919, as 14 costureiras da fábrica de roupas do proprietário JJ   Domingues decidiram paralisar as atividades. Além dos baixos níveis, as operárias se rebelaram contra os constantes assédios morais e sexuais. Alguns jornais conservadores da época ridicularizaram o movimento paredista das costureiras, chamando-o de greve de saias. A União das Costureiras , associação formada por operárias comunistas, anarquistas e sindicalistas, apoiou a decisão das operárias. [1]

Neste mesmo dia, o patrão Domingues foi até à sede da União das Costureiras “clamar” as operárias a volta aos trabalhos! Desde 14, apenas cinco atenderam aos pedidos do patrão. As operatórias que concordaram em greve foram demitidas. À noite, como operárias demitidas, Laudelina Silva, Almerinda Machado e Judith Correia se deslocaram até a residência de Domingues para cobrar o dinheiro que o patrão ainda estava devendo.

Furioso com aquela entrega em frente a sua residência, Domingues passou a insultar as operárias, principalmente a jovem Laudelina Silva , operária negra retinta. Olhando para Laudelina Silva , JJDomingues teria dito que não queria aquelas “negras vagabundas em sua casa!” As operárias não se intimidaram e continuaram a protestar na frente da casa do industrial.

O industrial, então, tentou que a guarda civil levasse as operações para a central de polícia. Levados à delegacia central, o delegado Severo Bomfim também destratou as operárias. [2] Uma comissão de operárias foi até a central da delegacia exigiu a liberdade de Laudelina Silva e das operárias presas injustamente. Após a pressão das costureiras, as operárias grevistas foram soltas.

REFERÊNCIAS:

[1] UMA RUA. Dados: 26/06/1919. Nº 172.

[2] O PAIZ. Dados: 27/06/1919. N.12.678.

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021) , sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025 ), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO ! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

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Pardal Orfãozinho
vem brincar
comigo

Cláudio Fontalan


[1] UMA RUA. Dados: 26/06/1919. Nº 172.

[2] O PAIZ. Dados: 27/06/1919. N.12.678.

Comunidades tentam resistir à poderosa máquina de propaganda da Petrobras na Foz do Amazonas

A Engrenagem Publicitária inclui apresentações para comunidades e visita de influenciadores a projetos ambientais da empresa na Região Norte.
 
Em 2025, a Petrobras investiu R$ 372 milhões em publicidade – cinco vezes mais que o valor gasto em 2020. A empresa informou que seus gastos com comunicação foram menores em 2020 por ter entrado em uma fase de venda de ativos para reduzir o endividamento, e que a partir de 2023, sob nova gestão, os gastos retornaram a “níveis compatíveis com a escala, o alcance e a responsabilidade institucional da maior empresa do Brasil”.
 
A engenharia pública inclui desde apresentações para comunidades até encontros com jornalistas, além de visita de influenciadores digitais a projetos ambientais da petrolífera na Região Norte. O patrocínio de patrocínios inclui R$ 16,4 milhões destinados a um programa de conservação dos manguezais – justamente aqueles que, segundas comunidades locais e organizações da sociedade civil, seriam devastadas em um eventual derramamento de óleo na Foz do Amazonas.
 
Diante do tamanho do bombardeio, é difícil para a população local não deixar levar o discurso de riqueza e de desenvolvimento. “Alguns acham que vão ficar ricos”, conta Patricia Faria Ribeiro, moradora de Pesqueiro, no Marajó, que costuma representar a comunidade em questões ambientais. “O que eu digo a eles é que esse poço não traz nenhum benefício para nós. Nenhum benefício em saúde, educação, trabalho, emprego. É uma ilusão.”
 
>> Leia mais aqui:
 
https://climainfo.org.br/2026/06/19/comunidades-tentam-resistir-a-poderosa-maquina-de-propaganda-da-petrobras-na-foz-do-amazonas
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/06/06/mais-de-60-caciques-do-oiapoque-repudiam-exploracao-de-petroleo-na-foz-do-amazonas/
 
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2025/06/10/carta-de-repudio-aos-representantes-politicos-do-estado-do-amapa-nao-ao-petroleo-na-foz-do-amazonas/
 
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Com
nas minhas velhas roupas –
o espantalho
 
Estêvão Teodoro