[Espanha] Livro | Severino Campos. Uma vida por um ideal

Às vezes chamado carinhosamente de “o pequeno jacobino”, Campos nos conta a história de sua vida aqui.

Nascido em 1905, ingressou na CNT em 1918. Pertenceu ao grupo de afinidade O Produtor, e em novembro de 1931 ingressou no CR da CNT catalã.

Estas memórias, escritas aos 91 anos, não podem deixar de nos mostrar um Campos já sumido em certo declínio intelectual. No entanto, são um dos poucos testemunhos remanescentes da atuação dos Grupos de Defesa Confederal.

Exilado após a guerra, estabeleceu-se na América do Sul e mais tarde no México. Retornando à Espanha após a morte do ditador, ele reviveu suas antigas glórias, sendo diretor do Solidaridad Obrera em 1979 e editor de 1982 a 1983.

Em 25 de março de 2006, ele morreu no México.

>> Baixar o livro aqui:

https://www.solidaridadobrera.org/ateneo_nacho/libros/Severino%20Campos%20-%20Una%20vida%20por%20un%20ideal.pdf

Fonte: https://www.portaloaca.com/historia/biografias/libro-severino-campos-una-vida-por-un-ideal/

agência de notícias anarquistas-ana

Na tarde de neve
Passa desaparecendo
Um só guarda-chuva.

Yaha

[França] Ser anarquista (1934) – Fernand Planche (1900-1974)

Uma declaração apaixonada do que significa ser um anarquista.

Ser anarquista significa, acima de tudo, ser bom; significa pensar, sonhar e discutir sem sectarismo.

Significa odiar tudo o que causa sofrimento, lágrimas e morte.

Significa conceber e explicar as coisas de forma clara, simples, sem medo das consequências e sem esperança de lucro.

Significa rejeitar tudo o que é feio, mesquinho, desumano, servil ou dócil.

Significa aproximar-se de tudo o que é belo, bom, orgulhoso, justo, amigo da liberdade e da verdade.

Significa seguir um caminho reto, sem se distrair com ameaças, insultos ou apelos à traição.

Significa ser útil, inclinando-se aos sofrimentos de seus semelhantes; um lutador, guiando aqueles que se rebelam; um pensador, vislumbrando a aurora de um dia melhor.

Significa acarinhar o amante, guiar os passos vacilantes da criança, reverenciar a velhice, ajudar os que estão ao seu redor.

É não se limitar a nenhum horizonte, a nenhuma fronteira; é querer ser irmão de todos os seres humanos, sem distinção de raça, idioma ou cor.

É escalar montanhas, correr pelas planícies, entregar seu corpo à pureza do riacho, aos raios benéficos do sol.

Significa saborear os belos frutos maduros, morder o fruto ainda mais belo do amor; fazer dos animais uma segunda família, fiel, amorosa, afetuosa.

Significa viver intensamente sem preconceitos, sem respeito aos costumes antiquados, inveja, ressentimento ou ódio; viver duas vidas significa viver duas vezes.

***

Quantos pensavam que eram anarquistas, mas estavam cegos pela visão deslumbrante. Para eles, o egoísmo banal assumiu o controle, e uma sinecura falsamente nutritiva pôs fim ao belo sonho que haviam vislumbrado; eles não foram feitos para esse sonho fantástico, para esse apostolado.

Mas quantos também foram anarquistas sem saber, todos os nomes que, depois de uma vida de coragem, bondade, rebeldia e generosidade, deixaram uma lembrança na história, foram dignos de nosso nome, e também os eclipsados que lutaram, sofreram e morreram para que a humanidade pudesse avançar.

Vá em frente, meu amigo, você que me lê e talvez esteja indeciso, não hesite mais, a mais bela causa lhe é oferecida.

Leia, reflita, observe, discuta, analise, compreenda e lance-se à luta; as satisfações superarão em muito as tristezas e, na alvorada de sua vida, antes que seus olhos se fechem para sempre, quando em um instante o filme de sua existência se desenrolar em uma retrospectiva breve demais, nenhuma preocupação escurecerá sua testa, nenhum arrependimento obscurecerá seus lábios, exceto o pesar pelo fato do sonho estar se interrompido e encerrando.

Fonte: https://libertamen.wordpress.com/2024/07/24/ser-anarquista-1934-fernand-planche/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

lá se vão as garças
vão pairando sobre o rio
vão cheias de graça

Gustavo Felicíssimo

[Espanha] Lançamento: “¡Guerra a la Guerra!”, de Ernst Friedrich

Traduzido a mais de quarenta línguas desde sua publicação original em 1924, ¡Guerra a la Guerra! é já um clássico do antibelicismo global, um demolidor apelo no qual a fotografia funciona como terapia de choque.

Apresentamos a primeira edição em castelhano de um foto livro concebido como arma de conscientização massiva. Terminada a Primeira Guerra Mundial, o militante pacifista Ernst Friedrich compilou centenas de fotografias procedentes principalmente de arquivos militares e médicos. Eram a cara oculta do conflito armado, as imagens que os governos e agências propagandísticas haviam considerado impublicáveis por sua extrema dureza e contundência. Decidido a desenhar um livro que desmontasse o heroísmo da guerra, Friedrich nos leva do cume à tumba, dos soldadinhos de chumbo aos imensos cemitérios dedicados aos caídos na Grande Guerra.

Vemos-nos ante uma das obras mais impactantes de todo o século XX, acompanhada também nesta edição de um ensaio introdutório no qual se discute a ideia de autenticidade ou verdade associada ao meio fotográfico, o auge dos foto livros na Alemanha de entre guerras ou a apaixonante história de vida de Ernst Friedrich -fundador do mítico Museu  Anti-Guerra de Berlin, arrasado pelos nazis em 1933 e reconvertido em centro de detenção e tortura das SA.

Respeitando sua formulação original e seu espírito internacionalista, todas as edições de Guerra à Guerra! Incluem os textos em quatro idiomas diferentes. Nesta ocasião: castelhano, inglês, francês e alemão.

Ernst Friedrich

Ernst Friedrich nasceu em Breslau em 1894, militando desde muito jovem no movimento obreiro e antimilitarista, e cumprindo condenação em 1916 por atos de sabotagem contra a indústria armamentísta. Em 1924, sendo já uma figura destacada, publicou Guerra à Guerra!, e, meses mais tarde, inaugurou em Berlim a primeira sede do Museu Anti-Guerra, um importante espaço político-cultural até a chegada dos nazis ao poder, quando arrasaram o lugar e Friedrich foi detido.

¡Guerra a la Guerra!

Ernst Friedrich

Introdução de Erica Grossi

Edição e tradução de Ander Gondra Aguirre

Páginas: 304 en B/N

18.50€

sanssoleil.es

agência de notícias anarquistas-ana

Livro nas mãos
O poeta declama
Chapéu na cabeça

Conceicao Chaves

María “La Jabalina”, anarquista espanhola

Recordamos nossa jovem lutadora da anarquista Coluna de Ferro, conhecida por sua coragem e valentia, como La Jabalina, foi uma das poucas mulheres fuziladas pelo fascismo franquista em Valência, no paredão de Paterna, nos anos posteriores à guerra civil. María Pérez La Cruz, torturada e assassinada em 8 de agosto de 1942.

Incorporada à Coluna com 19 anos, combateu na frente de Teruel, decidida a enfrentar os fascistas e ao mesmo tempo fazer a revolução. Foi presa em 1939. Com a cabeça raspada, os fascistas a fizeram marchar pelas ruas de Sagunto e depois suportou surras, torturas e abusos durante três anos no cativeiro.

Viu seu último amanhecer em 8 de agosto de 1942, quando foi conduzida ante um pelotão de fuzilamento em Paterna.

A memória desta miliciana sempre esteve presente, em sua família e no Movimento Libertário.

Breve biografia de María aqui:

Heroínas: María la Jabalina anarquista española (heroinas.net)

Estima-se que umas 30.000 crianças foram roubadas e suas identidades alteradas nas prisões e hospitais espanhóis durante e depois da guerra civil, pela ditadura franquista.

O filho ou filha de María Pérez La Jabalina foi um deles:

The Stolen Child of Francoism’s Last Female Shooting Victim, María Pérez Lacruz (katesharpleylibrary.net)

Sua lembrança permanece, NÃO ESQUECEMOS!!!

Fonte: https://memorialibertaria.org/maria-la-jabalina-anarquista-espanola/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/06/espanha-lancamento-hq-maria-la-jabalina-de-cristina-duran-e-miguel-a-giner-bou/

agência de notícias anarquistas-ana

O pássaro procura
os filhotes, o ninho.
Galho caído…

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Argentina] Anarcocapitalismo?

“Anarcocapitalismo”, “fascismo”, “neoliberalismo”, “imperialismo”, “colonialismo”, “extrativismo”… eles não sabem mais o que dizer para manter o “bom nome” do modo de produção capitalista a salvo. Para não chamá-lo pelo que ele é.

Não estamos nos referindo aqui aos atuais defensores rudes do capitalismo, mas a seus defensores mais sutis, seus supostos reformadores ou supostos controladores, que se concentram na parte dessa sociedade que não lhes agrada ou em alguns de seus “excessos”. Assim, temos os autoproclamados anticapitalistas que chamam certos aspectos de capitalismo e não vão ao cerne da questão, bem como os seguidores do bom capitalismo que só precisa de uma limpeza de seus aspectos mais prejudiciais, que eles preferem chamar de outra coisa. O progressismo peronista é a encarnação mais palpável e atual deste último, razão pela qual tem sido o principal partido da ordem nas últimas décadas, enquanto os primeiros se limitaram a ser o seu vagão, o que é cada vez mais evidente diante do “avanço da direita”.

Cristina Fernández de Kirchner destacou, com relação à agricultura e à mineração, que se trata de “um setor que tem crescimento, mas que, à medida que se desenvolve em nosso país, fala de um plano extrativista, ou seja, a tomada de todos os recursos naturais sem valor agregado, sem tecnologia, sem industrialização, em outras palavras, pré-capitalista, porque me lembra a Argentina do Vice-Reino do Rio da Prata, onde eles tomaram toda a riqueza e não deixaram nada, portanto, em vez de anarcocapitalismo, me parece anarcocolonialismo”.

Não há aqui nenhuma tentativa de cooptar os movimentos sociais, como algumas pessoas pensam quando compartilham com um funcionário a terminologia que consideram ser a sua própria. Se o principal gerente das duas últimas décadas de um estado que representa um espaço de acumulação de capital baseado principalmente na produção primária fala de extrativismo e colonialismo, isso nos diz mais sobre os termos usados do que sobre a pessoa que os usa ou sobre o setor que ela representa.

O discurso de um dos líderes da oposição política ao atual governo não é muito diferente do discurso da esquerda e de boa parte dos movimentos sociais. Mas não se trata de uma “apropriação” de discursos, mas de uma perspectiva que, por mais equivocada que seja, pode ser compartilhada com o peronismo, progressista ou não. E não faz sentido relembrar o envolvimento do peronismo em cada uma das transformações do capitalismo local, incluindo o chamado “neoextrativismo progressista” do kirchnerismo, se então abraçarmos a lógica do mal menor.

Em vez de se enredar em discursos, é mais pertinente analisar o lugar da Argentina e da região na divisão internacional do trabalho, bem como as características da reprodução do capital e do proletariado, a fim de compreender o conteúdo das lutas que estão ocorrendo e suas perspectivas. Caso contrário, na ausência de reflexão, a esperança política e estatista, o nacionalismo de esquerda e peronista, estará sempre à mão para manter a ordem capitalista.

Há algumas edições, refletimos sobre o slogan “a pátria não está à venda”. Lá, destacamos algo tão básico quanto fundamental: aqueles de nós que não possuem nada não podem vender algo que não nos pertence. Envolver-se na defesa dos interesses de algum setor da burguesia impede uma compreensão e uma luta que se oponha à exploração, mas, além disso, não foi demonstrado que isso necessariamente leve a uma melhoria nas condições de venda de nossa força de trabalho.

Insistimos na necessidade de questionar a normalidade com que uma sociedade de classes com que se aceita e celebra a propriedade privada dos meios de produção. Onde é necessário vender nosso tempo e energia, nossa força de trabalho, para sobreviver. Onde não podemos decidir coletivamente o que e como produzir. Onde o dinheiro é o mediador de todas as atividades e vínculos humanos. Onde impera a falta de sentido, ou melhor, a razão capitalista para casas vazias enquanto muitos dormem nas ruas e tantos outros estão superlotados. Onde toneladas de alimentos disponíveis são jogadas fora. Onde cada vez mais a população é excedente para as necessidades do capital.

Tudo isso não está abertamente em questão, mas apenas quem administra toda essa privação e alienação em nível local. Quem governa para atender aos interesses de um ou outro setor burguês.

boletinlaovejanegra.blogspot.com

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/03/espanha-a-direita-nos-rouba-os-moveis-anarquismo-e-libertario/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/05/espanha-libertario-ou-como-a-pilhagem-semantica-da-ultradireita-esta-nos-deixando-sem-palavras/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/12/29/argentina-milei-nao-e-um-libertario-ele-e-um-fascista/

agência de notícias anarquistas-ana

Leve escorre e agita.
A areia. Enfim, na bateia
fica uma pepita.

Guilherme de Almeida

[França] Reivindicação de sabotagem das linhas de TGV algumas horas antes da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris 2024.

Eles chamam isso de celebração? Nós a vemos como uma celebração do nacionalismo, uma produção gigantesca de subjugação de populações pelos Estados.

Sob o pretexto de diversão e convívio, os Jogos Olímpicos oferecem um campo de testes para a gestão policial de multidões e o controle generalizado de nossos movimentos.

Como todos os grandes eventos esportivos, eles também são uma ocasião para cultuar os valores que sustentam o mundo do poder e do dinheiro, da competição generalizada, do desempenho a todo custo e do sacrifício pelo interesse e pela glória nacional.

A exortação a se identificar com uma comunidade imaginária e a apoiar o lado ao qual supostamente se pertence não é menos prejudicial do que o incitamento permanente a ver a própria salvação na saúde da economia nacional e na força do exército nacional.

Atualmente, é preciso uma dose cada vez maior de má-fé e negação para não enxergar todo o horror gerado pela sociedade de consumo e pela busca do chamado “bem-estar ao estilo ocidental”. A França gostaria de usar esse grande evento como uma vitrine de sua excelência. Somente aqueles que decidiram colocar antolhos e tolerar o evento poderão se iludir sobre seu papel virtuoso. A eles, oferecemos nosso mais profundo desprezo.

A influência da França depende da produção de armas, cujo faturamento a torna a segunda maior exportadora do mundo. O Estado tem orgulho de seu complexo militar-industrial e de seu arsenal “made in France”. Espalhar os meios de terror, morte e devastação pelo mundo para garantir sua prosperidade? Isso é besteira.

Para o desgosto dos ingênuos que ainda acreditam em fábulas democráticas, o Estado francês também usa sua panóplia repressiva para confrontar sua própria população. Para reprimir os tumultos que se seguiram ao assassinato de Nahel pela polícia em junho de 2023 ou para tentar deter o levante anticolonial de Kanaky mais recentemente. Enquanto ele existir, o Estado nunca deixará de usá-lo para combater aqueles que desafiam sua autoridade.

As atividades das empresas francesas em todo o mundo tornam cada vez mais evidente a devastação social e ambiental causada pelo sistema capitalista. A devastação necessária para reproduzir a organização social atual e a devastação inerente ao progresso científico e tecnológico. Um progresso que só vê na cadeia de desastres passados, presentes e futuros uma oportunidade de dar um salto adiante.

A empresa petrolífera TOTAL continua a saquear e a pilhar novas regiões em busca de petróleo e gás de xisto (África Oriental, Argentina, etc.). Sob o pretexto de seu novo rótulo verde, a indústria nuclear e a exportação do know-how nuclear francês garantem, mais cedo ou mais tarde, um planeta irradiado e, portanto, literalmente inabitável. Mais uma crise a ser gerenciada pelos promotores do átomo. Eles não podem prescindir de sua cooperação com o Estado russo por meio de sua gigante Rosatom e do apoio de seu exército para esmagar a revolta no Cazaquistão em 2022, um importante fornecedor de urânio. O mineral que alimenta os 58 reatores da França.

Então, qual é o custo humano, social e ambiental de alguns poucos privilegiados viajarem rápido e longe pelo TGV? Muito alto. A ferrovia não é uma infraestrutura insignificante. Ela sempre foi um meio de colonizar novos territórios, um pré-requisito para sua devastação e um caminho pronto para a extensão do capitalismo e do controle estatal. A construção da linha Tren Maya no México, na qual a Alstom e a NGE estão colaborando, é uma boa ilustração disso.

E quanto às baterias elétricas, essenciais para a chamada “transição energética”? Fale sobre isso, por exemplo, com os trabalhadores da mina de Bou-azeer e com os habitantes dos oásis dessa região marroquina que estão pagando o preço dessa corrida do ouro do século XXI. A RENAULT extrai os minerais necessários para aliviar a consciência dos ambientalistas das metrópoles, à custa de vidas sacrificadas. Converse com os “povos da floresta” da ilha de Halmahera, no nordeste da Indonésia, os Hongana Manyawa, que se desesperam ao ver a floresta onde vivem destruída no altar da “transição ecológica”. O governo francês, por meio da ERAMET, está envolvido na devastação de terras antes intocadas. Da mesma forma, ele não quer se livrar das rochas da Melanésia para continuar extraindo o precioso níquel.

Pararemos por aqui com o impossível inventário das atividades mortais e predatórias de cada Estado e de cada economia capitalista. De nada adiantaria sair de uma vida monótona e deprimente, uma vida de explorados, e confrontar a violência dos Estados e dos líderes religiosos, dos chefes de família e das patrulhas policiais, dos patriotas e das milícias patronais, bem como a dos acionistas, empresários, engenheiros, planejadores e arquitetos da devastação em curso.

Felizmente, a arrogância dos governantes continua a se chocar com a raiva dos oprimidos rebeldes. Dos tumultos à insurreição, em demonstrações ofensivas e revoltas, por meio de lutas diárias e resistência subterrânea.

Que a sabotagem das linhas de TGV que ligam Paris aos quatro cantos da França, os gritos de “mulher, vida, liberdade” do Irã, as lutas dos amazonenses, o “nique la france” da Oceania, o anseio por liberdade no Levante e no Sudão, as batalhas que continuam por trás dos muros das prisões e a insubordinação dos desertores em todo o mundo ressoem neste dia.

Àqueles que criticam o fato de esses atos estragarem a estadia dos turistas ou atrapalharem as viagens de férias, respondemos que isso ainda é pouco. Tão pouco comparado ao evento do qual desejamos participar e que pedimos de todo o coração: a queda de um mundo baseado na exploração e na dominação. Então teremos algo para comemorar.

Uma delegação inesperada

Fonte: https://www.briega.org/es/opinion/reivindicacion-sabotaje-lineas-tgv-horas-antes-ceremonia-apertura-jjoo-paris-2024

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/11/franca-protestos-contra-as-olimpiadas-de-paris-uma-betoneira-para-turistas-e-a-especulacao/

agência de notícias anarquistas-ana

Ufa! que parece
que a gente vai caminhando
com o sol às costas!…

Jorge Fonseca Jr.

[Espanha] “Por um mundo sem gaiolas para meus amigos animais”. Carta da prisão de Estremera.

Transcrevemos a primeira carta recebida de um camarada que está preso em Estremera, Madri. Ele compartilha conosco algumas reflexões sobre sua própria prisão e também preocupações e posições sobre a prisão de animais não humanos. Achamos que foi uma bela carta e uma bela história, com a qual termina “O menino que amava os animais”.

Junho de 2024. Prisão de Estremera (Madri)

Muito obrigado por escrever para mim. Para mim, é uma injeção de apoio, pois me sinto um pouco solitário. Ainda mais agora que perdi o contato com X e outros amigos.

Eles me disseram que você recebeu meus desenhos e que eles faziam parte de sua exposição. Eles eram apenas uma parte de um texto com dez desenhos de animais, que eu intitulei “animalmente”. É uma crítica ao confinamento de gigantes enjaulados, a partir de uma perspectiva animalesca. Começa assim: “O homem, homo-sapiens, é o único animal na natureza que constrói prisões e as mantém com orgulho. O único que engana e captura prisioneiros por martírio, por ódio, desprezo, vingança, arrogância, por prazer ou puro negócio…”. Também tenho outros textos inéditos, como “negócio-prisão”, “a cultura do medo” ou “a sociedade da punição”, e desenhos anti-prisão.

Também continuo a lutar com minha caneta para denunciar os abusos e as deficiências dessa prisão em Estremera. O que estou fazendo de melhor é a questão médico-sanitária, já que estamos sendo privados de nosso direito à saúde, bem como a evidência de abusos na prisão e algumas das maldades de seus tiranos-prisioneiros. E, nesse sentido, me sinto ainda mais sozinho. O coletivo de prisioneiros dificilmente faz qualquer exigência. A maioria não tem consciência de seus próprios direitos, demonstrando pouco interesse e fazendo pouco esforço para mudar a situação. Uma triste e perigosa involução carcerária vem ocorrendo há algum tempo. Como eu digo, “os prisioneiros de hoje não são como os do passado, e muitos dos do passado mudaram”, ou assim eu penso. O prisioneiro de hoje é mais hostil ao próprio prisioneiro e mais companheiro do carcereiro.

Eu me identifico muito com o que você diz, que às vezes parece que você está em outra dimensão. Sempre me senti assim. Nunca entendi o sistema ou muitas de suas pessoas, ou o desejo de aparecer, ou de dar mais importância ao ter do que ao ser, ou a cultura do medo, ou a sociedade da punição. Nunca entendi as guerras, nem o quarto escuro, nem os maus-tratos aos animais.

Por um mundo também sem gaiolas para meus amigos animais. Eu lhe envio uma mensagem. Um grande abraço.

Cherra.

O menino que amava os animais

Tive uma infância adorável, com uma exceção: felizmente, eu era diferente. Por isso, meus pais me amavam loucamente e faziam de tudo por mim, tanto que às vezes era difícil para eles me pegarem.

Meu pai frequentemente me levava a touradas. Eu era branco e confuso, não sabia onde me esconder. Não sabia como me expressar. Então meu pai dizia à minha mãe: “O menino não gosta de touradas”.

Meu pai me levou ao circo para ver os elefantes, que para outras crianças eram majestosos. Para mim, eles também estavam acorrentados. Eu também não sabia como me expressar. Meu pai disse à minha mãe: “O menino não gosta do circo nem dos elefantes”.

Nos fins de semana, meu pai me levava ao zoológico, as crianças riam, eu chorava. Eu me escondia e fingia estar doente. Então meu pai disse à minha mãe: “O menino não gosta do zoológico nem dos animais”.

Quando eu tinha cerca de seis anos de idade, finalmente me expressei. Soltei todos os animais da casa de campo do vilarejo: as galinhas, os patos, os leitões e o lindo cavalo. Minha mãe disse ao meu pai: “Você está errado, o menino adora animais”.

Fonte: https://lacorda.noblogs.org/post/2024/07/30/por-un-mundo-tambien-sin-jaulas-para-mis-amigos-los-animales-carta-desde-la-prision-de-estremera/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Quando a chuva pára
Por uma fresta nas nuvens
Surge a lua cheia.

Paulo Franchetti

[Argentina] “De La Patagonia Trágica a La Patagonia Rebelde. Crónica de una película”, um livro de Horacio Ricardo Silva

Amigos e amigas, companheiras e companheiros: no mês passado completaram cinquenta anos da estreia de “La Patagonia Rebelde”, um dos grandes clássicos do cinema argentino de todos os tempos, aquela fiel adaptação que realizou Héctor Olivera dos dois primeiros tomos de “Los vengadores de la Patagonia Trágica”, de Osvaldo Bayer. Nosso querido amigo Horacio Silva – escritor, jornalista, historiador – nos deixou um livro inédito magnífico sobre este legendário longo metragem, ícone da cultura rebelde setentista: “De La Patagonia Trágica a La Patagonia Rebelde. Crónica de una película”. Com algo de atraso (o lançamento não pode ser na quinta-feira, 13 de junho, a data do cinquentenário), compartilhamos hoje o livro completo, em formato eletrônico PDF. É um material de acesso totalmente livre e gratuito. Valoriza-se a leitura e se agradece a difusão! Oxalá em um futuro não tão longínquo, se a situação econômica da Argentina melhora, se possa editar o livro em papel.

O prólogo foi escrito por nosso companheiro Federico Mare, também editor e revisor do livro. Nossa profunda gratidão para com a companheira de Horacio, Sonia Balzano e com seu filho Germán Silva. Sem sua predisposição, sem sua ajuda, sem seu trabalho, nada de tudo isto teria sido possível.

Saúde e RS!

http://www.librosdeanarres.com.ar/#!/producto/110/

https://kalewche.com/wp-content/uploads/2024/07/SILVA-De-la-Patagonia-Tragica-a-la-Patagonia-Rebelde.pdf

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Ao virar a esquina,
Saindo de trás do prédio –
A lua cheia.

Paulo Franchetti

Novo vídeo | Massacre em Douradina e a Resistência Kaiowá e Guarani

Em julho e agosto de 2024, as aldeias e retomadas Kaiowá e Guarani na Terra Indígena Panambi – Lago Rica, nos territórios ocupados pelos estado do Mato Grosso do Sul, tem sofrido ataques armados a mando de latifundiários. Dezenas de pessoas ficaram gravemente feridas. A Força Nacional esteve presente, mas permitiu as agressões contra a comunidade indígena. O Ministério dos Povos Indígenas enviou representante, que solicitou que as vítimas do massacre fossem mais pacíficas.

Embora o governo federal de Lula e seu Partido dos Trabalhadores afirme defender a luta dos povos indígenas, investe muito mais no agronegócio e outros projetos que ameaçam suas terras e modo de vida, do que na defesa desses territórios.

Seja sob governos de direita ou de esquerda, o massacre continua. Pois o genocídio indígena é um dos pilares do Estado Brasileiro. Desde sua criação. O Estado depende do crescimento econômico contínuo e por isso precisa aniquilar as vidas e culturas indígenas que protegem as florestas, para assim poder explorar suas terras e recursos. Nenhum governo vai mudar isso.

Para que os povos indígenas possam viver, o Estado deve morrer.

Vamos somar forças nos territórios e nas cidades, para queimar as instituições que botam fogo na floresta. Junte-se às mobilizações contracoloniais e as frentes de contrataque. Antes que seja mais tarde ainda.

>> Assista o vídeo aqui:

https://kolektiva.media/w/oSEEwDFdY2ozWHUSs6NVjp

agência de notícias anarquistas-ana

cai, riscando um leve
traço dourado no azul
uma flor de ipê!

Hidekazu Masuda

[México] Reivindicação de ação contra a “Torre del Bienestar”: “Decidimos agir diante da devastação capitalista”.

No domingo, 4 de agosto de 2024, detonamos uma bomba feita de dinamite, pólvora e gás butano nas instalações da chamada “Torre del Bienesta ” na Cidade do México. Decidimos agir diante da devastação capitalista que se impõe, NÃO VAMOS CEDER. Eles não podem nos oferecer nenhuma “esmola”, nós continuaremos agindo. Até o fim.

Não queremos a depredação civilizatória deles, queremos ser selvagens, nos unir à natureza. E nós somos a natureza se defendendo, e… nunca vamos parar. Nem nós nem nossas filhas seremos seus servos, nem seus cozinheiros, nem seus objetos de estupro. Preferimos lutar, lutar até o fim deles ou o nosso. Não temos medo deles.

Mas sua ordem predatória não será imposta. O “candidato” mexicano só oferece mais depredação. Nós lutaremos contra isso.

Coordinadora Informal de Mujeres Anarquistas contra la depredación Civilizatoria. Agrupamos a Coordinadora de mujeres anarquistas para la defensa de nuestro cuerpo-territorio (sul) e o Comando Feminista Informal de Acción Antiautoritaria (centro-sul).

Estamos juntas agora contra sua “civilização” predatória. Norte, centro e sul do México.

Liberdade aos prisioneiros anarquistas!

Liberdade a Mônica Caballero

Francisco Solar Liberdade!

Alfredo Cóspito Liberdade!

Não descansaremos até que a última jaula caia!

agência de notícias anarquistas-ana

No meio da noite,
A voz das pessoas que passam —
Que frio!

Yaha

“Acham que conhecem a Venezuela melhor que nós?”

Porém, dois dias depois, o secretário-geral do Partido Comunista Venezuelano, Óscar Figuera, entrevistado por um jornal português (aqui), perguntou aos dirigentes do PCP: “Acham que conhecem a Venezuela melhor que nós?” Com efeito, o Partido Comunista Venezuelano conta-se entre as muitas forças políticas que duvidam dos resultados eleitorais apresentados pelo governo de Nicolás Maduro.

E as perguntas de Óscar Figuera continuam: «Sabem como os trabalhadores e os sindicalistas que reclamam os seus direitos são presos? Sabem que os sindicatos não podem realizar as suas eleições porque [Nicolas Maduro] interveio judicialmente, porque o governo não tinha possibilidade de vencer junto dos sindicatos? Se eles sabem que se está a destruir parte da Amazónia como consequência da forma como se exploram as minas neste país? Se eles sabem que não se respeita a Constituição nos processos [judiciais], e que se incrimina quem o Estado considera que está a cometer um delito político?…» E Óscar Figuera concluiu: “Vale a pena perguntar-lhes se sabem tudo isso. E em consequência, se o nosso “partido irmão” está a privilegiar a situação do governo da Venezuela na geopolítica e não vê o que se está a passar com a classe trabalhadora e o povo venezuelano às mãos de um governo burguês”.

Para que não restassem dúvidas, o secretário-geral do Partido Comunista Venezuelano afirmou: “Sabemos que o PCP considera que a Venezuela está num processo revolucionário, que tem um presidente com uma política patriótica, o que não é verdade porque o governo está a entregar a riqueza do país às grandes empresas internacionais”.

“Acham que conhecem a Venezuela melhor que nós?”, perguntou o comunista venezuelano aos comunistas estrangeiros que defendem o regime de Maduro. Pela nossa parte, sugerimos-lhes que em vez de se limitarem a beneficiar do turismo político a expensas do regime bolivariano, emigrem para a Venezuela. Por que não vão para lá trabalhar?

Fonte: https://passapalavra.info/2024/08/153859/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/08/02/franca-que-venezuela-queremos/

agência de notícias anarquistas-ana

Passa um cão
com neve nas costas –
onde a leva?

Stefan Theodoru

“Violência contra familiares de pessoas privadas de liberdade por razões políticas em Cuba”

Por Justicia 11J

Quarta-feira, 31 de julho de 2024

No marco do terceiro aniversário dos massivos protestos de julho de 2021 em Cuba, e prévio à publicação de nosso relatório anual “Otro ano sin justicia” (2024), compartilhamos o informe “Violência contra familiares de pessoas privadas de liberdade por razões políticas em Cuba”, um esforço de Justicia 11J por aprofundar na visibilização da vivência de familiares de pessoas privadas de liberdade por razões políticas durante os últimos anos em Cuba.

A partir da análise de 250 eventos e 80 vítimas se descrevem padrões no comportamento da repressão contra familiares de pessoas privadas de liberdade por razões políticas. Com a data disponível, identificamos a prevalência de incidentes de Violência, o comportamento da Segurança do Estado como agente principal da vitimização, a tendência para a prevalência das mulheres no papel de cuidadoras, a prática da violência contra grupos vulneráveis, assim como a proporcionalidade na busca da justiça, entre comunidades onde residem mais familiares perseguidos, ao mesmo tempo em que mais pessoas presas políticas.

Da mesma forma, se descrevem os incidentes de perseguição e repressão mais vistos por Justicia 11J até a data: assédios, limitações à comunicação, obstáculos à visita, regulações da saída do país, citações a interrogatórios, descréditos, ameaças, cercos policiais, detenções, violência física e repressão a protestos. Ademais, se mencionam outros incidentes relacionados com este grupo de interesse: protestos, saídas ao exílio e inícios de greves de fome como via para reclamar a liberdade dos entes queridos.

Também ao longo do informe se descrevem e analisam padrões diferenciados da repressão. Faz-se especial ênfase na fúria contra mulheres e crianças, entendendo que não são estes os únicos grupos vulneráveis ou vulnerabilizados possíveis. E finalmente, se formulam recomendações à comunidade internacional e à sociedade civil cubana, com intenção de potencializar a visibilidade da situação dos familiares das pessoas privadas de liberdade por razões políticas, e de ajudar na criação de laços de solidariedade com ambos os grupos vulneráveis.

Leia nosso NOVO RELATÓRIO aqui:

https://justicia11j.org/informe-violencia-contra-familiares-de-personas-privadas-de-libertad-por-razones-politicas-en-cuba/

Fonte: https://justicia11j.org/informe-Violência-contra-familiares-de-pessoas-privadas-de-liberdade-por-razões-politicas-en-cuba/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/23/3-anos-apos-o-11j-mais-de-600-pessoas-continuam-presas-por-protestos-pacificos-em-cuba/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/06/uma-nova-onda-de-repressao-feroz-em-cuba/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/12/chega-de-presos-politicos-em-cuba/

agência de notícias anarquistas-ana

sopra o vento
sento em silêncio
sentir é lento

Alexandre Brito

[EUA] Cyprus Hartford liberada de intimação federal

Para aqueles que resistem,

Em 26 de julho, depois de uma provação de quase dois meses, fui liberada de minha intimação federal do grande júri pela Procuradoria da Carolina do Sul. Estou muito aliviada por não ter que comparecer ao tribunal. Isso não teria sido possível se uma comunidade solidária não tivesse me apoiado durante todo esse processo. Sou incrivelmente grata por todo o amor que recebi.

O Estado procura nos separar porque sabe o quanto somos fortes quando estamos juntos. Os federais viram a demonstração de solidariedade que vocês demonstraram por mim e decidiram não testar nossa determinação. Quando nos aproximamos uns dos outros em vez de nos isolarmos, temos o poder da comunidade. Nossas estruturas de apoio rivalizam com as do Estado. Por meio de gerações de luta e repressão, construímos um poder duplo dessa forma.

Se eles vierem atrás de você e de sua comunidade, espero poder demonstrar o mesmo apoio, amor e solidariedade que vocês demonstraram por mim. As intimações podem e devem ser sempre contestadas. O poder coercitivo do Estado é insignificante em comparação com o poder que temos quando estamos juntos. Podemos manter um muro de silêncio que mantém todos nós mais seguros. Somos mais fortes quando nenhum de nós coopera [com a polícia]. Tive a sorte de receber muito apoio de antigos resistentes do grande júri e, agora que minha provação terminou, espero poder transmitir minha experiência aos que vierem depois de mim.

Em 12 de agosto, ainda haverá uma fogueira perto de Charleston, mas será uma comemoração. Haverá s’mores e outras atividades tradicionais de fogueira. Por favor, considere a possibilidade de adquirir uma bandeira americana para essa ocasião.

Estamos vivendo em um novo Green Scare. O governo federal aproveitou a oportunidade de destruir um alvo que considerava fraco e, quando se deparou com uma pontinha de resistência e solidariedade de todo o país, recuou. Precisamos nos aproximar uns dos outros, criando conexões entre as linhas estaduais e internacionais. Vencemos quando juntamos nossos recursos. Nossa maior força está em nossas redes. Nós nos mantemos seguros.

Com amor, raiva e solidariedade,

Cyprus Hartford

Elu/Ela

Tradução > Contrafatual

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/16/eua-uma-atualizacao-da-opositora-do-grande-juri-cyprus-hartford/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/07/15/eua-anarquista-resiste-ao-grande-juri-na-carolina-do-sul/

agência de notícias anarquistas-ana

de momento em momento
tudo que eu digo
se choca com o vento

Camila Jabur

[Alemanha] Regressa a Feira do Livro Anarquista de Berlim, com algo mais que livros

A Feira do Livro Anarquista de Berlim regressa 8 anos depois e acontecerá de 5 a 8 de setembro de 2024 em New Yorck em Bethanien 2 B, 10997 Berlim-Kreuzberg 36. A última vez que aconteceu algo assim em Berlim, que saibamos, foi em 2016, quando aconteceram os Dias das Ideias e Publicações Anarquistas. Não só passaram demasiados anos desde então, mas que também é importante organizar de novo um evento regular em Berlim em termos da difusão das ideias anarquistas e revolucionárias. A feira do livro não deve ver-se como algo efêmero, mas como um evento contínuo que deve acontecer a cada ano. Desde princípios da década de 2010, as feiras do livro anarquista em toda a Europa, desde a península Ibérica até os Bálcãs, contribuíram para um mais que bem vindo ressurgimento das ideias e práticas anarquistas. O resultado não foi só a conexão e a referência entre companheiros de todo o mundo, mas também uma internacionalização dos debates. E isto é o que queremos conseguir com esta feira do livro.

Há muitas razões para celebrar feiras do livro anarquista em Berlim e em outros lugares, para dar mais espaço aos livros anarquistas, portanto às ideias anarquistas, mas, é isso exatamente o que queremos? É suficiente com que montemos algumas mesas de livros, façamos algumas leituras de livros, passemos um momento juntos? Não, não é suficiente, porque o que queremos, sobretudo é intensificar os debates que tem que desembocar na prática. Os livros e todos os produtos escritos são, portanto, veículos importantes que podem conectar-nos a todos, mas os livros em si mesmos não são nada, é o conteúdo que contem o que é útil, é a prática a que dão forma a um movimento real. O conteúdo inclui todo tipo de temas e perguntas que deve discutir-se em um debate. O objetivo deste debate, destas discussões que temos que ter aqui e em todo o mundo, tem um só objetivo: por fim ao mundo do capitalismo e tirá-lo de seus cimentos. Isto se faz mediante a prática da insurreição, a guerra de classes, a guerra social, para desembocar em uma revolução social mundial. Por isso, o debate intensivo entre anarquistas e todos os revolucionários que porão fim de imediato ao Estado-nação, ao capital e ao patriarcado.

Portanto, além da necessidade de intensificar os debates específicos, também haverá prioridades de conteúdo para a feira do livro.

  • A atitude para a guerra (na Ucrânia e em outros lugares).
  • Tratar o tema do nacionalismo-nação-povo-Estado, que não se podem separar um do outro.
  • A difusão de ideias anarquistas e revolucionárias através de livros, propaganda, prática, etc.

Alguém poderia pensar que o movimento anarquista já chegou a uma resposta e postura coerente sobre muitas questões, mas como diz o dito entre alguns anarquistas, não há nada mais radical que a realidade e isto se expressou novamente. Um dito muito mal entendido, porque os supostos anarquistas ainda estão do lado do Estado-nação, alguns dos quais supostamente creem que estão combatendo. De que estamos falando agora?

Nos referimos a Catalunha, Curdistão, os mapuches, Palestina, Ucrânia ou tantos outros exemplos passados e presentes? Estamos falando de participar em eleições, apoiar partidos, proteger a democracia (quer dizer o Estado capitalista), legitimar o monopólio da violência, ou tudo ao mesmo tempo? Isto também o podemos ver em relação com o COVID não só a “impotência” na qual é capaz de cair um movimento anarquista, mas também o impulso com o qual é capaz de legitimar o Estado. Mas, que pode ter tudo isto que ver com o anarquismo, com um movimento anarquista? Muito simples, nada de nada.

Mas, a que queremos chegar com tudo isto, que tem que ver com o dito mencionado anteriormente e que tem que ver com esta Feira do Livro Anarquista? Simplesmente, a realidade sempre alcança a quem não tem claro quem são, o que os leva a defender posições que na realidade não são as suas. Isto o vemos melhor nos exemplos mencionados anteriormente. A realidade está alcançando a todos os que se creem tão incrivelmente radicais, quando só construíram suas posições sobre o idealismo e a areia, e o que resulta disso são posições e atitudes que só servem ao reformismo e à contrarrevolução.

Isto nos leva à necessidade de debates que devem levar à prática para resolver a confusão do momento atual.

Portanto, a feira do livro também deveria centrar-se em questões sobre a guerra em geral e as guerras específicas, tanto atuais como históricas, e por que são inerentes ao Estado-nação capitalista, por que nossa relação com ele é só uma hostilidade irreconciliável. Portanto, não só a agitação, a propaganda, mas também as posições substantivas são de imensa importância e necessidade. Que significa isto para o movimento anarquista? O que diz dele o que pessoas que se chamam anarquistas participem em guerras intraburguesas entre as diversas facções do capitalismo? Isto segue sendo anarquismo ou revolucionário? E que opções temos para poder atuar de maneira revolucionária nas guerras? E, sem dúvida, mil perguntas mais que jogarão e seguem jogando um papel neste contexto.

Portanto, para discutir estas questões e muitas outras, convidamos a todos os que sintam a necessidade de abordar estes temas à Feira do Livro Anarquista de 5 a 8 de setembro de 2024 em Berlim-Kreuzberg.

Se queres organizar uma mesa informativa, se queres iniciar um debate, entre em contato aqui: abmb@riseup.net, mais informação em anarchistischebuechermesse.noblogs.org

Agitação, insurreição, anarquia!

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Ruídos nas ramas.
Trêmulo, meu coração detem-se
e chora na noite…

Matsuo Bashô

Louise Michel: nem extremismo, nem colaboração

A anarquista francesa Louise Michel (1830-1905) foi “homenageada” na abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, mas o cenário e a função memorial da “homenagem”, muito atreladas ao Estado francês, são uma afronta à trajetória da combativa figura histórica. Neste texto, Alexandre Samis e Antony Devalle analisam o acontecimento e criticam a apropriação feita durante o evento. Trata-se de uma análise que mostra como a utilização de uma estátua em suposta homenagem pode também servir para deturpar e/ou silenciar o legado da luta daquela que empunhou a bandeira negra.

Por Alexandre Samis e Antony Devalle

A abertura dos Jogos Olímpicos na França contou, como de hábito, com ampla cobertura midiática e alimentou com imagens, símbolos e frases de efeito o aparentemente insaciável apetite por emoções circunstanciais. Ao que tudo indica, os organizadores da celebração desportiva optaram por sublinhar a importância do país-sede para o mundo. A relevância da França para o “foro civilizatório”, para a constituição de um Estado-nação forte e que se quer universal.

Para tanto, não podiam faltar as costumeiras associações arbitrárias, as recorrentes falsificações, sempre fartamente regadas com atos da mais escandalosa hipocrisia. Estamos falando aqui de um tipo de memória que, ao servir ao poder, homenageia o cinismo, corrompe o sentido do sacrifício e, por fim, esteriliza a potência transformadora dos atos. Uma verdadeira burla que, mesmo sob a aparência de homenagem, degrada os agraciados colocando-os a serviço de uma causa contra a qual sempre se bateram.

Mais objetivamente, estamos nos referindo ao fato de que entre as muitas formas de ilusionismo, os organizadores acharam por bem destacar 10 mulheres francesas que, supostamente, teriam colaborado para que a história do país não fosse irrelevante para o resto do mundo. Convertidas em monumento, essas mulheres passaram a servir de testemunhas mudas, obrigadas a assistir ao triste espetáculo para o qual foram compulsoriamente obrigadas a comparecer. Um evento que convoca igualmente as reputações das homenageadas para, logo em seguida, amesquinhá-las até que sejam reduzidas à estatura que o Estado sempre lhes conferiu.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://patosaesquerda.com.br/nem-extremismo-nem-colaboracao/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/08/01/franca-jogos-olimpicos-de-paris-2024-espetaculo-em-toda-parte-revolucao-em-lugar-nenhum/

agência de notícias anarquistas-ana

Gotas de sangue
estão prestes a pingar:
pitangas maduras.

José N. Reis

[Polônia] 24 de agosto, Varsóvia – 15 anos da Cruz Negra Anarquista da Bielorrússia

Este ano, a ABC-Belarus comemora seu 15º aniversário. A luta, a repressão e a migração se tornaram uma realidade para muitos de nós. Nesses tempos difíceis, queremos encontrar nossos companheiros que continuam a apoiar nosso trabalho e os prisioneiros, apesar de suas próprias dificuldades. Queremos celebrar a existência de solidariedade em nosso movimento que nos permite continuar organizando a resistência contra a ditadura, o capitalismo e os impérios.

Vejo você em Varsóvia!

abc-belarus.org

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

ao voltar dos campos
abro a porta
e a lua entra comigo

Rogério Martins