[Chile] El Sol Ácrata, n°6 (ejemplar 62, cuarta época), Septiembre de 2024

Compartilhamos uma nova edição de El Sol Ácrata, desta vez em sua sexta edição da quarta época (exemplar 62), correspondente a setembro de 2024.

EDITORIAL:

Especial 11 de setembro (1973 – 2024)

A 51 anos do golpe de estado cívico-militar, patronal e empresarial realizado contra o governo da Unidade Popular (sob a direção de Salvador Allende como Presidente da República desde 4 de novembro de 1970 até 11 de setembro de 1973) nosso jornal oferece uma antologia de documentos, entrevistas e arquivos fotográficos reunidos desta forma ao que parece pela primeira vez. Lamentamos não dispor de maior espaço para aprofundar as análises desde uma posição antiautoritária, mas confiamos em TUA INTERPRETAÇÃO E  ANÁLISE sobre os seguintes materiais históricos, para tirar A NECESSÁRIA CONCLUSÃO DE TODO ESTE PROCESSO.

Deixamos aberto o estudo, que esperamos ir ampliando em números posteriores.

Comitê Editorial. El Sol Ácrata, setembro de 2024.

>> Para ler, baixar e divulgar:

https://periodicoelsolacrata.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/09/el-sol-acrata-nc2b06-ejemplar-62-septiembre-de-2024.pdf

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Sobre o mar do Anil
Despedida de andorinhas —
O céu escurece.

Benedita Silva de Azevedo

[EUA] Imprimindo a anarquia

A figura comum do “anarquista” é um lançador de bombas ou assassino, mas a cientista política Kathy E. Ferguson argumenta que ele deveria ser um impressor.

Por Matthew Wills | 09 de agosto de 2024

O anarquismo raramente tem sido bem recebido pela imprensa, embora a impressão tenha sido uma das ocupações mais comuns dos anarquistas entre a Comuna de Paris e a Segunda Guerra Mundial. Embora a figura comum do “anarquista” seja a do atirador de bombas, a cientista política Kathy E. Ferguson sugere que uma figura mais representativa deveria ser a do impressor, “com o bastão de composição na mão, em frente à caixa de tipos, fazendo e sendo feito pelo processo material de produção e circulação de palavras”.

“A capacidade dos anarquistas de criar suas publicações”, escreve Ferguson, por meio de um processo que incorpora diretamente suas ideias – combinando trabalho mental e manual, valorizando a destreza física, a percepção intelectual e a criatividade artística – foi e é uma fonte de energia política que sustenta as comunidades anarquistas.

A alfabetização e a palavra impressa estavam no centro do movimento anarquista do final do século XIX. As comunidades ou escolas de anarquistas “se organizavam em torno de suas publicações”, emitindo “centenas de periódicos, livros, panfletos, folhetos, cartões e pôsteres em dezenas de idiomas”. Uma pesquisa encontrou setenta e nove periódicos anarquistas produzidos nos EUA entre 1880 e 1940, com circulação variando de algumas centenas a trinta mil. Somente a cidade de Nova York teve pelo menos trinta e oito publicações anarquistas em circulação entre 1878 e 1919. Durante o primeiro Red Scare, o FBI contabilizou 249 periódicos radicais nos EUA em 1919, embora nem todos fossem anarquistas.

Como as gráficas comerciais muitas vezes recusavam material anarquista – os anarquistas eram ferozmente reprimidos -, os anarquistas precisavam de suas próprias gráficas e impressoras. Por meio da escrita e da impressão, os anarquistas “podiam praticar o que pregavam, criando a sociedade pela qual ansiavam por meio do processo de reivindicação”, escreve Ferguson.

Os “impressores vagabundos” itinerantes trabalhavam por conta própria, “farejando o rastro da tinta da impressora”, alguns deles organizando sindicatos e disseminando ideias e práticas anarquistas. Alguns desses impressores eram “swifts” ou “speedburners” que participavam de corridas de composição tipográfica, que mediam a velocidade e a precisão da composição manual de tipos. Na composição manual, que não mudou muito desde a época de Gutenberg, o compositor segura um bastão de composição com uma das mãos e usa a outra para puxar os tipos (pequenos blocos de madeira ou metal com uma letra ou outro significante, como um sinal de pontuação) de uma caixa de tipos para criar linhas de palavras no bastão de composição. Elas são colocadas uma a uma, com blocos de espaçamento entre as palavras, à medida que as colunas de tipos são construídas.

“O trabalho exigia precisão, atenção aos detalhes, capacidade de ler e montar o texto de cabeça para baixo e da direita para a esquerda e capacidade de calcular o sistema de medição de pontos da impressora”, escreve Ferguson.

O tipo montado, juntamente com os blocos associados para imagens, gráficos e espaçamento, era preso em um formulário que pesava 50 libras ou mais. O trabalho era fisicamente desafiador e, muitas vezes, insalubre: as oficinas quentes e mal ventiladas podiam ser inundadas com partículas de chumbo dos tipos de metal.

A introdução do Linotype, que lançava tipos de metal quente com o toque, mais ou menos, de um teclado, no final da década de 1880, causou uma explosão no número (e nas edições) de jornais e outras publicações. Essas máquinas complicadas e caras reduziram muito o número de compositores, mas demoraram um pouco para se espalhar dos grandes jornais para as lojas menores. A composição manual sobreviveu à introdução da Linotype e de outras máquinas de metal quente; sobreviveu à composição por fototipia na década de 1960 e, depois, à composição digital na década de 1980. Atualmente, a impressão tipográfica mantém a tradição.

Os detalhes da análise de Ferguson valem o preço do ingresso (que é zero centavos, gratuito, cortesia da JSTOR). Ela descreve prensas movidas a pé, mula, bicicleta e carneiro, sim, um carneiro macho, que avidamente “juntava duas placas de madeira para pressionar o tipo contra o papel” em uma gráfica do Arkansas. A Freedom, sediada em Londres, vem publicando desde 1886, quando foi fundada pelo famoso geógrafo-explorador Peter Kropotkin e sua primeira editora, Charlotte Wilson. A Social Democratic Cooperative Printing Society de Chicago era formada por socialistas, anarquistas e sindicalistas que eram proprietários da gráfica que publicava o Chicagoer Arbeiter-Zeitung (1877-1931) em alemão, uma das publicações radicais de maior circulação nos EUA. O editor do Arbeiter-Zeitung, August Spies, e um dos redatores do jornal, Adolph Fischer, foram dois dos cinco homens executados em 1887, após um extraordinário erro judiciário decorrente do caso Haymarket. Anarquistas até o fim, ambos gritaram seu desafio ao poder supremo do Estado antes de serem enforcados.

Fonte: https://daily.jstor.org/printing-anarchy/

Tradução > Contrafatual

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Eco dos trovões:
O aguaceiro, de repente,
faz subir o rio

Goga

[Espanha] Lançamento: “Contra las cárceles. Contra el estado”, Xosé Tarrío

A ideia da prisão surge na história como meio pelo qual isolar e confinar àquelas pessoas que as autoridades consideravam prejudiciais ou subversivas às leis em vigência, anormais às pautas sociais estabelecidas. Ao longo da história, os cárceres e suas masmorras foram aplicados de formas diferentes; mas sempre, absolutamente sempre, constituíram, seja na era medieval, seja na era moderna ou contemporânea, uma ferramenta do poder imposto, e um meio coercitivo de reis, de militares e de políticos.

O estado é um aparato de poder que baseia sua existência no crime e no roubo, e que avilta, com suas fórmulas autoritárias e injustas de organização social, a convivência da sociedade, corrompendo-a e enfrentando-a entre si. Não podemos querer nem pretender eliminar o delito nem a prisão, deixando intato o maior criminoso da história: o estado. Devemos aboli-lo e com ele a todos esses representantes corruptos que vivem à custa dos demais.

É imprescindível acabar com o estado e com todas as suas formas repressivas, para desde suas ruínas edificar uma nova estrutura social organizada segundo as necessidades populares.

Contra las cárceles. Contra el estado

Xosé Tarrío

Rústica, 64 páginas, 17 cm x 12 cm.

editorialimperdible.com

@editorialimperdible

Tradução > Sol de Abril

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Divertem o gato
Na roça em frente ao portão
As folhas caindo.

Issa

[EUA] A autora anarquista Margaret Killjoy cria mundos trans nos bosques

Por Nico Hall | 29/08/2024

Vestida de preto até os tornozelos, com cabelos escuros em duas tranças, Margaret Killjoy me deixou entrar em sua casa nas montanhas arborizadas, onde vive uma vida de eremita com seu companheiro, seu cachorro Rintrah. Musicista transfeminina, apresentadora de podcast e autora de vários livros de fantasia, Killjoy vive nas montanhas de Appalachia em uma casa repleta de instrumentos, livros, arte e armas medievais. Para uma autora que escreveu um romance ainda não lançado descrito como “uma história de voz própria da bruxaria trans”, sua casa atendeu às minhas expectativas e muito mais.

O primeiro livro de fantasia crossover para jovens adultos de Killjoy, The Sapling Cage, será lançado em 24 de setembro e é descrito como um romance que remete a obras de fantasia e ficção especulativa de mulheres como Ursula K. Le Guin e Tamora Pierce.

Consegui fazer a entrevista pouco antes da turnê do livro The Sapling Cage na costa leste. Killjoy me disse que nunca houve tanto burburinho antes da publicação de um de seus livros. Mas, considerando que as ações malignas do livro giram em torno da extração de recursos e da acumulação de poder, e a protagonista trans que não está apenas explorando sua identidade, mas treinando para ser uma bruxa, e o anseio coletivo da geração Y e da geração X por algo parecido com as histórias de fantasia de nossa juventude, é fácil ver por que o momento é propício para o lançamento desse livro.

>> Para ler o texto na íntegra em inglês, clique aqui:

https://www.autostraddle.com/margaret-killjoy-the-sapling-cage/

Tradução > Contrafatual

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Saliência rubra
Teu sexo exala
Um cheiro de fruta

Ângelo Amarante

[Reino Unido] Neofascismo: um sintoma, não a doença

O racismo e a xenofobia profundamente arraigados persistem na maioria branca, espelhando o fundamentalismo e o ódio cultivados entre as comunidades marginalizadas

O neofascismo crescente é apenas um sintoma, não a doença em si. Isso ecoa todas as ondas fascistas históricas, que surgiram na nova era que se iniciou com os genocídios coloniais, o consequente “esclarecimento” e a revolução industrial. E para compreender os fatores que impulsionam a islamofobia e a xenofobia hoje, precisamos examinar a profunda reestruturação do capitalismo de estado global que vem ocorrendo há décadas.

Os grandes Estados e suas mãos corporativas têm travado guerras por procuração, ao mesmo tempo em que promovem um estilo de vida consumista para seus cidadãos privilegiados. Isso gerou um êxodo incessante de pessoas que fogem da pobreza, da opressão, da guerra e do genocídio, buscando refúgio nos paraísos ilusórios das nações desenvolvidas. Esta é uma era sem precedentes de deslocamento em massa.

Os imigrantes e os refugiados são frequentemente retratados como oprimidos idealizados ou concorrentes desprezados, os “Outros”. Na realidade, eles são indivíduos marginalizados, com direitos limitados, poucas perspectivas de integração e, muitas vezes, sem reconhecimento como seres humanos plenos. Eles são os excluídos, que vivem à margem da sociedade, temendo perpetuamente a expulsão da terra prometida.

As sociedades ocidentais passaram por uma tremenda transformação como resultado das ondas de imigração. Apesar de seu autoproclamado multiculturalismo, elas não conseguiram integrar diversas etnias e culturas. As minorias foram relegadas a espaços controlados, coexistindo com a população branca dominante em um equilíbrio precário.

Como resultado, o ressentimento borbulha sob a superfície em ambos os lados, alimentando o recrutamento potencial entre jovens desiludidos para grupos extremistas ultranacionalistas. O racismo e a xenofobia profundamente arraigados persistem na maioria branca, espelhando o fundamentalismo e o ódio cultivados entre as comunidades marginalizadas. A prometida utopia liberal para todos continua sendo ilusória.

O que podemos fazer? A coisa mais fácil de se dizer é que devemos criar um movimento antifascista robusto. Embora protestos espontâneos sejam essenciais, precisamos aprender com a história. As vitórias antifascistas anteriores muitas vezes deixaram intactas as estruturas subjacentes de poder. Os estados democráticos emergentes preservaram o ovo da serpente dentro de suas entranhas: dentro dos palácios da política parlamentar; dentro das corporações internacionais; no “progressismo” superficial de empresários e influenciadores; nos movimentos sociais falhos e nos partidos de esquerda favoráveis ao sistema, que, quando não flertam com o racismo em teorias vagas de privilégios de não brancos ou queer, estão perseguindo moinhos de vento, sonâmbulos na letargia do reducionismo ou buscando campanhas de um único assunto.

A ação antifascista verdadeira e significativa consiste em pessoas de todas as origens e identidades se unirem para criar maneiras de liberar espaços em todas as comunidades e começar a reconstruir nossos movimentos sociais anti-hierárquicos e antiautoritários. Fazer isso não apenas prefigurará milhares de outras formas de existência, mas também garantirá que as cobras e seus ovos permaneçam enterrados em seus buracos, onde pertencem.

~ Blade Runner

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/08/14/neo-fascism-a-symptom-not-the-disease/

Tradução > anarcademia

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chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo

Buson

Apresentação | União Anarquista Federalista (UAF)

PACTO FEDERATIVO DA UAF

A União Anarquista Federalista (UAF)¹, anteriormente conhecida como Iniciativa Federalista Anarquista do Brasil (IFA-Brasil) foi criada em 2015 na cidade do Rio de Janeiro, por proposição da Liga Anarquista do Rio de Janeiro (Liga RJ) durante o 1º Fórum Geral Anarquista.

Neste momento, nós pessoas anarquistas, enquanto coletivos decidimos trabalharmos pelo bem viver, por uma sociedade livre, um mundo sem exploração e sem opressão, com a máxima justiça social e liberdade coletiva e individual no território do Brasil, na América Latina e para toda humanidade.

Esta é uma organização federalista anarquista composta de indivíduos, núcleos, coletivos e federações locais, constituídas pelos princípios, práticas e métodos anarquistas, das exploradas e dos oprimidas. A atuação, organização e gestão da UAF são definidas e realizadas exclusivamente pelos seus integrantes. Decidimos como ferramenta deliberativa: primeiro o consenso, e na sua impossibilidade, em segundo, o voto. É direito dos associados a abstenção crítica guardando a integridade da UAF e mantendo suas posições internamente.

Reconhecemos, acolhemos e nos constituímos na diversidade das práticas, enquanto pensadoras e pensadores, princípios, estratégias e táticas anarquistas. Das diversas identidades das exploradas e oprimidas que lutam e trabalham diuturnamente por suas vidas e liberdade.

Somos sintetistas, pois consideramos que existem elementos em comum que favorecem uma organização Federalista Anarquista como: Autogestão, Ação Direta, Pluralidade de Ação, Classicismo Combativo, Apoio Mútuo, Justiça Social, Solidariedade Libertária e Liberdade, presentes em nosso cotidiano de militância e lutas. Entendemos que métodos e práticas diferentes não se anulam e nem significam dispersão, sendo na verdade a constatação da diversidade da vida numa forma social de organização que é o federalismo anarquista.

Esta União Federalista Anarquista é sediada no território dominado pelo estado brasileiro. É organizacionalmente descentralizada, autogestionária, sintetista e plural. Em suma, uma organização que acolhe a diversidade continental das suas regiões e dos povos que habitam este território; com uma população hoje estimada em aproximadamente de 220 milhões de seres humanos, com uma das maiores diversidades do planeta na sua constituição étnica.

A UAF se constituiu e desenvolverá conforme as necessidades e possibilidades existenciais e práticas de cada uma de seus indivíduos e coletivos, orientada pela solidariedade e apoio mútuo contido nesse pacto federativo anarquista.

A União Anarquista Federalista (UAF) é associada à Internacional de Federações Anarquistas (IFA), desde 2016, quando foi aceita no X Congresso da Internacional, na cidade Frankfurt, Alemanha.

Este documento, com o conjunto de textos aqui registrados, constituem o pacto federativo da nossa União Anarquista Federalista no Brasil, que pretende ser uma semente necessária para nossa organização e emancipação.

[1] Reunidos em assembleia, os coletivos filiados aprovaram, de forma unânime, a alteração do nome da organização, com o objetivo de evitar a confusão que ocorria ao confundir a IFA (Internacional de Federações Anarquistas) com a IFA-Brasil (Iniciativa Federalista Anarquista do Brasil) e vice-e-versa.

Contato: uaf@riseup.net

Blog: uafbr.noblogs.org

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Balanço de rede
Ao longe um rádio ligado —
Tarde modorrenta

Neiva Pavesi

A FACA vai à Espanha

Na esteira da celebração dos dois anos de fundação da Federação Anarquista Capixaba, um delegado da FACA, no mês de agosto, esteve na Espanha, com o objetivo de divulgar a Federação e estreitar laços com as trabalhadoras e trabalhadores do continente europeu.

Fomos gentilmente recebidos na Fundação Anselmo Lorenzo (FAL), onde conhecemos tão importante espaço, bem como os serviços que esta presta ao movimento libertário de Madrid, da Espanha e do Mundo. Sem a menor sombra de dúvidas, a FAL se faz fundamental para conservação e divulgação da memória e ideia anarquista.

Também fomos recebidos na sede da CNT de Madrid, onde acompanhamos o assessoramento sindical aos trabalhadores que buscam o sindicato, conhecemos a infraestrutura na qual os trabalhos são desenvolvidos e a nutrida biblioteca que as camaradas mantém.

A aliança entre exploradas e explorados de todo o mundo é uma ferramenta poderosa de luta que não pode ser desprezada. E nesse sentido, agradecemos de todo o coração à hospitalidade e carinho recebidos na Espanha, esperando que este pequeno passo seja apenas o início de uma longa cumplicidade anarquista.

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Contato: fedca@riseup.net

Blog: federacaocapixaba.noblogs.org

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os fantasmas de cogumelos
viraram tinta:
pés nus no frio

Rod Willmot

A FACA completa 2 anos!

A Federação Anarquista Capixaba (FACA) completa neste 11 de setembro de 2024 dois anos de existência. Não apenas de existência, mas de luta!

A trajetória de agrupar anarquistas e impulsionar as lutas sob a ótica libertária foi e continua sendo o nosso motor. Participando ativamente dos movimentos sociais, difundindo a anarquia e construindo no hoje o mundo que queremos amanhã, eis em poucas palavras o caminhar da FACA.

Esperamos que dezenas de outros anos sejam celebrados e que sigamos firmes em nosso propósito!

Que viva a Anarquia!

Saudações Libertárias

Contato: fedca@riseup.net

Blog: federacaocapixaba.noblogs.org

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ao pé da janela
dormimos no chão
eu e o luar

Rogério Martins

[EUA] Diante de mais um verão de desastres climáticos, vamos falar sobre soluções reais

Em colaboração com o portal Freedom, apresentamos um breve texto de Peter Gelderloos que explora por que as estratégias usadas pelos principais movimentos ambientalistas atuais para conter as mudanças climáticas causadas pela indústria estão fracassando – e o que poderíamos fazer de diferente. Para se aprofundar ainda mais nestas questões, recomendamos o novo livro de Gelderloos, The Solutions are Already Here: Strategies for Ecological Revolution from Below.

Antes de mais um verão de desastres climáticos, vamos falar sobre soluções reais

O movimento climático dominante parte de uma premissa que garante o fracasso.

Não apenas fracasso. Catástrofe. E quanto mais eficiente ele for, mais danos causará.

Vamos explorar o porquê.

Reducionismo Climático

Hoje em dia, quando as pessoas pensam em ambientalismo, é provável que imaginem a desobediência civil nas ruas, o ativismo midiático, o lobby intenso e as conferências destinadas a estabelecer objetivos globais para as emissões de carbono – tudo sob a liderança de organizações não governamentais, acadêmicos e políticos progressistas. A luta ecológica, no entanto, sempre incluiu também correntes anticapitalistas e anticoloniais, e estas correntes têm-se tornado mais fortes, mais dinâmicas e mais interligadas ao longo das últimas duas décadas.

Esse crescimento, no entanto, não ocorreu sem contratempos, muitas vezes causados ​​por intensa repressão que deixa os movimentos exaustos e traumatizados, como o Green Scare (ou “Ameaça Verde”), que começou em 2005 e a repressão de Standing Rock e outros movimentos anti-oleodutos liderados por indígenas na América do Norte uma década depois. Sistematicamente, bem no momento em que as correntes radicais lambem suas feridas, a visão predominantemente branca e de classe média do ambientalismo atrai os holofotes e empurra toda a conversa para caminhos reformistas.

A crise real que enfrentamos é uma crise ecológica complexa, na qual os mortos pela polícia, as leis repressivas, a continuidade do colonialismo e da supremacia branca, a destruição de inúmeros habitats, a apropriação de terras, o agronegócio, a saúde humana, o urbanismo, as fronteiras e as guerras estão todos interligados. A liderança do movimento ambientalista tomou a decisão estratégica de reduzir tudo isto a uma questão climática – a crise climática – e de recolocar o Estado como protagonista, como o nosso potencial salvador. Isto significa centrar o Acordo de Paris e as reuniões da COP como a solução para o problema, e usar o ativismo performativo e a desobediência civil para exigir mudanças políticas e investimento em apoio à energia verde.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://pt.crimethinc.com/2024/09/10/diante-de-mais-um-verao-de-desastres-climaticos-vamos-falar-sobre-solucoes-reais

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/11/11/argentina-documentario-fumaca-reflexoes-alem-das-queimadas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/09/17/queimadas-no-pantanal-a-luta-pela-sobrevivencia-do-maior-felino-das-americas-em-meio-aos-incendios/

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Entrada do templo
Os galhos de sakura
na cabeça do Buda

Antonio Malta Mitori

A Abolição do Assistencialismo

[tradução do capítulo 14 do livro Anarchy in the Age of Dinosaurs, por Curious George Brigade]

Raça é uma questão que há muito assusta e confunde radicais nos Estados Unidos. Anarquistas brancos estão especialmente chocados com a falta de diversidade, especialmente de negros, entre as pessoas que se juntam a eles nas ruas e no trabalho coletivo. Anarquistas brancos já gastaram infinitas horas tentando localizar “onde fica a cor”, seja em manifestações antiglobalização ou em suas infolojas locais. Ao redor do mundo a maioria dos anarquistas não são brancos. Nos últimos anos a comunidade anarquista dos Estado Unidos começou a se parecer mais com o resto do mundo: étnico e culturalmente diverso. Um número crescente de latinos, asiáticos, árabes e outras pessoas racializadas têm se identificado como anarquistas, e ainda assim isso não é o suficiente para aplacar o sentimento de que falta alguma coisa. Não nos enganemos, o que mais preocupa os anarquistas brancos não é a ausência de latinos ou asiáticos em seus grupos, mas a ausência de negros. Isso pode ser o resultado de uma história cultural racista única dos EUA. Raça é um aspecto essencial da opressão estatal e um pilar da exploração capitalista. Nenhum desafio genuinamente revolucionário seja contra o Estado ou o capitalismo nos EUA pode ignorar a importância do racismo na manutenção do atual sistema e os anarquistas também não. Infelizmente, tokenismo, exigências por programas de auxílio, e outros vestígios da Esquerda, não fez das comunidades anarquistas um lugar acolhedor para pessoas negras.

Apesar da nossa crescente diversidade étnica e racial, ainda paira o espectro de que o movimento anarquista é muito branco. Anarquistas brancos geralmente se sentem tão frustrados com a visível ausência de pessoas negras em projetos anarquistas que eles facilmente se tornam suscetíveis a jogos de poder de indivíduos – anarquistas ou não – que falam por comunidades negras. Muitas vezes um ativista (geralmente uma pessoa branca especializada em antirracismo) implode reuniões acusando os participantes de racismo. Pelo medo de serem rotulados de racistas, coletivos inteiros podem se paralisar por sua inabilidade de atrair (apesar de que, o jargão marxista de recrutar seria uma palavra mais adequada) pessoas negras para seus projetos. Em outros momentos, as questões raciais e de preocupações de diversidade tem involuído em acusações estridentes levando a culpa branca autodestrutiva. Coletivos brancos têm chegado a aliviar sua culpa procurando membros da comunidade negra local para se juntar a eles, em espasmos de tokenismo que não beneficiam ninguém.

Inúmeras horas e muita preocupação foram dedicadas à criação de um alcance eficaz para comunidades negras. Apesar da quantidade de discussões sobre os anarquistas dos Estados Unidos serem majoritariamente brancos, houve muito pouco avanço em atrair pessoas negras para a anarquia. Alguns grupos se tornaram Testemunhas de Jeovás políticas: ativistas brancos indo de porta em porta em comunidades negras, pregando os benefícios do anarquismo. Isso é o paternalismo em sua pior forma, assumindo que é o “fardo do anarquista branco” elevar a consciência de toda pessoas negras a altura de nossas crenças políticas. Esse comportamento é especialmente hipócrita quando anarquistas brancos vivendo em comunidades negras empobrecidas taxam outros anarquistas de racistas, enquanto gentrificam vizinhanças inteiras. Alguns sugeriram diminuirmos a retórica e os princípios anarquistas, mudando a forma que nos vestimos ou o tipo de música que ouvimos, para não alienarmos as pessoas negras, como se a comunidades delas fossem menos tolerantes ou mais conformistas que qualquer outra sociedade. Alguns sugeriram que precisamos trabalhar com organizações autoritárias em comunidades negras para podermos os persuadir a causa anarquista. Isso sugere que organizações autoritárias são típicas de comunidades negras. Assume, implicitamente, que somente brancos podem realmente apreciar abordagens não-hierárquicas de organização e que pessoas negras se incomodariam com ideias tão radicais. Essas tentativas, apesar de geralmente sinceras, são paternalistas e sugerem um profundo desrespeito por comunidades negras. Elas ignoram a longa história de antiautoritarismo negro, das revoltas de escravizados de Nat Turner ao movimento por autonomia negra nos anos 80. Tanto paternalismo também demonstra uma imensa ignorância do número de instituições autoritárias brancas que se enraizaram em comunidades negras, do cristianismo evangélico ao partido democrata.

É um absurdo acreditar que comunidades negras, especialmente aquelas vivendo sob as botas da brutalidade policial, são tão frágeis a ponto de serem alienadas por aparências externas ou gosto musical. Por exemplo, após as revoltas de 2002 em Cincinnati, um contingente de anarquistas planejando tomar as ruas debateu se “blocar” confundiria as pessoas negras e causar mais repressão policial para a comunidade local. Esses medos se mostraram infundados. Quando anarquistas mascarados apareceram um pastor local, um homem negro, comentou como estava impressionado que a “garotada de Seattle” (nas palavras dele) tinham vindo para Cincinnati e estavam marchando ombro a ombro na comunidade, contra a brutalidade policial. Ele até pediu por um cartão de visita (!) para se manter em contato com os anarquistas para futuras colaborações. Os anarquistas também ensinaram vários grupos de adolescentes negros como transformar suas camisetas em máscaras para que evitassem identificação e repressão policial. Esse pequeno exemplo ilustra que comunidades negras podem estar dispostas a fazerem alianças com pessoas com diferentes táticas, roupas, e culturas, se a parceria for de iguais trabalhando em solidariedade. Não deveria ser surpresa que comunidades negras em Cincinnati reagiram positivamente à anarquistas brancos.

Fonte: https://hiperobjeto.blackblogs.org/2024/08/29/a-abolicao-do-assistencialismo/

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vozes no brejão
o cururu dos sapos
ecoando noite adentro

Paladino

Joaquín Penina Sucarrats – fuzilado em Rosario (Argentina)

Em 10 de setembro de 1930 é fuzilado em Rosario (Argentina) o anarquista e anarcossindicalista Joaquín Penina Sucarrats. Havia nascido em 1º de maio de 1905 – algumas fontes citam 1901 – em Gironella (Catalunha). De formação autodidata, era vegetariano, não fumava nem bebia e se declarava anarquista tolstoiano.

Na Catalunha ganhou a vida trabalhando de pedreiro e militou na Confederação Nacional do Trabalho (CNT) junto a Josep Viladomiu Viñoles e Joan Pey. Até 1923 fugindo do serviço militar, se exilou na América com seu amigo o Gironella Paz Puerta e se instalou em Rosario (Argentina), onde viveu colocando azulejos e vendendo livros e jornais anarquistas, integrando-se na “Guilda de Amigos do Livro”.

Filiou-se à Federação Obreira Local Rosarina (forros), inscrita na anarcossindicalista Federação Obreira Regional Argentina (FORA). Em 12 de agosto de 1927, durante a campanha internacional em apoio dos anarquistas italoamericanos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, foi detido por distribuir La Prostesta e no ano seguinte, desde Rosario e de Santa Fe, enviou apoio econômico para os presos na coleta organizada pela Revista Blanca.

Foi um dos promotores das greves de 1928, as quais paralisaram quase todas as atividades produtivas e comerciais desde Villa Constitución até o norte de Rosario. Três dias depois do golpe de Estado do general José Félix Uriburu, em 9 de setembro de 1930, foi detido com Pau Puerta e Victorio Constantini, os três membros do « Grupo Defensoras de La Prensa », por distribuir panfletos e pregar cartazes contra o golpe militar.

Durante a noite de 10 de setembro de 1930 Joaquín Penina Sucarrats foi levado por um grupo de soldados comandados pelo subtenente Jorge Rodríguez e sob as ordens do capitão Luis M. Sarmiento e a aprovação do tenente coronel Rodolfo Lebrero, chefe da polícia de Rosaria, nas Barrancas de Saladillo, ao sul da cidade de Rosario (Santa Fe, Argentina), e fuzilado. Segundo explicou dois anos depois o subtenente Rodríguez morreu gritando “Viva a anarquia!”. Foi enterrado clandestinamente sob a inscrição NN (Non nominados) no cemitério municipal de La Piedad, de Rosario. Em 11 de setembro Puerta e Constantini foram liberados, o primeiro foi deportado a Espanha e o segundo ao Uruguai. Em 1931, com a proclamação da II República espanhola, seu povoado natal lhe dedicou uma rua e o 17 de julho desse ano Federica Montseny publicou em El Luchador um artigo em sua homenagem.

Seu irmão Juan Penina, também filiado à CNT de Gironella, morreu em 1938 na frente de Madrid, depois de ter assumido várias responsabilidades no Conselho Municipal do Município de Gironella durante a revolução. Em 1974 Fernando Quesada publicou o livro Joaquín Penina, o primeiro fuzilado e em 1976 o poeta e jornalista Aldo F. Oliva publicou a pequena biografia El fusilamiento de Penina, mas em fevereiro de 1977, a ditadura militar destruiu os 5.000 exemplares da edição que não havia sido distribuída por medo; afortunadamente um exemplar se salvou e assim se pode reeditar em 2007. Em 1995, uma ordenança do Conselho Municipal de Rosario renomeou a rua Regimiento Once, na zona sul de Rosario, com o nome de Joaquín Penina. No entanto a rua segue tendo os cartazes antigos, pelo que a população ainda não sabe da mudança de nome. Em 17 de setembro de 1999, no Parque Regional Sul, do bairro de Saladillo, inaugurou-se a praça Joaquín Penina. Instalou-se uma placa onde o define como “obreiro exemplar” e “homem de paz”. Em 2011 estreou o documentário “Hombres de ideas avanzadas”. A história de Joaquín Penina, um livro perdido e a memória como um território inexpugnável, de Diego Fidalgo.

Fonte: https://pacosalud.blogspot.com/2024/09/joaquin-penina-sucarrats.html#more

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

brisa suave:
voejam borboletas
por todo jardim

Nete Brito

[Itália] Apresentação dos eventos para o 40º aniversário de “Veneza ’84”

O encontro anarquista internacional de Veneza em 1984, em retrospecto, poderia ser considerado uma orgia anarquista. Há exatamente 40 anos, em setembro de 1984, nos encontramos aos milhares nos “campi” de Veneza, vindos de diferentes latitudes, gerações, e histórias pessoais e coletivas.

Nós nos olhamos e cheiramos uns aos outros com surpresa e curiosidade, apenas para finalmente abraçar nossa alegre promiscuidade, que não tinha como objetivo apagar nossas diferenças. Ao contrário, ela as expôs. Essa foi possivelmente a maior conquista do encontro: a celebração de uma diversidade generativa, que poderia dar origem – quando as tentações hegemônicas são mantidas à distância – a uma pluralidade de anarquismos, todos igualmente “legítimos” (ou seja, reconhecidos e aceitos mesmo quando divergentes de nossa própria abordagem).

Isso não significa que nosso final de verão inspirado em Orwell tenha sido livre de conflitos ou tensões. Pelo contrário. Discussões, recriminações e “trocas intensas de opiniões” eram a regra. Quarenta anos depois, podemos finalmente ver com clareza que não houve abuso de poder ou desejo de impor e fazer proselitismo. Em vez disso, havia um desejo forte e saudável de discutir, para além da polidez e das boas maneiras.

Em 1984, os anarquistas não se reuniam há décadas. Após a Segunda Guerra Mundial, federações específicas organizaram alguns Congressos (um termo revelador…). Ainda assim, um encontro internacional de anarquistas diversos e divergentes não acontecia há décadas. O momento provou ser oportuno, como exemplificado pela ampla participação e pela amplitude da representação (trinta países de todo o mundo, apesar da óbvia predominância de europeus).

Verdade seja dita, o movimento anarquista internacional, já extraordinariamente conectado por meio de suas redes de publicações, havia renascido nos últimos quinze anos e tinha um grande desejo de se engajar. Estava claro que uma nova página estava prestes a ser virada. O século XX estava se esvaindo (a queda da URSS estava a cinco anos de distância). A faísca que desencadeou a formidável explosão de vitalidade anarquista que foi Veneza 84 resultou do feliz encontro entre uma convocação tão ampla e o desejo generalizado de participar de uma discussão aberta.

Não queremos aqui nos autocongratular. Já lançamos um projeto digital sobre Veneza 1984, no qual muitos dos materiais estão disponíveis em vários idiomas. Continuamos a atualizar e reorganizar o arquivo digital, na esperança de trazer de volta pelo menos parte da riqueza e do entusiasmo daqueles momentos.

Uma estudante (Elena Roccaro) da IUAV em Veneza recentemente “descobriu” o Veneza 1984 e escreveu sua brilhante dissertação sobre ele. Sua nova perspectiva reacendeu nossa atenção e nos fez ver as coisas por uma lente diferente. Sentimos que a “narração” desse evento distante – com a cumplicidade do 40º aniversário – poderia se prestar a novas leituras e significados, diferentes daqueles dados por seus protagonistas. Por isso, após alguma hesitação, a decisão foi tomada e deve ser anunciada: Veneza 1984 está de volta!

Nós nos encontraremos novamente nos últimos dez dias de outubro de 2024 com uma série de iniciativas (algumas das quais particularmente conviviais!) girando em torno de uma exposição fotográfica/documental. Um relato do passado com um novo olhar – o olhar de Elena – que situará o evento de 1984 em um fluxo interminável de dissidência libertária.

E de novo, nos encontraremos em Veneza, mesmo que em uma Veneza gentrificada que é apenas um pálido reflexo da cidade animada que recebeu os anarquistas quarenta anos atrás. E talvez falemos sobre gentrificação também, já que – como em 1984 – seremos novamente hospedados pela IUAV. O convite está aberto a todos, àqueles que estavam lá e àqueles que não estavam: para lembrar, contar, aprender e, por que não, para experimentar novamente a emoção de estarmos juntos em um mundo anarquista que pode muito bem ser contraditório e efêmero, mas, como sempre, estimulante!

>> Confira a programação [em construção] aqui:

https://centrostudilibertari.it/it/venezia-84-24-evento

centrostudilibertari.it

Tradução > anarcademia

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/16/italia-40o-aniversario-do-encontro-anarquista-internacional-realizado-em-veneza-em-1984/

agência de notícias anarquistas-ana

Alegres grilos
Gritam na grama gris:
Música noturna.

Eduardo Otsuka

[Chile] 51 Anos do Golpe: Companheiro Alonso Verdejo assassinado por fascista durante marcha ao Cemitério Geral

Por La Zarzamora

Este domingo (08/09), durante a Romaria para o Cemitério Geral em Santiago, um homem, posteriormente identificado como Patricio Salerick Villafaña Juica, que foi visto sair de um piquete de carabineiros [policiais] gritando que era “contra marcha”, apunhalou pelas costas a três pessoas, um deles era o companheiro vegan antiautoritário Alonso Verdejo, de 26 anos, que se manteve em estado grave com feridas no abdome e costas, falecendo em poucas horas no hospital San José. Os ataques de grupos fascistas ou indivíduos amparados pelas forças repressivas são cada vez mais comuns. A legitimação do discurso fascista na mídia, a cumplicidade política e repressiva, lhes propicia resguardo para atuar, o certo é que assassinam esporadicamente a companheiros e nossa coordenação e radicalização da autodefesa é cada vez mais urgente.

Registros de vídeo conseguem captar como Alonso Verdejo é apunhalado covardemente pelo fascista, que se vestia de cinza e tinha um punhal que ocultava com algo escuro (parece ser uma jaqueta ou bolsa). Relatos dos participantes afirmam que este homem, com evidente decisão de atacar as pessoas da manifestação, se mantinha entre um piquete de carabineiros gritando que era um “contra marcha”. Finalmente feriu duas pessoas e assassinou Alonso.

Os assassinatos nas comemorações de 11, que anteriormente foram nas mãos de carabineiros do $hile, como no caso da companheira Claudia López, hoje estão sendo executados por fascistas que se refugiam entre os policiais e seus carros. Ao que parece lhes é mais fácil utilizar a outros tontos úteis para estes ataques (comumente fanáticos exaltados pouco pensantes servis), em vez de seguir colocando em problemas a uma instituição levantada das cinzas, graças a uma grande estratégia de manipulação midiática.

Mas quem são? Lhes pagam? São ou foram pacos [policiais]? São perguntas que surgem ante este cenário, no entanto o concreto é que estamos frente a civis fascistas que, em grupo ou amparados por pacos, atacam covardemente a companheiros que assistem e participam das marchas.

Este fato já não é isolado, em julho de 2018, três mulheres foram apunhaladas durante a marcha pelo aborto livre. No ano de 2022 Francisa Sandoval, comunicadora da Señal 3 de La Victoria, era assassinada frente à Rua Meiggs na Estação Central, por Marcelo Naranjo, que disparava a vista e paciência da polícia. Nesse mesmo lugar já haviam sido agredidos estudantes que protestavam.

Os assassinos contratados são uma realidade, os assassinatos de Macarena Valdés e Bau, o demostraram. A ultradireita e o nazismo $hileno tem esbirros, o latifundiário manda o capataz e este o inquilino a executar os trabalhos sujos, este último passa ao cárcere após um bom acordo com o latifundiário. Mas também são uma realidade os fascistas pobres, que perdidos em seus discursos nacionalistas e religiosos, podem chegar a tomar uma arma para atacar, impulsionados pelas declarações que diariamente veem na TV e em todos os meios de comunicações do poder.

O assassinato de Alonso e a repressão do poder marcaram a romaria deste 2024, mas ainda resta setembro, e as saídas territoriais deixarão a verdadeira conta ante tais covardes ataques à memória dos assassinados e à vida de Alonso. AUTODEFESA.

Fonte: https://lazarzamora.cl/?p=12968

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Na casca amarela
se esconde em vão a goiaba:
tantos bem-te-vis…

Anibal Beça

[Espanha] Hilo Negro 306 | agosto-setembro 2024: “27 de setembro: Jornada de Luta e Greve, pelo fim do Genocídio e o Apartheid na Palestina.”

27 de setembro | Jornada de Luta e Greve, pelo fim do Genocídio e o Apartheid na Palestina.

Jornada de Luta pela redistribuição do gasto público para a classe trabalhadora, para não investir em armas e pelo fim do Genocídio e o apartheid na Palestina.

Chegou o momento de atuar contra o militarismo na Palestina e em todo o mundo: um militarismo que justifica a guerra fratricida entre povos e legitima a exploração capitalista apoiada por governos e estados. A solidariedade internacional é fundamental nesta luta pela justiça e a dignidade na Palestina, e em todo o mundo.

Chegou o momento de que toda a classe trabalhadora, toda sua militância e toda a sociedade em geral, se some a todas aquelas iniciativas de boicote a Israel e de solidariedade com o povo palestino, para exigir o cessar imediato do genocídio sobre Gaza, assim como o fim do apartheid e da colonização de toda Palestina…

 

>> Leia-Baixe o Hilo Negro 306 | agosto-setembro 2024 aqui:

https://cgtburgos.org/wp-content/uploads/2024/09/Hilo-negro-agosto-septiembre-2024.pdf

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uma folha cai
o chão cheio de folhas
o vento distrai

Marcio Luiz Miotto (Pitu)

[Espanha] 13 de setembro: Projeção de ‘Élisée Reclus. La passion du monde’. Com o diretor Nicolas Eprendre

Na sexta-feira, 13 de setembro se projetará na sede de nossa fundação em Madrid o documentário Élisée Reclus. La passion du monde. Para a ocasião contaremos com a presença de seu diretor, Nicolas Eprendre, membro de Radio Libertaire (França)

O documentário La passion du monde nos convida a seguir os passos do geógrafo e anarquista francês Élisée Reclus. Nicolas Eprendre se aproxima de sua figura e nos convida a percorrer esta apaixonante viagem. Uma oportunidade para ver o filme, conhecer o legado de Reclus e falar em primeira mão com seu autor, na sede da FAL em Madrid, às 19 horas.

La Pasión del Mundo é o motivo central da vida de Elisée Reclus, geógrafo e anarquista francês (1830-1905), grande viajante, reconhecido cientista e homem de convicções. Convicções que guiaram sua vida, sem violência, mas sem desviar-se jamais do que ele acreditava certo, com risco de confronto (A Comuna de Paris), de prisão e numerosos exílios.

Sinopse

Fundador da Geografia social, Élisée Reclus explora a evolução de paisagens e territórios à luz da história dos povos. O geógrafo e anarquista Reclus “viaja pelo mundo como um homem livre”, e decifra todas as formas de dominação: política, religiosa, social, racial ou patriarcal.

O desafio era dar vida aos pensamentos de um homem do século XIX, através da poesia das imagens e a magia dos textos…

…Com testemunhos de Hélène Sarrazin (biógrafa), Kenneth White (escritor), Philippe Pelletier e Fédérico Ferretti (geógrafos), traça-se um retrato de um geógrafo sem fronteiras, de um revolucionário preocupado por seus similares e seu entorno. Definitivamente, Um homem do século XXI!

>> Trailer do documentário “Elisée Reclus – La passion du Monde” de Nicolas Eprendre:

https://www.youtube.com/watch?v=kReyhq6Youw

fal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sombra no mato
passarinho assovia —
avencas ao vento.

Mô Schnepfleitner

Proudhon e a ciência social

A descoberta da ciência social

O ano é 1839, e Proudhon já percebia a necessidade de uma ciência da sociedade.

Em A celebração do domingo (1839), o autor escreveu:

Mas o homem nasce para a sociedade: portanto, ainda é necessário estudar as relações dos homens entre si, a fim de determinar seus direitos e estabelecer regras para eles. Que complicação!

Proudhon compreende, muito cedo, que o indivíduo e a sociedade são indissociáveis (“o homem nasce para a sociedade”). Seu ponto de vista faz pensar o quanto são parciais as teorias que, ainda hoje, centram-se apenas em um dos aspectos, ou o indivíduo, ou a sociedade, dessa ontologia dialética que produz o social.

Outro ponto importante e recorrente em sua ciência social, o que hoje chamamos de sociologia, como bem notaram Gurvitch (1970) e Ansart (1967), é o aspecto normativo. Proudhon encarou que essa ciência teria uma contribuição política. Ao estudar “as relações dos homens entre si”, ela contribuiria para determinar direitos e estabelecer regras sociais.

Partindo do estado em que se encontrava a matemática, a física e a filologia em sua época, Proudhon se questiona se deve existir uma ciência da sociedade.

Há uma ciência das quantidades que força o assentimento, exclui o arbítrio, rejeita toda utopia; uma ciência dos fenômenos físicos, que se baseia apenas na observação dos fatos; uma gramática e uma poética baseadas na essência da linguagem, etc. Deve existir também uma ciência da sociedade, absoluta, rigorosa, baseada na natureza do homem e em suas faculdades, e em suas relações; ciência que não deve ser inventada, mas descoberta“.

Nesta segunda citação, ele esmiúça um pouco mais sobre os alvos dessa ciência da sociedade: a) as faculdades humanas e b) as relações entre os homens. 

Nota-se que as “faculdades”, as quais se refere o autor, podem designar aquilo que ele nomearia, mais adiante em Da justiça na revolução e na igreja (1858), de “consciência coletiva”, isto é, aos aspectos simbólicos da vida social, que também seriam tratados por Durkheim e a Escola Sociológica Francesa utilizando a mesma nomenclatura. Por sua vez, as “relações” podem estar antecipando a sua noção de “força coletiva”, que seria trabalhada em sua obra seguinte, “O que é a propriedade?” (1840).   

Chama atenção, na citação acima, que para o autor essa ciência “não deve ser inventada, mas descoberta”. Ele estaria se referindo a existência de um objeto, as “relações sociais”, que já existiria anteriormente a própria instituição de uma ciência adequada ao seu estudo?

Definição de ciência social

Em 1846, foi publicado na França, Sistema das contradições econômicas ou Filosofia da miséria, de Pierre-Joseph Proudhon. Nesse livro, ele define a ciência social.

Trata-se, portanto, e antes de mais nada, de reconhecer o que pode ser uma ciência da sociedade.

A ciência, em geral, é o conhecimento racional e sistemático daquilo que é.

Aplicando esta noção fundamental à sociedade, diremos: a ciência social é o conhecimento racional e sistemático não do que foi a sociedade, nem do que ela será, mas sim do que ela é em toda a sua vida, isto é, no conjunto de suas manifestações sucessivas, pois é somente ai que pode existir razão e sistema. A ciência social deve abraçar a ordem humanitária e não apenas em tal ou qual período de sua duração, nem em alguns de seus elementos, mas sim em todos os seus princípios e na integridade de sua existência, como se a evolução social, espalhada no tempo e no espaço, se encontrasse subitamente reunida e fixada em um quadro que, mostrando a série das idades e a sequência dos fenômenos, descobrisse o seu encadeamento e unidade. Tal deve ser a ciência de toda a realidade viva e progressiva, tal é incontestavelmente a ciência social
” (Proudhon, 2003, p. 96). 

Proudhon inicia sua definição de ciência social pela explicação do que é a própria ciência em sentido lato. A ciência comporta características epistemológicas (racionalidade), metodológicas (sistematicidade) e ontológicas (factualidade). Esses três caracteres são aplicados ao conhecimento da sociedade (objeto). 

Assim, a sociedade ou a “ordem humanitária” – Durkheim (2001), posteriormente, nomearia de “reino social” – é passível de ser compreendida de maneira científica. Isto é, racional, sistemática e factualmente como fenômeno humano. 

Isso parece simplista para os ouvidos de um estudante de sociologia do século XXI. Entretanto, quando Proudhon escrevia aquele livro, era necessária à perspectiva científica estabelecer distinção com a metafísica. Lembremos que, naquele período, na França, Comte utilizava o termo “positivismo” em oposição à “metafísica”, no intuito de estabelecer uma separação entre o real, observável, e o quimérico, que só pode ser imaginado (Russ, 1994). Esse esforço de separação epistemológica entre o real e o metafísico, é semelhante ao de Proudhon.

Elevar a “ordem humanitária” a objeto de ciência foi, assim, um desses atos inauguradores de uma ciência da sociedade, tanto quanto a invenção da palavra sociologia por Auguste Comte na década de 1830, e a publicação em 1838 de Como observar morais e costumes, de Harriet Martineau, que inventou o trabalho de campo sociológico. Ainda que Martineau e Proudhon tenham sido ignorados durante certo tempo pelas ciências sociais. 

Economia política como a ciência social

Proudhon (2003) concebia a economia política como a verdadeira ciência social. 

Quanto a mim, não é desta forma que concebo a ciência econômica, a verdadeira ciência social. Ao invés de responder pelos a priori aos temíveis problemas de organização do trabalho e de distribuição das riquezas, eu interrogarei a economia política como a depositária dos pensamentos secretos da humanidade; farei os fatos falarem segundo a ordem de sua geração, e relatarei, sem nada acrescentar de meu, o seu testemunho” (Proudhon, 2003, p. 176). 

Pode-se extrair três afirmações desse parágrafo de Sistema das contradições econômicas:

1) A economia política é a ciência social.
2) Ela trata de “problemas” como a “organização do trabalho” e a “distribuição das riquezas”.
3) Em seu método de investigação, parte do factual, isto é, centrado na dimensão empírica do fenômeno, no que ele “é”, e não no que “deveria ser”, isto é, em uma dimensão normativa. Durkheim (1994) inventou as noções de juízo de fato e juízo de valor para dar conta dessa diferença que já se nota em Proudhon.

Refletindo a partir desses extratos de Sistema das contradições, contidos na postagem acima, pode-se concluir que para o Proudhon de 1846, a) o estudo racional, sistemático e factual da b) organização do trabalho e da distribuição de riquezas, fenômenos de ordem humanitária, c) configuram a economia política como ciência social. 

Em conclusão, Proudhon, ainda no século XIX, lançou as bases para uma ciência social racional, sistemática e factual, antecipando muitos aspectos que seriam desenvolvidos posteriormente por pensadores como Durkheim (Ansart, 1967; Bouglé, 2015; Gurvitch, 1970). 

Ao propor uma abordagem científica para a sociedade, baseada nas faculdades humanas e nas relações sociais, Proudhon não apenas desafiou as visões metafísicas da época, mas também estabeleceu uma determinada perspectiva de economia política, mais próxima da sociologia do que da economia política clássica, como a verdadeira ciência social, cujo foco está na análise empírica da organização do trabalho e da distribuição de riquezas como fundamentos societários para a justiça social. 

Sua contribuição para a sociologia é indiscutível (Ansart, 1967; Bouglé, 2015; Gurvitch, 1970), ainda que relativamente desconhecida no Brasil (Ferreira, 2016). Noto que o renomado Florestan Fernandes, que coordenou a coleção Grandes Cientistas Sociais, lhe dedicou espaço com o livro organizado por Resende e Passeti (1986). 

A obra de Proudhon é, portanto, essencial para a compreensão da evolução da ciência social na França e no mundo, visto sua influência na Escola Sociológica Francesa (Bouglé, 2015), passando até por Lévi-Strauss (Falleiros, 2018). Ela continua a ser relevante para os debates contemporâneos sobre a natureza da sociedade e as complexas interações entre a propriedade e o trabalho, os movimentos sociais e a justiça social (Brancaleone, 2020; Jamil, 2022; Laval, 2016; Pereira, 2016).

Raphael Cruz

Professor de sociologia na Universidade Federal do Piauí.

Referências

ANSART, Pierre. Sociologie de Proudhon. Paris: Presses Universitaires de France, 1967.

BRANCALEONE, Cassio. Anarquia é ordem: reflexões contemporâneas sobre teoria política e anarquismo. Curitiba: Brazil Publishing, 2020. 

BOUGLÉ, Célestin. A sociologia de Proudhon. São Paulo: EDUSP; Intermezzo, 2015.

DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social. São Paulo: Martins fontes, 1977.
DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martin Claret, 2001.
DURKHEIM, Émile. Filosofia e sociologia. São Paulo: Ícone, 1994.

FALLEIROS, Guilherme Lavinas Jardim. From Proudhon to Lévi-Strauss and beyond: a dialogue between anarchism and indigenous America. Anarchist Studies, v. 26, n. 2, p. 56-79, 2018.

FERREIRA, Andrey Cordeiro. O pensamento de Pierre-Joseph Proudhon na sociologia. MORAES, Wallace; JOURDAN, Camila. Teoria política anarquista contemporanea. Rio de Janeiro: Via Vérita, 2016

GURVITCH, Georges. Los fudadores franceses de la sociología contemporánea: Saint-Simon y Proudhon. Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión, 1970.

JAMIL, Cayce. Resurrecting Proudhon’s idea of justice. Journal of Classical Sociology, v. 22, n. 2, p. 141-167, 2022.

LAVAL, Christian. Commun et communauté: un essai de clarification sociologique. SociologieS, 2016. Disponível em: journals.openedition.org/sociologies/5677. Acesso em 8 de setembro de 2024.
MARTINEAU, Harriet. Como observar: morais e costumes. Governador Valadares: Editora Fernanda H. C. Alcântara, 2021.

PEREIRA, Irène. Proudhon, penseur de la lutte pour la reconnaissance. Cahiers de Psychologie Politique, v. 28, n. 28, 2016.
PROUDHON, Pierre-Joseph. O que é a propriedade. Lisboa: Editorial Estampa, 1975
PROUDHON, Pierre-Joseph. Sistema das contradições econômicas, ou, Filosofia da miséria, tomo 1. Tradução de J. C. Morel (Coleção fundamentos de filosofia). São Paulo: Ícone, 2003.
PROUDHON, Pierre-Joseph. The celebration of sunday [1839]. Tradução Shawn P. Wilbur. Disponível em: https://theanarchistlibrary.org/library/pierre-joseph-proudhon-the-celebration-of-sunday. Acesso em 9 mai. 2023.

RESENDE, Paulo-Edgar; PASSETTI, Edson. Proudhon (Coleção Grandes Cientistas Sociais). São Paulo: Ática, 1986.
RUSS, Jacqueline. Dicionário de filosofia. São Paulo: Scipione, 1994. 

agência de notícias anarquistas-ana

trigo dourado
pelas mão do vento
é penteado

Carlos Seabra