[EUA] PM Press reedita dois livros de Ken Knabb

Caros amigos e contatos,

A PM Press acaba de republicar dois de meus livros:

Situationist International Anthology: Edição revisada e ampliada

Editado e traduzido por Ken Knabb

Esta é a coleção mais abrangente de textos em inglês do notório grupo que ajudou a inspirar a revolta de maio de 1968 na França e o movimento internacional Occupy de 2011. Para esta nova edição, aperfeiçoei todas as traduções e atualizei a bibliografia para incluir comentários sobre dezenas de livros mais recentes de e sobre os situacionistas.

Guy Debord: The Society of the Spectacle

Traduzido e anotado por Ken Knabb

Essa análise concisa da estrutura fundamental de nossa sociedade é, sem dúvida, o livro radical mais importante dos últimos cem anos, mas também é muito desafiador. Esta é a primeira edição em inglês que inclui anotações extensas, tornando-a muito mais acessível.

A PM Press agora também distribui meu outro livro:

Public Secrets: Collected Skirmishes of Ken Knabb

Juntamente com uma variedade de artigos e folhetos mais curtos, esse livro inclui “The Joy of Revolution”, no qual examino os prós e os contras de uma ampla gama de táticas radicais e, em seguida, ofereço algumas especulações sobre como seria a vida após uma revolução do tipo situacionista.

A PM Press publicou muitos outros livros de interesse relacionado. Recomendo especialmente The Revolution of Everyday Life, de Raoul Vaneigem, e Guy Debord, de Anselm Jappe, ambos traduzidos por meu amigo Donald Nicholson-Smith.

Esses cinco livros trazem à tona nossas opções reais, ajudando-nos a entender melhor e a minar o sistema social absurdo em que nos encontramos. Se você ainda não os conhece, recomendo que dê uma olhada neles!

P.S. Durante o mês de outubro, você pode encomendar qualquer um desses livros da PM Press (pmpress.org) com 20% de desconto (código do cupom: OCTOBER).

agência de notícias anarquistas-ana

Sente-se, por favor
no banquinho do jardim,
Primavera-San…

Teruo Hamada

[México] Segunda chamada: Encontro Global pelo Clima e pela Vida, Oax, MX, novembro de 2024

Segunda convocação: Onde e com quem navegamos?

Para o Exército Zapatista de Libertação Nacional

Ao Congresso Nacional Indígena – Conselho Indígena de Governo

Aos povos, tribos, nações, comunidades, bairros, organizações, coletivos e ativistas que lutam para defender a Mãe Terra, resistindo e construindo autonomia em todos os cantos do Sul Global (Oaxaca, México e o mundo).

Aos meios de comunicação livres, comunitários, alternativos, independentes e autônomos ou como quer que se chamem.

Àqueles que defendem a vida com suas próprias vidas.

Estamos a menos de dois meses do Encontro Global pelo Clima e pela Vida – ANTICOP 2024, um momento crucial que nos convoca a unir nossas forças e corações em torno de uma causa comum: a defesa da Mãe Terra. Em nossa jornada rumo a novembro, já iniciamos o diálogo em nossos fóruns virtuais (https://mirrorssouthglobal.org).

Esses intercâmbios servem como um preâmbulo para o trabalho que nos espera e nos ajudam a refinar nossas propostas e estratégias. Nesta segunda convocação, gostaríamos de nomear nossas irmãs do EZLN e do CNI-CIG, porque seu exemplo e seus passos nos ensinaram a abraçar fortemente a luta contra o capitalismo, o patriarcado e o colonialismo, a trabalhar todos os dias por esse mundo onde cabem muitos mundos. Sua coragem e perseverança nos inspiram a seguir em frente, mesmo quando os desafios parecem esmagadores. Reiteramos nosso convite, seria uma honra para nós contar com sua presença.

Sua palavra, exemplo e orientação são cruciais para construir um futuro em que a justiça e a equidade prevaleçam. Essa iniciativa nasceu de uma profunda reflexão sobre as tempestades que enfrentamos e sentimos em nossa realidade diária. Depois de analisar a Sexta Declaração da Selva Lacandona e a Declaração pela Vida, decidimos unir forças para unir nossas lutas entre Povos, Tribos, Nações, Comunidades, Bairros, Organizações, Coletivos e ativistas de diferentes cantos do planeta que também estão comprometidos com a defesa da Mãe Terra e da Vida. Desde o início, aqueles de nós que tomaram a iniciativa sabiam que enfrentariam aqueles que acreditam ter todas as respostas e só ouvem o doce som de sua própria voz. Enfrentamos uma ampla gama de atores, desde os que estão no poder até aqueles que o criticam, mas abusam dele em espaços comuns. Fiquem tranquilos, vanguardas, pois não estamos procurando suas bases, nem convocando seus públicos cativos. Rumores, mentiras e silêncios cúmplices são ouvidos. Parece que é mais fácil destruir do que construir, julgar do que entender.

No entanto, estamos firmemente comprometidos com o diálogo sobre as diferenças, estabelecendo pontos em comum diante das adversidades, com base na honestidade e na profundidade da palavra companheira. Nos dedicamos à construção constante e coletiva porque sonhamos o impossível e acreditamos em um futuro melhor.

O momento de nos reunirmos é agora. Esta convocação é dirigida a todas as pessoas que se sentem invisíveis, presas ao desespero e às dívidas, muitas vezes abandonadas e sozinhas, àqueles de nós que sentem a necessidade de enfrentar juntos e organizados as tempestades que estão por vir. Temos testemunhado em várias geografias do planeta o crescimento de uma “esquerda borrada” que, pouco a pouco, revelou sua verdadeira pele, mostrando seu caráter neoliberal e profundamente fascista em suas ações. Essa suposta alternativa progressista não protesta contra a militarização nem questiona os planos imperialistas.

Com uma mão, ela oferece programas sociais e, com a outra, entrega territórios ao capital transnacional. No México, essa esquerda neoliberal pode abraçar Evo Morales, mas também fecha suas fronteiras para os povos da América Central e mostra seu desprezo por aqueles que defendem a terra e o território, reafirmando o programa de desapropriação, a exacerbação do extrativismo e a abertura para o colonialismo verde. Estamos vendo a continuidade dos megaprojetos do capital transnacional que continuam se impondo em nossos territórios com desprezo pelos povos, não só destruindo a posse da terra, mas também mutilando a identidade, a cultura, a língua e a espiritualidade dos povos. Ao mesmo tempo, denunciamos as imposições e cumplicidades entre o governo, as corporações e as estruturas criminosas para colocar o território mexicano em jogo em uma transição energética que se opõe aos interesses dos povos e de seus territórios. Nós, que convocamos o Encontro Global pelo Clima e pela Vida, buscamos construir a partir de baixo, com uma organização sólida que recupere as inúmeras lutas em defesa da vida e do território de nossos povos. Queremos evitar a imposição de agendas para ouvirmos uns aos outros, sempre tendo a luta pela vida como nosso horizonte comum.

Em nosso encontro, queremos nos permitir sonhar com um diálogo enriquecedor entre movimentos, povos, organizações, coletivos e ativistas. Queremos repensar nossas estratégias e ir além da denúncia, em direção a ações concretas e transformadoras.

Que caminho tomaremos após do Encontro Global? Tomaremos essa decisão juntos, juntas, juntes. Ouvimos uns aos outros em Oaxaca, prontos para escrever o próximo capítulo de nossa história compartilhada.

OBSERVAÇÃO: O programa geral ainda está em construção e será publicado em meados de outubro.

OBS 2: Ainda estamos respondendo a e-mails e mensagens. Caso não tenha recebido uma resposta, insista enviando a frase “a ver a ver a qué horas”.

Obrigado.

Fonte: https://radiozapatista.org/?p=48955

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/19/convocacao-para-o-encontro-global-pelo-clima-e-pela-vida-novembro-de-2024-oaxaca-mexico/

agência de notícias anarquistas-ana

Libélula voando
pára um instante e lança
sua sombra no chão

Masuda Goga

[Espanha] XV Aniversário da Biblioteca Anarquista La Maldita

A Biblioteca Anarquista La Maldita completa 15 anos de caminhada. Três lustros desde o início desse projeto de disseminação do pensamento crítico e libertário baseado no bairro de Gamonal, que continua avançando contra ventos e marés.

Para comemorar esse 15º aniversário, La Maldita organizou uma série de eventos que ocorrerão durante grande parte do mês de outubro, com um programa repleto de iniciativas. Para obter mais detalhes sobre o conteúdo das atividades programadas pela biblioteca anarquista, consulte os pôsteres do evento em destaque.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/05/espanha-concurso-literario-de-contos-curtos-e-poesias-para-o-15o-aniversario-da-biblioteca-anarquista-la-maldita/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/09/espanha-nova-localizacao-da-biblioteca-anarquista-la-maldita/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2013/07/17/espanha-burgos-v-aniversario-da-biblioteca-anarquista-la-maldita/

agência de notícias anarquistas-ana

Hermética música
há no silêncio da lágrima
que salga o mar.

Fred Matos

[Londrina-PR] Agro é morte! Terra para o povo!

por Alternativa Popular-Paraná

No dia 22 de Setembro de 2024, a Alternativa Popular/FOB Paraná esteve presente nas ruas de Londrina, denunciando as ações terroristas do agronegócio e convocando a classe trabalhadora para lutar pela terra pela via da ação direta.

Também denunciamos a relação de conluio do governo Lula com o latifúndio e a farsa da conciliação de classes.

É necessário avançar com reivindicações classistas como corte no Plano Safra, aceleração da reforma agrária e cassação dos parlamentares ligados aos crimes do Agro.

Saudamos geral que esteve presente e construiu a manifestação, especialmente nossas organizações de base.

Conquistar terra para o povo, acabar com a concentração de terra na mão dos ricos!

lutafob.org

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/19/agro-e-morte-acabar-com-o-latifundio-salvar-a-vida/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/09/26/salles-se-foi-mas-no-governo-da-frente-ampla-a-boiada-continua-passando/

agência de notícias anarquistas-ana

Boneca se aquece
com o meu chapéu de lã.
Eu visto saudades.

Teruko Oda

Você sabia…

A Ilusão da Divisão: Esquerda e Direita no Capitalismo Brasileiro

A dicotomia esquerda versus direita, tão presente no debate político burguês brasileiro, frequentemente mascara uma realidade mais complexa e interligada. A afirmação de que no atual sistema capitalista “democrático” brasileiro, ambos os espectros ideológicos acabam no fim por convergir, especialmente na hora de apoiar determinados candidatos, encontra respaldo em diversos fatores. Vejamos alguns:

Nas eleições ocorridas neste ano de 2024, dos 85 candidatos no país que tinham no seu palanque tanto o PT (Partido dos Trabalhadores), do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quanto o PL (Partido Liberal), do ex-presidente Jair Bolsonaro, 58 conseguiram se eleger prefeitos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Somente este fato aponta que as supostas divergências entre ambos os espectros políticos não são tão grandes assim quando o tema é a disputa pelo poder do Estado. Apesar de PARECEREM inimigos, Lula e Bolsonaro formam alianças sem qualquer pudor para alcançar dividendos políticos mútuos.

Registre-se que o sistema político brasileiro, marcado por uma forte personalização da política e por um sistema partidário fragmentado, favorece a formação de alianças pragmáticas, nas quais as ideologias de fundo sempre são secundárias em relação aos interesses imediatos. Essa dinâmica permite que tanto partidos de “esquerda” quanto de direita se unam em torno de candidaturas que prometam benefícios concretos a seus partidos, independentemente da orientação ideológica declarada.

Ademais, a própria dinâmica do capitalismo, com sua busca incessante por acumulação de capital e sua tendência a concentrar riqueza, exerce pressão sobre os partidos políticos, independentemente de sua posição no espectro ideológico. A necessidade de atrair investimentos e garantir a estabilidade econômica muitas vezes leva tanto a “esquerda” quanto a direita a adotarem políticas econômicas convergentes, com ênfase na redução de gastos públicos e na flexibilização das leis trabalhistas. Assim, no contexto brasileiro, onde o oportunismo político é regra suprema, as fronteiras entre esses espectros ideológicos se tornam ainda mais fluidas, permitindo que partidos e candidatos se apropriem de discursos e propostas que transcendem as divisões tradicionais entre esquerda e direita.

Os fatos acima citados deixam claro para nós, explorados e oprimidos, que o caminho para a liberdade e justiça não passa pela disputa do poder do Estado, braço simbiótico do Capital.  Ao contrário, entender que todos os partidos políticos, no discurso e/ou na prática cotidiana, são defensores do Estado e do Capitalismo e que, portanto, devem ser enfrentados, combatidos e repelidos do tecido social é um grande passo na longa jornada da emancipação humana.

Liberto Herrera

agência de notícias anarquistas-ana

Mamonas estalam.
Os cachos da acácia
Parecem imóveis.

Paulo Franchetti

[Uruguai] José Mujica e a atração irresistível dos “bons” presidentes (mesmo para alguns anarquistas)

Por Raúl Sardo

“Os acontecimentos posteriores mostraram, a cada nova prova, quão desastrosa foi a ilusão da confiança sincera nos bons tiranos, mas quantas vezes essa ilusão se renovou em outras formas, com a monarquia parlamentar, depois com a burguesia republicana e, finalmente, com os socialistas de Estado, que se comprometeram, sucessivamente impulsionados pela excitação popular, a realizar o ideal de liberdade e igualdade dos cidadãos. Esses tesouros serão conquistados, ou nunca serão dados. – (Eliseo Reclus: Man and the Earth-1909)

“Pegue o revolucionário mais radical, coloque-o no trono da Rússia e conceda-lhe poder ditatorial – a ilusão de nossos revolucionários novatos – e dentro de um ano ele será pior do que o próprio imperador.” – Mikhail Bakunin

Tenho visto e ouvido inúmeros artigos de camaradas libertários entusiasmados com José Mujica, ex-presidente do meu país, o Uruguai.

E isso tem me preocupado, porque acho que, embora o anarquismo abranja várias formas de pensar, eu pensava que um dos limites era o Estado e seus administradores.

Mas não, Mujica deslumbrou por ser o “presidente mais pobre do mundo”, apesar de sua última declaração juramentada (2015) (1) declarar uma riqueza de U$S 300.000, sem contar os bens de sua esposa Lucía Topolansky… como disse um camarada: “vale a pena ser pobre!

Como contou um jornalista de esquerda em um programa de rádio há 6 anos (2), Mujica criou um personagem, e a maior parte do mundo – inclusive os companheiros e companheiras – acreditou nele.

Um personagem que parte de fatos reais, pois ele era um guerrilheiro tupamaro e um dos famosos “reféns” da ditadura, todos eles em condições subumanas – não eram os únicos, a maioria era assim, há vários livros e até filmes que ilustram o calvário que viveram.

Mas, de personagem secundário no MLN (Movimiento de Liberación Nacional-Tupamaros), e após a morte de Raúl Sendic pai, o iniciador do Movimento, ele se posicionou como o principal ponto de referência – juntamente com E Fernández Huidobro, que desempenhou um triste papel como Ministro da Defesa – da esquerda “radical” dentro da Frente Ampla, a coalizão de esquerda nascida em 1971.

Alguns dos ex-tupamaros deixaram a FA – como Jorge Zabalza e María Topolansky (3), gêmea de Lucía – permanecendo e militando no exterior com fortes críticas aos governos da coalizão de esquerda.

Sua carreira política meteórica se desenvolveu a partir de pequenos grupos radicais que gradualmente se adaptaram à ideologia centrista da FA, deixando os mais radicais para trás.

Uma vez no cargo, ele desenvolveu toda uma política econômica que deu continuidade à de Tabaré Vázquez – presidente anterior da FA – baseada na entrega dos recursos do país, como a maior propriedade estrangeira de terras da história (4), uma política de “transbordamento” e crédito barato para o consumo, baseada no fato de os ricos darem trabalho aos pobres, mesmo ignorando os direitos ambientais (5) e às custas da contaminação da água e da terra com plantações de soja (6) e a instalação de fábricas de papel, com enormes investimentos do Estado para sua logística, em contratos secretos (7).

Em outras áreas, insatisfeito com alguns sindicatos que não se calaram – especialmente o sindicato dos professores – ele não se acanhou em declarar: “Temos que nos unir e esmagar esses sindicatos, não há outra maneira. Tomara que consigamos tirá-los do caminho” (8), e sobre a questão dos direitos humanos, por um lado, ordenou que um militante, membro de sua organização política, não comparecesse ao Parlamento (2011) quando seu voto era necessário para a anulação da Lei de Caducidade (anistia para os militares da ditadura), embora esse membro, Víctor Semproni, sempre tenha declarado que se tratava de uma decisão pessoal… (9).

Anteriormente, no segundo plebiscito para a anulação dessa lei (2009), houve setores (inclusive o de Mujica) que não apoiaram o SIM, o que levou a uma votação insuficiente de 48% a favor.

Ele recebeu cinco prisioneiros de Guantánamo como contribuição humanitária (10), mas, ao mesmo tempo, declarou: “Para vender alguns quilos de laranjas aos Estados Unidos, tive de pagar por cinco loucos presos de Guantánamo” (11).

Enfim, eu poderia continuar com uma infinidade de exemplos de algo que acredito estar claro para nós, anarquistas, só de conhecer uma pessoa que é política, e mais ainda quando se torna presidente… que percorreu inúmeros caminhos de acomodação, corrupção, etc., para chegar lá.

Mujica – assim como Tabaré Vázquez – deu continuidade a uma linha política inaugurada por Liber Seregni em 1984 – no final da ditadura – quando fez um pacto com os militares para uma saída “ordeira” e impunidade para eles; assim como uma dependência dos movimentos sociais aos ditames da Frente Ampla.

Uma FA capitalista, que não busca mudanças estruturais, funcional – e Mujica um defensor (12) – do sistema.

Desde então, nosso país tem sido um país sem indústria, um país de serviços – turismo, TI – e de exportação de commodities – soja, carne e celulose de eucalipto para as fábricas de papel finlandesas -, com a destruição da educação e da seguridade social, outrora um exemplo mundial, e a pauperização gradual da população invadida pelo narcotráfico – as pessoas que trabalham nele são contadas como “empregadas” (13) – e como centro de lavagem de ativos da América do Sul (14).

Em suma, o progressismo, e principalmente a figura de Mujica, tem desempenhado um papel importante no apaziguamento e na manipulação dos mais fracos, com seu estilo “popular” e “realista”… na minha opinião, mais perigoso do que a direita.

Nada de novo no mundo, e me desculpe, não existem presidentes “bons”…

  1. https://www.infobae.com/2015/04/23/1724323-mujica-declaro-un-patrimonio-us300-mil-dejar-la-presidencia/ ↩︎
  2. https://www.youtube.com/watch?v=s-GDJDX2Bq8&t=1s ↩︎
  3. https://www.subrayado.com.uy/maria-topolansky-critico-su-hermana-y-mujica-ellos-no-fueron-el-hueso-n946907 ↩︎
  4. https://www.sudestada.com.uy/articleId__8de24215-7365-44b7-8cdc-130bcbf17e8c/10893/Detalle-de-Noticia ↩︎
  5. https://www.youtube.com/watch?v=ip0KdvEvwTY&t=53s ↩︎
  6. https://infloridauy.wordpress.com/2013/03/30/uruguay-esta-sufriendo-una-epidemia-de-cancer/ ↩︎
  7. https://movusuruguay.blogspot.com/2024/04/llevara-900-anos-recuperar-lo-gastado.html ↩︎
  8. https://www.busqueda.com.uy/Secciones/Vazquez-declaro-esencial-la-educacion-apoyado-por-los-lideres-del-Frente-Amplio-y-colmado-por-el-accionar-de-los-sindicatos-uc22776 ↩︎
  9. https://laprensa.com.uy/informaci%25C3%25B3n/politica/23647-el-mandato-del-fa-no-me-puede-imponer-a-mi-hacer-algo-para-lo-que-no-tengo-facultades- ↩︎
  10. https://www.gub.uy/presidencia/comunicacion/noticias/mujica-dijo-ayudara-desmantelar-verguenza-humana-sin-afectar-seguridad-pais ↩︎
  11. https://www.subrayado.com.uy/mujica-para-vender-naranjas-eeuu-tuve-que-bancar-5-locos-guantanamo-n55845 ↩︎
  12. https://www.facebook.com/watch/?v=1160072041131236 ↩︎
  13. https://www.lr21.com.uy/politica/437653-malestar-de-ong-por-afirmaciones-de-canepa ↩︎
  14. https://www.sudestada.com.uy/articleId__a7ad3d09-1717-4aab-ab40-9cc8f265fadc/10981/Detalle-de-Investigacion ↩︎

Fonte: https://redeslibertarias.com/2024/09/16/jose-mujica-y-la-irresistible-atraccion-de-los-presidentes-buenos-incluso-para-algunos-anarquistas/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

de momento em momento
tudo que eu digo
se choca com o vento

Camila Jabur

[Espanha] Resistência Ancestral ante o Genocídio Colonial. Descolonizemo-nos: 12 de outubro nada que celebrar

Artigo publicado em Rojo y Negro nº 393, outubro 2024

Pelo décimo segundo ano consecutivo, coletivos e movimentos sociais convocam uma manifestação para erradicar o 12 de outubro como Festa Nacional e reivindicar a descolonização como processo de reparação sob o lema: Resistência Ancestral ante o Genocídio Colonial.

Desde o começo de setembro mais de 20 coletivos, majoritariamente migrantes e antirracistas voltamos a nos encontrar na Assembleia Descolonizemo-nos: 12 de outubro Nada que Celebrar para nos organizarmos de maneira autogestionada e apartidária em Resistência ao relato hegemônico deste país que anseia a #HispaniNada e mantêm uma memória e ação coletiva colonial, ainda que nos setores e movimentos sociais que se consideram mais alternativos e inclusive começam a impulsionar iniciativas que se propõem abordar a descolonização, como as de alguns museus.

Faz 12 anos começamos a nos mobilizar para recordar que o Genocídio não se celebra, que a invasão não se honra e que a “irmandade” entre herdeiros do império colonial e os povos colonizados não é possível sem o reconhecimento honesto da história e o presente, a responsabilização e a reparação correspondente. E isto inclui claro, renunciar a manter a Festa Nacional do Reino de Espanha na mesma data do início da colonização. Até hoje, o sistema colonial tornou possível a ideia de modernidade, o devir material, epistêmico e de poder da Europa, à custa dos corpos das pessoas racializadas, dos povos originários e da Mãe Terra. Neste sistema está a base e manutenção do racismo estrutural que opera a nível global, também em nossos territórios de origem. No próprio Plano Antirracista 2020-2025 da UE se destaca a importância de reconhecer as raízes históricas do racismo estrutural, reconhecendo entre elas, o colonialismo e o comércio transatlântico de pessoas escravizadas.

Por sua parte, a mestiçagem foi principalmente resultado das violações às mulheres indígenas e africanas por parte dos colonos brancos e da institucionalização de uma ideologia e prática para a eliminação dos povos originários e suas culturas. O chamado Descolonizemo-nos, que nos convoca a cada ano desde 2012, nos convida a olhar-nos e atuar coletivamente frente a este legado colonial.

Por isso, o 12 de outubro voltamos a convocar a manifestação-passeata em Madrid, este ano sob o lema: “Resistência Ancestral ante o Genocídio colonial” com a intenção de recordar que somos herdeiras e recriamos a Resistência a esta ordem colonial. Essa Resistência ante as políticas de extermínio que hoje vemos encarnadas no Genocídio na Palestina, que resiste apesar dos 75 anos de ocupação; na criminalização dos povos originários e das comunidades negras e afrodescendentes que defendem seus territórios, como o Povo Mapuche (por mais de 130 anos) e o povo Garífuna; no massacre de povos inteiros com o fim de controlar o território para a extração de minerais que tornam possível a vida “civilizada”, como acontece na República Democrática do Congo; no Pacto Europeu de Migração e Asilo que é a expressão mais avançada da legalização e institucionalização das políticas que seguem fazendo do Mediterrâneo a maior fossa comum do mundo; inclusive na “transição ecológica” capitalista e extrativista.

A Resistência ancestral hoje está nos povos originários de Abya Yala e nas comunidades afro e camponesas que conseguiram manter sua cosmovisão, seu idioma, sua cultura, sua espiritualidade unida à Mãe Terra. E também está em nós, que seguimos tecendo redes de apoio mútuo de criatividade, autodefesa, proposta e ação ante as violências cotidianas que vivemos ao migrar, em casas, centros de estudo, trabalhos, na rua, meios de comunicação e nos espaços sociais e políticos, inclusive aqueles nos quais pretendem nos assimilar ou “ajudar” desde um paternalismo que nega nossa atitude e nos invalida como sujeito político.

Resistimos desmontando o ser colonial que nos habita, que se reproduz nas relações cotidianas tantas vezes de maneira invisível. Resistimos rebolando, abraçando nossas corporalidades, sexualidades, formas de organização e espiritualidade. Resistimos denunciando a colonialidade e o racismo nas políticas públicas, e propondo novos imaginários e propostas culturais e políticas. Também resistimos identificando, assinalando e desmontando coletivamente as lógicas coloniais que seguem se repetindo nas organizações e claro nas políticas públicas no Reino da Espanha e em nossos próprios territórios de origem, que acompanhamos à distância.

Além da manifestação-passeata convocada para o mesmo 12 de outubro, como há 5 anos, o dia anterior, 11 de outubro, estaremos nos Jardins do Genocídio de Colón (Plaza Colón) em um ato de memória pelas vítimas da colonização histórica e atual. Iniciando com um ritual segundo a cosmovisão de povos originários para depois fazer uma intervenção teatral, com dança, poesia e música de diferentes culturas. Este ano se fará um paralelismo entre o 12 de outubro de 1492 e o 7 de outubro de 2023 pela colonização e Genocídio do Povo Palestino, reivindicando a luta dos povos e sua defesa do território e pela Mãe Terra.

Em 12 de outubro ocuparemos uma vez mais as ruas de Madrid em uma manifestação-passeata prevista para sair às 5 da tarde da Plaza Tirso de Molina, que baixará pela Rua Atocha, e terminará na Plaza Juan de Goytisolo (Museu Reina Sofía). Na mesma praça, às 7 da noite, acontecerá o ArtEvento, que começará com a leitura do manifesto “Descolonizemo-nos, 12 de outubro Nada que Celebrar” e contará com apresentações musicais da Resistência, como Kamanchaca Kuntur, Los Pleneros del Exilio, roda de tambores e Sikuris. Também se somam atividades de nossos coletivos e de coletivos irmãos que podes conhecer através de nossas redes sociais (no Instagram @descolonicemonos12octubre e no X @Descolonicemon1).

Resistência Ancestral ante o Genocídio Colonial!

Assembleia Descolonizemo-nos

#12deOutubroNadaQueCelebrar

Fonte: Rojo y Negro

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

na folha orvalhada,
gota engole gota,
engorda, desliza e cai

Alaor Chaves

[Espanha] La Rosa Negra reedita “Los emisarios de la nada. Una historia del nihilismo ruso”

A editora anarquista La Rosa Negra publicou em setembro a segunda edição de “Los emisarios de la nada. Una historia del nihilismo ruso”, um texto para iniciar-se nas ideias niilistas e conhecer a história de um movimento que tratou de mudar o mundo. Descrição:

“Los emisarios de la nada” foi editado pela primeira vez em novembro de 2007. Nesse momento, era necessário jogar luz sobre o niilismo. Falava-se de niilismo de forma pejorativa, sem compreender sua realidade política. A repercussão que tinha era bastante marginal. Salvo algumas exceções em forma de revistas ou artigos, ninguém havia tentado abordar tão interessante tema nas terras ibéricas. O autor de “Los emisarios de la nada” pôs mãos à obra inspirado por um livreto grego publicado em 2004 e dedicado à figura de Necháyev. Queria introduzir o tema; abrir um espaço para que depois outros se aprofundassem.

Desde então choveu muito sobre o assunto. Graças aos esforços de algumas pessoas, hoje existe dentro do anarquismo uma corrente que reivindica o niilismo. Esta corrente assume uma série de postulados e práticas herdeiras dos niilistas russos do século XIX. Do niilismo, pois, hoje se fala mais.

La Rosa Negra Ediciones considera que “Los emisarios de la nada” resgatou do esquecimento as ideias e a tradição niilistas; por isso, anos depois procedemos a sua reedição.

É um texto que precede a publicações de outras editoras. Após “Los emisarios de la nada” surgiram as obras “Sin fósforo no hay pensamento” de Alain S. H. (El Grillo Libertario, 2014); “Rusia en las tinieblas” de Vera Figner (Antipersona, 2016); e “El sabor de la sangre en la boca: revolucionarios, anarquistas, rebeldes y nihilistas en la Rusia del siglo XIX” de autor anônimo (Descontrol, 2017). Como precursora de outras publicações, “Los emisarios de la nada”, também de caráter anônimo, merece ser reeditada. Transcorreram muitos anos desde sua primeira edição. Nosso objetivo é que não se perca no esquecimento e que esteja presente na série de obras que seguiram.

La Rosa Negra Ediciones / Colección Afinidades Subversivas / 1.ª edición, febrero 2018 / 2.ª edición, septiembre 2024 / 131 págs. / 11,7×17,5 cm / Rústica con solapas / ISBN 978-84-946886-5-2

La Rosa Negra Ediciones

>> O livro pode ser adquirido aqui:

https://larosanegraediciones.es/producto/los-emisarios-de-la-nada/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

O vaso da varanda
exala um doce perfume —
Uma flor-de-cera…

Tania Alves

[Espanha] 12 de outubro. Vamos nos descolonizar. Discussão com companheiras do Curdistão, Palestina e Chiapas.

Dentro do marco do Outono Antirracista e Anticolonial, estamos organizando este encontro no sábado, 12 de outubro, para visibilizar e colocar em diálogo as lutas, as resistências internacionais que defendem a vida, a terra, o autogoverno e a solidariedade internacional. Um diálogo entre referências de movimentos que precisamos ouvir e ver para entender e lembrar por que uma posição antirracista e decolonial é necessária em nossas vidas diárias. Em nossa prática cultural e transformadora como sindicato.

Teremos a companhia de vozes do Curdistão, da Palestina e de Chiapas. Abertos a outras vozes para enriquecer o diálogo sobre o estado do internacionalismo e a coordenação entre territórios e corpos que defendem a vida e a liberdade, apesar de sofrerem a mais terrível violência dos Estados e do Capital.

  • Às 11h30 Conversa com compi curdo, compi palestino e compi zapatista.
  • Às 14h Almoço popular
  • Às 16h, iremos para a manifestação “Nada a comemorar”.

A jornada será realizada nas dependências do sindicato. Paseo Alberto Palacios, 2, Villaverde Alto, Madri.

cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

Clareira na mata —
Velho jacarandá caído
Carregado de flores.

João Toloi

[Itália] Se eu não puder cantar, não é minha revolução

Domingo, 13 de outubro: palavras e música no Spazio Anarchico Vettor Fausto

“Você quer saber o que os anarquistas pensam? Ouça suas canções”, assim começa o livro ‘L’anarchia in 100 canti‘, de Alessio Lega. Não se trata de um livro de canções, mas de uma antologia de 100 canções anarquistas escritas entre 1870 e 1936, com sua história e o contexto social, cultural e musical em que surgiram e foram cantadas. Alessio nos falará sobre elas e as cantará.

No final, teremos um jantar coletivo com canções anarquistas, no qual cada um de nós e todos nós juntos poderemos expressar nossa verve musical.

Nos vemos no domingo, 13 de outubro, às 19h30 (horário de Roma), em nossa sede na Via Vettor Fausto 3 (metrô Roma B – Garbatella): entre na porta e desça as escadas.

Grupo Anarquista Bakunin – FAI Roma e Lazio

gruppobakunin@federazioneanarchica.org

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/06/italia-lancamento-a-resistencia-em-100-cancoes-de-alessio-lega/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/08/26/italia-alessio-lega-explosao-anarquica-em-poesias-cantadas/

agência de notícias anarquistas-ana

A Brisa Que Sopra
É O Melhor Refresco
Neste Dia Quente

Leonardo Natal

[Chile] Preocupação pela situação carcerária do companheiro anarquista Felipe Ríos

O companheiro Felipe Ríos, recluso no módulo 34 de máxima segurança do CCP Bio Bío, se encontra em uma situação crítica que requer nossa atenção, agitação e solidariedade permanente. Faz semanas que os pacos [polícia] do módulo 55 no qual se encontrava estavam perseguindo-o, mantendo particular vigilância sobre ele e atacando-o de maneira recorrente. Desde então o transladaram várias vezes de módulo, até colocá-lo no de máxima segurança, onde se encontra agora em cela de castigo.

No domingo, 22 de setembro o guarda de turno foi tirá-lo de sua cela sem aviso prévio, junto a dois presos do módulo, dizendo-lhe que agora eles ocupariam essa cela e que ele visse aonde iria. Ante a reclamação de Felipe pela arbitrariedade da decisão, ocorreu um confronto, e o paco o expulsou do módulo. Por esse motivo recebeu ameaças de que se não se fosse do módulo, os mesmos pacos o carregariam com uma arma ou um telefonema para que ficasse cumprindo mais anos de condenação.

O transladaram então ao módulo 31 de população penal comum a uma cela escura, onde continuou a sanha da gendarmeria, negando-lhe coisas essenciais, até os papeis para fazer solicitações e as chamadas telefônicas. No sábado, 28 de setembro, depois de dias incomunicável pode avisar que o estavam transladando às 4 jaulas (lugar de castigo), não sem antes golpeá-lo e asfixiá-lo entre 2 pacos. No domingo, 29, o transladam ao módulo 34 de máxima segurança, onde ainda não lhe entregam suas coisas, mas onde se encontrou com a solidariedade de outros presos políticos.

Sua defesa interpôs um recurso de amparo e está solicitando o translado a San Felipe. Toda esta sanha ocorre a poucos dias de poder postular 3 benefícios intrapenitenciários, para os quais reúne os requisitos. Neste contexto o chamado é para acompanhar desde a rua a luta do companheiro contra a prisão, difundindo e visibilizando o que está ocorrendo, agitando por todos os meios imagináveis.

A situação de Felipe não é isolada, a agudização do isolamento e o castigo arbitrário se estendem nos cárceres do país. Que nenhuma agressão da gendarmeria para com os companheiros fique sem resposta.

Que a solidariedade transpasse os muros.

Guerra ao Estado

Fonte: https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2024/10/09/chile-preocupacion-por-situacion-carcelaria-de-companero-anarquista-felipe-rios/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/03/chile-concepcion-a-7-anos-do-caso-21-de-maio-comunicado-de-felipe-rios/

agência de notícias anarquistas-ana

coisa rara:
teu espelho
tem minha cara

Millôr Fernandes

[Espanha] Dolors Marín Silvestre apresenta sua pesquisa sobre o anarquismo em Vitória

A historiadora e escritora Dolors Marín Silvestre, conhecida por sua pesquisa sobre o anarquismo na Espanha, dará uma conferência no dia 12 de outubro. O evento será realizado às 19h30 na sede da CNT, localizada na rua Correría, 65. Durante a conferência, Marín discutirá seus estudos sobre a resistência libertária e a luta contra a pobreza e a opressão nos anos da Segunda República e do regime de Franco.

Uma jornada pelas lutas libertárias

Dolors Marín, nascida em Hospitalet de Llobregat em 1957, dedicou sua carreira à pesquisa e à documentação do movimento anarquista. Entre suas publicações mais notáveis estão obras como Ministros anarquistas: la CNT en el gobierno de la II República (1936-1939) e Clandestinos: el maquis contra el franquismo, 1934-1975. Sua abordagem tem sido explorar como os movimentos libertários usaram a solidariedade e o livre-pensamento para enfrentar tanto a pobreza econômica quanto a opressão intelectual.

Em sua palestra em Vitória, ela abordará como aqueles que lutaram contra o fascismo buscaram a emancipação por meio da resistência desde as margens do sistema, questionando a autoridade e promovendo a autogestão.

O trabalho de Marín também inclui títulos que resgatam a memória de figuras-chave e eventos importantes na história da resistência anarquista. Exemplos disso são La Semana Trágica: Barcelona en llamas e Anarquistas: un siglo de movimiento libertario en España.

agência de notícias anarquistas-ana

Trovão ribomba
Galinhas levantam a crista
de uma única vez!

Naoto Matsushita

[Espanha] A Marcha à Prisão de Albolote foi proibida

Todos os anos, a CNT-AIT Granada tenta organizar uma Marcha à Prisão de Albolote para denunciar a situação nas prisões, informar sobre as atualizações da luta antiprisional e fazer contato com parentes e amigos dos presos que vêm visitá-los.

Assim, foi no âmbito do Outubro Vermelho e Negro que a Marcha deste ano foi convocada e a Subdelegação do Governo foi informada de nossa intenção de realizar uma manifestação no estacionamento da prisão, como de costume. Cumprimos nossa obrigação.

No entanto, neste dia 6 de outubro, iniciamos a Marcha e, quando chegamos ao presídio, a Guarda Civil nos parou na entrada da última estrada que leva ao presídio e nos disse que não poderíamos realizar o evento, pois a Subdelegacia não havia informado (nem positiva nem negativamente) sobre a concentração, e o Diretor, aludindo à falta desse documento, não nos permitiria exercer qualquer protesto ou qualquer direito de reunião (as pessoas vão pensar que no presídio há direitos!).

Informamos aos oficiais que, às vezes, acontece de a Subdelegação não tomar uma decisão e, nesses casos, a reunião é permitida, porque na Espanha o direito de reunião é algo que é comunicado, não solicitado, e que isso é feito para que as autoridades possam fornecer instalações para compatibilizar tanto o direito de reunião quanto o direito de mobilidade de outras pessoas, e que não ter essa “permissão” não é crime nem proibição, mas que os participantes terão que se auto-organizar para fornecer essas instalações. Danos, prejuízos e crimes são puníveis independentemente de haver ou não “autorização” da Subdelegacia, pois tudo o que está tipificado nas leis e no Código Penal se aplica a todos, mesmo que façam uso do Direito de Reunião. Portanto, a autorização expressa da Subdelegação não é e nunca foi requisito para o exercício do Direito de Assembleia, mas deve ser comunicada, caso venha a ser proibida por algo na comunicação que não possa ser feito, ou por já ter sido solicitado um ato no mesmo local e horário, não sendo possível fazer o ato conforme comunicado. É por isso que é aconselhável fazer a comunicação à Subdelegação do Governo, mas nunca é uma exigência que a população infantilizada deve fazer em relação à Autoridade paternalista.

A Guardia Civil pegou os dados de muitos dos presentes, cujos carros chegaram, e se recusou a permitir a realização do evento, citando as regras do perímetro de segurança exigido pela prisão (eles receberam a solicitação que apresentamos à Subdelegacia). Assim, tivemos de voltar à impossibilidade de exercer um direito fundamental, como o direito de reunião e de livre expressão, que não deveria existir naquele perímetro, o que confirma tudo o que dizemos sobre o que acontece nas prisões. Também deve ter a ver com a atitude dos funcionários da prisão, que há meses exigem que as famílias dos presos não comemorem a liberdade no estacionamento, porque eles “deixam sujeira”, referindo-se a confetes e elementos semelhantes. Basicamente, eles se ressentem do fato de o estacionamento ser usado para comemorações de pessoas que talvez não simpatizem com eles (prisioneiros ou similares, ciganos, anarquistas…).

Vamos realizar a Marcha para a Prisão novamente após o Outubro Vermelho e Negro e aproveitar os dias para envolver mais pessoas. Estamos pensando em entrar com uma ação contra as autoridades, porque a comunicação à subdelegacia foi feita e não podemos fazer mais nada administrativamente, portanto, nossos direitos e nossa liberdade de protesto foram claramente violados, e isso pode e será repetido pelo simples fato de a subdelegacia não responder, de novo e de novo.

A luta contra a prisão é incômoda para as autoridades e é normal que incidentes como esse aconteçam. Diante disso, devemos insistir, apoiar e agir de acordo, porque o objetivo deles é a repressão e o nosso é a liberdade, e isso não pode ser alcançado ou avançado com bons desejos.

Fonte: https://granada.cntait.org/content/la-marcha-la-c%C3%A1rcel-de-albolote-fue-prohibida

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Será mais bela a noite acesa?
sussurra a voz dela
prolongando o crepúsculo.

Etsujin

[Espanha] O capital acaba com sua saúde mental

Hoje, 10 de outubro, é o Dia da Saúde Mental, portanto, nós da CNT Iruña gostaríamos de fazer uma pequena reflexão sobre esse problema que nos afeta diretamente como classe trabalhadora.

Atualmente, a saúde mental se tornou um negócio lucrativo devido às longas listas de espera na Previdência Social, que podem ultrapassar seis meses para uma primeira consulta psicológica, para tratar problemas como ansiedade, depressão ou estresse, que estão intimamente relacionados à exploração do trabalho assalariado que nos é imposta pelo capital.

Desde o anarcossindicalismo, denunciamos a falta de garantia contra demissões por licença médica relacionada a problemas de saúde mental, a falta de renovação nos contratos de trabalhadores afetados por algum tipo de doença psicológica, a falta de preocupação por parte dos empregadores em casos de assédio e discriminação sofridos diariamente por milhares de pessoas precarizadas pelo sistema.

“O capital acaba com sua saúde mental” é o nosso slogan para esta campanha que visa conscientizar a classe trabalhadora sobre a importante luta que devemos empreender para ter atendimento psicológico universal gratuito e que ele seja implementado em nossos locais de trabalho, já que a organização como trabalhadores é nossa única ferramenta.

Desde CNT Iruña, queremos incentivar o apoio mútuo e a solidariedade com as e os trabalhadores afetados por algum tipo de doença psicológica, para que não hesitem em contar conosco na luta por uma saúde mental digna.

cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

Sol de primavera…
Apenas um pardalzinho
Canta…Canta…Canta…

Irene Massumi Fuke

Governo Lula e mercado da morte | Exportações de produtos bélicos e de defesa atingem recorde em 2024 | “O mundo todo está se armando. Alguns usam essas armas para defesa, outros para ataque”

O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, anunciou, nesta terça-feira (08/10), que em outubro as exportações autorizadas de produtos de defesa alcançaram números recordes, com a cifra de US$ 1,6 bilhão – equivalente a R$ 8,8 bilhões na cotação atual. O comunicado foi após a assinatura de um acordo entre a Defesa e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que visa a cooperação para a promoção e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa e Segurança (Bids).

O recorde de exportação iguala o patamar histórico da indústria de defesa registrado em 2021. Com negociações ainda em andamento, as cifras deste ano devem superar o período de 2014 a 2023.

Confira a evolução das exportações de produtos da defesa:

  • 2014: US$ 620 milhões
  • 2015: US$ 1 bilhão
  • 2016: US$ 925 milhões
  • 2017: US$ 687 milhões
  • 2018: US$ 915 milhões
  • 2019: US$ 1,2 bilhão
  • 2020: US$ 777 milhão
  • 2021: US$ 1,6 bilhão
  • 2022: US$ 648 milhão
  • 2023: US$ 1,4 bilhão
  • 2024: US$ 1,6 bilhão (até outubro)

Acordo

O acordo de cooperação, com vigência de seis anos, foi assinado pelo ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, e pelo presidente da CNI, Ricardo Alban. Com a parceria, a CNI terá acesso à base de dados da Defesa, que será analisada pelo Observatório Nacional da Indústria. A análise vai permitir novas oportunidades e crescimento para o setor da defesa nos mercados interno e externo.

Informações como quais armamentos um país adquiriu de outro país e o valor dessas transações são dados que podem guiar a Defesa nas negociações de compra e venda.

O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, disse que o acordo é importante para a pasta, no qual os dados trazem argumentos para que a Defesa possa levar propostas de possíveis aumentos orçamentários para o Congresso, Câmara e Senado.

“Significa informação, comparação para que possamos oxigenar o nosso discurso, para dar força a nossa indústria da defesa brasileira (…) Em 2023, foram investidos em produtos de defesa no mundo 2 trilhões de dólares. Países que, por preceitos constitucionais, são proibidos de investir em equipamentos de defesa, como Japão e Portugal, estão se armando. O mundo todo está se armando. Alguns usam essas armas para defesa, outros para ataque”, disse o ministro.

Cenário internacional

No evento desta terça, José Múcio citou o cenário internacional atual como dificultador em compras e licitações da pasta. “Judeus venceram uma licitação, mas por questões ideológicas não podemos aprovar. Temos uma munição no Exército que não usamos. Fizemos um grande negócio. [A venda foi vetada] porque senão o alemão vai mandar para a Ucrânia, e a Ucrânia vai usar contra a Rússia. E a Rússia vai mexer nos nossos acordos de fertilizantes”, reclamou.

O ministro também criticou a importação de potássio do Brasil feita com o Canadá. “Temos a segunda maior reserva, mas como está embaixo da terra dos índios, nós não podemos explorar”.

Fonte: agências de notícias

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agência de notícias anarquistas-ana

A gota que cai
É a chuva de lágrimas
Em minha solidão.

Claude Huss Natividade