[Portugal] A anarquia é a mãe da ordem

Decorre ao longo do mês de Setembro de 2024 o ciclo de cinema “”A ANARQUIA É A MÃE DA ORDEM” no Espaço Musas (Porto). De acordo com a organização, os documentários sobre fatos históricos do movimento anarquista procuram dar a conhecer o ideário do movimento e mostrar que há alternativas ao capitalismo hegemónico e às alternativas autoritárias ou reformistas propostas pelos partidos marxistas.

Trata-se de oferecer ao público “um olhar para um movimento tão plural, que traz respostas para muitas das inquietudes humanas e que tem ligação, influência direta, com as conquistas históricas dos direitos humanos. Mas que sempre sofreu e sofre, com um contínuo deturpar, criminalizar, marginalizar e ignorar essas conquistas e ideias.

O ciclo de exibições dos documentários terão, após cada filme, partilhas, conversas, sobre o movimento Anarquista. E é um convite para formar um grupo de estudo das ideias Anarquistas e colocá-las em propaganda e ações como for possível.”

Mais infos aqui: https://www.facebook.com/espaco.musas/

Fonte: https://aideiablog.wordpress.com/2024/09/17/a-anarquia-e-a-mae-da-ordem/

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Angelus. Dedos da brisa
nas teclas das folhas
adormecem os pássaros.

Yeda Prates Bernis

[Chile] “Lembramos de todas as vítimas da repressão e da ditadura com memória e coragem.”

Organizações e moradores de Lo Hermida e La Faena realizaram mais uma vez uma comemoração dos 51 anos do golpe militar liderado por Pinochet.

Desta vez, a polícia não os deixou nem mesmo terminar o ato e velatón, veio reprimir a Plaza Los Mártires, onde a atividade estava sendo realizada. Gás lacrimogêneo combinado com spray de pimenta e água foi a fórmula dos canalhas para intoxicar e dissuadir a manifestação.

Sem ir mais longe, teve o efeito oposto, provocando centenas de moradores a saírem para resistir ao ataque da polícia, com paus, pedras, coquetéis molotov e tiros.

Não estamos surpresos com as ações da polícia, porque eles são os mesmos que horas antes atacaram o funeral do companheiro Alonso, que foi morto por um bastardo na Romaria.

Lembramos de todas as vítimas da repressão e da ditadura com memória e coragem.

F.F.

Lo Hermida, 11 de setembro de 2024.

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na rua deserta
brincadeira de roda
vento se sujando de terra

Alonso Alvarez

Carta de princípios da União Anarquista Federalista (UAF)

PRINCÍPIOS QUE ORIENTAM A ORGANIZAÇÃO:

BEM VIVER

O “Bem Viver” estabelece a essência em sermos iguais. É um dos maiores saberes originários onde aprendemos que quaisquer atividades, desde o plantio, a caça, as diversões, as brincadeiras, construções de caminhos e abrigos, significa a maneira de estabelecer vínculos com o outro, e é essa a catarse de nossa resistência ao extermínio desde a invasão europeia.

O Bem Viver diz respeito a sua própria condição de “ser” humano e isso traduz a essência do coletivo. Bem Viver significa o estado pleno de felicidade coletiva, a liberdade em sua essência onde todos emanam a mesma pulsação com os ciclos naturais do entorno. Somos parte e somos todo.

A vida em si só tem um sentido pleno que é o de existir num mundo sem males. Aqui fora, somos seres em engrenagens sociais corrompidas pela instauração do insano desejo de poder, de se apropriar, de competir, de consumir e da barbárie de classificar humanos em raças; somos espécie e o capital é o mortal combate contra a felicidade.

SINTETISMO

A União Anarquista Federalista (UAF) tem como princípio organizativo o SINTETISMO, caracterizado e materializado na autonomia, horizontalidade e descentralização da sua estrutura personificada em indivíduos, núcleos, coletivos e federações livremente associadas. Este sintetismo é o respeito à diversidade de ação, teorias, métodos, práticas e estratégias anarquistas. Acolhemos a diversidade regional e étnica dos explorados e oprimidos no território dominado pelo Estado Brasileiro e promove o diálogo e práticas fraternas e libertárias como exercício e trabalho de construção e realização da sociedade libertária.

A UAF é uma inciativa sintetista pró-federativa com o objetivo de se tornar uma Federação Anarquista no médio e longo prazo. A relação entre todos(as) integrantes da UAF devem ser baseada no respeito, na solidariedade, apoio mútuo, na confiança e no companheirismo em meio à vida e luta cotidiana, com o fito de que se fortaleçam os laços que nos unem em torno de uma organização que se quer libertária e sintetista.

ANTIAUTORITARISMO

O autoritarismo consiste na coerção das relações entre indivíduos e no cerceamento das liberdades, seja através do Estado em seu sistema jurídico e na forma de execução desse mesmo sistema jurídico ou através da reprodução de valores culturais absorvidos por diferentes agrupamentos humanos em suas mais variadas vertentes. O autoritarismo e a coerção se apresentam a serviço de diferentes linhas de pensamento que levam a uma sociedade opressora, esteja o autoritarismo manifesto através do Estado, do Capital, da religião, do gênero, da raça, da ideologia, da etnia ou da sexualidade; somos contrários a todas as formas através das quais a opressão se manifesta.

Defendemos o fim da organização social Estado. O Estado é uma ferramenta para vários tipos de coação, punição e encarceramento promovido pela ação do mesmo. O fim de todo cerceamento do direito ao corpo, locomoção, difusão de ideias e de toda tendência que pretenda a manutenção de uma sociedade patriarcal e hierárquica (seja no âmbito, político, econômico ou estritamente cultural).

Também trabalhamos e lutamos por uma mudança radical nos mecanismos socioeducativos a fim de que a educação e a pedagogia pretendam a libertação e autonomia dos indivíduos, e não o controle sobre sua liberdade ou a domesticação do seu ser com fins à manutenção da ideologia autoritária vigente.

APOIO MÚTUO

O apoio mútuo se constitui a partir de afinidades entre indivíduos, e/ou coletivos, e/ou federações locais e de outros países, seja pelo afeto, necessidades, lutas, desejos ou interesses comuns. O apoio mútuo, seja natural ou cultural, é uma forma de organização política, amorosa, social e econômica que afirma a liberdade de indivíduos e coletivos para o compartilhamento de recursos e serviços para o benefício mútuo.

Entre aquelas e aqueles que trabalham e lutam, o apoio mútuo baseado na afinidade é a ponte pela qual unimos indivíduos e coletivos companheiros que constroem hoje o mundo livre; unimos esforços e recursos para as lutas ou para a autodefesa. Contudo, são imprescindíveis a autogestão e a ação direta para realizar o apoio mútuo através de sua própria consciência e atitude.

AUTOGESTÃO

A autogestão é entendida como a livre e espontânea iniciativa dos indivíduos, coletivos, federações associadas, vivenciada e praticada de forma horizontal, descentralizada, não hierárquica, colaborativa na realização das tarefas internas e externas, sejam de caráter administrativo, organizativo dos projetos políticos, econômicos, culturais e demais atividades a serem desenvolvidas. A autogestão é o princípio que norteia a administração econômica e financeira da UAF, pensada a partir do esforço e do desenvolvimento das capacidades individuais e coletivas de todos(as) os(as) associados em gerar recursos financeiros, materiais e/ou humanos para a manutenção dos espaços físicos, virtuais e de todas as atividades que venham a ser realizadas. Com base nessa postura, defendemos a autogestão como princípio organizativo e administrativo para todas as associações, grupos e demais coletivos que tenham como meta o anarquismo como modo de vida social.

A autogestão é a associação libertária entre indivíduos e entre grupos para que estes administrem suas próprias vidas, seu trabalho, a justiça, a política, a economia, enfim, a sociedade nos seus mais diversos aspectos e dimensões. É a extinção da divisão entre teoria e prática onde existem senhores e servos, cabendo a todas as atividades, para todos(as) e de forma rotativa. A liberdade é o início, o meio e o fim para a felicidade humana sem distinções de fronteiras, de raças, credos, etnias, gêneros, sexualidades, crenças para abolição das classes sociais, extinção do capitalismo e distinções morais.

Ela é a afirmação da associação por afinidade de indivíduos/grupos livremente organizados nas federações da sociedade livre. Assim a autogestão é a ação direta em apoio mútuo do sujeito sem representantes.

A autogestão é vital para a compreensão e construção da sociedade livre que desejamos. Trabalhamos a autogestão como modelo de organismo político e econômico alternativo à lógica capitalista e, portanto, de caráter revolucionário, objetivando um modo de produção liberto de injustiça, baseado na livre associação, na necessidade da produção e na colaboração dos meios produtivos, geridos pelos próprios produtores.

AÇÃO DIRETA

Em acordo com nossos princípios de antiautoritarismo, apoio mútuo e autogestão, acreditamos na ação direta como principal ferramenta de mudança. Ação direta é ao mesmo tempo princípio, método e tática dos anarquistas. Por princípio, todos os indivíduos e coletivos são livres e movidos por suas forças, desejos e necessidades. O método da ação direta compreende a livre criação, o livre trabalho segundo as necessidades e possibilidades de cada localidade, baseado na autogestão onde não há uma relação exploradores/explorados, onde não há divisão entre ideias e práticas, onde todos(as) fazem e pensam, rotativamente.

Praticantes da ação direta não procuram pressionar o governo para instituir reformas, ou requisitar mudanças das autoridades e das instituições existentes. As táticas da ação direta são aquelas que não aceitam representantes nem intermediários, sendo um aspecto político e social onde os indivíduos e os coletivos anarquistas fazem por si mesmos as ações antiautoritárias e de construção da justiça social e da liberdade e/ou destruição das injustiças sociais e das desigualdades geradas pela ordem capitalista vigente. A ação direta aliada à autogestão e ao federalismo, praticada e realizada de forma integrada, são os germes da nova sociedade livre no seio da velha sociedade capitalista.

FEDERALISMO

Somos uma Federação de indivíduos, núcleos, coletivos e federações locais, associados por afinidade em torno do modelo federalista anarquista de síntese contido no que chamamos de pacto federativo.

Organizamo-nos baseados no princípio da pluralidade teórica anarquista e na diversidade tática, nas lutas, reconhecendo a heterogeneidade dos sujeitos em luta, explorados e oprimidos. Constituímo-nos internamente de forma horizontal e preservamos as individualidades existentes dentro dos da UAF. A descentralização se aplica à toda estrutura da UAF. É fundamento desta organização o consenso como método decisório garantindo-se a abstenção crítica no interior da organização e a autonomia desde que não negue ou inviabilize a organização e os projetos.

Temos como prática o apoio mútuo fundado na afinidade pessoal e coletiva. Trabalhamos no sentido da construção da autonomia econômica de forma horizontal, descentralizada e federada, na ação política junto aos indivíduos explorados e oprimidos.

Constituímo-nos desde já como União Anarquista Federalista, em que trabalharemos com o objetivo de constituir uma federação de coletivos e indivíduos que lutarão para a sociedade livre. O federalismo anarquista é o instrumento das lutas sociais, populares e de classe. Orienta-nos a ação direta e a liberdade na luta contra todos os modos de opressão, repressão, injustiça e desigualdades. As lutas sociais de gênero, sexualidade, crenças, étnicas, raciais, ambientais e de liberdade animal são estruturais na luta para a libertação individual e social, pois somadas todas as lutas caminharemos ombro-a-ombro para a sociedade livre.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A UAF Brasil se apresenta ao conjunto das lutas populares e dos/as trabalhadores/as, nunca se colocando como vanguarda ou buscando protagonismo, mas somando e construindo lado a lado em um horizonte revolucionário e de resistência ao controle e opressão do Estado e à exploração do Capital, do patriarcado e de toda forma de opressão. Trabalharemos hoje e sempre em prol da Anarquia, que entendemos ser a forma de organização social da humanidade livre. O conjunto dos princípios descritos acima compõem o federalismo anarquista de síntese da Organização.

Contato: uaf@riseup.net

Blog: uafbr.noblogs.org

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No rio, a canoa
pinta em verde
o seu reflexo.

Eugénia Tabosa

[Austrália] Policiais perturbam e agridem na feira de armas de Melbourne

Até 100 manifestantes foram feridos pela polícia durante o piquete da Disrupt Land Forces em 11 de setembro

Gabriel Fonten ~

O Centro de Convenções e Exposições de Melbourne foi cercado por protestos antimilitaristas entre 8 e 13 de setembro; 42 pessoas foram presas em conexão com os protestos, e grupos de direitos humanos condenaram o uso excessivo da força. Entre 50 e 100 pessoas foram feridas pela polícia durante o piquete de 11 de setembro.

A exposição foi realizada com o apoio do governo federal australiano e do governo do estado de Victoria. Ela mostra as principais empresas de armamentos do mundo, incluindo a Elbit e a Leonardo, que ultimamente têm sido alvos de ações diretas no Reino Unido, já que o genocídio em Gaza continua. De acordo com a Polícia de Victoria, essa foi a maior mobilização de policiais desde os protestos do S11 em 2000.

A partir de 8 de setembro, os eventos foram organizados separadamente por diferentes grupos sob a coalizão “Disrupt Land Forces” [Atrapalhe as Forças Terrestres]. Em 11 de setembro, entre 1.000 e 3.000 manifestantes se reuniram a partir das 6h para a primeira grande manifestação, liderada por grupos de ativistas, incluindo Students for Palestine [Estudantes para a Palestina] e Disrupt Wars [Atrapalhe as Guerras].

Os manifestantes bloquearam as entradas do local e atrapalharam os participantes que tentavam entrar na exposição de armas. A Students for Palestine descreveu o evento como “um dia lindo e desafiador de protesto e interrupção”. Os protestos, que começaram sem violência, foram imediatamente atacados por um policiamento de choque agressivo e indiscriminado, com armas como spray OC e cavalos. Quando os manifestantes responderam arremessando objetos contra a polícia, foram confrontados com balas de borracha e espancamentos, inclusive para aqueles que já estavam no chão ou fugindo da polícia.

Mais de 1.600 policiais foram mobilizados para proteger a exposição de armas. A Polícia de Victoria foi acusada de motim policial por observadores legais, com uso excessivo de força e armamento, inclusive balas de borracha e granadas de flash, contra manifestantes desarmados. Pelo menos 100 pessoas foram feridas pela violência policial, incluindo pelo menos um jornalista e um fotógrafo que precisou de cirurgia após ser atingido no ouvido por uma bala de borracha. Em antecipação ao evento, a polícia recebeu poderes ampliados de acordo com a Lei de Terrorismo. Posteriormente, a polícia alegou que pedras, ovos, tomates podres e esterco de cavalo foram atirados contra ela.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/09/15/melbourne-arms-conference-disruption-and-police-aggresson/

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

A lua da montanha
Gentilmente ilumina
O ladrão de flores.

Issa

[Chile] 3ª Feira do Livro Anarquista de Valparaíso

Companheiros, amigos e afinidades:

Com os ventos primaveris soprando queremos convidar-lhes a participar da terceira versão da Feira do Livro Anarquista de Valparaíso, a realizar-se no dia 12 de outubro no Espaço Katarcis.

Com esta data simbólica quisemos problematizar e debater sobre o extrativismo e a especulação que se faz com a terra, tendo como antagonistas destas práticas da devastação, as experiências de organização e luta no presente e ao longo da história.

Como em toda versão, contaremos com foros, mesas redondas, feira de livros, feira gráfica, oficinas e música. Confiamos que este espaço de encontro facilite diálogos que possibilitem novos horizontes de ação entre os participantes para seguir nutrindo as ideias e posições e, com isso, continuar coletivizando as experiências e saberes.

Desde o dia 15 de setembro abriremos a convocatória a novas editoras e outros expositores que queiram participar.

Estaremos subindo mais informação por estes meios.

Um abraço fraterno para todos vocês.

Espaço Katarcis

Avenida Francia com Baquedano

Valparaíso

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um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace

[São Paulo-SP] Leitura Dramática: “Proibido Destruir”

O CCS apresenta a Leitura Dramática de “Proibido Destruir”, texto teatral escrito por Renato Mendes. Após a leitura será aberta uma roda de conversa com autor e elenco sobre a temática da dramaturgia.

“Proibido Destruir” (2021) propõe um diálogo com o fenômeno de movimentos coletivos de derrubada de estátuas que homenageiam o poder dominante em diferentes territórios nacionais pelo mundo. No texto, entende-se que a disputa pelo simbólico não é uma luta abstrata, mas parte material da luta social. A obra ainda busca um paralelo histórico recente com a experiência da tática black bloc, adotada por movimentos autônomos no território ocupado pelo Estado Brasileiro nas jornadas de junho de 2013.

Renato Mendes é ator, dramaturgo, professor de teatro e membro do CCS-SP. Mestre em Educação pela FE-Unicamp. Formado em Teatro pelo IA-Unesp e pela Escola Nacional de Teatro-ENT. Integra o grupo de pesquisa Laboratório Insurgente Maquinarias Anarquistas – LIMA.

Leitura Dramática de “Proibido Destruir”, de Renato Mendes.

Elenco: Amanda Gamba, Lars, Jamile Rai e Punk Canibal.

Data: 21/09/24 (sábado)

Horário: 16h – abriremos às 15h30

CCS – SP: Rua General Jardim, 253 – sala 22 – Vila Buarque – SP (metrô República)

Classificação: 12 anos

Evento gratuito e aberto!

Lembrando que no CCS nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

agência de notícias anarquistas-ana

bambu quase quieto,
voltado para o poente,
filtra a luz da tarde.

Alaor Chaves

Flecheira Libertária 779 | “A fumaça vem de cadáveres de outros viventes.”

focos humanos

A fumaça vem da floresta amazônica incinerada. A fumaça vem do cerrado tostado. A fumaça vem do pantanal em chamas. A fumaça vem do interior do estado de São Paulo, de cidadezinhas e das ricas províncias dominadas pelo agro. Alguns querem saber quem são os culpados. Autoridades paulistanas falam em mais de 12 detidos por “incêndios criminosos”. Todos machos chucros; alguns que registraram em seus smartphones o fogo consumindo a mata, enquanto celebravam; outros que delataram agir a mando do PCC (Primeiro Comando da Capital). As notícias replicam os alertas de especialistas e autoridades sobre a má qualidade do ar e a baixíssima umidade, e sobre a possibilidade de aumento dos focos de incêndio. Também alardeiam os prejuízos à saúde dos humanos, sublinhando grupos “vulneráveis” — crianças, velhos e portadores de doenças respiratórias — e, é claro, os bilhões perdidos pelo agronegócio. Para nós, os efeitos devastadores não se restringem a grupos esquadrinhados, atingem tudo que respira, atingem ar, terra e água. Para nós, é muito mais valioso um arbusto, uma mudinha qualquer, do que o negócio facínora do agro.

a fumaça vem

Pouco importa quem risca o fósforo, a maioria partilha o mesmo modo de tratar as demais forças vivas. Nem mesmo distinguem quais áreas foram e são queimadas, se são mata atlântica, roçados ou monoculturas latifundiárias. Para eles, tanto faz, o que importa é o verde da grana dos proprietários, das abstrações “o agro” e “o país”. Não estão nem aí para as vidas incineradas. Não estão nem aí para o que já não se pode ver no céu, a ausência da luz da lua, o sol como uma opaca bola laranja. Respiram o ar putrefato, sentem a pele, os olhos e a garganta ressecarem. Sentem? Talvez não percebam nada além do verde da grana que quase já não tem mais cor, nem matéria, explicitando sua abstração como números que saem de uma conta para outra por meio de operações eletrônicas. O que vale para a maioria abúlica e covarde são as abstrações. A fumaça vem de cadáveres de outros viventes.

>> Leia o Flecheira Libertária 779 na íntegra aqui:

https://www.nu-sol.org/wp-content/uploads/2024/09/flecheira779.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

Grito se agiganta,
embrutece, se enfurece,
morre na garganta…

Flora Figueiredo

[EUA] Documentário: “A Grande Conspiração Anarquista”

Temos o prazer de apresentar nosso último trabalho, “The Great Anarchist Conspiracy” [A Grande Conspiração Anarquista], um documentário que descreve a resistente sobrevivência do anarquismo desde 1890 até os anos 70. O fato de que estás lendo isto, e de que muito provavelmente sejas anarquista, é uma prova de que nosso movimento internacional sobreviveu a todas as tentativas de esmagá-lo.

Este documentário se centra primeiro em Sante Geronimo Caserio, o anarquista italiano que assassinou Sadi Carnot, o Presidente francês, em Lyon em 1894. Seu ato foi só um de uma longa sequência de assassinatos dirigidos aos poderes dominantes da terra, a maioria deles ainda reis e imperadores. Após o assassinato de Sadi Carnot, o Estado italiano condenou um anarquista chamado Pietro Gori por inspirar o transcendental ato de Sante Geronimo Caserio. Em lugar de passar cinco anos no cárcere, Pietro Gori fugiu para o norte, a Suíça, e viveu em Lugano durante vários meses antes de ser finalmente deportado por suas crenças em 1895. Ainda que não seja muito conhecido fora da Itália, Pietro Gori foi um dos anarquistas mais famosos de sua época, compositor, músico, orador, ator, escritor e advogado que soube transmitir a ideia anarquista a dezenas de milhares de pessoas. Expulso tanto da Itália como da Suíça, Pietro Gori aproveitou ao máximo seu exílio e viajou à América do Norte em 1896, onde deu mais de 400 conferências e atuações. Em cada cidade desta turnê, Pietro Gori deixou atrás de si um novo grupo anarquista, cada um deles conectado com camaradas de todo o mundo.

Uma das paradas mais importantes de Gori foi à longínqua cidade portuária de São Francisco (Califórnia), onde ajudou a reunir os anarquistas locais após anos de repressão e lhes inspirou para pôr em marcha várias iniciativas novas após sua saída da cidade. Suas conferências e atuações foram publicadas nos diários de São Francisco, o que deu ainda mais publicidade ao movimento, e Gori foi descrito como uma exótica celebridade estrangeira. A seu lado estava uma mulher chamada Bianca Gaffe (nome fictício), hábil oradora, atriz e organizadora anarquista que compartilhava o cenário. Dois anos depois destes acontecimentos, Bianca fundaria uma comuna chamada Novo Ideal, na costa de São Francisco. Dezessete anos mais tarde, sua sobrinha Isabelle Lemel Ferrari daria à luz ali a sua filha, uma menina a que chamou Fulvia, e pouco depois partiria para lutar junto aos anarquistas ucranianos.

Em sua obra clássica Nestor Makhno: O cossaco da anarquia, Alexandre Skirda cita o testemunho de um homem que viu como o Exército Negro anarquista tomava a cidade de Dnipropetrovsk em 1919. Em outubro de 1919, Isabelle Lemel Ferrari foi uma dessas “jovens amazonas vestidas de negro” que tomaram uma cidade de quase 200.000 habitantes. Naquele momento, “a insurgência estava em seu ponto mais alto, com quase 80.000 combatentes e o controle de quase todo o Sul da Ucrânia”. Dois anos mais tarde, sua insurgência foi esmagada pelo Exército Vermelho e os anarquistas sobreviventes cavalgaram para o leste, em direção à Romênia, inimiga dos bolcheviques. Néstor Makhno foi capturado na fronteira romena junto com menos de duzentos combatentes, todos eles foram logo internados em um campo de concentração. Centenas de pessoas que escaparam à matança da Ucrânia “apareceram mais tarde na Romênia ou Polônia, e alguns emigraram inclusive mais longe, à Alemanha, França, Canadá e outros lugares”. Enquanto os bolcheviques suplicavam por rádio às autoridades romenas que extraditassem Néstor Makhno de volta à Rússia, Isabelle Lemel Ferrari seguia lutando, de alguma maneira.

Segundo as lendas, Isabelle era responsável por cada soldado do Exército Vermelho desaparecido, de cada oficial do Partido assassinado e de cada tanque em chamas. 300.000 anarquistas acabavam de morrer no Sul da Ucrânia junto com mais de um milhão de seus habitantes, e o desejo de vingança de Isabelle não devia ter limites. Temerosos de que a Ucrânia se sublevasse no futuro, os novos governantes da URSS fomentaram abertamente o nacionalismo cultural, permitiram a formação de uma igreja ortodoxa ucraniana e outorgaram mais liberdade que em outras regiões. Houve muitos ucranianos que haviam dado refúgio e apoio a Isabelle, ainda que não haja evidências de quem foram, dado que nunca foi capturada. Sabe-se que no inverno de 1930 começou um levante armado que se estendeu por toda a Ucrânia e desencadeou uma onda de repressão militar nessa mesma primavera. Diz-se que Isabelle participou na revolta, sobreviveu e chegou a Kiev justo antes que Stalin desatasse uma onda de terror na Ucrânia. Centenas de pessoas foram detidas, desaparecidas, julgadas ou executadas nos meses que se seguiram à revolta, ainda que nunca se saiba quantas. Entre 1932 e 1934, milhões de ucranianos morreram deliberadamente de fome como castigo por sua contínua rebelião. Em algum momento de 1931, antes que se produzisse o genocídio de Stalin, Isabelle desapareceu de Kiev, apareceu na Romênia e foi vista pela última vez na Polônia, país onde sua filha Fulvia acabou vindo buscá-la.

Não se sabe o que fez Isabelle entre 1931 e 1938, e nem sequer Fulvia foi capaz de encontrá-la. Nesta busca de sua mãe, foi testemunha do terror da ditadura de Stalin, viu o que o governo havia feito à Ucrânia e seguiu um rastro de sussurros através da fronteira, primeiro com a Romênia e depois com a Polônia. Fulvia estava em Varsóvia quando os nazis invadiram o país em 1939 e finalmente foi capturada sem encontrar sua mãe. Após ser enviada a um campo de concentração alemão, Fulvia passou os anos seguintes sobrevivendo detrás das cercas de arame, sem encontrar nunca a oportunidade de escapar. Após a liberação do campo em 1945, Fulvia inventou uma nova identidade italiana, se reinstalou em Roma e regressou a São Francisco em 1947. Na ocasião, o mundo de sua mãe Isabelle havia ficado quase totalmente destruído pela guerra. Fulvia tinha 32 anos.

Como tentamos mostrar em nosso documentário, o movimento anarquista posterior a Segunda Guerra Mundial estourou em todo o mundo durante os anos 60 e 70, uma época na qual Fulvia esteve muito ativa, junto com milhares de pessoas mais. Nosso documentário se centra sobretudo no falsificador anarquista Lucio Urtubia, o guerrilheiro anarquista Francisco Sabaté, o militante anarquista Octavio Alberola, o Grupo Primeiro de Maio e a Angry Brigade [Brigada Furiosa], pessoas que mantiveram viva a chama do anarquismo e asseguraram que seguisse existindo hoje em dia. Fulvia Ferrari foi uma destas pessoas e viveu em São Francisco ininterruptamente desde 1962 até 1978, quando se viu obrigada a fugir da Califórnia. Na idade de 63 anos, Fulvia desapareceu da cidade de sua mãe e nunca voltou a vê-la. Naquele momento, o anarquismo internacional havia emergido das chamas da Segunda Guerra Mundial e seguiria crescendo durante as décadas de 1980, 1990, 2000 e 2010. Contra todo prognóstico, os anarquistas mantiveram viva a chama, e a maioria de seus nomes passaram ao esquecimento da história. A Isabelle Lemel Ferrari e Fulvia Ferrari só se as conhecem por seus nomes falsos, os escolhidos deliberadamente para o consumo público, e temos a sorte de poder dar uma olhada em suas estranhas e tumultuadas vidas. Esperamos que nosso documentário revele com que força bateu o coração do anarquismo durante mais de duzentos anos, alimentado pelas ações destes homens e mulheres normais.

>> Assista ao filme aqui:

https://archive.org/details/thegreatanarchistconspiracy

Fonte: https://thetransmetropolitanreview.wordpress.com/2019/07/26/the-great-anarchist-conspiracy/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

O sol é o mesmo
A água é a mesma
—Eu é que sou a lesma!

Rubens Jardim

Semana de Ação Pela Terra e Contra o Agro, de 21 a 28 de setembro

Há semanas, uma grande nuvem de fumaça cobre boa parte dos territórios ocupados pelos Estados do Brasil, Bolívia, Paraguai, Peru e Argentina. Incêndios gigantescos queimam a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal e o sudeste. O principal responsável por essa traǵedia? O agronegócio. O agro destrói as florestas para criar gado e cultivar soja, milho ou outro produto feito commodities, para então ser exportado e encher os bolsos dos empresários. Para isso, não hesita em matar quem tenta impedir essa destruição: sejam indígenas, quilombolas ou ativistas ambientais.

A destruição dessas florestas perturba o sistema orgânico das matas e rios que garantem a umidade do ar. E agora enfrentamos a maior seca já registrada nesses territórios. Isso poucos meses depois de enchentes históricas afetarem centenas de cidades no chamado Rio Grande do Sul. Tanto as chuvas que causaram a inundação quanto a seca que agora agrava e amplia os incêndios criminosos do agronegócio são fruto das mudanças climáticas causadas pela emissão de gases de efeito estufa.

Estamos no meio de outra catástrofe gerada pelo capitalismo.

A maior parte dos alimentos que consumimos não vem do agronegócio, e aquilo que vem, vem cheio de venenos e outros químicos. O agronegócio serve só para enriquecer empresários, enquanto contamina nossos corpos, nossa água, degrada o solo e queima nossas florestas.

Enquanto isso, todos os governos, sejam de esquerda ou direita, seguem financiando os ruralistas e sua cruzada contra a diversidade, contra a vida, contra a própria Terra.

Por isso chamamos para a Semana de Ação Pela Terra e Contra o Agro, de 21 a 28 de setembro. Vamos nos organizar com nossos afetos, coletivos e organizações para agir contra o agronegócio e o capitalismo, em defesa da terra e da vida. Organize manifestações, ações de propaganda, bloqueie a logística do agronegócio, demonstre sua raiva e seu desprezo por um sistema que está nos matando lentamente com fumaça, poluição, com a destruição da vida ou tiros.

Agir é uma questão de sobrevivência.

Envie registros de ações para emdefesadaterra@riseup.net

>> Assista o vídeo do chamado aqui:

https://kolektiva.media/w/wbkjChoEJdrHXyRfUrXSau

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agência de notícias anarquistas-ana

grama nos trilhos
composições mudas
sem estribilhos

Carlos Seabra

Para enfrentar a assimilação eleitoral em Porto Alegre

A capital do Estado do Rio Grande do Sul contém particularidades que expressam as tendências globais das calamidades capitalistas, portanto decidimos fazer uma publicação especial sobre as eleições municipais de Porto Alegre. Essa publicação não tem o objetivo de tratar de modo detalhado o processo eleitoral em si, mas situá-lo no contexto da luta de classes mundial.

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Esse texto foi escrito enquanto respirávamos as nuvens de fumaça dos incêndios provocados pelo agronegócio. No momento não abordaremos esse fato, mas não poderíamos deixar de mencioná-lo nessa publicação, visto que expressa as tendências destrutivas que abordaremos aqui. Reconhecemos que nossa contribuição ainda não é suficientemente abrangente para a questão particular que nos propomos discutir. No entanto, as orientações gerais aqui expostas podem ser o ponto de partida para se aprofundar em discussões mais particulares acerca da luta de classes na região metropolitana do território ocupado pelo Estado do Rio Grande do Sul (e também noutras regiões).

// Nas eleições atuais de Porto Alegre, vemos uma disputa entre o partido socialdemocrata liderado pelo PT e a tentativa de reeleição do prefeito Melo (MDB). Na prática, a agenda petista continua sendo a manutenção da conciliação de classes através do aparelhamento de entidades representativas e “movimentos sociais” (com a nostalgia dos “bons tempos” da participação popular de outrora), concedendo algumas migalhas de políticas de inclusão e assistência social que possuem a função de anestesiar processos de revolta proletária. Por outro lado, a direita e ultradireita representadas pelo MDB investem numa cooptação da situação de crise e revolta para promover uma solução reacionária, aprofundando os processos de espoliações em curso na cidade sob sua gestão. \\

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://communismolibertario.blogspot.com/2024/09/para-enfrentar-assimilacao-eleitoral-em.html

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Sobre o gelo invernal
Surge afinal
O broto verde

Luiz Louceiro

Boletim da Biblioteca Terra Livre n.9 – A Venezuela e a Esquerda Brasileira

Nesse número, trazemos uma reflexão sobre as eleições na Venezuela de um ponto de vista anarquista. Que questionamentos o regime de Nicolás Maduro gera sobre o comunismo nos dias de hoje? Comentamos também sobre a repressão no Chile, que levou à morte de um manifestante.

Aqui no boletim você saberá sobre a temporada de feiras anarquistas que vai acontecer em Recife, em Porto Alegre, no Rio de Janeiro e em São Paulo nas próximas semanas. E, por fim, trazemos as informações sobre o minicurso de Bakunin e AIT que vai rolar em São Paulo no fim do mês.

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>> Leia o boletim da Biblioteca Terra Livre n.9 aqui:

https://bibliotecaterralivre.substack.com/p/9-a-venezuela-e-a-esquerda-brasileira

Bom proveito!

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sementes de algodão
agora são de vento
as minhas mãos

Nenpuku Sato

[Portugal] Feira Anarquista do Livro regressa a Lisboa para “refletir e debater ideias”

Não faltarão livros de dezenas de editoras e várias iniciativas, nomeadamente uma exposição fotográfica.

A Feira Anarquista do Livro já se realizou em diversas localizações de Lisboa, incluindo a Penha de França, Mouraria e Bairro Alto. Nos dias 21 e 22 de setembro, regressa para mais uma edição, desta vez na Casa da Achada, nas proximidades do Castelo de São Jorge.

O objetivo da iniciativa é proporcionar um espaço propício para a reflexão sobre as múltiplas expressões do anarquismo no contexto contemporâneo. “Partindo da premissa de que, ontem como hoje, a palavra impressa continua a permitir o intercâmbio de ideias, postas em prática no mundo concreto, acreditamos que a criação destes espaços de partilha continua a ter relevância para as lutas atuais e para as que estão por vir”, descreve a organização.

Embora o programa completo ainda não tenha sido divulgado, os organizadores confirmaram a existência de uma exposição fotográfica intitulada “Utopia Ameaçada: A Revolução de Rojava”.

Além disso, estarão representadas diversas editoras com as suas bancas. A lista de participantes inclui a Batalha, Chili com Carne, Antígona, Contrabando, Vozes de Dentro, Orfeu Negro, Tortuga, União Libertária e Flauta de Luz, entre outras.

“Numa realidade onde vemos recrudescerem insurgências contra a especulação imobiliária e a carestia de vida, contra a destruição ambiental e as alterações climáticas, contra o racismo e o patriarcado, contra as guerras entre os povos e o crescimento do neofascismo, contra o desenvolvimento hipertecnológico e o controle social, queremos mais uma vez expor as nossas ideias de emancipação, solidariedade e confrontação, num espaço onde ideias possam ser debatidas, afinidades possam ser geradas e laços possam ser fortalecidos”, acrescentam os fundadores. A entrada será gratuita.

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depois de horas
nenhum instante
como agora

Alexandre Brito

[Chile] El Sol Ácrata, n°6 (ejemplar 62, cuarta época), Septiembre de 2024

Compartilhamos uma nova edição de El Sol Ácrata, desta vez em sua sexta edição da quarta época (exemplar 62), correspondente a setembro de 2024.

EDITORIAL:

Especial 11 de setembro (1973 – 2024)

A 51 anos do golpe de estado cívico-militar, patronal e empresarial realizado contra o governo da Unidade Popular (sob a direção de Salvador Allende como Presidente da República desde 4 de novembro de 1970 até 11 de setembro de 1973) nosso jornal oferece uma antologia de documentos, entrevistas e arquivos fotográficos reunidos desta forma ao que parece pela primeira vez. Lamentamos não dispor de maior espaço para aprofundar as análises desde uma posição antiautoritária, mas confiamos em TUA INTERPRETAÇÃO E  ANÁLISE sobre os seguintes materiais históricos, para tirar A NECESSÁRIA CONCLUSÃO DE TODO ESTE PROCESSO.

Deixamos aberto o estudo, que esperamos ir ampliando em números posteriores.

Comitê Editorial. El Sol Ácrata, setembro de 2024.

>> Para ler, baixar e divulgar:

https://periodicoelsolacrata.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/09/el-sol-acrata-nc2b06-ejemplar-62-septiembre-de-2024.pdf

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Sobre o mar do Anil
Despedida de andorinhas —
O céu escurece.

Benedita Silva de Azevedo

[EUA] Imprimindo a anarquia

A figura comum do “anarquista” é um lançador de bombas ou assassino, mas a cientista política Kathy E. Ferguson argumenta que ele deveria ser um impressor.

Por Matthew Wills | 09 de agosto de 2024

O anarquismo raramente tem sido bem recebido pela imprensa, embora a impressão tenha sido uma das ocupações mais comuns dos anarquistas entre a Comuna de Paris e a Segunda Guerra Mundial. Embora a figura comum do “anarquista” seja a do atirador de bombas, a cientista política Kathy E. Ferguson sugere que uma figura mais representativa deveria ser a do impressor, “com o bastão de composição na mão, em frente à caixa de tipos, fazendo e sendo feito pelo processo material de produção e circulação de palavras”.

“A capacidade dos anarquistas de criar suas publicações”, escreve Ferguson, por meio de um processo que incorpora diretamente suas ideias – combinando trabalho mental e manual, valorizando a destreza física, a percepção intelectual e a criatividade artística – foi e é uma fonte de energia política que sustenta as comunidades anarquistas.

A alfabetização e a palavra impressa estavam no centro do movimento anarquista do final do século XIX. As comunidades ou escolas de anarquistas “se organizavam em torno de suas publicações”, emitindo “centenas de periódicos, livros, panfletos, folhetos, cartões e pôsteres em dezenas de idiomas”. Uma pesquisa encontrou setenta e nove periódicos anarquistas produzidos nos EUA entre 1880 e 1940, com circulação variando de algumas centenas a trinta mil. Somente a cidade de Nova York teve pelo menos trinta e oito publicações anarquistas em circulação entre 1878 e 1919. Durante o primeiro Red Scare, o FBI contabilizou 249 periódicos radicais nos EUA em 1919, embora nem todos fossem anarquistas.

Como as gráficas comerciais muitas vezes recusavam material anarquista – os anarquistas eram ferozmente reprimidos -, os anarquistas precisavam de suas próprias gráficas e impressoras. Por meio da escrita e da impressão, os anarquistas “podiam praticar o que pregavam, criando a sociedade pela qual ansiavam por meio do processo de reivindicação”, escreve Ferguson.

Os “impressores vagabundos” itinerantes trabalhavam por conta própria, “farejando o rastro da tinta da impressora”, alguns deles organizando sindicatos e disseminando ideias e práticas anarquistas. Alguns desses impressores eram “swifts” ou “speedburners” que participavam de corridas de composição tipográfica, que mediam a velocidade e a precisão da composição manual de tipos. Na composição manual, que não mudou muito desde a época de Gutenberg, o compositor segura um bastão de composição com uma das mãos e usa a outra para puxar os tipos (pequenos blocos de madeira ou metal com uma letra ou outro significante, como um sinal de pontuação) de uma caixa de tipos para criar linhas de palavras no bastão de composição. Elas são colocadas uma a uma, com blocos de espaçamento entre as palavras, à medida que as colunas de tipos são construídas.

“O trabalho exigia precisão, atenção aos detalhes, capacidade de ler e montar o texto de cabeça para baixo e da direita para a esquerda e capacidade de calcular o sistema de medição de pontos da impressora”, escreve Ferguson.

O tipo montado, juntamente com os blocos associados para imagens, gráficos e espaçamento, era preso em um formulário que pesava 50 libras ou mais. O trabalho era fisicamente desafiador e, muitas vezes, insalubre: as oficinas quentes e mal ventiladas podiam ser inundadas com partículas de chumbo dos tipos de metal.

A introdução do Linotype, que lançava tipos de metal quente com o toque, mais ou menos, de um teclado, no final da década de 1880, causou uma explosão no número (e nas edições) de jornais e outras publicações. Essas máquinas complicadas e caras reduziram muito o número de compositores, mas demoraram um pouco para se espalhar dos grandes jornais para as lojas menores. A composição manual sobreviveu à introdução da Linotype e de outras máquinas de metal quente; sobreviveu à composição por fototipia na década de 1960 e, depois, à composição digital na década de 1980. Atualmente, a impressão tipográfica mantém a tradição.

Os detalhes da análise de Ferguson valem o preço do ingresso (que é zero centavos, gratuito, cortesia da JSTOR). Ela descreve prensas movidas a pé, mula, bicicleta e carneiro, sim, um carneiro macho, que avidamente “juntava duas placas de madeira para pressionar o tipo contra o papel” em uma gráfica do Arkansas. A Freedom, sediada em Londres, vem publicando desde 1886, quando foi fundada pelo famoso geógrafo-explorador Peter Kropotkin e sua primeira editora, Charlotte Wilson. A Social Democratic Cooperative Printing Society de Chicago era formada por socialistas, anarquistas e sindicalistas que eram proprietários da gráfica que publicava o Chicagoer Arbeiter-Zeitung (1877-1931) em alemão, uma das publicações radicais de maior circulação nos EUA. O editor do Arbeiter-Zeitung, August Spies, e um dos redatores do jornal, Adolph Fischer, foram dois dos cinco homens executados em 1887, após um extraordinário erro judiciário decorrente do caso Haymarket. Anarquistas até o fim, ambos gritaram seu desafio ao poder supremo do Estado antes de serem enforcados.

Fonte: https://daily.jstor.org/printing-anarchy/

Tradução > Contrafatual

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Eco dos trovões:
O aguaceiro, de repente,
faz subir o rio

Goga

[Espanha] Lançamento: “Contra las cárceles. Contra el estado”, Xosé Tarrío

A ideia da prisão surge na história como meio pelo qual isolar e confinar àquelas pessoas que as autoridades consideravam prejudiciais ou subversivas às leis em vigência, anormais às pautas sociais estabelecidas. Ao longo da história, os cárceres e suas masmorras foram aplicados de formas diferentes; mas sempre, absolutamente sempre, constituíram, seja na era medieval, seja na era moderna ou contemporânea, uma ferramenta do poder imposto, e um meio coercitivo de reis, de militares e de políticos.

O estado é um aparato de poder que baseia sua existência no crime e no roubo, e que avilta, com suas fórmulas autoritárias e injustas de organização social, a convivência da sociedade, corrompendo-a e enfrentando-a entre si. Não podemos querer nem pretender eliminar o delito nem a prisão, deixando intato o maior criminoso da história: o estado. Devemos aboli-lo e com ele a todos esses representantes corruptos que vivem à custa dos demais.

É imprescindível acabar com o estado e com todas as suas formas repressivas, para desde suas ruínas edificar uma nova estrutura social organizada segundo as necessidades populares.

Contra las cárceles. Contra el estado

Xosé Tarrío

Rústica, 64 páginas, 17 cm x 12 cm.

editorialimperdible.com

@editorialimperdible

Tradução > Sol de Abril

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Divertem o gato
Na roça em frente ao portão
As folhas caindo.

Issa

[EUA] A autora anarquista Margaret Killjoy cria mundos trans nos bosques

Por Nico Hall | 29/08/2024

Vestida de preto até os tornozelos, com cabelos escuros em duas tranças, Margaret Killjoy me deixou entrar em sua casa nas montanhas arborizadas, onde vive uma vida de eremita com seu companheiro, seu cachorro Rintrah. Musicista transfeminina, apresentadora de podcast e autora de vários livros de fantasia, Killjoy vive nas montanhas de Appalachia em uma casa repleta de instrumentos, livros, arte e armas medievais. Para uma autora que escreveu um romance ainda não lançado descrito como “uma história de voz própria da bruxaria trans”, sua casa atendeu às minhas expectativas e muito mais.

O primeiro livro de fantasia crossover para jovens adultos de Killjoy, The Sapling Cage, será lançado em 24 de setembro e é descrito como um romance que remete a obras de fantasia e ficção especulativa de mulheres como Ursula K. Le Guin e Tamora Pierce.

Consegui fazer a entrevista pouco antes da turnê do livro The Sapling Cage na costa leste. Killjoy me disse que nunca houve tanto burburinho antes da publicação de um de seus livros. Mas, considerando que as ações malignas do livro giram em torno da extração de recursos e da acumulação de poder, e a protagonista trans que não está apenas explorando sua identidade, mas treinando para ser uma bruxa, e o anseio coletivo da geração Y e da geração X por algo parecido com as histórias de fantasia de nossa juventude, é fácil ver por que o momento é propício para o lançamento desse livro.

>> Para ler o texto na íntegra em inglês, clique aqui:

https://www.autostraddle.com/margaret-killjoy-the-sapling-cage/

Tradução > Contrafatual

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Saliência rubra
Teu sexo exala
Um cheiro de fruta

Ângelo Amarante