Grande exercício de guerra no Brasil, Cruzex 2024

A Força Aérea Brasileira (FAB) vai realizar em novembro desse ano, mais uma edição do Exercício Cruzeiro do Sul, a Cruzex 2024.

A Cruzex, um dos maiores Exercícios Operacionais Combinados do mundo, visa fortalecer a interoperabilidade entre as Forças Aéreas de diferentes países, promovendo o treinamento conjunto em cenários complexos e desafiadores.

Nesta edição, o Exercício será realizado na BANT, de 03 a 15/11, e reunirá mais 16 países, incluindo o Brasil, mais de 2.000 militares e cerca de 100 aeronaves militares brasileiras e estrangeiras.

Fonte: agências de notícias

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em nosso universo
breve, passa, com pressa! e
graça, a borboleta

Issa

[Chile] Saídas incendiárias após a comemoração do 18 de Outubro no Liceu Tajamar, Liceu José Victorino Lastarria e Liceu Manuel Barros Borgoño

Na quinta-feira, 17 de outubro de 2024, em diferentes escolas secundárias emblemáticas das comunas de Providencia e Santiago, no território dominado pelo Estado chileno, durante a comemoração do Estalido Social ocorrido em 18 de outubro de 2019, data em que o Estado chileno e seu aparato repressivo detiveram, torturaram, mutilaram, estupraram, abusaram e assassinaram milhares de pessoas que se manifestavam em todo o território. Uma revolta que começou inicialmente após o apelo à evasão de estudantes do ensino médio após o aumento das tarifas de transporte público, que germinou na explosão de raiva de milhares de pessoas.

É nesse contexto de comemoração que indivíduos anárquicos encapuzados saem das dependências de suas respectivas escolas de ensino médio para cortar as ruas com fogo, espalhar faixas e slogans e enfrentar a repressão policial.

Esses eventos ocorreram no Liceu Tajamar de Niñas, no Liceu José Victorino Lastarria e no Liceu Manuel Barros Borgoño.

>> Mais fotos:

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“Chegou o estorninho”—
É assim que todos me chamam
e como faz frio!

Kobayashi Issa

[Chile] A catástrofe é que tudo continua igual.

Algumas posições anárquicas informais desde a revolta até o processo constituinte no Chile.

A revolta de outubro de 2019 trouxe inúmeras experiências de alegria caótica, bem como perdas tristes que permanecerão na memória da guerra social. Nossa contribuição anarquista à revolta, por meio da ação direta, da autonomia e da horizontalidade, tanto na prática quanto na teoria, nos oferece a ocasião de avaliar criticamente o momento em que o conflito se intensificou maciçamente no território e quais são as possibilidades que se abrem para a luta anarquista em tal cenário. É com isso em mente que discutiremos os diferentes textos compilados no livro.

Quarta-feira, 30 de outubro de 2024

19:00 hrs.

Juan Martínez de Rozas 3091, metrô Quinta Normal, Santiago Centro.

ESPAÇO FÉNIX

espaciofenix.noblogs.org | espaciofenix@riseup.net

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Ameixeiras brancas —
Assim a alva rompe as trevas
deste dia em diante.

Hori Bakusui

Esp(a)ço: “Um ponto de encontro, confraternização, aproximação de pessoas que de alguma forma se identifiquem com o Anarquismo”

Confira a seguir entrevista com o  Esp(a)ço, um Centro Social e Espaço de Cultura Libertária localizado em Porto Alegre (RS).

Agência de Notícias Anarquistas > Falem um pouco de como surgiu o Centro Social e Espaço de Cultura Libertária, mais conhecido como Esp(a)ço… Um pouco de história, em que contexto…

O Esp(a)ço surgiu quando a necessidade coletiva de um espaço físico de encontro e agitação para reunir anarquistas em Porto Alegre se deparou com a disponibilidade de um espaço físico ocioso onde antigamente funcionava o restaurante coletivo antiespecista Bonobo. O Esp(a)ço iniciou suas atividades em 2022 com um evento contra as eleições presidenciais daquele ano.

ANA > E qual é o objetivo principal do projeto que envolve o Esp(a)ço?

Ser um ponto de encontro, confraternização, aproximação de pessoas que de alguma forma se identifiquem com o Anarquismo e também de disseminação dos ideais anarquistas, atraindo novas pessoas para a luta. Seja através de exibição de filmes, reuniões abertas ou fechadas, rodas de conversa, atividades variadas, além da Apoio Mútuo – a Loja Grátis anticapitalista.

ANA > Como mantém economicamente o Esp(a)ço? Há grupos por trás do projeto ou só individualidades?

O imóvel é cedido. Até pouco tempo boa parte dos custos de manutenção do imóvel eram custeados por uma colaboradora que usava uma das salas para ministrar oficinas de cerâmica. Atualmente essa pessoa não utiliza mais o local, e estamos em processo de transição e nos adaptando. A manutenção do mesmo é feita pelas pessoas que compõem o coletivo, com dinheiro de doações. Nenhum outro grupo ou organização apoia o projeto.

ANA > E o Esp(a)ço abre diariamente?

O Esp(a)ço abre de acordo com sua agenda que ainda não é diária. A Apoio Mútuo, loja grátis, abre toda terça-feira das 17h30 às 20h30, e também durante os eventos de acesso livre.

Mas estamos abertos a quem queira somar nos outros dias e horários com propostas de eventos ou na loja.

ANA > O local também funciona como biblioteca, livraria…

A loja grátis disponibiliza livros e revistas em diversas línguas e temáticas não exclusivamente anarquistas, desde que não conflitem com nossas políticas.

Também temos zines diversos.

ANA > Vocês já foram alvo de alguma violência fascista, intimidação?

No final de 2023, em uma exibição de um documentário sobre o Genocídio de Israel sobre a Palestina, uma guarnição da Brigada Militar permaneceu desde antes do evento de prontidão na esquina oposta e diversas viaturas (automóveis e motocicletas) circularam pela rua até o final da roda de conversa que aconteceu depois da exibição do filme.

ANA > Que momentos consideram que foram mais importantes nesta caminhada de dois anos? Muitas aventuras e poucas desventuras?

A abertura em si do local para o público, o início das atividades da Loja Grátis e o período das enchentes, quando o coletivo passou a atuar de forma mais contundente fora de seu espaço (sem trocadilho).

ANA > Vocês atuam apenas na parte cultural, enquanto Esp(a)ço, ou também em outras esferas do movimento anarquista?

A principal atuação sempre foi cultural. Porém a loja grátis tem se tornado importante para nós como ponto de apoio mútuo e um espaço de troca e acolhimento da comunidade. Mas o período das enchentes foi importante para o coletivo ser também um ponto de intersecção entre outros coletivos, como no exemplo da campanha internacional de arrecadação para os territórios atingidos.

ANA > Mais alguma coisa, algum recado? Valeu!

Que venham conhecer o Esp(a)ço, participar de alguma atividade ou das nossas reuniões abertas para propor atividades, visitar nossa loja grátis ou se voluntariar pra ajudar na abertura dela, trazer doações.

Sempre bom lembrar que podem acompanhar nossa programação em nosso site: espaco.noblogs.org ou nos nossos perfis das redes sociais: Mastodon @espaco@kolektiva.social, Instagram @__espaco__ ou nos envie um email pra espaco@riseup.net.

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Estranhos ruídos
Perturbando meus sonhos:
Cântico dos grilos.

Maria Tereza da Luz

[Espanha] Lançamento: “El comunismo anarquista en los gobiernos municipales de la guerra civil española (1936-1939): Barcelona, El Vallés occidental: una revolución improvisada en la lucha contra el fascismo”

Faz menos de um século, na Catalunha, a região mais industrializada da Espanha, se produziu uma situação excepcional e única na História Contemporânea mundial: a tentativa de golpe fascista é derrotada nas ruas de Barcelona graças à luta das massas trabalhadoras, formando-se um  governo de coalizão de toda a esquerda e produzindo-se mudanças radicais nos âmbitos econômico, político, educativo e social. Apesar da guerra, da miséria, do medo, começou a construção de uma sociedade comunista democrática.

Matías Vargas Puga, Licenciado em Direito e Doutor em História Contemporânea, compila este livro que está baseado no que foi sua tese de doutorado, com muitas informações e análises detalhadas dos fatos ocorridos, que representaram, até o momento, o nível mais avançado (em uma sociedade industrial) nas mudanças revolucionárias que se produziram em todo o mundo, não unicamente no âmbito jurídico-político, mas também no econômico, sociológico, cultural e educativo.

E AQUI APARECEM, COM SEU NOME E DOIS SOBRENOMES, MUITOS DAQUELES MILITANTES QUE ESTAVAM JÁ ANOS ESPERANDO…

Ano publicação: 2024

Autor: Matías Vargas Puga

Editora: Universo de Letras

Páginas: 326

Tamanho do livro: 160×135

universodeletras.com

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Ah! claro silêncio do campo,
marchetado de faiscantes
pigmentos de sons!

Yeda Prates Bernis

[Grécia] Ataque Explosivo à Van Policial de Interrogatório por Anarquistas

A fossa do derrotismo e da miséria nos suga cada vez mais fundo enquanto permanecemos passivos diante da repressão, do terrorismo e da morte semeados pelos Estados.

O presente distópico está crescendo metodicamente, mais duas pessoas são adicionadas à longa lista daqueles mortos nos buracos infernais da polícia. Mohammed Kamran Asik, de 37 anos, tendo sido transferido para 5 delegacias diferentes enquanto estava desaparecido, foi finalmente encontrado morto em Agios Panteleimonas AT (delegacia de polícia), em uma sala sem câmeras, com fortes sinais de tortura. Mia Harizul, 29, foi encontrada enforcada em AT Omonia (delegacia de polícia) em um centro de detenção sem câmeras com 11 outros detentos presentes. É muito claro que esses são assassinatos, com seus esperados acobertamentos por informantes do regime ao mesmo tempo em que o governo sob os auspícios da lei e da ordem, mas também para salvar suas relações internacionais doentias com Estados genocidas, está forçando seus cães a suprimir qualquer tipo de resistência. Essa tática é comprovada na prática, quando no dia 07/10 a marcha pró-Palestina em direção à embaixada israelense é brutalmente atacada por policiais, pessoas são presas e acusadas de crimes graves.

Assassinatos de imigrantes, arquivos sobre ativistas, ameaças, espancamentos de estudantes dentro de suas universidades, prisões, indiciamentos, tortura… Essas são algumas das coisas que temos visto ultimamente.

Na madrugada da sexta-feira do 11/10, um dispositivo explosivo foi colocado em uma van de interrogatório policial, com a explosão causando principalmente danos à frente do veículo. Infelizmente, a resposta do corpo de bombeiros foi imediata e ela não teve tempo de queimar completamente. É importante mencionar aqui a intimidação dos lacaios uniformizados locais em relação aos jovens (quando conseguem pegá-los é claro…) sob o pretexto de um controle costumeiro.

Tais situações também exigem de cada um a responsabilidade de contra-atacar.

É uma necessidade viver de cabeça erguida, para que o medo mude de lado. Para afirmar nossa negação, teimosamente… para que tudo chegue ao seu ápice.

Um punho erguido para aqueles que escolheram o caminho do fogo, da resistência e do contra-ataque violento ao mundo daqueles que dominam.

FORÇA TOTAL AQUELES QUE FORAM PRESOS NA MARCHA DO 07/10

SOLIDARIEDADE PARA COM AS OCUPAÇÕES E AS ESTRUTURAS DE LUTA

POLICIAIS VAGABUNDOS, TUDO TERÁ UMA RESPOSTA

NADA ESTÁ ACABADO, TUDO CONTINUA

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1632221/

Tradução > Alma

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A ipoméia
Tomou-me o balde do poço –
Busco água no vizinho.

Kaga no Chiyoni

Motivos da baixa sindicalização

O movimento sindical brasileiro está sob um desmonte enorme, por conta de sua estrutura corporativizada de molde fascista, uma herança do governo Getúlio Vargas que é excludente e desmobilizadora por si só, mas não é o bastante, há mais!

Houve uma enorme redução da filiação das pessoas trabalhadoras aos sindicatos, mesmo sendo aqui no Brasil um processo impositivo. Em 1975, a sindicalização era de 33%, quando que em 2018, diminuiu para 16% (fonte estudos da OCDE). Passados 6 anos, é visível o maior agravamento desse processo.

Elementos possíveis para essa diminuição sindical: a globalização, mudanças demográficas na força de trabalho, desindustrialização, encolhimento do setor manufatureiro, queda do emprego no setor público, disseminação de forma flexíveis de contratos e mudanças normativas e institucionais.

Uma restrição a ampliação da capacidade produtiva instalada e a geração de empregos de qualidade, movimentos que atuam para enfraquecer a capacidade de organização e de negociação das pessoas trabalhadoras sobreviventes à globalização, onde há uma enorme pressão competitiva entre empresas e gera dependência de investimentos externos estrangeiros para se sustentarem economicamente. De forma direta, a pressão dos grupos de investimentos globais ditam lucratividade e a lógica local entende redução ainda maior de custos, principalmente de quadro de pessoal, enfraquecendo ainda mais as pessoas trabalhadoras e suas organizações.

Com a globalização temos aumento da imigração que afeta negativamente o crescimento sindical porque as pessoas trabalhadoras estrangeiras se sentem muito vulneráveis se estabelecerem qualquer relação sindical, com medo do desemprego, da denúncia e da perseguição. Ironicamente é o contrário, sua não sindicalização corresponde a sua maior precarização como mão de obra não organizada.

As recentes mudanças na estrutura econômica influenciada pela globalização promoveu o encolhimento dos setores industrial e manufatureiro onde havia grande sindicalização. Em contrapartida houve o enorme crescimento do setor de serviços onde os empregos precários e a menor sindicalização imperam. Isso fica ainda mais evidente diante do fechamento ou encolhimento do tamanho de grandes fábricas. A terceirização é mais um fenômeno da globalização que reorganiza o sistema produtivo e gera exclusão da participação, representação e proteção sindical.

Desde o fim da ditadura, em 1985, o processo de liberalização da economia brasileira nunca parou, em ondas sucessivas de privatizações e concessões de estruturas organizacionais e de serviços, levando a redução do emprego público no qual a estabilidade e o vínculo de longa duração contribuem para uma maior sindicalização, o que contribui para a queda das sindicalizações.

Sequências de processos de dissídios coletivos desvantajosos para as pessoas trabalhadoras, realizados por diretorias sindicais ineptas ou de má-índole, tem afastado e “ensinado” de forma negativa gerações de pessoas trabalhadoras que em sua vida laboral, tenderá a evitar a sindicalização, porque vê o sindicalismo “atrasado” e “corrupto”, que não mais garante direitos básicos de cada ramo de profissão. Isso leva ao enfraquecimento da própria estrutura sindical que tem por base a união das pessoas trabalhadoras, quando mais, mais forte é a união sindical. É durante a vida laboral, dia após dia, que as pessoas trabalhadoras experimentam, descobrem e aprendem qual é o papel do sindicato. Simples assim.

O intencional afastamento e desqualificação da atuação coletiva gera efeito “bola de neve” no qual a diminuição da força da voz coletiva dos trabalhadores aumenta a desproteção, precariza e gera insegurança, o que acaba afastando ainda mais as pessoas trabalhadoras dos sindicatos, o que reduz ainda mais a capacidade de representação coletiva. Embora isso não seja importante para muitas pessoas sindicalistas, uma vez que um é sindicato legalizado, ele é o representante legal e isso não mudará com adesão ou sem adesão das pessoas trabalhadoras. Nesse ponto, é possível, depois das reformas trabalhistas de 2017,  que um grupo de pessoas trabalhadoras possam se representar, não mais sendo tarefa única e exclusiva do sindicato, porém é uma situação onde o risco de perseguição dessas pessoas trabalhadoras é grande, tanto pela patronal como do sindicato que se sente ameaçado.

O avanço das mudanças nas formas de contratação, as formas atípicas de emprego como o meio período, o prazo determinado, o emprego temporário e de curta duração, os contratos mediados por agências de mão de obra, ou por plataformas e aplicativos, entre outros, que é essa onda de precarização do século XXI, também contribui para a queda da sindicalização.

Rotatividade, informalidade, menor permanência média nos empregos, resultam em menor sociabilidade nos locais de trabalho, o que limita ainda mais as oportunidades de vínculo sindical. É perceptível que as pessoas trabalhadoras contratadas fora do padrão de contrato de prazo indeterminado têm menor sindicalização.

Ameaça e medo são vetores que atuam para a baixa sindicalização. Essa já é clássica desde a Revolução Industrial, mantendo a promoção e pressão de práticas antissindicais, através de discursos motivacionais anti-sindicalização e organização das pessoas trabalhadoras e ameaças de fechamento e demissão contra aquelas que ousam se organizar ou sindicalizar.

O uso de métodos de gestão orientado para medir desempenho individual, a remuneração baseada em incentivos individuais, a desvalorização da negociação coletiva e incentivo às tratativas individuais contribuem para o afastamento das pessoas trabalhadoras dos sindicatos e dos acordos coletivos.

Há também as deficiências nas estratégias sindicais para expandir a base nos setores que ampliam a participação na economia ou para enfrentar os novos métodos de gestão das empresas. Muitas vezes, a competição intersindical e a fragmentação da base de representação são causas que potencializam a sindicalização.

Reformas nas legislações (como a reforma trabalhista de 2017) têm desvalorizado a negociação coletiva, privilegiando a negociação por empresa ou individual em detrimento à contratação setorial. Outras reformas intencionalmente dificultam o trabalho de sindicalização.

Mudanças institucionais que retiram dos sindicatos seu papel na promoção de políticas públicas como na Previdência Social, saúde e segurança, políticas de proteção das pessoas empregadas também motivam movimentos de distanciamento das pessoas trabalhadoras dos sindicatos. Métodos de gestão empresarial de maior participação de um lado e, de outro, políticas públicas mais protetivas e universais (garantia de emprego, salário mínimo, benefícios coletivos e públicos) podem “retirar” atribuições dos sindicatos o que pode contribuir para maior distanciamento dos sindicatos no contato cotidiano com as pessoas trabalhadoras.

Fazer avaliações e entender os motivos que nossa gente trabalhadora tem se tornado, em pleno século XXI, cada vez mais explorada e oprimida em uma constante do aumento exponencial das riquezas mundiais é parte da busca em romper e sair desse processo cíclico de miséria a qual nossa gente é submetida.

A luta das pessoas trabalhadoras como a narrativa temporal nos mostra, é obra exclusiva de sua própria força e energia, e a revitalização dos sindicatos como meios de luta e não meio de vida, é algo que temos que trabalhar.

Na luta somos dignas e livres!

anarkio.net

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Gatinha meiga
ao passar da mão
seu corpo se ajeita

Eugénia Tabosa

Pré-venda do livro “Estado, Piotr Kropotkin”

Enfim o novo livro da coleção Kropotkin, um projeto realizado pela Biblioteca Terra Livre com a Intermezzo editorial, foi para a gráfica!

Estado é um livro que compila conferências, artigos de jornal e brochuras escritas pelo autor para pensar o nascimento e desenvolvimento do Estado Moderno. Para esta edição inédita contamos com o prefácio de Ruth Kinna, uma das principais pesquisadoras da obra de Kropotkin da atualidade.

O livro tem previsão de entrega até o dia 8 de novembro. Para auxiliar os custos de impressão, estamos iniciando hoje a campanha de pré venda com um valor promocional!

São 3 promoções imperdíveis! O livro + marcador, ou o livro + Apoio mútuo e dois marcadores exclusivos, ou os 3 livros da coleção Kropotkin. Tudo no precinho!

Por que tão barato? Porque queremos que as ideias cheguem mais longe e que o livro possa ser um presente para quem quiser disseminar outros mundos e horizontes possíveis!

Não deixe de divulgar essa pré-venda!

Os links para compra são:

Pré-venda Estado: https://livrariaterralivre.lojavirtuolpro.com/pre-venda…/p

Pré-venda Estado + Apoio Mútuo:

https://livrariaterralivre.lojavirtuolpro.com/pre-venda…/p

Pré-venda Estado + Coleção Kropotkin: https://livrariaterralivre.lojavirtuolpro.com/pre-venda…/p

Os preços promocionais vão até dia 24 de novembro dia da Feira Anarquista de São Paulo.

Viva Kropotkin!

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Ventos nos umbrais
janelas antigas,
modernos varais.

Sandra Maria de Sousa Pereira

Feira Anarquista no Rio de Janeiro acontece neste sábado

Estamos na contagem regressiva. Será neste sábado, dia 26 de outubro, das 11h às 20h, no Centro de Cultura Social, localizado na rua Torres Homem, 790, no bairro de Vila Isabel.

Crianças são mais do que bem-vindas!

Nenhuma forma de discriminação será tolerada. Saiba chegar e sair. Caso tenha algum problema durante a feira, comunique a organização.

Anarquismo não é bagunça.

Nos vemos na feira!

Organização: Edições Tormenta e Coletivo de Ação Revolucionária Anarquista (CARA)

Apoio: Instituto de Estudos Libertários (IEL) e Federação Anarquista Domingos Passos (FAD)

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sobre os vidros
traços de nariz e dedos
olham ainda a chuva

André Duhaime

[Portugal] Violência policial, terrorismo estatal

Na madrugada de segunda-feira, dia 22 de outubro, a polícia assassinou Odair Moniz, morador do bairro do Zambujal. As forças terroristas do Estado-nação, o braço armado da burguesia, mataram mais uma pessoa pobre e racializada, na longa lista de assassinatos cometidos nos bairros sociais, marginalizados e maioritariamente racializados, do país. Por ser suspeito de tentar furtar o próprio carro e resistir à detenção policial com alegado recurso a uma arma branca, algo que até uma comissária da PSP colocou em causa, Odair Moniz foi executado pelo Estado, através do seu órgão supremacista branco e totalitário de repressão das classes oprimidas: a polícia.

Na mesma semana em que o primeiro ministro do governo da Aliança Democrática apresenta no congresso do seu partido um discurso altamente conservador e uma retórica com contornos fascizantes, mais uma pessoa racializada morre nas mãos da polícia. Na mesma semana em que o primeiro ministro defende o reforço da presença da polícia nas ruas, a polícia volta a matar. O mesmo primeiro ministro que imitou o discurso da extrema direita fascista e racista, atacando o ensino da cidadania nas escolas e defendendo o controle da imigração, pretende agora dar cada vez mais força à polícia que aterroriza diariamente as populações pobres e racializadas nos seus bairros.

Esta é a realidade social com que nos deparamos: Portugal enquanto Estado-nação racista, neocolonial e, como todos os Estados, assassino. A polícia, assim como o Estado de que faz parte, é inseparável do seu legado colonial. Odair Moniz, tragicamente, é mais um nome da lista de pessoas racializadas mortas em Portugal pelo sistema supremacista branco e capitalista que nos domina. O homicida nem sempre surge com a farda policial. Por vezes, surge, sem farda, pelo auto denominado “cidadão de bem”, porém o sistema de dominação sociocultural, político e económico por detrás do homicídio é sempre o mesmo: o Estado-nação capitalista neocolonial.

Consequentemente, a solução não passa por apelos vagos e vazios por justiça ao Estado. Não é à própria instituição estruturalmente racista que oprime, domina, explora e, como vimos novamente, mata o proletariado e as massas racializadas, que devemos implorar por salvação. Ninguém nos vai salvar. Só nós podemos salvar-nos.

Por cada pessoa assassinada, temos de nos levantar em revolta. Por todos os oprimidos que são quotidianamente torturados, alienados e lentamente mortos pelo sistema racista, capitalista e estatal, temos de organizar as nossas próprias forças em autogestão para combater esta dominação e construir um mundo novo.

Enquanto escrevemos isto, jovens do bairro da Azambuja, de bairros vizinhos e várias zonas da Grande Lisboa levantam-se em revolta e solidariedade contra a violência e repressão policial na sua comunidade. Os mídia burgueses e líderes políticos reacionários da extrema direita choram o trágico sofrimento dos carros e caixotes do lixo em chamas, tal como na Comuna de Paris choravam pela salvação do concreto e do cimento. A destruição da vida humana é relegada para segundo plano perante a destruição da sagrada propriedade privada. A desumanização do proletariado pobre e racializado da periferia urbana exemplificada perfeitamente dentro da lógica alienante e objetificadora do capitalismo, que vê valor não em seres humanos, mas no capital que pode ser explorado.

É importante que este momento de revolta não se desvaneça simplesmente no tempo – que não seja apenas uma breve insurreição esmagada pelo Estado e vilificada pelos mídia. A violência do oprimido é sempre resultado da violência do opressor. É o segundo que dá origem ao primeiro. As comunidades marginalizadas da periferia capitalista moderna habitam um espaço temporal e geográfico que não é descolonizado. Aqui, a realidade é a miséria, a exploração, a falta de acesso ao livre desenvolvimento individual e coletivo. Na periferia, a polícia representa claramente o legado colonialista e imperialista do Estado-Nação português, onde pode, impunentemente, matar, prender, agredir. A violência perpetuada na África durante séculos vê a sua continuação na violência exercida pelos terroristas do Estado nos bairros. A polícia torna-se, também desta forma, no objeto de militarização da sociedade, do controle totalitário e anti-democrático das nossas vidas.

André Ventura também já saiu em defesa do traste que assassinou Odair, pedindo inclusivamente que este fosse condecorado. Ora, se de um lado a direita conservadora, representada no PSD e CDS, anuncia o reforço do poder policial nas nossas ruas, do outro o líder do partido fascista, que marcha com neo nazis, incentiva publicamente o assassinato dos mais marginalizados da nossa sociedade. É a política da morte, que vê certas populações não apenas como capital a ser explorado, mas como coisas descartáveis que devem ser eliminadas periodicamente pelo bem estar da segurança e tranquilidade da sociedade burguesa branca e cispatriarcal. Todas as lutas contra a dominação estão relacionadas. O sistema colonial, imperialista, capitalista e estatal que mata pessoas negras e ciganas em Portugal é fundamentalmente o mesmo que comete genocídio na Palestina e no resto do mundo. A luta é internacionalista.

A luta poderá seguir vários caminhos de aqui em diante, mas alguns pontos devem ser realçados. Qualquer ato de resistência dos de baixo será sempre condenado pelo sistema cada vez mais totalitário e abertamente reacionário governado pela direita e extrema direita. Não podemos fugir do uso da violência revolucionária dos oprimidos, mas abraçá-la. A não-violência protege apenas o Estado e a propriedade privada, dando-lhe legitimidade para continuar a matar sem ser confrontada. A única resposta eficaz contra a dominação do Estado-nação capitalista neocolonial e patriarcal é a violência, aliada à construção coletiva organizada de novas instituições sociais de poder popular. Estes dois elementos devem andar de mãos dadas: o apoio total à autodefesa violenta das comunidades racializadas e do proletariado como um todo, e a construção quotidiana dos órgãos de poder popular que permitirão canalizar esta revolta para formas de luta mais organizadas e coesas. A construção de um movimento social com programa político, estratégia, independência de classe e objetivos a longo prazo.

Enquanto anarquistas e comunistas libertários, apoiamos a libertação total de todos os oprimidos, por todos os meios necessários. Não podemos ficar fechados na torre de marfim. É imperativo estarmos onde estão as massas oprimidas, combater lado a lado com as mesmas, construir um mundo novo com estas em direção à nossa autoemancipação coletiva. Mais do que procurar liderar ou ensinar, devemos aprender com as formas de luta e resistência das comunidades que hoje se levantam do chão para resistir à bota que o esmaga pelo pescoço, explora, mata, e no final diz que está lá para as proteger, em nome da sagrada propriedade, do lucro, da moral, da pátria e do Estado.

Contra a violência racista e supremacista branca

Contra o terrorismo de Estado e policial

Pela construção do poder popular e a abolição de todas as polícias e de todas as prisões

Pela construção de um socialismo verdadeiramente libertador

Fogo a todas as delegacias!

uniaolibertaria.pt

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Uma borboleta
Na minha pequena rua
Uma floricultura

Suemi Arai

[Holanda] 8ª Feira do Livro Anarquista de Amsterdã

Estamos de volta para a 8ª Feira do Livro Anarquista em Amsterdã! A Feira do Livro ocorrerá na sexta, dia 25, no sábado, dia 26, e no domingo, dia 27 de outubro, no Dokhuis (Plantage Doklaan 8). Serão três dias repletos de estandes, oficinas e coletivos anarquistas de todo o mundo. Vai ser incrível!

A feira de livros é uma oportunidade de aprender sobre as lutas políticas perto de casa, na história e em outras partes do mundo.

Vamos aprender e trabalhar juntos por um mundo sem estados, fronteiras, ecocídio, capitalismo e sem a violência que torna isso possível.

Afinal, conhecimento é poder!

Você está procurando por comunidade, conversas aprofundadas ou indivíduos ou coletivos com ideias semelhantes? Venha para a Feira do Livro Anarquista de Amsterdã!

Está procurando livros e zines anarquistas? Teremos tudo isso e muito mais: roupas, bottons, editoras, distribuidoras, oficinas, palestras e comida vegana! Venha nos conferir!

anarchistbookfairamsterdam.blackblogs.org

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quantos pirilampos
posso contar esta noite?
caminho enluarado

José Marins

[Colômbia] Denúncia contra soluções capitalistas na COP16

Em um encontro em Cali, organizações se reuniram para denunciar as contradições da COP16 [Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, que será realizada entre os dias 21 de outubro e 1º de novembro de 2024 na cidade de Cali], apontando que suas soluções capitalistas são insuficientes e marginalizam as comunidades mais afetadas pela crise ambiental.

23 de outubro de 2024

Povos indígenas, quilombolas, camponeses, urbanos e interétnicos se reuniram em Cali em um encontro crucial para denunciar as contradições da COP16, um evento internacional que, embora promovido com grandes expectativas, é apresentado como um mecanismo que perpetua a lógica capitalista em vez de oferecer soluções eficazes para a crise ambiental.

Os povos reunidos nessa cúpula popular alertaram que as soluções capitalistas da COP16 para os problemas ambientais são insuficientes e marginalizam aqueles que são realmente afetados pela devastação ambiental: povos indígenas, camponeses e afrodescendentes, que têm sido os verdadeiros guardiões da biodiversidade, não têm voz nessas discussões. Essas comunidades são continuamente afetadas por políticas que não promovem mudanças estruturais, mas beneficiam uma pequena elite econômica, tanto nacional quanto internacional.

Durante a cúpula, foi exposto como os governos, em cumplicidade com as corporações transnacionais, transformaram a crise climática em uma oportunidade de lucro, apresentando iniciativas que disfarçam a exploração de recursos e a destruição de ecossistemas como “soluções sustentáveis”. Essa situação expõe as denúncias dos participantes sobre como o capitalismo não apenas explora os seres humanos, mas também despoja a Terra de suas riquezas, promovendo um modelo de desenvolvimento que coloca o benefício econômico de poucos à frente da sobrevivência da humanidade e do planeta.

A mensagem desde Cali é forte:

Não podemos continuar sustentando que os problemas gerados pelo capitalismo podem ser resolvidos dentro do mesmo sistema. As comunidades exigem a construção de alternativas que superem o capitalismo e que se baseiem no respeito à vida, no fortalecimento da soberania dos povos sobre seus territórios e na proteção dos ecossistemas, considerando-os não como recursos a serem explorados, mas como pilares essenciais para a existência.

Esse encontro paralelo em Cali é um símbolo de resistência e dignidade, onde as comunidades exigem ser reconhecidas como protagonistas na construção de um futuro justo, onde a vida não seja mercantilizada e a natureza seja respeitada. Também destaca a necessidade de uma mudança radical nas políticas globais, em que a luta pela vida, a biodiversidade e o bem-estar e a subsistência das comunidades devem estar no centro de qualquer discussão sobre o futuro do planeta.

Fonte: https://trochandosinfronteras.info/denuncia-contra-soluciones-capitalistas-de-la-cop16/

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agência de notícias anarquistas-ana

Sol de primavera…
Apenas um pardalzinho
Canta…Canta…Canta…

Irene Massumi Fuke

[Espanha] Crônica do ato de apresentação em Villalba

No sábado passado (19/10), realizamos uma apresentação do sindicato na cidade de Collado Villalba com a intenção de nos tornarmos conhecidos na área da Sierra Noroeste de Madri (Sierra de Guadarrama) e, aproveitando a ocasião, debater e refletir um pouco sobre a instituição do trabalho sob o capitalismo.

Abrimos o ato com uma breve explicação sobre o que é a CNT-AIT e depois nos centramos em como nos organizamos em nível local e territorial na Sierra de Madrid. Essa apresentação da assembleia do Núcleo Confederal durou cerca de 45 minutos, dando lugar a oficina organizada por Inés Barbero. Durante cerca de duas horas, por meio de diferentes dinâmicas, conversamos e debatemos sobre como o trabalho, sob o capitalismo, marca profundamente nossa identidade e nossa saúde. Uma influência em grande parte nociva em nossas vidas que a maioria de nós dificilmente questiona e, de fato, reproduz constantemente, mesmo que inconscientemente. O evento contou com a participação de cerca de 30 pessoas, que também puderam colocar as mãos em material de propaganda e divulgação do sindicato (folhetos, adesivos, livretos etc.).

Somos muito gratos a Inés por participar do evento com sua oficina e ao Ateneo Popular de Collado Villalba por nos ceder o espaço e por fazê-lo sempre que precisamos. E, é claro, agradecemos também àqueles que vieram compartilhar esse momento conosco.

Saúde e revolução social!

Fonte: https://sierrademadrid.cntait.org/cronica-presentacion-villalba/

agência de notícias anarquistas-ana

dia muito frio
o vento desalinha
a plumagem do passarinho

João Angelo Salvadori

[Chile] Santiago: 3ª Feira Antiautoritária do Livro – 24 de outubro

Buenas compas, é um prazer compartilhar e divulgar a instância que algumas afinidades do espaço levantaram.

Foi montada a segunda feira do livro anarquista da academia (terceira do mesmo ciclo, anteriormente realizada no peda), um espaço aberto a todos os interessados (interno/externo). Onde haverá a presença de diversas editoras e discussões voltadas para a divulgação do ideal.

Com a intenção de retomar o espaço universitário desde a autonomia do corpo discente, é que fazemos a chamada e o convite para fazer parte da instância. Seja participando da feira e das palestras, seja montando banquinhas.

Nesta ocasião, teremos várias discussões voltadas para a conscientização e problematização da vida cotidiana, do anarquismo e do feminismo, da situação de isolamento a que está submetido o companheiro Francisco Solar, onde finalizaremos com a apresentação de Julio Cortés (advogado do Caso Bombas).

Convocamos você a participar, divulgar e nos apoiar durante a jornada.

agência de notícias anarquistas-ana

tomando banho só
no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis

Rosa Clement

[Colômbia] Indígenas e ativistas marcham em Cali contra a COP16

Com cantos, danças, exibições artísticas e rituais ancestrais, mais de 1.000 pessoas saíram às ruas de Cali nesta terça-feira (22/10) para protestar contra os órgãos mundiais reunidos no âmbito da COP16 (Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade).

Povos indígenas, camponeses e quilombolas, bem como líderes sociais e ativistas, marcharam do Parque de las Banderas até o centro de Cali, onde está localizada a Zona Verde da cúpula.

Foi uma exibição cultural e colorida dos povos indígenas colombianos que se juntaram ao apelo por justiça climática ao som de tambores e instrumentos tradicionais do Pacífico.

Em meio a faixas pedindo o fim das indústrias extrativistas, como combustíveis fósseis e mineração na Amazônia, e apresentações circenses, as vozes dos manifestantes se uniram para exigir mais segurança para as comunidades camponesas e indígenas que protegem seus territórios do desmatamento.

Fonte: agências de notícias

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Bolha de sabão
Flutua como pode
Até se estourar no chão.

Guilherme Mizuho Miura

[EUA] Uma perspectiva para a humanidade

No livro mais recente de Terry Stokes, o teólogo anarquista explora as conexões entre anarquismo e cristianismo.

Por Erik Gunn | 10/09/2024

Em Jesus e os Abolicionistas [Jesus and the Abolitionists], Terry Stokes funde os Evangelhos à teoria anarquista e os considera não apenas compatíveis, mas profundamente simpáticos.

Stokes não é necessariamente a pessoa que você esperaria que escrevesse um livro como esse. Ele cresceu na década de 1990 e na primeira parte do século XXI em um lar burguês negro e em um ambiente cristão evangélico conservador, onde ele admite que se sentia bastante confortável. Depois de se formar em Yale, ele frequentou o Seminário Teológico de Princeton. Foi “o primeiro espaço cristão progressista que já habitei”, escreve ele, onde “fui confrontado com mulheres pastoras, teólogos LGBTQ+ e uma série de pessoas e experiências que me forçaram a examinar minhas crenças sobre gênero e sexualidade, o que levou a questões ainda mais fundamentais sobre Deus, revelação divina e ética cristã”.

Ele se formou no mestrado em 2020 em um mundo no qual a pandemia da COVID-19 havia tirado a máscara das desigualdades sociais e econômicas e uma nova “iteração do movimento pela libertação negra” havia eclodido após o assassinato de George Floyd pela polícia.

Depois de trabalhar em uma igreja progressista, social e politicamente ativa, sua teologia mudou para a esquerda, e sua política logo o acompanhou: abraçou o socialismo, leu W. E. B. Du Bois e Angela Davis, seguindo-os até o comunismo e, finalmente, por meio do livro Ajuda Mútua [Mutual Aid] de Dean Spade e dos escritos de Murray Bookchin e outros, adotou a filosofia anarquista.

Stokes explica exatamente o tipo de anarquismo que ele segue – não violento e fundamentalmente sistemático. O capítulo de seu livro que detalha o conceito descreve uma estrutura social orgânica, centrada em comunidades densamente povoadas, que opera por meio de redes e organizações locais, coletivas e voluntárias, sem os ditames de um estado externo, maior.

“A anarquia tira a economia da esfera privada, como no capitalismo, ou de uma esfera separada, como no socialismo autoritário, e a leva para a esfera pública”, escreve ele. “A política econômica, como todas as políticas, é elaborada por toda a comunidade em relações face a face, trabalhando para o bem comum.”

Stokes considera o anarquismo uma necessidade existencial para sua própria identidade negra: “Estou enraizado na negritude enquanto, entre outras coisas, uma condição de ingovernabilidade ontológica e orientação antiestatal.” Mas o anarquismo também está profundamente entrelaçado com sua fé cristã. Explicando por que ele adota o termo “cristãos anarquistas” e rejeita seu anverso, “anarquistas cristãos”, ele escreve em uma nota de rodapé: “Vejo o cristianismo como sendo anárquico em vez de qualificando o anarquismo”.

Em seguida, ele constrói uma teologia sistemática que considera a Bíblia por meio de uma hermenêutica anarquista. Desde o Gênesis até os Evangelhos, ele desmonta as interpretações tradicionais e as reconstrói a partir de uma perspectiva anarquista. Veja a história de Adão e Eva e sua expulsão do Jardim do Éden (uma alegoria, enfatiza Stokes – não uma pré-história literal). Stokes interpreta o fruto proibido como um símbolo de “autossupremacia”, escolhido em detrimento da solidariedade mútua. (Lembra como, quando são pegos, Adão culpa Eva e Eva culpa a serpente?)

“As ‘maldições’ de Gênesis 3 são representações alegóricas das consequências universais das maneiras pelas quais os seres humanos escolheram agir e construir suas sociedades em torno do valor da supremacia, rejeitando repetidamente os apelos de Deus para que exerçamos nosso próprio arbítrio a serviço do cuidado”, escreve Stokes.

Do Livro dos Juízes – “a demonstração visceral e detalhada do fato de que a descentralização sem ética leva rapidamente ao caos total” – até o pano de fundo do famoso pronunciamento de Paulo sobre o amor em sua carta à igreja de Corinto, Stokes extrai lições discretamente relevantes para sua mensagem anarquista.

Os leitores público-alvo de Stokes são mais provavelmente cristãos curiosos sobre o anarquismo do que anarquistas curiosos sobre o cristianismo. O livro é de leitura rápida, com um estilo descontraído que será bem aceito por alguns, enquanto outros podem achá-lo simplesmente enjoativo. Um risco é que os leitores possam ignorar a complexidade e a sofisticação de suas reflexões teológicas.

Não se engane, contudo; ele leva bem a sério sua afirmação de que a sociedade anarquista que ele descreve – e que ele considera iluminada pelas lições das escrituras – é uma perspectiva genuína para a humanidade, seja ela cristã ou não.

Jesus e os Abolicionistas: Como o cristianismo anarquista empodera as pessoas [Jesus and the Abolitionists: How Anarchist Christianity Empowers the People]

Por Terry J. Stokes

Broadleaf Books, 173 páginas

Data de lançamento: 28 de maio de 2024

Fonte: https://progressive.org/magazine/a-prospect-for-humanity-gunn-20240910/

Tradução > anarcademia

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Dia grisalho
brotos brotam brutos
na ponta do galho

Danita Cotrim