[Uruguai] José Mujica e a atração irresistível dos “bons” presidentes (mesmo para alguns anarquistas)

Por Raúl Sardo

“Os acontecimentos posteriores mostraram, a cada nova prova, quão desastrosa foi a ilusão da confiança sincera nos bons tiranos, mas quantas vezes essa ilusão se renovou em outras formas, com a monarquia parlamentar, depois com a burguesia republicana e, finalmente, com os socialistas de Estado, que se comprometeram, sucessivamente impulsionados pela excitação popular, a realizar o ideal de liberdade e igualdade dos cidadãos. Esses tesouros serão conquistados, ou nunca serão dados. – (Eliseo Reclus: Man and the Earth-1909)

“Pegue o revolucionário mais radical, coloque-o no trono da Rússia e conceda-lhe poder ditatorial – a ilusão de nossos revolucionários novatos – e dentro de um ano ele será pior do que o próprio imperador.” – Mikhail Bakunin

Tenho visto e ouvido inúmeros artigos de camaradas libertários entusiasmados com José Mujica, ex-presidente do meu país, o Uruguai.

E isso tem me preocupado, porque acho que, embora o anarquismo abranja várias formas de pensar, eu pensava que um dos limites era o Estado e seus administradores.

Mas não, Mujica deslumbrou por ser o “presidente mais pobre do mundo”, apesar de sua última declaração juramentada (2015) (1) declarar uma riqueza de U$S 300.000, sem contar os bens de sua esposa Lucía Topolansky… como disse um camarada: “vale a pena ser pobre!

Como contou um jornalista de esquerda em um programa de rádio há 6 anos (2), Mujica criou um personagem, e a maior parte do mundo – inclusive os companheiros e companheiras – acreditou nele.

Um personagem que parte de fatos reais, pois ele era um guerrilheiro tupamaro e um dos famosos “reféns” da ditadura, todos eles em condições subumanas – não eram os únicos, a maioria era assim, há vários livros e até filmes que ilustram o calvário que viveram.

Mas, de personagem secundário no MLN (Movimiento de Liberación Nacional-Tupamaros), e após a morte de Raúl Sendic pai, o iniciador do Movimento, ele se posicionou como o principal ponto de referência – juntamente com E Fernández Huidobro, que desempenhou um triste papel como Ministro da Defesa – da esquerda “radical” dentro da Frente Ampla, a coalizão de esquerda nascida em 1971.

Alguns dos ex-tupamaros deixaram a FA – como Jorge Zabalza e María Topolansky (3), gêmea de Lucía – permanecendo e militando no exterior com fortes críticas aos governos da coalizão de esquerda.

Sua carreira política meteórica se desenvolveu a partir de pequenos grupos radicais que gradualmente se adaptaram à ideologia centrista da FA, deixando os mais radicais para trás.

Uma vez no cargo, ele desenvolveu toda uma política econômica que deu continuidade à de Tabaré Vázquez – presidente anterior da FA – baseada na entrega dos recursos do país, como a maior propriedade estrangeira de terras da história (4), uma política de “transbordamento” e crédito barato para o consumo, baseada no fato de os ricos darem trabalho aos pobres, mesmo ignorando os direitos ambientais (5) e às custas da contaminação da água e da terra com plantações de soja (6) e a instalação de fábricas de papel, com enormes investimentos do Estado para sua logística, em contratos secretos (7).

Em outras áreas, insatisfeito com alguns sindicatos que não se calaram – especialmente o sindicato dos professores – ele não se acanhou em declarar: “Temos que nos unir e esmagar esses sindicatos, não há outra maneira. Tomara que consigamos tirá-los do caminho” (8), e sobre a questão dos direitos humanos, por um lado, ordenou que um militante, membro de sua organização política, não comparecesse ao Parlamento (2011) quando seu voto era necessário para a anulação da Lei de Caducidade (anistia para os militares da ditadura), embora esse membro, Víctor Semproni, sempre tenha declarado que se tratava de uma decisão pessoal… (9).

Anteriormente, no segundo plebiscito para a anulação dessa lei (2009), houve setores (inclusive o de Mujica) que não apoiaram o SIM, o que levou a uma votação insuficiente de 48% a favor.

Ele recebeu cinco prisioneiros de Guantánamo como contribuição humanitária (10), mas, ao mesmo tempo, declarou: “Para vender alguns quilos de laranjas aos Estados Unidos, tive de pagar por cinco loucos presos de Guantánamo” (11).

Enfim, eu poderia continuar com uma infinidade de exemplos de algo que acredito estar claro para nós, anarquistas, só de conhecer uma pessoa que é política, e mais ainda quando se torna presidente… que percorreu inúmeros caminhos de acomodação, corrupção, etc., para chegar lá.

Mujica – assim como Tabaré Vázquez – deu continuidade a uma linha política inaugurada por Liber Seregni em 1984 – no final da ditadura – quando fez um pacto com os militares para uma saída “ordeira” e impunidade para eles; assim como uma dependência dos movimentos sociais aos ditames da Frente Ampla.

Uma FA capitalista, que não busca mudanças estruturais, funcional – e Mujica um defensor (12) – do sistema.

Desde então, nosso país tem sido um país sem indústria, um país de serviços – turismo, TI – e de exportação de commodities – soja, carne e celulose de eucalipto para as fábricas de papel finlandesas -, com a destruição da educação e da seguridade social, outrora um exemplo mundial, e a pauperização gradual da população invadida pelo narcotráfico – as pessoas que trabalham nele são contadas como “empregadas” (13) – e como centro de lavagem de ativos da América do Sul (14).

Em suma, o progressismo, e principalmente a figura de Mujica, tem desempenhado um papel importante no apaziguamento e na manipulação dos mais fracos, com seu estilo “popular” e “realista”… na minha opinião, mais perigoso do que a direita.

Nada de novo no mundo, e me desculpe, não existem presidentes “bons”…

  1. https://www.infobae.com/2015/04/23/1724323-mujica-declaro-un-patrimonio-us300-mil-dejar-la-presidencia/ ↩︎
  2. https://www.youtube.com/watch?v=s-GDJDX2Bq8&t=1s ↩︎
  3. https://www.subrayado.com.uy/maria-topolansky-critico-su-hermana-y-mujica-ellos-no-fueron-el-hueso-n946907 ↩︎
  4. https://www.sudestada.com.uy/articleId__8de24215-7365-44b7-8cdc-130bcbf17e8c/10893/Detalle-de-Noticia ↩︎
  5. https://www.youtube.com/watch?v=ip0KdvEvwTY&t=53s ↩︎
  6. https://infloridauy.wordpress.com/2013/03/30/uruguay-esta-sufriendo-una-epidemia-de-cancer/ ↩︎
  7. https://movusuruguay.blogspot.com/2024/04/llevara-900-anos-recuperar-lo-gastado.html ↩︎
  8. https://www.busqueda.com.uy/Secciones/Vazquez-declaro-esencial-la-educacion-apoyado-por-los-lideres-del-Frente-Amplio-y-colmado-por-el-accionar-de-los-sindicatos-uc22776 ↩︎
  9. https://laprensa.com.uy/informaci%25C3%25B3n/politica/23647-el-mandato-del-fa-no-me-puede-imponer-a-mi-hacer-algo-para-lo-que-no-tengo-facultades- ↩︎
  10. https://www.gub.uy/presidencia/comunicacion/noticias/mujica-dijo-ayudara-desmantelar-verguenza-humana-sin-afectar-seguridad-pais ↩︎
  11. https://www.subrayado.com.uy/mujica-para-vender-naranjas-eeuu-tuve-que-bancar-5-locos-guantanamo-n55845 ↩︎
  12. https://www.facebook.com/watch/?v=1160072041131236 ↩︎
  13. https://www.lr21.com.uy/politica/437653-malestar-de-ong-por-afirmaciones-de-canepa ↩︎
  14. https://www.sudestada.com.uy/articleId__a7ad3d09-1717-4aab-ab40-9cc8f265fadc/10981/Detalle-de-Investigacion ↩︎

Fonte: https://redeslibertarias.com/2024/09/16/jose-mujica-y-la-irresistible-atraccion-de-los-presidentes-buenos-incluso-para-algunos-anarquistas/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

de momento em momento
tudo que eu digo
se choca com o vento

Camila Jabur

[Espanha] Resistência Ancestral ante o Genocídio Colonial. Descolonizemo-nos: 12 de outubro nada que celebrar

Artigo publicado em Rojo y Negro nº 393, outubro 2024

Pelo décimo segundo ano consecutivo, coletivos e movimentos sociais convocam uma manifestação para erradicar o 12 de outubro como Festa Nacional e reivindicar a descolonização como processo de reparação sob o lema: Resistência Ancestral ante o Genocídio Colonial.

Desde o começo de setembro mais de 20 coletivos, majoritariamente migrantes e antirracistas voltamos a nos encontrar na Assembleia Descolonizemo-nos: 12 de outubro Nada que Celebrar para nos organizarmos de maneira autogestionada e apartidária em Resistência ao relato hegemônico deste país que anseia a #HispaniNada e mantêm uma memória e ação coletiva colonial, ainda que nos setores e movimentos sociais que se consideram mais alternativos e inclusive começam a impulsionar iniciativas que se propõem abordar a descolonização, como as de alguns museus.

Faz 12 anos começamos a nos mobilizar para recordar que o Genocídio não se celebra, que a invasão não se honra e que a “irmandade” entre herdeiros do império colonial e os povos colonizados não é possível sem o reconhecimento honesto da história e o presente, a responsabilização e a reparação correspondente. E isto inclui claro, renunciar a manter a Festa Nacional do Reino de Espanha na mesma data do início da colonização. Até hoje, o sistema colonial tornou possível a ideia de modernidade, o devir material, epistêmico e de poder da Europa, à custa dos corpos das pessoas racializadas, dos povos originários e da Mãe Terra. Neste sistema está a base e manutenção do racismo estrutural que opera a nível global, também em nossos territórios de origem. No próprio Plano Antirracista 2020-2025 da UE se destaca a importância de reconhecer as raízes históricas do racismo estrutural, reconhecendo entre elas, o colonialismo e o comércio transatlântico de pessoas escravizadas.

Por sua parte, a mestiçagem foi principalmente resultado das violações às mulheres indígenas e africanas por parte dos colonos brancos e da institucionalização de uma ideologia e prática para a eliminação dos povos originários e suas culturas. O chamado Descolonizemo-nos, que nos convoca a cada ano desde 2012, nos convida a olhar-nos e atuar coletivamente frente a este legado colonial.

Por isso, o 12 de outubro voltamos a convocar a manifestação-passeata em Madrid, este ano sob o lema: “Resistência Ancestral ante o Genocídio colonial” com a intenção de recordar que somos herdeiras e recriamos a Resistência a esta ordem colonial. Essa Resistência ante as políticas de extermínio que hoje vemos encarnadas no Genocídio na Palestina, que resiste apesar dos 75 anos de ocupação; na criminalização dos povos originários e das comunidades negras e afrodescendentes que defendem seus territórios, como o Povo Mapuche (por mais de 130 anos) e o povo Garífuna; no massacre de povos inteiros com o fim de controlar o território para a extração de minerais que tornam possível a vida “civilizada”, como acontece na República Democrática do Congo; no Pacto Europeu de Migração e Asilo que é a expressão mais avançada da legalização e institucionalização das políticas que seguem fazendo do Mediterrâneo a maior fossa comum do mundo; inclusive na “transição ecológica” capitalista e extrativista.

A Resistência ancestral hoje está nos povos originários de Abya Yala e nas comunidades afro e camponesas que conseguiram manter sua cosmovisão, seu idioma, sua cultura, sua espiritualidade unida à Mãe Terra. E também está em nós, que seguimos tecendo redes de apoio mútuo de criatividade, autodefesa, proposta e ação ante as violências cotidianas que vivemos ao migrar, em casas, centros de estudo, trabalhos, na rua, meios de comunicação e nos espaços sociais e políticos, inclusive aqueles nos quais pretendem nos assimilar ou “ajudar” desde um paternalismo que nega nossa atitude e nos invalida como sujeito político.

Resistimos desmontando o ser colonial que nos habita, que se reproduz nas relações cotidianas tantas vezes de maneira invisível. Resistimos rebolando, abraçando nossas corporalidades, sexualidades, formas de organização e espiritualidade. Resistimos denunciando a colonialidade e o racismo nas políticas públicas, e propondo novos imaginários e propostas culturais e políticas. Também resistimos identificando, assinalando e desmontando coletivamente as lógicas coloniais que seguem se repetindo nas organizações e claro nas políticas públicas no Reino da Espanha e em nossos próprios territórios de origem, que acompanhamos à distância.

Além da manifestação-passeata convocada para o mesmo 12 de outubro, como há 5 anos, o dia anterior, 11 de outubro, estaremos nos Jardins do Genocídio de Colón (Plaza Colón) em um ato de memória pelas vítimas da colonização histórica e atual. Iniciando com um ritual segundo a cosmovisão de povos originários para depois fazer uma intervenção teatral, com dança, poesia e música de diferentes culturas. Este ano se fará um paralelismo entre o 12 de outubro de 1492 e o 7 de outubro de 2023 pela colonização e Genocídio do Povo Palestino, reivindicando a luta dos povos e sua defesa do território e pela Mãe Terra.

Em 12 de outubro ocuparemos uma vez mais as ruas de Madrid em uma manifestação-passeata prevista para sair às 5 da tarde da Plaza Tirso de Molina, que baixará pela Rua Atocha, e terminará na Plaza Juan de Goytisolo (Museu Reina Sofía). Na mesma praça, às 7 da noite, acontecerá o ArtEvento, que começará com a leitura do manifesto “Descolonizemo-nos, 12 de outubro Nada que Celebrar” e contará com apresentações musicais da Resistência, como Kamanchaca Kuntur, Los Pleneros del Exilio, roda de tambores e Sikuris. Também se somam atividades de nossos coletivos e de coletivos irmãos que podes conhecer através de nossas redes sociais (no Instagram @descolonicemonos12octubre e no X @Descolonicemon1).

Resistência Ancestral ante o Genocídio Colonial!

Assembleia Descolonizemo-nos

#12deOutubroNadaQueCelebrar

Fonte: Rojo y Negro

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

na folha orvalhada,
gota engole gota,
engorda, desliza e cai

Alaor Chaves

[Espanha] La Rosa Negra reedita “Los emisarios de la nada. Una historia del nihilismo ruso”

A editora anarquista La Rosa Negra publicou em setembro a segunda edição de “Los emisarios de la nada. Una historia del nihilismo ruso”, um texto para iniciar-se nas ideias niilistas e conhecer a história de um movimento que tratou de mudar o mundo. Descrição:

“Los emisarios de la nada” foi editado pela primeira vez em novembro de 2007. Nesse momento, era necessário jogar luz sobre o niilismo. Falava-se de niilismo de forma pejorativa, sem compreender sua realidade política. A repercussão que tinha era bastante marginal. Salvo algumas exceções em forma de revistas ou artigos, ninguém havia tentado abordar tão interessante tema nas terras ibéricas. O autor de “Los emisarios de la nada” pôs mãos à obra inspirado por um livreto grego publicado em 2004 e dedicado à figura de Necháyev. Queria introduzir o tema; abrir um espaço para que depois outros se aprofundassem.

Desde então choveu muito sobre o assunto. Graças aos esforços de algumas pessoas, hoje existe dentro do anarquismo uma corrente que reivindica o niilismo. Esta corrente assume uma série de postulados e práticas herdeiras dos niilistas russos do século XIX. Do niilismo, pois, hoje se fala mais.

La Rosa Negra Ediciones considera que “Los emisarios de la nada” resgatou do esquecimento as ideias e a tradição niilistas; por isso, anos depois procedemos a sua reedição.

É um texto que precede a publicações de outras editoras. Após “Los emisarios de la nada” surgiram as obras “Sin fósforo no hay pensamento” de Alain S. H. (El Grillo Libertario, 2014); “Rusia en las tinieblas” de Vera Figner (Antipersona, 2016); e “El sabor de la sangre en la boca: revolucionarios, anarquistas, rebeldes y nihilistas en la Rusia del siglo XIX” de autor anônimo (Descontrol, 2017). Como precursora de outras publicações, “Los emisarios de la nada”, também de caráter anônimo, merece ser reeditada. Transcorreram muitos anos desde sua primeira edição. Nosso objetivo é que não se perca no esquecimento e que esteja presente na série de obras que seguiram.

La Rosa Negra Ediciones / Colección Afinidades Subversivas / 1.ª edición, febrero 2018 / 2.ª edición, septiembre 2024 / 131 págs. / 11,7×17,5 cm / Rústica con solapas / ISBN 978-84-946886-5-2

La Rosa Negra Ediciones

>> O livro pode ser adquirido aqui:

https://larosanegraediciones.es/producto/los-emisarios-de-la-nada/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

O vaso da varanda
exala um doce perfume —
Uma flor-de-cera…

Tania Alves

[Espanha] 12 de outubro. Vamos nos descolonizar. Discussão com companheiras do Curdistão, Palestina e Chiapas.

Dentro do marco do Outono Antirracista e Anticolonial, estamos organizando este encontro no sábado, 12 de outubro, para visibilizar e colocar em diálogo as lutas, as resistências internacionais que defendem a vida, a terra, o autogoverno e a solidariedade internacional. Um diálogo entre referências de movimentos que precisamos ouvir e ver para entender e lembrar por que uma posição antirracista e decolonial é necessária em nossas vidas diárias. Em nossa prática cultural e transformadora como sindicato.

Teremos a companhia de vozes do Curdistão, da Palestina e de Chiapas. Abertos a outras vozes para enriquecer o diálogo sobre o estado do internacionalismo e a coordenação entre territórios e corpos que defendem a vida e a liberdade, apesar de sofrerem a mais terrível violência dos Estados e do Capital.

  • Às 11h30 Conversa com compi curdo, compi palestino e compi zapatista.
  • Às 14h Almoço popular
  • Às 16h, iremos para a manifestação “Nada a comemorar”.

A jornada será realizada nas dependências do sindicato. Paseo Alberto Palacios, 2, Villaverde Alto, Madri.

cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

Clareira na mata —
Velho jacarandá caído
Carregado de flores.

João Toloi

[Itália] Se eu não puder cantar, não é minha revolução

Domingo, 13 de outubro: palavras e música no Spazio Anarchico Vettor Fausto

“Você quer saber o que os anarquistas pensam? Ouça suas canções”, assim começa o livro ‘L’anarchia in 100 canti‘, de Alessio Lega. Não se trata de um livro de canções, mas de uma antologia de 100 canções anarquistas escritas entre 1870 e 1936, com sua história e o contexto social, cultural e musical em que surgiram e foram cantadas. Alessio nos falará sobre elas e as cantará.

No final, teremos um jantar coletivo com canções anarquistas, no qual cada um de nós e todos nós juntos poderemos expressar nossa verve musical.

Nos vemos no domingo, 13 de outubro, às 19h30 (horário de Roma), em nossa sede na Via Vettor Fausto 3 (metrô Roma B – Garbatella): entre na porta e desça as escadas.

Grupo Anarquista Bakunin – FAI Roma e Lazio

gruppobakunin@federazioneanarchica.org

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/06/italia-lancamento-a-resistencia-em-100-cancoes-de-alessio-lega/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/08/26/italia-alessio-lega-explosao-anarquica-em-poesias-cantadas/

agência de notícias anarquistas-ana

A Brisa Que Sopra
É O Melhor Refresco
Neste Dia Quente

Leonardo Natal

[Chile] Preocupação pela situação carcerária do companheiro anarquista Felipe Ríos

O companheiro Felipe Ríos, recluso no módulo 34 de máxima segurança do CCP Bio Bío, se encontra em uma situação crítica que requer nossa atenção, agitação e solidariedade permanente. Faz semanas que os pacos [polícia] do módulo 55 no qual se encontrava estavam perseguindo-o, mantendo particular vigilância sobre ele e atacando-o de maneira recorrente. Desde então o transladaram várias vezes de módulo, até colocá-lo no de máxima segurança, onde se encontra agora em cela de castigo.

No domingo, 22 de setembro o guarda de turno foi tirá-lo de sua cela sem aviso prévio, junto a dois presos do módulo, dizendo-lhe que agora eles ocupariam essa cela e que ele visse aonde iria. Ante a reclamação de Felipe pela arbitrariedade da decisão, ocorreu um confronto, e o paco o expulsou do módulo. Por esse motivo recebeu ameaças de que se não se fosse do módulo, os mesmos pacos o carregariam com uma arma ou um telefonema para que ficasse cumprindo mais anos de condenação.

O transladaram então ao módulo 31 de população penal comum a uma cela escura, onde continuou a sanha da gendarmeria, negando-lhe coisas essenciais, até os papeis para fazer solicitações e as chamadas telefônicas. No sábado, 28 de setembro, depois de dias incomunicável pode avisar que o estavam transladando às 4 jaulas (lugar de castigo), não sem antes golpeá-lo e asfixiá-lo entre 2 pacos. No domingo, 29, o transladam ao módulo 34 de máxima segurança, onde ainda não lhe entregam suas coisas, mas onde se encontrou com a solidariedade de outros presos políticos.

Sua defesa interpôs um recurso de amparo e está solicitando o translado a San Felipe. Toda esta sanha ocorre a poucos dias de poder postular 3 benefícios intrapenitenciários, para os quais reúne os requisitos. Neste contexto o chamado é para acompanhar desde a rua a luta do companheiro contra a prisão, difundindo e visibilizando o que está ocorrendo, agitando por todos os meios imagináveis.

A situação de Felipe não é isolada, a agudização do isolamento e o castigo arbitrário se estendem nos cárceres do país. Que nenhuma agressão da gendarmeria para com os companheiros fique sem resposta.

Que a solidariedade transpasse os muros.

Guerra ao Estado

Fonte: https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2024/10/09/chile-preocupacion-por-situacion-carcelaria-de-companero-anarquista-felipe-rios/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/03/chile-concepcion-a-7-anos-do-caso-21-de-maio-comunicado-de-felipe-rios/

agência de notícias anarquistas-ana

coisa rara:
teu espelho
tem minha cara

Millôr Fernandes

[Espanha] Dolors Marín Silvestre apresenta sua pesquisa sobre o anarquismo em Vitória

A historiadora e escritora Dolors Marín Silvestre, conhecida por sua pesquisa sobre o anarquismo na Espanha, dará uma conferência no dia 12 de outubro. O evento será realizado às 19h30 na sede da CNT, localizada na rua Correría, 65. Durante a conferência, Marín discutirá seus estudos sobre a resistência libertária e a luta contra a pobreza e a opressão nos anos da Segunda República e do regime de Franco.

Uma jornada pelas lutas libertárias

Dolors Marín, nascida em Hospitalet de Llobregat em 1957, dedicou sua carreira à pesquisa e à documentação do movimento anarquista. Entre suas publicações mais notáveis estão obras como Ministros anarquistas: la CNT en el gobierno de la II República (1936-1939) e Clandestinos: el maquis contra el franquismo, 1934-1975. Sua abordagem tem sido explorar como os movimentos libertários usaram a solidariedade e o livre-pensamento para enfrentar tanto a pobreza econômica quanto a opressão intelectual.

Em sua palestra em Vitória, ela abordará como aqueles que lutaram contra o fascismo buscaram a emancipação por meio da resistência desde as margens do sistema, questionando a autoridade e promovendo a autogestão.

O trabalho de Marín também inclui títulos que resgatam a memória de figuras-chave e eventos importantes na história da resistência anarquista. Exemplos disso são La Semana Trágica: Barcelona en llamas e Anarquistas: un siglo de movimiento libertario en España.

agência de notícias anarquistas-ana

Trovão ribomba
Galinhas levantam a crista
de uma única vez!

Naoto Matsushita

[Espanha] A Marcha à Prisão de Albolote foi proibida

Todos os anos, a CNT-AIT Granada tenta organizar uma Marcha à Prisão de Albolote para denunciar a situação nas prisões, informar sobre as atualizações da luta antiprisional e fazer contato com parentes e amigos dos presos que vêm visitá-los.

Assim, foi no âmbito do Outubro Vermelho e Negro que a Marcha deste ano foi convocada e a Subdelegação do Governo foi informada de nossa intenção de realizar uma manifestação no estacionamento da prisão, como de costume. Cumprimos nossa obrigação.

No entanto, neste dia 6 de outubro, iniciamos a Marcha e, quando chegamos ao presídio, a Guarda Civil nos parou na entrada da última estrada que leva ao presídio e nos disse que não poderíamos realizar o evento, pois a Subdelegacia não havia informado (nem positiva nem negativamente) sobre a concentração, e o Diretor, aludindo à falta desse documento, não nos permitiria exercer qualquer protesto ou qualquer direito de reunião (as pessoas vão pensar que no presídio há direitos!).

Informamos aos oficiais que, às vezes, acontece de a Subdelegação não tomar uma decisão e, nesses casos, a reunião é permitida, porque na Espanha o direito de reunião é algo que é comunicado, não solicitado, e que isso é feito para que as autoridades possam fornecer instalações para compatibilizar tanto o direito de reunião quanto o direito de mobilidade de outras pessoas, e que não ter essa “permissão” não é crime nem proibição, mas que os participantes terão que se auto-organizar para fornecer essas instalações. Danos, prejuízos e crimes são puníveis independentemente de haver ou não “autorização” da Subdelegacia, pois tudo o que está tipificado nas leis e no Código Penal se aplica a todos, mesmo que façam uso do Direito de Reunião. Portanto, a autorização expressa da Subdelegação não é e nunca foi requisito para o exercício do Direito de Assembleia, mas deve ser comunicada, caso venha a ser proibida por algo na comunicação que não possa ser feito, ou por já ter sido solicitado um ato no mesmo local e horário, não sendo possível fazer o ato conforme comunicado. É por isso que é aconselhável fazer a comunicação à Subdelegação do Governo, mas nunca é uma exigência que a população infantilizada deve fazer em relação à Autoridade paternalista.

A Guardia Civil pegou os dados de muitos dos presentes, cujos carros chegaram, e se recusou a permitir a realização do evento, citando as regras do perímetro de segurança exigido pela prisão (eles receberam a solicitação que apresentamos à Subdelegacia). Assim, tivemos de voltar à impossibilidade de exercer um direito fundamental, como o direito de reunião e de livre expressão, que não deveria existir naquele perímetro, o que confirma tudo o que dizemos sobre o que acontece nas prisões. Também deve ter a ver com a atitude dos funcionários da prisão, que há meses exigem que as famílias dos presos não comemorem a liberdade no estacionamento, porque eles “deixam sujeira”, referindo-se a confetes e elementos semelhantes. Basicamente, eles se ressentem do fato de o estacionamento ser usado para comemorações de pessoas que talvez não simpatizem com eles (prisioneiros ou similares, ciganos, anarquistas…).

Vamos realizar a Marcha para a Prisão novamente após o Outubro Vermelho e Negro e aproveitar os dias para envolver mais pessoas. Estamos pensando em entrar com uma ação contra as autoridades, porque a comunicação à subdelegacia foi feita e não podemos fazer mais nada administrativamente, portanto, nossos direitos e nossa liberdade de protesto foram claramente violados, e isso pode e será repetido pelo simples fato de a subdelegacia não responder, de novo e de novo.

A luta contra a prisão é incômoda para as autoridades e é normal que incidentes como esse aconteçam. Diante disso, devemos insistir, apoiar e agir de acordo, porque o objetivo deles é a repressão e o nosso é a liberdade, e isso não pode ser alcançado ou avançado com bons desejos.

Fonte: https://granada.cntait.org/content/la-marcha-la-c%C3%A1rcel-de-albolote-fue-prohibida

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Será mais bela a noite acesa?
sussurra a voz dela
prolongando o crepúsculo.

Etsujin

[Espanha] O capital acaba com sua saúde mental

Hoje, 10 de outubro, é o Dia da Saúde Mental, portanto, nós da CNT Iruña gostaríamos de fazer uma pequena reflexão sobre esse problema que nos afeta diretamente como classe trabalhadora.

Atualmente, a saúde mental se tornou um negócio lucrativo devido às longas listas de espera na Previdência Social, que podem ultrapassar seis meses para uma primeira consulta psicológica, para tratar problemas como ansiedade, depressão ou estresse, que estão intimamente relacionados à exploração do trabalho assalariado que nos é imposta pelo capital.

Desde o anarcossindicalismo, denunciamos a falta de garantia contra demissões por licença médica relacionada a problemas de saúde mental, a falta de renovação nos contratos de trabalhadores afetados por algum tipo de doença psicológica, a falta de preocupação por parte dos empregadores em casos de assédio e discriminação sofridos diariamente por milhares de pessoas precarizadas pelo sistema.

“O capital acaba com sua saúde mental” é o nosso slogan para esta campanha que visa conscientizar a classe trabalhadora sobre a importante luta que devemos empreender para ter atendimento psicológico universal gratuito e que ele seja implementado em nossos locais de trabalho, já que a organização como trabalhadores é nossa única ferramenta.

Desde CNT Iruña, queremos incentivar o apoio mútuo e a solidariedade com as e os trabalhadores afetados por algum tipo de doença psicológica, para que não hesitem em contar conosco na luta por uma saúde mental digna.

cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

Sol de primavera…
Apenas um pardalzinho
Canta…Canta…Canta…

Irene Massumi Fuke

Governo Lula e mercado da morte | Exportações de produtos bélicos e de defesa atingem recorde em 2024 | “O mundo todo está se armando. Alguns usam essas armas para defesa, outros para ataque”

O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, anunciou, nesta terça-feira (08/10), que em outubro as exportações autorizadas de produtos de defesa alcançaram números recordes, com a cifra de US$ 1,6 bilhão – equivalente a R$ 8,8 bilhões na cotação atual. O comunicado foi após a assinatura de um acordo entre a Defesa e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que visa a cooperação para a promoção e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa e Segurança (Bids).

O recorde de exportação iguala o patamar histórico da indústria de defesa registrado em 2021. Com negociações ainda em andamento, as cifras deste ano devem superar o período de 2014 a 2023.

Confira a evolução das exportações de produtos da defesa:

  • 2014: US$ 620 milhões
  • 2015: US$ 1 bilhão
  • 2016: US$ 925 milhões
  • 2017: US$ 687 milhões
  • 2018: US$ 915 milhões
  • 2019: US$ 1,2 bilhão
  • 2020: US$ 777 milhão
  • 2021: US$ 1,6 bilhão
  • 2022: US$ 648 milhão
  • 2023: US$ 1,4 bilhão
  • 2024: US$ 1,6 bilhão (até outubro)

Acordo

O acordo de cooperação, com vigência de seis anos, foi assinado pelo ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, e pelo presidente da CNI, Ricardo Alban. Com a parceria, a CNI terá acesso à base de dados da Defesa, que será analisada pelo Observatório Nacional da Indústria. A análise vai permitir novas oportunidades e crescimento para o setor da defesa nos mercados interno e externo.

Informações como quais armamentos um país adquiriu de outro país e o valor dessas transações são dados que podem guiar a Defesa nas negociações de compra e venda.

O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, disse que o acordo é importante para a pasta, no qual os dados trazem argumentos para que a Defesa possa levar propostas de possíveis aumentos orçamentários para o Congresso, Câmara e Senado.

“Significa informação, comparação para que possamos oxigenar o nosso discurso, para dar força a nossa indústria da defesa brasileira (…) Em 2023, foram investidos em produtos de defesa no mundo 2 trilhões de dólares. Países que, por preceitos constitucionais, são proibidos de investir em equipamentos de defesa, como Japão e Portugal, estão se armando. O mundo todo está se armando. Alguns usam essas armas para defesa, outros para ataque”, disse o ministro.

Cenário internacional

No evento desta terça, José Múcio citou o cenário internacional atual como dificultador em compras e licitações da pasta. “Judeus venceram uma licitação, mas por questões ideológicas não podemos aprovar. Temos uma munição no Exército que não usamos. Fizemos um grande negócio. [A venda foi vetada] porque senão o alemão vai mandar para a Ucrânia, e a Ucrânia vai usar contra a Rússia. E a Rússia vai mexer nos nossos acordos de fertilizantes”, reclamou.

O ministro também criticou a importação de potássio do Brasil feita com o Canadá. “Temos a segunda maior reserva, mas como está embaixo da terra dos índios, nós não podemos explorar”.

Fonte: agências de notícias

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agência de notícias anarquistas-ana

A gota que cai
É a chuva de lágrimas
Em minha solidão.

Claude Huss Natividade

Anarcas

Pessoas anarquistas são pessoas que não querem dominar nem serem dominadas. São pessoas que não querem jamais assumir o papel de pessoa opressora nem a de pessoa oprimida, nem de vítima, nem de carrasca.

Não buscam apenas liberdade para uma pessoa mas para toda as criaturas, consideram que o máximo de liberdade individual só pode ser alcançado num quadro de liberdade e igualdade generalizada.

Lutam contra a exploração social, contra seu funcionamento econômico e sua ideologia, contra a desigualdade tanto econômica como sexual ou de outros tipos, contra todo poder e autoridade, e procuram trazer a Anarquia, o mundo, porque é a ausência de dominação, é um símbolo que existe nas mentes e nos corações daquelas que me desejam. E do mesmo modo que o dinheiro e o capital produzem a opressão e a tirania, a anarquia entrega a liberdade entre todas as pessoas.

O conceito utilizado por pessoas anarquistas para obter essa sociedade livre –o ideal de um mundo sem governo– é o anarquismo.

Mas há várias perspectivas quando defini-lo.

O anarquismo não é apenas um método para chegar a anarquia.

É também uma forma da vida individual e social realizável imediatamente e para o maior bem de todas as criaturas, não só um sistema, uma ciência ou uma filosofia a mais para desespero das pessoas anarcologas (termo que usarei para definir pessoas que estudam a anarquia, mas não necessariamente que sejam ou tenham alguma afinidade ideológica).

É possível ainda referenciar o anarquismo como uma possível filosofia social e pessoal com base na liberdade humana, no convênio ou acordo de livre deste com seus semelhantes e na organização de uma sociedade na qual não deve haver classes, grupos ou interesses privados e leis prejudiciais ou coercitivas de qualquer espécie a qualquer criatura que seja.

As bases do anarquismo são os direitos inalienáveis individuais, o pacto livre com as outras pessoas e criaturas, a organização de uma sociedade onde os direitos estejam garantidos pela relação harmoniosa, equilibrada de todas as participantes.

Ao contrário de outras ideologias, não há uma figura central em que as ideias tenham circundado para a articulação do anarquismo. Sempre olhe desconfiado se valorizam por demais, a ponto de cultuar uma pessoa, deixando de lado as ideias que movem ou moviam essa “ilustre” pessoa. Na anarquia há iconoclastia = destruir ícones.

Na luta somos dignas e livres!

anarkio.net

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terreno baldio
lixo revirado
gato vadio

Carlos Seabra

Vaquinha pela primeira publicação do Centro de Cultura Libertária da Amazônia (com a Monstro dos Mares)

Olá pessoal, é com muito prazer e, devo confessar, uma certa dose de orgulho que venho apresentar essa campanha de financiamento participativo.

Se trata da primeira publicação realizada pelo CCLA e de uma tradução importante para o movimento anarquista brasileiro atual: 10 Perguntas sobre o Anarquismo é uma obra muito didática sobre o nosso movimento, muito acessível e completa apesar do formato reduzido.

Essa tradução do companheiro francês da UCL Guillaume Davranche ajuda a manter o movimento atualizado com a produção anarquista mundial contemporânea e, ao mesmo tempo, resitua o anarquismo na sua perspectiva histórica.

Então, convido vocês a participarem dessa campanha doando um pequeno valor que vai ajudar o CCLA a existir a nível nacional e torná-lo conhecido Belém afora.

>> Aqui o link da campanha: https://www.catarse.me/10perguntas

cclamazonia.noblogs.org

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Nem uma brisa:
o gosto de sol quente
nas framboesas

Betty Drevniok

[Canadá] Festival Internacional de Teatro Anarquista de Montreal chega ao fim

Agradecimentos

Após 18 anos de existência, o coletivo do Festival International du théatre anarchiste de Montréal decidiu encerrar suas atividades.

Obrigado a todos os artistas, voluntários, ex-membros do coletivo e ao público por sua presença, contribuição e apoio durante todos esses anos.

Nosso festival sempre foi realizado de forma voluntária e sem nenhum apoio governamental.

Se outros anarquistas desejarem organizar outro festival, ficaremos felizes em ajudá-los.

Os membros do coletivo FITAM

anarchistetheatrefestival.com

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Livro de poesia
Caminha sobre as estrofes
Uma joaninha

Estela Bonini

[Espanha] Sexta-feira, 11 de novembro: Apresentação do Fundo Fotográfico Moderno (FFM) da FAL

No dia 11 de outubro, às 18h30, continuaremos nosso itinerário de formação e divulgação do trabalho de arquivo do nosso centro documental. Nesta próxima sessão, que será a terceira, apresentaremos publicamente o Fundo Fotográfico Moderno (FFM) da FAL. Anna Pastor Roldán, historiadora e documentalista, será responsável pela elaboração da primeira ferramenta de descrição para a gestão documental da coleção; estamos nos referindo ao inventário de coleções fotográficas do Fundo Fotográfico Moderno (FFM) da FAL.

O Fundo Fotográfico Moderno reúne as coleções fotográficas pós-1939 mantidas pelo arquivo da FAL. Nesta sessão, explicaremos o processo de trabalho que levou ao primeiro inventário de coleções, informando sobre a política de acesso e consulta documental. Também discutiremos o grande valor histórico dessa coleção, anunciando as próximas linhas de trabalho relacionadas à sua gestão documental.

Embora a conferência seja destinada especialmente a pesquisadores ligados ao estudo da história do anarquismo, o acesso à palestra será gratuito. Acreditamos também que a sessão possa ser de interesse para estudantes e profissionais envolvidos na gestão documental de acervos fotográficos.

Gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para anunciar que, nos próximos meses, continuaremos com esse itinerário de atividades culturais e formativas ligadas ao arquivo da Fundação. De fato, em breve estaremos anunciando as datas das próximas sessões. Nesse sentido, recomendamos que você fique atento às notícias publicadas no site e nas redes sociais da Fundação.

Quando? Sexta-feira, 11 de outubro

Horário? 19:00 horas

Onde? Sede da FAL em Madri

fal.cnt.es

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/11/10/espanha-ampliando-e-melhorando-o-acervo-de-fotografias-historicas-da-fal/

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No entardecer
O azul celeste
Manchado é pelo arranha-céu

Dalva Sanae Baba

Lutar não é crime! Libertem o professor Adriano Gomes da Silva, já!

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO MANTÉM PRESO O PROFESSOR ADRIANO GOMES DA SILVA POR CRIME QUE ELE NÃO COMETEU!

ATENÇÃO! LUTAR NÃO É CRIME!

O governador de São Paulo, o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o seu secretário de segurança pública, o bolsofascista Guilherme Derrite(PL), prenderam de forma arbitrária o professor Adriano Gomes da Silva, por um crime que ele não cometeu. O professor é mais uma vítima da perseguição política praticada pelo governo fascista do Estado de São Paulo.

EXIGIMOS A LIBERDADE IMEDIATA DO PROFESSOR ADRIANO!

Desde o dia 16 de setembro deste ano, o Estado de São Paulo prendeu e mantém preso (na unidade prisional de Franco da Rocha II) o professor da rede pública de ensino da cidade de São Paulo, Adriano Gomes da Silva.

Sob acusações arbitrárias e provas tramadas, o governo do Estado de São Paulo, utilizando-se de suas instituições militar, jurídica e política, tenta silenciar, reprime e encarcera o professor Adriano, que com coragem enfrenta esse modelo de política fascista.

Acontece que o professor Adriano, com anos dedicados à luta em defesa da educação, enfrenta a truculência de um Estado que se esforça para destruir aqueles e aquelas que lutam por mudança e por dignidade.

O professor Adriano foi condenado a 10 meses de prisão em regime semiaberto. Motivo: manifestar-se contra as injustiças do Estado burguês, revoltar-se contra a violência de policiais que espancavam os Direitos Humanos de pobres trabalhadores numa ação de despejo de uma ocupação de moradia.

Por que a prisão do professor Adriano se trata de uma perseguição política?

Primeiro, porque em todos os processos – movidos pelo Estado – contra o professor, as acusações são sempre as mesmas (“desacato” e “desobediência”) e nos quais há sempre uma predominância de policiais como testemunhas acusatórias. Percebe-se: quem o prende são os mesmos que o acusam! Sua atual prisão, se dá pelo fato dele já ter sido julgado, condenado e sentenciado (sem ser comunicado para que pudesse recorrer) num processo de 2018, numa ação de despejo de uma ocupação, contra a qual o companheiro se posicionou diante da truculência policial, e sob a qual se tornou réu e foi condenado por desacato. E, segundo, porque em geral sentença por desacato costuma ser cumprida em regime aberto.

Cabe lembrar que a pedido do Governo do Estado de São Paulo, a Procuradoria Geral do Estado (PGE), desde 2014, moveu um Processo Administrativo Disciplinar contra o professor Adriano e o enviou à Secretaria de Educação, do qual resultou na sua demissão – em 2020 – do cargo que ocupava.

O Estado de São Paulo carrega um histórico de hostilidades e perseguições políticas contra trabalhadores. Incontáveis funcionários públicos do estado de São Paulo, têm sofrido ameaças, perseguição, prisão e demissões ao longo dos governos do PSDB (foi assim na greve de 2000 com o professor Tonhão e mais 4 companheiros demitidos) e agora o é no governo bolsonarista de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O processo movido contra o professor Adriano, demostra o caráter da política terrorista do governo burguês no Estado de São Paulo. Montado para criminalizar um professor que luta contra as políticas de destruição da educação e contra a precariedade das condições sociais; que luta pela dignidade da condição humana; que luta por uma escola de qualidade e gratuita para todos e todas!

A história não deixa dúvidas: os governos do Estado de São Paulo carregam em seu histórico a prática de arruinar a educação e as condições de vida do povo trabalhador! Os governos e a burguesia são bandidos do mesmo saco!

Não podemos permitir que a burguesia paulista leve adiante – sem ser contestada – seu projeto de ditadura capitalista!

Todos os processos movidos pelo Estado contra o professor Adriano têm seu peso político de classe.

Daí a importância de nos posicionarmos em solidariedade ao companheiro.

LIBERDADE IMEDIATA PARA O PROFESSOR ADRIANO GOMES DA SILVA!

E PARA TODOS OS PRESOS POLÍTICOS!

LUTAR NÃO É CRIME!

COMITÊ EM APOIO E SOLIDARIEDADE AO PROFESSOR ADRIANO GOMES DA SILVA

Outubro de 2024

agência de notícias anarquistas-ana

Fumaças vermelhas
da tempestade de pó
devoram o sol.

Masuda Goga

[Itália] Vídeo: Manifestação em Roma em solidariedade à Palestina

Apesar da proibição, a manifestação em solidariedade à Palestina e contra a lei DDL 1660 foi realizada em Roma, em meio a acusações, confrontos, controles e a desinformação habitual.

Apesar de ter sido proibida em 25 de setembro, da dissociação e da convocação de outra manifestação paralela para 12 de outubro por alguns grupos palestinos, os organizadores mantiveram a convocação. Essa data coincide com o aniversário do início da intensificação do genocídio do povo palestino por Israel após os ataques do Hamas. O acesso à cidade foi cortado por postos de controle da polícia em estradas e estações de trem, os ônibus ficaram retidos por horas, as linhas de metrô foram fechadas, mais de 1.600 pessoas foram identificadas e 40 foram detidas em delegacias de polícia e, posteriormente, expulsas da cidade por terem antecedentes criminais… e vans da polícia e carros blindados tomaram conta do centro da cidade e blindaram o local da manifestação pró-palestina, a Piazza Ostiense.

Apesar dos obstáculos, cerca de 10.000 pessoas conseguiram entrar na praça. Após provocações da imprensa e da polícia, a polícia atacou com canhões de água e gás lacrimogêneo. Muitos manifestantes reagiram às cargas policiais e os confrontos duraram horas. Foi confirmado que 4 pessoas foram presas, 2 delas acusadas de resistência, violência e danos a funcionários públicos.

A mídia, como de costume, está repetindo as palavras do Ministro do Interior, do chefe de polícia, de vários políticos e dos sindicatos da polícia: incidentes provocados por infiltrados violentos, resposta proporcional da polícia para proteger os manifestantes pacíficos, bandeiras do Hezbollah e gritos antissemitas, manifestação corretamente proibida porque a tese de infiltrados violentos foi corroborada, etc.

Link para o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=pkDOi0nUnpU

Borrokan

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/25/o-estado-italiano-cada-vez-mais-repressivo/

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crianças mortas –
mundo que escreve mal
por linhas tortas

Carlos Seabra