[Grécia] Sobre o despejo da ocupação Libertatia

A polícia atacou novamente a ocupação Libertatia em Tessalônica em 28 de agosto. O espaço foi esvaziado e 11 companheiros foram presos, juntamente com duas pessoas que estavam na manifestação de solidariedade que, nesse meio tempo, havia se reunido do lado de fora do espaço.

Várias vezes a polícia e os fascistas tentaram em vão, durante anos, eliminar essa experiência de luta e autogestão. A resistência dos companheiros e companheiras e a resposta solidária, também internacional, sempre repeliram esses ataques, até o ponto de reconstruir o prédio incendiado pelos fascistas, graças a uma campanha internacional.

Abaixo está o comunicado da ocupação Libertatia.

Sobre o despejo da ocupação Libertatia

Ao meio-dia de 28 de agosto, as forças policiais invadiram a ocupação Libertatia, prendendo 11 companheiros e levando outros dois sob custódia. Os companheiros foram acusados de desobediência e trabalho ilegal em um prédio histórico protegido. Após o despejo, a polícia fechou as entradas da ocupação e a força policial permaneceu do lado de fora do prédio, vigiando. Em 29 de agosto, todos os companheiros foram liberados enquanto se aguarda o agendamento do julgamento contra eles.

Enquanto migrantes são mortos nas fronteiras, enquanto áreas de floresta sem limites são queimadas, enquanto o empobrecimento econômico e social das bases da sociedade é acelerado, poucos dias antes da abertura da Exposição Internacional de Tessalônica, que marcará o início de um novo ciclo de brutalidade estatal e capitalista, o Estado escolhe atacar e despejar a Libertatia, que está ocupada há 16 anos.

Essa é a quarta invasão consecutiva da ocupação Libertatia, após o incêndio provocado pelos fascistas em 21/01/2018. Um total de 27 pessoas foram presas durante esse período. Nenhuma prisão foi feita contra os fascistas que incendiaram o prédio. O Estado, com uma barragem repressiva, tentou eliminar espaços de movimento e estruturas de luta que resistem a esse sistema decadente e falido.

De Creta a Tessalônica e em toda a Grécia, as ocupações estão lutando e resistindo. Elas não desistirão. Nós, como Libertatia, lutamos arduamente por muitos anos para reconstruir as ocupações e mantê-las abertas e acessíveis à sociedade e às pessoas em luta. As ocupações são os espaços que prefiguram o mundo em que queremos viver, um mundo de liberdade, igualdade e solidariedade. Se eles acham que vamos nos render, estão muito enganados. Eles vão nos enfrentar.

TIREM AS MÃOS DAS OCUPAÇÕES E DAS ESTRUTURAS DE LUTA!

LIBERTATIA CONTINUARÁ SENDO UMA OCUPAÇÃO!

ARQUIVAMENTO IMEDIATO DE TODAS AS ACUSAÇÕES CONTRA NOSSOS COMPANHEIROS!

Ocupação Libertatia

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Os meus sentimentos
como origami no arame
sempre em movimento

Urhacy Faustino

Queimadas: a loucura do Capital incendeia o Brasil

É sabido que o Brasil, com sua vasta biodiversidade, é um dos países mais ricos em recursos naturais do mundo. No entanto, nas últimas décadas, tem sido palco de uma destruição ambiental alarmante, com destaque para as queimadas/incêndios que devastam florestas, principalmente na Amazônia e no Cerrado. Estas queimadas não são eventos isolados, mas sim reflexos de uma lógica capitalista e mercantilista que vê a natureza como uma mercadoria a ser explorada e que nestes meses de agosto e setembro de 2024 estão enfumaçando um país de proporções continentais.

As queimadas no Brasil são frequentemente justificadas como uma prática agrícola, necessária para a expansão das fronteiras do agronegócio e para o “desenvolvimento” econômico. No entanto, essa prática é impulsionada por uma lógica capitalista que prioriza o lucro acima de qualquer outra consideração. A expansão agropecuária, a exploração de recursos naturais e a conversão de florestas em áreas de pastagem ou cultivo são impulsionadas pela demanda global por commodities, como soja e carne bovina, produtos que têm um papel central na economia brasileira e mundial.

Por consequência, a natureza é reduzida a um recurso a ser explorado, um item que pode ser transformado em lucro. Essa visão é ecocida porque ignora o valor intrínseco do meio ambiente e as complexas interações ecológicas que sustentam a vida na Terra. A destruição das florestas e a perda de biodiversidade são vistas como “externalidades” do processo econômico, custos que não são contabilizados nas contas das empresas, mas que têm consequências devastadoras para o planeta e para as gerações futuras.

Sem embargo, o Meio Ambiente não é uma Mercadoria. O conceito de mercadoria no capitalismo refere-se a qualquer bem ou serviço que pode ser vendido ou trocado no mercado. Florestas, rios, e a biodiversidade em geral não são simplesmente recursos para serem explorados; eles são parte de um sistema ecológico interdependente no qual a própria humanidade está inserida.

Ao tratar o meio ambiente como uma mercadoria, o capitalismo desconsidera os valores não econômicos da natureza. As florestas, por exemplo, não apenas capturam carbono e ajudam a regular o clima global, mas também fornecem habitat para milhares de espécies, muitas das quais ainda desconhecidas pela ciência. Elas também têm valor cultural e espiritual para muitas comunidades indígenas e locais, que veem a natureza como sagrada e essencial para a sua identidade e modo de vida.

Essa visão mercantilista é particularmente evidente nas políticas públicas dos governos, que incentivam a exploração dos recursos naturais sem considerar os impactos ambientais. O desmatamento, muitas vezes ilegal, é frequentemente promovido por uma combinação de interesses econômicos e políticos, com pouca ou nenhuma consideração pelo meio ambiente ou pelas populações que dependem dele.

Assim, não é absurdo afirmar que a insanidade capitalista é uma ameaça à Terra e à Humanidade, pois o capitalismo é, por natureza, uma força destrutiva quando também aplicado ao meio ambiente. A busca incessante por lucro e crescimento econômico leva à superexploração dos recursos naturais e à degradação ambiental. As queimadas no Brasil são apenas um sintoma de um problema maior: a absoluta incompatibilidade entre o modelo capitalista de desenvolvimento e a sustentabilidade ambiental.

O modelo econômico atual baseia-se na ideia de que os recursos naturais são infinitos ou substituíveis. No entanto, esta premissa é fundamentalmente mentirosa e falha. A Terra tem limites biológicos e físicos, e a destruição dos ecossistemas tem consequências graves, não apenas para as espécies que habitam esses ambientes, mas também para a humanidade como um todo. A perda de biodiversidade, as mudanças climáticas e a poluição são apenas algumas das crises ambientais que ameaçam a estabilidade do planeta e a sobrevivência da espécie humana.

A destruição das florestas e outros ecossistemas naturais está diretamente ligada às mudanças climáticas, que já estão causando eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e ondas de calor, que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Lado outro, a perda de biodiversidade aumenta o risco de pandemias, pois a destruição dos habitats naturais força os animais a se aproximarem dos seres humanos, facilitando a transmissão de doenças zoonóticas.

Diante do cenário atual, é imperativo que combatamos, mais do que nunca, o modelo socioeconômico vigente, reconfigurando também a nossa relação com a natureza. Isso exige uma ruptura com a lógica capitalista que vê a natureza como um simples recurso a ser explorado e, em vez disso, adotar uma visão que reconheça o valor intrínseco do meio ambiente, seu limite ecológico, e a necessidade de preservá-lo.

As queimadas que ocorrem no Brasil são, portanto, apenas mais um sintoma da loucura capitalista e mercantilista que está destruindo o planeta…

Destruir o capitalismo e o estado. Desenvolver uma relação harmoniosa e viável com o Meio Ambiente: somente assim poderemos garantir um futuro sustentável para as próximas gerações e evitar a extinção da própria humanidade, seja pelo fogo ou qualquer outro tipo de ameaça!

Liberto Herrera.

agência de notícias anarquistas-ana

O vento fustiga
a folhagem da varanda –
Joaninha cai… não cai!

Mahelen Madureira

II Feira Anarquista de Recife

A Feira Anarquista de Recife é um evento anual organizado de forma autônoma e colaborativa que busca disseminar, visibilizar e aprofundar a cultura libertária em suas diversas expressões.

Realizando um encontro aberto de rua ocupando o espaço público enquanto um local de potência e pertencimento à cidade, onde acontecem as atividades e manifestações artísticas propostas pela feira.

O encontro conta com a presença de expositores de materiais anarquistas, coletivos, empreendimentos autônomos, artistas independentes, ação solidária, rodas de diálogo, música e apresentações artísticas, compreendendo que o anarquismo é expressado por meio dessas diversas linguagens.

O evento, que é gratuito e aberto ao público, tem a intenção de agregar e unificar a todos que constroem a cena libertária em Recife e aos que têm interesse em se conectar com outros, trocar ideias e expandir suas reflexões em torno do anarquismo.

Buscando também, acolher e apoiar a participação ativa de pessoas que pertencem a recortes sociais referentes a etnia, classe, dissidências sexuais e de gênero, mulheridades entre outras questões, entendendo a importância dessas vozes e vivências para representatividade e formação de pensamento.

>> Mais infos:

feiraanarquistarecife@gmail.com

https://www.instagram.com/feiraanarquistarecife/

agência de notícias anarquistas-ana

nadam no vento
como carpas douradas
folhas de bambu

Akatonbo

[Grécia] Solidariedade | Contra o regime de isolamento do anarquista Francisco Solar

No âmbito da semana internacional de agitação e solidariedade contra o regime de isolamento do companheiro anarquista Francisco Solar, de 10 a 17 de agosto, realizamos a colagem de cartazes nas ruas centrais de Comotini, uma cidade do nordeste da Grécia.

Recorde-se que o companheiro é acusado de enviar pacotes explosivos à 54ª divisão dos Carabineros (Polícia Federal do Chile) e contra o ex-ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, em julho de 2019, ação que empreendeu como “Guerrilha Cumplicidade/Facção de Vingança”. É também acusado do duplo ataque ao edifício Tánica em 27 de fevereiro de 2020, ação que também realizou como “Relações Armadas com a Rebelião”.

Da Grécia ao Chile, a solidariedade é a nossa arma!

Anarquistas

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agência de notícias anarquistas-ana

Sem guarda-chuva
E sob a chuva de inverno —
Bem, bem!

Bashô

Confiram a programação do Esp(a)ço para Setembro de 2024!

No Domingo, 1º de Setembro às 17h, temos o Cinedebate Anticarcerário organizado pela galera do Festival Internacional de Cinema Anarquista de Porto Alegre. É uma atividade com o intuito de levantar fundos para a edição de 2024 do festival e irão ser exibidos os filmes: CONPILADO ANTICARCELARIO (2023-2024) (Chile, 2024), Declaração de Francisco Solar (Chile, 2023), GRIN – Guarda Rural Indígena (Brasil, 2016), Contra a criminalização da Revolta: pelo fim do processo contra Caio e Fábio (Brasil, 2023)

Na sexta-feira 13 de Setembro, às 19h, será a primeira edição de O Capitalismo É Um Horror!. Onde vamos assistir o filme clássico Eles Vivem (They Live, 1988) de John Carpenter, comer pipoca e bate-papo.

No Sábado 28 de Setembro, às 18h30, vamos assistir juntys “Como Explodir um Oleoduto” (How To Blow Up a Pipeline, 2023), comer petiscos e trocar ideias. Chega junto!

E a Apoio Mútuo, a loja grátis do Esp(a)ço, abre toda terça-feira, das 17h30 às 20h30.

O Esp(a)ço fica na Rua Castro Alves, 101, no Bom Fim, em Porto Alegre (RS).

Atenção: você possui histórico ou denúncia por cometer assédio, abuso ou violência e quer colar em alguma das atividades? Por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

agência de notícias anarquistas-ana

Bigorna dorme.
Susto do ferreiro!
Voz da araponga.

Ângela Annunciato

[Chile] Santiago: Em memória de uma guerreira anarquista. Palavras de despedida para Belén Navarrete

Nota: Texto lido durante o funeral da companheira anarquista Belén Navarrete Tapia.

EM MEMÓRIA DE UMA GUERREIRA ANARQUISTA

É quarta-feira, 21 de agosto, e recebi a terrível notícia de sua partida física, você havia deixado este avião, havia muitas dúvidas sobre como tudo havia acontecido, mas a única certeza era que você havia partido.

Sinto a imensa responsabilidade auto-assumida de trazer você para a rua hoje, é uma honra. Faço isso com muito amor, carinho, respeito, cumplicidade e convicção anárquica. Você não era uma pessoa “normal” nem acomodada, portanto, a história do combate que você travou com suas ideias claras deve ser multiplicada com o mesmo ímpeto que fazemos por outros irmãos e irmãs.

Posso falar de perto sobre você por causa do cruzamento de nossas vidas. Sei que você fez parte daqueles belos momentos de violência estudantil de rua que vinham acontecendo desde 2011, mas por outro lado você já estava afiando sua posição anárquica, que você orgulhosamente disse que lhe veio através do veganismo na escola, quando você era muito jovem e viu como os animais eram usados como mercadoria, estuprados, explorados, assassinados, e sua escolha de vida foi parar de consumi-los. Isso abriu sua mente, sua consciência política, que inevitavelmente a levou ao caminho negro da anarquia.

A partir daí, você se vinculou a organizações anarquistas, participou de iniciativas sociais, bibliotecas, oficinas com crianças, com a seriedade que te caracterizava você contribuiu para a realização de atividades, além de participar da sempre necessária propaganda, colando nas ruas, levando material impresso e, claro, estando em manifestações públicas, lotando a estudantada como nas manifestações históricas mais combativas; 1º de maio, 11 de setembro, entre outras.

Foi nessa época que nos cruzamos e já em 2012 começamos a compartilhar momentos de atividade política, bem como momentos de dispersão; o punk certamente sempre foi um bom lugar para se divertir e rir, para passar bons momentos. Devido aos problemas da vida, nosso vínculo se fortaleceu em termos emocionais, íntimos, ao mesmo tempo em que as diferenças políticas com a organização da qual participávamos se tornaram evidentes, portanto, nos afastamos, deixando para trás o aprendizado, a jornada e as experiências de vida, além de vermos cair os rostos de personagens nefastos. Aprendizado, no fim das contas. De qualquer forma, desse nicho saiu um bom número de companheiros e amigos, que agora vejo nesses momentos de profunda dor.

Sair dessa organização não nos impediu e, no mesmo dia em que saímos dela, criamos nosso próprio coletivo anárquico, era 2013, e ele tinha uma clara tendência a defender a violência política e a solidariedade antiprisional, que eram nossas posições defendidas há muito tempo.

Dezenas de iniciativas com o coletivo me vêm à mente, você agitava constantemente nas ruas, fazia propaganda, criava boletins, levantava atividades de solidariedade aos companheiros presos, realizava tarefas e se vinculava à realidade prisional, escrevia artigos, textos, reflexões – com a caneta que a caracterizava -, estudava na universidade, era muito “cabeçuda”, inteligente, muitos sabem disso e vão destacar esse seu aspecto. Você combinava estudos e atividade política, mas sua prioridade sempre foi disseminar a anarquia da maneira que achava correta.

Além de ser ativa em iniciativas, coordenações, redes etc., a rua sempre foi o terreno para colocar em prática as ideias que você vociferava, você já fazia isso como já descrevi, mas depois foi além, armada de coragem, bravura, superando as barreiras do medo que poderiam existir, você se tornou parte da luta de rua, mas daquela que quebra monotonias, que irrompe na rua, no ritmo dos cidadãos sem aviso prévio e, de diferentes universidades, você praticou essa violência antipolicial incendiária, abrindo caminho, às vezes sendo a única mulher nos grupos que participavam de atos de violência política.

Mas você queria ir além, a luta de rua nas manifestações de massa, nas universidades, nas cidades para datas importantes, faziam parte de uma ponta da luta anárquica, necessária, tinha que ser praticada, mas também era necessário elevar o conflito contra o mundo da autoridade, assim você entendia e decididamente com a mente fria que a caracterizava, empreendeu golpes certeiros através do que se chama a nova guerrilha urbana anarquista, prática histórica utilizada por grupos de ação para desafiar a ordem estabelecida. Você levou suas ideias revolucionárias para os fatos, para a prática, de forma rudimentar, sem especialistas, sem líderes, sem chefes, sem líderes, de forma autônoma, digna, com decisão, coragem, bravura, convicção guerreira, pronta para enfrentar a prisão se necessário, até mesmo a morte, em qualquer um desses cenários você ficou firme e deu tudo de si.

Depois veio a revolta, ano de 2019, e você estava onde tinha que estar, contribuindo na rua, na luta de rua no centro da cidade e no bairro onde você morava – como em outros também – em barricadas noturnas, e dividindo com os vizinhos para alimentar o combate na comuna, foi isso que a motivou, você tinha que viver aquilo, experimentar aqueles meses e deu tudo de si, quando até a morte estava à espreita ou a mutilação poderia cair pela maldita mão da polícia, você continuou, protegendo pessoas próximas também.

A morte vem sussurrando desde que soubemos da partida física, em 11 de agosto passado, do guerreiro Luciano Pitronello, de quem você foi companheira de ideias e práticas, com quem realizou atividades públicas e ilegais. Nos encontramos no funeral dele e vi seu rosto de tristeza, você não conseguia acreditar no trágico evento que havia acontecido, como a vida de um camarada foi tirada daquela maneira, nos animamos, eu lhe disse que agora também é nossa responsabilidade levar a memória e as ações dele para todos os lugares. Você sorriu para mim afirmativamente, mas agora tudo mudou e sou eu quem está escrevendo estas cartas para você.

Você me deixou o compromisso de escrever suas memórias, mais de uma vez conversamos sobre as possibilidades da morte, até mesmo sobre o que haveria depois, se é que haveria um depois. Você era ateia, não acreditava em deuses ou mestres, mas acreditava na energia daqueles que estavam partindo, na essência de cada pessoa que, de alguma forma, permanecia conosco.

Não tenho palavras para descrever a profunda dor que sinto em meu peito, como as lágrimas e a amargura brotam, lembro-me de você com imenso carinho e amor guerreiro, compartilhamos longos anos de vida e de luta. Em minha mente estão gravados fatos memoráveis que foram humildes contribuições para o conflito anárquico do qual você fez parte neste território, a intimidade subversiva entre companheiros, dias e noites de conspirações, concretizações e sonhos de ver queimar este mundo autoritário e sua polícia bastarda.

Para mim resta muito, você me deixou muito, lindas lembranças de ter compartilhado a vida com uma guerreira, longos anos, com intensidades que pouquíssimas pessoas podem conhecer e até chegar a entender. Guardarei com prazer em minha mente e em meu coração episódios que ficaram tatuados em minha pele, episódios repletos de profundo amor, carinho, fraternidade, irmandade, sabor, solidariedade irrestrita, cumplicidade, diferenças, raivas e desavenças também, mas a vida é assim, com suas múltiplas jornadas.

Eu te levarei comigo, você caminhará comigo na trilha do conflito anárquico, você já faz parte desse universo de companheiros que partiram, sua história percorrerá lugares, você estará em panfletos, publicações e atividades, em cada bala, barricada e rugido seu nome ressoará, você continuará sendo perigosa para o inimigo, isso dependerá de nós, daqueles que te conheceram em vida e daqueles que começarão a conhecê-la a partir do dia de sua morte.

De minha parte, só me restam palavras de gratidão por ter tido a sorte de conhecê-la.

Força para a companheirada que chora sua partida nas ruas e na prisão, para seus amigos e familiares.

Bon voyage, companheira e guerreira.

NADA ACABOU, TUDO CONTINUA!

BELÉN NAVARRETE PRESENTE!

24 de Agosto 2024
Santiago, Chile

Fonte: https://es-contrainfo.espiv.net/2024/08/25/santiago-chile-a-la-memoria-de-una-guerrera-anarquista-palabras-en-despedida-de-belen-navarrete/

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

Escalo a colina
cheio de melancolia –
Ah, roseira-brava.

Buson

[EUA] Chamada para apoiar Ashanti Alston!

Chamada para apoiar o ex-prisioneiro político da libertação negra e ancião anarquista, Ashanti Alston.

Ashanti Alston é um revolucionário anarquista negro, palestrante, escritor, organizador e motivador que, como resultado de sua participação no Partido dos Panteras Negras para Autodefesa e no Exército de Libertação Negra, serviu um total de 14 anos como prisioneiro político e prisioneiro de guerra. Atualmente, ele faz parte do Comitê Diretor do Movimento Nacional de Jericó para libertar prisioneiros políticos dos EUA.

Ashanti está em processo de mudança para seu próprio apartamento e precisa de ajuda temporária. Por isso, alguns de nós, que nos organizamos com Ashanti, estamos arrecadando fundos para reformar o apartamento para o qual ele vai se mudar, transformando-o em uma moradia de longo prazo para idosos. Nossos idosos se sacrificaram muito. É nosso dever, aqueles de nós que se inspiram e tentam construir movimentos revolucionários hoje, garantir que nossos idosos sejam bem cuidados! Nós também simplesmente amamos essa pessoa incrivelmente doce e forte e queremos que ela tenha o que precisa. Esperamos arrecadar US$ 20.000 para as reformas. Se não puder fazer uma doação, passe a mensagem para seus amigos e companheiros (ou compartilhe nas mídias sociais). Nenhuma quantia é pequena demais! Obrigado por nos ajudar.

Os fundos serão destinados à Building Circle, uma cooperativa de construção local que fará a reforma do apartamento.

>> Apoie aqui:

https://www.gofundme.com/f/support-ashanti-alston?attribution_id=undefined&utm_campaign=fp_sharesheet&utm_medium=customer&utm_source=website_widget

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

a chuva me cai
como uma luva
me OH!rvalha

Joca Reiners Terron

[Espanha] A ditadura das boas vibrações

Na internet podem se encontrar tutoriais patrocinados pelos bancos – por exemplo, o BBVA – que costuma tratar de histórias de superação pessoal, resiliência e psicólogos falando de como se podem enfrentar os traumas e a vida em geral. Com o logo do banco bem visível, a ninguém parece ocorrer que a atividade do banco seja antissocial, desumana e homicida: a angústia e a depressão provocadas por ele, responsável pelos desalojos nos quais há pessoas que chegam ao suicídio, não poder pagar a hipoteca ou um empréstimo, financiar projetos ecocidas ou a especulação financeira, na qual se há algo que sai mal já virá o Estado para resgatá-la à custa de todos. Os desmandos do capitalismo estão ausentes do discurso público. Se não tens casa, se não tens emprego, é que não mereces, não te formou, não és suficientemente flexível, te falta ambição, em todo caso é culpa tua, mas isso se, se te sentes mal, aqui tens cientistas sociais que, graças ao banco, te aconselharão sobre como superar teus próprios limites. Esta é a sociedade de trabalhadores felizes por serem explorados e desempregados pacientes e silenciosos, com um sorriso nos lábios se possível, e há aqui uma contradição dos anarcossindicatos: denunciar o trabalho assalariado como uma forma de escravidão e ao mesmo tempo defender a morte e ao posto de trabalho.

O matrimônio entre o Estado-Capital e a Ciência, faz com que os cientistas não tenham o mais mínimo vislumbre de crítica sobre sua própria função e quando criticam, se remetem a demandas de maior financiamento e propostas autoritárias para solucionar problemas como a mudança climática. A dependência da Ciência do Estado-Capital nos leva para o desastre. As aplicações tecnológicas daninhas – a era do carbono, o motor de combustão de gasolina e o desenvolvimento nuclear do complexo industrial militar – são o reflexo da miséria material, moral e mental do Estado-Capital. Agora manifestam para que não percamos a fé na Ciência, e quem tem fé está tão cego como quem a demanda, que será a própria tecnologia quem dará soluções aos problemas causados por ela mesma, sem necessidade de mudar a estrutura hierárquica e autoritária da sociedade atual. A mudança climática avança irrefreável, mas os cientistas dizem que o único que faz falta é uma transformação da mentalidade da autoridade e a conscientização dos que estão obrigados a obedecer. Enquanto que a Ciência siga sendo uma mercadoria e não se envolva nos processos de liberação individuais e coletivos ou como disse David Graeber: ¨para ser livres, há que atuar como se já fossemos livres¨. Enquanto isto não se dê, vamos diretos para a catástrofe planetária -já aconteceu antes, se tivermos em conta os genocídios e o extermínio de povos e culturas ocorridos na história, além da extinção de inumeráveis espécies animais, tudo em nome da superior civilização branca. O triunfo definitivo do progresso será a autodestruição. O último que veremos é cientistas patrocinados por um banco dando lições de sobrevivência.

V.J. Rodríguez González

Tradução > Sol de Abril

Fonte: https://www.portaloaca.com/articulos/anticapitalismo/la-dictadura-del-buen-rollito/

agência de notícias anarquistas-ana

Quietude –
O barulho do pássaro
Pisando as folhas secas.

Ryushi

[EUA] Alguns anarquistas atearam fogo em uma ponte ferroviária

23 de agosto, Oregon, EUA.

O alvo era uma ponte/tronco da ferrovia Portland and Western Railroad sobre o rio Willamette, entre Lake Oswego e Milwaukie, Oregon.

Responderemos à civilização que destrói a Terra e a possibilidade de vida livre com a destruição em troca.

“A via está fechada para o tráfego ferroviário neste momento.”

“O tráfego da P&W (PNWR) será redirecionado por um bom tempo, de modo que Cornelius Pass poderá ver muito mais ação por um longo tempo.”

“Há alguns danos estruturais no cavalete, que é operado pela P&W Railroad.”

A PNWR tem uma base de tráfego diversificada baseada em commodities de carga. Lascas de madeira, papel, produtos agrícolas e agregados são as principais fontes de tráfego. Entre os mais de 135 clientes principais da estrada estão a Stimson Lumber Company, a Cascade Steel Rolling Mills, a Georgia Pacific e a Hampton Lumber Sales. A ferrovia também transporta petróleo da Exxon Mobile, asfalto e produtos de petróleo.

A ferrovia é o principal método de transporte de materiais para o setor que possibilita a guerra.

A atividade industrial responsável pelo colapso climático não tem interesse real em interromper sua devastação, mas insiste em fingir ser ecologicamente correta e usar termos como “energia verde”, com novas fontes de energia extrativa que ainda são prejudiciais aos ecossistemas e às nossas vidas; e, acima de tudo, com a clareza de que cada um de nós é o único que pode combater o avanço da devastação, vemos a urgência de atacar a indústria que destrói a Terra, acrescentando nossa iniciativa e ação à campanha internacionalista. Switch Off!” switchoff.noblogs.org

Que essa ação seja uma calorosa saudação de solidariedade àqueles que sofreram golpes como os ataques às fábricas de cimento na Alemanha, os guerreiros mapuches que lutam no Chile, os sabotadores do oleoduto Mountain Valley na Virgínia Ocidental, os atacantes do projeto progressista tecnofascista de “energia verde” “Tesla”, os esforços contra as empresas de produção militar, como a Elbit, que alimentam o genocídio dos palestinos, os que estão frustrando os esforços da Cop City em Atlanta, GA, e todos os que entram em ação reconhecendo que o ataque deve ser imediato e em todos os lugares onde estão localizadas as instalações e os meios dos responsáveis pela devastação, contribuindo para o diálogo por meio de ação direta e ataque.

Cumprimentamos calorosamente aqueles com quem caminhamos na ofensiva.

Tomamos essa ação como uma homenagem aos nossos mortos.
Não nos esquecemos e continuamos.

Switch Off! The System Of Destruction – Desligue! (O sistema de destruição)

– alguns anarquistas

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Arco-íris no céu,
chega ao fim o temporal:
tobogã de gnomos.

Ronaldo Bomfim

3ª Feira Anarquista no Rio de Janeiro | 60 anos da ditadura empresarial-militar

Já estão abertas as inscrições de expositores para a próxima Feira Anarquista no Rio de Janeiro.

Neste ano, decidimos assumir a temática dos 60 anos da ditadura empresarial-militar, a qual tem sido tratada carinhosamente (com direito a desejos de acalanto aos familiares dos apoiadores da ditadura) pela pseudoesquerda que atualmente governa o país. Diante da absurda conciliação de classe do atual governo, reforçamos o uso da memória contra a desgraça que nos assola enquanto classe trabalhadora. Memória esta que deixa mais do que claro que a única resposta da nossa parte deve ser a luta organizada contra o Capital.

Agradecemos ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro (SINTTEL Rio) pela disponibilização do espaço para a realização da feira.

Fiquem de olho nas atualizações, que logo postaremos novidades.

Onde? SINTTEL Rio, Rua Morais e Silva, 94, Maracanã.

Quando? 19 de outubro.

Que horas? Das 11h às 20h.

Dúvidas? Só falar com a gente.

A feira é organizada por: Edições Tormenta | CARA

www.instagram.com/feira.anarquista.rj/

agência de notícias anarquistas-ana

Eu nado de costas;
meu ventre magnífico é
o Monte Fuji.

Manuela Miga

Morre Eva Izquierdo | “Resta-nos seu exemplo inabalável de luta

Hoje (29/08) faleceu Eva Izquierdo -María Eva para muitos-, uma companheira anarco-feminista, como ela gostava de se definir.

Não há muitas palavras para dizer quando perdemos alguém que amávamos muito e que significou muito na luta anarquista uruguaia – ou melhor, rioplatense – dos últimos 60 anos, pelo menos.

Resta-nos seu exemplo inabalável de luta, troca e alegria que sempre manteve, mesmo nos piores momentos.

Em um agosto que marca o aniversário da partida de vários companheiros de ideias – Lucce Fabri, Rafael Spósito, Alfredo Errandonea -, quando a vida começa a florescer, ela deixa suas raízes para que outros as reguem.

Nossa homenagem com essa entrevista de 6 anos atrás, um abraço, companheira, saúde.

https://www.youtube.com/watch?v=XhZOgJtdIRs&t=42s

Raul Sardo

agência de notícias anarquistas-ana

Último vôo.
A despedida da luz
Nas asas do corvo.

Rubens Pilegi

[Chile] Santiago: Morreu a companheira anarquista Belén Navarrete Tapia

Quarta-feira, 21 de agosto, uma nova e terrível notícia nos chega, a partida física da companheira anarquista Belén Navarrete Tapia, que contribuiu de múltiplas formas para o conflito contra o poder através de iniciativas públicas, solidariedade antiprisão, coletivos, publicações, entre outros projetos, bem como em instâncias ilegais, levantando o combate urbano em diferentes anos de sua vida.

Embora houvesse dúvidas sobre a causa da sua morte naquele dia, mais tarde foi determinado que um edema pulmonar causou a morte de nossa irmã. Para ser mais preciso, não foram encontrados vestígios de nenhum tipo de substância nos exames realizados no SML, o que descartou qualquer atentado contra sua vida ou qualquer intervenção de outras pessoas.

Estamos muito tristes, mas reivindicaremos sua vida, que ela dedicou à anarquia, como tal.

Hoje, sábado, 24 de agosto de 2024, por volta do meio-dia, o corpo da companheira foi levado em uma caravana do velório para o cemitério Parque del Sendero, em Maipú. O convite já estava aberto para aqueles que quisessem participar do evento. Dessa forma, os companheiros de luta, amigos e parentes se despediram de Belén. Do nosso lado, como convém, foi em meio a gritos, propaganda, reivindicando sua escolha de vida como anarquista de ação. É assim que ela gostaria que fosse.

NADA ACABOU, TUDO CONTINUA!

BELÉN NAVARRETE PRESENTE!

agência de notícias anarquistas-ana

A flor
Sussurra ao vento
Sem aroma.

Maria Helena Camargo

[Reino Unido] Sob vigilância: como um homem de Bristol foi chamado de volta à prisão após visitar um centro social anarquista

A prisão de Toby Shone pela polícia antiterrorismo que vigiava o centro BASE em Easton mostra a crescente repressão do estado à dissidência política.

Membros do centro social anarquista BASE, sediado em Easton, descobriram recentemente que estão sendo monitorados pela polícia antiterrorismo, depois que um homem foi chamado de volta à prisão após participar de um de seus eventos.

Toby Shone foi inicialmente preso por acusações de terrorismo e drogas em novembro de 2020, como parte de uma operação policial mais ampla chamada Op Adream. A polícia acreditava que Toby era o editor do site anarquista 325nostate.net, que, segundo eles, continha material que encorajava o terrorismo.

O Crown Prosecution Service (CPS) também encontrou drogas psicodélicas durante a batida em sua casa e acusou Toby de crimes de terrorismo e drogas. Ele negou todas as acusações e, na véspera do processo judicial de Toby, o CPS indicou que estava retirando as alegações de terrorismo contra ele. Não ofereceu nenhuma explicação para a mudança repentina de opinião.

Toby foi condenado por posse e intenção de fornecer drogas Classe A e B e sentenciado a três anos e nove meses de prisão. Apesar de não ter sido condenado por nenhum crime de terrorismo, os apoiadores de Toby dizem que ele foi — e está sendo — tratado como um terrorista na prisão. Quando foi solto, em dezembro de 2022, estava sob fortes restrições e monitoramento pela Divisão de Segurança Nacional (NSD) multiagência, que gerencia casos de terrorismo.

Em setembro passado, ele foi chamado de volta à prisão após ser preso por policiais armados agindo sob ordens do Policiamento Antiterrorismo do Sudoeste (CTPSW). Os motivos para a prisão do homem de 46 anos foram que ele não cumpriu as condições de sua licença de liberdade condicional quando foi solto no meio de sua sentença de prisão.

A polícia diz que ele violou suas condições ao comparecer a um evento de redação de cartas na BASE e usar um telefone que não estava registrado com seu agente de condicional. Toby disse que não enviou detalhes do telefone que estava usando, pois muitos de seus companheiros já haviam sido espionados por policiais disfarçados e não queriam que fossem submetidos a mais vigilância.

Os documentos legais entregues a Toby mostraram que a BASE estava sob vigilância e monitoramento contínuos do CTPSW, e que os policiais haviam compilado “evidências” sobre eventos realizados no centro social de Easton.

Os membros da BASE, em uma declaração coletiva, disseram que ficaram chocados ao saber da volta de Toby para a prisão e ao descobrir que estavam sendo monitorados:

“Há uma sugestão de que há algum grupo anarquista criminoso obscuro por trás da BASE para que os policiais possam expandir sua fantasia de ‘terror anarquista’, onde um centro social é um lugar onde as pessoas são preparadas e radicalizadas e onde a glorificação e o financiamento do terrorismo são desenfreados”, disse.

“De volta ao mundo real, o BASE é um centro social autônomo muito querido e de longa data que organiza jantares comunitários, workshops de bicicleta, [e] palestras sobre uma gama diversificada de tópicos, desde justiça social e solidariedade de prisioneiros até tópicos ambientais e culturais.”

O BASE também administrou um projeto comunitário de ajuda mútua durante a pandemia de Covid.

Tratado como um terrorista

O caso de Toby é um dos únicos processos de anarquistas sob a legislação moderna de terrorismo no Reino Unido, e ele tem sido perseguido pela polícia antiterrorismo por mais de quatro anos. Como e por que ele foi enviado de volta para a prisão, na HMP Garth, a 170 milhas de sua casa, é uma história que os ativistas dizem que destaca as tentativas do estado britânico de silenciar pessoas com visões políticas de oposição.

O site e publicação 325 publica relatórios de ação direta, discute o pensamento político anarquista e faz apelos por solidariedade com prisioneiros anarquistas e o movimento anarquista de forma mais ampla.

Em uma entrevista com uma estação de rádio anarquista dos EUA, Toby explicou que o caso contra ele dependia da ideia de que a 325 encorajava o terrorismo e fazia uma ligação tênue entre o conteúdo da 325 e um grupo marxista-leninista armado grego chamado November 17th, que é proscrito como um grupo terrorista aqui no Reino Unido. Isso permitiu que eles utilizassem a legislação antiterrorismo.

Os apoiadores de Toby dizem que ele tem sido tratado persistentemente como um terrorista na prisão. Ele passou o primeiro ano em prisão preventiva, antes de seu processo judicial, em prisões de Categoria A em Wandsworth e Belmarsh. Ele teve visitas negadas por seus advogados nas primeiras seis semanas de sua prisão, e não lhe foram mostradas evidências contra ele por muitos meses.

Antes de sua libertação, a polícia tentou impor uma Ordem de Prevenção de Crimes Graves (SCPO) a ele. Se concedida, a SCPO teria imposto restrições severas à sua liberdade por cinco anos após sua libertação, e poderia ser renovada indefinidamente. Isso teria restringido quem ele poderia encontrar, bem como seu uso de ferramentas de segurança tecnológica, como mensagens criptografadas e redes privadas virtuais (VPNs).

Os advogados de Toby, no entanto, conseguiram contestar com sucesso essas restrições em uma audiência judicial em maio de 2022.

As autoridades prisionais, por muito tempo, têm restringido a comunicação de Toby com o mundo exterior. Cartas e e-mails enviados de e para a prisão são rotineiramente censurados.

Ele não conseguiu receber vários livros e outras publicações pelo correio, apesar do fato de que o direito dos prisioneiros de receberem livros tem sido duramente conquistado. No outono de 2022, anarquistas fizeram uma manifestação barulhenta do lado de fora do HMP Parc perto de Bridgend sobre as restrições, e a prisão transferiu Toby para uma cela de segregação como resultado.

Conversamos com Sarah*, uma amiga de Toby, sobre os efeitos que essa censura de correspondência e isolamento está tendo em Toby e nas pessoas próximas a ele.

Ela disse que as autoridades prisionais até impediram que um cartão de aniversário que Toby havia enviado para seus pais idosos saísse durante sua sentença. Sarah disse que a intenção era “desmoralizá-lo e desabilitar a percepção de apoio de Toby” de sua família, amigos, camaradas e do movimento anarquista em geral. De acordo com Sarah, “este é um objetivo declarado na papelada de liberdade condicional”.

“Esta é uma decisão politicamente motivada que se estende além de Toby e revela a natureza autoritária do estado em que vivemos neste momento. Sua retirada por frequentar um centro social anarquista deixa claro que um lugar como o BASE é considerado uma ameaça à ‘segurança nacional'”, acrescentou Sarah.

Sarah foi parada nas fronteiras do Reino Unido sob o Anexo 7 da Lei do Terrorismo como parte da Operação Adream em andamento e interrogada sobre suas ideias, relacionamentos e vida pessoal. Ela disse que as restrições e vigilância nas comunicações de Toby significam que ela “censura sua linguagem, ideias e sentimentos” para evitar ser removida de sua lista de contatos acordada e ter suas comunicações escritas censuradas pelas autoridades prisionais. Ela nos disse que tudo o que ela diz a Toby está “sendo analisado, o que parece intrusivo e desconfortável”.

Silenciando a dissidência

Kat Hobbs faz parte da Rede de Monitoramento Policial (Netpol), uma organização que monitora a escalada dos poderes policiais no Reino Unido. Ela disse ao Cable que o uso de acusações de terrorismo contra Toby por ter crenças anarquistas pode ser um prenúncio do que está por vir.

“Em uma era de vigilância estatal cada vez maior e uma repressão renovada ao nosso direito de protestar, [o caso de Toby mostra] até onde o estado está disposto a ir para silenciar a dissidência”, disse ela.

O uso de acusações repressivas contra anarquistas não é nenhuma novidade. Em 1997, três editores do Green Anarchist e duas pessoas ligadas à Animal Liberation Front foram processados e presos por três anos pela publicação supostamente ter incitado outros a cometer danos criminais. Mais tarde, eles foram soltos e suas condenações anuladas. No caso de Toby, os promotores aumentaram significativamente as coisas ao fazer alegações de terrorismo.

Em 2017, Joshua Walker foi acusado de possuir informações terroristas por baixar o Anarchist Cookbook, um manual com instruções para fazer armas. Mais tarde, ele foi inocentado.

“Sabemos há muito tempo que a vigilância policial intrusiva tem como alvo movimentos de esquerda, e o inquérito em andamento sobre ‘policiais espiões’ continua expondo até onde a polícia está disposta a ir”, disse Kat. “O centro social BASE não será o único lugar sob vigilância por compartilhar folhetos e servir comida vegana. Alguém enfrentar pena de prisão por participar de uma sessão de cartas com amigos é assustador. A Netpol se solidariza com Toby Shone.”

A BASE disse que o tratamento dado a Toby mostra que a repressão estatal aos nossos movimentos só aumentará, e que Toby provavelmente não será o “último de nós a ser preso por nossa política. Enquanto lugares como o BASE forem usados por pessoas envolvidas em políticas radicais compartilhadas, eles continuarão a ser locais de vigilância, repressão e policiamento draconiano. Estamos com Toby não apenas pelo bem de sua liberdade, mas pelo bem de todos nós também!”

“O caso de Toby nos mostra claramente que nós, no Reino Unido, não temos o direito de nos organizar livremente com outros”.

O Cable contactou o Ministério da Justiça para comentar o caso de Toby. Um porta-voz disse: “Infratores liberados sob licença são mantidos sob supervisão rigorosa e serão chamados de volta à prisão se quebrarem as regras”. Eles se recusaram a comentar sobre a interrupção da correspondência de Toby entrando e saindo da prisão. Também contatamos o CTPSW, mas não recebemos resposta.

Essa falta de um comentário substancial de qualquer autoridade é indicativa de uma falta de transparência sobre as ações da polícia e do serviço prisional.

Visite o site do BASE para saber mais sobre o centro, ou para mais informações sobre o caso de Tony e a solidariedade dos prisioneiros, confira Brighton ABC ou Bristol ABC.

Fonte: https://thebristolcable.org/2024/08/bristol-anarchist-community-centre-under-surveillance-counter-terror-police-anarchist-locked-up-for-visiting/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

Não esqueças nunca
o gosto solitário
do orvalho

Matsuo Bashô

[França] Por um anarquismo resolutamente ecossolidaridário

No mundo de hoje, nada ou quase nada é animador, tudo ou quase tudo é um prenúncio de desespero. Além de guerras e genocídios, que podem culminar em um apocalipse nuclear, crises virais e climáticas podem transformar a Terra em um planeta inabitável.

De fato, a sobrevivência da humanidade nunca esteve tão ameaçada como hoje pela insanidade da guerra e pelos excessos do desenvolvimento capitalista. Uma ameaça terrível e paradoxal, já que foi o modelo civilizatório autoritário e capitalista de vida – dominante no mundo atual e suposto promotor do bem-estar humano – que deu origem a ela e continua a promovê-la. A tal ponto que a humanidade se vê hoje diante do dilema de mudar esse modelo para sobreviver ou continuar a mantê-lo (apesar da ameaça à sua sobrevivência) e se resignar a correr esse risco existencial.

Quer reconheçamos ou não, esse é o dilema que todos os seres humanos enfrentam hoje e ao qual nós, pessoas contemporâneas, devemos ou teremos que responder cada vez mais; pois é óbvio que, o fato de estarmos ou não cientes dessa ameaça e adotarmos a atitude consequente (seja por instinto de sobrevivência ou por não nos resignarmos a renunciar ao dever de continuar a fazer a humanidade), será decisivo para o futuro da humanidade e do mundo.

Estar ciente do que o mundo é hoje e reconhecê-lo é, portanto, um imperativo ético e existencial categórico. Não apenas porque a verdade é uma necessidade para mudar a realidade, mas também para nos incitar a lutar contra o desespero e contra o que ameaça o nosso futuro e o da humanidade, uma luta que é mais necessária hoje do que nunca, não apenas por razões políticas de justiça social, mas também por lógica existencial e dignidade!

Além disso, como disse Camus em tempos tão sombrios quanto os atuais, “o gosto pela verdade não nos impede de tomar partido”; pois é “precisamente a aceitação da verdade, pelo que ela é – mesmo que apenas em um espírito – e como ela é, que faz com que a esperança não seja vã”. Pois “o verdadeiro desespero não surge do fato de sermos confrontados com uma adversidade cada vez mais obstinada, nem da exaustão de uma luta que é muito desigual, mas sim do fato de não sabermos as razões para lutar e se devemos lutar de fato”.

Daí a necessidade e a urgência de manter o gosto pela verdade hoje. Não apenas pelos mesmos motivos que Camus e seus contemporâneos tinham naquela época, mas também porque, além de os motivos para lutar serem tão claros e indesculpáveis agora quanto eram para eles, são ainda mais claros e indesculpáveis hoje, devido à ameaça que a crise climática representa para a sobrevivência física da humanidade. Uma crise provocada pela inconsciência de promover um modelo civilizatório que, além de absurdo e injusto, é ecocida.

Um modelo, o capitalismo (baseado na apropriação individual do esforço coletivo e dos recursos naturais por meio da competição e da pilhagem), que, além de nos colocar uns contra os outros, estabelece a divisão de classes (dominantes e dominados, exploradores e explorados) nas sociedades humanas.

Assim, como o capital é o alfa e o ômega desse modelo, o desenvolvimento capitalista não considera a vida como um bem prioritário e, como consequência, esse desenvolvimento se torna uma ameaça a todos os seres vivos, pois não respeita nenhum limite na exploração dos recursos da natureza.

Como não considerar a manutenção desse modelo, que está tornando inabitável o único planeta habitável do nosso sistema solar, uma séria e grave ameaça existencial à humanidade, e como não denunciar a responsabilidade inconsciente e criminosa dos promotores e cúmplices desse modelo injusto e ecocida?

Portanto, denunciar esse modelo e lutar para mudá-lo por outro que seja justo e ecologicamente sustentável é um dever ético e uma decisão lógica de urgência existencial. Não apenas por causa das terríveis catástrofes ambientais e humanas que a degradação climática já está causando, mas também porque sua aceleração nos aproxima cada vez mais de um ponto em que ela será irreversível e o ecocídio inevitável.

Buscar como deter essa ameaça existencial e lutar pela emancipação humana e pela criação de um mundo eco-sustentável de justiça e liberdade é hoje um dever ético-existencial. Um dever e uma necessidade de urgência imperativa para todas as pessoas contemporâneas que não se conformam em ser cúmplices de uma perspectiva tão absurda e indigna: a do fim da aventura humana e do desaparecimento da vida neste planeta.

Para os anarquistas, a luta por um mundo ecologicamente sustentável é, sem dúvida, a consequência lógica de sua luta por um mundo de justiça e liberdade. Uma consequência lógica porque, para eles, o ético é inseparável do existencial. Portanto, hoje, como a vida está tão ameaçada, seu (nosso) objetivo deve ser um mundo verdadeiramente ecológico e autenticamente democrático; pois se não for ecológico, não será sustentável, e somente sendo autenticamente democrático (decisões tomadas por todos) poderá ser solidário. Portanto, os e as anarquistas de hoje devem (precisam) ser resolutamente ecossolidários/as.

A ecossolidariedade é, na verdade, a prática generalizada de ajuda mútua em todas as formas de atividade e convivência humana dentro de uma sociedade que, para ser ecossustentável, rejeita todas as formas de enriquecimento individualista e depredação dos recursos naturais. Uma prática que, além de solidária, é necessariamente horizontal e não hierárquica, pois a ecossolidariedade é a prática da ajuda mútua entre seres livres e iguais, que, além de conscientes dos desafios ecológicos, agem de forma decisiva e consistente para enfrentá-los.

A ecossolidariedade é a verdadeira e imperativa urgência da humanidade, pois ela só poderá sair do impasse ecológico em que se encontra hoje se decidir praticá-la e manter as pontes entre o hoje, o ontem e o anteontem para continuar fazendo humanidade.

É por isso que o anarquismo de hoje deve ser resolutamente ecossolidário.

Perpignan, 16 de agosto de 2024.

Octavio Alberola

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

No espaço, um brilho
qual uma folha viva:
O grilo.

Edércio Fanasca

[EUA] Notório hacker é acusado de pichar carro da polícia de Chicago durante o protesto em West Loop

Jeremy Hammond é um ex-membro do coletivo “hacktivista” conhecido como Anonymous. Ele enfrenta uma acusação de contravenção por supostamente ter rabiscado um símbolo anarquista em um carro de polícia depois que manifestantes invadiram o consulado israelense.

O famoso hacker Jeremy Hammond é acusado de pichar um carro da polícia de Chicago durante uma caótica manifestação antiguerra na noite de terça-feira (20/08) no West Loop, que resultou em dezenas de prisões.

Hammond, um ex-membro do coletivo “hacktivista” conhecido como Anonymous, enfrenta uma acusação de contravenção por supostamente ter rabiscado um símbolo anarquista em um carro de polícia depois que os manifestantes invadiram o consulado israelense, de acordo com os promotores do Condado de Cook e os registros do tribunal.

Hammond, 39 anos, de Chicago, havia sido condenado a 10 anos de prisão em 2013. Os promotores federais disseram que ele e outros membros de uma ramificação do Anonymous conhecida como AntiSec invadiram os computadores da empresa de inteligência privada Strategic Forecasting Inc., também conhecida como Stratfor.

Hammond e outros roubaram e-mails e informações de contas de cerca de 860.000 assinantes ou clientes da Stratfor, de acordo com policiais federais. Eles também roubaram dados de cartões de crédito de cerca de 60.000 usuários de cartões de crédito e fizeram mais de US$ 700.000 em cobranças não autorizadas.

Os registros mostram que Hammond foi libertado da custódia do Federal Bureau of Prisons em março de 2021.

Na quarta-feira, ele pareceu chocado quando os promotores disseram que ele tinha um histórico de seis condenações criminais – um erro que foi rapidamente corrigido. Ele confirmou outras condenações anteriores, incluindo as acusações federais de hacking e agressão a um policial.

O defensor público de Hammond o descreveu como um residente de longa data do Condado de Cook e disse que ele agora trabalha em uma gráfica.

O juiz Ankur Srivastava observou que, embora seu caso de hacking fosse “significativo”, o histórico de Hammond era “em grande parte” não violento.

Hammond foi liberado da custódia e ordenado a se apresentar aos serviços sociais. Ele também foi temporariamente impedido de retornar à área do protesto de terça-feira contra a guerra em Gaza.

Sua próxima data no tribunal foi marcada para 15 de outubro.

Fonte: https://chicago.suntimes.com/2024-democratic-national-convention/2024/08/21/notorious-computer-hacker-spray-painting-chicago-cop-car-west-loop-protest

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

livro aberto gelado
o norte geme no vento
sobre a página branca

Lisa Carducci

[EUA] Todo mês é agosto negro

Editorial do prisioneiro Malik da Revolta de George Floyd em comemoração ao agosto negro.

O que o agosto negro comemora? Bem, é um mês em que os prisioneiros, especialmente os negros, honram George Jackson e os sacrifícios que ele fez no sistema prisional da Califórnia. Para quem não sabe, Jackson recebeu uma pena de 1 ano de prisão perpétua por um crime menor, como aconteceu naquela época com sentenças indeterminadas. Ele poderia ter mantido a cabeça baixa e saído, mas o que Jackson viu como um jovem no sistema foi um sistema de opressão tão ruim que sua moral e caráter não permitiriam que ele continuasse.

Os negros naquela época enfrentavam violência de guardas e grupos e gangues de supremacia branca por toda parte. Naquela época, os guardas colocavam vidro e merda na comida dos negros. Eles acorrentavam os negros às mesas e nos deixavam ser esfaqueados por grupos de supremacia branca. Jackson tentou mudar isso. Jackson ajudou a organizar os negros em uma unidade para lutar. Jackson e os outros grupos de vanguarda, BGF (Black Guerilla Family), BLA (Black Liberation Army) e o Black Panther Party, assim como o Kumi, formaram a linha de frente para proteger nosso povo. Ele ensinou e liderou nosso povo às custas de sua liberdade e, finalmente, de sua vida. Ele foi incriminado pelo assassinato de um guarda covarde que matou vários negros durante um motim. Ao lutar contra esse caso, ele se educou, ensinou seu povo, sufocou várias tentativas de assassinato, escreveu livros e, finalmente, deu sua vida pelo povo, como ele nos deixou tanto, ele fez sem questionar.

Jackson era tão temido, como todos nós somos, que eles tiveram que retratá-lo como um super-homem negro, dizendo que ele matou cinco guardas em 30 segundos com as mãos nuas antes de ser morto, como uma forma de justificar isso — esse é um homem e tanto, então eu vou acreditar! Como seu nome ecoa por toda a história, esses guardas não são nem uma nota de rodapé na vida de Jackson — amendoim para um elefante.

Então, todo mês de agosto, prisioneiros por todo o mundo o homenageiam fazendo 100 de alguma coisa, se unindo e se exercitando militantemente como uma demonstração de solidariedade e preparação para ter que ir à guerra se necessário. Black August e George Jackson são um dos meus ídolos, significando mais para mim do que um mês pode exibir. Assim como Juneteenth, e Black History Month, e Native American Heritage Month, e Mexican American Heritage Month, e AAPI Heritage Month — todos esses dias e meses me machucam e me parecem irritantes que temos que ter cultura, história, orgulho e solidariedade regulados para definir o tempo. Também me afeta sobre Black August. Claro, como todos nós, eu desisto, faço meus 100 burpees, também adiciono 100 flexões, abdominais, mergulhos e barras, assim como qualquer outra coisa que eu queira — eu também grito Black August e Jackson para aqueles que não sabem. Mas para mim, Jackson e seu irmão e sua memória e legado são mais do que um mês de solidariedade, porque Jackson colocou solidariedade em seu cotidiano, 365 dias por semana, sem pausa, sem exceções, a todo custo e por qualquer meio.

Então, para mim, Black August é outro lembrete para manter o curso, não importa o quão frustrado eu fique, ou o quão mal eu seja feito, não importa o quão oprimido eu me sinta, a opressão que eu enfrente, ou a dor que eu experimente, eu tenho o dever de manter o curso como Jackson fez. Jackson e seus sacrifícios significam tudo. Enquanto estou sentado no buraco há um ano, eu permaneço forte por causa do que Jackson passou. “Na minha objeção”, como ele disse, “você nunca vai me contar entre os homens quebrados”. Se eu tiver sorte e privilégio o suficiente, eu vivo entre os homens como Jackson que pavimentaram o caminho para nós. Aqueles que pagaram o sacrifício final pelo povo, seu [indistinto] pelo povo, temos o dever de honrar e espalhar seu legado e lutar pelo povo e por um futuro mais brilhante, ou dar nossas vidas tentando. Para mim, todo dia é o Dia da Morte de Jackson, e de Jonathan também. Todo mês é o Agosto Negro, e a História Negra, e o Mês da Herança Nativa Americana, e o Mês da Herança Mexicana. Todo dia é um momento para mostrar solidariedade e ser mais militante com propósito e foco, agindo com ousadia e autonomia para atingir nossos objetivos.

Eu realmente amo o Agosto Negro em homenagem ao homem que tenho em tanta consideração. Espero um dia ver o Agosto Negro em todos os lugares, especialmente fora das prisões. Poder para o povo, para todo o povo!

Citação final de George Jackson: “Se meus inimigos e seus inimigos se mostrarem mais fortes para nós, pelo menos quero que eles saibam que deixaram um homem africano justo extremamente bravo.”

E por último, para todos aqueles que estão preparados para votar em Kopmala [Kamala Harris, Vice-presidenta dos Estados Unidos], lembrem-se: ela construiu sua carreira prendendo negros por crimes mesquinhos como evasão escolar e maconha, o tempo todo rindo sobre sua natureza arbitrária. Então, neste Agosto Negro, lembrem-se: entre aqueles que ela teria mantido confinados até a morte conosco também estariam George Jackson e Jonathan. Não está no espírito da revolução, lembrança ou equidade votar naquele policial. Ela teria sido a arquiteta de sua ruína. Não pense em “mal menor”, porque foi assim que chegamos aqui. O mal menor para Jackson teria sido cumprir sua pena e sair e levar na cabeça, mas não! Ele pegou a estrada menos percorrida para ver o que poderia fazer.

Então sonhe mais alto do que um sistema bipartidário. Seja ousado, seja impetuoso e seja autônomo.

Fonte: https://itsgoingdown.org/every-month-is-black-august/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

noite gelada –
a criança ajeita o gato
nos pés descalços

Rosa Clement