[Espanha] II Encontro do Livro Anarquista de Santander (ELADOS)

Por que um encontro anarquista do livro e por que 6 anos depois?

Temos o prazer de anunciar que estamos de volta com uma nova edição do Encontro do Livro Anarquista de Santander. O primeiro encontro foi realizado em 2018. Embora estejamos acostumades a organizar esse tipo de evento anualmente, demoramos um pouquinho. Tanto que, quando nos reunimos novamente, uma das primeiras perguntas que nos fizemos foi: por que um encontro de livros anarquistas?

Precisamente, como o nome sugere, porque sentimos a necessidade de fazer um “encontro”. Um encontro motivado por várias razões: pela importância e pela necessidade de criar espaços comuns para anarquistas na Cantábria. Espaços que, nos últimos anos, foram murchando e encolhendo em detrimento de outras propostas políticas não relacionadas e até mesmo claramente hostis às nossas ideias. Sentimos a necessidade de compartilhar e trocar ideias anarquistas entre nós e com a companheirada de outros territórios. Também queremos apostar na cultura e na diversidade que definem o anarquismo, fazer um trabalho de propaganda e mostrar “para fora” aquilo pelo que lutamos todos os dias, contribuir para o debate, nos organizar.

Por outro lado, consideramos importante, como se faz em muitos outros lugares, destacar aqui a ampla produção bibliográfica que bebe e nasce das ideias que surgem do anarquismo, e também o indiscutível trabalho e dedicação das pessoas que a tornam possível, desde indivíduos, até pessoas organizadas em coletivos, distribuidores, livrarias, editoras, as pessoas por trás de cada autor e aqueles que leem… Todos esses elementos motivam e dão sentido a esses encontros, como plataformas de divulgação e espaços de compartilhamento e aprendizado, de expressão. Não queremos que esta seja uma simples feira de livros, embora o livro seja o protagonista. Queremos que ocorram atividades, palestras, oficinas, expressões políticas e artísticas diversas, trocas de ideias que, acreditamos, fazem desses encontros uma ferramenta essencial e necessária para nossas lutas.

E por que 6 anos depois?

O primeiro encontro do livro anarquista de Santander ocorreu em um momento em que o ciclo político iniciado após o 15M ainda não havia se esgotado completamente e era alimentado por eventos políticos relevantes que estavam ocorrendo na época, como a greve feminista do 8M 2018. Isso, juntamente com os caprichos do destino, significou que um bom punhado de anarquistas baseados na Cantábria coincidisse em várias lutas e resistências. A OSC La Lechuza reuniu parte dessas energias que conduziram e motivaram a organização do encontro. Sentimos que foi um sucesso na época, e foi assim que permaneceu na memória da maioria das pessoas que participaram dele. Foi um sucesso não só pelo fato de ter sido realizado, mas também por ter sido muito bem recebido, por ter servido para tecer redes e nos reunir dentro e fora de nossas fronteiras territoriais. Foram 3 dias de envolvimento absoluto, além de meses de trabalho prévio. Demos tudo de nós e cobrimos tudo o que nossas mentes e corpos podiam cobrir e, graças ao apoio de muitas pessoas e coletivos, o evento foi adiante. Não temos palavras para descrever esse sentimento.

Mas esse marco na história recente do anarquismo cantábrico foi seguido por anos difíceis. A própria exaustão gerada pela reunião, as crises internas na OSC, a pandemia e o fim do ciclo político mencionado, bem como nossas próprias circunstâncias pessoais, reduziram o desejo e a força para assumir e organizar outro encontro. Passamos por vários conflitos políticos e pessoais consecutivos. Entrar em detalhes seria só morbidez, mas é verdade que, nos movimentos sociais, as divergências causam estragos e o gerenciamento desses conflitos traz à tona nossa falta de ferramentas para resolvê-los, em muitos casos com várias consequências, como foi o caso desse longo hiato.

Mas nem tudo é desgraça e tristeza. Muitas das pessoas que participaram do primeiro encontro se reuniram novamente, provando a nós mesmos que os laços que criamos naquela época não foram rompidos, mas, pelo contrário, foram fortalecidos. Sem elas, esse segundo encontro não teria sido possível. O processo de organização nos ajudou a compartilhar essas experiências passadas, a aprender com elas, a continuar construindo e melhorando a nós mesmos e, em resumo, a reforçar as redes existentes e tecer novas. As portas se fecham, mas as janelas se abrem. Seguimos em frente, e com grande entusiasmo.

VOLTAMOS A NOS ENCONTRAR!

Em 5, 6, 7, 8 e 14 de setembro em Santander – 2024

encuentrolibroanarquistasantander.noblogs.org

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

sol em plenitude
uma rã pula — em versos
barulho de Vida

Roséli

[EUA] James C. Scott (1936-2024)

O prolífico acadêmico teve uma influência monumental nos estudos agrários e anarquistas do sudeste asiático.

O pesquisador e autor James C. Scott faleceu em sua casa de Connecticut este 19 de julho. Tinha 87 anos. Suas obras fundamentais incluem The Moral Economy of the Peasant, Weapons of the Weak, Domination and the Arts of ResistanceThe Art of Not Being Governed, Two Cheers for Anarchism, e Against the Grain.

Scott cresceu em Nova Jersey, teve uma educação quaker. O evangelho social quaker e os campos de trabalho de uma semana em refúgios para pessoas em condição de rua, prisões e espaços similares deixaram uma profunda impressão em sua visão de mundo e da política. Se encontrava estudando Economia Política em Williams College, com especialização em Economia, mas se enamorou em seu último ano e se distraiu de seus estudos. No momento de defender sua tese de licenciatura seu assessor rechaçou seu trabalho. Obrigado a buscar um novo patrocinador, se topou com a porta do economista William Hollinger, que sentia curiosidade pelo desenvolvimento econômico da Birmânia (Mianmar). Converteu-se em orientador de Scott, que depois de terminar sua licenciatura postulou o programa de pós-graduação em Economia em Yale. Scott teve a oportunidade de visitar o norte da África esse verão, o que não lhe permitiu fazer o curso de cálculo, o que provocou seu translado ao departamento de Ciências Políticas.

Scott decidiu que para chamar a si mesmo um pesquisador “camponês” necessitava envolver-se de fato no trabalho etnográfico de campo, uma medida que seus colegas politólogos pensavam que era, no pior dos casos, um suicídio profissional e, no melhor deles, uma perda de tempo. Passou quatorze meses em uma aldeia da Malásia que se converteu na coluna vertebral da investigação que derivou em Weapons of the Weak. Este trabalho captou a atenção de antropólogos como Clifford Geertz e Benedict Anderson; um politólogo que utilizava a etnografia como parte de sua metodologia era algo inaudito nesse momento. O livro também foi criticado por Edward Said, que pensava que expor e analisar as estratégias “ocultas” dos subalternos minava sua capacidade de resistência. Isto abre uma pergunta mais ampla sobre a natureza da própria investigação desde o radical: quando dissecamos e fazemos legíveis os mecanismos e táticas de resistência e rebelião, atenuamos seu potencial? Nos atrapalhamos com nossa própria investigação?

Pode ser que Scott não tenha se identificado publicamente como anarquista, mas certamente o era. Em Two Cheers for Anarchism emprega o que ele chama um “estrabismo anarquista”: posicionar-se para obter ideias a partir de “formas informais de cooperação, coordenação e ação que encarnam [o princípio de Proudhon de] mutualidade sem hierarquia”. Outro conceito útil desse trabalho é o de “ginástica anarquista”, a ideia de que devemos manter-nos ágeis incorrendo em violações rotineiras de leis menores: cruzar a rua imprudentemente, roubar em supermercados, perambular e similares, pois algum dia será necessário violar leis maiores. Sua resenha de The World Until Yesterday, de Jared Diamond, é muito recomendável, uma leitura prazerosa e útil para o anarcoprimitivismo em sua vida.

Seria negligente não reconhecer a controvérsia em torno de Scott, quem alguma vez solicitou unir-se à CIA, informando inicialmente de forma voluntária sobre o ativismo estudantil birmano para, mais tarde, negar-se a fazê-lo, mas aparentemente continuar proporcionando informes de maneira acidental. Conhecer esta história é importante, mas não estou em desacordo com as afirmações de que de alguma maneira contamina sua pesquisa e suas contribuições. Kropotkin foi moldado pelas interações com os servos que pertenciam a sua família aristocrata. Chelsea Manning pode filtrar esses documentos devido a que estava no exército dos Estados Unidos. Voltando a Birmânia, George Orwell desenvolveu seu ódio pelo imperialismo depois de servir para a Polícia Imperial Índia aí mesmo. As pessoas se moldam pelas coisas que fazem, incluídas aquelas das quais se arrependem.

Conheci Scott uma vez na primeira conferência da North American Anarchist Studies Network em Hartford, Connecticut, em 2009. Falamos um pouco, nesse momento eu acabava de terminar minha tese sobre a transição do comunismo ao capitalismo na Mongólia e seus impactos nos pastores nômades, assim que tínhamos os estudos agrários como língua vernácula comum. Creio que filosoficamente Scott se sentia muito anarquista. De nossas breves conversações presumo que evitou usar essa etiqueta porque sua investigação não se baseava no trabalho de escritores anarquistas clássicos, uma condição que a maioria dos anarquistas autoproclamados evitaria.

Scott deixa os filhos e sua companheira, a antropóloga Anna Tsing.

James Birmingham

* O autor é membro do Conselho de Administração do Instituto de Estudos Anarquistas e membro fundador do Black Trowel Collective.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/07/25/james-c-scott-1936-2024/

Tradução > Sol de Abril

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O casulo feito
bicho dentro dele dorme
vestido de seda.

Urhacy Faustino

Monstro dos Mares: Navegando novos rumos na publicação anarquista

A Monstro dos Mares, uma editora de publicações anarquistas, agora está em Cachoeira do Sul/RS, cidade onde foi fundada em junho de 2013. Após oito anos no Paraná, onde aprendemos muito sobre processos editoriais, produção artesanal, distribuição e, principalmente, a criação de comunidades por meio do livro impresso e suas possibilidades, retornamos ao interior e iniciamos a implementação de mudanças significativas em nosso modo de produzir.

Com o passar dos anos, novas necessidades e configurações demandaram novas soluções. Hoje, precisamos encontrar maneiras de continuar existindo como coletivo editorial em um momento de distâncias – e isso afeta diretamente as nossas possibilidades de produção artesanal.

Por isso, todas as publicações passaram a ser produzidas em gráfica e conforme a demanda de pedidos em nossa loja. Além disso, alguns livros estão disponíveis em diferentes marketplaces.

Para realizar essa transição, foi necessária uma reformulação de nosso catálogo, que passa agora a ser constituído apenas de livros. Os zines que integravam o catálogo da Monstro dos Mares passarão a ser produzidos pelas amizades da Impressora Anarquista (https://impressora-anarquista.lojaintegrada.com.br), de Goiânia/GO.

A Monstro dos Mares continua produzindo com a mesma radicalidade desses 11 anos, e celebramos as cinco impressoras, a impressão de um milhão de folhas e a produção de milhares de livros e zines artesanais.

Neste novo capítulo, nos dedicaremos a encontrar novos títulos, elaborar mais textos e lançar publicações que possam contribuir com a educação e as ideias de quem está fazendo o século 21, seja na escola, nos movimentos sociais, nas universidades, no trabalho, no campo ou na cidade.

Içamos nossas velas, mais uma vez navegando sonhos e desejos em direção à Utopia, na companhia das amizades com quem compartilhamos as águas turbulentas das publicações independentes de livros anarquistas no nosso tempo.

monstrodosmares.com.br

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/11/29/criamos-a-monstro-dos-mares-dentro-de-uma-garagem-numa-noite-fria-de-inverno/

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Sertão nordestino —
mandacaru solitário
enfeita a paisagem.

Renata Paccola

Flecheira Libertária 772 | “Eta vida besta com deuses e satãs.”

a moderação da semana

Enquanto os(as) conformistas reverenciam Trump, os(as) conformados(as) acatam e, sobretudo, aplaudem a vice de Biden e encarceradora da Califórnia, embalados pela música-grana de Beyoncé. Eta vida besta!

por aqui…

o rebanho do “novo pai dos pobres”, ao contrário do que muitos supõem ou fingem supor, gosta de compra e venda de armas, de militarização das escolas e clama por punição. Seus costumes são tão conservadores e, em muitos casos, reacionários como o das ovelhas que marcham em direção ao homem que sentava no trono do palácio. O óbvio: suas condutas são mais do mesmo. O resto é retórica que visa recrutar novos voluntários – os tolos que almejam “contribuir” – para uma ou outra manada.

ainda por aqui…

o rebanho e a revoada por terra e ar, junto ao cardume por água, perseguem conformados os seus conformismos, também autocráticos, indiferentes aos governos policiais e milicianos, gabando-se de suas condutas fascistas e democráticas. Eta vida besta com deuses e satãs.

>> Para ler o Flecheira Libertária 772 na íntegra, clique aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/07/flecheira772.pdf

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os raios de sol —
como fios de cortina
a esgarçar a nuvem.

Guilherme Aniceto

[Reino Unido] Gaetano Bresci, 1869-1901

Um breve relato da vida de Gaetano Bresci, que em 1900 assassinou o rei Umberto I da Itália em resposta a um massacre de trabalhadores em Milão.

Por Sam Lowry

Gaetano Bresci nasceu em 11 de novembro de 1869 em Coiano, um pequeno vilarejo na comuna de Prato, na Toscana, região central da Itália. Seus pais o mandaram para o trabalho ainda jovem, durante o qual ele trabalhou como tecelão de seda, profissão que manteve por toda a vida.

Em uma época em que as ideias anarquistas estavam começando a se espalhar pela Itália, com a Toscana em particular se tornando um reduto de atividades radicais, Bresci se envolveu em um grupo anarquista. Pouco se sabe sobre as atividades do grupo, mas está claro que Bresci cumpriu uma curta sentença na prisão por estar envolvido em um “distúrbio anarquista”.

Após sua libertação, Bresci emigrou para os Estados Unidos, morando primeiro em New Hoboken, onde se casou com uma imigrante irlandesa em 1897. Ele e a esposa se mudaram logo depois, estabelecendo-se na grande cidade industrial de Paterson, Nova Jersey, onde começou a trabalhar como tecelão em uma das inúmeras fábricas da cidade, com um salário de US$ 15 por semana.

Envolvendo-se em um grupo anarquista local, Bresci e seus companheiros começaram a apresentar as ideias anarquistas para a considerável população de imigrantes italianos em Paterson, acabando por criar um jornal, La Questione Social. Ganhando reputação como um propagandista habilidoso, Bresci tornou-se um dos principais colaboradores do jornal, dedicando grande parte de seu tempo livre a escrever e a se organizar entre os trabalhadores imigrantes das fábricas.

Ao ouvir e relatar notícias do movimento trabalhista e anarquista internacional no La Questione Social, Bresci estava bem ciente da situação política e social cada vez mais instável na Itália. Em 1898, ele recebeu a notícia de um evento em sua terra natal que mudaria sua vida para sempre. Após uma prolongada campanha de greves e manifestações em toda a Itália para protestar contra o aumento do custo de vida, uma manifestação em massa de trabalhadores foi realizada nas ruas de Milão em 6 de maio de 1898. A marcha se tornou cada vez mais violenta e, temendo um ataque ao Palácio Real, as tropas receberam ordens para atirar na multidão. Os tiroteios, conhecidos como o massacre de Bava-Beccaris em homenagem ao general que ordenou o ataque, deixaram centenas de mortos.

Desejoso de vingar os trabalhadores que haviam sido mortos nas ruas de Milão naquele dia, Bresci começou a planejar um assassinato que atingiria os mais altos escalões da ordem social italiana. Inesperadamente, em maio de 1900, Bresci se aproximou de seus companheiros do La Questione Social e exigiu a devolução de um empréstimo de US$ 150 que havia sido usado para fundar o jornal. Sem oferecer nenhuma explicação para suas ações e deixando seus companheiros profundamente amargurados com ele, Bresci deixou os Estados Unidos em 17 de maio de 1900 com a intenção de assassinar o rei Umberto I da Itália.

Dois meses depois, Bresci foi para a pequena cidade de Monza, cerca de 16 quilômetros ao norte de Milão. A cidade era o local de uma das vilas reais do rei, na qual ele ficaria hospedado por várias semanas. Foi lá que Bresci cometeu seu atentado. Na noite de 29 de julho, enquanto o rei distribuía prêmios aos atletas após um evento esportivo, Bresci saiu do meio da multidão e disparou três vezes contra o rei, matando-o quase que imediatamente.

Representado pelo famoso advogado anarquista Francesco Saverio Merlino, Bresci foi julgado em Milão e, em 29 de agosto, foi condenado a trabalhos forçados em Santo Stefano, a ilha-prisão famosa por seus muitos prisioneiros anarquistas e socialistas. Ele não ficaria por muito tempo. Menos de um ano depois, foi encontrado enforcado em sua cela e seu corpo foi jogado no mar pelos guardas da prisão logo em seguida. Embora o suicídio tenha sido apresentado como a explicação oficial para sua morte, isso foi amplamente contestado na época e agora parece mais provável que ele tenha sido morto por seus guardas.

Os relatos sobre a vida de Bresci nos dizem que ele era um homem sensível, altamente suscetível às injustiças cometidas contra os trabalhadores. Foram essas características que o levaram a dar sua vida por uma ação que, segundo ele, aumentaria a consciência social da classe trabalhadora italiana e aceleraria o caminho para a revolução.

Fonte: https://libcom.org/article/bresci-gaetano-1869-1901

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Ipê roxo
desmente sozinho
o mês de agosto

Norma Shirakura

[Canadá] Convergência Tecnológica Anarquista de Montreal

Junte-se a nós na Convergência Tecnológica Anarquista de Montreal (Montreal Anarchist Tech Convergence)

No fim de semana de 7 e 8 de setembro de 2024

Dentro e nos arredores do Bâtiment 7 Tiohtià:ke (Montreal, Quebec)

Em meio à destruição esmagadora causada pelo complexo militar-industrial em expansão e à recuperação do hack pelos “bros” tecno-capitalistas, a resistência anarquista persiste dentro do monstro cadavérico do próprio Leviatã.

A Montreal Anarchist Tech Convergence é uma oportunidade para anarquistas discutirem e explorarem os possíveis papéis da tecnologia em nossas vidas e lutas. Vamos aprender sobre as melhores práticas de segurança, formas autônomas e auto-hospedadas de nos conectarmos e nos encontrarmos, e projetos de mídia que nos permitam formar comunidades internacionais de solidariedade e como construir coisas a partir do lixo deixado para trás pelo capitalismo.

Entre em contato se quiser saber mais ou para apresentar ideias de workshops, falas, compartilhamento de habilidades ou atividades com as quais gostaria de contribuir:

mtl-atc@riseup.net

https://mtl-atc.org

https://kolektiva.social/@MTL_ATC

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

A lua crescente
Está arqueada —
Que frio cortante!

Issa

[Espanha] Campanha pela memória das mulheres perseguidas por bruxaria

Apesar de que nunca conheceremos o número exato de execuções que aconteceram sob acusação de bruxaria na chamada Idade Moderna, sim sabemos que estes assassinatos foram parte de uma vasta perseguição impulsionada pelo Estado e a Igreja que durante três séculos semeou o terror em muitas comunidades ao longo da Europa ocidental, levando à morte a milhares de mulheres. Ademais, já no século XVI os missionários estenderam a caça às bruxas ao “Novo Mundo” como instrumento de conquista e colonização, especialmente no Brasil, Colômbia e Perú. Houve acusações de bruxaria contra homens e mulheres submetidos à escravidão nas plantações americanas. É evidente, pois, como denunciaram as feministas, que a caça às bruxas dos séculos XVI, XVII e XVIII foi um fenômeno histórico mundial de máxima importância, crucial para reprimir a rebelião contra a submissão e para a definição da posição social das mulheres no desenvolvimento do mundo capitalista.

Por este motivo, caberia pensar que um fato histórico tão extraordinário deveria ter movido grandes esforços e inspirado centenas de projetos de investigação com o fim de descobrir suas causas e consequências e as condições econômicas e políticas que o tornaram possível. Mas, como bem sabemos, nada mais longe da realidade. Antes do movimento feminista, só uns poucos especialistas tinham abordado este tema, produzindo textos e artigos disponíveis unicamente para um número limitado de acadêmicos; e a história da caça às bruxas nunca foi incluída em nenhum currículo acadêmico, como se o assassinato legal de milhares de mulheres acusadas com delitos claramente pré-fabricados fosse um fato sem relevância histórica. E o que é ainda pior, como no caso do extermínio das populações indígenas nativas americanas, a caça às bruxas que acompanhou o nascimento do capitalismo se converteu em um brinquedo de criança e em uma diversão, como no caso dos Estados Unidos, onde a noite de Halloween as meninas pequenas colocam “chapéus de bruxas” e brincam ao “trick or treat” (travessura ou gostosura). No  momento no qual as “bruxas” se convertem em objeto de lenda, brincadeira, folclore, parte de um mundo imaginário de duendes e fadas, a bruxa real/histórica, a camponesa/artesã/proletária/mulher escrava horrivelmente torturada e assassinada se torna invisível, fica eliminada da história e inclusive ridicularizada. Para gerações de mulheres, incluída a nossa, este fato significou  a usurpação de uma história que teria nos ajudado a compreender a origem de nossa subordinação social e a realidade da sociedade na qual vivemos.

Queremos fazer um chamado para reclamar esta história e a memória desta perseguição. Porque o que não se recorda, se repete. E, com efeito, em várias partes do mundo, ao menos desde os anos noventa, temos assistido a uma nova caça às bruxas que já conta com milhares de vítimas e que de novo é dirigida principalmente contra as mulheres. Esta onda de violência e misoginia aumentou de forma alarmante nos últimos anos por parte de movimentos religiosos extremistas que se mesclam com interesses capitalistas e extrativistas e atacam mulheres e comunidades em defesa de seus territórios. Por isso decidimos não ficar caladas. Recuperar a história das “bruxas” que, para muitas das quais procedemos da Europa e América é a história de nossas bisavós, também é necessário para compreender a onda global de violência que acompanhou o processo de “globalização” e que tem todas as características de uma nova caça às bruxas.

Desde que começamos a Campanha em 2018 se formaram grupos de leitura em diversas cidades para discutir os materiais disponíveis sobre a caça às bruxas, tendo em conta a todo o momento sua conexão com o presente. Iniciamos investigações locais e começamos a compor um mapa com os lugares onde se deu a caça às bruxa histórica para analisar a memória que se tem desses fatos. Reunimos de forma sistemática livros, artigos, imagens e outros recursos sobre a caça às bruxas presente e passada. Nesta web podem  consultar as conferências realizadas em 2019 no I Encontro Feminista pela Memória das bruxas em Iruñea; o encontro de 2020 teve que ser adiado para 2021, mas seguimos trabalhando de forma coordenada.

>> Mais infos: memoriadelasbrujas.net

Tradução > Sol de Abril

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um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace

Gastos Militares-Mercado da Morte | Exército Brasileiro adquire misseis de Israel

O Exército Brasileiro recebeu um carregamento de 100 mísseis Spike LR2 enviado por Israel através de um avião KC-390 do 1º Grupo de Transporte de tropa, da Força Aérea Brasileira, segundo informações do jornalista Marcelo Godoy do Estadão publicadas nesta segunda-feira (15/07). Os mísseis, anticarro, chegariam para reforçar a defesa do país. A entrega, atrasada por um ano e meio devido à guerra na Ucrânia e ao conflito em Gaza, inclui também lançadores, simuladores e outros equipamentos.

Os mísseis Spike LR2 são considerados de quinta geração e possuem alcance de até 5 quilômetros. Eles podem ser lançados por soldados ou por veículos blindados, o que os torna altamente versáteis. Além disso, os mísseis são guiados por eletro-óptica, o que significa que são mais precisos e eficazes contra alvos em movimento.

A entrega dos mísseis Spike LR2 estava prevista para outubro de 2022, mas foi atrasada devido à guerra na Ucrânia e ao conflito em Gaza. Esses eventos afetaram a logística e a produção dos armamentos, dificultando a entrega no prazo originalmente acordado.

Junto com os mísseis Spike LR2, o Exército Brasileiro também recebeu lançadores, simuladores e outros equipamentos. Esses equipamentos são essenciais para garantir a operacionalidade dos mísseis e para o treinamento dos militares que os utilizarão.

A aquisição dos mísseis Spike LR2 faz parte de um amplo programa de modernização do Exército Brasileiro. O objetivo do programa é equipar o Exército com os melhores armamentos e equipamentos disponíveis no mercado, para que ele possa defender o país de forma eficaz e eficiente. Por isso, segundo Godoy, o Exército estaria também recriando uma companhia mecanizada anticarro.

Fonte: agências de notícias

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do orvalho
nunca esqueça
o branco gosto solitário

Matsuo Bashô

[São Paulo-SP] “‘Seja homem!’ Masculinidades na esquerda latino-americana”

“‘Seja homem!’ Masculinidades na esquerda latino-americana” é o tema do do Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades (GEAFM) de agosto.

As fileiras anarquistas não estão isentas de refletir formas de reiteração simbólicas de uma masculinidade em disputa. Levando em consideração que as narrativas de luta contra a política hegemônica também estão crivadas de imagens de um “corpo-da-revolução” masculino e viril, podemos discutir até que ponto as representações de militância incorporam discursos masculinistas como ferramentas de uma emancipação pelos trabalhadores e para os trabalhadores (excluindo-se, assim, as pessoas que destoam desse arquétipo).

Lucía Teti, com o artigo “‘Devemos ser homens.’ Masculinidades no anarquismo durante as primeiras décadas do século XX em Montevidéu” (tradução do GEAFM), e Helena Vieira, em “E agora, quem poderá nos defender?”, nos convidam a destrinchar representações midiáticas de um ideal de novo homem atrelado a uma bandeira de emancipação que acaba por reiterar binarismos de gênero em nome de uma identidade libertária. Embora derivados de épocas e regiões distintas, os textos versam sobre esses modelos que dialogam constantemente com a representação latino-americana de revolução e seus porta-vozes icônicos.

Para os textos e as orientações de participação, acesse http://tinyurl.com/GE0824  

Data: Sábado, 03/08/24 (16h-18h)

Local: Sede do Centro de Cultura Social de SP (Rua Gal. Jardim, 253, sl. 22, Vila Buarque – São Paulo)

Infelizmente, não teremos intérprete de Libras.

Os encontros do grupo são presenciais, gratuitos e abertos para todas as pessoas interessadas.

Crianças são bem-vindas ao CCS!

Traga algo para um lanche vegano coletivo, faremos café.

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

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Como versos livres
– ao toque dos tico-ticos –
as flores que caem…

Teruko Oda

Super Michi, um gato negro que voa pelas ruas do mundo

Nas sombras da noite, sob o manto de um céu estrelado, surge uma figura que desafia a gravidade e as expectativas. Não é um pássaro, nem um avião, é… Super Michi! Um gato negro com uma missão: voar pelas ruas do mundo levando a mensagem do anarquismo.

Super Michi não é um herói comum. Às vezes usa capa ou máscara, mas, seu poder radica em sua convicção e seu coração rebelde. Com cada vibração de suas patas mágicas, espalha ideias de liberdade e autonomia, inspirando os habitantes da cidade a questionar a autoridade e buscar a harmonia sem opressão.

Mas Super Michi não está só em sua luta. Acompanhado por um bando de gatos de rua, cada um com sua própria história de resistência, formam uma coalizão felina dedicada à justiça social e à igualdade. Juntos, enfrentam as injustiças do mundo, sempre com a esperança de um amanhã mais justo.

Ainda que alguns o vejam como um foragido, para muitos Super Michi é um símbolo de esperança. Em um mundo onde as regras geralmente favorecem o poderoso, este gato anarquista voa alto para recordar-nos que outro mundo é possível, um onde cada ser possa viver livremente e sem cadeias.

E assim, noite após noite, Super Michi continua seu voo silencioso, um vigilante nas sombras que sonha com um mundo sem amos nem servos. Um super herói para os que anseiam a liberdade, um gato negro que voa pelas ruas do mundo.

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agência de notícias anarquistas-ana

Lá em casa tinha um gato tão
preguiçoso que só fazia mi
e esperava o cachorro fazer au.

Rui Werneck Capistrano

[Canadá] Lançamento: “Veganwashing: A instrumentalização política do veganismo”, de Jerônimo Segal

Descrição

O veganismo está em ascensão, mas quando a Tesla oferece interiores de couro à base de plantas ou quando os antiespecistas se aliam à extrema direita, essa causa é usada para esconder os aspectos menos glamorosos de certos grupos. Inspirado no greenwashing, que denuncia estratégias de comunicação que permitem que empresas poluidoras melhorem sua imagem, o termo “veganwashing” denuncia uma recuperação semelhante. Ele apareceu pela primeira vez em Israel em 2013, em resposta a uma campanha em apoio ao governo de Netanyahu por seus avanços relativos nos direitos dos animais – um protesto que ressoou ainda mais fortemente quando, dez anos depois, o Estado-Maior israelense chamou os palestinos de animais para justificar seu genocídio.

Quais são as características que fazem do veganismo, que não deixa de ser uma emergência real, um movimento tão vulnerável à recuperação política? Para que a causa animal não seja mais, a lavagem vegana deve ser desmascarada, e é para isso que este livro tenta contribuir.

VEGANWASHING: L’INSTRUMENTALISATION POLITIQUE DU VÉGANISME

Jérôme Segal

Número de páginas: 168

€15,00

luxediteur.com

agência de notícias anarquistas-ana

Quietude na sala
Apenas rompida
Pelo perfume da rosa.

Ignez Hokumura

[França] Que mundo realmente queremos?

Nossa civilização é o ponto culminante de um longo e prodigioso processo cósmico, provavelmente iniciado há 13,8 bilhões de anos com o Big Bang, que possibilitou a formação do espaço-tempo – chamado de universo – e de tudo o que nele existe, bem como o surgimento – há cerca de 3,5 bilhões de anos – da vida em um dos cem a um bilhão de planetas do universo.

Mas, ao massacrar milhões de seres humanos em guerras e genocídios, nossa civilização não é apenas a mais assassina de todos os tempos, mas, além desse delírio criminoso, já exterminou a maioria dos insetos, animais selvagens e árvores de nosso planeta.

Um delírio de guerra e extermínio biológico que, além de ilógico e eticamente falido, nos obriga a nos perguntar por que, como adultos, os seres humanos podem ser tão inconscientes a ponto de querer matar uns aos outros e destruir os ecossistemas que tornaram e tornam possível a vida no planeta Terra.

É por isso que é tão urgente refletir sobre as causas dessa inconsciência coletiva e fazer a nós mesmos esta pergunta existencial: que tipo de mundo realmente queremos?

Perpignan, julho de 2024.

Octavio Alberola

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

o vento afaga
o cabelo das velas
que apaga

Carlos Seabra

[Espanha] Vídeo completo da apresentação do Fundo Jesús Lizano, com o Grupo de Trabalho da Delegação da FAL em Aranjuez

Já está disponível a gravação em vídeo da apresentação do Fundo Jesús Lizano. Podes conhecer a experiência do Grupo de Trabalho da Delegação da FAL em Aranjuez, encarregado da catalogação do arquivo do poeta anarquista; um fundo imprescindível para aproximar-se à vida e obra deste artista único.

Jesús Lizano (Barcelona, 1931 – Barcelona, 2015) é autor de uma obra comprometida com o ideal de liberdade, sempre em luta contra o poder e as estruturas —físicas e mentais— que contribuem para subjugar a liberdade pessoal. Seu arquivo pessoal, que reflete a vastidão de suas leituras e interesses, foi doado à Fundação Anselmo Lorenzo após seu falecimento em 2015.

>> Veja o vídeo aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=LAeCRdWPczk

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Ontem, caju.
Hoje, castanha.
Amanhã, suco.

Luz

[Espanha] Gijón forma uma corrente humana para solidarizar-se com ‘Las Seis de La Suiza’

  • O Muro de San Lorenzo foi o ponto de encontro para que centenas de pessoas mostrassem seu apoio às condenadas pelo Supremo por coações a um empresário denunciado por assédio.

O Muro de San Lorenzo em Gijón era o ponto de encontro para formar uma corrente humana e encenar que ‘Las Seis de La Suiza’ não estavam sós. A convocatória conseguiu reunir ontem (25/07) centenas de pessoas para mostrar seu apoio às seis pessoas que foram condenadas pelo Tribunal Supremo (TS) a uma pena individual de três anos e meio de prisão por protestar diante da confeitaria La Suiza ante o assédio denunciado por uma de suas trabalhadoras, em uma mobilização que o Alto Tribunal qualificou como um delito de coações.

A concentração estava convocada às sete e meia da tarde, mas minutos antes já se começavam a ver ao longo do Muro de San Lorenzo as primeiras bandeiras e cartazes de cor laranja com os slogans: “Sindicalismo não é crime”, “Liberdade às 6 de La Suiza” e “Não estão sós”.

A ideia era formar uma grande corrente humana para exigir que a sentença não se execute e as condenadas possam continuar em liberdade.

Os fatos remontam a junho de 2016, quando a trabalhadora de La Suiza, que estava grávida, denunciou o proprietário como suposto autor de um delito de assédio. Seu parceiro sentimental se apresentou em seu posto de trabalho e manteve uma altercação com o empresário e este o denunciou por ameaças e danos em seu local.

Em consequência desses fatos, aconteceram as concentrações ante o estabelecimento que se desenvolveram sem detenções, nem altercações. Finalmente, o caso chegou até o Tribunal Supremo que confirmou uma condenação de três anos e meio de cárcere para as seis pessoas acusadas dos delitos de coações e obstrução de justiça.

Desde que o Supremo publicou a sentença condenatória aconteceram os atos em apoio das condenadas. Entre outros atos, houve manifestações e concentrações. A última mobilização foi a convocada ontem em San Lorenzo onde os globos, as bandeiras e uma corrente humana mostraram a ‘Las Seis de La Suiza’ que não estão sós.

Fonte: https://www.eldiario.es/asturias/gijon-forma-cadena-humana-solidarizarse-seis-suiza_1_11550465.html

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

briga de gatos
na sala de jantar
vaso em cacos

Carlos Seabra

 

[EUA] Lançamento: O Movimento Anarquista Judeu nos Estados Unidos | Uma Revisão Histórica e Memórias Pessoais

Leitura essencial sobre a história, a cultura, e o radicalismo do trabalhismo judeu

Os imigrantes judeus da Europa Oriental uma vez constituíram o maior segmento do movimento anarquista nos Estados Unidos. Num livro que é parte escavação histórica e parte livro de memórias, Joseph Cohen narra eventos bem conhecidos e conflitos de bastidores entre radicais, bem como perfis de personalidades famosas como Emma Goldman e Alexander Berkman e dos radicais menos famosos que sustentaram o movimento anarquista em toda a América do Norte entre as décadas de 1880 e 1940.

The Jewish Anarchist Movement in America [O Movimento Anarquista Judeu nos Estados Unidos] traz pela primeira vez para um público de língua inglesa o insubstituível estudo de Joseph Cohen, escrito em iídiche em 1945, sobre os anarquistas judeus dos Estados Unidos. Ele continua sendo o exame mais detalhado dessa negligenciada história.

O livro também contém as reflexões do próprio Cohen sobre tática e teoria anarquista, baseadas em suas experiências e observações ao longo de quatro décadas. Editada e integralmente comentada, esta edição inclui uma variedade de informações suplementares sobre as pessoas, os locais e os eventos centrais da história anarquista nos Estados Unidos.

Resenhas positivas sobre o livro:

“Uma publicação de referência na história do anarquismo judeu nos EUA. Este grande e animado volume – há tanto tempo aguardado – reúne a história original escrita por Joseph Cohen, as habilidades de tradução da confiável anarquista Esther Dolgoff, e os hábeis comentários de Kenyon Zimmer. Cohen escreve como historiador e participante. Ele defende o anarquismo enquanto navega por suas divisões internas e dá vida a seus personagens, muitos deles perdidos nos relatos existentes.” – David Roediger, professor de Estudos Americanos e História na Universidade do Kansas, autor de The Wages of Whiteness [Os salários da branquitude] e coeditor de Haymarket Scrapbook [Livro de Colagens de Haymarket].

“Este livro monumental, porém humilde, oferece o melhor da história vista de baixo. Melhor ainda, ele o faz por meio de uma série de encantadoras e empolgantes reminiscências de um participante que viveu e ajudou a fazer essa história, permitindo-nos, nas palavras de Cohen, “olhar de volta para o futuro” como inspiração para nossa busca do “grande ideal [de] liberação completa” no presente. Graças às edições e comentários meticulosos de Kenyon Zimmer, as histórias de Cohen, ao mesmo tempo tão cativantemente anarquistas e tão judaicas, ganham vida, juntamente com os nomes, as vidas e as ações de centenas de rebeldes judeus de outro modo esquecidos. Um verdadeiro trabalho de amor, The Jewish Anarchist Movement in America preenche um enorme capítulo perdido da história anarquista e é um kaddish que honra o belo legado de (nossos) ancestrais anarquistas judeus.” – Cindy Barukh Milstein, editora de There Is Nothing So Whole as a Broken Heart [Não há nada tão completo quanto um coração partido]

“Esta tradução há muito esperada do livro de memórias de Cohen abre uma janela única para o mundo vibrante dos agitadores, educadores e organizadores que animaram o movimento anarquista americano no início do século XX. Transmitido com fluência e minuciosamente comentado, ele merece a atenção dos ativistas contemporâneos, que estão cada vez mais se voltando para a rica herança de seus movimentos em busca de insight e inspiração.” – Uri Gordon, cofundador da Anarchist Studies Network [Rede de Estudos Anarquistas] e coautor de Anarchists Against the Wall: Direct Action and Solidarity with the Palestinian Popular Struggle [Anarquistas Contra o Muro: Ação Direta e Solidariedade com a Luta Popular Palestina]

Joseph Cohen (1878-1953) foi uma figura central do anarquismo americano do século XX. Ele nasceu na Bielorrússia e emigrou para os Estados Unidos em 1903 com sua esposa, Sophie, e se estabeleceu primeiro na Filadélfia, onde criaram dois filhos. Durante doze anos, Cohen editou o famoso jornal iídiche Fraye arbeter shtime (Voz Livre do Trabalho). Durante toda a sua vida, ele participou de várias instituições anarquistas, como a Radical Library [Biblioteca Radical], o Francisco Ferrer Center de Nova Iorque e as colônias Stelton e Sunrise. Cohen é autor de dois livros anteriormente publicados, The House Stood Forlorn [A Casa Estava Lá Abandonada] (1954) e In Quest of Heaven: The Story of the Sunrise Co-operative Farm Community [Em Busca do Céu: A História da Cooperativa e Comunidade Rural Sunrise] (1957).

Kenyon Zimmer é professor associado de história na Universidade do Texas em Arlington. É autor de Immigrants Against the State: Yiddish and Italian Anarchism in America [Imigrantes Contra o Estado: Anarquismo Iídiche e Italiano nos Estados Unidos] (2015) e coeditor de Wobblies of the World: A Global History of the IWW [Wobblies do Mundo: Uma história global do IWW] (2017), Deportation in the Americas: Histories of Exclusion and Resistance [Deportação nas Américas: Histórias de Exclusão e Resistência] (2018) e With Freedom in Our Ears: Histories of Jewish Anarchism [Com a Liberdade em nossos Ouvidos: Histórias do Anarquismo Judeu] (2023).

Esther Dolgoff (1905-1989) foi uma anarquista que cresceu em Ohio e depois se estabeleceu na cidade de Nova York com seu marido, Sam Dolgoff, que foi uma figura central do anarquismo americano durante toda a sua vida adulta.

The Jewish Anarchist Movement in America

A Historical Review and Personal Reminiscences

Editora: AK Press

Páginas: 600

ISBN-13: 9781849355483

$24.00

akpress.org

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

início das chuvas
perto da estação
vagalumes acendem as luzes.

Maria Marta Nardi

[Chile] Semana internacional de agitação e solidariedade contra o regime de isolamento do companheiro Francisco Solar – 10 a 17 de agosto

O companheiro anarquista Francisco Solar foi detido e acusado em 2020 por diversos ataques explosivos contra poderosos e repressores. Em março de 2024 é ratificada sua condenação a 86 anos de prisão, a qual sem dúvida representa uma condenação perpétua encoberta.

Não contentes com a vingança judicial, a administração penitenciária decidiu impor um castigo sobre esta condenação, perpetuando um isolamento que na prática é um dos regimes mais duros de cumprimento carcerário.

Ante esta vingança do poder que busca sepultar em vida o companheiro, não podemos ficar indiferentes e é aqui quando a solidariedade anárquica e anticarcerária deve fazer-se presente com força e desde sua multiplicidade de expressões. O chamado é que nesta semana de agitação se intensifiquem os gestos e ações solidárias em todos os territórios, deixando claro que não cessaremos até tirar o companheiro Francisco Solar do isolamento.

Solidariedade anárquica com quem golpeia os poderosos e repressores!

Presos Anarquistas e Subversivos à rua!

Francisco Solar à rua!

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agência de notícias anarquistas-ana

Até mesmo o céu
Embriagado pelas flores?
Nuvens cambaleantes.

Nonoguchi Ryûho